A profecia de Jabor ou Marcola como propaganda do Brasil sem jeito

Miguel Willalba Sánchez (Elchicotriste)
Miguel Willalba Sánchez (Elchicotriste)

Voltou a circular na internet uma falsa entrevista de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos supostos chefes do PCC, Primeiro Comando da Capital [de São Paulo], uma invisível organização criminosa que teria atuação em vários Estados do Brasil e países estrangeiros, notadamente da América do Sul.

É uma entrevista sempre divulgada nos anos eleitorais, com as devidas alterações para beneficiar candidatos a presidente da República,  governadores, prefeitos das grandes cidades, e a chamada bancada da bala.

Para dar veracidade, uma entrevista concedida, em data desconhecida, a um jornalista da Globo, cujo nome não é revelado.

Os principais jornais já publicaram centenas de depoimentos, esclarecimentos jamais concedidos por Marcola, incomunicável em cela individual de presídio de segurança máxima.

GLOBO: Você é do PCC?
– Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

GLOBO: – Mas… a solução seria…
– Solução? Não há mais solução, cara… A própria idéia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

Comenta o Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás – SINPOL-GO:

Uma “LIÇÃO” para nós brasileiros

 (…) O marginal “Marcola’’, concedeu a um jornalista de “O Globo”, uma análise estarrecedora dos “novos tempos”, [realidade] se faz presente na vida de todos os brasileiros.

Pelo depoimento do marginal “Marcola”, não há solução, pois não conhecemos nem os problemas.

Gostaria de chamar a atenção de vocês, para o fato desta entrevista ter sido publicada em um dos maiores jornais desse país, e que “todas as autoridades”  tomaram conhecimento da “gravidade” do assunto.

E o que estamos vendo… Exatamente o que o marginal “Marcola” profetizou… e o mais estarrecedor, que nada de concreto esteja sendo feito… vide a atitude irresponsável do governador de São Paulo, negando-se a receber ajuda do Governo Federal.

Genildo
Genildo

Informa o Diário do Estado do Mato Groso do Sul:

Adonis Marcos é o primeiro político a comentar entrevista com Marcola

Portal 19: Por que você, Adonis Marcos decidiu falar sobre um tema tão delicado que muitos preferem se omitir?

Não vi nenhum político aparecer e refutar o que Marcola disse na entrevista. Não se é medo ou apenas incompetência. De maneira alguma faço apologia ao crime organizado. Falo como político e ser humano. Preciso falar sobre esse tema delicado. Marcola diz que não há solução para o país, nem para as favelas. Mas existe dinheiro para resolver os problemas de todos os estados. Temos bons projetos, mas muitos políticos brasileiros a pobreza sempre foi de grande ajuda para se angariar votos. Sempre existirá o pai dos pobres, o salvador da pátria. Não querem ajudar. As favelas de hoje são os quilombos de ontem. Os escravizados e demais pessoas com graves problemas sociais rumaram para os morros para terem um lugar para morar, devido a omissão dos governos. Acabar com as favelas é acabar com votos. Mas não precisa tirar a pessoa da comunidade que tanto ama, apenas mudar a consciência dela”.

Portal 19: A situação calamitosa da maioria das favelas brasileiras tem solução?

“Qual a educação que o jovem da favela tem? Qual a visão que ele tem do local onde vive? Quem vai dar emprego para o jovem? O traficante, que vai pagar muito bem. O governo não age com firmeza, e o tráfico reina nas comunidades carentes. É mais vantajoso ser um soldado do tráfico a trabalhar numa loja ou empresa. Isso se ele conseguir uma vaga. Por morar na favela o preconceito pode tirar o meio de sustento de uma pessoa honesta, que pensa apenas em trabalhar honestamente. Mas forçada pela miséria, o traficante a seduzirá com poder e dinheiro”.

Portal 19: Qual a relação de políticos do cenário nacional em relação ao PCC?

Políticos de Brasília devem ao PCC, favores e dinheiro. Estão atrelados aos criminosos. Como podem lutar contra essa organização dentro do Congresso Nacional, no Senado? E para agravar o problema, os criminosos mesmo encarcerados podem realizar vídeo conferência com os comparsas espalhados pelos presídios do Brasil. O que aumenta o poder dos líderes. O ser humano acredita no deus que ele vê, ao visualizarem o Marcola, a figura desse líder aumenta. Facilmente um detento consegue adquirir internet e um computador, devido a corrupção existente nas cadeias brasileiras”.

PCC Rota polícia celular

A FALSA ENTREVISTA DE

MARCOLA FOI ESCRITA POR

JABOR

Continuando com a entrevista:

GLOBO: – Você não têm medo de morrer?
– Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
GLOBO: – O que mudou nas periferias?
– Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Você s, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?
– Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?
GLOBO: – Mas… não haveria solução?
– Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!” Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.
Sergei Tunin
Sergei Tunin

As máfias sempre defendem as ditaduras, a igreja, a família tradicional. São conservadoras e direitistas.

Sobre a entrevista de Marola, revelou Arnaldo Jabor:  “Eu escrevi nos jornais uma coluna em que inventei uma entrevista imaginária com um traficante preso do PCC. Na entrevista o personagem de ficção critica o Brasil de hoje e denuncia os erros das polícias e da sociedade. É um texto do qual eu me orgulho. É legal o texto. E todo mundo gosta, mas não acreditam que fui eu que fiz. Acham que é real a lucidez do bandido.”

O texto de Jabor, publicado em sua coluna de 23.05.2006 no jornal O Globo, vai sendo alterado conforme diferentes interesses políticos.

Não acredito no mando de um preso incomunicável. Marola constitui uma invenção da polícia para criar uma legenda de medo. Para informações comoventes e heróicas tipo governador Alckmin foi ameaçado de morte.

As favelas votam. São 1.100 favelas no Rio de Janeiro capital, e 2. 627 em São Paulo capital. Os favelados votaram em que candidatos nas últimas eleições para governador e prefeito?

Quem domina as favelas: os traficantes, as milícias, as polícias civil e militar?

Publica o jornal da OAB do Rio Grande do Sul: Voltou a circular, na Internet, uma entrevista, supostamente concedida pelo bandido“Marcola” a Arnaldo Jabor e que teria sido publicada pelo jornal O Globo, sem data e sem maiores referências. O texto na realidade foi ao ar, semanas atrás,  na Rádio CBN.

É puramente fictício, apenas mais uma crónica do Jabor. É possível ouvir o áudio em http://www.cbn.com.br. A entrevista, óbvio, não é verdadeira, mas assim mesmo é interessante (e preocupante). A entrevista ficcional revela o pavor do cidadão médio (medianamente intelectualizado) com o que está acontecendo e, ao mesmo tempo, uma certa consciência ingênua do papel do Estado. E revela também, infelizmente, uma certa visão autoritária (ao sugerir “uma ´tirania esclarecida´, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo… e do Judiciário…”).

Independentemente da veracidade, o texto é um sintoma preocupante, um sinal alarme. Se não foi “Marcola”, alguém pensou, falou ou escreveu isso, que está tendo eco na medida em que os que recebem a falsa mensagem, a replicam voluntariamente.

Essa sensação atinge, especialmente desde sexta-feira, os operadores do Direito ao constatarem, como efeitos da “Operação Hurricane” que, mais uma vez, magistrados de tribunais superiores, policiais e advogados  fazem parte de um esquema de um ativo e potente esquema de corrupção.

E que não são teses jurídicas ou respeito ao direito que sustentam e concedem certas liminares – mas que estas tem íntima ligação com polpudas propinas. É a história do “me dá$ que eu te concedo…”

Quando uma Salomé aparece numa redação, o jornalista dança

Jornais jamais destacam o assassinato de jornalistas.  Principalmente as ameaças de morte.

No Mato Grosso do Sul, a imprensa esqueceu o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, o Paulo Rocaro, editor do Jornal da Praça, em Ponta Porã (MS), que teve a morte encomendada pelo empresário Claudio Rodrigues de Souza.

Fotos Leo Veras
Fotos Leo Veras

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Cadê a polícia rápida? Idem a justiça?
Cadê a polícia rápida? Idem a justiça?

O Brasil é campeão mundial de censura judicial, apesar da autocensura imposta pelo patronato, via feitores, que praticam um constante assédio moral.

A mafiosa prostituta Salomé invade as redações para exigir, em uma bandeja de prata, a cabeça de jornalistas, reclamando que, quem paga a publicidade, compra a mensagem jornalística.

Costumeiramente, a imprensa ataca grevistas e líderes de movimentos sociais, discrinados como arruaceiros, baderneiros e trapalhões do caótico trânsito.

Nos atuais protestos de rua, dá mais destaque aos infiltrados do que às reivindicações legítimas dos manifestantes.

Resultado: a imprensa passou a ser considerada – e é – inimiga do povo.

No Brasil, a liberdade de imprensa é uma propriedade da empresa. O jornalista cumpre uma encabrestada pauta.

Em cada redação a regra: a opinião fica para o editorial. Se o jornalista quer opinar, compre um jornal.

Assim sendo, ninguém deve confundir o empregado com o patrão.

Não sei que andou pintando e bordando o Mato Grosso do Sul, para a jornalista Talyta Andrade ser “agredida”.

DiarioMS

Transcrevo do Portal de Imprensa:

Thalyta Andrade, repórter do Diário MS, foi agredida [prefiro o termo abordada], na tarde da última terça-feira (30/7), por manifestantes que ocuparam a Câmara de Dourados desde o dia 4 deste mês. Após cobrir uma reunião entre vereadores e representantes do Movimento Popular pelo Passe Livre (MPPL), a jornalista teve uma folha de seu bloco de anotações arrancada à força por uma jovem a quem havia entrevistado minutos antes.

Segundo a jornalista, a agressão ocorreu quando já deixava o Palácio Jaguaribe. “Eu me dirigia ao carro quando fui abordada [o termo correto]. A menina que eu entrevistei no plenarinho, chamada Caroline, me chamou, pediu para eu repetir o que tinha anotado de falas dela novamente e disse que a imprensa estava sendo muito incoerente e por isso eles tinham que tomar cuidado”, relatou. “Ela estava acompanhada por três pessoas e enquanto eu respondia a outra, a que entrevistei tomou a folha”, completou a jornalista.

De acordo com o Correio do Estado, a jornalista disse que as agressoras argumentaram possuir o direito de praticar o ato, para que a entrevista não fosse publicada. A agressão à liberdade de imprensa foi testemunhada por profissionais de outras mídias que também trabalhavam na cobertura da reunião.

Thalyta contou que a atitude das agressoras foi inesperada. “Fiquei estarrecida e nem tive reação. Estou indignada”, disse. A repórter procurou o 1º Distrito Policial e foi orientada a retornar hoje para o registro de um B.O (Boletim de Ocorrência) junto ao 2º DP, que tem como titular a delegada Magali Leite Cordeiro, que já investiga dano ao patrimônio público causado pelos manifestantes.

A repórter informou que antes da agressão, quando ainda estava dentro da Câmara, ouviu integrantes do MPPL se referirem ao Diário MS como mentiroso. “Já tinha sido hostilizada antes, mas nunca pensei que chegaria a este tipo de situação”, contou a jornalista, que acompanha desde o início a ocupação da sede do Legislativo. Ela explicou que a hostilidade teve início a partir de uma matéria assinada sob o título “Ocupação da Câmara vira ‘Big Brother’”, publicada no dia 18 deste mês.

Polícia rápida

Na última quarta-feira (31/7), a delegada Magali Leite Cordeiro ouviu o depoimento da manifestante do MPPL (Movimento Popular pelo Passe Livre).

A delegada diz que a agressora deve ser condenada a cumprir pena de prestação de serviços comunitários ou pagamento de cestas básicas.

“Ela [agressora] prestou depoimento e apresentou a mesma versão da Thalyta [vítima], mas acreditando estar com a razão”, disse a delegada.
Segundo o Diário MS, a manifestante arrancou à força uma folha o bloco de anotações da jornalista, sob a alegação de que não queria ter suas falas publicadas.
O MPPL publicou uma nova versão para o ocorrido em sua página. Eles pediram desculpas “aos leitores de nossa página pela nota publicada ontem [quando acusaram a jornalista de agir errado], já que visivelmente ela foi movida pela emoção e o calor do momento”.
O MPPL ainda disse que uma integrante do movimento “abordou a jornalista e pediu a mesma para ser retirada a fala” de uma entrevista concedida anteriormente. Eles alegaram que as duas conversaram de forma educada e que “tudo transcorreu na mais possível civilidade e, mesmo depois do pedido da pessoa entrevistada para que se retirasse a entrevista em questão não foi o que aconteceu”.
polícia nas ruas
.
[E quando a polícia agride?
Nunca vi nenhum jornal pedir a punição dos policiais dos governadores que batem e prendem jornalistas.
Dos policiais que atiram balas de borracha contra jornalistas.
Dos policiais covardes que jogam bombas de gás lacrimogêneo contra jornalistas.]
Ilustração de Alexander Dubovsky
Ilustração de Alexander Dubovsky

Acusados de executar o jornalista Paulo Rocaro circulam livremente

Toda morte de jornalista sempre tem a participação de policiais e/ou ex-policiais. Esta a razão de federalizar a investigação e julgamento dos assassinos. São crimes  de repercussão internacional, e que mancham o nome do Brasil, e assinalam que não temos um regime verdadeiramente democrático.

Relata o Portal da Imprensa:

Moradores de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, afirmam ter visto recentemente os acusados pela morte do jornalista Paulo Rocaro na cidade. No dia 12 de fevereiro de 2012, a mando do empresário Claudio Rodrigues de Souza, o Claudinho “Meia Água”, os contratados Hugo Stancatti Ferreira da Silva e Luciano Rodrigues de Souza executaram Rocaro enquanto este dirigia em Ponta Porã (MS).

Leia também

– Empresário mandou matar Paulo Rocaro por motivos políticos, diz polícia do MS
– Polícia Civil de Ponta Porã (MS) revela os nomes dos assassinos de Paulo Rocaro

Assassinos de jornalista (foto) circulam livremente no Paraguai
De acordo com o Mídia Max News, as testemunhas contaram que Silva vinha circulando livremente pelas ruas da cidade paraguaia, mesmo tendo mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira, por outros crimes. Já o outro acusado, Souza, esteve há poucos dias na residência de Claudinho “Meia Água”, em Ponta Porã, passando pelo município de Pedro Juan, até fugir para São Paulo, destino que outras fontes informam ser seu atual paradeiro.

O delegado Odorico Ribeiro de Mendonça e Mesquita, condutor do inquérito do assassinato de Rocaro, disse que a Polícia Civil de Ponta Porã ficou durante muito tempo à espreita, na tentativa de prender Silva.

Mesmo não tendo o mandado de prisão pela morte do jornalista, Mesquita contou com a possibilidade de deter o acusado por seu envolvimento em outros crimes, eventualmente fazendo-o confessar sua participação na morte de Rocaro. No entanto, Silva nunca saiu do território paraguaio e a polícia local também não mostrou interesse em prendê-lo.

SIP cobra investigações do assassinato de jornalista paraguaio na fronteira com o Brasil

Na última quinta-feira (7/2), a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, pela sigla em espanhol), cobrou investigações do assassinato do jornalista paraguaio Marcelino Vázquez, dono e diretor da rádio Sem Fronteiras 98.5 FM, morto em Pedro Juan Caballero, fronteira com o Brasil, informou o portal Infobae.

“Instamos as autoridades a investigar o caso com diligência para esclarecer e trazer os responsáveis à justiça, pois esta é a maneira mais eficaz de acabar com a violência e impunidade”, expressou Claudio Paolillo, presidente de la Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP.

A cidade de Pedro Juan Caballero é conhecida pelo grande cultivo de maconha e por ser um dos principais pontos de receptação das chamadas “drogas pesadas”. Jornalistas que trabalham na cidade enfrentam ameaça constante.
O crime
Marcelino Vazquez
Marcelino Vazquez
Na última quarta (6/2), por volta das 19h, o radialista deixou os estúdios da 98,5 FM e foi para uma boate, da qual também era dono. No caminho, dois homens em uma motocicleta atiraram diversas vezes contra ele. O empresário chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com a RSF, o assassinato provavelmente é obra do crime organizado do país.
Pedro Juan Caballero
é a capital do departamento de Amambay, no Paraguai. Possui uma população de 100 000 habitantes. Constitui uma conurbação com a cidade brasileira de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Seu nome homenageia um dos líderes da Independência Paraguaia, o capitão Pedro Juan Caballero.

Ponta Porã

está distante 350 quilômetros da cidade de Campo Grande, capital do estado. Ligada por meio de Rodovia Federal, que também dá acesso aos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. A população do município é de aproximadamente 80 mil habitantes.

El Sindicato de Periodistas del  () condenó el  de 

“Luego de conocer este luctuoso suceso, hemos contactado con colegas de Pedro Juan Caballero. La mayoría señaló que el asesinato del periodista no tendría nada que ver con su trabajo de hombre de radio, sino una vil venganza porque supuestamente había denunciado a la Policía de la zona la presencia de vendedores de drogas en la discoteca de su propiedad”, refiere el comunicado dado a conocer hoy por el SPP.

La imputación realizada por la Fiscalía General y los informes de colegas confirman esta versión. Ante esta situación, el SPP señala lo siguiente:

1- El asesinato a sangre fría de Vázquez por una cuestión ajena a su labor radial, genera igualmente un mayor clima de inseguridad y miedo en la familia periodística de la frontera. Esto es así porque, según los colegas, muchos trabajadores de prensa ni siquiera se animan a hacer un seguimiento periodístico de hechos criminales cuando está de por medio una organización criminal vinculada a las drogas.

2- El caso de Vázquez nos trae a la memoria el asesinato del periodista Santiago Leguizamón, ocurrido el 26 de abril de 1991. En aquella, ocasión los “dueños” de la frontera, los capomafiosos dedicados al contrabando y al tráfico de drogas, ordenaron también liquidar al director de Radio Mburucuyá.

3- El móvil de ambos crímenes, separados por casi 22 años, no son idénticos. Sin embargo, tienen un propósito único: acallar a dos periodistas honestos que habían osado denunciar los negocios sucios de los capos de la droga en la frontera.

4- El Sindicato de Periodistas del Paraguay exige a las autoridades nacionales así como a las de la zona de Amambay esclarecer el asesinato del periodista Vázquez, ya que sería doblemente penoso que también quedara impune como en el caso de Leguizamón. El brazo de la justicia, esta vez, debe atrapar a los actores materiales e intelectuales del nuevo crimen.

El senador liberal sostiene que los traficantes más que nunca tienen poder económico y bélico en Pedro Juan Caballero, y que las fuerzas de seguridad están rebasadas. Admite que el grupo invierte en la política y muchos incluso son candidatos

Entrevista senador liberal Robert Acevedo:

-Los narcos comenzaron a invertir en la política y apuntaban a convertir a Pedro Juan en una narcosociedad. Me asocié con jueces federales brasileños, con la Policía Federal brasileña, con la Senad, recurrí a la Embajada americana. Doné un terreno a la Gobernación para la construcción de la base de la Senad, que financió la Embajada americana. Lastimosamente hay apenas ocho efectivos. Todo eso hizo que ellos creyeran que era parte integrante de las fuerzas que estaban derribando las cargas (de droga). También por mis denuncias a jueces que liberaban a los narcos. Evidentemente estaba molestando. Tienen mucho poder como nunca antes tuvieron, económica y bélicamente, con armamentos y hombres. Cada vez son más y rebasan todas las fuerzas de seguridad.

“É preciso descobrir quem está por trás dos traficantes que lotam cadeias”, diz Hudson Corrêa

De acordo com Corrêa, o intuito da reportagem era mostrar grandes nomes por trás do narcotráfico. É na cidade de Pedro Juan Caballero, no departamento paraguaio de Amambay, que mora Luiz Carlos da Rocha, apontado pela Polícia Federal (PF) brasileira como o número 1 do narcotráfico. “Muitos dos novos ´barões´ atuam em uma rede organizada sob uma lógica empresarial. A PF estima que o narcotráfico movimenta cerca de 100 milhões de dólares nas fronteiras entre Ponta Porã (Mato Grosso do Sul) e Pedro Juan Caballero.”

[No Brasil, todos os redutos de traficantes – na fronteira seca e nas favelas das grandes e médias cidades – elegem seus candidatos. São currais eleitorais jamais investigados]

 

Santa Catarina deportará bandidos pés de chinelo porque não acredita na qualidade dos serviços das operadoras de telefonia. As ligações interurbanas não funcionam

BRA_AN transferir líderes

Se somar a fortuna dos bandidos presos que serão transferidos de Santa Catarina vamos constatar uma hilariante realidade: A polícia investiga, e a justiça apenas condena os pobres.

Pelo noticiário policial, o tráfico não rende dinheiro. Está limitado à venda de drogas em favelas e aos moradores de rua.

Enquanto isso morre na Bolívia o chefão da máfia: En el material se dice que Oviedo fue jefe del cartel de Paraguay —sucedáneo regional del liquidado cartel colombiano de Cali—. Y desde ese puesto se transformó en uno de los principales proveedores de cocaína y marihuana para los mercados de la Argentina y el Brasil.

Documento que quedó en manos de la comisión parlamentaria brasileña que conducía en ese tiempo el diputado Magno Malta, alude al “enriquecimiento vertiginoso gracias al tráfico de drogas, el contrabando y la corrupción” que quedaron aparentemente enmascarados con actividades legales.

Se dice, por ejemplo, que Oviedo se asoció con militares y políticos paraguayos y con comerciantes brasileños. Pequeñas partes del informe, publicadas por el diario O Globo de Río de Janeiro, indican que el ex militar no sólo distribuía la droga en la región sino que se encargaba de embarcarla hacia Europa y EE.UU.

Revela también que en la frontera entre el Brasil y Paraguay por los estados de Paraná y Mato Grosso do Sul se concentran las mayores operaciones de tráfico y lavado de dinero. Se calculaba, hace diez años, que eran “blanqueados” por ese corredor unos 500 millones de dólares al año.

Quem eram os amigos de Oviedo no Paraná?
Que políticos defenderam o golpe da turma de Oviedo em Santa Catarina?
BRA^SC_NDF PCC

Mato Grosso do Sul: Quantos jornalistas foram assassinados em 2012?

Terra sem governo, terra sem justiça, o jornalismo também tem gosto de terra e sangue.

A lei da bala impera na fronteira do Mato Grosso do Sul.

Transcrevo um artigo de Eduardo Carvalho, que pode ser seu próprio epitáfio e nomeação dos seus possíveis assassinos:

Em Mato Grosso do Sul vagabundo morre, vira herói ou ‘empresário’

Um vagabundo dos piores, e foi abatido a tiros por algum desafeto, e em virtude de sua morte vira herói, ou ainda é denominado ‘’empresário de comunicação’’, tão somente por ter adquirido sabe-se Deus como, um Jornal.

Por sinal, veículo de imprensa que era tido, e havido, como arma de ataque a juízes, e outras profissionais da área  de segurança pública na área de fronteira.

Foi esse justo, amável, e trabalhador  ‘’empresário’’, que era acusado de ter financiado a morte de um jornalista de verdade, e que foi brutalmente, e covardemente assassinado por gente que não aceita o processo democrático reinante no país, apesar desse sério profissional ser um paraguaio de origem, mas que incomodava com seu trabalho na área de comunicação realizado do lado de lá de Ponta Porã. Tulú foi acusado pela prática de mando do assassinato.

Tulú como gostava de ser chamado o ‘’quase capo’’ fronteiriço, não era flor que se se cheira, assim como seu irmão, um outro covarde metido a bandido, de vulgo ‘’tatá’’ e que age pelas costas de suas vítimas, ou ainda as cagueta, assim como fez ano passado, quando aqui na capital esteve, e para entregar a uma autoridade, todo esquema de contrabando de cigarros, e outros coisas que ele mesmo disse ser “anormais’’, e que ocorrem na área de fronteira.

O cagueta safardana,  com fama e jeito  de  ‘’sanguinário perigoso’’, e que por sinal está pedido pela INTERPOL, mandava recados de morte para jornalistas, e desafetos, e há quem diga que a morte de Paulo Rocaro pode ter seu ‘’dedinho’’ para incriminar inocentes.

Foi no casino, ou melhor, no ‘’Bingo Guarani’’ de propriedade do contraventor, misto de empresário TULÚ que encomendaram quem pudesse  dar conta de minha vida, o convescote criminoso, e sob os olhos complacentes do tal  TULÚ, é que vagabundos iguais a si, tramaram minha morte, e que segundo quem me repassou as valiosas informações, essa deveria ser feita com requintes de crueldade.

Deus amante, e justo pela vida, e sapiente da justiça, não deixou que comigo nada acontecesse, o mesmo não ocorrendo com o marginal apelidado de TULÚ, esse que agora acompanha o satanás nas fornalhas do mais profundo inferno, restou seu fiel puxa saco, outro bandido igual a si, o tal ‘’Ananias’’ um paraguaio safardana,  seria o ‘’contratante’’ dos pistoleiros, e segundo informes,  os trazer ia a Campo Grande, a fim de fazer o serviço de morte.

Deus me protegeu! Agora tenho recebido e-mails, tais quais os aqui apresento em público para que as pessoas saibam que bandido defende bandido igual a si, e pelo que vejo tenho que me proteger tendo em vista que iguais protegem iguais e bandidos familiares tais quais ao vagabundo que morreu, por pura paixão, ou ainda  pela moleza do dinheiro fácil que acabou, devem estar tramando minha morte, ao qual deixo o aviso: “Pode vir que encontra resistência, não morrerei que nem a porco escanteado, em reais chances de defesa, todo aquele que vir, pode também levar. Dado o recado! Leia o e-mail e saibam que lado a verdade prevalece.

[Eduardo escreveu este texto em 8 de outubro. No dia 21 de novembro foi assassinado. Por que usou apelidos? Que tipo de polícia insinua defender? Que justiça? Polícia e justiça atacadas por um jornal concorrente, cujo proprietário também foi morto. Temos, no texto, quatro mortes anunciadas: 1. um dono de jornal, 2. um “jornalista verdadeiro”, 3. Paulo Rocaro, 4. Eduardo Carvalho]
Em 11 de novembro, Israel Espíndola escreveu no UH News:
Jornalista entrega vídeo e farta documentação à PF para ser enviada ao CNJ
O jornalista Eduardo Carvalho entregou, na Sede da Polícia Federal, farta documentação impressa e em video dando conta das falcatruas perpetradas pelo ”doutor” Joseph Sleiman, vulgo ”zuzão” e sua quadrilha. Segundo a denuncia, ”zuzão” alega ser vedendor de sentenças, essas proferidas por desembargadores e juízes do TJ MS.Num dos trechos da gravação, ”Zuzão” diz saber quem matou o ex-policial civil Serjão, e aponta como mandante o pecuarista Antonio Dameto; noutro trecho diz que o também advogado Paulo Macetti é um estelionatário, e que seu traballho consciste em jogar dois dos lados da clientela que atende; fala sobre decisões judiciais e, tempos atrás, Zuzão estaria arquitentando a morte desse jornalista, na cidade de Ponta Porã, com seu cumpadre de alcunha Tulú e outros de seu bando. É aguardar e conferir!

“A polícia de Mato Grosso do Sul não precisa recorrer a nenhum Sherlock Holmes para desvendar o assassinato de Eduardo Carvalho”

por Valfrido Silva

dedo duro

Não é porque morreu, assassinado (…) na porta de sua residência, na frente da família, em Campo Grande, que o jornalista Eduardo Carvalho (na foto, com o dedo-duro da Uragano, Eleandro Passaia) entra para o rol dos santos. Tinha lá seus pecados. E muitos, sobretudo no campo da ética profissional. Destemido, até pela formação como policial militar, talvez por isso mesmo abusando da audácia sempre que à mesa de negociações para a fechamento de contratos em seu site UHNews. Sua empresa, de comunicação impressa, virtual e até televisiva, era daquelas cujo crescimento se dava mais pelos seus controvertidos critérios de autocensura do que, efetivamente, pela receita publicitária. Mas, daí a ser rifado, pura e simplesmente, pela bandidagem do colarinho branco, são outros quinhentos. Até porque, espera-se, que esse negócio de esquadrão da morte, pelo que se vê, seja apenas do lado de lá da barranca do Rio Paraná.

A polícia de Mato Grosso do Sul não precisa recorrer a nenhum Sherlock Holmes para desvendar o assassinato de Eduardo Carvalho. Só não vê quem não quer os possíveis responsáveis pela pistolagem. As pistas abundam a partir de uma simples olhadela na listagem de matérias do UHNews. E nem precisa uma busca mais avançada. Mas alguém duvida que este seja apenas mais um crime desse tipo a cair no esquecimento? Assim como o de Paulo Rocaro. Pior, o do colega ponta-poranense, caindo num providencial esquecimento depois de o Secretário de Segurança Pública, Wantuir Jaccini, ter afirmado com todas as letras que já tinha todos os elementos para chegar aos autores, acrescentando, inclusive, que haveria “surpresas”, quando até as crianças dos grupos escolares dos dois lados da fronteira desconfiam quem são os pistoleiros e seus respectivos mandantes.

Coincidência ou não [uma semana antes], Eduardo Carvalho me ligou. Queria vir a Dourados conversar sobre algumas denúncias que andei fazendo aqui no blog. Disse que havia apurado mais detalhes sobre um desses rumorosos casos de crime de colarinho branco, envolvendo regime especial e uns bacanas que, não faz muito tempo, até já andaram fazendo curso de canarinho, mas que, impunes, continuariam agindo no Estado por meio de poderosos laranjas. “Sartei de banda”, como diz o Russo, prometendo visitá-lo numa dessas minhas cada vez mais raras idas a Campo Grande. Quer pista melhor que esta?

Outra coisa: atentem aos detalhes da foto que ilustra este texto e reflitam sobre um dos mais conhecidos ditos da humanidade: diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

[Sempre tem polícia na morte de jornalistas]

Enquanto delegado de polícia acobertado pelo Judiciário continuar se achando no direito de bater à porta de jornalista de arma em punho com a desculpa de lavar a honra da família e ninguém tomar providências, outros profissionais de imprensa podem ter o mesmo destino.

Pelo sim, pelo não, está dado o recado. Nós, jornalistas, de verdade, agradecemos a turma do colarinho branco, por tanta cortesia e amabilidade.