As chacinas dos soldados dos governadores não podem continuar. Basta! Que o povo condene as feras assassinas na hora de votar

“Num momento em que cresce o envolvimento de policiais em todo o tipo de crimes no Rio de Janeiro…”

 

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Como sempre acontece: Mais “dois rapazes sem antecedentes criminais foram assassinados pela Brigada Militar”. O jornal “Pioneiro” insinua que jovens fichados pela polícia merecem ser trucidados.

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Cláudia, por Marília Nobre
Cláudia, por Marília Nobre

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Um grupo de soldados facínoras matou a dona de casa Cláudia, no Rio de Janeiro; e outro, veio buscar o corpo para levar para um cemitério clandestino. Aconteceu do cadáver cair da mala do carro dos coveiros cúmplices. Dizem que Cláudia ainda esta viva. Estamos em uma ditadura judicial/policial

 

Mulher arrastada por viatura da PM RJ

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A justiça do Rio de Janeiro  solta os soldados coveiros que arrastaram o cadáver da doméstica Cláudia, quando saia de casa para comprar pão e leite para os quatro filhos, sendo dois adotados
A justiça do Rio de Janeiro solta os soldados coveiros que arrastaram o cadáver da doméstica Cláudia, quando saia de casa para comprar pão e leite para os quatro filhos, sendo dois adotados

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Os inquéritos policiais são risíveis. Quando o soldado do governador mata prevalece a velha desculpa da “resistência seguida de morte”.

 

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E para dar mais poder de fogo ao estado repressivo, ditatorial, o estado máximo apenas em uma suposta segurança, querem armar os guardas dos prefeitos

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Os excluídos, os sem nada, os salário mínimo, que moram nas favelas, temem mais os assassinos dos governos oficiais do que os pés-raspados dos governos paralelos.

 

Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina Silva, há 36 anos vive em uma favela do Rio Branco, Acre. Apesar da filha rica e poderosa, jamais foi assaltado ou sofreu ameaça de sequestro.
Pedro Augusto, 87 anos, pai de Marina Silva, há 36 anos vive em uma favela do Rio Branco, Acre. Apesar da filha rica e poderosa, jamais foi assaltado ou sofreu ameaça de sequestro.

Por que a polícia simplesmente não obedece à lei?

por Mário Donato

De Eugênia Souza, no blogue Olga
De Eugênia Souza, no blogue Olga

Na última quarta-feira, mais dez PMs foram condenados pelo massacre ocorrido no Carandiru em outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos. Cada um teve uma pena estipulada em 96 anos, com exceção de um que deverá “puxar” 104 anos. Até agora, 58 policiais foram condenados.

Também os três policiais que mataram Cláudia da Silva Ferreira e depois saíram arrastando seu corpo pelas ruas do Rio de Janeiro estão presos e certamente serão punidos.

O governador Sergio Cabral pediu desculpas e garantiu que considerava aquilo uma desumanidade, que isso não está no protocolo da polícia, que ações desse tipo são condenáveis, blablablá.

Como assim?

Dois dos três policiais militares cariocas presos possuem registros de homicídio decorrente de intervenção policial. Um como autor em 3 e o outro em 13 (!!) mortes. Mas os três juntos constam como envolvidos em 62 autos de resistência (mortes de suspeitos em confrontos com a polícia).

Se isso não é ‘modus operandi’ então não sei mais nada. E se há um padrão na atuação, é porque há instrução para tal procedimento.

Mas quem paga o pato?

Sempre que ocorre o flagrante de policiais no “cumprimento do seu dever”, são eles, e apenas eles, os condenados. Até quando será assim?

Talvez para sempre. Pois então que tal se policiais adotassem uma postura mais civilizada? Os soldados ainda não se deram conta de que as ordens são dadas mas se a casa cair a chefia acusa-os de ovelhas desgarradas? Por que não passam a agir apenas e unicamente de acordo com lei? Desse modo, além de menos mortes, começaríamos a ter alguma justiça, mínima que fosse.

Policiais precisam lembrar que, independentemente de estarem ou não trajando fardas, também são, primeiramente, civis. E que seu comportamento reflete no que estamos vendo quando populares passam a amarrar infratores nos postes e praticar linchamentos.

O professor de história e membro da Uneafro, Douglas Belchior, afirmou em entrevista que “o fato de o Estado ser o primeiro a propor soluções políticas violentas, contribui para que a sociedade repita a punição, a ideia de assassinatos como resposta aos conflitos sociais.”

Essa violência difundida e banalizada precisa da adesão de todos, todos, para começar a ser reduzida. Se essa ordem não vem de cima, precisa ser plantada de baixo.

O discurso de que a barbárie não é aceita é conto de carochinha. Não só é aceita como estimulada.

As tropas que atuaram no presídio do Carandiru entraram por livre e espontânea vontade e uma vez lá dentro agiram como num bang-bang na base do cada um por si, ou invadiram a mando e obedeceram ordens de extermínio?

A corda sempre roi no lado mais fraco. Assim como a sociedade anda cobrando o fim da violência que atinge sobretudo negros e pobres, deveria exigir punição não apenas para os peões do tabuleiro.

De Luiza Ozilak, no blogue Olga
De Luiza Ozilak, no blogue Olga

As prisões brasileiras são as piores da história da humanidade

Obras primas foram escritas no cárcere. E, também, porcarias como Mein Kampf de Adolf Hitler.

São Juan de la Cruz, o maior poeta místico, proibido de escrever, memorizou grande parte do Cántico Espiritual.

Prisioneiros nos campos de Hitler e Stalin podiam escrever cartas que, mesmo censuradas, hoje comprovam a brutalidade dos dois ditadores.

São Paulo escreveu de sua detenção em Roma, parte de Novo Testamento.

Só no Brasil, um condenado, em presídio de máxima segurança, pode montar um governo paralelo. Se isso não é uma farsa, sinaliza que o sistema carcerário atingiu um grau de corrupção sem similar na história da criminalidade. Primeiro não entendo como um preso prefere governar São Paulo dentro de uma prisão, quando poderia fugir, e conseguir o poder da liberdade.

images José Dirceu

Transcrevo  da Tribuna da Imprensa, esse comentário da Folha de São Paulo: “Sob o argumento de que os presos também têm direito à informação e a se expressar, a defesa de Dirceu enviou à Justiça um pedido de autorização para que ele possa continuar atualizando seu blog na cadeia.

No pedido à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, o advogado José Luis Oliveira Lima cita que a Lei de Execução Penal estabelece como direito dos presos  ‘o contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação’.

Por isso, na visão de Lima, o direito à liberdade de expressão e informação está garantido aos presos. No seu entender, só poderia haver restrição visando impedir crimes, para preservar a segurança do presídio ou para evitar fugas e motins.

Citando juristas, ele destaca que ‘mesmo encarcerado, [o preso] mantém o direito de estar informado dos acontecimentos familiares, sociais, políticos e de outra índole, pois sua estadia na prisão não pode significar marginalização da sociedade. Em suma, o sentenciado mantém íntegro o direito à liberdade de informação e expressão’.

A prisão de Dirceu e outros condenados no Complexo da Papuda gerou insatisfação de familiares de outros presos devido ao tratamento diferenciado. Eles receberam no início visitas de parlamentares em dias e horários flexíveis”.

No meu entender, um governador, um deputado, um senador, um advogado, um juiz e outras autoridades competentes têm todo o direito de visitar qualquer preso, para investigar se os direitos humanos não estão sendo violados. Essas visitas deveriam acontecer sempre. Evitariam tortura, prisões sem julgamento, mortes e outros crimes. Inclusive assaltos aos cofres públicos, notadamente na compra de marmitas.

Será que existe maneira de impedir que um preso, em regime semi-aberto ou em regime domiciliar, use um computador, um telefone?

No Brasil atual estes livros jamais poderiam ser escritos:

OS DEZ MAIORES LIVROS ESCRITOS ATRÁS DAS GRADES

por Cynara Menezes

(Miguel de Cervantes por Salvador Dalí)
(Miguel de Cervantes por Salvador Dalí)

Vi essa lista na internet em vários lugares –parece que originalmente saiu daqui. Achei que tem tudo a ver com os tempos que “rugem”. Eu acrescentaria o brasileiro Memórias do Cárcere (publicado postumamente em 1953), deGraciliano Ramos, escrito durante e após a prisão, em 1936, acusado de participar da Intentona Comunista (1935). Prisões por desviar impostos, por bandidagem, por desviar dinheiro público… A vida imita a arte ou a arte imita a vida?

UPDATE: vários leitores do blog sentiram a falta de Os Cadernos do Cárcere, de Antonio Gramsci, na lista. Talvez no lugar de Minha Luta, que tal?

UPDATE2: outros leitores também se lembraram, com razão, do francês Jean Genet, que escreveu Nossa Senhora das Flores na prisão; e o exploradorMarco Polo, que também estava preso quando ditou a um companheiro de cela O Livro das Maravilhas ou Il Milione.

1. Dom Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes: Cervantes engendrou o Quixote na cárcere de Sevilha, quando, sendo arrecadador de impostos, foi preso no ano de 1597 por se apropriar do dinheiro público após serem investigadas diversas contas das quais ele era responsável.

2. Mein Kampf de Adolf Hitler: Minha Luta  foi escrito por Hitler na prisão de Landsberg, no verão de 1924. Hitler se encontrava ali depois de ter sido condenado a cinco anos de prisão por haver planejado e executado o falido Golpe (ou putsch) de Munique. Este livro condensa as principais ideias que ele levaria a cabo durante seu governo de triste memória.

3. Cancioneiro de Ausências, de Miguel Hernández: Ao começar a Guerra Civil Espanhola, Hernández se alistou no bando republicano. Quando acabou a guerra, por haver pertencido ao lado perdedor, foi condenado à morte, mas depois a pena foi comutada para 30 anos de prisão. Durante sua estadia encarcerado escreveu esta coleção de poemas com uma linguagem nova que marcava o início de uma mudança de estilo. Neles, as ausências, as marcas do que viveu, a meditação interior, a morte de seu primeiro filho e as esperanças que gera no segundo, na perspectiva de um futuro impossível, constituem um estremecedor testemunho do final de uma poética e de um homem, que é também o final de uma história.

4. A história me absolverá, de Fidel Castro:  o livro representa a auto-defesa de Fidel Castro no julgamento contra ele que começou no dia 16 de outubro de 1953 pelos ataques aos quartéis de Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, ocorridos no dia 26 de julho do ano anterior. Diante do júri, Fidel Castro, então licenciado em Direito Civil, decide assumir sua própria defesa.

5. Lazarillo de Tormes, Anônimo: Ainda que  a história tenha declarado este clássico do relato picaresco como uma obra anônima, o nome de Diego Hurtado de Mendoza, um poeta e diplomata espanhol, foi um dos que mais força teve à hora de outogar-lhe um possível autor. A história conta que Hurtado de Mendoza, sendo governador de Siena, foi acusado de irregularidades financeiras, pelo qual foi levado à cárcere de la Mota. Se diz que durante o tempo em que permaneceu atrás das grades redigiu o famoso Lazarillo de Tormes. Em seguida foi desterrado em Medina del Campo por ordem de Felipe II.

6. De Profundis, de Oscar Wilde: É uma longa e emocionada carta que Oscar Wilde escreveu a seu amante Alfred Douglas, filho de marqueses, na prisão de Reading, onde cumpria uma pena por comportamento indecente e sodomia. Nesta carta, datada de 1897, expõe os sentimentos, inquietudes e ressentimentos em relação a Douglas.

7. Justine, do Marquês de Sade: Justine ou os infortúnios da virtude é um romance escrito pelo Marquês de Sade em 1787 durante uma de suas estâncias prolongadas na prisão da Bastilha. É considerada uma obra maldita por expor os pensamentos mais obscuros do autor.

8. Dos nomes de Cristo, de Frei Luis de León: Frei Luis de León foi um poeta, humanista e religioso agostino espanhol da Escola Salmantina. Esteve na prisão por traduzir a Bíblia à língua vulgar sem licença. Na prisão escreveu Dos nomes de Cristo, uma obra em três volumes. Nela mostra a elaboração última e definitiva dos temas e ideias que esboçou em suas poesias em forma de diálogo, onde se comentam as diversas interpretações dos nomes que se dá a Cristo na Bíblia. Com esta obra, sua prosa alcança a máxima perfeição.

9. Décimas, de Miguel Hidalgo: Miguel Hidalgo foi um sacerdote e militar que se destacou na primeira etapa da Guerra da Independência no México, que iniciou com um ato conhecido na historiografia mexicana como Grito de Dolores. Hidalgo dirigiu a primeira parte do movimento independentista, mas, após uma série de derrotas, foi capturado em 1811 e levado prisioneiro à cidade de Chihuahua, onde foi julgado e fuzilado quatro meses depois. Décimas é um conjunto de vários poemas que escreveu na parede de sua cela dias antes de ser executado. Neles agradecia ao carcereiro, o cabo Ortega, e ao chefe da prisão, Melchor Guaspe, o bom tratamento que lhe deram, pois tinham recebido ordens contrárias.

10. A Morte de Artur, de Sir Thomas Malory: Sir Thomas Malory saqueou e se comportou de forma cruel e temerária durante a Guerra das Rosas. Após ser derrotado seu grupo, Malory se viu em uma situação desesperadora, pois havia contraído grandes dívidas para custear a guerra e tinha sido acusado de bandidagem e violações. Enquanto permaneceu nela escreveu esta maravilhosa obra que apaixona qualquer fã de romances de aventuras. Sir Thomas morreu na prisão em 1471 devido a uma crise respiratória e, com sua morte, se pode dizer que a cavalaria chegou ao fim.

Policías brasileños condenados a 624 años de prisión cada uno, por masacre de Carandirú

111 MUERTOS

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Veinticinco policías fueron condenados este sábado a 624 años de prisión cada uno por estar involucrados en la matanza en la cárcel de Carandirú en 1992, que dejó 111 prisioneros muertos en la mayor tragedia carcelaria en la historia de Brasil.

 

 

“Hubo inequívoco abuso de poder”, aseveró el juez Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, durante la lectura de la sentencia la madrugada del sábado ante la prensa en Sao Paulo.

Estos 25 policías -de los cuales nueve aún están en actividad- fueronresponsabilizados por el fallecimiento de 52 presos, en el marco de un operativo policial para contener una riña que desembocó en una rebelión el 2 de octubre de 1992.

Los siete integrantes del jurado estuvieron reunidos por cinco horas para resolver más de 7.000 preguntas y elaborar el dictamen en el tribunal penal de Barra Funda.

Este es, ciertamente, el proceso más complejo de la Justicia brasileña“, agregó el magistrado.

La abogada de los policías Ieda Ribeiro de Souza adelantó que apelará el fallo, aunque admitió que será difícil cambiar la decisión.

“Cuando se condena a policías que trabajan honestamente y que no tuvieron participación en este número de muertes (…) se les desvaloriza”, declaró a la prensa la abogada al sostener que con esta condena salen ganando los criminales.

Más de 20 años después

El juicio, que se extendió por una semana, es la segunda parte de un proceso que fue dividido en cuatro, para juzgar en total a 79 miembros de la policía militar por la muerte de los prisioneros.

En abril, en la primera parte del juicio, 23 policías fueron condenados a 156 años de cárcel cada uno, por la muerte de 13 presos.

Las cuatro partes del proceso corresponden a las muertes registradas en cada piso de esta prisión de Sao Paulo.

La acusación asegura que los presos fueron ejecutados, mientras la contraparte señala que los policías dispararon en legítima defensa, porque estaban siendo amenazados y agredidos por los prisioneros amotinados.

Durante el último día del segundo juicio, dos de los acusados intentaron convencer al jurado que la policía militar no tuvo más opción que defenderse frente a los presos.

No obstante, los resultados de las autopsias e investigaciones de la policía científica determinaron que al menos nueve de cada diez presos fueron muertos con tiros en la cabeza y en el cuello.

Durante el proceso, se mostraron pericias que comprobaban que hubo disparos a presos a quemarropa y desde trayectorias que demostrarían que estos estaban de rodillas o acostados.

Todos los policías que participaron en la acción resultaron ilesos. Otros 87 prisioneros quedaron heridos.

El proceso tardó más de dos décadas en realizarse porque inicialmente estaba en la justicia militar y luego pasó a la esfera de la justicia ordinaria. Una serie de recursos presentados por los reos a lo largo de los años también demoró su comienzo.

Hasta antes de que se iniciara el juicio sólo había sido procesado un acusado por esta masacre: el coronel que comandó la operación, Ubiratan Guimarães, que en 2001 fue condenado a 632 años de prisión por las muertes, pero más tarde apeló el fallo y fue absuelto.

Guimarães, también exdiputado estatal, fue hallado muerto en 2006 con un tiro en el pecho en su apartamento de Sao Paulo.

El penal de Carandirú era en la época el mayor presidio de América Latina con unos 8.000 prisioneros. AFP/ La Red 21

Los fantasmas de Carandiru

por Juan Arias/ El País/ Espanha

Un prisionero se asoma de la cárcel de Carandiru, en 1992. / EPITACIO PESSOA (AP)
Un prisionero se asoma de la cárcel de Carandiru, en 1992. / EPITACIO PESSOA (AP)

São Paulo, 2 de octubre de 1992. Un día antes de las elecciones municipales. Un motín en la Casa de Detención del Estado, conocida como cárcel de Carandiru por el barrio al norte de la ciudad donde está situada, es reprimido a ametralladora limpia por la policía paulista. Tras 11 horas de operación, 111 de los cerca de 7.000 reclusos han muerto acribillados. En sus cuerpos los forenses encuentran 515 impactos de bala, de los cuales 126 en la cabeza, 254 en el pecho y 135 en las demás partes del cuerpo.

Casi 21 años más tarde, comparecen ante los tribunales 26 de los 79 policías acusados de la muerte de 73 presos. La instrucción, especialmente difícil por los muchos policías acusados y el gran número de muertos —que podrían ser más que la cifra oficial, según han declarado los últimos testigos—, se hace en cuatro fases. Este es el segundo juicio. En el primero, en abril, 23 policías fueron condenados a un total de 156 años de cárcel.

Tanto el entonces gobernador de São Paulo, Luis Antonio Fleury Filho, como su secretario de Seguridad, Pedro Franco de Campos, volvieron ayer a defender su papel durante la operación. “En la misma situación, volvería a hacer lo mismo”, había dicho Franco en abril.

Durante la primera jornada del juicio, impresionaron las declaraciones del perito criminal jubilado, que recordó haber contado el día de la matanza 90 cuerpos masacrados que estaban amontonados en una sola pila a la entrada del segundo piso de la cárcel.

Sobre los cuerpos se encontraron, según el perito, huellas de impactos de ráfagas de ametralladoras, así como de disparos de revólveres y pistolas. Y las celdas cubiertas de manchas de sangre.

El gran problema para procesar a esos 79 policías es, por una parte, la lentitud de la justicia brasileña y, por otra, la impunidad que hace que o no acaben los reos en la cárcel o sean liberados enseguida.

La masacre y la posterior impunidad fueron los motores que impulsaron a un grupo de presos a fundar, un año después de la matanza, el Primer Comando de la Capital, el temido PCC, que en mayo de 2006 desencadenó una ola de violencia que aterrorizó São Paulo, con más de 120 muertos. Ese mismo año, Ubiratan Guimarães, responsable de la operación policial que desencadenó la masacre, se salvó de la ira del PCC, pero acabó siendo asesinado por una de sus amantes.

La Casa de Detención, en aquel entonces el mayor presidio de Sudamérica, quedó manchada para siempre por la matanza. En 2002, el edificio, construido en los años veinte del siglo pasado, fue demolido y reemplazado por el parque de la Juventud.

La reanudación del proceso eterno de Carandiru ha vuelto a poner sobre el tapete la dramática situación de las cárceles de Brasil, donde faltan 160.000 plazas para los presos y cuya población, compuesta en su mayoría por jóvenes negros, sigue creciendo sin parar. La situación es tan dura en dichos presidios que el actual ministro de Justicia, Eduardo Cardozo, responsable de la política carcelaria, llegó a decir meses atrás que él “preferiría morir” antes de acabar en una de esas cárceles.

20minutos.es20minutos.es Brasil reanuda el juicio a decenas de policías por la mayor masacre carcelaria de su historia

Haití, la primera víctima de la tentación imperialista de Brasil

En un documento en 2005 Amnistía Internacional señala que Brasil contaba con 52.2 homicidas por cada 100.000 jóvenes, mientras que Estados Unidos cuenta/contaba con 32.2 homicidas por cada 100.000 jóvenes e Italia 2.1 homicidas por cada 100.000 jóvenes. Esto indica que este país está mucho más enfermo que Haití en materia de seguridad pública

MINUSTAH

por Joël Léon

Traducido del francés para Rebelión por Beatriz Morales Bastos

“Garantizar la seguridad pública es ocuparse de que nadie sea asesinado ni sea víctima de ninguna forma de violencia”
Amnistía Internacional

 

Antes de la llagada a Haití de la Misión de Estabilización de las Naciones Unidas en Haití (MINUSTAH, por sus siglas en inglés), cuando se hablaba de Brasil, se hacía referencia al fútbol, al rey Pelé o al carnaval de Rio, que constituye una maravilla artística y cultural. Esto es tan cierto que en su cruzada por ganar los corazones y espíritus de los haitianos, el 18 de agosto de 2004 el gobierno utilizó a la selección brasileña de fútbol para jugar un partido de fútbol bautizado “Por la paz” contra la selección haitiana. Aquel día supuso un tormento para nuestros patriotas haitianos que vieron a nuestro congéneres aplaudir a los jugadores brasileños en detrimento de sus compatriotas. Y para crucificar aún más al país, los jugadores y dirigentes brasileños se fueron al país vecino a pasar la noche después del partido, lo que significaba que Haití no era digno de honrar la hospitalidad de las estrellas brasileñas. ¡No importa! Hoy, además del fútbol y la cultura brasileña, también hay las masacres de pobres personas, el cólera y también la arrogancia natural de un ocupante para con los sujetos vencidos. Y, sin embargo, desde un punto de vista geopolítico y estratégico, la realidad brasileña es radicalmente diferente y está guiada por el empeño en extender su influencia sobre los demás países de la zona.

La manera más simple de definir el imperialismo es la siguiente: “Aquello que busca extender su autoridad sobre otros”, en especial, los Estados más pequeños. Con su presencia militar en Haití Brasil ha entrado en una fase imprudente en la que es indispensable causar víctimas para proteger su estatuto de potencia regional. Brasil es hegemónico ya que controla el 40% de la economía sudamericana. Es una transformación lógica. Tanto los imperios como sus sistemas nacieron “entre sangre y sudor”. La dominación no tiene corazón; aunque unos dominadores sean más feroces que otros, todos se basan en la necesidad imperialista de sometimiento para poder saquear mejor las riquezas de los demás a beneficio de sus clases dirigentes, ya sean castas o tribus. En este contexto del siglo XXI en el que la complejidad del mundo ampliado es más difícil de controlar el juego de las alianzas en más trágico que nunca. En el mundo hay demasiadas convulsiones, demasiados fuegos que hay que apagar, demasiados pueblos en ebullición… Hay otros socios, sin duda menos poderosos pero capaces de imponerse en los conflictos de débil intensidad para salvaguardar los intereses de los más poderosos. Así se presentó Brasil.

Nos es casual que Estados Unidos y Francia hayan elegido a Brasil. Conocen sus ambiciones imperialistas de segundo amo del hemisferio desde el punto de vista económico: su obsesión declarada de formar parte del Consejo de Seguridad de la ONU y también está la experiencia de los años de la dictadura en la represión y el asesinato, elemento esencial de la tarjeta de visita internacional de Brasil. Sin desdeñar, sin embargo, el interés de los ricos de este país por extender sus producciones y cultura por todas partes en la zona. Cuando estos dos conquistadores solicitaron sus servicios, sabían a ciencia cierta que el entonces presidente Lula Da Silva no se podía resistir a esta propuesta. Para ello había que sacrificar los vínculos y las convicciones ideológicas para llenar su tarjeta de conquista. Así, los estadounidenses, canadienses y franceses han legado al país de las favelas el mal de “aprendiz tutor” ya que ellos están demasiado ocupados en hacer frente a otras convulsiones creadas a medida en el mundo.

La misión del Brasil de Lula es “estabilizar” Haití. En términos no diplomáticos, Brasil debe desempeñar un papel de gendarme. Los reveses sufridos por Estados Unidos en Somalia en 1994 y 1995, y el estancamiento en Iraq y Afganistán, y más recientemente en Libia y Siria son demasiado recientes para aventurarse a otro problema en el que se enfrentan negros. Lula Da Silva había abusado de los estrechos lazos culturales existentes entre ambos pueblos, Haití y Brasil, para poner en práctica la política conquistadora.

¡Atención, progresistas haitianos!

Algunos progresistas haitianos se dejan engañar por la lógica de las proximidades ideológicas con el partido en el poder en Brasil manteniendo un silencio cómplice ante la agresión imperialista brasileña contra Haití. Acto que debe ser considerado una violación palpable del primer capítulo de la llamada doctrina del mundo libre, la autodeterminación de los pueblos. El ejército brasileño asegura la ocupación de Haití con 1.200 hombres y unas docenas de policías que deliberadamente fusilan a los pobres y poseen las mujeres haitianas con apetito. Este comportamiento es digno de cualquier ocupante; por consiguiente, el Estado brasileño no es progresista. Por el contrario, es depredador y le hace el trabajo sucio al imperialismo.

Tras la salida de Jean-Claude Duvalier en 1986 quienes contribuyeron a la perpetuación de su régimen por medio del terror y de la tortura se volvieron molestos. El tristemente célebre torturador Albert Pierre, alias “Ti boule”, fue invitado a embarcarse hacia Brasil, un Estado que, sin embargo, no había firmado ningún tratado de extradición con Haití. “Ti boule” se quedó allí sin que nadie le molestara hasta su apacible muerte sin poder dar cuentas de sus crímenes odiosos contra la nación haitiana. Así pues, existen antecedentes no reglados entre ambos Estados que merecen que los expertos los analicen para desvelar si no existiría algún rencor histórico del Estado brasileño contra Haití. ¿Brasil es moralmente competente para desempeñar este nuevo papel de policía?

¿Es Brasil moralmente apto para estabilizar Brasil?

Por desgracia, Brasil no se salvó, como fue el caso de Venezuela, del caudillismo en las décadas de 1970 y 1980. Al igual que nosotros en Haití, el pueblo brasileño conoció la feroz dictadura militar, pero contrariamente a nosotros, el expresidente Lula no abolió el ejército y ni siquiera lo purgó. Y he aquí que veinticinco años después esta misma institución represiva se propulsa a la escena internacional como guardiana de la democracia y de la estabilidad. Me pregunto en nombre de qué moral se atribuyó esta misión al ejército brasileño, a no ser la de la ironía.

Recuerden que yo había mencionado el carácter represivo de Brasil, “competencia” que tuvo mucho que ver en su elección como nuevo amo de Haití. En un documento en 2005 Amnistía Internacional señala que Brasil contaba con 52.2 homicidas por cada 100.000 jóvenes, mientras que Estados Unidos cuenta/contaba con 32.2 homicidas por cada 100.000 jóvenes e Italia 2.1 homicidas por cada 100.000 jóvenes. Esto indica que este país está mucho más enfermo que Haití en materia de seguridad pública, sin embrago, Brasil ha sido elegido como jefe de misión de estabilización en Haití.

Últimamente, durante la visita del ministro de Justicia estadounidense a Haití, Eric Holder, este declaró que países como Jamaica, Puerto Rico, la República Dominicana son los más violentos de la zona, ¡no Haití!

Amnistía Internacional continúa: “El hecho de tener la piel negra [en Brasil] es un factor de riesgo suplementario”, la policía brasileña es racista, lo que explica plenamente las intervenciones asesinas de las fuerzas armadas brasileñas en barrios pobres [de Haití], como Cité Soleil, Bel-Air, etc. Amnistía Internacional define de la siguiente manera cómo garantizar la seguridad publica de un país: “ Garantizar la seguridad pública es ocuparse de que nadie sea asesinado ni sea víctima de ninguna forma de violencia” . Las fuerzas públicas brasileñas cuentan en su historial con muchos casos de masacres en su propio país. Así, el 31 de marzo de 2005, “29 personas fueron asesinadas en Baixada Fluminense […] por hombres armados pertenecientes a la policía militar […] entre 8:30 y 11 horas, al abrir fuego contra las personas que pasaban”, según Amnistía Internacional.

Citemos algunos de los excesos cometidos por los gendarmes brasileños:

1.- Masacre de presos desarmados en la cárcel Carandiu, en Sao Paulo en 1992. 2.- Se liquidó a niños que dormían sobre las escaleras de la catedral Candaleria en 1993. 3.- Unos habitantes de una favela de Vigario, militantes por los derechos de la tierra en Eldorado dos Carajas, fueron asesinados en 1997. 4.- Solo en el año 2003 los policías de Sao Paulo y Janeiro, apoyados por el ejército, mataron a 2.110 personas, una barbarie que calificaron de legítima defensa. 5.- “En Brasil la cantidad de homicidios es una de los más elevadas del mundo”: circulan en este país 17 millones de armas ligeras, de las cuales 9 millones se poseen de forma completamente ilegal.

Por consiguiente, los duelos que siembran las fuerzas de ocupación en Haití, fuertemente dominadas por Brasil, forman parte de una serie de prácticas nacionales transferidas al seno de la institución dirigida por un comandante brasileño. Con esta “licencia para matar” concedida a los ocupantes por los gobiernos haitianos de los últimos nueve años, la inmunidad otorgada a los cascos azules corre peligro de ahogarse en los enredos de la impunidad: recordemos la indignante dejación de sus responsabilidades por parte de la ONU en la propagación del cólera que causó miles de muertos en Haití. En el peor de los casos, el organismo internacional se niega a pagar cualquier tipo de indemnización a las víctimas de esta terrible epidemia que continúa cargándose a hombres, mujeres y niños.

¿Es consciente la presidenta Roussef de su papel de verdugo?

Según el analista haitiano Camille Chalmers, “de los 20 miembros del Estado Mayor de la MINUSTAH, apenas hay dos sudamericanos. Los demás son estadounidenses, franceses, italianos y canadienses”, palabras citadas en RISAL [Red de Información y Solidaridad con América latina]. Pero si bien aparentemente Brasil parece el amo de la situación, quien detenta el verdadero poder entre bastidores es la alianza estadounidense-franco-canadiense. Se ha legado a los soldados sudamericanos el papel represor de los pobres. Da la impresión de que las ambiciones de Brasil le vuelven ciego, lo cual puede llevar a la presidenta de este país a cometer crímenes odiosos, como es el caso de Haití hoy. Lula ha transferido esta visón imperialista a su delfín Dilma Rousseff, actual presidenta del país, la cual, como su tutor, prosigue con la humillación acelerada de Haití.

La postura de los patriotas haitianos debe ser firme y sin ambages frente al comportamiento agresivo de las fuerzas de ocupación, porque representamos el último reducto de los indígenas. Ya se trate de estadounidenses, de franceses, de canadienses o de cualquier otro pueblo, en cuanto cruzan las fronteras de otro Estado, no tienen más objetivo que la subordinación. Nuestro deber de pueblo consciente consiste en luchar hasta que se vayan.

Así, se acogió con calor y esperanza la conferencia del 31 de mayo al 1 de junio de 2013 en Port-au-Prince sobre la salida de las fuerzas de la MINUSTAH del país. Esta muy loable iniciativa que tiene como coordinador al honorable senador Moïse Jean-Charles partió del Senado haitiano que exigió por unanimidad la salida de los ocupantes del territorio nacional para el 28 de mayo de 2014. A esto hay que añadir la gran manifestación popular ante el busto de Jean-Jacques Dessalines, fundador de la nación haitiana, en el Champ-de-Mars, para exigir la salida inmediata de las tropas extranjeras del país: elementos todos ellos que demuestran la hartura del pueblo haitiano ante la presencia de colonos modernos en las calles haitianas.

Lo que están defendiendo en Haití son los intereses nacionales brasileños y están dispuestos a todo para ello. Esto es válido también para los demás Estados presentes en el seno de la MINUSTAH. Hay que poner de relieve que no hay fuerzas venezolanas o cubanas en Haití, es decir, que Dilma Rousseff (Brasil), Michelle Bachelet (Chile), Christina Fernandez de Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Ecuador), Evo Morales (Bolivia) y otros Estados podían rechazar la oferta intervencionista. Por consiguiente, si decidieron entrar en Haití son ocupantes, todos ellos contribuye a humillar a nuestro pueblo, nuestra grandeza histórica y nuestra cultura. Lula prefirió ceder a las peticiones estadounidense, canadienses y francesas en vez de a las del pueblo haitiano que resiste heroicamente a la servidumbre.

Son arrogantes como lo es cualquier invasor. El general saliente que mandó las tropas de la MINUSTAH está tan cómodo en su aparato de ocupador asesino que exigió que se volvieran a formar las fuerzas armadas Haití, que se había disuelto legalmente. Es un cálculo a medida hecho por el gobierno brasileño. El ejército de Haití que se había transformado en partido político fue obra de la ocupación estadounidense de 19 años y su papel fue el de perpetuar la ocupación mucho tiempo después de la salida de los marines. Brasil, que tienen el mando de las tropas de la MINUSTAH, quiere tener esta misma responsabilidad de crear un ejército nacional con vistas a mantener un control sustancial sobre el conjunto de las instituciones nacionales por intermediación de su estructura militar dejada en el país.

En conclusión, todos los países latinoamericanos que forman parte de las fuerzas de ocupación de Haití lo único que hacen es defender sus intereses nacionales en detrimento de nuestra dignidad de pueblo, de nuestra grandeza histórica y cultural. Brasil, país que tiene el mando de las tropas, responde a sus ambiciones estratégicas, aunque en el plano interno vive una situación más dramática que la de Haití. Hay que señalar la hipocresía que demuestran los gobiernos de Ecuador y Bolivia en esta situación, ellos que se jactan de ser revolucionarios. El presidente ecuatoriano Correa luchó valientemente para cerrar la base militar estadounidense en su suelo. El número uno boliviano Evo Morales ha logrado fama desde el punto de vista nacionalista al expulsar a USAID y a la compañía Coca Cola de su tierra natal. Sin embargo, sus ejércitos participan en la degradación de Haití vía la MINUSTAH. ¡Qué hipocresía! ¿Dónde se sitúa la práctica revolucionaria de estos dos? ¿Acaso quieren cambiar el léxico revolucionario invitándonos a creer que los haitianos son unos animales que no están preparados para la democracia? Además, ¡qué falta de gratitud! Nuestros ancestros no ocuparon una parte de los países andinos después de haberles ayudado a conquistar su independencia. Sin embargo, durante la cumbre panamericana de Panamá estos mismos andinos nos habían indexado, ¡por supuesto, a petición de Estados Unidos! Hoy han reincidido. ¿Qué quiere decir “ser revolucionario” para Correa y Morales?

Progresistas haitianos, toda ocupación lleva necesariamente a la humillación. No hay ocupantes buenos, todos son malos y masacradores. Es esencial luchar contra la ocupación del país hasta que se vaya el último soldado extranjero.

¡El pueblo de Haití va a convertir el 28 de mayo de 2014 en día nacional de la desocupación del territorio nacional!

Justiça condena PMs por massacre no Carandiru. Falta quem autorizou

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Um júri popular formado por sete pessoas condenou na madrugada deste domingo (21), no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da capital paulista, 23 policiais militares a 156 anos de prisão cada um pela morte de 13 detentos no massacre do Carandiru, como ficou conhecido a ação que terminou com 111 pessoas assassinadas na Casa de Detenção de São Paulo, em 2 de outubro de 1992. Um dia de terrorismo estatal, que o Brasil não pode esquecer. Que comprova que o sistema penitenciário brasileiro é um matadouro como qualquer outro campo de concentração nazista. E que existe a cadeia para os pobres, e prisão especial para os ricos.

Fleury admite ‘responsabilidade política’ pelo massacre do Carandiru

O coronel Ubiratan Guimarães sempre declarou que “recebeu ordens superiores”. Nunca apontou nomes. Mas a justiça jamais quis investigar ou punir os mandantes do Massacre do Carandiru.
O governador é o comandante das polícias estaduais. A “responsabilidade política” prova este comando, inclusive constitucional.  Entenda-se por este nome “política” várias coisas, e precisamente: 1. a doutrina do direito e do moral; 2. a teoria do Estado; 3. a arte ou a ciência do governo; 4. o estudo dos comportamentos inter-subjetivos.
Principalmente no Brasil presidencialista, onde impera o politicismo no governo federal e nos governos estaduais. Isto é, a prevalência ou a excessiva importância que as exigências políticas assumem frente às outras exigências, isto é, as exigências científicas, artísticas, morais, religiosas etc.
“A responsabilidade política do evento é minha, porque eu era o governador”, assumiu Luiz Antonio Fleury Filho. Confessou pela certeza da impunidade no passado, hoje, e sempre.
Ele chamou o Massacre do Carandiru de “evento”.
O atual presidente do maior tribunal do mundo, com 260 desembargadores, o de São Paulo, também assumiu a responsabilidade pelo Massacre do Pinheirinho. O desembargador  Ivan Ricardo Garisio Sartori classificou o violento despejo policial de “episódio”. Faltou dizer: mero episódio.
O policial Fleury realizou um governo escandaloso, sangrento e corrupto. Escreve Gisele Brito, da Rede Brasil Atual:

“A responsabilidade política do evento é minha, porque eu era o governador. A penal cabe aos acusados responderem”, afirmou Fleury no segundo dia de julgamento de 26 dos 84 policiais indiciado pelas mortes. O Tribunal do Júri ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Ele depôs como testemunha de defesa dos agentes de segurança.

O ex-governador relatou que a ordem para entrada da PM foi dada pelo então secretário de Segurança Púbica doestado, Pedro Franco de Campos, que também depôs hoje como testemunha de defesa. “Ele tinha autonomia”, disse.Fleury lembrou que estava em Sorocaba, interior de São Paulo, no dia do episódio, que demorou a se inteirar da situação (“Na época não havia telefonia celular”, disse) e que, ao chegar à capital, o massacre já havia ocorrido. Ele afirmou, porém, que a ação da PM foi “necessária e legítima”.

Eleições e PCC

Durante seu depoimento, o ex-governador negou que tenha escondido o número oficial de mortos para evitar prejuízos eleitorais. A invasão ocorreu em 2 de outubro, um sábado. No dia seguinte haveria eleições municipais. A totalizaçãodos 111 mortos só se tornou pública às 16h de domingo, uma hora antes de as urnas serem fechadas. Antes, o governo falava que havia entre 40 e 60 vítimas. Fleury disse que a demora na divulgação se deu por “cautela”.

Ele também refutou a tese de que o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC) tenha surgido por causa domassacre. “O PCC, que dizem ter sido criado no meu governo, era só um time de futebol, porque não teve espaço para crescer”, ironizou. Segundo Fleury, o grupo só fortaleceria no governo seguinte, do tucano Mário Covas.

“Espalhamento”

Pedro Franco de Campos falou ao júri depois de Fleury e confirmou que estava à frente da operação, que conduziu por telefone porque a presença dele no local “não foi solicitada”. Ele reforçou a tese de que havia uma rebelião no Pavilhão 9 (rechaçada pela acusação) e disse que a invasão ocorreu para que não houvesse o “espalhamento” para o Pavilhão 8.

Campos afirmou que conversou “pessoalmente” com o coronel Ubiratan Guimarães, comandante da Rota à época, e que teria dito a ele: “Havendo necessidade, pode entrar”. O comando in loco das operações teria ficado com o secretário-adjunto Antonio Filardi Diniz.