95 empresas financiaram a ditadura

Ronaldo
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Em reunião do grupo de trabalho “Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical” com pesquisadores sobre o envolvimento do empresariado brasileiro com o regime militar, neste sábado 15, a advogada Rosa Cardoso, membro da CNV, afirmou que o apoio dado por grupos do setor privado ao golpe deve se fazer conhecido.

“Devemos fazer uma responsabilização institucional em relação às empresas que apoiaram a ditadura. Assim, conseguimos mostrar que tratou-se de um golpe civil militar e não apenas militar, uma vez que foi construído por toda uma classe empresarial”, disse Rosa sobre o apoio também de grupos multinacionais que se viam em situação de risco nos governos que antecederam o regime militar, como o de João Goulart.

A advogada de presos políticos na ditadura lembrou que, antes mesmo do golpe contra Jango, foram criados os Ipes (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais) e o Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que apoiavam partidos e parlamentares de direita com dinheiro do empresariado e da própria CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), ajudando a criar todo um aparato para o golpe. “Havia Ipes não apenas nas principais capitais, mas também em lugares mais afastados, como Manaus”, disse. “E não apenas os Ipes, mas também grupos que não tinham paciência para ser tão militante, como o de antigos membros da Revolução Constitucionalista (movimento paulista de 1932 contra Getúlio Vargas) e os banqueiros.” [Recentemente Olavo Setubal, dono do banco Itaú, foi lembrado em um escracho].

Na época, afirmou o pesquisador Jorge José de Melo, o empresariado paulista denominava 40% do PIB brasileiro.
“Colaborar com esse tipo de estrutura do regime era ter acesso livre aos recursos públicos”, explicou o jornalista que analisou a trajetória de Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragaz e colaborador do regime, que acabou assassinado por um comando da ALN (Ação Libertadora Nacional) e do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes) em 1971. “Alguns colaboraram ideologicamente, como Boilesen e Gastão Bueno Vidigal, do Banco Mercantil, mas outros colaboravam para ter acesso mais fácil aos recursos.”

Assim, o golpe de 1964 contou com a ajuda da elite burguesa preocupada em proteger o capital. Para executar o programa de propaganda, contou a jornalista Denise Assis, foi montado um esquema de doações, constituído por 125 pessoas físicas e 95 jurídicas – destas, cinco (Listas Telefônicas Brasileiras, Light, Cruzeiro do Sul, Refinaria e Exploração de Petróleo União e Icomi) arcavam com mais de 70% das contribuições. O dinheiro arrecadado seguia, então, para as agências de propaganda como: Promotion S.A, Denisson Propaganda, Gallas Propaganda, Norton Propaganda e Multi Propaganda.

Empreiteiras. Dentre os setores que contribuíram e se beneficiaram do regime militar, um de grande destaque foi o de construção civil. Segundo Pedro Henrique Pedreira Campos, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) que pesquisou como as empreiteiras apoiaram a ditadura, “empresários que atuam no setor de obras públicas e infraestrutura deram grande salto nessa época”. “Tornaram-se grandes grupos, inclusive com atuação internacional. Em troca, foram altamente favorecidos pelas políticas de Estado implantadas naqueles período. Houve, então, uma concentração no setor na área de construção pesada.”

Muitas vezes, mais do que a colaboração financeira com o regime, as empresas forneciam também apoio logístico à repressão. Além da perseguição a trabalhadores, com as chamadas “listas negras” daqueles que não deveriam ser mais contratados, houve quem cedesse acessórios – como tampões de proteção acústica da General Motors para funcionários do DOI-Codi em São Paulo – ou disponibilizasse instalações para serem transformadas em centros de tortura, como acusam a Petrobras de fazê-lo.

polícia banqueiro poder protesto

 

A LISTA DAS EMPRESAS GOLPISTAS

Mais de 80 empresas estão envolvidas em espionagem e delação de quase 300 funcionários, segundo levantamento feito pela Comissão Nacional da Verdade. O intuito era sufocar qualquer movimento sindicalista que estivesse sendo gestado entre os trabalhadores de grandes montadoras, como Volkswagen, Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, e também de outros setores, como a Brastemp, a estatal Telesp, a Kodak, a Caterpillar, a Johnson & Johnson, a Petrobras, a Embraer e a Monark – todas elas concentradas no ABCD paulista e no Vale do Paraíba.

As empresas justificavam o controle e a colaboração com o regime pela suposta ameaça comunista dos movimentos sindicais. Desde citar os nomes de quem organizasse atos sindicalistas ou vendesse jornais na porta da fábrica, até qualificar algumas mortes como acidentes de trabalho quando de fato não o eram. A polícia, em muitos casos, chegava a receber das companhias milhares de folhas de registros dos empregados que estiveram presentes em greves ou manifestações, com todos os seus dados pessoais, o que poderia levar hoje a processos civis desses funcionários (dos que ainda estão vivos ou de seus familiares) contra as empresas. Não se sabe, porém, se esses dados serviam para evitar futuras contratações por outras empresas ou simplesmente para coleta. Segundo os especialistas, é bastante provável que tenham que ressarcir os afetados, já que não estão amparadas pela lei de Anistia (n.6.683, 1979), que perdoou aqueles que cometeram crimes durante o regime militar no Brasil (1964-1985).

“Os empresários podem ser acusados por crimes de lesa humanidade; 40% dos mortos e desaparecidos durante a ditadura são trabalhadores”, afirma Sebastião Neto, ex-preso político e um dos pesquisadores do grupo de trabalho “Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical”, da Comissão Nacional da Verdade. Ainda não se sabe quais deles foram efetivamente detidos por causa da denúncia do empregador. Entre os que chegaram a ser torturados e mortos, também não se sabe ao certo se sofreram tudo isso pela investigação no local de trabalho ou por sua relação com organizações políticas.

O Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) em São Paulo tinha uma lista com nome e endereços de centenas de trabalhadores de várias fábricas do ABC (Brastemp, Chrysler, Corona, Equipamentos Villares, Ford, Forjaria São Bernardo, Mercedes-Benz, Rolls-Royce, Scania, Volkswagen, entre outros). Também haveria um informante entre os que discutiam a greve da Scania em São Bernardo, em maio de 1978, tida como marco da retomada do movimento sindical, ainda no final da ditadura.

 Saad Murtadha
Saad Murtadha

A LISTA DA MORTE

Na semana passada, a agência Reuters divulgou informações sobre monitoramento da Volkswagen, durante a ditadura, em relação ao então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, e outros dirigentes. “Talvez a Volks tivesse mais expertise”, comentou Neto, que se preocupou em não enfatizar a ação de uma empresa. “O que nós mostramos é um mecanismo contínuo de repressão, o controle no dia a dia dos trabalhadores”, explica. Segundo ele, havia “naturalidade” na relação entre empresas e polícia política.

Os exemplos são vários. “Em Criciúma, você tem um episódio que o empresário conferia a lista dos presos”, diz Neto, citando ainda o caso de uma mineradora (Morro Velho), em Nova Lima (MG) com um grupo de 51 operários “que ficaram impedidos de viver na cidade” – haveria um acordo para não empregá-los em nenhum lugar. Isso ocorreu ainda em período anterior à ditadura. Ainda em Minas, outro caso de destaque é o chamado “massacre de Ipatinga”, na Usiminas, com 13 mortos reconhecidos.

Depois do golpe de 1964, há a suspeita, no grupo de trabalho, de que as estatais foram uma espécie de “laboratório” da repressão. Apenas na Petrobras foram mais de 500 demissões nos seis meses seguintes à queda de João Goulart.

Rosa Cardoso destaca ainda a importância de se conhecer casos de empresas que cresceram durante a ditadura, citando as construtoras Odebrecht e Camargo Corrêa. “Mas também a Globo, empresa de comunicação. A Varig, por exemplo, que tomou o lugar da Panair, numa falência absolutamente fraudulenta que lhe foi imposta.”

Neto lembra que alguns problemas são atuais. “Hoje, o movimento sindical é muito criminalizado nas greves”, afirma, citando a existência de recursos jurídicos como o interdito proibitório. Ou o que ele chama de “uma espécie de naturalidade de a empresa ligar para a polícia para resolver uma contenda trabalhista“.

 

banqueiros movimento greve manifestante indignados banqueiros

Latuff
Latuff

marina tortura

Candidata do Clube Militar
Candidata do Clube Militar

Aécio e Andréa Neves censuram e encabestram a imprensa mineira

Os irmãos Andréa e Aécio Neves
Os irmãos Andréa e Aécio Neves

Andréa, a dama de ferro de Minas Gerais, é uma espécie de faz tudo para o irmão, que não gosta muito de trabalhar. Governou Minas Gerais no vagar de Aécio Neves, e continua mandando nos três poderes. Tanto que ninguém fala do Mensalão tucano, uma quadrilha de bancos e agências de publicidade que promoveram o Mensalão petista. Que a corrupção é uma só, e eclética, pragmática e multipartidária.

Com a prisão dos petistas de forma despótica, caprichosa e ilegal, que o Brasil não tem leis para punir ladrão de colarinho (de) branco em regime fechado, a pressão nacional levará a justiça a desengavetar o Mensalão tucano.

Proximo-mensalão nani mensalão tucano

A única mídia que faz oposição, em Minas, continua sob o fogo dos irmãos das Neves.

Leia e fique imaginando o Brasil governado por Andréa:

Aécio e Andréa Neves determinam nova devassa no Novojornal

por Marco Aurélio Carone

Como dito em outras reportagens, fazer jornalismo em Minas Gerais transformou-se em atividade de alto risco, principalmente se a proposta for de uma linha editorial independente, não se sujeitando as determinações da censora oficial Andréa Neves.Em 2008, Novojornal foi empastelado por forças da Polícia Militar, por determinação do então Procurador Geral, Jarbas Soares, a serviço de Andréa Neves, comandada pela promotora Wanessa Fusco dirigente da recém criada Promotoria de Crimes Cibernéticos.

De posse de uma medida cautelar concedida pela Juíza da Vara de Inquéritos de Belo Horizonte, apreendeu todos os equipamentos da redação, arquivos contábeis e os servidores do portal jornalístico, tornando-o indisponível na internet na terminação .com.br.

Quatro anos depois, o TJMG reconheceu o crime cometido contra o portal jornalístico e condenou o MPMG a devolver os equipamentos apreendidos, assim como liberar o acesso ao .com.BR. O que até hoje não foi obedecido. No acórdão os desembargadores relatam a violência e o absurdo praticado contra o Novojornal.

Insatisfeito com a perda no TJMG e diante da intransigente prática de liberdade de imprensa exercida por Novojornal, que vem mostrando ao País o que realmente ocorreu e ocorre em Minas Gerais, Andréa e Aécio Neves deram início a um projeto de vingança no intuito de desmoralizar e fechar o Novojornal.

Utilizando-se de um novo inquérito, desta vez na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, subordinada ao delegado Marcio Naback, conhecido por sua atividade criminosa em forjar provas e desaparecer com processos e documentos a serviço dos Neves e da conhecida “Gangue dos Castros”.

Neste processo depuseram o Procurador de Justiça, Jarbas Soares, o prefeito de BH, Márcio Lacerda, o Secretário do Governo Estadual, Danilo de Castro, o Desembargador José do Carmo e o Juiz Christiano de Oliveira Cesarino, relatando fatos que já se encontram sendo analisados pelo Poder Judiciário e na maioria já julgados de maneira favorável ao Novojornal.

Porém, como agora ficou provado o objetivo do inquérito não era analisar possíveis crimes de calúnia, injúria e difamação. E sim, servir de pretexto, para solicitar na já conhecida Vara de Inquérito outra medida cautelar, desta vez para quebra do sigilo, telefônico, fiscal, bancário, contábil e de e-mails, enfim promover uma devassa contra o Novojornal e seu diretor responsável.

Segundo o delegado Pedro Paulo Uchoa Fonseca Marques, o objetivo do procedimento havia modificado de calúnia e passara a investigar a possível pratica de extorsão. Durante o depoimento prestado pelo representante legal da empresa, Nova Opção, pessoa jurídica que edita o Novojornal, na presença do advogado Dr. Dino Miraglia o delegado informou:

“Nada foi encontrado a respeito de extorsão, nas gravações apareceram foram denuncias de práticas criminosas do delegado Marcio Naback em relação aos crimes ocorridos em Ipatinga por este motivo estarei enviando a questão para a corregedoria e Delegacia de Homicídios”.

Evidente que não era este o verdadeiro intuito das escutas telefônicas, elas visavam ter acesso às fontes do Novojornal o que se tornou inviável diante da maneira tradicional do diretor responsável do portal em contatar com suas fontes.  Porém diante de mais esta derrota, partiram em busca de novas acusações e investigações. Quem estaria financiando o Novojornal?

Durante dias, permaneceram no mais completo sigilo na empresa de contabilidade que atende o Novojornal, fazendo minucioso levantamento em busca desta resposta, constrangendo e causando medo nos profissionais. Novamente infrutíferas foram as ações, pois todas as movimentações financeiras do Novojornal estavam rigorosamente contabilizadas.

Além da pouca publicidade em função da atitude de Andréa Neves em ligar pessoalmente para os anunciantes informando que eles estariam patrocinando um jornal contra o Governo de Minas, a origem dos recursos que mantiveram os principais investimentos do Novojornal nos últimos cinco anos eram provenientes de contratos de empréstimos conhecidos como “mútuo”, de sua antiga sócia para sociedade. Recursos estes obtidos da venda de patrimônio que lhe havia sido doado por seu pai.

Gerentes dos bancos assustados, funcionários do Novojornal foram constrangidos e ameaçados chegando alguns a pedir demissão por medo, prestadores de serviços literalmente subornados em busca de alguma informação que pudesse criminalizar a atividade do Novojornal.

Na delegacia o diretor responsável do Novojornal ciente de que se tratava apenas de mais uma armação optou por só falar em juízo.

Este é o estado de insegurança jurídica que se vive atualmente em Minas Gerais, onde quem ousa noticiar fatos desabonadores da conduta do senador Aécio Neves é perseguido pelos ocupantes do Governo que agem impunemente, pois contam com a submissão e cumplicidade de quem deveria fiscalizá-lo.

 

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Após assassinato de jornalistas, policiais são suspeitos de ameaçar testemunhas

Ao menos seis policiais militares estão sendo acusado por suspeita de ameaça a testemunha de um dos 14 casos apurados pelo Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em Ipatinga, no Vale do Aço. O caso começou após o assassinato dos jornalistas Rodrigo Neto e Walgney Carvalho, no início deste ano.

Mortes de Carvalho (esq.) e Neto aconteceram este ano
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Policial é preso suspeito de envolvimento em assassinato de jornalista

De acordo com o portal O Tempo, os PM’s ainda estão sendo acusado de coagir repórteres que estavam cobrindo o assunto durante audiência de instrução na ação contra o cabo Victor Andrade. O PM foi preso em abril acusado pela morte de Cleidson Mendes do Nascimento, 26, conhecido como Cabeça, em 2011.

Os militares investigados são testemunhas de defesa do cabo Victor. O Tempo informa que a investigação sobre as ameaças estão sendo realizadas pela 12ª Região da PM – responsável por Ipatinga – a pedido do Ministério Público de Minas. “Depois da morte do Cleidson, emagreci muito e mudei a cor do cabelo. Passaram de carro em frente à minha casa e disseram que eu mudei de cara, mas não de endereço”, contou a testemunha, que já teria deixado a cidade de Ipatinga.

Os casos
O jornalista Rodrigo Neto, de 38 anos, foi assassinado na noite de quinta-feira, 7 de março, por volta das 23h em Ipatinga (MG). Ele era repórter policial e co-apresentador do programa ‘Plantão Policial’, transmitido de segunda a sábado, das 12h35 às 14h, pela Rádio Vanguarda (1170 AM). Ele também escrevia para o jornal local ‘Vale do Aço’. Na época, colegas do profissional informaram ao Comunique-se que o crime ocorreu em frente ao bar conhecido como “Churrasquinho do Baiano”. Neto saiu do estabelecimento e estava entrando em seu carro, quando foi abordado por dois homens em uma moto, que começaram a disparar armas de fogo. Um dos tiros atingiu a cabeça do jornalista e outro, o peito. O radialista foi levado com vida para o Hospital Municipal de Ipatinga, porém não resistiu aos ferimentos.

Trinta e sete dias depois da execução do jornalista policial Rodrigo Neto, o repórter fotográfico Walgney Assis Carvalho, de 43 anos, foi assassinado. O crime aconteceu na noite de domingo, 14 de abril, por volta das 22h30, no bairro de São Vicente, em Coronel Fabriciano, na região do Vale do Aço mineiro. Neto e Carvalho trabalharam juntos em um jornal impresso da região. O profissional estava em um pesque-pague quando um homem em uma moto se aproximou, pelos fundos do estabelecimento, e disparou contra Carvalho. Um tiro atingiu a cabeça e outro, a axila. Ele morreu na hora, sem chance de ser socorrido. Freelancer do jornal local Vale do Aço, Carvalho também fazia trabalhos fotográficos para a perícia da Polícia Civil da região. Ele fez reportagens em parceria com Rodrigo Neto, jornalista policial assassinado no dia 8 de março, que além do impresso, atuava na Rádio Vanguarda (1170 AM), como co-apresentador do programa ‘Plantão Policial’. In Comunique-se.

Quem mandou o araque Pitote e o policial Lúcio Lírio Leal assassinar os jornalistas Rodrigo Neto e Walgney Carvalho

A Polícia Civil indiciou 16 pessoas por envolvimento em crimes que ocorreram entre 2007 e 2013, em Ipatinga e cidades do Vale do Aço, Minas Gerais. Seis são policiais civis, e três policiais militares.

Entre os presos, o araque Alessandro Neves Augusto, o Pitote, e o policial civil Lúcio Lírio Leal, assassinos dos jornalistas Rodrigo Neto e  Walgney de Assis Carvalho.

Pitote e Lúcio
Pitote e Lúcio
Pitote
Pitote

lúcio

Lúcio Lírio Leal

Os dois pistoleiros foram presos em junho, pelo período de 30 dias. A prisão temporária foi prorrogada em julho por mais 30 dias. Atualmente, Pitote está detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana. O investigador Lúcio Leal segue preso na Casa de Custódia do Policial Civil, na região Leste de Belo Horizonte.

Pitote e Lúcio são os responsáveis pela execução do jornalista Rodrigo Neto, em 8 de março de 2013, na porta de um bar, em Ipatinga, no Vale do Aço. Pinote também matou o fotógrafo Walgney Carvalho, em 14 de abril, em um pesque-paque, em Coronel Fabriciano, na mesma região.

A polícia não informou o motivo do atentado contra Rodrigo Neto.  Já Carvalho, de acordo com as investigações, foi morto por queima de arquivo, que o fotógrafo teria comentado que sabia quem havia matado o colega. (Jornal O Tempo)

FALTAM OS MANDANTES
Quando a polícia abusa do segredo de justiça sinal de que tem gente importante envolvida. Falta saber a motivação do assassinato de Rodrigo Neto. O nome ou nomes dos mandantes.

Sem profissão definida, Pitote era visto circulando com investigadores como se fosse policial civil de Ipatinga e, também, agente penitenciário.

Mais do que comprovado: Pitote faz parte do bando de justiceiros policiais. No momento de sua prisão, no dia 11 de junho, os investigadores encontraram na sua carteira um bilhete contendo o nome, endereço e telefone da adolescente considerada testemunha-chave da investigação da Chacina de Revés do Belém.

Pitote não soube esclarecer que papel era aquele, nem o que fazia com ele em seu poder. No aparelho celular apreendido com o acusado também havia uma ligação feita para a Casa de Custódia da Polícia Civil em Belo Horizonte, local onde estão presos os quatro investigadores indiciados pela morte dos quatro adolescentes do bairro Caravelas.

Em função da ameaça apresentada, a menor e os seus familiares foram incluídos no Programa de Proteção a Testemunhas e retirados de Ipatinga.

A moto CB 300 utilizada no assassinato de Rodrigo Neto foi trocada por outra com um amigo  para praticar a execução de Walgney Carvalho
A moto CB 300 utilizada no assassinato de Rodrigo Neto foi trocada por outra com um amigo
para praticar a execução de Walgney Carvalho
Pitote andava com policiais civis e militares num Fiat Linea “clonado”
Pitote andava com policiais civis e militares num Fiat Linea “clonado”
Jornalista Rodrigo Neto
Jornalista Rodrigo Neto
 Walgney Carvalho de Assis
Fotógrafo Walgney Carvalho de Assis

Quadrilha do banco da família de Magalhães Pinto, comandante civil do golpe de 64, não fica nem 24 horas na prisão, pelo rombo de mais de 9 bilhões

O Nacional também é conhecido como o banco das netinhas do presidente Fernando Henrique. E netinhas de Magalhães Pinto.

Ele fundou o Banco Nacional em 1946. Governador do Estado de Minas Gerais, de 1961 a 1966, criou o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Nesta época, financiou o Ipes e foi um dos principais artífices do golpe militar de 1964.

Em 7 de outubro de 1963, durante o seu governo, ocorreu o trágico Massacre de Ipatinga.

Após o golpe militar, sua fortuna se multiplicou e incorporou mais seis bancos em 1972. Criando em seguida o Banco Nacional S/A, com sede em Belo Horizonte.

Ninguém sabe de quanto foi o rombo do Proer, a ajuda aos bancos do tucano FHC. Ninguém sabe quanto os ladrões do Banco Nacional desviaram. Nove bilhões e duzentos milhões é o valor mínimo saqueado do bolso do pobre povo pobre do Brasil.

Cadeia, para a justiça PPV, não existe para os bilionários. As polícias estaduais não prendem os amigos dos governadores. Apenas estudantes e grevistas – os trabalhadores.

A Polícia Federal bota na cadeia os bandidos de colarinho (de) branco, e a  justiça amiga solta.

O Correio do Brasil, com informações do jornal carioca O Dia, publica hoje:

Presos por agentes da Polícia Federal na véspera, pela manhã, os quatro ex-dirigentes do antigo Banco Nacional passaram menos de 24 horas na cadeia. Eles foram soltos ainda na terça-feira, mediante habeas corpus, concedido no começo da noite pelo desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região. O ex-controlador do banco, Marcos Magalhães Pinto, o ex-vice-presidente da Área de Controladoria Clarimundo Sant’anna, o ex-diretor Arnoldo Oliveira e Omar Bruno Corrêa chegaram a ser levados ao presídio Ary Franco, onde passaram por todos os procedimentos normais aos novos detentos, mas o desembargador levou em conta o fato de os processos do réus não terem transitado em julgado, cabendo recursos contra as condenações proferidas em 2002. As idades dos executivos réus, todos com mais de 70 anos, também foram consideradas.

Os quatro executivos dirigiam um dos mais tradicionais bancos do país, que sofreu intervenção nos anos 90 e protagonizou grande escândalo financeiro. A prisão foi decretada pelo juiz Marcos André Bizzo Moliari, da 1ª Vara Criminal Federal do Rio, a pedido do MPF. Os dirigentes foram condenados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta, prestação de informações falsas a investidor ou à repartição pública e inserção de elementos falsos em demonstrativo contábil de instituição financeira. Um quinto ex-executivo, Nagib Antônio, com prisão decretada, nem chegou a ser preso na véspera, junto com os colegas.

Magalhães Pinto chegou a ser levado para um presídio carioca, mas foi libertado logo em seguida
Magalhães Pinto chegou a ser levado para um presídio carioca, mas foi libertado logo em seguida

Magalhães Pinto, segundo o MPF, é o único não condenado por formação quadrilha, e deve cumprir pena de 12 anos e dois meses, enquanto Sant’anna foi condenado a 15 anos e um mês. Arnoldo Oliveira ficará preso por 17 anos e um mês, e Omar Bruno Correia, por 8 anos e dez meses. A procuradora Ariane Guebel de Alencar alegou que “levar o princípio da presunção de inocência ao extremo de impedir a execução de sentença condenatória quando não há mais recurso com efeito suspensivo seria, de fato, um brinde à impunidade e à ineficiência da Justiça”.

Relembre o escândalo

• Resultado maquiado

Os problemas do Banco Nacional começaram em 1986, quando registrou rombo de US$ 600 milhões. O resultado era bem superior ao patrimônio líquido de US$ 250 milhões, da instituição financeira que pertencia a uma das mais tradicionais famílias mineiras, os Magalhães Pinto.

• Contas fantasmas

A saída para acobertar o déficit foi forjar empréstimos fictícios, com a abertura de 600 contas fantasmas. As operações foram contabilizadas como ativos bons.

• Intervenção do BC

A maquiagem ocorreu até novembro de 1995. O Banco Central determinou que fosse feita auditoria e detectou rombo de R$ 9,2 bilhões. O governo Fernando Henrique liberou recursos do recém criado Proer. Com a liquidação extrajudicial, o Unibanco comprou o banco mineiro e ficou com a parte “boa”.