A morte de um herói discreto

por Leneide Duarte-Plon

A criança soldado e o sol  de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.   Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele
A criança soldado e o sol de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.
Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele

Em fevereiro de 1958, graças ao livro La Question, de Henri Alleg, a França descobriu que seu Exército torturava na Argélia, como os nazistas da Gestapo tinham torturado os resistentes franceses. Imediatamente, o jornalista comunista nascido em Londres sob o nome de Harry Salem, filho de judeus russo-poloneses, se transformou num ícone da luta anticolonial, em plena guerra da Argélia.

Antes, alguns intelectuais haviam escrito artigos na imprensa mas naquele livro, um homem torturado dava seu testemunho. O diretor do jornal Alger Républicain – militante da luta anticolonialista, sequestrado e preso no ano anterior – confirmava as suspeitas num relato que se transformou imediatamente num best-seller. A partir da segunda edição, o livro passou a ter um posfácio de Jean-Paul Sartre, no qual o filósofo dizia: “Henri Alleg pagou o mais elevado preço para ter o direito de continuar um homem”.

Dia 17 deste calorento mês de julho, Henri Alleg faleceu em Paris, aos 91 anos, vítima de um AVC. Os principais jornais franceses noticiaram sua morte com espaço dedicado somente aos grandes personagens. O Le Monde deu uma página inteira, Libération, duas, e o comunista L’Humanité, do qual Alleg foi diretor, deu a notícia na capa, ressaltando os combates do jornalista e escritor contra o colonialismo, a opressão e todo tipo de racismo.

O presidente François Hollande louvou “o anticolonialista ardente cujo livro alertou o país sobre a realidade da tortura na Argélia”.

O secretário nacional do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, escreveu que o nome de Henri Alleg “permanecerá para sempre sinônimo de verdade, de coragem, de justiça”.

O diretor do jornal L’Humanité, Patric Le Hyaric, escreveu :

“A melhor homenagem que o Estado francês poderia fazer a Henri Alleg seria, enfim, reconhecer oficialmente a tortura na Argélia, assim como os crimes de guerra.”

Outra articulista, Rosa Moussaoui ressaltou que Alleg combateu “até o fim, sem cessar, a direita francesa sempre disposta a exaltar os ‘aspectos positivos’ da colonização”. Ela se referia ao longo debate durante o governo de Nicolas Sarkozy que, tentando reabilitar o período colonial, se pôs a apontar “aspectos positivos” na colonização francesa.

O livro

Quando foi proibido na França, três meses depois de ser lançado, o livro La Question já era um best-seller, com 65 mil exemplares vendidos. O governo do general Charles De Gaulle, tendo o escritor André Malraux como ministro da Cultura, não sabia ainda como iria acabar a guerra que, aliás, não era chamada de guerra pela França, mas “les événements d’Algérie” (os acontecimentos da Argélia). A expressão guerra da Argélia só foi imposta pelos historiadores muito depois da independência da antiga colônia.

A partir da proibição, o livro passou a ser impresso na Suíça e depois saiu em diversos países. Na França, o texto de Alleg passou a ser distribuído clandestinamente por uma rede de militantes católicos, socialistas e comunistas. Antes do livro, a revista católica Esprit havia denunciado a tortura na Argélia, mas Alleg veio trazer à opinião pública um texto-testemunho de grande qualidade literária. Nele não há psicologia ou julgamento moral – o texto é límpido, seco e objetivo.

O relato de Alleg tinha deixado a prisão em folhas soltas, levadas por seu advogado, burlando o controle dos torturadores. La question foi editado por Jérôme Lindon nas Editions de Minuit, num clima de debate passional entre os anti e os pró-colonização. O livro despertou a consciência de toda uma geração que descobriu horrorizada a tortura exercida pelos paraquedistas franceses em nome do combate à “subversão” da Frente de Libertação Nacional, que lutava pela independência da Argélia.

Em 1960, Alleg foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados. No ano seguinte, fugiu da prisão indo se refugiar num país do Leste europeu. Escreveu diversos livros e dedicou toda sua vida ao jornalismo, à causa comunista e ao combate anticolonialista.

A notícia da morte de um herói discreto me transportou ao mês de dezembro de 2011, quando fui à sua casa nabanlieue parisiense para uma entrevista em torno do seu livro e de sua experiência de resistente à guerra colonial na Argélia. Ele será um personagem do livro que estou escrevendo sobre como os militares franceses na Argélia exportaram técnicas de tortura e de controle das populações civis através do general Paul Aussaresses, que viveu no Brasil por quase três anos como adido militar da França.

Apesar da idade avançada, Alleg tinha a memória intacta e a inteligência preservada pelo tempo. E ao contar sua prisão, tortura e engajamento, seus olhos brilhavam cheios de vida e de generosidade.

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Nota do redator do blogue: A França continua colonialista. A propaganda sempre cria neologismo para seculares crimes de guerra. Os países colonizados são classificados como departamentos ultramarinos. No nosso continente temos a Guiana que, inclusive, invade terras brasileiras.
Guiana Francesa livre!, repetindo o grito de De Gualle.
A França imperialista continua a mesma, desde quando tentou uma França Antártica, em 1555, no Rio de Janeiro; em 1594, no Maranhão.
Recentemente, em abril de 1988, na Ilha de Ouvea, Nova Caledônia, mais um massacre de libertadores nativos, contado no filme A Rebelião, dirigido por Mathieu Kassovitz, e proibido de ser exibido nas colônias francesas, a começar, obviamente, pela Nova Caledônia. O filme foi rodado no Taiti, em 2010, pelas dificuldades criadas pelo exército francês.
rebeliao-poster
Cartaz original
Cartaz original
 Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Um dos libertários
Um dos libertários
Trailer do filme:
A brutal Legião Francesa, formada por mercenários e criminosos internacionais, jamais abandonou a África.  François Hollande começou seu governo com a invasão do Mali, onde pretende manter, permanentemente, mil soldados, sob a desculpa de combater o terrorismo islâmico religioso. Até a queda do Muro de Berlim era o terrorismo ateu do comunismo.

A presidente Dilma Rousseff fez críticas à ação francesa para conter “grupos rebeldes” que dominam parte do norte do Mali. Em declaração à imprensa junto a autoridades da União Europeia, em Brasília, a presidente defendeu que as ações no país sejam realizadas por vias multilaterais e criticou o que chamou de “tentações coloniais”, referindo-se ao protagonismo da França – que colonizou o país africano até meados do século 20 – nas ações militares.

Fotos: veja a intervenção francesa no Mali

“No que se refere a essa questão do Mali, nós defendemos a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU com atenção à proteção dos civis. O combate ao terrorismo não pode violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais”, afirmou Dilma.

Outro filme interessante: Zarafa. Ver link

A propósito de vandalismos

por Vittorio Medioli 

É realmente deplorável assistir a atos de vândalos que queimam carros, quebram vidraças, saqueiam lojas e, mais ainda, ver jovens arriscando-se sob chuva de bombas lacrimogêneas, mesmo aqueles pacíficos em seu direito de se manifestar que, atingidos na cabeça, podem ser mortos ou ter um olho esmagado por uma bala de borracha. Balas que se usam apenas em países incivilizados ou ditaduras. O vandalismo coloca em risco policiais, também insatisfeitos e inocentes, ao soldo de governantes que não elegeram.

O vandalismo mostrado nas telas, e comentado com desgosto e semblante fechado, revolta muita gente em suas casas. Deplorável a quebra de vidraças do Palácio do Itamaraty, em Brasília. Ninguém concorda com isso. Agredir uma obra de arte projetada por Oscar Niemayer, admirada internacionalmente e que conserva obras de artistas famosos, despertou ao vivo as preocupações de milhões de pessoas. Um prédio tão genial, inspirador de milhares de outros em todo o planeta, palácio que hospeda a câmara dos botões do sistema diplomático do Brasil.

Depois ouvi dizer que vandalismo com o patrimônio e o dinheiro público é ter aberto, nos últimos dez anos, cerca de 50 novas embaixadas que se reportam a esse Itamaraty, a maioria em países exóticos e paradisíacos, dotadas com um mínimo de 25 funcionários. Nelas o embaixador mais simples ganha R$ 50 mil, o mais estrelado, R$ 70 mil, o funcionário de nível inferior, cerca de R$ 25 mil, entre o salário propriamente dito e as “verbas”. O custo de uma embaixada, segundo os dados que se podem encontrar fora da caixa-preta do Itamaraty, aponta um mínimo de R$ 10 milhões a cada ano por uma embaixada de menor porte. Nessa categoria se enquadra uma dúzia em paraísos caribenhos cercados de mar azul e fora da rota turística. Hoje o Brasil possui 92 embaixadas megalomaníacas cobiçadas por aliados e partidários que procuram o “dolce” e bem-remunerado “far niente”.

São Vicente e Granadinas (população de 121 mil), Santa Lúcia (162 mil), São Cristóvão e Nevis (51 mil), Barbados (279 mil), Antígua e Barbuda (88 mil) por um total geral de 701 mil habitantes, na mesma região, provavelmente custam mais de R$ 50 milhões por ano.

Transcrito O Tempo/ Tribuna da Imprensa/ Continua

 Notas marginais do retador do Blogue:
SÃO VICENTE E GRANADINAS
É um país das Caraíbas localizado nas Pequenas Antilhas. Sua cidade mais populosa é  Kingstown, com 24 mil e 518 habitantes.
sao vicente
Localização de São Vicente e Granadinas
Localização de São Vicente e Granadinas
SANTA LÚCIA
É um país insular das Pequenas Antilhas, no Caribe, próximo à MartinicaSão Vicente e Granadinas e Barbados. Seu nome foi dado por Cristóvão Colombo, que ali esteve, em 1502.
Castries sua cidade mais populosa: 12 mil 980 habitantes.
Santa Lúcia, considerada o quinto melhor lugar do mundo para passar a lua de mel
Santa Lúcia, considerada o quinto melhor lugar do mundo para passar a lua de mel
Santa Lucia, considerada o quinto melhor lugar do mundo para passar a lua de mel
Santa Lucia, localização
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SÃO CRISTÓVÃO E NEVIS

Federação de São Cristóvão e NevesNevis ou Névis é um Estado soberano do Caribe ou das Caraíbas, mais propriamente parte das ilhas de Barlavento, e constituído pelas ilhas de São Cristóvão e Nevis. É também o menor país das Américas em extensão territorial e em número de habitantes.

A capital e sede do governo do Estado federado é Basseterre, com 12 mil e 920 habitantes, na ilha de São Cristóvão. A ilha menor, Neves, situa-se a três quilómetros de São Cristóvão, ficando esta separada por um estreito pouco profundo a que localmente se chama The Narrows.

 Basseterre
Vista de Nevis, a partir de São Cristovão
Vista de Nevis, a partir de São Cristovão
Localização de São Cristóvão e Nevis (em verde) no Caribe
Localização de São Cristóvão e Nevis (em verde) no Caribe

BARBADOS

 É o país mais oriental das Caraíbas (Caribe), situado no Oceano Atlântico, a leste de Santa Lúcia e de São Vicente e Granadinas, na área conhecida como Índias Ocidentais. Sua capital é Bridgetown, com 98 mil e 511 habitantes.

Conquistada pelos espanhóis em 1492, foi visitada pelos portugueses de 1536 até 1625. Nesta data foi reclamada pelos britânicos em nome de Jaime I de Inglaterra.

Manteve-se como colónia britânica até 1966.

Bridgetown

Localização de Barbados
Localização de Barbados

ANTÍGUA E BARBUDA

É constituído por 37 ilhas situadas entre o mar do Caribe (mar das Caraíbas e o Oceano Atlântico. É constituída por duas grandes ilhas, Antiga e Barbuda, e outras seis ilhotas: Great Bird, Green, Guinea, Long, Maiden e York; além de outras 29 ilhotas desabitadas. Separada por poucas milhas marítimas, o arquipélago faz parte das ilhas de Barlavento das Pequenas Antilhas, na América Central.

Os primeiros habitantes das ilhas surgiram há cerca de 4 400 anos. Em 1493, elas foram conquistadas por Cristóvão Colombo que as batizou, e colonizou em nome do reino da Espanha. Tal estatuto durou até 1667, quando foram vendidas à Grã-Bretanha, tendo estado sob soberania britânica até à sua independência em 1981.

St Johns, Antiga
St Johns, Antiga
Localização de Antígua e Barbuda
Localização de Antígua e Barbuda

PARIS, DOCE TURISMO

O Itamaraty chegou a pensar em criar uma embaixada na Martinica. Cobiça pirata desvanecida, quando um assessor de imprensa avisou que a Martinica continua colônia francesa.

Quando começaram as ondas de protesto, estavam em Paris Dilma, Geraldo Alckmin, Sérgio Cabral, os prefeitos de São Paulo, de Santa Maria do beijo da morte na boate Kiss, e mais três G-8 e respectivas cortes.

Sérgio Cabral só vive lá, lá em Paris, desejoso de ficar lá de vez, como embaixador, depois de deixar o governo do Estado do Rio de Janeiro em 1 de janeiro de 2015. Ele sonha colocar o pezão lá, para continuar um vida “merecida” de luxo e repentina riqueza.

Misterioso mesmo é que não existe nenhum mapa com as ilhas do Brasil, classificadas em oceânicas, marítimas e fluviais. O Brasil não tem mar, isso é verdadeiro. Falso, enganador é informar que o Brasil possui poucas ilhas, que são dadas como concessões pelo governador geral das ilhas, de identidade desconhecida.

Os donatários das ilhas doadas possuem luxuosas moradias. Coisa de faraó. Ou vendem as outorgas por vários bilhões de dólares a piratas de várias bandeiras.

As ilhas são paraísos aqui na terra. Esse vandalismo constitui um perigo para a soberania nacional. Ninguém sabe o que existe e o que acontece nas ilhas.

Fonte: Wikipédia/ Google

Presidente da França visita colônia na África

depeche. França

O presidente da França, François Hollande, desembarcou neste sábado (2) na cidade de Sevaré para sua primeira visita ao Mali desde que as tropas francesas se uniram à ofensiva do exército local contra os radicais islâmicos que controlavam a região norte do país africano.

Sevaré, localizada a 600 quilômetros ao nordeste da capital Bamaco, foi um dos centros de comando da ofensiva militar franco-malinesa que começou no dia 11 de janeiro e que conseguiu derrotar os grupos radicais armados que controlavam as províncias setentrionais de Kidal, Gao e Timbuktu.

Hollande, que viaja acompanhado dos ministros de Relações Exteriores, Defesa e Desenvolvimento, deve se reunir com o presidente malinês, Dioncunda Traoré, e viajar para Timbuktu, cidade recuperada pelas tropas aliadas após nove meses de ocupação rebelde.

Em Timbuktu, Hollande deve visitar o centro Ahmed Baba, onde estão parte dos centenários manuscritos guardados nesta cidade, antigo foco da cultura islâmica na África, informou à Agência Efe uma fonte da presidência malinesa.

liberation.Tombouctou