Vereador defende chacina de mendigos

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Durante uma sessão na Câmara Municipal de Piraí, Rio de Janeiro,  o vereador José Paulo Carvalho de Oliveira (PTdoB), conhecido como Russo, gerou polêmica ao afirmar  que os moradores de rua deveriam virar “ração para peixe”. A frase foi dita no mesmo momento em que ele se posicionava contra o direito dos moradores de rua de votarem.”Mendigo não tem que votar. Mendigo não faz nada na vida. Ele não tem que tomar atitude nenhuma”, disse.

O comentário foi feito no dia 8 de outubro, em uma discussão sobre os 25 anos da Constituição Federal. Na ocasião, o vereador ainda tocou em outros pontos polêmicos como a pena de morte, não prevista pela legislação brasileira. Ele comentou que achou uma pena quando acabaram com a pena de morte. “Deveria haver pena de morte. ‘Ah, vai matar inocente’. Não vai. Ainda que matasse, ia morrer muito menos inocente do que morre hoje, porque se um bandido soubesse que ele ia ser morto, com certeza ele ia pensar mais um pouquinho antes de fazer as coisas”, declarou.

Sobre a censura aos meios de comunicação, o legislador se mostrou preocupado com os conteúdos proporcionados para as crianças. “Fim da censura: eu acho isso ruim. Tem que ter censura. Tem um programa que passa altas horas da noite lá, tem um filme lá que pode passar de qualquer maneira. Eu sei que vai passar um filme ruim e não vou deixar meu filho ver. Mas nas propagandas de intervalo de um filme, de uma novela, tem coisas ridículas. Nas novelas de hoje passam gente transando escandalosamente na frente de criança. Tem que ter censura, sim, tem que ter um bom senso. Não pode se liberar tudo na vida, não, tem que ter censura”, defendeu.

O vereador pronunciou um discurso nazista/fascista/stalinista.  Coisa de reacionário, extremista, racista que prega a “solução final para os mendigos”. Isso é apologia do crime, das chacinas de mendigos, que são incendiados ou mortos a tiros, pauladas, e que entram na lista dos desaparecidos e do rendoso tráfico de cadáveres.

Comida para peixe. Na ditadura militar dos países do Cone Sul, inúmeros presos políticos foram transportados em aviões e jogados no alto mar.

Quanta ganha por mês esse vereador aproveitador do PTdoB de Piraí, terra que mata jornalistas?

José Paulo Carvalho de Oliveira não sabe distinguir um mendigo de um picareta político, de um funcionário de serviço fantasma, de um parasita vereador, de um lobista, de um gigolô e outros malandros – uma gentalha que “não faz nada” de útil, e sem trabalhar, vive uma vida de luxo e luxúria.

Jornalista Mário Randolfo Marques Lopes
Jornalista Mário Randolfo Marques Lopes

Que ele responda se já descobriram os assassinos do jornalista Mario Randolfo Marques Lopes que informava sobre a corrupção em Barra do Piraí. Randolfo havia sobrevivido a vários atentados contra sua vida nos últimos anos. Atentados por denunciar vereadores e prefeitos ladrões em Piraí.

95 moradores de rua foram assassinados desde o começo do ano

Rezo para que o discurso nojento do vereador José Paulo Carvalho de Oliveira não aumente a lista das chacinas de mendigos, impunemente praticadas no Brasil por assassinos cruéis e covardes.

Escreve Wilson Lima

Dados são da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República: Minas Gerais é o Estado que concentra o maior número de mortes, seguido de Goiás

Dos 195 assassinatos de moradores de rua registrados entre janeiro e junho, dez pessoas foram mortas por apedrejamento e nove por espancamento. Houve também o registro de sete moradores de rua que morreram após terem sido queimados.

In Wikipédia: Mendigomendicantepedintemorador de ruasem-teto ou sem-abrigo é o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo manter a sobrevivência com meios próprios. Tal situação de indigência material força o indivíduo a viver na rua, perambulando de um local para o outro, recebendo o adjetivo de vagabundo, ou seja, aquele que vaga, que tem uma vida errante.

O estado de indigência ou mendicância é um dos mais graves dentre as diversas gradações da pobreza material.

Os mendigos obtêm normalmente os seus rendimentos através de subsídios de sobrevivência estatais ou através da prática da mendicância à porta de igrejas, em semáforos ou em locais bastante movimentados como os centros das grandes metrópoles.

No Brasil, numa tentativa de abordar de forma mais politicamente correta a questão dos que vivem em carência material absoluta, criou-se as expressões pessoas em situação de rua e sem-teto para denominar este grupo social.

Blogueiros na mira enquanto aumenta o número de assassinatos no Brasil

Em 23 de abril de 2012, Décio Sá, o jornalista e blogueiro mais influente do Maranhão, estado localizado no nordeste brasileiro, foi baleado três vezes na cabeça por um atirador que fugiu de motocicleta. Sá foi morto dois meses depois do assassinato de Mário Randolfo Marques Lopes, um combativo blogueiro que era editor de um site de notícias em Barra do Piraí, cidade localizada a aproximadamente 145 quilômetros ao noroeste do Rio de Janeiro.

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A presidente Dilma Rousseff tentou minimizar os perigos que os jornalistas brasileiros enfrentam. (AFP / Yasuyoshi Chiba).

As mortes de Sá e Randolfo, os primeiros blogueiros brasileiros a serem mortos devido ao seu trabalho informativo, fazem parte de um aumento mais amplo no número de assassinatos de jornalistas no país desde 2011. O caso de Randolfo também é emblemático da difícil situação dos repórteres interioranos no Brasil: sem vínculos com os principais meios de comunicação de grandes centros urbanos, esses jornalistas não têm visibilidade e o apoio de colegas em nível nacional. Um perfil tão discreto pode significar que as autoridades se sintam menos pressionadas a investigar atentados contra a imprensa regional. Ataques não resolvidos contra jornalistas, por sua vez, podem dissuadir os repórteres locais de investigar crimes e corrupção em suas regiões.

“Quando ocorre qualquer tipo de violência contra jornalistas, ela ameaça outros repórteres que poderiam querer fazer o mesmo tipo de trabalho,” afirmou Marcelo Moreira, editor-chefe da TV Globo no Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a ABRAJI. “Isso é especialmente verdadeiro no Brasil, onde o número de ataques está aumentando. É por isso que estamos tão preocupados.”

Repórteres e agentes encarregados de manter a lei disseram ao CPJ, durante visitas realizadas em setembro de 2012 às cidades de São Luís, Barra do Piraí e Rio de Janeiro, que Sá e Rodolfo provavelmente foram visados por suas enérgicas reportagens sobre a corrupção política local e o crime organizado; histórias que foram, em grande parte, ignoradas pela grande mídia estabelecida no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Jornalistas de rádio foram amiúde baleados em áreas remotas do Brasil devido a reportagens agressivas e, muitas vezes, politicamente tendenciosas. Mas, os blogueiros que produzem notícias, vistos como mais independentes do que repórteres de rádio, vêm ganhando influência em muitas das pequenas e médias cidades do país. Dessa forma, eles se tornaram os alvos mais recentes daqueles que querem silenciar a mídia brasileira.

“Tradicionalmente, o maior número de mortes de jornalistas no interior ocorria entre os que trabalhavam em rádio,” disse ao CPJ José Reinaldo Marques, pesquisador da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), um grupo do setor com sede no Rio de Janeiro. “Mas isso foi até o surgimento dos blogueiros.”

Não há estimativas oficiais do número de blogs noticiosos no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2011 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, criado pelo governo brasileiro, mostrou que 16% dos usuários online em áreas urbanas e 11% em áreas rurais haviam criado blogs. Os dados nada revelavam sobre a natureza das postagens, mas está claro que blogs e sites de notícias sérios, focados em eventos atuais, estão se originando por todo o país. Por exemplo, na cidade de São Luiz, capital do estado do Maranhão, onde Sá foi morto, cerca de 20 blogs com ampla difusão abordam notícias e política, segundo Marco Aurélio D’Eça, blogueiro que era um dos amigos mais próximos de Sá.

D’Eça contou ao CPJ que blogs e sites de notícias suplantaram o rádio como a mídia mais importante em muitas cidades e capitais no interior. Nestas regiões, frequentemente faltam jornais ou canais de TV locais com cobertura agressiva e elas são amplamente ignoradas pelos grandes e massivos meios de comunicação brasileiros.

As estações de rádio já supriram algumas destas lacunas, mas muitas emissoras pertencem a políticos, e seus repórteres frequentemente produzem relatos que favorecem seus chefes, disse ele. Embora alguns blogueiros também estejam alinhados e sejam e pagos por políticos, comentou D’Eça, ele e muitos outros blogueiros independentes “têm mais liberdade para investigar” assuntos como tráfico de drogas, tráfico de pessoas e crimes ambientais.

Além disso, o noticiário de rádio geralmente visa audiências menos sofisticadas e fica no ar só por alguns minutos antes de desaparecer. Em contraste, disse D’Eça, notícias locais e comentários publicados online podem ter maior impacto porque as postagens são normalmente voltadas a uma audiência mais letrada, composta por políticos, líderes empresariais, e formadores de opinião. Além disso, textos de blogs ficam disponíveis na internet por meses e podem ser reproduzidos e enviados por e-mail para atingir um público mais amplo. O resultado é que casos de corrupção, escândalos políticos e rumores em áreas rurais de Pernambuco, Mato Grosso, Bahia e outros estados – histórias que no passado teriam permanecido no âmbito local – podem agora ser lidas por usuários de internet em todo o país e repercutidas pela grande mídia.

Sá, 42, era um repórter político veterano do maior jornal da região, O Estado do Maranhão, pertencente à família Sarney, uma dinastia política liderada pelo ex-presidente brasileiro e atual presidente do Senado José Sarney, cuja filha, Roseana Sarney, é governadora do estado. O jornal geralmente evita fazer investigações ou reportagens críticas sobre os Sarney, disse Saulo McClean, repórter policial de O Estado do Maranhão. McClean escreve notícias com base em boletins policiais, mas disse que seus editores raramente o pressionam a investigar mais fundo.

Sá, entretanto, tornou-se conhecido fora do jornal em 2006, quando iniciou seu independente Blog do Décio, que vigorosamente abordava a intersecção entre a política e o crime organizado. “Décio tinha que seguir a linha editorial em seu trabalho no jornal, mas não em seu blog,” disse McClean. “O blog dele era mais informal. Incluía boatos e rumores, mas ele sempre ia atrás dos ‘peixes grandes’”. Logo se tornou um dos blogs mais lidos no estado. As fontes de Sá eram tão boas que, às vezes, ele ia longe demais e comprometia investigações policiais, disse Aluísio Mendes, chefe da polícia do Maranhão. “Ele era muito agressivo,” disse Mendes ao CPJ. “Todo mundo lia seu blog.”

As postagens que podem ter levado ao assassinato de Sá diziam respeito ao homicídio, ocorrido em março, de um empresário local. Mendes disse que Sá se antecipou à investigação policial ao conectar o caso a uma rede maranhense de agiotas que frequentemente emprestava enormes quantias para candidatos políticos em troca de contratos governamentais quando seus clientes fossem eleitos. O empresário morto, Fábio Brasil, aparentemente não pagara sua dívida, disse Mendes. Embora Sá não tenha publicado nomes, diversos comentários publicados sob sua postagem original alegavam que o assassinato tinha sido encomendado por Gláucio Alencar e seu pai, José de Alencar Miranda Carvalho – renomados líderes do grupo de agiotas.

Como os líderes da quadrilha contavam com policiais corruptos e políticos em sua folha de pagamento, disse Mendes, eles estavam mais preocupados com o que Sá poderia revelar em seu blog do que com a investigação oficial da polícia. Assim, contrataram o mesmo atirador que assassinara Brasil para matar Sá, contou Mendes. Sá levou um tiro enquanto estava sentado em um bar em São Luís. Ele deixou esposa, que na época estava grávida, e uma filha.

Mendes contou ao CPJ que solucionar o crime era uma enorme prioridade. Sá não apenas trabalhava para a família Sarney, que exigia respostas, como era o jornalista mais conhecido do Maranhão. “Havia a sensação de que se eles podiam matar o Décio, podiam matar qualquer um,” afirmou Mendes. Um homem foi logo preso, confessou ser o atirador, e disse que o crime havia sido encomendado pela família Alencar, segundo Mendes. Gláucio Alencar, seu pai, e sete outros suspeitos – incluindo um subcomandante da polícia militar que supostamente forneceu a pistola usada para matar Sá – foram presos. Alencar e os outros suspeitos negaram as acusações e, assim como o suposto atirador, aguardavam julgamento no final de 2012.

O assassinato de Sá atraiu grande atenção da imprensa brasileira e foi considerado solucionado em 50 dias. Em contrapartida, o assassinato de Randolfo permanece sob investigação e pouco chegou aos noticiários, segundo Moreira, presidente da ABRAJI. Ao contrário de Sá, Randolfo não trabalhava para um grande jornal e não tinha conexões políticas de peso. Ele também vivia em uma cidade muito menor, Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, onde era fundador, editor-chefe e o principal blogueiro do site de notícias Vassouras na Net.

Como muitos jornalistas de internet independentes, Randolfo se sustentava com a venda de publicidade em seu site para empresas locais, de acordo com Wilians Renato dos Santos, repórter policial para a RBP Rádio na cidade de Barra do Piraí, onde Randolfo foi assassinato. Em suas postagens, Randolfo frequentemente acusava funcionários locais de corrupção e havia noticiado sobre uma suposta rede de assassinos de aluguel liderada por um ex-chefe de polícia de Vassouras. “Ele desafiava todo mundo,” disse dos Santos. “Denunciava crimes. Ele pôs muita gente em uma situação difícil, e queriam silenciá-lo.”

Ele descreveu Randolfo como um repórter honesto e ético. J. C. Moreira, amigo de Randolfo e presidente do sindicato dos jornalistas, disse que o blogueiro proclamava com frequência: “Ninguém pode me comprar”. Mas o chefe de polícia de Barra do Piraí, José Mário Salomão de Omena, contou ao CPJ que Randolfo também publicou boatos e investigou a vida pessoal de funcionários públicos, até escrevendo sobre seus casos extraconjugais. “Ele era como um franco-atirador desarmado. Não tinha limites,” disse Omena, que não era um dos alvos das investigações de Randolfo. “Em uma cidade pequena, esse tipo de informação pode ser devastadora. Você não ia querer matar alguém que dissesse que sua mãe era uma prostituta e seu pai infiel?”

Em julho de 2011, um desconhecido entrou na redação do Vassouras na Net e disparou contra a cabeça de Randolfo, deixando-o em coma por três dias com uma bala alojada atrás de sua orelha direita. Ele sobreviveu e posteriormente denunciou em seu site que foi alvo de retaliação por ter revelado irregularidades na investigação de um assassinato. Ninguém foi acusado ou preso pelo atentado. Para sua segurança, Randolfo se transferiu em janeiro de Vassouras para Barra do Piraí, uma cidade de 88.000 habitantes. Mas as duas cidades estão a apenas 25 quilômetros de distância, e Randolfo não parou de escrever em seu site. “Depois do ataque, eu disse a ele pra tomar cuidado e esquecer o jornalismo,” seu amigo Moreira disse ao CPJ. Como Barra do Piraí era muito perto de Vassouras, comentou Moreira, “achei que ele era louco de se mudar para cá”.

Randolfo foi assassinado em 9 de fevereiro de 2012, junto com sua companheira, Maria Aparecida Guimarães. Omena disse que os corpos foram encontrados na beira de uma estrada, nos arredores de Barra do Piraí. Ambos foram raptados da casa de Randolfo na noite anterior e mortos a tiros no início da manhã.

Omena disse que, em sua maioria, os homicídios em Barra do Piraí são solucionados, mas admitiu uma falta de progresso no caso de Randolfo. Pouco tempo após a morte de Randolfo, ele disse a repórteres que o jornalista tinha criado “um número tão grande de inimigos que é difícil saber por onde começar” a investigação. Em resposta às questões escritas pelo CPJ, Ramon Leite Carvalho, promotor público encarregado do caso de Randolfo, se recusou a discutir detalhes, argumentando que a investigação ainda estava em curso.

Na esteira dos assassinatos de Sá e Randolfo, o governo da presidente Dilma Rousseff tentou atenuar a noção de que o Brasil está se tornando uma zona vermelha para jornalistas, de acordo com Moreira, presidente da ABRAJI. Ele assinalou que a Copa do Mundo de 2014 vai ocorrer em 12 cidades por todo o Brasil e que, em meio a um maior escrutínio internacional, o governo está tentando defender a ideia de que o país é pacífico e amistoso para repórteres. Mas pelo menos sete jornalistas brasileiros foram mortos por motivos diretamente relacionados ao seu trabalho entre janeiro de 2011 e outubro de 2012, tornando o país um dos mais letais para a imprensa. E o governo, às vezes, pareceu insensível ao problema. Em abril de 2012, a delegação brasileira se opôs a um plano liderado pela UNESCO para combater a impunidade em assassinatos de jornalistas em todo o mundo. Depois que a posição do Brasil atraiu muitas críticas da ABRAJI e de outros organismos, em junho a embaixadora do país junto à ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que o país apoiaria o plano à medida que este avançasse nas Nações Unidas.

Sá e Randolfo se apraziam em cutucar os poderosos, mas nenhum deles tomou qualquer medida especial para se proteger, de acordo com amigos e companheiros de profissão. Seus colegas blogueiros reagiram às mortes de maneiras diversas. Gildean Farias, editor online de O Imparcial, o jornal diário mais antigo de São Luís, disse que o assassinato de Sá o persuadiu a passar ao largo de política no blog que escreve para o jornal. D’Eça, ao contrário, tem usado seu blog para continuar a investigação de Sá sobre os agiotas do Maranhão.

Amigos repórteres de Sá têm mantido seu blog ativo. Mas, no interior do estado do Rio de Janeiro, o site de Randolfo foi tirado do ar; com sua morte, há uma sentinela a menos em uma parte do país já com poucos jornalistas. Não houve quase nenhum acompanhamento da mídia brasileira sobre o seu caso. De acordo com Moreira, da ABRAJI, isso significa bem menos pressão sobre as autoridades locais para encontrar os assassinos.

Moreira disse que repórteres no Rio de Janeiro e São Paulo frequentemente veem jornalistas do interior como tendenciosos, corruptos e coniventes com políticos locais. Dessa forma, explicou, a grande mídia presta menos atenção quando esses repórteres e blogueiros são alvos de ataques. O assassinato de Randolfo nem chegou ao principal noticiário da TV Globo no Rio de Janeiro, apesar de o blogueiro ter sido morto numa cidade próxima. “Se não estão escrevendo para os grandes meios de comunicação, são praticamente inexistentes,” disse Moreira ao CPJ. “Mas esses blogueiros tiveram a coragem de escrever sobre as coisas ruins que estavam acontecendo em suas comunidades.”


John Otis, correspondente do Programa das Américas do CPJ nos Andes, também trabalha como correspondente para a revista Time e para o Global Post. Ele escreveu em 2010 o livro Lei da Selva, sobre contratantes militares norte-americanos raptados por rebeldes colombianos. Ele vive em Bogotá, na Colômbia.

PROFISSÃO PERIGO. Blogueiros na mira

Na esteira dos assassinatos, o governo da presidente Dilma Rousseff tentou atenuar a noção de que o Brasil está se tornando uma zona vermelha para jornalistas. (…) A Copa do Mundo de 2014 vai ocorrer em 12 cidades por todo o Brasil e que, em meio a um maior escrutínio internacional, o governo está tentando defender a idéia de que o país é pacífico e amistoso para repórteres. 

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Em 23 de abril de 2012, Décio Sá, o jornalista e blogueiro mais influente do Maranhão, foi baleado três vezes na cabeça por um atirador que fugiu de motocicleta. Sá foi morto dois meses depois do assassinato de Mário Randolfo Marques Lopes, um combativo blogueiro que era editor de um site de notícias em Barra do Piraí, cidade localizada a 145 quilômetros a noroeste do Rio de Janeiro.

As mortes de Sá e Randolfo, os primeiros blogueiros brasileiros a serem mortos devido ao seu trabalho informativo, fazem parte de um aumento mais amplo no número de assassinatos de jornalistas no país desde 2011. O caso de Randolfo também é emblemático da difícil situação dos repórteres interioranos no Brasil: sem vínculos com os principais meios de comunicação de grandes centros urbanos, esses jornalistas não têm visibilidade e o apoio de colegas em nível nacional.

“Quando ocorre qualquer tipo de violência contra jornalistas, ela ameaça outros repórteres que poderiam querer fazer o mesmo tipo de trabalho”, afirmou Marcelo Moreira, editor-chefe da TV Globo no Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo(Abraji). “Isso é especialmente verdadeiro no Brasil, onde o número de ataques está aumentando. É por isso que estamos tão preocupados.”

Repórteres e agentes encarregados de manter a lei disseram ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), durante visitas realizadas em setembro de 2012 às cidades de São Luís, Barra do Piraí e Rio de Janeiro, que Sá e Rodolfo provavelmente foram visados por suas enérgicas reportagens sobre a corrupção política local e o crime organizado; histórias que foram, em grande parte, ignoradas pela grande mídia estabelecida no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Novo padrão

Jornalistas de rádio foram amiúde baleados em áreas remotas do Brasil devido a reportagens agressivas e, muitas vezes, politicamente tendenciosas. Mas, os blogueiros que produzem notícias, vistos como mais independentes do que repórteres de rádio, vêm ganhando influência em muitas das pequenas e médias cidades do país. Dessa forma, eles se tornaram os alvos mais recentes daqueles que querem silenciar a mídia brasileira.

Não há estimativas oficiais do número de blogs noticiosos no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2011 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, criado pelo governo brasileiro, mostrou que 16% dos usuários online em áreas urbanas e 11% em áreas rurais haviam criado blogs. Os dados nada revelavam sobre a natureza das postagens, mas está claro que blogs e sites de notícias sérios, focados em eventos atuais, estão se reproduzindo por todo o país. Por exemplo, na cidade de São Luiz, capital do estado do Maranhão, onde Sá foi morto, cerca de 20 blogs com ampla difusão abordam notícias e política, segundo Marco Aurélio D’Eça, blogueiro que era um dos amigos mais próximos de Sá.

D’Eça contou ao CPJ que blogs e sites de notícias suplantaram o rádio como a mídia mais importante em muitas cidades e capitais no interior. Nestas regiões, frequentemente faltam jornais ou canais de TV locais com cobertura agressiva e estas são amplamente ignoradas pelos grandes e massivos meios de comunicação brasileiros.

As estações de rádio já supriram algumas dessas lacunas, mas muitas emissoras pertencem a políticos, e seus repórteres frequentemente produzem relatos que favorecem seus chefes, disse ele. Embora alguns blogueiros também estejam alinhados e sejam e pagos por políticos, comentou D’Eça, ele e muitos outros blogueiros independentes “têm mais liberdade para investigar” assuntos como tráfico de drogas, tráfico de pessoas e crimes ambientais.

Além disso, o noticiário de rádio geralmente visa audiências menos sofisticadas e fica no ar só por alguns minutos antes de desaparecer. Em contraste, disse D’Eça, notícias locais e comentários publicados online podem ter maior impacto porque as postagens são normalmente voltadas a uma audiência mais letrada, composta por políticos, líderes empresariais e formadores de opinião. Além disso, textos de blogs ficam disponíveis na internet por meses e podem ser reproduzidos e enviados por e-mail para atingir um público mais amplo. O resultado é que casos de corrupção, escândalos políticos e rumores em áreas rurais de Pernambuco, Mato Grosso, Bahia e outros estados – histórias que no passado teriam permanecido no âmbito local – podem agora ser lidas por usuários de internet em todo o país e repercutidas pela grande mídia.

Alvo de retaliação

Sá, de 42 anos, era um repórter político veterano do maior jornal da região, O Estado do Maranhão, pertencente à família Sarney, uma dinastia política liderada pelo ex-presidente brasileiro e ex-presidente do Senado José Sarney, cuja filha, Roseana Sarney, é governadora do estado. Sá tornou-se conhecido fora do jornal em 2006, quando iniciou seu independente Blog do Décio, que vigorosamente abordava a intersecção entre a política e o crime organizado.

As postagens que podem ter levado ao assassinato de Sá diziam respeito ao homicídio, ocorrido em março, de um empresário local. Mendes disse que Sá se antecipou à investigação policial ao conectar o caso a uma rede maranhense de agiotas que frequentemente emprestava enormes quantias para candidatos políticos em troca de contratos governamentais quando seus clientes fossem eleitos. O empresário morto, Fábio Brasil, aparentemente não pagara sua dívida, disse Mendes. Embora Sá não tenha publicado nomes, diversos comentários publicados sob sua postagem original sugeriam que o assassinato tinha sido encomendado por Gláucio Alencar e seu pai, José de Alencar Miranda Carvalho – renomados líderes do grupo de agiotas.

Como os líderes da quadrilha contavam com policiais corruptos e políticos em sua folha de pagamento, disse Mendes, eles estavam mais preocupados com o que Sá poderia revelar em seu blog do que com a investigação oficial da polícia. Assim, contrataram o mesmo atirador que assassinara Brasil para matar Sá, contou Mendes. Sá levou um tiro enquanto estava sentado em um bar em São Luís. Ele deixou esposa, que na época estava grávida, e uma filha.

Mendes contou ao CPJ que solucionar o crime era uma enorme prioridade. Sá não apenas trabalhava para a família Sarney, que exigia respostas, como era o jornalista mais conhecido do Maranhão. “Havia a sensação de que se eles podiam matar o Décio, podiam matar qualquer um”, afirmou Mendes. Um homem foi logo preso, confessou ser o atirador, e disse que o crime havia sido encomendado pela família Alencar, segundo Mendes. Gláucio Alencar, seu pai, e sete outros suspeitos – incluindo um subcomandante da Polícia Militar que supostamente forneceu a pistola usada para matar Sá – foram presos. Alencar e os outros suspeitos negaram as acusações e, assim como o suposto atirador, aguardam julgamento.

O assassinato de Sá atraiu grande atenção da imprensa brasileira e foi considerado solucionado em 50 dias. Em contrapartida, o assassinato de Randolfo permanece sob investigação e pouco chegou aos noticiários, segundo Moreira, presidente da Abraji. Ao contrário de Sá, Randolfo não trabalhava para um grande jornal e não tinha conexões políticas de peso. Ele também vivia em uma cidade muito menor, Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, onde era fundador, editor-chefe e o principal blogueiro do site de noticias Vassouras na Net.

[Sequestrados e torturados]

Como muitos jornalistas de internet independentes, Randolfo se sustentava com a venda de publicidade em seu site para empresas locais, de acordo com Wilians Renato dos Santos, repórter policial para a RBP Rádio, na cidade de Barra do Piraí, onde Randolfo foi assassinato. Em suas postagens, Randolfo frequentemente acusava funcionários locais de corrupção e havia noticiado sobre uma suposta rede de assassinos de aluguel liderada por um ex-chefe de polícia de Vassouras. “Ele desafiava todo mundo”, disse Santos. “Denunciava crimes. Ele pôs muita gente em uma situação difícil, e queriam silenciá-lo.”

Ele descreveu Randolfo como um repórter honesto e ético. J. C. Moreira, amigo de Randolfo e presidente do sindicato dos jornalistas, disse que o blogueiro proclamava com frequência: “Ninguém pode me comprar”. Mas o chefe de polícia de Barra do Piraí, José Mário Salomão de Omena, contou ao CPJ que Randolfo também publicou boatos e investigou a vida pessoal de funcionários públicos, até escrevendo sobre seus casos extraconjugais. “Ele era como um franco-atirador desarmado. Não tinha limites”, disse Omena, que não era um dos alvos das investigações de Randolfo.

Em julho de 2011, um desconhecido entrou na redação do Vassouras na Net e disparou contra a cabeça de Randolfo, deixando-o em coma por três dias com uma bala alojada atrás de sua orelha direita. Ele sobreviveu e posteriormente denunciou em seu site que fora alvo de retaliação por ter revelado irregularidades na investigação de um assassinato. Ninguém foi acusado ou preso pelo atentado. Para sua segurança, Randolfo se transferiu em janeiro de Vassouras para Barra do Piraí, uma cidade de 88.000 habitantes. Mas as duas cidades estão a apenas 25 quilômetros de distância, e Randolfo não parou de escrever em seu site.

Randolfo foi assassinado em 9 de fevereiro de 2012 junto com sua companheira, Maria Aparecida Guimarães. Omena disse que os corpos foram encontrados na beira de uma estrada, nos arredores de Barra do Piraí. Ambos foram raptados da casa de Randolfo na noite anterior e mortos a tiros no início da manhã.

Coragem de escrever

Na esteira dos assassinatos de Sá e Randolfo, o governo da presidente Dilma Rousseff tentou atenuar a noção de que o Brasil está se tornando uma zona vermelha para jornalistas, de acordo com Moreira, presidente da Abraji. Ele assinalou que a Copa do Mundo de 2014 vai ocorrer em 12 cidades por todo o Brasil e que, em meio a um maior escrutínio internacional, o governo está tentando defender a ideia de que o país é pacífico e amistoso para repórteres. Mas pelo menos sete jornalistas brasileiros foram mortos por motivos diretamente relacionados ao seu trabalho entre janeiro de 2011 e outubro de 2012, tornando o país um dos mais letais para a imprensa.

Sá e Randolfo se apraziam em cutucar os poderosos, mas nenhum deles tomou qualquer medida especial para se proteger, de acordo com amigos e companheiros de profissão. Seus colegas blogueiros reagiram às mortes de maneiras diversas. Gildean Farias, editor online de O Imparcial, o jornal diário mais antigo de São Luís, disse que o assassinato de Sá o persuadiu a passar ao largo de política no blog que escreve para o jornal. D’Eça, ao contrário, tem usado seu blog para continuar a investigação de Sá sobre os agiotas do Maranhão.

Moreira disse que repórteres no Rio de Janeiro e São Paulo frequentemente veem jornalistas do interior como tendenciosos, corruptos e coniventes com políticos locais. Dessa forma, explicou, a grande mídia presta menos atenção quando esses repórteres e blogueiros são alvos de ataques. O assassinato de Randolfo nem chegou ao principal noticiário da TV Globo no Rio de Janeiro, apesar de o blogueiro ter sido morto numa cidade próxima. “Se não estão escrevendo para os grandes meios de comunicação, são praticamente inexistentes”, disse Moreira ao CPJ. “Mas esses blogueiros tiveram a coragem de escrever sobre as coisas ruins que estavam acontecendo em suas comunidades.”

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[John Otis, correspondente do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) nos Andes, também trabalha como correspondente para a revista Time e para o Global Post. Este artigo foi adaptado de uma análise do relatório “Ataques à Imprensa: Jornalismo sob Fogo Cruzado”, que será lançado dia 14 de fevereiro. Transcrito do Observatório da Imprensa]

Brasil matou onze jornalistas em 2012. Fip esconde

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Pelo noticiário da imprensa, o Brasil matou duas vezes mais do que o Iraque. Chacinou onze jornalistas em 2012. E um este ano, no dia 8 de janeiro último.

Noticia a Fip:

La Federación Internacional de Periodistas (FIP) ha declarado hoy que 2012 ha sido uno de los años más sangrientos para los periodistas y otros trabajadores de los medios. Al menos, 121 de ellos perdieron la vida en asesinatos en los que fueron el objetivo buscado o bien en incidentes de fuego cruzado.

La FIP advierte que esas cifras terribles prueban la incapacidad de los gobiernos y de las Naciones Unidas para cumplir sus obligaciones internacionales de proteger el elemental derecho a la vida de los periodistas.

“La cuota mortal de 2012 se convierte en acta acusatoria contra la falta de convicción de los gobiernos a la hora de ofrecer protección a los periodistas. Evidentemente, no han sabido parar esta matanza”, declaró Jim Boumelha, presidente de la FIP. “No hay duda de que este nivel elevadísimo de periodistas asesinados se ha convertido en un rasgo constante de la última década, durante la cual la reacción habitual de las Naciones Unidas y de los gobiernos apenas ha consistido en unas pocas palabras de condena, una investigación somera y un indiferente desdén”.

Según la FIP, que desde 1990 publica informes anuales de los profesionales de los medios asesinados en incidentes relacionados con su oficio, 121 periodistas y otros trabajadores de los medios perdieron sus vidas en ataques selectivos, atentados con bombas o incidentes de fuego cruzado, por encima de los 107 registrados en 2011. Otros 30 más fallecieron en 2012 por accidente o enfermedad relacionados con el ejercicio del periodismo, ante 20 fallecidos por dichos motivos el año anterior.

Una mayor violencia y ausencia de la ley convirtieron a Somalia en un país mortífero para los medios; mientras sucedía algo similar en México, por obra del crimen organizado, o en Pakistán donde hay que atribuirlo a los grupos insurgentes.

La FIP afirma que, en general, los periodistas fueron diana elegida por ejercer su oficio y con la clara intención de hacerlos callar. Esta constatación, que está en los informes anuales de la FIP, ilustra la necesidad de medidas genuinas para proteger y castigar a los responsables de esa violencia contra los medios.

Durante el último mes, la FIP reclamó con urgencia las responsabilidades pertinentes por dicha violencia selectiva contra los medios en la Conferencia de Agencias de las Naciones Unidas que tuvo lugar en Viena (Austria), donde se lanzó oficialmente el Plan de Acción de la ONU sobre seguridad de los periodistas y contra la impunidad. Allí se dijo que “el nuevo plan de la ONU era antesala de la última oportunidad”.

“Ahora miramos hacia el Plan de la ONU sobre seguridad de los periodistas y contra la impunidad para que se cumpla ese mandato”, añadió Beth Costa, Secretaria General de la FIP: “La situación es tan desesperada que la inacción no es posible”.

Con fecha 31 de diciembre, la FIP registró la información siguiente sobre asesinatos de periodistas y personal de los medios en 2012:

Asesinatos selectivos, ataques con bombas e incidentes con fuego cruzado: 121
Muertes por accidente o enfermedades relacionadas: 30
Total  de muertes: 151

La región más mortífera en 2012 fue Oriente Medio y el Mundo Árabe, donde 47 periodistas y personal de los medios fueron asesinados. Siria tuvo la tasa más elevada de muertes con 36 víctimas mortales.

Siria: 35

Somalia: 18

Pakistán: 10

México: 10

Filipinas: 5

Irak: 5

Veja lista de jornalistas mortos da Fip

Mortes encomendadas. Jornalistas na mira dos pistoleiros

Transcrevo artigo publicado no O Arastão, dirigido por Geraldo Ferreira, mais conhecido por Gegê, que também sofreu ameaça. Possivelmente da bandidagem policial.

Assassinato de jornalista na fronteira expõe insegurança da profissão

Ser jornalista está se tornando profissão de risco no Brasil. Após a morte do jornalista Paulo Rocaro em Ponta Porã, ainda sem esclarecimento e sem explicações por parte da Polícia e das demais autoridades, outros casos de agressão estão ficando cada vez mais comuns no Brasil.

Paulo Rocaro
Paulo Rocaro

 

No começo do mês, em Campinas, São Paulo, jornalistas que chegavam ao estádio Moisés Lucarelli foram agredidos por torcedores que estavam lá para assistir o jogo São Paulo e Ponte. Não se sabe ainda o motivo das agressões.

Na cidade de Barreiras, Bahia o jornalista Carlos Alberto Sampaio, acusa o vereador Sidnei Giachini (PP) de tentá-lo agredi-lo e de preferir palavras de baixo calão, precisando ser contido por populares e funcionários da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães para evitar que o ato se consumasse.

No final de janeiro em São Paulo o repórter Felipe Frazão, da TV Estadão, foi agredido por um manifestante enquanto cobria protesto em São Paulo contra ações do governo na cracolândia e em Pinheirinho.

O fotógrafo e diretor do site Nossacara, de Eunápolis, Bahia, Urbino Brito, foi agredido no dia 05 de fevereiro por um jovem de vulgo “Dingo”, filho de um comerciante local do ramo automobilístico, que ainda feriu mais duas pessoas com garrafas de cerveja. Motivo: fotografou o jovem bloqueando a passagem de pedestres com o carro.

Mais casos

Já o jornalista André Luiz de Oliveira, da Rádio Frequência Garopaba, Santa Catarina apanhou porque estava registrando as atividades de um caminhão utilizado em limpeza de fossa, em um restaurante à beira mar. Levou 10 dez pontos no rosto e ainda corre o risco de perder parcialmente a visão do olho direito.

Em Caxias do Sul, o ex-deputado federal e ex-prefeito da cidade gaúcha, Paulo Marinho ameaçou o editor da coluna Caxias em Off, do Jornal Pequeno, Jotônio Vianna, que o deixou irritado com as análises do jornalista sobre a sucessão municipal. No blog que mantém lembrou a morte de um jornalista de Caxias ocorrido em 1992 e disse que o fato poderia se repetir agora com Jotônio Vianna, que registrou boletim de ocorrência contra o acusado.

Ex-prefeito Paulo Marinho
Ex-prefeito Paulo Marinho

 

Em Campo Grande quem foi agredido foi o jornalista Ademar Cardoso, 49 anos, durante o evento de Desfile de Fantasias do Armazém Cultural. A assessoria da empresa privada que prestava serviço à prefeitura da capital disse que os seguranças estavam apenas se defendendo do jornalista.

No Carnaval de Recife quem levou a pior foi o repórter do NE10, Nilton Villanova que fazia a cobertura dos desfiles de blocos nas ladeiras de Olinda, no início da tarde de domingo (19), quando foi surpreendido por um grupo de jovens. Além de levarem o equipamento de trabalho do jornalista (um IPhone), os jovens o cercaram e o agrediram com socos na barriga e empurrões.

Já Paulo Rocaro foi o segundo jornalista morto no Brasil este ano. Antes dele, haviam assassinado no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Vassouras, Mário Randolfo Marques Lopes e de sua companheira Maria Aparecida Guimarães, ambos executados com um tiro no ouvido.

Mário havia sofrido um atentado em julho de 2011, quando recebeu cinco disparos de um homem encapuzado, no seu antigo endereço em Vassouras. O atentado não foi esclarecido pela polícia e ele mudou para Barra do Piraí. Ele veiculava denúncias de corrupção e escândalos políticos no site “Vassouras na net”, de sua propriedade.

Em 2011, a ONG Repórter Sem Fronteiras registrou a queda do Brasil, em 41 posições, no ranking mundial da liberdade de imprensa elaborado pela entidade.

A insegurança presentes em todas as regiões foi determinante para o país ocupar a 99ª posição. A cobertura de temas como a corrupção, meio ambiente e crime organizado foi apontada como a mais perigosa para jornalistas e blogueiros brasileiros. Foram assassinados quatro jornalistas no ano passado e o cinegrafista Gelson Domingos foi alvejado por um tiro durante uma cobertura no Rio de Janeiro. Nenhum dos crimes foi solucionado.

Federalização já!

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defende que a apuração dos crimes contra jornalistas seja federalizada, conforme previsto no Projeto de Lei 1.078/11. “Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia”.

Os deuses da justiça, o último artigo de Mário Randolfo Marques Lopes, assassinado este mês

Reportagem especial em protesto contra os 7 meses em que o inquérito do atentado contra a vida do editor-chefe desde jornal, jornalista Mario Randolfo, está apodrecendo sem nenhuma apuração na gaveta do delegado da 95ª DP, José Soares dos Santos, e sendo boicotado pela justiça.

Há muito se ouve falar de esquemas de venda de sentença na Terra dos Barões e hoje as evidências são claras de que elas existem. E começam na 95ª DP, onde são negociados os Registro de Ocorrências e os inquéritos, e nos casos mais graves em que haja algum interesse político ou o réu tenha de onde tirar o dinheiro ou quem banque, o delegado José Soares dos Santos forja os procedimentos, descumpre os prazos, falsifica documentos, e até folhas dos inquéritos são arrancadas; o Ministério Público não enxerga tamanhas irregularidades e absorve as reclamações contra os desvios do delegado; o defensor Eduardo Salgado recebe um mapa com a localização dos pontos para explorar no processo e no júri ou numa AIJ (Audiência de Instrução e Julgamento) faz discurso sobre a máquina persecutória do Estado, diz que o processo não serve sequer para papel higiênico e aponta um carrossel de irregularidades cometidas pelo MP. E o bandido é absolvido devido a falhas processuais.

São numerosos os casos, várias vítimas e dezenas de reclamações que estão escondidas nas gavetas da Corregedoria de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.

Nem as denúncias nem as provas materiais sequer foram avaliadas e em vez da instauração de um procedimento disciplinar, o corporativismo judicial projetou a imagem da autoridade do magistrado acima da própria verdade, como se fosse uma suástica hitlerista, e inverteu os papéis. Pois o crime praticado deixou de ser a corrupção e o desvio de conduta e passou a ser o pecado capital de se denunciar um juiz de direito, demonstrando na prática que a justiça considera crime os crimes externos e classifica de procedimentos os crimes internos. Um peso e duas medidas, esta é a tônica triste deste país de dimensões continentais que busca uma cadeira no primeiro mundo. Mas com tanta injustiça e desvio de verbas para os bolsos, para as meias e para as cuecas dos ladrões do colarinho branco, estamos mais para Macondo, da obra de Gabriel Garcia Marques.

Prefeito Eurico Júnior
Prefeito Eurico Júnior

O processo pivô, que disparou a artilharia de processos, está relacionado a uma matéria publicada por este jornal, denunciando um jogo de favorecimento entre o então prefeito Eurico Júnior e o juiz Victor Passos, por meio da contratação, via decreto, da esposa do magistrado, a arquiteta Keila dos Passos Miranda. Ela não foi aprovada no concurso público municipal de 2007, ficando em segundo lugar para apenas uma vaga, e assumiu o cargo. Funcionários da Prefeitura chamavam-na de “fantasminha da Secretaria de Obras” porque ninguém a via na repartição nem a conhecia, e só passou a existir após as publicações, mesmo assim, apresentando uma licença maternidade e uma licença amamentação que lhe deixaram 11 meses de férias, com apenas dois anos de casa.

Na Audiência de Instrução e Julgamento realizada em 24 de novembro último (0001479-76.2010.8.19.0065), o juiz não levou aos autos uma única prova de que a esposa realmente exercesse a função de arquiteta na Secretaria de Obras entre 29/02/2008 (data em que foi admitida) e 30/10/2009 (data em que saiu de licença), apenas citou os processos referentes aos 11 meses em que ela ficou de licença maternidade e licença amamentação. Sendo que, na licença amamentação, ela ficou em casa recebendo do erário, contrariando a lei que determina a saída da repartição durante uma hora para amamentar o filho.

Acostado aos autos há um documento assinado pelo subsecretário municipal de Administração Patrick Lopes Telles, garantindo que antes das licenças, Keilla Cristine teve freqüência normal no setor de trabalho. Mas mentiu em juízo. Pois naquele período, ele ainda não era cargo comissionado do prefeito e não trabalhava na Prefeitura, e não apresentou o caderno de ponto ou um mísero papel de pão com alguma anotação que comprovasse sua declaração.

Ao ser interpelado pelo defensor Eduardo Januário Newton, um brilhante advogado nomeado pelo corregedor Elison Teixeira de Souza, da DPGE-RJ (Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro), o secretário de Obras da Prefeitura de Vassouras, conhecido como Lelei, não soube explicar o que a arquiteta Keilla fazia na repartição que ele comanda.

A arquiteta Eliane dos Santos Souza, que passou em primeiro lugar no concurso e ficou com a vaga, e há suspeitas de que ela também não trabalhava e quem assinava os projetos era outro funcionário, respondeu ao defensor que ambas não atuavam no setor de projetos nem na fiscalização das obras no município, motivo pelo qual não assinavam nada e não tinham como comprovar por meio de documentos o trabalho delas na secretaria. Entretanto, o decreto assinado pelo prefeito Eurico Júnior nomeando Keilla Cristine respaldava-se na urgente necessidade de mais uma arquiteta para suprir a deficiência na Secretaria. Porém, nenhuma delas exercia o cargo para o qual fora contratada e a Prefeitura de Vassouras durante dois anos não tinha um mísero controle administrativo para saber se a funcionária comparecia ao trabalho ou não.

Com a assinatura do decreto nomeando a esposa do juiz, os inquéritos de corrupção na Prefeitura se perderam entre a 95ª DP e o MP. E o processo Nº 0001742-79.2008.8.19.0065 contra o prefeito municipal Eurico Júnior e contra o secretário de Administração Humberto Mandaro Sobrinho, o juiz Victor deixou-o sem movimentar durante um ano e prevaricou ganhando tempo para uma nova eleição da provedoria da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vassouras, tornando sem sentido a causa de pedir que era a anulação da eleição.

Nos autos há um parecer do IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) taxando de absurdo e de improbidade administrativa o fato de o prefeito e o secretário de Administração serem os gestores de instituições que celebram serviços e negócios entre si, ressaltando o perigo do desvio nas transações comerciais entre ambas instituições, já que o prefeito e o secretário negociavam com eles próprios na Prefeitura, assinavam os cheques e eles mesmos recebiam na Irmandade. A denúncia também comprova que o prefeito Eurico Júnior não era irmão e se passou pelo pai falecido, enquanto Humberto Mandaro se passou pelo falecido tio, e ambos cometeram o crime de falsidade ideológica.

Com tudo isso, o juiz Victor engessou o processo, não permitindo que saísse do lugar, e protegeu despudoradamente o prefeito. E a partir daí, todas as denúncias de corrupção na Prefeitura, tanto no governo Júnior quanto do prefeito Renan Vinícius, são abafadas pelo juiz. E a secretaria que mais está envolvida em escândalos de corrupção por venda de Alvarás e licenças para obras ilegais em áreas públicas é a Secretaria de Obras, onde a esposa do juiz é arquiteta.

Recentemente o CNJ descobriu que Eurico Júnior abriu uma vaga fantasma para Pillar Rodrigues Gama de Souza, sobrinha do conselheiro do TCE-RJ, desembargador Aluízio Gama, em troca de imunidade às punições por mau uso dos recursos municipais. Fato que não deixa dúvida de que o mesmo modelo de corrupção foi estendido ao juiz Victor Passos: a vaga para a esposa em troca do arquivamento dos processos.

(Transcrevi trechos. Leia mais).

Trucidamento de Mário Rodolfo Marques Lopes. Todo blogueiro ameaçado de morte

Um terceiro atentado mata o jornalista e editor-chefe do site Vassouras na NetMário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, morto a tiro juntamente com sua namorada, Maria Aparecida Guimarães, em Barra do Piraí (Rio de Janeiro), na noite de 8 a 9 de fevereiro último.

Mário Randolfo Masques Lopes historiou no Vassouras na Net como sofreu o primeiro atentado, quando levou cinco tiros na cabeça, em Vassouras, onde residia.

Veja o vídeo com o título “Jornalista ressuscita em Vassouras”.  

O segundo atentado aconteceu em 6 de julho de 2011. Vendo que a polícia e a justiça de Vassouras jamais descobririam nada, e que o crime continuaria encoberto, decidiu fugir da cidade para morar em Barra do Piraí.

Mas os assassinos foram sequestrar Mario Randolfo Marques Lopes em Barra do Piraí, e decididos a matar bem matado, sem nenhuma possibilidade de uma nova “ressureição”.

A inércia da polícia e do judiciário do Rio de Janeiro precisa ser investigada, pela Polícia Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça.

Publica o portal internacional “Jornalismo sem Fronteiras”:

“Embora a motivação do crime esteja ainda por estabelecer, Mário Randolfo Marques Lopes era conhecido pelas inimizades causadas por suas repetidas denúncias de casos de corrupção, envolvendo por vezes empresários e políticos locais. Um delegado e um juiz chegaram mesmo a processá-lo por ‘calúnia’ e ‘difamação”.

Todo blogueiro precisa denunciar esse crime repetido, e covarde e hediondo, para não ser a próxima vítima.

 

Reportagem sobre o assassinatopublicada no Diário do Vale, em 09/02/2012

O jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, e a companheira dele, Maria Aparecida Guimarães, foram assassinados na madrugada de hoje (9), por volta de 1h30, em Barra do Piraí. Eles teriam sido rendidos na casa da mulher, no Centro, e levados até a localidade conhecida como Estrada das Rosas, no bairro Minuano, onde foram executados. Cada uma das vítimas foi atingida com um tiro a queima roupa no ouvido.

O duplo homicídio foi registrado na 88ª DP (Barra do Piraí), mas ainda não há informações sobre suspeitos e as circunstâncias do crime. A polícia não conseguiu testemunhas do crime. A PM foi acionada ao local através de uma denuncia anônima que informava que uma mulher estaria caída as margens da BR 393. Ao chegar no local, os policiais encontraram o casal que só foi identificado na manhã de hoje. Segundo policiais militares do 10º Batalhão, a mulher era magra, branca, vestia calça jeans, blusa estampada e sandália. Já o jornalista estava vestindo calça jeans, blusa estampada e botas.
De acordo com informações da polícia, o crime é de difícil investigação já que o jornalista possuía muitos inimigos, e todos os seus conflitos foram estabelecidos na cidade de Valença – onde trabalhava. No site que administrava (www.vassourasnanet.net), o jornalista publicava matérias polêmicas e denunciava supostas irregularidades envolvendo órgãos, autoridades e políticos.

Leia mais: http://comunicatudo.blogspot.com/2012/02/jornalista-e-assassinado-no-interior-do.html#ixzz1nArBNLY8
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Maria Aparecida Guimaraes
Maria Aparecida Guimaraes

 

Texto e vídeo feito por Mário Randolfo e publicado no Youtube em 07/08/2011:

A reportagem em questão foi publicada para registrar fatos importantes da mecânica do crime e evitar que eu sofresse um novo atentado, que poderia dessa vez ser fatal. E meu caixão não fosse rotulado com LATROCÍNIO. O que significaria mera fatalidade de eu estar na hora e no lugar errado e ter reagido ao assalto. Com isso, a indústria da pistolagem e os escandalosos desvios de verbas públicas permaneceriam nas sombras, longe dos holofotes.

Para um idealista guerreiro, morrer por uma causa, sabendo que haverá uma rigorosa investigação e providências que trarão mudanças significativas no combate a injustiça social, é mais do que uma honra. Mas ser enterrado dentro de um ritual de mentiras, de maneira torpe e banal, é uma desonra.

A matéria que por ora retiro do ar, foi feita com muita análise e um estudo detalhado do local e das circunstâncias do crime, embora o meu estado emocional já passasse do vermelho. Ela foi feita visando o futuro e com os pés nele, e a justiça ainda está no presente e vai demorar um pouco para chegar lá. Mas podem confiar que vai chegar.

Só eu sei o que passei e sei o que é morrer executado com vários tiros, dentro de uma covardia traiçoeira. E ninguém sabe o que é se esvair em sangue gritando pelo socorro de alguém que estava presente, mas quase pisou no cadáver e foi embora. Uma imagem traumática, sombria, daquela bolsa vermelha passando quase sobre o meu nariz e aquele vulto que eu achava que conhecia como a mais notável criatura. Não foi fácil nadar no próprio sangue e sentir que o ar estava acabando e a minha vida chegando ao fim.

Naquele momento, uma força misteriosa me agarrou pela cintura e me colocou de pé. Em seguida, me ajudou a dar alguns passos até a mesa onde estava a minha filmadora. Minha idéia era filmar a minha própria morte e relatar detalhes que esclarecessem o crime, evitando assim o assassinato de outros inocentes. Mas a máquina estava sem as baterias. Dali, a mesma força me arrastou para a varanda e pedi socorro aos funcionários da Policlínica. Depois desabei no chão, e sem reclamar, acompanhei a morte. Acordei três dias depois na UTI do Hospital Universitário. E ao abrir os olhos e me deparar com uma enfermeira me examinando com o olhar, como se eu fosse de outro mundo, perguntei-a como ela podia me ver e conversar com quem está morto.

Ao sair do hospital, passei a receber toda espécie de ameaças de morte, por telefone, pela internet e até mesmo recados, prometendo invadir meu esconderijo e me matar a facadas e com um tiro de escopeta no rosto. E para evitar que meu novo assassinato fosse novamente tipificado de latrocínio e tudo terminasse numa formidável pizza, exigi o máximo do meu péssimo estado de saúde e com muita dificuldade preparei a matéria e consegui colocá-la no ar. No período crucial, quem fez 24 horas por dia a minha segurança no HU foi a 4ª Companhia da Polícia Militar de Vassouras, mas é vergonhoso saber que o Estado deixou-me largado feito uma folha ao vento, sem tomar uma providência para resguardar a vida de um sobrevivente de um atentado. Até porque milícia e atentado demonstram um sistema enferrujado, que joga na lata do lixo os impostos que pagamos para ter segurança pública e uma vida digna.

(Transcrevi trechos. Leia mais) Presidente Dilma Rousseff, salve a vida de outros blogueiros. Ministra Eliana Calmon, salve a vida de outros blogueiros.