No Pará, a Marinha faz negociata com terreno que dá para construir mais de dois shoppings

Marinha

Ministério Público investigará legalidade do negócio e os impactos ambientais

O Ministério Público Estadual (MPE) já começou a levantar os documentos para comprovar a real origem do terreno onde está sendo construído um shopping center no bairro de Val-de-Cans, em Belém. O local, que apresentava todas as características necessárias para se tornar uma área de preservação ambiental, acabou sendo comercializado pela Marinha do Brasil junto à construtora Freire Mello, em 2005, pelo valor de R$ 6,6 milhões.

Os 37 hectares de área verde, que abrigavam diversas espécies de plantas e animais, foram totalmente devastados pela construtora, que ainda vendeu parte do terreno, quase 15 hectares, para o Grupo Jereissatti – responsável pela construção do shopping -, em uma transação que rendeu R$ 30 milhões à Freire Mello, sendo que a titularidade do local é, no mínimo, questionável. Se for comprovada a ilegalidade nas transações, o MPE pretende ingressar com uma ação civil pública para anular a negociação, compensar a área desmatada e punir todos os responsáveis.

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Shopping Bosque Grão-Pará
Shopping Bosque Grão-Pará, o terreno era da Marinha. Era

De acordo com o promotor Nilton Gurjão, da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo de Belém, na quinta-feira, 7, uma comissão esteve reunida na Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) para discutir, entre outros assuntos, a manutenção das áreas de unidade de conservação da capital paraense.

Val de

Val-de-Cans é um bairro em uma região militarizada de Belém. Grande, o bairro possui uma imensa area verde e é tomado em boa parte pelo aeroporto, se localiza nas margens da Baía do Guajará. A tranquilidade do bairro só é quebrada pelo barulho dos pousos e decolagens das aeronaves, principalmente quando o aeroporto utiliza a 2º pista virada pros conjuntos residenciais.
Nele se encontra o aeroporto internacional da cidade e o centro de controle de espaço aéreo DTCEA-BE , a Base Naval de Belém, Base Aérea e vilas militares. Na parte oeste do bairro encontra-se os condomínios de luxo Cristal Ville e a construção do Cidade Cristal e shopping Bosque Grão Pará, na parte sul o conjunto Marex e Bela Vista.

Veja Fragmentos de Belém 

Conheça os bairros de Belém 

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Situação dramática da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos/Bahia e o possível despejo de seu habitat natural pela Marinha Brasileira

A Comunidade Quilombola Rio dos Macacos vive há mais de 200 anos no Recôncavo baiano, com suas casas, plantações, fruteiras e provas históricas de sua existência que incluem até mesmo sítios arqueológicos. Há 50 anos, a Marinha se instalou na região e, assim como vem acontecendo com o Quilombo da Marambaia, no Rio de Janeiro, está usando das mesmas estratégias – que incluem o cerceamento do direito de ir e vir, entre outros – para ameaçar e, pela via judicial, expulsar a comunidade.

Ano passado, quando receberam a ação de despejo, uma das mais antigas moradoras da comunidade morreu do coração, aos 115 anos. Atualmente, há idosos de até 111 anos, entre as 43 famílias. E são exatamente as pessoas que dizem que não se deixarão expulsar!

É a lei da chibata.

 

A ordem de despejo dada pelo juiz da 10ª Vara Evandro Reimão dos Reis contra cerca de 300 pessoas remanescentes da comunidade quilombola Rio do Macaco, que vivem há mais de 200 anos em uma área na Base Naval de Aratu, no município de Simões Filho, vizinho a Salvador, foi adiada por mais quatro meses para que seja encontrada uma solução negociada.