O jeitinho novo de fazer política: Marina, Eduardo Campos e a ditadura dos banqueiros

banco rico pobre

 

A ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ambos do PSB, atuam em frentes paralelas para angariar o apoio de empresários e banqueiros à aliança que constituíram para disputar a eleições presidenciais do próximo ano.

Na terça-feira, enquanto Marina tomava café da manhã no Itaú BBA, em São Paulo, Campos conversava a pouco mais de 5 km dali com cerca de 15 banqueiros na sede da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que reúne instituições de médio porte.

Na reunião de cerca de duas horas, Campos se apresentou aos presidentes de bancos médios ao lado do ex-deputado federal Maurício Rands e do deputado federal Márcio França, ambos do PSB.

Após a apresentação, os banqueiros fizeram perguntas sobre temas como autonomia do Banco Central e Reforma tributária.

Quem estava na plateia relata que Campos não se apresentou como candidato, apesar de adotar uma postura que foi interpretada como tal pelos presentes.

Essa foi a primeira vez que a ABBC conseguiu que um candidato à Presidência aceitasse um convite para um bate-papo.

No Itaú BBA, Marina falou a cerca de 130 executivos. Os anfitriões foram o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal e o presidente do Itaú BBA, Candido Bracher. Na plateia, havia empresários como Daniel Feffer (Suzano) e Rubens Ometto (Cosan).

Segundo relatos de participantes, a ex-senadora disse que, sem poder registrar a Rede, entrou no PSB por afinidade com o programa da legenda.

No mês passado, Marina fez palestra no Credit Suisse. Na ocasião, criticou a política econômica atual e defendeu o tripé  do tucano  Fernando Henrique Cardoso formado por metas de  política fiscal austera.

A “REPÚBLICA DOS BANQUEIROS” COMEMORA PUBLICAMENTE OS 50 ANOS DO GOLPE 1 DE ABRIL DE 64

por DANIEL MAZOLA 
banco poupança

 As instituições financeiras foram as que mais colaboraram com a ditadura e se beneficiaram do golpe. Lucraram mais que tudo e todos! Não foi apenas um golpe militar, e sim um golpe militar-empresarial-civil apoiado pelos EUA, tendo a CIA como colaboradora.

O banco Itaú comemorou publicamente o aniversário do golpe, e vem sendo muito criticado nas redes sociais, por uma agenda da instituição distribuída aos seus correntistas. O referido material de divulgação traz no dia 31 de março, o dia oficial do golpe militar brasileiro, a data comemorativa “aniversário da revolução de 1964”. O fato causou indignação em vítimas da ditadura, correntistas e não correntistas, e internautas que repercutiram o fato.

1 abril
Em 1965, o Itaú ocupava a 150ª posição no ranking dos bancos brasileiros, quando estes ainda eram em menor número. Dez anos depois do golpe, já era o 2° colocado. Tornando-se o maior banco privado do país. Em 2013, o Itaú contabilizou um lucro líquido de R$ 15,7 bilhões. O maior da história dos bancos brasileiros.

Após muitas críticas e reclamações o Itaú Unibanco se defendeu, em nota, alegando ser “apartidário”: “O Itaú Unibanco informa que a agenda distribuída aos clientes conta com informações sobre datas relevantes ao longo do ano. O banco é apartidário e, em hipótese alguma, pretende defender uma posição política no conteúdo entregue aos correntistas”.

No Twitter, críticas, piadas e gozações: “Se o Itaú acha que houve revolução em 64, ele pode estar enganado sobre muitas outras coisas, como meu saldo, por exemplo”, escreveu um correntista. Mestre Helio Fernandes, você está coberto de razão: “NEM Deus muda a República dos banqueiros”. Só o povo!

Acesso livre e universal das pessoas às informações

A pirata pela qual os alemães estão apaixonados

por Paulo Nogueira

E então vejo jovens lideranças políticas surgindo em várias partes. Nesta semana, fiquei particularmente impressionado com Marina Weisband, 24 anos, do Partido Pirata da Alemanha.

Vi uma longa entrevista com ela numa emissora alemã e, se não fosse um homem já experiente, ficaria de queixo caído. (A entrevista foi em inglês.) Marina, judia ucraniana praticante, foi com os pais para a Alemanha depois da desintegração da União Soviética. Tinha nove anos. Hoje é uma celebridade política na Alemanha.

O Partido Pirata está em vários países da Europa. É como um clube internacional. Apareceu na Suécia, em 2006, pelas mãos de um jovem brilhante, Richard Falkvinge, e se espalhou por várias partes. Tem sido um sucesso eleitoral. Conquistou assentos em muitos parlamentos europeus. Cresce vigorosamente. É visto como o fato novo da política, formado por gente de mente aberta que não é mais do mesmo.

O Pirata do nome foi uma forma que seus fundadores na Suécia encontraram de desmistificar a palavra “pirata” no mundo digital. Mais ou menos como os homossexuais americanos fizeram ao adotar o termo “gay” para subtrair a carga pejorativa.

O partido defende, essencialmente, acesso livre e universal das pessoas às informações. Demanda, também, transparência dos governos. Os piratas combatem também o que julgam ser a invasão de privacidade dos governos e das corporações nas vidas privadas dos cidadãos por meio da tecnologia.

“Na geração dos nossos pais, as pessoas podiam sentar numa mesa e conversar sem que ninguém soubesse o que elas falavam falando”, diz Falkvinge. “Queremos a mesma privacidade hoje, quando a comunicação mudou e se dá quase sempre pela internet.”

Empresas como o Facebook e o Google têm uma quantidade enorme de informações pessoais de você sem que você provavelmente faça ideia. Governos monitoram emails pessoais e sites em nome de coisas que ninguém sabe quais são exatamente. Os piratas são contra tudo isso.

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NOVO CICLO POLÍTICO

Falkvinge faz uma digressão histórica interessante. Segundo ele, a cada quarenta anos se abre um novo ciclo na política. Quarenta anos atrás, foram os verdes que chegaram. Oitenta anos atrás, o que hoje é conhecido como social-democracia. Cento e vinte anos atrás, os holofotes estavam nos adeptos do livre mercado.

Direito autoral é um ponto controverso na plataforma pirata. Eles reconhecem que o autor tem que ser remunerado. Mas entendem que uma vez que você, suponhamos, paga por uma música na internet pode passá-la por cópia a quem quiser.

Lembra na faculdade, quando você mimeograva um livro da biblioteca ou de um amigo? “Copiar sempre foi um hábito na história da humanidade”, diz Marina. Ela mora com o namorado, e se afastou momentaneamente do cargo de porta-voz do partido depois de um estresse. Está se dedicando integralmente à conclusão dos seus estudos na área da psicologia.

No final da entrevista que vi com Marina, apareciam perguntas que pediam respostas curtas. Gostei de uma, em especial. “Política: problema ou solução?” Marina não hesitou: “Solução”.

Clap, clap, clap.

Política existe para que se resolvam problemas. Quando as pessoas de boa fé perdem a fé na política e se afastam dela, acabam sem se dar conta passando o controle de sua vida para vigaristas que em nome do “interesse público” rapinarão a sociedade.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)