Os escândalos do propinato na Petrobras e da cartelização em São Paulo

por Luís Fernando Veríssimo

 

petro

Despidas de todas as suas outras óbvias implicações, as revelações sobre a relação das empreiteiras com as estatais e o poder público são uma aula do capitalismo de compadres em ação. Os escândalos do propinato na Petrobras e da cartelização em São Paulo para assegurar contratos sem obedecer à aborrecida formalidade de licitações provam, como se fosse preciso mais provas, o que está no Marx para principiantes: o caminho natural do capital é para o monopólio.

O compadrio das empreiteiras faz pouco da importância da competição no mercado supostamente autorregulavel da pregação liberal. É compreensível que a direita festeje o embaraço da esquerda com as revelações que levaram diretores de empreiteiras à prisão e podem até punir a Dilma pela audácia de ganhar as eleições. Mas o capitalismo brasileiro também está levando suas lambadas neste entrevero.

O Roberto Campos chamava a Petrobras de ‘Petrossauro’ e entregá-la a estrangeiros mais competentes sempre foi um mantra da direita. Os entreguistas não orquestraram o que está acontecendo com a Petrobras agora, mas, se tivessem planejado sua atual transformação, de orgulho nacional em vergonha nacional, não teriam tido tanto sucesso. É, irônica e dolorosamente, sob um governo de esquerda, aspas à vontade, que o orgulho está chegando a um estado terminal.

Nem a Margaret Thatcher, que privatizou toda a Inglaterra, tocou no serviço nacional de saúde do país, que atravessou governos conservadores e pseudoprogressistas e permanece até hoje como uma espécie de cidadela socialista, sem aspas, em meio à comercialização de tudo.

O Chile de Pinochet seguiu à risca a receita neoliberal da escola de Chicago para a sua economia, mas nem Pinochet acabou com o controle estatal do cobre, que também continua até hoje.

Não se esperava que a cidadela Petrobras, que sobreviveu aos ataques da direita durante todos estes anos, fosse ser atacada por dentro. Mesmo que o governo não esteja envolvido diretamente no esquema da corrupção, é responsável pelo desleixo que a propiciou. E pela alegria dos entreguistas.

 

Nani
Nani

Quem é Eduardo Giannetti de Marina Silva?

sonegadores marina

 

Marina reúne os economistas mais retrógrados do Brasil, da direita e da extra-direita e os liberais (liberal, classificou o grande deputado Djalma Aranha Marinho, “é um direitista envergonhado”).

A equipe econômica de Marina tem a aprovação da velha imprensa conservadora do Brasil e do Império, e o apoio da troika que arruinou as economias da Grécia, da Espanha, da Irlanda, de Portugal e outros países da Europa.

Escreve Umberto Martins: O jornal britânico Financial Times voltou a criticar a presidenta Dilma Rousseff em editorial publicado nesta quinta, 2, no qual intima a chefe do Estado brasileiro a mudar os rumos da política econômica, levando em conta a reação e os desejos do mercado, que segundo os oráculos de plantão demanda ajuste fiscal e rigor total na aplicação do tripé neoliberal (juros altos, câmbio flutuante e superávit fiscal primário).

Bordão reacionário

Marina marionnete

O bordão que o jornal alardeia contra Dilma não é novo e vem sendo repetido pelos candidatos das forças conservadoras e neoliberais à exaustão. A receita desta gente, repudiada por Dilma, é a mesma que está sendo aplicada na Europa sob a batuta do Fundo Monetário Internacional. Significa estagnação da economia, desemprego em massa, redução de salários, corte de direitos e desmantelamento do chamado Estado de Bem Estar Social. É o que a direita, encarnando os desejos da oligarquia financeira, quer impor a qualquer preço por aqui.

A visão do mundo de Giannetti

Giannetti diz

Escreve Paulo Nogueira: Almocei com um amigo jornalista um dia desses e ele colocou na conversa, por uma fração de minuto, Eduardo Giannetti, o principal economista de Marina.

“Lembra que ele não declarava o voto e você ficava bravo com isso?”

Meu amigo se referia aos dias em que nós dois dirigíamos a Exame, coisa de uns quinze anos atrás.

Tinha esquecido.

Mas logo lembrei: Giannetti, como se fosse jornalista da Folha, nos dissera, numa entrevista, que não podia declarar seu voto.

Para mim, ali estava uma mistura de pretensão – como se o voto dele fosse influenciar multidões – e medo de se comprometer.

Naqueles dias, Giannetti era um típico economista ortodoxo, mais um entre tantos filhos de Thatcher.

Não havia nada de substancial nele que o distinguesse de outros da mesma linhagem, como André Lara Resende e Armínio Fraga.

As promessas de Marina 

marina mudança

Giannetti condicionou os compromissos de Marina em áreas como saúde e educação ao “equilíbrio fiscal”.

Quer dizer: se houver dinheiro, os compromissos serão honrados. Se não houver, serão engavetados. Os eleitores? Esqueçamos.

Esse tipo de compromisso é o melhor que qualquer ser humano pode assumir. Você promete o que quiser. E só entrega se puder.

Marina fala na “nova política”. Giannetti parece nos trazer o “novo orçamento”.

Marina conhece mesmo Giannetti além das superficialidades?

Se não, cometeu um erro extraordinário na escolha.

Se sim, a mudança principal que ela representa é o lado que ela agora defende.

marina nova política opção

 

O retrocesso proposto por Marina

 

Marina perigo programa governo

 

Leia mais Paulo Nogueira. O editor deste blogue acrescentou o material ilustrativo. Pelo programa de governo de Marina, que teve em Gianetti um dos principais redatores, uma das principais propostas da candidata é reduzir a meta da inflação para 4% em 2016 e 3% em 2019. Um dos prováveis efeitos colaterais dessa redução é o desaquecimento da economia e consequentes demissões. Quando questionado sobre o assunto, Giannetti traz uma clara resposta sobre possíveis demissões. Convém repetir as palavras do economista: “O custo de não fazer [reduzir a meta da inflação] é maior que o de fazer” . E aí, como não cabe dizer que o desemprego é galopante ou crescente (adjetivos usados antes dos governos de Lula e Dilma), ele afirma que a geração de empregos despencou – sem mencionar que o Brasil se encontra em cenário de pleno emprego, o que explica a desaceleração na criação de novas vagas.

Segundo ele, não há relação negativa entre estabilidade e desemprego. É verdade: prova disso é que Lula e Dilma mantêm a estabilidade econômica e a geração de emprego mesmo enfrentando graves crises econômicas mundiais, desencadeadas nos Estados Unidos (crise no mercado de crédito imobiliário que quebrou o tradicional banco Lehman Brothers), Grécia e Espanha.

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Enquanto Dilma e Lula garantem a manutenção dos direitos trabalhistas, o aumento real da renda e a geração de emprego, Giannetti parece acreditar que esses não são os principais valores a serem preservados: “o custo de não fazer é maior que o de fazer”. A receita, então, para reduzir a meta da inflação, seria, segundo o economista, reajustar tarifas públicas, reduzir gastos públicos, rever isenções tributárias e~restabelecer ~ o tripé macroeconômico (de câmbio flutuante, meta de inflação e disciplina fiscal).

Reajustar tarifas públicas implica em onerar o cidadão, com mais gastos para o povo. Reduzir gastos públicos é reduzir gastos em políticas sociais (em outras palavras, é fazer o país voltar ao passado). Giannetti propõe explicitamente a revisão isenções tributárias, e parece não reconhecer que a desoneração da folha de pagamento das indústrias é uma das responsáveis por garantir a manutenção do emprego, beneficiando as indústrias, os empregados e os consumidores.

O governo também desonerou de PIS e Cofins a cesta básica (e olha que tentou expandir o benefício incluindo o ICMS e ISS, mas estados e municípios não abriram mão das receitas). Além disso, o governo reduziu (até chegou a zerar nos momentos mais críticos da economia mundial) o IPI sobre produtos como automóveis, linha branca e móveis.

Quanto a “restabelecer o tripé macroeconômico”, não se restabelece o que está em vigência. No Brasil de 2014, a inflação está dentro da meta, a disciplina fiscal está mantida (vide a aprovação das contas públicas pelo TCU e a Lei de Responsabilidade Fiscal) e persiste a política do câmbio flutuante. Como se vê, o tripé econômico de Giannetti da Fonseca é o mesmo que Dilma e Lula adotaram. A diferença está em como o governo petista e de seus aliados realizam esse trabalho: com emprego e conquistas sociais.

Giannetti também defende a autonomia do Banco Central, assim como Neca Setúbal, coordenadora do programa de governo do PSB (e membro de uma das famílias controladoras do Itaú). O Banco Central cuida da política monetária do país – decide sobre taxa de juros, crédito e moeda -, e sua autonomia significa menos controle social, uma vez que o quadro diretor do BC não estaria sob as decisões do executivo, eleito pelo voto. Esse quadro pode levar a aumento dos juros, diminuição da renda e várias outras consequências, a depender da dinâmica do mercado, com interferência governamental muito reduzida. Seguimos observando.

O Banco Central, na ditadura militar, tinha autonomia e independência. Coisa do presidente Castelo Branco, que cassou a estabilidade no emprego de todos os trabalhadores.

Tv Marina Collor mudança

Marina Collor mudança

política marina

Discursos que anticipan el estallido. Comunicación política en contextos neoliberales

por Rodrigo F. Miranda

 

La aplicación de las políticas neoliberales en distintas partes del mundo desde la década de los 70 hasta la actualidad en el Sur de Europa, han ido acompañadas de una fuerte estrategia comunicativa que manifiesta grandes similitudes.

 

indignados receita neoliberal

“La ideología neoliberal colma de tranquilidad a los más pudientes”

(Jean Ziegler)

Más allá de sus implicaciones sociales, políticas y económicas, la implementación del neoliberalismo tiene también connotaciones en el ámbito de la comunicación. Analizando algunas experiencias históricas del modelo, ¿cómo se configuran los discursos de los representantes públicos antes, durante y después de la puesta en marcha de estas políticas?

Desde finales de los años 70 distintos Gobiernos de democracias occidentales iniciaron la aventura neoliberal, tanto en países centrales como periféricos. La puesta en marcha del recetario (un paquete simple y homogéneo de medidas que no necesita adaptarse a los diferentes contextos a los que se aplicaba) supuso en todos los casos importantes esfuerzos de comunicación.

Un análisis de la comunicación política en contextos de neoliberalismo podría comenzarse unos años antes, en las dictaduras de Augusto Pinochet en Chile (1973) o la Junta Militar en Argentina (1976). No obstante, a estos gobiernos cívico-militares no les fue necesario utilizar el arte de la persuasión política para aplicar o justificar las medidas neoliberales: la sistematización de asesinatos, persecuciones, secuestros, torturas y demás formas de terrorismo de Estado impedían toda crítica a sus programas y hacían vano el uso de cualquier argumento.

Por lo tanto, se tomarán como punto de partida los Gobiernos de Margaret Thatcher Ronald Reagan a finales de los 70 y la década de los 80 en Inglaterra y Estados Unidos, continuando en algunos países de América Latina durante los años 90 y principios de 2000, y finalizando en la actualidad en el sur de Europa.

A partir del ensamblaje de algunas piezas clave de los discursosde los principales responsables políticos en estos distintos momentos históricos, se puede ilustrar cómo se modula y articula el discurso del poder en contextos neoliberales. Un esquema discursivo coherente, integrado por un puñado de ideas repetidas hasta el hartazgo. Relatos que, por su reiteración y simplificación, pueden alcanzar un fuerte grado de interiorización social, incorporándose al “sentido común”.

Medidas que no se anuncian: en campaña nadie es neoliberal

Dado que no existe un partido que públicamente asuma una ideología neoliberal (y seguramente nunca vaya a haber un “partido neoliberal” como tal), este modelo llegó a las democracias occidentales de la mano de partidos políticos de los más diversos colores ideológicos. Partidos de tradición conservadora o socialdemócrata,  formaciones de nueva creación, espacios históricamente vinculados al movimiento obrero y sindical o bien coaliciones de partidos [1].

Teniendo en cuenta que las recetas neoliberales han afectado y afectan necesariamente de forma negativa a amplias mayorías sociales, resultan impopulares. Un asunto que no pasa desapercibido para los expertos en marketing político y propaganda. ¿Quién sería capaz de incluir en su programa electoral medidas que van a perjudicar a la mayoría de la población?

En todos los casos, estos partidos llegaron al poder con los países en situación de crisis financiera, desempleo, deuda pública o inflación elevados, y por ende con un grado de descontento social. Las promesas electorales durante las campañas se centraron en ofrecer soluciones a estos escenarios, omitiendo la concreción de cómo se llegaría a éstas [2]. Ninguno de los entonces candidatos habló de recortes de inversión pública, de abandono de la tutela social del Estado, de privatizaciones de bienes y servicios públicos, de reducción de puestos de trabajo y achicamiento del Estado o de mercantilización de derechos sociales.

De esta forma, con propuestas abstractas, una fuerte inversión publicitaria y valiéndose de los errores de sus predecesores, ThatcherReaganMenemFujimoriSánchez de LozadaRajoy o Samarás, entre otros, se alzaron con el poder del Estado.  Recién en ese momento, las buenas intenciones y la abstracción de los programas dieron paso a la aplicación del recetario neoliberal.

Empezando a mostrar las cartas: “no hay alternativa”

Fue Margaret Thatcher quién inmortalizara en 1979 la frase “no hay alternativa”, en relación a que el neoliberalismo era la única opción posible, dadas las circunstancias sociales y económicas por las que atravesaba Gran Bretaña en ese momento. Una frase tantas veces repetida por la Dama de Hierro que desde entonces comenzó a utilizarse como sigla, TINA (“There Is No Alternative”).

En el inicio de la puesta en marcha de un programa neoliberal, esta consigna es una de las claves en la comunicación política. El presidente del Gobierno español decía en 2012 que “el Gobierno ha tenido que hacer cosas que no le gusta hacer para salir de la grave situación en la que se encuentra”. Dicho de otra forma, “ya nos gustaría poder hacer otra cosa, pero con la herencia que hemos recibido, no tenemos otra alternativa que hacer esto”.

El argumento que justifica el ajuste estructural del Estado es la necesidad de reducción del déficit público, ocultando la fuerte transferencia de riqueza desde el sector público hacia el privado concentrado. Siguiendo con el mandatario español, “corregir el déficit es una obligación y algo imprescindible para España”, o”recortar (…) es imprescindible porque en este momento no hay dinero para atender a los servicios públicos”.

En este punto, y para apoyar esta idea, suelen usarse sobre-simplificadas explicaciones del funcionamiento económico. Margaret Thatcher aclaraba décadas atrás “esta verdad fundamental: el Estado no tiene más dinero que el dinero que las personas ganan por sí mismas y para sí mismas. Si el Estado quiere gastar más dinero, sólo puede hacerlo endeudando tus ahorros o aumentando tus impuestos. No es correcto pensar que alguien lo pagará. Ese «alguien»eres «tú». No hay «dinero público», sólo hay «dinero de los contribuyentes»”.

Otros ejemplos de lo mismo: un referente del neoliberalismo en Argentina, Domingo Cavallo [3], mientras anunciaba como Ministro de Economía en 2001 el enésimo ajuste del gasto público, afirmaba que “hay que ir a déficit cero y dejar de vivir de prestado”. También Rajoy arrojaba luz sobre esta cuestión en 2012 asegurando que “lo que no se puede gastar es lo que un país no tiene”.

Como puede verse, resulta curioso que la comunicación de la economía neoliberal, según sea conveniente, puede apoyarse en modelos inteligibles sólo para un selecto grupo de “expertos” (ocultación) o, por el contrario, puede ser tan simplista como las afirmaciones anteriores (reduccionismo). “La teoría económica convencional acostumbra a practicar, no se sabe muy bien si a partes iguales, la ocultación y el reduccionismo desvirtuando el carácter y la percepción de la economía” (Martinez González-Tablas & Álvarez Cantalapiedra, 2013).

Además de querer minimizar la pérdida inexorable de apoyo popular, la idea de la inexistencia de alternativas al neoliberalismo también tiene como trasfondo un intento de des-ideologizar el modelo, queriendo instalarlo en la opinión pública como si fuera una cuestión referente a las ciencias puras. “No nos gusta lo que estamos haciendo (no elegimos, no es ideología), pero no tenemos opción (es una decisión científica)”.

Además de su inevitabilidad y su carácter científico, existen otras cartas de presentación del modelo. La primera, como una “modernización” de las instituciones democráticas y el aparato productivo. Cavalloafirmaba que “vivimos una época de modernización de todo el aparato productivo después de que Argentina había quedado rezagada en todos los sectores”. La segunda, que existe una suerte de consenso global sobre la adopción de este tipo de medidas. “Hay que recuperar la confianza de los mercados” o “hay que estar insertado en el mundo” son frases utilizadas repetidas veces por la primera línea del Partido Popular español.

Ya puesto en marcha el recetario neoliberal, parte de la sociedad, el periodismo y la oposición parlamentaria exige a los Gobiernos explicaciones por la incoherencia entre las propuestas plasmadas durante la campaña electoral y las medidas de política real que se implementan.

En este punto, se pueden ver dos estilos diferenciados de un particular mea culpa. Uno más pragmático:Mariano Rajoy afirmaba en 2013 que “quién me ha impedido cumplir mi programa es la realidad” o “dije que bajaría los impuestos y los estoy subiendo (…) han cambiado las circunstancias y tengo que adaptarme a ellas”. Otro estilo, impunemente “sincericida”: el ex presidente Carlos Menen declaraba meses después de comenzar su andadura neoliberal en la Argentina que “si yo hubiera dicho lo que iba a hacer, nadie me hubiera votado”.

Primeros impactos: “Estamos mal, pero vamos bien”

Cuando los impactos de las medidas neoliberales, en lugar de atenuar la situación de dificultad e insatisfacción que sufrían distintos sectores sociales antes de su puesta en marcha, evidencian un rápido empeoramiento de sus condiciones de vida, un retroceso de sus derechos sociales y un aumento del descontento social, la retórica de los representantes políticos y portavoces del poder debe dar un nuevo giro.

Cuando las cosas empeoran para la mayoría, se intenta transmitir el hallazgo de “brotes verdes”, de una ilusoria “luz al final del túnel”. La idea es que los “sacrificios” que viene haciendo el grueso de la ciudadanía bajo el yugo del libre mercado y sin tutela del Estado están empezando a dar sus frutos. Aunque éstos todavía no sean visibles para los sacrificados por el modelo.

En un discurso en 1996, Menem sentenciaba que “estamos mal, pero vamos bien”. En la misma dirección, Rajoy afirmaba en 2013 que “aún no podemos decir que España va bien, pero va mejor y el rumbo marcado es el correcto”. Este intento por vender esperanza e ilusión a sus votantes tiene como fin seguir pidiéndoles “sacrificios”.

Otra línea argumental consiste en incidir en que las decisiones que adopta el Gobierno son responsabilidad deotros actores o circunstancias.Principalmente, los resultados de las políticas de sus predecesores: afirmaba Mariano Rajoy, con el país plagado de protestas y movilizaciones como consecuencia de las medidas de su Gobierno, que “el PSOE carga con una culpa histórica. Hay que decirlo alto y claro”. Thatcher decía que “curar la enfermedadde Gran Bretañacon el socialismo es como intentar curar la leucemia con sanguijuelas”. Y Menem, incluso hasta el último año de su década de mandato, no desistía en señalar “la pesada herencia” dejada por su antecesor.

La culpa de la política y de lo público

El debilitamiento y la denostación de la política y lo público son condiciones sine qua non para la implementación del modelo neoliberal.

Desacreditar a la política como un instrumento de transformación a disposición de las mayorías promueve la desafección y, de esta manera, facilita que ésta pase a ser de dominio del poder económico concentrado. Ronald Reagan dejaba a las claras su visión sobre la política. “Se supone que la política es la segunda profesión más antigua de la Tierra. He llegado a la conclusión de que guarda una gran semejanza con la primera”.

Igualmente prostituido debe quedar lo público. Un ex ministro menemista, Roberto José Dromi, en referencia a las políticas de privatizaciones del Gobierno, afirmaba: “nada de lo que deba ser estatal permanecerá en manos del Estado”. No es un dato menor que Dromi en ese momento fuera Ministro de Obras y Servicios Públicos del Estado nacional argentino.

Si la política y lo público son partes del problema, las soluciones deben pasar por lo individual.En palabras de Margaret Thatcher “Están situando el problema en la sociedad. Y «la sociedad»no existe. Hay hombre y mujeres individuales, y también hay familias. Ningún gobierno puede hacer nada excepto a través de cada persona, y las personas necesitan mirar por sí mismas en primer lugar. Es nuestra obligación mirar por nosotros mismos, y después por nuestro vecino”.

Discursos que anticipan el estallido

Cambian los momentos históricos, los contextos mundiales, los territorios y los Estados-nación, las condiciones materiales de subsistencia de los pueblos, los nombres o las tendencias ideológicas de los partidos políticos. Pero en los casos analizados hay al menos tres cosas que no se alteran: las recetas en política económica, sus impactos sociales y los conceptos subyacentes al discurso de quienes, desde las instituciones políticas, deben implementarlas y legitimarlas.

Discursos que niegan lo que van a hacer, lo que hacen, y también las consecuencias de lo que hacen. Discursos que buscan responsables fuera, desacreditan a la política, injurian lo público y tiñen decisiones ideológicas de científicas. ¿Lo hacen por pragmatismo de realpolitik o por vergüenza ideológica?

Más allá de las palabras, parece evidente que los gobiernos neoliberales hacen lo que quieren hacer y saben lo que ello implica. Quieren instalar un nuevo “contrato social” que busque la legitimación de otro régimen de propiedad, con clases dominantes mucho más dominantes, un desmantelamiento y privatización del Estado, y la primacía de la competencia y la lógica mercantil en una sociedad  individualista, insolidaria y descohesionada.

Dado que este sistema político y económico profundiza la desigualdad y la injusticia social, empobrece y expulsa a grandes mayorías, estos gobernantes,condenadosa recoger el apoyo popular, necesitan un relato fuerte para poder implementar la versión más voraz que ha conocido el capitalismo en su historia.

Más allá de las palabras, los gobiernos neoliberales han dejado o están dejando los mismos legados económicos, sociales y políticos. Los discursos analizados anticipan el estallido de una crisis social que se va gestando durante todo el tiempo que duran estas medidas. Más allá de que se repita incesantemente la idea de que “no hay alternativa”, en última instancia, y como dijera José Saramago: “la alternativa al neoliberalismo se llama conciencia”.

Kike Estrada
Kike Estrada

 

Notas:

[1] Por ejemplo, Margaret Thatcher llegó al Gobierno desde el Partido Conservador, Ronald Reagan desde el Partido Republicano o Mariano Rajoy desde el Partido Popular. Por su parte, Alberto Fujimori ganó las elecciones generales peruanas con formaciones nuevas, como Cambio 90 y Nueva Mayoría; Carlos Menen se alzó con el poder desde el Partido Justicialista, Fernando De la Rúa fue electo presidente argentino con la Alianza, y Antonis Samarás fue nombrado Primer ministro griego con Nueva Democracia en coalición con PASOK y DIMAR.

[2] Algunoseslóganes de estas campañas coincidieron en sus ideas abstractas. “Amanece en América” o “América ha vuelto” (Ronald Reagan, EEUU);  “Revolución productiva y salariazo” (Menem, Argentina); “El laborismo no funciona” (Thatcher, Inglaterra);  “Perú, país con futuro”(Fujimori, Perú); “Súmate el cambio” (Rajoy, España).

[3] Cavallo fue presidente del Banco Central durante la Dictadura Militar argentina (1981), Ministro de Economía durante la presidencia de Carlos Menem (1991-1996) y también durante la de Fernando De la Rúa (2001).  

 

Bibliografía citada:
Martínez González-Tablas, A. & Álvarez Cantalapiedra, S. (2013). “Aportaciones para una representación compleja y abierta del sistema económico capitalista”. Revista de Economía Crítica n. 15.

La izquierda y Thatcher

 

por Slavoj Zizec

Traducción de Pablo E. Chacón

thatcher

Margaret Thatcher, la dama de hierro, era un maestro. Fiel a sus decisiones, elevó gradualmente su singular locura bajo normas aceptables. Cuando se le preguntó sobre su mayor logro, respondió: “Nuevo Laborismo”. Su triunfo incluyó que sus enemigos políticos adoptaran sus políticas económicas básicas -el verdadero triunfo no es la victoria sobre el enemigo, sino que se produce cuando el enemigo comienza a usar una lengua ajena.

Entonces, ¿qué queda del legado de Thatcher cuando la hegemonía neoliberal se cae a pedazos? Ella fue la única que creyó en sus ideas. El neoliberalismo de hoy, por el contrario, “solo imagina que cree en sí mismo y exige que el mundo debe imaginar lo mismo” (para citar a Marx). En la actualidad, solo campean el cinismo y la corrupción.

El neoliberalismo, ¿se mantuvo solo para soportar la quiebra de Enron, en enero de 2002 (al igual que en todas las crisis financieras que siguieron), si es que se lo puede interpretar como un comentario irónico sobre la noción de sociedad del riesgo? Miles de empleados que perdieron sus puestos de trabajo y los ahorros fueron ciertamente expuestos a un riesgo, pero sin verdadera opción -el riesgo se les apareció como un destino ciego-. Quienes efectivamente tenían una idea de los riesgos, así como la posibilidad de intervenir en la situación (los directivos), minimizaron (sus riesgos) en acciones y opciones…antes de la quiebra. Es cierto que vivimos en la sociedad del riesgo, pero algunos (los directivos) pueden elegir, mientras que la gente común tuvo que pagar –los que pudieron- las hipotecas. Es decir: arriesgarse.

Una de las consecuencias extrañas de la crisis financiera y las medidas adoptadas para contrarrestarla (enormes sumas de dinero para ayudar a los bancos) fue la reactivación de la obra de Ayn Rand, la ideóloga del concepto “la codicia es buena”, que disparó las ventas de La rebelión de Atlas . Según algunos informes, ya hay señales de que el escenario descrito en ese libelo -los capitalistas que van a la huelga- está creciendo. En esa ficción, John Campbell, un congresista republicano, dice: “Los triunfadores van a la huelga. Estoy viendo, en un nivel pequeño, una especie de protesta de personas que crean puestos de trabajo (…) y que se están retirando porque serán castigados por ello”.

El otro aspecto de Thatcher criticado por la izquierda era su liderazgo autoritario, su falta de coordinación democrática. Sin embargo, las cosas son más complejas. Las protestas populares en curso en toda Europa convergen en una serie de demandas que forman una especie de obstáculo epistemológico respecto de la crisis del sistema político. Esto puede leerse como una versión de la política deleuziana: la gente sabe lo que quiere, es capaz de descubrir y formular esto, pero solo a través de su propio compromiso y actividad continua. Así que tenemos una democracia participativa activa, no solo la democracia representativa, con su ritual electoral que cada cuatro años se interrumpe la pasividad de los votantes. Esto es, es necesaria la auto-organización de la multitud, no un partido leninista centralizado en un líder.

Hay en todos los momentos de éxtasis revolucionario un proceso de solidaridad de grupo. Cuando cientos de miles de personas ocupan un lugar público, como en la plaza Tahrir hace dos años, existe un momento de participación colectiva donde se debate y decide. Las personas viven un estado de emergencia permanente, tomando las cosas en sus propias manos, sin líderes. Pero tales estados no duran, y el cansancio no es aquí un hecho psicológico sino una categoría de la ontología social.

La gran mayoría -yo incluido- quiere ser pasiva, depender de un aparato estatal eficiente para garantizar el trabajo en paz. Walter Lippmann escribió en suOpinión Pública (1922) que la manada de los ciudadanos debe ser gobernada por una clase especializada cuyos intereses llegar más allá de la localidad. Este es el funcionamiento de las democracias, con nuestro consentimiento: no hay ningún misterio en lo que decía Lippmann. El misterio es que a sabiendas, nos jugamos el juego. Actuamos como si fuéramos libres y decidiéramos no sólo aceptar sino también exigir un requerimiento judicial invisible (inscripto en la misma libertad de expresión) que nos dice qué hacer y pensar.

 

Margaret Thatcher, inspiradora de canciones

Nos habíamos odiado tanto

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por Gonzalo Curbelo

La madre de la concepción actual del capitalismo (verhttp://ladiaria.com.uy/ACGa y http://ladiaria.com.uy/ACGb) falleció, generando reacciones de insólita alegría ante la muerte de alguien que muchos consideran una figura clave (en el sentido positivo) de la historia del siglo XX. Entre sus panegíricos, una columna de David Mathieson en El País de Madrid de ayer, titulada “La dama y los Sex Pistols”, sostiene: “La exprimera ministra supo conectar con una generación que estaba harta de una élite política que parecía incapaz de entender un mundo nuevo”. Una opinión un tanto polémica si se tiene en cuenta el material lírico que inspiró en los músicos de dicha generación de ingleses, y que casi constituiría un subgénero caracterizado por la violencia casi brutal del rechazo producido por su figura. Ya en 1980, a sólo un año de haber asumido como primera ministra, el grupo new wave The Beat (en absoluto una banda particularmente politizada) estaba cantando su hit “Stand Down Margaret” (bajate, Margaret) y dejando en claro la poca gracia que les hacía la filosofía que la líder conservadora estaba promulgando.

Posiblemente las quejas más conocidas -y de las más tempranas del rock británico con respecto a Maggie en el Río de la Plata fueron las de Roger Waters en el disco de Pink Floyd The Final Cut (1983), un disco que se puede considerar una extensa protesta pacifista en relación a la Guerra de Malvinas, que Waters definió como “el réquiem del sueño de posguerra”, imaginándose un asilo (“The Fletcher Memorial Home”) en el que se internara a Thatcher junto a demás “tiranos y reyes” contemporáneos como Leonid Brezhnev, Menachem Begin, Leopoldo Galtieri y Ronald Reagan. Pero en las Islas Británicas las reacciones líricas eran aún más furiosas.

Como era de esperar, los punks ingleses (y ni hablar de los irlandeses) la convirtieron en el símbolo de todo mal, utilizándola como figura automática contra la que despotricar. Si la primera generación de punks había más bien ignorado en los 70 a la figura del anterior primer ministro, el laborista James Callaghan, sus epígonos arremetieron con saña contra su sucesora, algunos en forma primaria -los Exploited y su “Maggie (You Cunt)”- y otros desde una óptica de militancia política más orgánica -Crass y su “How does it feel to be the mother of a thousand dead?” (¿cómo se siente ser la madre de 1.000 muertos?). Durante el primer lustro de los 80 era rara la banda de punk inglés que no tuviera a Thatcher en alguna de sus portadas, e incluso los apolíticos metaleros de Iron Maiden la dibujaron (vestida de militar y a punto de robar a la mascota de la banda, Eddie) en la tapa de su simple “Women in Uniform”. Pero si las reacciones de los punks ante Margaret Thatcher eran tan brutales como su música, éstas se quedarían cortas en relación a la virulencia lírica que le dedicarían músicos en apariencia más serenos.

Viva la muerte

No fueron los politizados The Clash quienes retomarían la ofensiva lírica contra Thatcher -aunque muchos interpretaron los versos en castellano de “Should I Stay or Should I Go” como una alusión a la Guerra de Malvinas-, sino el apasionado pero delicado Morrissey, ex cantante de The Smiths, quien le dedicó la primera de las varias canciones en las que no sólo rechazaban la figura de Thatcher, sino que le deseaban la muerte en forma explícita y violenta. “Margaret on the Guillotine”, un tema breve y etéreo de su primer disco, Viva Hate (1988), resumía sus sentimientos de la siguiente manera: “La gente amable / tiene un sueño maravilloso: / Margaret en la guillotina./ Porque la gente como vos / me hace sentir tan cansado. / ¿Cuándo vas a morirte? / Y la gente como vos me hace sentir tan viejo por dentro. / Por favor, morite. / Y, gente amable, / no se guarden ese sueño. / Háganlo real. / Hagan el sueño real”.

No fue el único en sentirse así; Elvis Costello, quien ya era uno de los compositores más populares de Reino Unido, escribió, imaginándose un día como el de ayer, la poderosa “Tramp the Dirt Down” (1989), en la que le dedicaba algunos de los versos más furiosos y directos de toda su obra: “Bueno, espero no morir muy pronto. / Le rezo al Señor que salve mi alma. / Oh, seré un buen chico, / estoy tratando con todas mis fuerzas portarme bien / porque sé que hay una cosa para la que quiero vivir / lo bastante como para poder saborearla, / y es que cuando finalmente te entierren / voy a pararme sobre tu tumba y apisonar la tierra”. Costello ya había compuesto otra canción -tal vez la mejor de toda su carrera- indirectamente dirigida a Thatcher, “Shipbuilding” (1983), que fue compuesta para que la cantara el furibundo Robert Wyatt, uno de los músicos ingleses más identificados (hasta el día de hoy) con la izquierda, quien realizó una versión ante la cual es imposible no estremecerse.

El gobierno de Thatcher duró casi exactamente una década, y pocos artistas musicales se lamentaron de su fin (sólo algunos outsiders como Phil Collins y Steve Strange se declararon sus seguidores). Incluso el habitualmente tibio en términos políticos Paul McCartney celebró el fin del mandato de Thatcher, en 1990, con una versión de una canción clásica de protesta de los años 60, “All My Trials”, cuyo mensaje antimonetario y esperanzado fue interpretado en forma inequívoca como un festejo de la conclusión de la era Thatcher, algo que el ex beatle no desmintió. Pero la partida de Thatcher del gobierno no terminó con un odio que parecía haberse hecho carne en las letras de los músicos británicos.

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Mirando hacia atrás con furia

Ya hacía una década que Thatcher había abandonado las oficinas cuando Hefner -una de las bandas más interesantes, y menos conocidas, del britpop- incluyó en su disco We Love The City (2000) la canción “The Day That Thatcher Dies” en la que prometía: “Vamos a reírnos el día que Thatcher se muera, / aunque sabemos que no está bien. / Vamos a bailar / y cantar toda la noche”. El mismo concepto fue retomado en 2008 por el musicalmente inquietísimo Pete Wyle (uno de los secretos mejor guardados de la música disidente británica), quien luego de que se conociera el endeble estado de salud de la ex primera ministra editó un tema extremadamente jovial (y casi homónimo del de Hefner) llamado “The Day That Margaret Thatcher Dies”, en el que sobre los acordes de “Wild Thing” cantaba: “¿Quieren darle un funeral estatal? / Bueno, eso es genial. / Es irónico, porque ella nos dejó en un estado lamentable. / ¡Yo protesto! / Es dinero desperdiciado. / En vez de eso construyan una escuela. / El único motivo por el que voy a asistir es para asegurarme de que está muerta / […] / Díganle a todo el mundo que lo sabemos. / ¡Ella se fue! / Coloréenme de amor, / pinten el cielo. / Vamos, voy a decirles por qué. / ¡Ella se fue! / Y nadie llora”.

Pero tal vez uno de los análisis en forma de canción más lúcidos que se han hecho sobre el período de Thatcher provenga de alguien que, curiosamente, ni siquiera había nacido cuando la Dama de Hierro asumió por primera vez. El compositor folk Frank Turner (1981) incluyó una canción en su primer EP, Campfire Punkrock (2006), llamada “Thatcher Fucked the Kids”. En ella Turner, luego de describir el pánico que le producen unos delincuentes callejeros adolescentes, procede a diseccionar ese miedo de la siguiente manera: “Todos nos preguntamos cómo terminamos tan asustados. / Pasamos diez años enseñándoles a nuestros hijos que no les importe nada / y que, de cualquier forma, ‘no existe algo llamado sociedad’. / Y todos los ricos actúan como sorprendidos / cuando todo el concepto de comunidad se muere. / Pero ustedes cerraron sus ojos al otro lado; / de todas las cosas que ella hizo / Thatcher se cogió a los niños / […] / Por cada chorro adolescente con una campera deportiva / hay un tipo de traje que no movería un dedo por nadie. / Ustedes tienen a una generación educada en el Estado de Bienestar. / que disfrutó de todos sus beneficios y le fue bárbaro, / pero apenas se asentaron como los más ricos de los ricos / patearon la escalera, / le dijeron al resto de nosotros que la vida era cruel. / Y no es ninguna sorpresa que todas las cagadas / no se notaran hasta que los niños habían crecido. / Pero cuando nadie jamás sonríe o ayuda a un extraño, / ¿qué mierda tiene de extraño que nuestra sociedad esté en peligro de colapsar? / Así que todos los chicos son unos bastardos, / pero no los culpes, sí, ellos aprenden por el ejemplo. / Culpen a los que vendieron el futuro al mejor postor. / Es eso, Thatcher se cogió a los niños”. Una reflexión que, mutatis mutandis, bien podría adaptarse a la realidad actual de otras latitudes.

Los biógrafos de Thatcher sostienen que no era una mujer a la que le disgustara la música pop, y que su tema favorito era “Telstar”, una composición del excéntrico Joe Meek, pero evidentemente no hay nada en el tema que pueda identificarse positivamente con la filosofía de la Dama de Hierro. Como se sabe, se trata de una composición instrumental.

Poema para Margaret Thatcher

por Paul Laverty

Tradução de Talis Andrade

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FILE FOOTAGE OF MARGARET THATCHER AND AUGUSTO PINOCHET.

Margaret Thatcher, Dama de Ferro, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, Farol da Democracia, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, Amante da Liberdade, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, Mulher de Estado, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, Flagelo dos Extremistas, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, Líder Decisiva, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, da Ordem da Jarreteira, Descanse em Paz.

Margaret Thatcher, Ronnie Reagan, Descansem em Paz.

Margaret Thatcher, Ronnie Reagan, Pinochet, Descansem em Paz.

Margaret Thatcher, Ronnie Reagan, General Pinochet, Faróis da Democracia, Amantes da Liberdade, Flagelos dos Extremistas, Líderes Decisivos, Descansem em Paz.

(Por ocasião do funeral de Margaret Thatcher, 17 de abril de 2013)

***

Margaret Thatcher, Iron Lady, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Beacon of Democracy, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Freedom Lover, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Stateswoman, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Confronter of Extremists, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Decisive Leader, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Order of the Garter, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Ronnie Reagan, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Ronnie Reagan, General Pinochet, Rest in Peace.

Margaret Thatcher, Ronnie Reagan, General Pinochet, Beacons of Democracy, Freedom Lovers, Confronters of Extremists, Decisive Leaders, Rest in Peace.

(On occasion of Margaret Thatcher’s funeral 17th of April 2013)

Aécio e a república de zumbis

O governo e a justiça de Minas Gerais pretendem eleger Aécio Neves presidente. Quando o maior trunfo eleitoral de Aécio continua sendo o avô Tancredo Neves. Acontece que existe contra a justiça e o governo de Minas Gerais uma procissão de almas.

Escreve Geraldo Elísio: “A região do Vale do Aço está se transformando em cenário ideal para filmes de bang bang e inexplicavelmente nada acontece. Setores ligados aos Direitos Humanos afirmam que um novo crime que resultou na morte do fotógrafo Walgney Assis Carvalho, assassinado no último domingo tem ligações com a execução do jornalista Rodrigo Neto, de 38 anos, no último mês de maio.

A ‘Gang dos Castro’ está envolvida na questão, bem como o ex-delegado de polícia Alexandre Silveira, atual secretário de Gestão Metropolitana a quem se atribui estar sobre o comando do secretário de Estado do governador Antonio Anastasia, Danilo de Castro.

A Polícia Federal chegou a entrar no caso, mas saiu. Por quê? As devidas explicações ainda não foram dadas. Para piorar a situação de sequências de mortes envolvendo autoridades  – remember a modelo Cristiana Aparecida Ferreira e o ex-ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, o ex-governador Newton Cardoso e o atual presidente da Cemig, Djalma Moraes – o delegado da Polícia Civil, Geraldo Amaral de Toledo, conhecido como Geraldo Toledo está sendo acusado de ter baleado na cabeça  a menor A.J.S. (…)

As autoridades do setor de Segurança nada manifestam, inclusive sobre a condenação de médicos ligados à Máfia do Tráfico de Órgãos em Poços de Caldas, no sul de Minas (…)”

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Escreve Mateus Parreiras: “Decorrente de mais de 20 anos de assassinatos, afrontas à lei, desafios à Justiça e impunidade, o medo que ronda a imprensa do Vale do Aço faz mais vítimas, além do repórter Rodrigo Neto, de 38 anos, executado em 8 de março, e de seu colega de trabalho, o fotógrafo Walgney Assis Carvalho, de 43, morto no domingo, 37 dias depois. Acredita-se que os casos estejam ligados e as suspeitas recaem sobre um esquadrão de extermínio formado por policiais militares e civis. Rodrigo vinha denunciando que pelo menos 20 integrantes das forças de segurança acusados de execuções continuavam impunes. Antes dos dois últimos assassinatos, havia cinco profissionais de jornais e rádios sediados em Ipatinga especializados na cobertura policial. Dos três sobreviventes, dois estão sob ameaça, enquanto o outro pediu demissão e fugiu da cidade sem deixar rastro. As informações são da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e do comitê de profissionais de imprensa que acompanha as investigações. Com os dois homicídios, o Brasil passou a ocupar o terceiro lugar em mortes de jornalistas, segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, com quatro óbitos neste ano – metade em Ipatinga. Fica atrás apenas do Paquistão e da Síria, países em conflito armado que registraram cinco mortes”.

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Minas Gerais é terra sem lei.

Escreve Paula Sarapu: “Indiciado pela agressão à adolescente A.L.S., de 17 anos, o delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto desrespeitou uma medida protetiva prevista na Lei Maria da Penha, decretada pelo Tribunal de Justiça em 3 de abril, ao se encontrar com ela em Conselheiro Lafaiete, no último fim de semana. A medida, que proíbe o contato dele com a jovem, foi proposta pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente em 19 de março, quando ela fez um registro de ocorrência, acusando o policial de tê-la agredido com chutes e socos.

Afastamento por segurança

As determinações da medida protetiva e o inquérito em que Toledo foi indiciado por agressão correm em segredo de Justiça. Segundo o criminalista e professor de direito processual da Faculdade Dom Hélder Câmara André Myssior, o delegado não poderia ter se encontrado com a menor, mesmo se ela o tivesse convidado ou tenha aceitado entrar no carro dele por vontade própria. Segundo o especialista, quando o agressor viola qualquer medida protetiva, o juiz decreta sua prisão preventiva. Como o delegado já está preso, ele pode responder pelo crime de desobediência.

‘As medidas protetivas pretendem impedir o agressor de se aproximar ou entrar em contato com a vítima. Há uma série de medidas, mas a que mais protege é o afastamento. O juiz pode ter proibido também qualquer contato por telefone ou meios eletrônicos’, explica o advogado, lembrando que a Lei Maria da Penha impede que a vítima retire a queixa. ‘Se a jovem estivesse atrás dele, ele deveria ter recorrido à Justiça pedindo a revogação da medida, mas não poderia encontrá-la de jeito nenhum: nem se ela convidasse, nem se ela aceitasse.’
Delegado responde por vários crimes

O delegado Geraldo Toledo responde a processos em BH e no interior. Em 2007, foi denunciado na 5ª Vara Criminal por receptação, formação de quadrilha e adulteração ou remarcação de chassis, quando chefiava a delegacia de trânsito de Betim. O Ministério Público entrou com ação civil pública contra ele na 2ª Vara de Fazenda Pública Estadual por improbidade administrativa. Há também um processo de 2011 na comarca de Abre Campo, em que Toledo foi denunciado por estelionato. O MP o acusa de inserir declarações falsas nos documentos de registro de veículos em Mateus Leme, na Grande BH, assinando procedimentos de vistoria de caminhões inexistentes. O delegado teria ocultado ainda documentos de processos administrativos referentes ao emplacamento dos veículos. À época, ele estava na delegacia de São Joaquim de Bicas, na Grande BH. Em 2004, ele foi denunciado com a ex-mulher, a promotora Mônica Regina Rolla. À época, ele era delegado em Alfenas e foi acusado de invadir um estabelecimento sem ordem judicial e fazer uma prisão em flagrante por porte de uma arma, que teria sido plantada. O preso teria tido uma desavença com o delegado. A denúncia foi da Procuradoria Geral de Justiça, mas o crime prescreveu.”

Morte misteriosa da modelo
Morte misteriosa da modelo

Para que seja instalada a república dos zumbis, a justiça do País da Geral engavetou os julgamentos da chacina de Unaí, financiada pelo líder tucano Antério Mântega, e do Mensalão mineiro, que assassinou a modelo Cristiana Ferreira.

Essa fantasmagórica república teria Margaret Thatcher como modelo econômico, e no mais tudo conforme uma ficção fantasmagórica que pode terminar em realidade.

Uma blogueira de 13 anos, Giovanna Souza, escreve: “Tem alguém aí que ainda não conhece a serie The Walking Dead? Se tiver, esse post é especialmente para vocês. The Walking Dead é uma série norte americana produzida pela AMC, baseada nos quadrinhos criados por Robert Kirkman que já está na terceira temporada.

(…) The Walking Dead acompanha um grupo de pessoas que lutam para sobreviver a um apocalipse zumbi, no meio de um Estados Unidos destruído. Rick Grimes, que era xerife de uma cidadezinha no estado da Georgia, lidera o grupo na busca por um novo lar longe da ameaça dos mortos-vivos. Ao longo da história, quando a luta pela sobrevivência começa fica mais perigosa, o comportamento dos personagens acaba mudando, levando-os a beira da insanidade.”

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No Brasil, há uma inversão. Os zumbis são os vivos da politicalha, e os mortos clamam por justiça.

Outra resenha de Giovanna Souza: “No universo de The Walking Dead não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como ‘Vilão do ano’, ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação.

Cara, esse livro é muito bom. Tipo muito bom mesmo! Eu não botava muita fé nele, porque meu irmão tinha lido uma parte e dito que era um lixo. Mas é sério, o livro é surpreendente. É uma mistura de suspense com romance e drama. Sem contar com a parcela de matar zumbis, que todo fã de The Walking Dead curte. Em relação à linguagem, é meio difícil e tal, mas depois de uns 3 capítulos a gente se acostuma. O mais legal é que o livro descreve bem as emoções dos personagens, e os laços (secretos) que eles vão criando uns com os outros… o que uma situação de luta pela sobrevivência num mundo devastado pode causar na mente das pessoas. É muito bom, e nos faz pensar o que aconteceria se houvesse um apocalipse zumbi.”