Propaganda fúnebre. O BUROCRATA

1966 La muerte de un burocrata (cub) 01

(Segundo poema)

Na velação
todo morto
um santo
e quanto
mais morto
mais santo

Incelenças cantam
as virtudes
Uma vida dedicada
à família
ao trabalho
Uma vida
de mãos limpas
sem escrita
na folha corrida

Incelenças cantam
a pobreza
cobiçada moeda
dos mortos
como garantia
da conquista
do paraíso


Publicado in O Enforcado da Rainha. Talis Andrade, Livro Rápido, 2009, Olinda

Isenção e prudência, virtudes do Juiz: Papa Francisco ao Conselho Superior da Magistratura Italiana

justiça_bandidos togados

 

 

Recebendo, nesta terça-feira 17, no Vaticano, 280 membros do Conselho Superior da Magistratura Italiana, Papa Francisco reconheceu que a tarefa a eles confiada ao serviço da nação é fundamental para o bom funcionamento de um setor vital da convivência social. Exprimiu, pois, a sua “estima e encorajamento” pelas pessoas “envolvidas neste setor com consciência limpa e com profundo senso de responsabilidade jurídica e cívica.”

Evocando o “aspeto ético” da tarefa do magistrado, “trabalho importante e delicado”, o Santo Padre recordou a objetividade e prudência indispensáveis “para manter uma imparcialidade incontestável; para discernir com objetividade e prudência, baseando-se unicamente na justa norma jurídica e, sobretudo, para responder à voz de uma consciência infalível, alicerçada sobre valores fundamentais”.

“A independência do magistrado e a objetividade do julgamento necessitam de uma atenta e pontual aplicação das leis vigentes. A certeza do direito e o equilíbrio dos diversos poderes de uma sociedade democrática encontram a sua síntese no princípio da legalidade através da qual o juiz opera.”

A qualidade da prudência

Papa Francisco prosseguiu, enaltecendo as principais qualidades que um magistrado deve ter e a importância de seu papel na sociedade:
“Entre todas as qualidades, a que é dominante, específica do magistrado, é a prudência: uma virtude que leva a ponderar com serenidade as razões de direito e de facto que devem estar na base do juízo.”

Terá mais prudência se tiver um elevado equilíbrio interior, capaz de dominar as pressões provenientes do próprio caráter, das próprias visões pessoais, das próprias convicções ideológicas.” A concluir, Papa Francisco observou ainda que os juízes se devem esforçar por ser um exemplo de integridade moral:

“A sociedade italiana espera muito da magistratura, especialmente no contexto actual, caracterizado, entre outros, por um empobrecimento dos valores e pela evolução das estruturas democráticas. Empenhai-vos em não desiludir as legítimas expectativas das pessoas. Esforçai-vos por ser cada vez mais um exemplo de integridade moral para toda sociedade”.

 

«A sociedade italiana – frisou o Pontífice – espera muito da magistratura, sobretudo no actual contexto caracterizado, entre outras coisas, por um esgotamento do património de valores e pela evolução da organização democrática.

Seja vosso compromisso não desiludir as legítimas expectativas das pessoas. Esforçai-vos por ser cada vez mais exemplo de moralidade íntegra para toda a sociedade».

E neste contexto o Papa indicou dois modelos de referência: «Vitorio Bachelet, que guiou o Conselho Superior da Magistratura em tempos de grandes dificuldades e foi vítima da violência dos chamados “anos de chumbo”» e «Rosário Livatino, assassinado pela máfia, do qual está a decorrer a causa de beatificação». «Eles ofereceram – disse – um testemunho exemplar do estilo próprio do fiel leigo cristão: leal às instituições, aberto ao diálogo, firme e corajoso na

«A sociedade italiana – frisou o Pontífice – espera muito da magistratura, sobretudo no actual contexto caracterizado, entre outras coisas, por um esgotamento do património de valores e pela evolução da organização democrática. Seja vosso compromisso não desiludir as legítimas expectativas das pessoas. Esforçai-vos por ser cada vez mais exemplo de moralidade íntegra para toda a sociedade». E neste contexto o Papa indicou dois modelos de referência: «Vitorio Bachelet, que guiou o Conselho Superior da Magistratura em tempos de grandes dificuldades e foi vítima da violência dos chamados “anos de chumbo” e «Rosário Livatino, assassinado pela máfia, do qual está a decorrer a causa de beatificação». «Eles ofereceram – disse – um testemunho exemplar do estilo próprio do fiel leigo cristão: leal às instituições, aberto ao diálogo, firme e corajoso na defesa da justiça e da dignidade da pessoa humana»

 

A mulher de César

por Mauro Santayana

 

 

transparência
Depois de pedir licença de seu mandato, o deputado André Vargas renunciou à primeira vice-presidência da Câmara dos Deputados, após instauração de processo no Conselho de Ética da Casa, para apurar denúncias contra ele, a propósito de suas relações com o doleiro Alberto Youssef, detido pela Polícia Federal em uma operação que investiga lavagem de dinheiro.

O envolvimento de André Vargas com o doleiro teria vindo à tona a partir do pedido de “empréstimo”, feito pelo deputado, de um jatinho, para viajar de férias a Youssef.

Já houve caso de quem viajasse em avião público por questões estéticas; de quem pegasse carona em aeronaves destinadas a atendimento médico; de quem tivesse a própria aeronave apreendida com substâncias proibidas.

Há grandes e pequenos escândalos, e episódios que são vistos, por alguns, como “pecadilhos”, que atingem, infelizmente, de forma indiscriminada, partidos das mais variadas legendas, tendências e orientação política.

Embora quase todo mundo tenha um lado, e nem sempre os fatos sejam abordados com o rigor, a honestidade e a isonomia que merecem — há assuntos que são rapidamente julgados enquanto outros passam anos sem ser sequer investigados — a verdade é que leis como a da Ficha Limpa e a do voto aberto para o julgamento e a cassação de parlamentares já deveriam ter sido vistas, por todos, como sinal de alerta e mudança nos riscos e cuidados da vida pública.

Leis da Ficha Limpa e do voto aberto para julgamento e cassação de parlamentares já deveriam ter sido vistas
Para gregos e troianos da odisseia política brasileira, talvez nunca seja demais lembrar a frase atribuída por Plutarco a certo prócer romano, ao repudiar sua mulher, filha de Quintus Pompeius Rufus: “À mulher de César, não basta ser honesta, é preciso parecer honesta”.

Embora a expressão, para alguns, coloque as aparências na frente da verdade, ela reflete a necessidade do rito; da manutenção de regras básicas de convívio e de respeito entre pares e por seus eleitores; e até por si mesmos, no exercício da atividade pública, no sentido de que todos deveriam se dedicar ao objetivo de mantê-la, sempre que possível fosse, ao abrigo de qualquer suspeita.

Ao colocar seu comportamento em dúvida, estendendo o opróbrio e a desconfiança da população sobre a atividade política e a instituição de que toma parte, o homem público não macula apenas a si mesmo.

Ele agride e arrasta na lama a imagem da Democracia que, como à mulher de César, não deveria bastar que fosse — majoritariamente — honesta, mas também que assim transparecesse aos olhos da nação.

Há lugares, como o Uruguai, em que o presidente anda de Fusca.

No Brasil, escancarar o convívio, até em festas e redes sociais, com bicheiros, lobistas e doleiros, está ficando mais comum, nos últimos anos, do que o prosaico gesto de passar pelo check-in e embarcar em um avião de carreira.

 

Eray Özbek
Eray Özbek

Veinte años de Manos Limpias

EN DOS AÑOS HUBO TRES MIL INVESTIGACIONES Y 1300 CONDENAS EN ITALIA

Antonio Di Pietro, uno de los impulsores de Manos Limpias, en una imagen de 1994.
Antonio Di Pietro, uno de los impulsores de Manos Limpias, en una imagen de 1994.

el despertar de una gigantesca e inédita campaña judicial anticorrupción que pasó a la historia como “Manos Limpias hizo cundir el pánico entre los grandes corruptos y los pequeños se hicieron menos evidentes. Manos Limpias surgió del trabajo de un grupo de fiscales de Milán conducido por Gerardo D’Ambrosio, pero en realidad liderado por Antonio Di Pietro, actual secretario del partido Italia de los Valores, y del que formaba parte también el juez Gerardo Colombo.

La campaña judicial empezó con el arresto, el 17 de febrero de 1992, de Mario Chiesa, presidente del Pio Albergo Trivulzio –un hospicio– de Milán y dirigente del Partido Socialista Italiano, entonces liderado por Bettino Craxi. Chiesa fue arrestado in fraganti, cuando recibía una coima de siete millones de liras de manos de un empresario. Después colaboró con la Justicia y salieron a relucir decenas de casos, muchos de ellos ligados al Partido Socialista y a otros partidos.

En dos años, la Justicia realizó más de 3000 investigaciones y emitió cerca de 1300 condenas, incluso contra Bettino Craxi –ex primer ministro 1983/1987–, que escapó a Túnez cuando sus juicios todavía no habían terminado previendo lo que iba a suceder. Craxi –gran amigo de Silvio Berlusconi, a quien ayudó a conseguir los derechos para sus televisiones– no volvió nunca más a Italia y murió en Túnez en 2000.

Fue además un período de suicidios. En 1993 lo hizo el ex presidente del ENI (ente petrolífero italiano) Gabrielle Cagliari. Su mujer después devolvió al Estado 6000 millones de liras. Poco después se suicidó un industrial que muchos miraban con envidia por sus éxitos, Raúl Gardini, presidente de la Montedison.

Pero a veinte años de estos hechos, ¿qué ha quedado? ¿Cómo evalúan estas dos décadas los que fueron protagonistas? Para el jefe del pool Gerardo D’Ambrosio, ha sido “una ocasión perdida” porque todo lo que se hizo quedó por el camino. Antonio Di Pietro, hoy diputado, dice que ellos realizaron entonces una “‘intervención quirúrgica’ necesaria en una enfermedad social que ya existía. Pero era la política la que tenía que curarla definitivamente”. Sin embargo, dice Di Pietro, cuando los corruptos se dieron cuenta de hacia dónde se dirigían las investigaciones judiciales, se dedicaron no a combatir los esfuerzos anticorrupción, sino a crear armas legales para protegerse y transformar ciertos delitos en “no delitos”, obstaculizando el trabajo de los jueces.

(Transscrevi trechos) Por Elena Llorente

Basta

de Inoema Nunes Jahnke

 

Basta de impunidade de corrupção,
Basta de hipocrisia
De esperar por salvação,
Temos que agir agora
E mudar a nossa história,
Depende de nós dar um basta
– Aqui e agora –
Outros virão
E cumprirão os seus mandatos,
Encare, é fato!
É consequência de nossa ação,
Só nos rouba e condena
Quem nós elegemos,
Que pena!…
Desenvolvam a consciência
Um corrupto é sim um ladrão,
Não muda, não tem perdão,
Então folheiem o passado
Descartem os condenados,
Este bando de safados,
Passem a história a limpo
Reflitam!
Eu insisto,
Passem um filtro
E escolham com decência um cidadão
Que possa dar orgulho à nossa nação!

Para varrer a corrupção

Luta contra a corrupção já começou a ser disseminada pela internet

Circulam na internet vários manifestos contra a corrupção.
São movimentos que continuam a campanha da ficha limpa, e que na Europa são chamados de campanha dos indignados.

Informa a Tribuna da Imprensa: “Todos os `governantes’ do Brasil até aqui, falam em cortes de despesas – mas não dizem quais despesas – mas, querem o aumento de impostos como se não fôssemos o campeão mundial em impostos”.

Para a Tribuna nenhum governante fala em (alterei e acrescentei itens):

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, 14º e 15º salários etc.) dos poderes do executivo, do legislativo e do judiciário;
2. Acabar com as mordomias nos três poderes, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do povo;
3. Acabar com centenas de institutos públicos e fundações públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;
4. Acabar com as empresas municipais, com administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo;
5. Acabar com o cobertor escuro do segredo eterno;
6. Realizar o referendo das reformas de base;
7. Redução drástica das câmaras municipais e das assembléias estaduais;
8. Acabar com o financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades;
9. Acabar com a distribuição de carros a presidentes, assessores etc, das câmaras, juntas etc, que se deslocam em digressões particulares pelo país;
10. Acabar com os motoristas particulares 24h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias, para servir suas excelências, filhos e famílias e, até, as ex-famílias;
11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros oficiais;
12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do executivo, do legislativo e do judiciário. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares: às escolas, ir ao mercado a compras etc;
13. Acabar com o vaivém semanal das autoridades (in)competentes e respectivas estadias em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes;
14. Acabar com a blindagem dos advogados;
15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir mordomias aos apadrinhados do poder;
16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;
17. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, de entre o pessoal do estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo legislativo, executivo e judiciário;
18. Pedir o pagamento da devolução dos milhões dos empréstimos compulsórios confiscados dos contribuintes;
19. Acabar com o foro especial, e criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os ladrões que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida e à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiro segundo esquemas pretensamente “legais”, sem controle, e vivendo à tripa forra à custa do dinheiro que deveria servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;
20. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem, efetivamente, pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;
21. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
22. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.
23. Pôr os bancos pagando impostos e, atendendo a todos nos horários do comércio e da indústria;
24. Proibir repasses de verbas para todas e quaisquer ONGs;
25. Auditar a dívida externa;
26. REVER imediatamente a situação de todos os APOSENTADOS, inclusive os federais, estaduais e municipais, que precisam muito mais que estes que vivem às custas dos brasileiros trabalhadores;
27. Acabar com as aposentadorias herdadas por filhas de maior idade de funcionários fardados ou civis;
28. AUDITORIA sobre o perdão de dívidas que o Brasil concedeu a outros países;
29. Rever os leilões das estatais privatizadas;
30. Investigar os leilões judiciais;
31. Acabar com a farra das informações que adormecem o povo pelos veículos de comunicação, e impedir a renovação de concessões, que são públicas, para famílias que possuem mais emissoras do que o permitido por lei;
32. Investigar as verbas para UNE e centrais e sindicatos e federações de trabalhadores e do patronato;
33. Determinar os limites dos latifúndios;
34. Limitar e acabar com os abusos bancários;
35. Acabar com qualquer tipo de cartórios (privilégios de uma minoria hereditária);
36. Diminuir o numero de municípios (fundir ou incorporar a maioria dos povoados deficitários), estabelecendo em 50 mil o número mínimo de habitantes por município;
37. Proibir que indivíduos com dupla nacionalidade exerçam cargos públicos, principalmente no ministério, nos bancos oficiais e no Itamarati;
38. Restabelecer a estabilidade no emprego cassada por Castelo Branco;
39. Criar o conceito de produtividade para juízes, e punir o engavetamento de processos;
40. Rever as concessões de ilhas;
41. Rever as concessões de minas & outras botijas;
42. Tornar obrigatória a declaração de imposto de renda para todos os brasileiros, e criar o imposto dos ricos, e rever o conceito de isenção.