Marcha “contra el fascismo y por la paz” en Venezuela

MULTITUDINARIA MANIFESTACION DE APOYO AL GOBIERNO DE NICOLAS MADURO Y DE REPUDIO A LA VIOLENCIA CALLEJERA

 

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El presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, acusó ayer al ex mandatario colombiano Alvaro Uribe de financiar y dirigir los movimientos “fascistas” que buscan derrocarlo. En una marcha convocada por el oficialismo “contra el fascismo y a favor de la paz”, Maduro dijo que los recientes hechos de violencia en Caracas fueron provocados por los grupos de oposición que intentan hacer caer su gobierno e instaurar la violencia en el país. Dijo que Uribe, a quien calificó como un enemigo de Venezuela, está detrás de los grupos financiando y dirigiendo estos movimientos. Maduro agregó que se pretendía, a través del canal colombiano NTN24, promover un intento de golpe de Estado en Venezuela, al transmitir en vivo los incidentes de la marcha opositora del miércoles en la capital, que terminó con tres muertos y 66 heridos.

“Pretendían, a través de un canal de televisión antivenezolano, hacer lo mismo que hicieron el 11 de abril de 2002 (cuando el fallecido presidente Hugo Chávez fue sacado del poder) y comenzar a generar zozobra, miedo y odio en Venezuela”, señaló. Indicó además que con las imágenes se pretendía llevar al país a un escenario de desestabilización que justificara un golpe de Estado. El canal fue sacado de la programación de la televisión por cable en todo territorio venezolano. “Decidí sacarlo. Que se vaya con su veneno al diablo. A Venezuela no lo van a venir a desestabilizar, a llenar de violencia un canal antivenezolano, antibolivariano, fascistoide, que se vaya con su fascismo al carajo y deje tranquilo al pueblo”, apuntó.

Maduro dijo que con la marcha oficialista se buscaba repudiar las acciones de violencia que la oposición generó, convocando públicamente a lo que calificó como fórmulas inconstitucionales para derrocar al gobierno legítimo que preside. Al responder a algunas voces opositoras, el presidente recalcó que no piensa renunciar “ni un milímetro” a su posición: “nadie me sacará del camino de construir la revolución bolivariana que nos dejó el comandante Chávez y construir el socialismo como futuro de paz y amor”.

Asimismo, recalcó su acusación contra el dirigente opositor Leopoldo López de haber instigado el brote de violencia y de huir cobardemente. “Entrégate cobarde”, repitió, al referirse a la orden de arresto contra López por cargos de terrorismo y asociación para el delito.

En la jornada, simpatizantes del gobierno marcharon en Caracas en repudio a los grupos “fascistas”, a quienes acusan de intentar una conspiración. La manifestación de varios miles de personas y que estuvo acompañada por actividades deportivas y musicales avanzó hacia la céntrica avenida Bolívar, donde recibió el apoyo de dirigentes del oficialismo y miembros del gabinete de Maduro.

La manifestación oficialista salió de la Plaza Venezuela, en el este de la ciudad, donde se vieron carteles de apoyo al gobierno y de repudio a dirigentes de la oposición, entre ellos a López. A la vez, el ministro de Educación Universitaria, Ricardo Menéndez, acompañó la marcha y aseguró que el antichavismo intenta una escalada de violencia y que en ese esfuerzo manipula la nobleza que puede haber en el movimiento estudiantil de sectores disidentes. “Están utilizando el foquismo como expresión de quienes no tienen fuerza para hacer grandes manifestaciones. Buscan detenidos”, alegó.

Por su lado, estudiantes universitarios se congregaron en la plaza Alfredo Sadel, en el este de la ciudad, para insistir en pedir la liberación de sus compañeros detenidos tras los incidentes del miércoles en la Fiscalía General, que dejó tres muertos y 66 heridos. El portavoz de los universitarios, Juan Requesens, señaló que el movimiento estudiantil no descansa y que seguirá en la calle luchando por su futuro. Los estudiantes realizaron la concentración en homenaje a las víctimas de la protesta del miércoles.

Maduro acusó a los responsables de la marcha por los hechos, tras el ataque a la sede de la Fiscalía General, afirmando que la oposición puso en marcha un golpe de Estado. La alianza opositora Mesa de Unidad Democrática (MUD) se deslindó de los hechos y exhortó a Maduro a dejar de denunciar un golpe de Estado sin mostrar pruebas. La coalición opositora dijo además que el gobierno debe desarmar a los grupos radicales afines al gobierno, llamados colectivos, que actuaron después de la marcha, en medio de un cordón policial alrededor de la Fiscalía. (Página 12, Argentina)

“O sentimento que está no coração do jovem é de tempos melhores. E boa parte deles, por mídias sociais, se movimentaram. E foram às ruas”

O NOVO CARDEAL BRASILEIRO, NOMEADO PELO PAPA FRANCISCO, VÊ PARALELOS NA POPULAÇÃO QUE SE MANIFESTA NAS RUAS E NA NOVA POSTURA DA IGREJA, DE TRATAR DE TEMAS QUE ANTES NÃO VINHAM A PÚBLICO

O cardeal Dom Orani João Tempesta. / RAFAEL FABRES
O cardeal Dom Orani João Tempesta. / RAFAEL FABRES

UMA GRANDE MAIORIA SE MANTEVE SILENCIOSA SE MANTEVE SILENCIOSA POR MUITO TEMPO

por Carla Jiménez/ El País/ Espanha

Dom Orani João Tempesta, o novo cardeal do Rio de Janeiro, nomeado pelo papa Francisco no dia 12 de janeiro passado, começou a entrevista para o EL PAÍS, fazendo uma confissão. Ele ainda não conseguiu abrir as correspondências que chegaram de Roma nos últimos dias, portanto desconhece a pauta que será tratada na reunião do consistório, no próximo dia 22. Na ocasião, ele deve estar com o Papa, para a nomeação de outros cardeais.
Natural de São José do Rio Pardo, cidade no interior de São Paulo, dom Orani, de 63 anos, tem a responsabilidade de suceder Dom Eugênio Salles, falecido há dois anos, uma das lideranças mais importantes do país, que teve forte atuação na defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). O lado altruísta de Salles, porém, guardava nuances conservadoras, mais dogmático para com a Igreja.
“Cada época tem suas bandeiras, suas necessidades”, diz Dom Orani, que foi das comunidades eclesiais de base, e capitaneou a organização da Jornada da Juventude, no ano passado, em meio aos protestos de junho. “Uma grande maioria se manteve silenciosa por muito tempo”, disse ele, no sexto andar da sede de arquidiocese do Rio, no bairro da Glória.

 

***

Pergunta. O Papa tem falado muito sobre a corrupção. Isso pode influenciar algumas posturas da Igreja, especificamente do Brasil, em temas como a corrupção na política, por exemplo?

Resposta. Ele tem trabalhado, primeiro, pelo lado interno da Igreja no sentido de reorganizar o Vaticano, e também tem assumido posições muito claras em relação ao mundo de hoje, como a economia, capitalismo, riqueza, pobreza, fome. E desvios, tem colocado isso com muita clareza, chamando o mundo a mudar de posição, e pensar diferente. Além de líder da Igreja, ele acaba tendo liderança mundial.

P. O Brasil está num momento de bastante tensão, num ano eleitoral. Começamos com mensalão do PT, e agora, o de Minas Gerais. Qual é a sua avaliação sobre este momento?

R. Aquilo que faz parte dos bens comuns, os bens do povo, devem ser aplicados para que exista uma vida mais justa. Então essa diferença social enorme, que ainda é muito grande, clama aos céus, e deveríamos fazer de tudo para que aquelas pessoas que não têm uma habitação, alimentação, escolaridade, com dignidade, possam ter. E muitas vezes isso não acontece em função de desvios e situações assim. Essas questão devem ser apuradas, e reencaminhadas. Agora, não podemos ser tão ingênuos. Sabemos que há forças políticas das mais variadas, e em ano de eleições, há situações concretas, outras são criadas. Criar uma reforma política, seria um sonho de um país latino-americano.

P. Como seria essa reforma política?

R. Um caminho para ter mais transparência. Conforme vai passando, e se tomando consciência, do que é o pais, a gente vê que certos tipos de reformas são necessárias. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem uma proposta, aprofundada, para colaborar nesse pensamento. Precisamos lutar para que social, culturalmente, este país possa dar passos nesse sentido. Lamentar o que esteja ruim, mas ver os desafios novos. Cada geração tem de ter a responsabilidade e tentar fazer sua parte.

P. A geração anterior dos representantes da Igreja no Brasil foi muito clara no apoio à redemocratização deste país. Quais são as bandeiras desta nova geração, da qual o senhor faz parte?

R. Cada época tem suas bandeiras, suas necessidades. Temos de ter princípios para nos nortear, e aplicá-los, para que as pessoas vivam com qualidade, no lazer, transporte, educação, tudo que faz parte do ser humano. Sei, porém, que existe outra questão, que não depende de lei nem decreto. Que é o coração humano, que tem muita violência. As pessoas não vivem bem e acabam cometendo barbaridades com o outro. Temos de anunciar, mesmo para quem não tem fé e religião, que fazer o bem ao outro é uma coisa boa. Isso não é tão simples, num mundo cheio de egoísmo. Isso extrapola Governo, leis, mas creio também que é um sonho, propor sempre um upgrade.

P. Esses jovens que estão na rua, que saíram em junho, estão ávidos por alguma coisa. O que o senhor enxerga no coração deles?

R. É uma insatisfação com relação a alguns assuntos. Não apenas um aspecto, é um movimento multifacetado, mas que numa parte demonstra insatisfação com representantes, com conchavos políticos que não resolvem os problemas da condução do país. E na fronteira disso, há também aproveitadores, um certo anarquismo, que não respeita o bem do povo. Se eu quero o bem do outro, não vou destruir minha cidade. Mas, ainda estamos dentro de toda essa manifestação, não é fácil enxergar de dentro, mas se percebe um desejo de que as coisas mudem, e que sejam melhor utilizadas.

P. Não existe aqui uma massa mais bem intencionada do que mal intencionada?

R. Difícil equacionar quantias. Às vezes a minoria fala mais alto que a maioria. Mas não há dúvida, o sentimento que está no coração do jovem, é de tempos melhores. E boa parte deles, por mídias sociais, se movimentaram. E foram às ruas. Creio que os grupos menores que fazem barulho, podem aparecer mais, que são o foco do noticiário. Mas não tenho como quantificar. A insatisfação mundial é muito grande.

P. É legítima?

R. É claro, o Papa tem colocado, as pessoas têm que se manifestar, colocar sua opinião.

P. Ele usou a frase “Não gosto dos jovens que não saem de casa”. O senhor concorda com ele?

R. Exatamente, é necessário que digamos as coisas, que falemos. E cada um com a sua consciência. Tivemos uma grande maioria que foi por muito tempo silenciosa, nunca expôs suas opiniões. Reclamava, mas de outro jeito. Hoje as pessoas amadurecem mais rapidamente, a mídia leva mais conhecimento, mais notícias – elas tomam consciência com mais rapidez. Hoje, é claro, já tem outro nível de cultura, próprio dos tempos que mudam. (Transcrevi trechos. Leia mais)

 

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As populações excluídas das festas oficiais de rua patrocinadas pela mordomia dos prefeitos e governadores

A vida luxuosa das autoridades brasileiras precisa ser investigada. As mordomias são perdulárias, escandalosas e imorais. Acontece de tudo em um camarote do prefeito, do governador, em noites alegres, regadas a uísque importado, nas festas natalinas, de réveillon, de carnaval, de carnaval fora de época, de santo padroeiro e shows das cantoras de tv e artistas internacionais. Tudo pago, com verbas públicas de diferentes origens: turismo, cultura e casa civil. Ou bancadas por empresas.

Nas festas do povo, os camarotes das autoridades, dos empresários e industriais constituem uma ostentação, um afastamento das multidões. Os camarotes são construídos nas alturas com todo os serviços de uma suíte presidencial em um motel de cinco estrelas das elites depravadas, racistas, que têm nojo do cheiro do povo.

No Brasil, começou com as festas dos colonos. Foi assim que nasceu o termo forró (for all). Festa para todos, e uma festa exclusiva para os estrangeiros e as elites nativas.

Os camarotes são fortins defendidos  por policias, empresas de segurança, leões de chácara que evitam a entrada da ralé.

Esta separação nas festas demonstra que vigora um sistema de castas de sangue e dos altos poderes, uma exclusão baseada no cargo, na profissão, no dinheiro.  Um estilo de vida que inclui um status ritual numa hierarquia, exclusões sociais que determinam inclusive a arquitetura das cidades, as leis, as benesses estatais, que nada se faz que preste para o povo. Veja que este sistema de divisão vai passar a vigorar nos camarotes construídos nos novos coliseus/estádios da Copa do Mundo.

O Carnaval sempre foi, na história da humanidade, uma catarse, uma inversão, por uma dia, ou três dias, quando todos são iguais, com a entrega do mando para o Rei Momo. O que não acontece nos camarotes.

A única inversão possível é que um camarote constitui um gueto fechado por dentro, um jardim dos vícios capitais, dos dias “gordos” (mardi gras), do  “carnis valles”. A única coisa proibida: fotografar ou filmar.

CARNAVAL 2014 Defensoria Pública da Bahia entrou com Ação Civil Pública contra Camarote Salvador

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por André Luiz Rorigues/ Consultor Jurídico

A Defensoria Pública da União da Bahia entrou com Ação Civil Pública, pedindo o embargo e a supressão da estrutura já montada do Camarote Salvador, na área da Praça de Ondina, no final do circuito Dodô, famoso no carnaval baiano. A ação foi apresentada na sexta-feira (10/2). A entidade reclama de possíveis irregularidades no processo de licitação e no contrato, realizado ao final de 2010, entre a empresa Premium e a Superintendência de Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), autarquia municipal. As informações são do jornal A Tarde Online.

Segundo o defensor federal João Paulo Lordelo, “dos 9.837 m² licitados pela municipalidade, cerca de 65% da área são de propriedade da União, o que revela a manifesta incompetência administrativa da Sucom em licitar e o vício no objeto do certame”.

Ele conta que em fevereiro de 2011, a Secretaria de Patrimônio da União realizou vistoria no local e identificou a construção e a instalação de equipamentos em terrenos da União. A inspeção resultou em um auto de infração, que foi cancelado administrativamente dias depois. “A empresa requereu permissão de uso temporário da área da União irregularmente licitada, de forma que a SPU considerasse o terreno como se fosse de titularidade do município de Salvador. A SPU, sem realizar qualquer tipo de licitação, concedeu a permissão de uso para o Carnaval de 2011”.

A empresa pagou R$ 1 milhão à prefeitura de Salvador para erguer o camarote na praça e se comprometeu a realizar benfeitorias no local. A praça foi entregue em agosto de 2011, com novo calçamento, barracas e estruturas removíveis, de forma a facilitar a montagem do camarote pelo período de cinco anos firmados no acordo.

De acordo com a Secretaria, “há dois meses, um termo precário foi assinado entre a Sucom e a produtora autorizando o início da montagem do empreendimento para este ano. Novamente a SPU permitiu o uso do espaço da União para a instalação das estruturas durante os festejos, que já se iniciam na próxima quinta-feira (16). Os valores comercializados pelas camisas que dão direito a um dia de festa variam entre R$ 600 e R$ 1,5 mil reais, a depender do dia escolhido”.

Em nota, a KRP Relações Públicas, que representa a Premium Produções, alega que a Defensoria Pública da União da Bahia não tem “legitimidade” para propor ação civil pública com requerimento de liminar contra o funcionamento do camarote.

No último 14 de janeiro, cerca de mil manifestantes do movimento Desocupa Salvador promoveram uma manifestação em frente ao camarote para protestar contra o que chamam de privatização do espaço público. O ato foi realizado mesmo depois da juíza Lisbete Maria Almeida, da 7ª Vara da Fazenda Pública, conceder liminar a Premium Produções, Criações Artísticas e Eventos Ltda., proibindo a manifestação.

“Depois de sofrer ameaças de depredação da parte de líderes de um movimento cujo discurso é de violência, com o objetivo de assegurar a festa, que é da Bahia e do Brasil, o Camarote precisou recorrer à Justiça, que impediu sua a invasão. Faltando menos de cinco dias para a realização da maior festa popular do Mundo, o Camarote Salvador foi surpreendido com a tentativa de obstruir o evento. Os mesmos líderes que tentaram constranger o Camarote com uma invasão inexplicável requereram à Defensoria Pública da União que ajuizasse ação para frustrar o Carnaval”, disse a empresa na nota.

Leia abaixo a íntegra da nota:

O Camarote Salvador é um dos mais estruturados empreendimentos do Carnaval da Bahia, e é responsável por atrair para a festa, ano a ano, milhares de pessoas, divulgando o nosso Estado em todo o Mundo e contribuindo para o incremento de emprego e de renda em nossa terra. Em 2011, o Camarote Salvador venceu licitação pública para se fazer instalar num espaço até então degradado, onde proliferava o crime, no bairro de Ondina. Em razão dessa licitação, o Camarote Salvador não somente edificou uma praça para uso da população, com aparelhos modernos, de que outras praças não dispõem, mas também assumiu o pagamento de R$ 1.000.000,00 em favor do patrimônio público.

No total, somente nessa licitação pública, o Camarote Salvador arcou com cerca de R$ 3.000.000,00 para promover o Carnaval da Bahia. Ao mesmo tempo, procedendo dentro da legalidade estrita, com atenção e zelo ao interesse público, a Premium obteve da Superintendência do Patrimônio da União – SPU, órgão federal, permissão para uso da área de marinha para o Carnaval. Para tanto, já remunerou a União com aproximadamente R$ 250.000,00.

Depois de sofrer ameaças de depredação da parte de líderes de um movimento cujo discurso é de violência, com o objetivo de assegurar a festa, que é da Bahia e do Brasil, o Camarote precisou recorrer à Justiça, que impediu sua a invasão. Faltando menos de cinco dias para a realização da maior festa popular do Mundo, o Camarote Salvador foi surpreendido com a tentativa de obstruir o evento. Os mesmos líderes que tentaram constranger o Camarote com uma invasão inexplicável requereram à Defensoria Pública da União que ajuizasse ação para frustrar o Carnaval.

Contra as manifestações anteriores do Ministério Público da União, do Ministério Público do Estado, das instituições públicas responsáveis e da própria Defensoria Pública da União, o defensor João Paulo Lordelo decidiu, sem legitimidade para tanto, propor ação civil pública com requerimento de liminar contra a realização do Camarote e do Carnaval da Bahia.

O Camarote Salvador lamenta que, um dia apenas depois de encerrada a greve na segurança pública do Estado, por má intenção se queira trazer tumulto e incerteza contra os milhares de turistas que escolheram a Bahia como destino no Carnaval. Expressando a sua confiança no Poder Judiciário e nas instituições constituídas, o Camarote Salvador se associa às inúmeras manifestações da sociedade contra esta ação temerária, proposta com o intuito de depreciar, de violentar e de boicotar uma festa que é de todos.

P.S.: As interações sociais consuetundinárias e exclusão baseada em noções culturais de pureza e poluição, motivaram em uma mesma cidade vários polos de festas. Os camarotes do governador e do prefeito são armados no local destinado aos turistas. Nas festas mais afastadas nos bairros das periferias ou considerados da classe média baixa (que cruel classificação), o divertimento dos que reconhecem seu lugar: os negros, os bolsa-família, os favelados, os de sangue sujo, os zés-ninguém, os plebeus.

Importante assinalar que as festas populares mais autênticas, mais representativas da nossa Cultura, mas paradoxal que seja, são as que não entram nenhum dinheiro público.

Festas realizadas pelo povo, que mantém nossas tradições e, vivo, o nosso rico folclore.

“A praça é do povo, como o céu é do condor”. Castro Alves

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A praça é do povo. Do povo nas ruas. Do povo livre para reivindicar, protestar, e festejar suas conquistas. Um povo livre não recebe ordem unida.

O céu é do condor. O céu azul da liberdade. O vôo livre de pássaro no azul infinito. Jamais Operação Condor das ditaduras do Cone Sul. Nem o povo no espaço limitado pelos ditadores.

Manifestação na Alemanha de Hitler
Manifestação na Alemanha de Hitler ditador

estudantes disciplina não é educação

LEIA A POESIA DE CASTRO ALVES E VEJA O MOTIVO DOS DITADORES PRENDER OS POETAS

O POVO AO PODER

por Castro Alves

Quando nas praças s’eleva
Do Povo a sublime voz…
Um raio ilumina a treva
O Cristo assombra o algoz…

Que o gigante da calçada
De pé sobre a barrica
Desgrenhado, enorme, nu
Em Roma é catão ou Mário,

É Jesus sobre o Cálvario,
É Garibaldi ou Kosshut.

A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor!

Senhor!… pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua seu…
Ninguém vos rouba os castelos

Tendes palácios tão belos…
Deixai a terra ao Anteu.

Na tortura, na fogueira…
Nas tocas da inquisição
Chiava o ferro na carne
Porém gritava a aflição.
Pois bem…nest’hora poluta

Nós bebemos a cicuta
Sufocados no estertor;
Deixai-nos soltar um grito
Que topando no infinito

Talvez desperte o Senhor.

A palavra! Vós roubais-la
Aos lábios da multidão
Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.
Mas qu’infâmia! Ai, velha Roma,
Ai cidade de Vendoma,
Ai mundos de cem heróis,
Dizei, cidades de pedra,
Onde a liberdade medra
Do porvir aos arrebóis.

Dizei, quando a voz dos Gracos
Tapou a destra da lei?
Onde a toga tribunícia
Foi calcada aos pés do rei?
Fala, soberba Inglaterra,
Do sul ao teu pobre irmão;
Dos teus tribunos que é feito?
Tu guarda-os no largo peito
Não no lodo da prisão.
No entanto em sombras tremendas
Descansa extinta a nação
Fria e treda como o morto.
E vós, que sentis-lhes os pulso
Apenas tremer convulso
Nas extremas contorções…
Não deixais que o filho louco
Grite “oh! Mãe, descansa um pouco
Sobre os nossos corações”.

Mas embalde… Que o direito
Não é pasto de punhal.
Nem a patas de cavalos
Se faz um crime legal…
Ah! Não há muitos setembros,
Da plebe doem os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensangüentado
Diz: já não posso sofrer.

Pois bem! Nós que caminhamos
Do futuro para a luz,
Nós que o Calvário escalamos
Levando nos ombros a cruz,
Que do presente no escuro
Só temos fé no futuro,
Como alvorada do bem,
Como Laocoonte esmagado
Morreremos coroado
Erguendo os olhos além.

Irmão da terra da América,
Filhos do solo da cruz,
Erguei as frontes altivas,
Bebei torrentes de luz…
Ai! Soberba populaça,
Dos nossos velhos Catões,
Lançai um protesto, ó povo,
Protesto que o mundo novo
Manda aos tronos e às nações.

A EUGÊNIA CÂMARA

por Castro Alves

Ainda uma vez tu brilhas sobre o palco,
Ainda uma vez eu venho te saudar…
Também o povo vem rolando aplausos
Às tuas plantas mil troféus lançar…

Após a noite, que passou sombria,
A estrela-d’alva pelo céu rasgou…
Errante estrela, se lutaste um dia,
Vê como o povo o teu sofrer pagou…

Lutar!… que importa, se afinal venceste?
Chorar!… que importa, se lutaste um dia,
A tempestade se não rompe a estátua
Vê como o povo o teu sofrer pagou…

Lutar!… que importa, se afinal venceste?
Chorar!… que importa, se afinal sorris?
A tempestade se não rompe a estátua
Lava-lhe os pés e a triunfal cerviz.

Ouves o aplauso deste povo imenso
Lava, que irrompe do pop’lar vulcão?
É o bronze rubro, que ao fundir dos bustos
Referve ardente do porvir na mão.

O povo… o povo… é um juiz severo,
Maldiz as trevas, abençoa a luz…
Sentiu teu gênio e rebramiu soberbo:
– P’ra ti altares, não do poste a cruz.

Que queres? Ouve! – são mil palmas férvidas,
Olha! – é o delírio, que prorrompe audaz.
Pisa! – são flores, que tu tens às plantas,
Toca na fronte – coroada estás.

Descansa pois, como o condor nos Andes,
Pairando altivo sobre a terra e mar,
Poisa nas nuvens p’ra arrogante em breve
Distante… longe… mais além de voar.

Recife, 1864

Se a intenção é um golpe militar, não sabemos

por Luis Fernando Mifô

manipulação persuasão mídia imprensa pensamento opinião

 

 

Alguns dos maiores trunfos de um cidadão para evitar que ele seja manipulado são a consciência, o senso crítico, a informação e o cuidado na hora de absorvê-la. O que quero dizer com isso? Bem, é fato que muitas das pessoas que estão participando das manifestações desde que elas começaram há mais de uma semana, inclusive as que participaram ontem em Cajazeiras-PB, não têm uma exata noção de por que estavam ali, o que está realmente acontecendo nesse momento no Brasil, quais as vantagens dessa mobilização e quais os perigos que ela anuncia, pelo que exatamente estamos lutando e de que maneira devemos lutar. E é aqui que se apresentam os riscos. Mobilizações populares aleatórias, indefinidas, inconsequentes, sem pautas organizadas, sem unidade, é um prato cheio para golpes de todas as espécies, golpes midiáticos, golpes políticos e, o pior deles, golpes militares. Um alienado que fica em casa com a bunda no sofá achando que está tudo bem enquanto assiste ao jogo da seleção, não é tão diferente do sujeito que vai para a manifestação apenas pelo ôba-ôba, para pintar a cara e desfilar com cartazes. Estar bem informado e consciente é importante para saber que rumos a mobilização está tomando e, consequentemente, que rumos o país pode tomar por causa dela. Além disso, ajuda a identificar os infiltrados. O papel desses tais infiltrados é estabelecer a desordem no movimento. Para isso eles estampam suas bandeiras partidárias, alguns promovem quebra-quebras e vandalismos. Para isso eles confundem as informações. Criam movimentos falsos e fascistas. Desviam a rota da caminhada. Dividem a massa em outros grupos. A intenção dessas e outras ações é promover um certo caos, que se tomar proporções insustentáveis, abre as portas para uma Direita que, historicamente, usa sempre a mesma justificativa para armar um golpe: restabelecer a ordem.

Tem muita gente, inclusive eu, temeroso de que essa violência que tomou conta das manifestações, promovida por grupos menores, é verdade, esteja sendo articulada por forças superiores. Se a intenção é um golpe militar, não sabemos. Se isso pode acontecer novamente no Brasil, em pleno século 21, vai saber! Seja o que for, nossa preocupação agora (que eu posso chamar, em termos gerais, de próximo passo) é nos tornar cada vez mais cidadãos politizados para compreendermos melhor as articulações da Esquerda e da Direita e saber como podemos rechaçar possíveis tentativas de golpes, seja qual for a espécie. Vamos além. Nos tornemos cidadãos mais politizados para cobrar com razão e conhecimento de causa nossos direitos, para reivindicar nossos deveres e os deveres dos políticos que elegemos, para sabermos se e onde estão aplicando os impostos que pagamos, para cobrarmos nosso troco. A corrupção da classe política, da mídia e o empobrecimento da nossa cultura só chegou a esse ponto que vivenciamos hoje porque nós permitimos. Nós, durante décadas alienados em nossos sofás, gritando gol, rebolando a bunda, lendo a Veja, a Capricho, ouvindo toda sorte de merdas nas emissoras de rádios e iPods da vida, vendo toda sorte de bostas na TV, donas das nossas salas, burgueses ou não. (Transcrevi trechos)

 não ao golpe

Políticas de “caixão à cova”

por João Reis

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Conheço uma série de pessoas que têm medo. Têm medo de se comprometer. Umas porque não se revêem em determinado tipo de manifestações, outras porque preferem estar caladas e ver o que acontece, outras ainda porque encontram forma ou formas mais singulares e solitárias de manifestar o seu desagrado. Mas tudo isto somado é ainda muito pouco para entender esse medo. O comprometimento não configura nenhuma espécie de coragem participativa, nem nenhuma obsessão pelo insulto, nem tão pouco o desrespeito pela opinião dos outros. Haverá ainda muitos portugueses que não acordaram para uma espécie de morte anunciada da Europa e do país. Uns porque não acordaram mesmo e os outros porque sendo muito cépticos não acreditam em cenários alternativos e credíveis ao rumo que estamos a tomar. Em Itália, o cenário pós-eleições revelou o descrédito dos cidadãos em relação à classe política em geral e às suas políticas em particular. Como dizia um amigo meu, economista silencioso, políticas de “caixão à cova”. Não se pense contudo que o cenário em Itália pode anunciar algo de profundamente esperançoso. Não. Pode aliás, e até, anunciar a catástrofe, a catástrofe que há-de vir. Uma das coisas maravilhosas da manifestação de 15 de Setembro, foi a transversalidade social e política que a caracterizou. Parecia que afinal nem andávamos a dormir e tínhamos todos (ou quase todos ) vontade própria e sentido de indignação e repulsa pelas políticas que antecipadamente nos empurram para a “cova”. Isto ( e o isto aqui é muito grande) tem mesmo de acabar, tem mesmo de mudar. Mas não se pense que o que queremos ver transformado em mudança há-de acontecer por inspiração divina ou por acervo crítico em conversas de café. O que queremos mudar exige comprometimento e responsabilidade.Exige que possamos falar e dizer basta, na rua, livres de preconceitos! Porque o medo come a alma.

Portugal. Manifestantes contra visita de Merkel

Os manifestantes que estão em frente ao Centro Cultural de Belém.

Os ânimos estão exaltados e os agentes tentam conter os manifestantes.

Foi queimada pelos manifestantes uma boneca da chanceler alemã Angela Merkel.

Os manifestantes exibem bandeiras, cartazes e faixas da CGTP e com palavras de ordem contra a ‘troika’ da ajuda externa e contra Ângela Merkel, que hoje visita oficialmente Portugal.

São ainda visíveis cartazes a apelar à greve geral de quarta-feira, também convocada pela CGTP.

Entre os manifestantes há um grupo de trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) vestidos com t-shirts pretas onde de lê “ENVC – Privatização = Morte”.

A base da estátua de Luís de Camões está envolta com uma faixa preta onde se lê: “Nem Merkel nem Troikas” e “Não à exploração contra a Globalização”.

A concentração estava agendada para começar às 15:00, estando prevista uma marcha até São Bento.

A chanceler alemã está hoje em Lisboa para uma visita oficial de cinco horas, que inclui reuniões com o Presidente da República, com o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros e com empresários dos dois países.

Esta é a primeira vez que a chefe do Governo da Alemanha visita oficialmente Portugal e a deslocação acontece num momento em que internamente cresce a contestação ao programa assinado com a ‘troika’, estando previstas duas manifestações anti-Merkel em Lisboa.