Os verdadeiros rostos do terrorismo em África

por Komla Kpogli

VIROU PROPAGANDA DA GUERRA NO MALI
VIROU PROPAGANDA DA GUERRA NO MALI

Dizem-nos agora que o terrorismo ameaça a África e que em nome da luta contra o mesmo trava-se actualmente uma “guerra humanitária” no Mali. Examinemos o que é realmente o terrorismo sob os trópicos.

Após quatro séculos de razzias negreiras transatlânticas e árabo-muçulmanas e mais de um século de colonização, as populações africanas entraram em luta pela sua libertação. Mas estas lutas foram curto-circuitadas e os seus condutores logo assassinados e substituídos por fantoches sanguinários cuja única missão é confirmar a manutenção do continente na órbita daqueles que investiram para privá-lo de todos os seus recursos – a começar pelos recursos humanos que, depois terem servido nos campos de algodão, nas minas, nos estaleiros de obras longe da África, devem continuar a trabalhar para o seu bem-estar agora no próprio continente. Sob o controle de vigilantes vestidos com fato e gravata, tal como o mestre.

Infelizes os povos governados por escravos seleccionados e libertos para as necessidades da causa pelos mestres que os vestem à sua imagem, criando nestes “vigilantes” a ilusão de que se tornaram seus iguais. O poder do terror que o mestre atribuiu a estes contramestres revela-se tão destruidor que certos africanos não vacilam em lamentar abertamente a substituição do colono de olhos azuis por aqueles que, pela cor da pele, pareciam serem seus irmãos. Juventude remetida ao exílio pelo Mediterrâneo onde, se não for abatida pelos tiros dos guarda-fronteiras do Frontex , é devorada por tubarões, predação, avidez, desprezo para com as populações, violência incessante, destruição metódica de toda ideia voltada para o endógeno… eis alguns dos métodos de governo dos sátrapas.

Aqui está um breve resumo do terrorismo de alguns dentre eles. O leitor nos desculpará não termos mencionado todos. É por falta de espaço e nenhuma outra razão. Assim, o leitor é convidado a completar a lista, mesmo a enumerar os crimes que não puderam ser mencionados aqui.

1. Gnassingbé 1º + Gnassingbé 2º: 50 anos no poder no Togo, pelo menos 50 mil mortos directos por violências militar-policiais. Assassinato de Sylvanuys Olympio e a seguir o retorno do Togo ao regaço da França, pelo menos 100 mil togoleses mortos de diversas maneiras (crimes económicos, manutenção do Franco CFS, cooperação suicida, ausência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida…). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

2. Bongo 1º + Bongo 2º: 46 anos no poder no Gabão, pelo menos 20 mil mortos directos, pelo menos um milhão de africanos no Gabão mortos de diversos modos (financiamento de partidos políticos em França, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, ausência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida…). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

3. Paul Mvondo Biya : no poder nos Camarões desde há 31 anos, no mínimo 40 mil mortos directos, pelo menos um milhão de africanos do território dos Camarões mortos de diversas maneiras (crimes económicos, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida…). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

4. Blaise Compaoré: Assassino de Thomas Sankara , de Norbert Zongo e seus companheiros, no poder desde há 26 anos, pelo menos 15 mil mortos directos, no mínimo um milhão de africanos do Burkina Faso mortos de diversas maneiras (crimes económicos, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida…). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

5. Denis Sassou Nguesso (República do Congo): criminoso reincidente que totaliza 29 anos no poder, pelo menos 100 mil mortos directos por violências militares e policiais, saqueadores profissionais de fundos públicos com a sua família e clientes, pelo menos um milhão de africanos mortos de diversas maneiras (crimes económicos, manutenção do Franco CFA, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida…). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

6. Omar Guelleh: no poder no Djibuti desde há 14 anos, mesmos crimes que os terroristas antecedentes.

7. Idriss Deby: no poder no Tchad desde há 23 anos, mesmos crimes que os antecedentes.

8. Alassane Dramane Ouattara (Costa do Marfim): no poder desde há um ano, criminoso com o FMI onde dirigiu directamente o Planos de Ajustamento Estruturais. Chegou à presidência transportado nos carros de combate e bombardeiros franceses, acompanhados de terroristas dirigidos por Guillaume Soro desde há 10 anos, pelo menos 30 mil mortos directos, no mínimo 50 milhões de africanos mortos via FMI e Banco Mundial a quem Ouattara serviu + crimes económicos, manutenção do Franco CFS, cooperação suicida, inexistência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida…). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

Etc, etc. Todos estes terroristas beneficiam do apoio logístico, intelectual e mediático da França, bem como de outros “Amigos da África” que não hesitam em combater directamente nas suas costas contra os africanos que actualmente “salvam” no Mali do terrorismo que corta mãos e pés. Quem libertará os africanos dos terroristas?

18/Janeilro/2013

Ver também:

ESCRAVIZADA ÁFRICA
ESCRAVIZADA ÁFRICA

Não são “islâmicos”

por Mauro Malin

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O grau de desconhecimento do chamado Ocidente sobre os conflitos no norte do Mali se reflete na hesitação da imprensa ao denominar as forças que agora são combatidas por militares franceses.

Os fenômenos sociopolíticos nessas áreas sulinas do Deserto do Saara são tão intrincados e remotos que a imprensa, e mesmo especialistas, têm dificuldade para descrevê-los. Isso é compreensível. Mas não o é a simplificação preconceituosa que leva praticamente toda a mídia jornalística a usar o adjetivo “islâmicos”, acompanhado ou não de outro adjetivo – por exemplo “radicais” –, para denominar esses guerrilheiros e terroristas.

A imprensa joga assim água no moinho dos jihadistas, ou, mais precisamente, combatentes ligados à al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) ou a qualquer outro dos grupos que se haviam coligado para lançar em 2012 a primeira ofensiva no norte do Mali. A saber: a dissidência do AQMI chamada Mujao – Movimento pela Unidade e o Jihad na África do Oeste; o grupo salafista tuaregue Ansar Dine, “defensores da fé”; e o também tuaregue MNLA, Movimento Nacional de Libertação de Azauade, área de confluência do Saara com a região do Sahel.

Lenha na fogueira

Os islamitas adeptos da luta armada e do terrorismo usam a bandeira do insulto que é feito a todos os islamitas. Em dezembro, o londrino The Independent publicou declaração de um “veterano líder islâmico” segundo a qual o povo dos Estados Unidos é “contra o Islã”.

“Jihadistas” nem sequer é denominação aceita consensualmente pela cultura muçulmana como designação de guerrilheiros ou terroristas. Talvez menos preconceituosa, certamente quando comparada a islâmicos, ou islamitas (islamistas, na versão de Portugal), muçulmanos, maometanos etc.

A denominação só revela a dificuldade de descrever o objeto e não faz o menor sentido quando se sabe que em toda a parte setentrional da África, imprecisamente segundo uma linha que vai de Monróvia, capital da Libéria, até Adis-Abeba, capital da Etiópia, predomina amplamente a religião muçulmana.

A denominação neutra (combatentes, insurgentes, rebeldes) não traduz preconceito. Mais preciso é usar o nome específico: militantes da AQMI, terroristas da al-Qaeda etc.

Eis uma amostra de designações encontradas no fim de semana de 19-20/1 em jornais e revistas:

>> O Globo –Radicais islâmicos, rebeldes.

>> O Estado de S. Paulo – Militantes islamitas, combatentes islâmicos, militantes da AQMI, islamitas, insurgentes, grupos islâmicos, insurgentes islâmicos, fundamentalistas islâmicos.

>> >> Folha de S. Paulo –Islamitas, militantes islamitas, grupo islamita, grupo terrorista, militantes do grupo terrorista “Signatários por Sangue”, terroristas.

>> Veja – Fundamentalistas, tuaregues, terroristas islâmicos, mercenários (uma parte dos rebelados), indivíduos adoráveis, bando, rebeldes, força terrorista, islâmicos (“islâmicos e demais facínoras”), terroristas, praga fundamentalista, terroristas islâmicos, terroristas da al-Qaeda, grupos islâmicos, cão cérbero.

>> Valor (21/1) – Militantes islâmicos ligados à Al Qaeda.

>> Época – Radicais islâmicos, grupos terroristas islâmicos, militantes, combatentes, insurgentes, terroristas próximos ao grupo AQMI, fundamentalistas, islamistas, movimento tuaregue por independência do norte malinês, discípulos salafistas africanos, grupos radicais, extremistas, grupos islâmicos, militantes, grupos extremistas, extremistas, forças fundamentalistas.

>> Associated Press – AQIM (AQMI)

>> The Economist – Incursão islamita, coluna rebelde, grupos islamitas, jihadistas.

>> El País – Rebeldes tuaregues, rebeldes islamistas, grupos islamistas, radicais islamistas.

Mesquita em São Paulo
Mesquita em São Paulo

Um mínimo de informação

A questão de fundo é a vasta ignorância que preside todo esse noticiário. Um mínimo de informações deveria ser passado aos leitores. (A ignorância não é atributo dos jornalistas. É ampla, geral e irrestrita. E inevitável, dadas as características geográficas, históricas e sociais da região. Ver “Guns, cigarettes & Salafi dreams: the roots of AQIM“, de Andy Morgan.)

O Mali é uma construção artificial da França, antiga potência colonial (ver no mapa as fronteiras oeste-centro, centro-norte e norte-leste, todas imensas linhas retas).

O governo militar nacionalista da Argélia transformou em sangrenta guerra civil uma vitória eleitoral de partido religioso islâmico em 1991.

Os tuaregues são um povo berbere (hoje, em torno de 1,5 milhão de pessoas, segundo o El País) que estabeleceu rotas comerciais transaarianas quando camelos foram domesticados. Tornaram-se nômades quando foram deslocados do sul do Mediterrâneo por tribos de invasores árabes nômades saídos do Oriente Médio ou da Península Arábica.

Os tuaregues são divididos em tribos e confederações de tribos. Em sua descida rumo ao centro do continente, houve mesclas étnicas com negros. A descolonização fez com que suas terras ficassem repartidas entre Mali, Argélia, Níger, Líbia, Chade, Burquina Faso e Nigéria. Durante séculos, transportaram cativos negros para senhores árabes. O ressentimento das populações negras não foi superado.

Mesquita em Lages, Santa Catarina
Mesquita em Lages, Santa Catarina

Sobre la intervención del imperialismo francés en Malí

 

Corrent Roig
Robert García
Robert García

 

Desde el 11 de enero Malí está bajo intervención francesa, con el apoyo del Consejo de Seguridad de la ONU y la colaboración (aunque no como Francia quisiera) de las prin cipales potencias imperialistas.

La justificación del presidente “socialista” Hollande es el “combate al terrorismo”. Es la misma excusa de los EEUU para invadir y ocupar Afganistán. Pero la intervención imperialista francesa no tiene otro objetivo que mantener el control sobre su ex-colonia e impedir que el pueblo tuareg , que lucha por su autodeterminación, consolide los avances que conquistó luchando.

Con extrema arrogancia, el gobierno francés habla de impedir que se instale la “barbarie” salafista, ¡como si las bombas de sus aviones sobre las ciudades, que caen sobre la población civil, no fueran la expresión de la barbarie imperialista!. No será la intervención del imperialismo francés, uno de los mayores responsables de la pobreza extrema de Africa, la que libere al continente del hambre y el retraso secular. Si las intervenciones imperialistas fueran garantía del progreso, África sería muy próspera.

La excusa de la intervención, la lucha contra los “extremistas islámicos”, es la tapadera para mantener las fronteras imperialistas de Africa y para que las empresas francesas sigan controlando las materias primas de esta región. Es una guerra de agresión colonial en apoyo a un régimen títere cuyo objetivo es masacrar al pueblo tuareg.

¡Abajo la intervención imperialista francesa!

El imperialismo francés, encabezado por el gobierno “socialista”, justifica la intervención en “detener la amenaza terrorista”, pero su objetivo es garantizar la división de África como la fijaron hace más de un siglo los imperialistas, separando pueblos con las mismas tradiciones y lenguas en diferentes Estados para garantizar el saqueo imperialista .

La postura del Partido Comunista Francés (PCF) y el Parti de Gauche (PG) de Melenchon, las principales organizaciones del Front de Gauche (FdG), es lamentable: no han condenado la intervención y no han dicho nada sobre el legítimo derecho a la autodeterminación del pueblo Tuareg ni reconocido al MNLA. Sólo han matizado la intervención, diciendo que debería ser bajo la bandera de la ONU (PCF) o limitarse a “impedir” el avance rebelde a Bamako (FdG).

Es urgente desenmascarar la política imperialista francesa, emprender una campaña contra la intervención y desenmascarar la unión sagrada que, en nombre de los “derechos humanos”, perpetr ará una nueva matanza en África.

Malí. El por qué de la intervención imperialista de Francia

 

liberation.
Sinpermiso.info

En general, cuando el gobierno francés se ocupa de los malienses es para expulsarlos, ¿por qué, de repente, se transforma en defensor del pueblo de Malí? Para intentar responder a esta pregunta, es inevitable señalar las responsabilidades de Francia en la crisis de Mali.

Las responsabilidades de Francia en la crisis de Malí

La crisis de la deuda en los años 80 tuvo un impacto dramático en el continente africano. Para Malí en 1968, la deuda era de 55 mil millones de FCFA, pero en 2005 había alcanzado los 1.766 mil millones de FCFA. Los planes de ajuste estructural y las políticas de la Iniciativa de los Países Pobres Altamente Endeudados (PPAE) han tenido consecuencias desastrosas para Malí, que han dado lugar a la privatización masiva de las empresas de Malí en beneficio de multinacionales a la vanguardia de las cuales están las francesas. La distribución de energía eléctrica ha pasado al control de Bouygues, que está también presente en la mineria, como la mina de oro de Morila. La Compañía de Desarrollo Textil de Malí, que gestionaba el sector del algodón se ha vendido parcialmente a Dagris. Orange, a través de su filial Ikatel, se ha vuelto a hacer con la telefonía. La Oficina del Niger, que gestiona la tierra cultivable de la cuenca, se ha convertido en un promotor del acaparamiento de tierras. A esto se suma la presencia de multinacionales como Delmas, Bolloré con almacenes de 100.000 m para el almacenamiento de algodón. La segunda consecuencia es el debilitamiento de un Estado incapaz de cumplir con sus deberes sociales y de soberanía. Los servicios de salud y educación se están desmoronando, el ejército –como se ha visto- es totalmente incapaz. Esta tendencia es más pronunciada en el norte del país, que es la región más pobre.

Corrupción masiva

Al mismo tiempo, la clase política en Mali es especialmente corrupta. El entorno de Amadou Toumani Touré (ATT) y su clan han amasado millones de dólares mediante la corrupción y el tráfico ilegal, especialmente en el norte del país. El tráfico de todo tipo financia no sólo a los jihadistas, armados o no, sino también a la jerarquía militar de Malí y la clase política. Francia siempre ha apoyado a Amadou Toumani Touré, que aunque devolvió el poder a los civiles después del golpe de estado, se presentó y ganó las elecciones presidenciales de 2002-2007 y luego 2007 -2012, en unas elecciones cuya transparencia y limpieza fueron muy cuestionable. Como de costumbre, la diplomacia francesa ha tolerado y apoyado a ATT a pesar de conducir al país al abismo.

La política de Francia en la crisis de gestión Malí

La intervención de Francia en Malí se inscribe en una larga tradición de intervenciones. Desde la independencia de sus colonias africanas, Francia ha intervenido sesenta veces. La estrategia de Francia es mantener su influencia política y económica a través de un apoyo inquebrantable a varias dictaduras que a cambio promueven los intereses franceses. De esta manera, las multinacionales francesas tienen auténticos nichos de mercado en la industria alimentaria, logística, transporte, telefonía, además del saqueo de los recursos naturales, incluido el petróleo y el uranio.

Francia se opone a un proceso de transición política

Cuando la jerarquía militar ha querido enviar a los soldados malienses al frente, asegurándoles que las armas y municiones llegarían después, estalló una revuelta en el cuartel de Kati, situado a quince kilómetros de la capital, Bamako. Los rebeldes se dirigieron hacia el palacio presidencial, mal defendidos por algunos miembros de la guardia presidencial. ATT tuvo que huir. Los rebeldes tomaron el poder, anunciaron la creación de un consejo nacional. El golpe fue apoyado por las organizaciones de la izquierda radical, activista de la sociedad civil, y parte de los sindicatos que fundaron el Movimiento Popular 22 de Marzo. Esta organización tiene como objetivo ser el brazo político de los militares. La diplomacia francesa está en la misma línea que las potencias africanas de la región. El gran temor es que Malí se emancipe del orden neo-colonial establecido y harán cualquier cosa para restablecer al frente del país al vilipendiado ATT o a alguien de su séquito. La CEDEAO a decretado un bloqueo económico cuya eficacia se ha hecho sentir pronto debido al aislamiento del país. Se sabotean todos los esfuerzos de reforma política que respondan a las necesidades de las poblaciones y consiguen colocar al frente de Mali al Presidente de la Asamblea Nacional, que no tiene legitimidad ni popular ni constitucional. Peor aún, mientras que los yihadistas fortalecen su posición, la CEDEAO bloqueará en los puertos de Dakar y Conacry los envíos de armas que Malí ha comprado legalmente. Solo serán liberados cuando el gobierno de Mali firme la solicitud de asistencia militar exterior.

2.4 El lobby belicista

Francia hará un intenso cabildeo para que la comunidad internacional acepte el principio de intervención militar. Serán sus diplomáticos los que escriban la resolución de la ONU (…)

 

Malí, las consecuencias de un conflicto

lacroix.

Olga Rodríguez
Eldiario.es

“De la difícil situación de Malí emerge una terrible realidad que se repite en otros países en conflicto: la instrumentalización de la violencia contra las mujeres para justificar la injerencia y las guerras de codicia por las riquezas de sus países”. Con estas palabras comienza un manifiesto firmado el pasado mes de noviembre por numerosas personalidades malienses y feministas como Aminata Traoré.

“Nosotras, mujeres de Malí, tenemos un papel histórico que jugar aquí y ahora en la defensa de nuestros derechos humanos contra tres formas de fundamentalismo: el religioso, a través del islam radical, el económico, a través del omnipotente mercado y la democracia formal, corrupta y corruptora”, prosigue el texto, en el que se pide la defensa del “no a la guerra por poderes”, “para que el Consejo de Seguridad no apruebe una resolución que autorice el despliegue de miles de soldados en Malí”.

Finalmente, Francia ha terminado impulsando una intervención armada con el envío de tropas galas al país africano. Y la ONU ha dado el visto bueno al despliegue.

Los grupos islamistas 

La amenaza yihadista en Malí es un hecho. Testigos ya desplazados y refugiados en países vecinos han presenciado ejecuciones y amputaciones de manos por parte de los grupos armados islamistas, que están imponiendo en las áreas conquistadas normas estrictas de vestimenta y comportamiento a las mujeres, así como la prohibición de la música y la danza, profundamente arraigadas en la cultura maliense. Se habla también del uso de niños soldado en las filas de las milicias.

Tras la entrada de Francia en el conflicto, uno de los grupos que operan en Malí, Al Qaeda en el Magreb Islámico, ha protagonizado el secuestro de 685 argelinos y 107 extranjeros, occidentales la mayoría, en una planta de gas en Argelia de la compañía British Petroleum. En la operación de rescate han muerto 23 rehenes y 32 secuestradores.

Detrás de los fanatismos se esconden la pobreza, la discriminación, la opresión, la desigualdad, la miseria. Las intervenciones armadas extranjeras en busca de intereses ajenos a las poblaciones locales, el colonialismo, inventor de fronteras trazadas arbitrariamente con escuadra y cartabón, y el neocolonialismo también han contribuido a dar fuelle a los fundamentalismos.

Como decía esta semana el diario británico The Guardian en un editorial, Occidente ha jugado un importante papel en el fomento de “la brutalidad y las ideologías venenosas en el desierto”.

“Los fondos suministrados por Arabia Saudí – país respaldado por Occidente – han ayudado a extender el fundamentalismo violento (…). Y mientras que las intervenciones occidentales en la región han surgido por diversos motivos y han tenido efectos mixtos, una consecuencia no planeada de las mismas ha sido el redoble del riesgo yihadista”, indicaba The Guardian.

El líder de Al Qaeda en el Magreb Islámico, Mokhtar Belmokhtar, estuvo en Afganistán cuando Estados Unidos apoyaba a los muyahidines antisoviéticos, lo que contribuyó al surgimiento de los talibanes. Cuando Belmokhtar regresó a Argelia, luchó en la guerra civil desatada tras la suspensión de las elecciones que iban a dar la victoria a los islamistas, una anulación respaldada por potencias occidentales.

La intervención extranjera en 2011 en Libia creó un polvorín difícil de controlar en la región. El armamento que países como Qatar – o la propia Francia – entregaron a los rebeldes libios no se desintegró como por arte de magia. Se sabe cómo empieza una guerra, pero nunca cómo termina ni hacía qué territorios puede derivar.

Al reguero de armas introducidas en Libia se sumaron los arsenales del Ejército de Gadafi, que pasaron a nuevas manos. Las redes de contrabando y los propios combatientes trasladaron armas al Sahel, un enclave donde desde hacía años operaban diversos grupos contrarios a los gobiernos de países como Malí.

Con los nuevos arsenales de armas y frente a un Ejército maliense débil y desorganizado, varios grupos armados contrarios al gobierno central, tanto islamistas como laicos, ganaron posiciones en Malí.

En marzo de 2012 un capitán del Ejército, entrenado por Estados Unidos, dio un golpe de Estado que justificó apelando a la necesidad de combatir a las milicias armadas y de crear un Ejército fuerte y capaz. El caos político tras el golpe de Estado sirvió para que los combatientes -y en especial el salafista Ansar al-Din– avanzaran hacia el sur.

El Movimiento para la Liberación de Azawad, milicia armada integrada por tuaregs separatistas, proclamó la independencia del norte de Malí, la zona más abandonada por el Estado central. Posteriormente, los islamistas se enfrentaron a este grupo laico y se impusieron en el bando rebelde.

Suelo rico, población pobre 

Malí es el tercer productor de oro del mundo. Además de otros minerales, tiene depósitos de uranio en el área de Falea, situada en el suroeste del país, donde realiza exploraciones la compañía canadiense Rockgate. La población local lleva tiempo expresando su oposición a la explotación del uranio y su temor a las repercusiones que esta tendría en el medio ambiente. Recientemente se han descubierto además importantes reservas de petróleo, en la cuenca sedimentaria más grande del África Occidental.

El país africano comparte frontera con otra ex colonia francesa, Níger, uno de los mayores productores y exportadores de uranio. Allí tienen negocios la multinacional pública francesa Areva, que lleva cuarenta años operando en el país.

A través de dos grandes empresas participadas por el propio país africano, por Francia y también por Japón y España -esta última a través de la empresa Enusa, con el 10%-, Areva explota dos minas de uranio en el desierto de Níger. Además, está previsto que en breve inicie la explotación de las minas de Imouraren, lo que convertirá a Níger en el segundo productor de uranio del planeta.

En Níger se han registrado varios secuestros de ciudadanos occidentales. En 2010, Al Qaeda en el Magreb Islámico secuestró en el pueblo minero de Arlit a siete trabajadores de la compañía francesa Areva y los trasladó a Malí, donde cuatro permanecen aún secuestrados.

Tanto Níger como Malí se encuentran en la lista de los países más pobres del mundo. En 2012 el gobierno de Níger criticó a Areva por su “desequilibrada” relación y llegó a cuestionar los acuerdos de explotación de uranio, “de cuyos beneficios Níger solo recibe el 5% del presupuesto nacional”.

El uranio de Níger representa entre el 30 y el 40% de las importaciones de Francia, que posee 58 generadores nucleares. Dos tercios de la energía francesa es nuclear.

El conflicto abierto en el norte de Malí, con el avance de diversos grupos hacia la capital y la intervención militar extranjera genera sin duda inestabilidad en el vecino Níger, que ya ha acogido a decenas de miles de refugiados malienses.

Solo en 2012 unas 200.000 personas se vieron obligadas a abandonar sus casas y a desplazarse dentro de Malí. Otros 144.500 malienses huyeron a países vecinos a causa de la inestabilidad.

“Francia no tiene ningún interés económico o político en Mali, defendemos la paz”, ha afirmado el presidente de Francia, Francois Hollande.

París ha explicado que su presencia en Malí tiene como objetivo “luchar contra la amenaza terrorista”, proteger la capital, a los ciudadanos franceses que en ella viven, y recuperar la integridad territorial del país.

“Si no hubiéramos cumplido con nuestra responsabilidad, ¿dónde estaría Malí hoy?”, ha dicho Hollande.

Teniendo en cuenta estas últimas palabras de preocupación por la situación del país africano, cabe preguntarse si el gobierno galo se hará cargo de los refugiados y los desplazados y si suspenderá las persecuciones y expulsiones de inmigrantes malienses sin papeles en suelo francés.

Hay otras preguntas: ¿Ha calculado el gobierno de París cuántos civiles morirán por fuego francés en Malí? ¿Se irá el Ejército galo en cuanto logre frenar a las milicias islamistas?

¿U optará por un modelo de intervención similar al de Libia, donde los Ejércitos occidentales acudieron, según la resolución de Naciones Unidas, para poner fin al asedio de la ciudad de Benghazi y sin embargo finalmente se quedaron meses más, hasta el asesinato de Gadafi?

¿Tratará Francia de verse ‘recompensada’ por Malí?

Se puede intentar resolver problemas a golpe de disparos o, por el contrario, analizar el origen de los mismos y actuar en consecuencia. Para ello es preciso tener en cuenta que, por encima de todo, deben primar los intereses de la población local. Pero en África, mina del primer mundo, nada suele ser como debería.

¡Arde Mali, arde!, el Afganistán africano

Martirena
Martirena

 

Asia Times Online

 

Traducido para Rebelión por Germán Leyens

 

LONDRES – Hay que adorar el sonido de un caza jet Mirage 2000 francés por la mañana. Huele como… un delicioso desayuno neocolonial en salsa Hollandesa. Digamos salsa de cenagal.

 

Aparentemente, es perfectamente obvio. Mali tiene 15,8 millones de habitantes – con un ingreso interno bruto per cápita de solo unos 1.000 dólares por año y una expectativa de vida de solo 51 años – en un territorio el doble del de Francia (un PIB per cápita de 35.000 y más). Ahora, casi dos tercios de ese territorio están ocupados por grupos islamistas fuertemente armados. ¿Qué nos espera? Bombas, baby, bombas.

 

De modo que demos la bienvenida a la más reciente guerra africana; Mirages franceses estacionados en Chad, y helicópteros Gazelle más algunos Rafales basados en Francia bombardeando a malignos yihadistas islamistas en el norte de Mali. Los negocios van bien; el presidente Hollande de Francia pasó el martes pasado en Abu Dhabi cerrando la venta de hasta 60 Rafales a ese parangón de la democracia en el Golfo, los Emiratos Árabes Unidos (EAU).

 

El antes afofado Hollande –quien ahora goza de la reconversión de su imagen en la de un “resuelto”, “determinado”, tipo duro– ha pregonado hábilmente todo eso como la incineración de islamistas en la sabana antes de que emprendan un vuelo sin retorno Bamako-París para bombardear la Torre Eiffel.

 

Ha habido Fuerzas Especiales francesas en el terreno en Mali desde principios de 2012.

 

El MNLA (Movimiento Nacional por la Liberación de Azawad), dirigido por tuaregs, dice ahora a través de uno de sus dirigentes, que está “dispuesto a ayudar” a la antigua potencia colonial, presentándose como más conocedor de la cultura y del terreno que futuras fuerzas de intervención de la CEDEAO (acrónimo en francés de Comunidad Económica de Estados de África Occidental).

 

Los salafistas-yihadistas en Mali tienen un inmenso problema: escogieron el campo de batalla equivocado. Si fuera Siria, hubieran sido inundados de armas, bases logísticas, un “observatorio” basado en Londres, horas de videos en YouTube y un apoyo diplomático total de los sospechosos habituales de EE.UU., Gran Bretaña, Turquía, las petromonarquías del Golfo y –oui, monsieur– la propia Francia.

 

En su lugar, fueron criticados severamente por el Consejo de Seguridad de la ONU –más rápido que una colección de héroes de Marvel– que, como es debido, autorizó una guerra en su contra. Sus vecinos africanos occidentales –parte del bloque regional CEDEAO– recibieron un plazo (hasta fines de noviembre) para presentar un plan de guerra. Estando en África, no pasó nada – y los islamistas siguieron avanzando hasta que hace una semana París decidió aplicar un poco de salsa Hollandesa.

 

Ni siquiera un estadio de fútbol repleto de los mejores chamanes africanos occidentales puede exorcizar a un grupo de países dispares –e empobrecidos– para que organicen a corto plazo un ejército intervencionista, incluso si la aventura es pagada totalmente por Occidente como el ejército dirigido por Uganda que combate contra al-Shabaab en Somalia.

 

Para colmo de males, no es ningún paseo. Los salafistas-yihadistas están bien provistos, por cortesía del auge del contrabando de cocaína de Suramérica a Europa pasando por Mali, más el tráfico de seres humanos. Según la Oficina de Control de Drogas de la ONU, un 60% de la cocaína de Europa pasa por Mali. A los precios en la calle en París, eso representa más de 11.000 millones de dólares.

 

Turbulencia futura

 

El general Carter Ham, comandante del AFRICOM del Pentágono, ha estado advirtiendo durante meses de una importante crisis. Hablemos de una profecía que se auto realiza. Pero lo que en realidad está sucediendo es lo que el New York Times extrañamente describe como esos “vastos y turbulentos trozos del Sahara”.

 

Todo comenzó con un golpe militar en marzo de 2012, solo un mes antes de que Mali realizara una elección presidencial, derrocando al entonces presidente Amadou Toumani Touré. Los conspiradores del golpe lo justificaron como una reacción ante la incompetencia del gobierno en la lucha contra los tuareg.

 

El líder del golpe fue un cierto capitán Amadou Haya Sanogo, quien por casualidad había tenido relaciones muy cómodas con el Pentágono; eso incluyó sus cuatro meses de curso básico de entrenamiento como oficial de infantería en Fort Benning, Georgia, en 2010. Esencialmente, Sanogo también fue acicalado por AFRICOM, bajo un proyecto regional que mezcló el programa de Cooperación en el Contraterrorismo Trans-Sahara del Departamento de Estado y la Operación Libertad Duradera del Pentágono. Sobra decir que en todo este asunto de la “libertad” ha sido el proverbial “aliado seguro” –como en socio en el contraterrorismo– combatiendo (por lo menos teóricamente) a al Qaida en el Magreb Islámico (AQIM).

 

La France au Mali: repérer les médiamensonges

por Michel Collon

 aujourd_hui.o novo

En guerre contre le terrorisme, vraiment? Pourquoi les médias ne parlent-ils pas des ressources naturelles convoitées, des multinationales françaises qui se construisent des fortunes dans cette région, de la misère dont elles sont responsables? Pourquoi nous cache-t-on les véritables cibles: Mali, Niger, Algérie et l’Afrique en général? Et le Qatar, allié de Paris, qui arme les islamistes maliens, qu’est-ce que cela cache? Ou bien part-on en guerre pour des intérêts économiques et stratégiques soigneusement cachés?