A morte de um herói discreto

por Leneide Duarte-Plon

A criança soldado e o sol  de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.   Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele
A criança soldado e o sol de Mali. Ilustração de Talal Nayer. Que mostra o eterno sofrimento de um povo colonizado. Quando um negro de alma branca governa os Estados Unidos. Esta expressão popular negro de alma branca nunca foi racista. Apesar dos diferentes significados.
Apenas frisa que falta generosidade. De negro para negro. Vale para toda a humanidade. Independente da cor da pele

Em fevereiro de 1958, graças ao livro La Question, de Henri Alleg, a França descobriu que seu Exército torturava na Argélia, como os nazistas da Gestapo tinham torturado os resistentes franceses. Imediatamente, o jornalista comunista nascido em Londres sob o nome de Harry Salem, filho de judeus russo-poloneses, se transformou num ícone da luta anticolonial, em plena guerra da Argélia.

Antes, alguns intelectuais haviam escrito artigos na imprensa mas naquele livro, um homem torturado dava seu testemunho. O diretor do jornal Alger Républicain – militante da luta anticolonialista, sequestrado e preso no ano anterior – confirmava as suspeitas num relato que se transformou imediatamente num best-seller. A partir da segunda edição, o livro passou a ter um posfácio de Jean-Paul Sartre, no qual o filósofo dizia: “Henri Alleg pagou o mais elevado preço para ter o direito de continuar um homem”.

Dia 17 deste calorento mês de julho, Henri Alleg faleceu em Paris, aos 91 anos, vítima de um AVC. Os principais jornais franceses noticiaram sua morte com espaço dedicado somente aos grandes personagens. O Le Monde deu uma página inteira, Libération, duas, e o comunista L’Humanité, do qual Alleg foi diretor, deu a notícia na capa, ressaltando os combates do jornalista e escritor contra o colonialismo, a opressão e todo tipo de racismo.

O presidente François Hollande louvou “o anticolonialista ardente cujo livro alertou o país sobre a realidade da tortura na Argélia”.

O secretário nacional do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, escreveu que o nome de Henri Alleg “permanecerá para sempre sinônimo de verdade, de coragem, de justiça”.

O diretor do jornal L’Humanité, Patric Le Hyaric, escreveu :

“A melhor homenagem que o Estado francês poderia fazer a Henri Alleg seria, enfim, reconhecer oficialmente a tortura na Argélia, assim como os crimes de guerra.”

Outra articulista, Rosa Moussaoui ressaltou que Alleg combateu “até o fim, sem cessar, a direita francesa sempre disposta a exaltar os ‘aspectos positivos’ da colonização”. Ela se referia ao longo debate durante o governo de Nicolas Sarkozy que, tentando reabilitar o período colonial, se pôs a apontar “aspectos positivos” na colonização francesa.

O livro

Quando foi proibido na França, três meses depois de ser lançado, o livro La Question já era um best-seller, com 65 mil exemplares vendidos. O governo do general Charles De Gaulle, tendo o escritor André Malraux como ministro da Cultura, não sabia ainda como iria acabar a guerra que, aliás, não era chamada de guerra pela França, mas “les événements d’Algérie” (os acontecimentos da Argélia). A expressão guerra da Argélia só foi imposta pelos historiadores muito depois da independência da antiga colônia.

A partir da proibição, o livro passou a ser impresso na Suíça e depois saiu em diversos países. Na França, o texto de Alleg passou a ser distribuído clandestinamente por uma rede de militantes católicos, socialistas e comunistas. Antes do livro, a revista católica Esprit havia denunciado a tortura na Argélia, mas Alleg veio trazer à opinião pública um texto-testemunho de grande qualidade literária. Nele não há psicologia ou julgamento moral – o texto é límpido, seco e objetivo.

O relato de Alleg tinha deixado a prisão em folhas soltas, levadas por seu advogado, burlando o controle dos torturadores. La question foi editado por Jérôme Lindon nas Editions de Minuit, num clima de debate passional entre os anti e os pró-colonização. O livro despertou a consciência de toda uma geração que descobriu horrorizada a tortura exercida pelos paraquedistas franceses em nome do combate à “subversão” da Frente de Libertação Nacional, que lutava pela independência da Argélia.

Em 1960, Alleg foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados. No ano seguinte, fugiu da prisão indo se refugiar num país do Leste europeu. Escreveu diversos livros e dedicou toda sua vida ao jornalismo, à causa comunista e ao combate anticolonialista.

A notícia da morte de um herói discreto me transportou ao mês de dezembro de 2011, quando fui à sua casa nabanlieue parisiense para uma entrevista em torno do seu livro e de sua experiência de resistente à guerra colonial na Argélia. Ele será um personagem do livro que estou escrevendo sobre como os militares franceses na Argélia exportaram técnicas de tortura e de controle das populações civis através do general Paul Aussaresses, que viveu no Brasil por quase três anos como adido militar da França.

Apesar da idade avançada, Alleg tinha a memória intacta e a inteligência preservada pelo tempo. E ao contar sua prisão, tortura e engajamento, seus olhos brilhavam cheios de vida e de generosidade.

 —
Nota do redator do blogue: A França continua colonialista. A propaganda sempre cria neologismo para seculares crimes de guerra. Os países colonizados são classificados como departamentos ultramarinos. No nosso continente temos a Guiana que, inclusive, invade terras brasileiras.
Guiana Francesa livre!, repetindo o grito de De Gualle.
A França imperialista continua a mesma, desde quando tentou uma França Antártica, em 1555, no Rio de Janeiro; em 1594, no Maranhão.
Recentemente, em abril de 1988, na Ilha de Ouvea, Nova Caledônia, mais um massacre de libertadores nativos, contado no filme A Rebelião, dirigido por Mathieu Kassovitz, e proibido de ser exibido nas colônias francesas, a começar, obviamente, pela Nova Caledônia. O filme foi rodado no Taiti, em 2010, pelas dificuldades criadas pelo exército francês.
rebeliao-poster
Cartaz original
Cartaz original
 Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Dirigido e estrelado por Mathieu Kassovitz
Um dos libertários
Um dos libertários
Trailer do filme:
A brutal Legião Francesa, formada por mercenários e criminosos internacionais, jamais abandonou a África.  François Hollande começou seu governo com a invasão do Mali, onde pretende manter, permanentemente, mil soldados, sob a desculpa de combater o terrorismo islâmico religioso. Até a queda do Muro de Berlim era o terrorismo ateu do comunismo.

A presidente Dilma Rousseff fez críticas à ação francesa para conter “grupos rebeldes” que dominam parte do norte do Mali. Em declaração à imprensa junto a autoridades da União Europeia, em Brasília, a presidente defendeu que as ações no país sejam realizadas por vias multilaterais e criticou o que chamou de “tentações coloniais”, referindo-se ao protagonismo da França – que colonizou o país africano até meados do século 20 – nas ações militares.

Fotos: veja a intervenção francesa no Mali

“No que se refere a essa questão do Mali, nós defendemos a submissão das ações militares às decisões do Conselho de Segurança da ONU com atenção à proteção dos civis. O combate ao terrorismo não pode violar os direitos humanos nem reavivar nenhuma das tentações, inclusive as antigas tentações coloniais”, afirmou Dilma.

Outro filme interessante: Zarafa. Ver link

Papa pediu paz e citou todas as guerras que hoje ensanguentam o mundo

mx_laprensa. SS

O papa Francisco foi direto ao foco dos conflitos e guerras, ao pedir paz para o mundo em sua primeira mensagem de Páscoa, lida do balcão principal da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Francisco voltou a mostrar sua preocupação com a violência no Oriente Médio, destaque na meditação da Via Sacra que presidiu na Sexta-feira da Paixão, no Coliseu. O papa lembrou o sofrimento de libaneses, israelenses, palestinos, iraquianos e sírios, que enfrentam a violência sem perspectiva de paz.

O papa pediu orações, em especial, pelo Iraque e “sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto”. Angustiado, Francisco perguntou: “Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar, antes de se encontrar uma solução política para a crise?”

Ao falar da violência no continente africano, o papa mencionou os conflitos no Mali, os atentados na Nigéria, e pediu paz para o leste da República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, “onde muitos se vêem forçados a deixar suas casas e vivem ainda no medo”.

Referindo-se à Ásia, Francisco pediu sobretudo “para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação” entre as Coréias.

Depois, estendeu seus anseios de paz “para o mundo todo ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família; um egoísmo que faz continuar

o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século 21″.

Ao anunciar que Cristo ressuscitou, o papa argentino disse que gostaria que essa “grande alegria”, chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente, onde há mais sofrimento, como hospitais e prisões. “Ao final da missa, Francisco percorreu a Praça São Pedro no papamóvel, cumprimentando e abençoando a multidão. Beijou várias crianças de colo que os pais lhe apresentaram e abraçou, rosto no rosto, duas crianças aparentemente portadoras de paralisia cerebral.

Entre centenas de bandeiras carregadas pela multidão, sobressaíam as da Argentina, levantadas por peregrinos entusiasmados, e de alguns dos países citados, como o Líbano. Mais de 250 mil pessoas, segundo a Rádio Vaticano, lotaram a Praça São Pedro e as ruas vizinhas.

A cerimônia encerrou-se às 12h10 (7h10 no Brasil) com a bênção Urbi et Orbi (à Cidade de Roma e ao mundo)..

Presidente da França visita colônia na África

depeche. França

O presidente da França, François Hollande, desembarcou neste sábado (2) na cidade de Sevaré para sua primeira visita ao Mali desde que as tropas francesas se uniram à ofensiva do exército local contra os radicais islâmicos que controlavam a região norte do país africano.

Sevaré, localizada a 600 quilômetros ao nordeste da capital Bamaco, foi um dos centros de comando da ofensiva militar franco-malinesa que começou no dia 11 de janeiro e que conseguiu derrotar os grupos radicais armados que controlavam as províncias setentrionais de Kidal, Gao e Timbuktu.

Hollande, que viaja acompanhado dos ministros de Relações Exteriores, Defesa e Desenvolvimento, deve se reunir com o presidente malinês, Dioncunda Traoré, e viajar para Timbuktu, cidade recuperada pelas tropas aliadas após nove meses de ocupação rebelde.

Em Timbuktu, Hollande deve visitar o centro Ahmed Baba, onde estão parte dos centenários manuscritos guardados nesta cidade, antigo foco da cultura islâmica na África, informou à Agência Efe uma fonte da presidência malinesa.

liberation.Tombouctou

África condena la intervención militar de Francia y sus aliados en Malí

África Mali França

 

La Red CADTM Comunicado

Traducido para Rebelión por Caty R.

 

Como denuncia un llamamiento lanzado por las mujeres malienses, la dramática situación de Malí debe abrirnos los ojos a una terrible realidad que se verifica en otros países en conflicto: la violencia contra las mujeres se instrumentaliza para justificar la injerencia y las guerras de rapiña de las riquezas de sus países.

 

Condenamos sin reservas las violaciones de los derechos humanos perpetradas por los grupos armados que controlan el norte de Malí. Estamos al lado de las mujeres y de todas las víctimas de abusos. Denunciamos también la intervención militar que lleva a cabo Francia desde el 10 de enero de 2013. El Estado francés libra una guerra en el norte de Malí no para defender la democracia y garantizar el respeto de los derechos humanos como pretende, sino claramente para defender sus propios intereses coloniales y los de las multinacionales francesas en África con el fin de explotar los recursos naturales (uranio, oro, diamantes, petróleo, tierras, agua…). Francia, como Estados Unidos en otros lugares del mundo, quiere demostrar su capacidad militar y ha asumido la defensa de los intereses estratégicos de las grandes potencias occidentales y de sus grandes empresas.

 

Los bombardeos franceses en regiones muy empobrecidas de Malí reflejan en primer lugar la determinación del imperialismo francés de mantener una dominación neocolonial sobre las riquezas de los pueblos africanos en un contexto de crisis mundial del capitalismo. Utiliza armas avanzadas para disuadir la codicia de China y las demás potencias. Por otra parte, la intervención occidental también tiene el objetivo de impedir la autoorganización de los malienses y evitar que despierten sus aspiraciones democráticas, antiimperialistas y panafricanistas. Francia y sus aliados quieren evitar el cuestionamiento de los regímenes alineados de la Francáfrica.

 

Malí es uno de los países más empobrecidos y explotados del mundo, a pesar de sus importantes recursos naturales mineros y agrícolas que son acaparados por las multinacionales. El pueblo maliense está terriblemente afectado por las políticas neoliberales impuestas por el Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional, la OMC, la Unión Europea y el Estado francés. Esas políticas, que solo son posibles con la complicidad de los regímenes establecidos, impiden que Malí se libere de la carga de una deuda externa que sirve de instrumento de bombeo de los recursos y de sometimiento del país a los intereses de las instituciones y las potencias acreedoras. La iniciativa de alivio de la deuda de Malí, que forma parte de los países pobres muy endeudados (PPTE), ha prolongado los efectos devastadores del sistema de endeudamiento, ya que las reducciones acordadas con cuentagotas se han condicionado sistemáticamente a la aplicación de medidas de privatización y apertura económica y comercial. Esas medidas han sometido al campesinado y a los trabajadores de las ciudades a una competencia internacional a la que no pueden responder. Las mujeres malienses, que llevan una carga enorme de la vida del país, diariamente son víctimas de privaciones de todo tipo. Ellas resisten a diario.

 

La deuda y su reembolso siguen siendo instrumentos para empobrecer a las poblaciones.

 

El Estado francés bombardea las ciudades, los pueblos y las infraestructuras, ya escasas en Malí, cuya reconstrucción probablemente mañana será la excusa para endeudar un poco más al país y aumentar su sometimiento a los acreedores. Precisamente el FMI acaba de anunciar que ha concedido a Malí un préstamo de 18,4 millones de dólares. Esto abrirá un nuevo ciclo de desgracias para el pueblo maliense si no toma las riendas de su destino.

 

El gobierno francés debería reservar los millones de euros que costará su despliegue militar en Malí para cubrir las necesidades de su población, condenada a la austeridad debido a la explosión de la deuda pública.

 

La región africana está viviendo una propagación de grupos integristas que fueron apoyados y armados por las potencias occidentales, con Estados Unidos a la cabeza, directamente o a través de Catar o Arabia Saudí. Ahora las grandes potencias occidentales no saben cómo desembarazarse de un movimiento que ya no les resulta útil, su estrategia se está volviendo contra ellas. Su forma de intervención en Libia agravó la situación de la región al acarrear, especialmente, una proliferación de armas. Las intervenciones occidentales en Afganistán y en Irak han demostrado que los argumentos humanitarios enmascaran intereses económicos, políticos y militares inconfesables. Las intervenciones y ocupaciones militares occidentales no aportan soluciones reales a los problemas de los derechos humanos. Incluso tienden a agravarlos.

 

CADTM África considera que corresponde al pueblo maliense resolver sus conflictos internos y perseguir a los grupos que considere antidemocráticos y oscurantistas que quieren imponer sus leyes por las armas.

 

La red CADTM África:

 

– Condena la intervención imperialista de Francia y sus aliados en Malí y llama al cese inmediato de los bombardeos y a la retirada de las tropas francesas y africanas de Malí.

 

– Expresa su solidaridad con el pueblo maliense y el derecho de éste a decidir libremente su futuro.

 

– Llama a un reforzamiento de la solidaridad de los pueblos maliense y africanos para cerrar el camino a las fuerzas de la restauración y recolonización de Malí y el Sahel.

 

– Considera que la CEDAO, organización subregional dirigida por un club de jefes de Estado al servicio de las hegemonías estadounidense y europea, no tiene ninguna legitimidad y ningún poder legal para firmar préstamos de guerra en nombre del pueblo soberano de Malí.

 

– Invita al pueblo maliense a invocar la ausencia de consentimiento como fundamento jurídico para repudiar toda la deuda heredada de la intervención extranjera.

 

– Llama a todos los pueblos de África, del norte al sur, del Magreb al Machrek, a unirse contra las guerras.

 

¿Qué se está jugando Francia en Mali?

Mali bombas

 

En Lucha

 

 

El presidente de Francia, François Hollande, del Partido Socialista francés, declaró en relación a la intervención militar en Malí que “no estamos defendiendo ningún tipo de interés político o económico en Malí, defendemos simplemente la paz”. Y para dotar de mayor concreción a su cruzada pacifista, Hollande ha asegurado que la operación bélica “durará lo que sea necesario para disipar la amenaza terrorista”. Así, de nuevo, los halcones se hacen pasar por palomas para reavivar la doctrina de la “guerra contra el terror”.

La espectacular toma de rehenes de la planta de gas argelina quizás haya contribuido a reforzar la imagen sesgada del terrorismo en el imaginario colectivo. Sin embargo, también ha señalado una de las claves del conflicto: los recursos naturales del norte de África. Como todas las incursiones occidentales en el continente, detrás de la grandilocuencia de palabras como “civilización”, “progreso” o “paz”, sólo había intereses económicos.

En el caso de Francia, las empresas galas están muy bien posicionadas en sectores importantes de la economía malí. La compañía Orange controla el sector de la telefonía, Dagris cuenta con una posición privilegiada tras la privatización del monopolio estatal Compañía Malí para el Desarrollo del Textil (aportaba el 15% del PIB) y Bouygues domina el sector eléctrico y una parte importante de la minería del oro –Malí es el tercer productor de oro de África–. Por cierto, la ONG Human Rights Watch denuncia que en la minería malí se trabaja con mano de obra infantil –hasta 40.000 menores de edad– y en condiciones de extrema precariedad, sin que Francia haya movido un dedo para remediarlo.

Tratamiento aparte merece el caso de Areva, gigante estatal de la producción de uranio. La compañía francesa explota dos grandes yacimientos en el norte de Níger –vecino de Malí–, de donde extrae el 30% del uranio que consume Francia. El país galo, además, es el país que más depende de la energía nuclear –el 70% de la electricidad proviene de esta fuente. Las prospecciones indican que en el norte de Malí, cerca de la frontera con el Níger hay cuantiosos yacimientos de uranio.

En 2007 un levantamiento tuareg fue aprovechado por el gobierno de Níger para acabar con el monopolio francés del uranio –acusaron a Areva de estar detrás de la insurrección. No es de extrañar que la rebelión tuareg de enero de 2012, en la que tomaron el norte de Mali y que ha desencadenado los hechos posteriores, haya propiciado la oportunidad de remendar el error que cometieron entonces. Ahora Francia interviene directamente porque quiere asegurarse su influencia tras el conflicto.

A Hollande le interesa hablar de un concepto monolítico de “terroristas” cuando se refiere a las diferentes milicias que batallan por el norte de Mali, pero lo cierto es que la composición étnica es muy compleja –a causa de las fronteras artificiales del colonialismo–, aunque la mayoría son musulmanes con diferentes interpretaciones del islam. Aquí, la “guerra contra el terror” es el hijo natural que la historia del colonialismo y el imperialismo ha engendrado, aspecto que trataremos en el siguiente número del periódico En lucha.

La guerra en Mali será larga –ahora con Francia y, luego, ésta junto con algunos países africanos–, pero no podrá acabar bien. Primero, devastará un país ya de por sí depauperado, especialmente tras la crisis de la deuda de los 80 y los planes de austeridad neoliberales del FMI y el Banco Mundial, que multiplicaron por 30 la deuda del país. Segundo, va a alimentar todavía más el odio hacia los países occidentales, lo cual puede propiciar nuevos ataques armados contra la población civil. Y tercero, si Hollande consigue sus objetivos, en nada va a beneficiar a la mayoría de la población europea, africana y mundial; solo a una minoría que va a poder hacer más negocio sobre la tierra quemada que habrá dejado la guerra.

Porque en el fondo, ésta es una guerra imperialista más. Es decir, en un contexto de creciente competencia económica en el continente africano –recordemos que China se está posicionando rápidamente en el este y el centro de África– las antiguas potencias coloniales, cuando no tienen con quien negociar, no dudarán en utilizar sus armas para defender su expolio de los recursos naturales y su acceso a los mercados africanos. Es decir, la guerra como continuación de la política capitalista.

Recorrido por Mali en 35mm

por Sebastián Ruiz
Wiriko
 afo1

La primera generación de cineastas africanos nació de una voluntad implacable de desarrollar una identidad de las culturas nacionales y con un profundo deseo de dar testimonio de las mismas, teniendo por objetivo rechazar la imagen que de ellos había dado el cine durante la época colonial. Las estructuras formales cinematográficas se puede decir que florecieron en Mali con un cierto orden y lógica. En el año 1962 se creó el OCINAM (Oficina Cinematográfica Nacional de Mali) que abarcaba, en principio, todos los sectores, hasta que en 1966 se creó Scinfoma (Servicio de Información del Cine) incorporado en 1977 dentro del CNPC (Centro de Producción Nacional).

Para conseguir que los africanos pudieran reencontrarse con una identidad que les había sido usurpada y rebajada al rango de la barbarie, los cineastas asumieron el firme compromiso de dirigirse al espectador, de interpelar directamente al africano que se observaba a través del cine, de su cine. Es por eso que el cine de los primeros años posee una marcada tendencia política y didáctica, pues estos pioneros no consideraban al séptimo arte como un entretenimiento, sino como un vehículo ideológico que podía servir para descolonizar las mentes, desarrollar una toma de conciencia y recuperar las herencias y tradiciones auténticamente africanas.

Este es el caso del aclamado Souleymane Cissé, que en 1970, se convirtió en el primer maliense en tener terminado el ciclo completo de estudios en una escuela superior de cine, en concreto, en el Instituto de Moscú. Por esta escuela pasarían figuras claves del cine maliense como Djibril Kouyaté que dirigió durante un tiempo el OCINAM.

Después de los primeros pasos en el cine documental con el sello etnográfico de Jean Rouche, los realizadores y técnicos malienses, formados durante los años 60-70 en la Unión Soviética y en las Repúblicas de Europa del Este (principalmente Yugoslavia), se orientaron hacia la ficción. Estas obras, se inspirarían en el realismo, ofreciendo una mirada aguda y comprometida por el poder y la dictadura de Moussa Traoré instaurada en 1968 afectando a toda la cultura audiovisual.

Entre 1970 y el 2001, Malí había producido y co-producido poco más de 20 largometrajes, 30 documentales y 20 cortometrajes según las cifras del (CNPC). Esta producción tan reducida en una franja de 30 años ha llevado a una drástica reducción en la tasa de asistencia al cine, dejando el campo libre a las imágenes extranjeras, e impulsado por las cintas de vídeo y las cadenas satélites. Parte de esta responsabilidad fue debido a la supresión del OCINAM cuyo papel, entre otros, era el de gestionar las salas de cine y asegurar la programación, distribución y la explotación de las películas de producción nacional.

Además de la eliminación del OCINAM, la ausencia de film político explicaría lo que algunos han denominado “la corriente a través del desierto del séptimo arte maliense”. No obstante, el espíritu de lucha, inventiva y crítica de algunos de sus directores ha mantenido al país en el reconocimiento internacional; es el caso del mencionado Souleymane Cissé, de Cheick Oumar Sissoko o de Abdoulaye Ascofaré.

Un celuloide bien dinámico

Actualmente, el Centre National de la Production Cinématographie (CNPC) se encuentra intentando relanzar un sector que aunque nunca ha llegado a detenerse está por ver de qué manera afectará el conflicto actual que está teniendo lugar y que mantiene al país dividido. Prueba de ello es la firmeza que mantiene la UCEAO (Unión de Creadores y Empresarios del Cine y el Audiovisual de África del Oeste), creado en 1996.

Pese al subrayado en rojo de todos los indicadores de organizaciones internacionales que analizan este país, el presente cinematográfico se anto ja dinámico. Así lo demuestran los últimos premios recibidos por películas malienses. El último de ellos ha sido para el film Toiles d’Araignées (Tela de araña) obteniendo el Premio de la Organización Internacional de la Francofonía (OIF) en el marco del festival canadiense International Film Festival Vues d’Afrique 2012. Este largometraje de 92 minutos, producido íntegramente por el CNPC y dirigido por Ibrahim Touré, está basado en la novela de Ly Ibrahim.

Como afirmaba el propio director: “La película revive las páginas oscuras de las dictaduras africanas que sellaron el destino de nuestro pueblo con el silenciamiento de las voces y el aplastamiento brutal a cualquier atisbo de disidencia”. Toiles d’Araignées será además una de las seleccionadas para representar a Mali en el FESPACO (Festival Panafricano de Ouagadougou que se celebra bianualmente y que vendrían a ser como los Oscar africanos), en la categoría de mejor largometraje, según anunciaba ayer la web oficial . También lo harán en la categoría de cortometraje Dankuma de Bakary Diallo, y en la de documental Hamou-Beya (Pescadores de arena) de Andrey Samonté Diarra.