A corrupção alimenta a fome

Giacomo Cardelli
Giacomo Cardelli

 

Em uma cidade, mais pobre que seja, uma criança, um velho, um desempregado passar fome, comprova que o prefeito rouba; a Câmara de Vereadores virou um covil de bandidos; o juiz não tem nada de direito; o promotor outro iníquo; o delegado de polícia um capanga das autoridades e dos empresários. Uma cidade que existe fome, uma cidade sem Deus e sem lei, porque o Brasil é o maior produtor mundial de alimentos.

 

 

religião fome

 

 

 

 

Papa Francisco: “A corrupção produz privilégios para alguns e injustiças para muitos”

 

A abundância da produção de alimentos no mundo inteiro permitiria dar de comer a toda a população do planeta. No entanto, ainda hoje milhões de pessoas sofrem e chegam a morrer de fome. Trata-se de um verdadeiro escândalo, que se manifesta na indiferença total. Foi quanto reiterou o Papa Francisco, dirigindo um discurso aos participantes na trigésima oitava conferência da Organização das Nações Unidas para para a Alimentação e a Agricultura (Fao).

 Alfredo Sábat
Alfredo Sábat

As iniciativas e as soluções possíveis são numerosas, e não se limitam ao aumento da produção. Sabe-se que a produção actual é suficiente, e no entanto ainda existem milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome: estimados amigos, isto constitui um verdadeiro escândalo! Então, é necessário encontrar os modos para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não apenas para evitar que se alargue o fosso entre quantos são mais abastados e aqueles que se devem contentar com as migalhas, mas também e sobretudo para uma exigência de justiça e de equidade, bem como de respeito devido a cada ser humano.

 

Na minha opinião, o sentido deste nosso encontro consiste em compartilhar a ideia de que se pode e se deve fazer algo mais para dar vigor ao esforço internacional a favor dos pobres, animados não apenas de boa vontade ou, o que é pior ainda, por promessas que muitas vezes não foram mantidas. Também não se pode continuar a aduzir como álibi, um álibi quotidiano, a actual crise global, da qual de resto não será possível sair completamente, enquanto as situações e condições de vida não forem consideradas através da figura da pessoa humana e da sua dignidade.
Pessoa e dignidade humana correm o risco de se tornarem uma abstracção diante de questões como o uso da força, a guerra, a subalimentação, a marginalização, a violência, a violação das liberdades fundamentais ou a especulação financeira, que neste momento condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como qualquer outra mercadoria, esquecendo-se do seu destino primário. A nossa tarefa consiste em voltar a propor, no actual contexto internacional, a pessoa e a dignidade humana já não como uma simples referência, mas sobretudo como pilares sobre os quais construir regras que sejam compartilhadas e estruturas que, ultrapassando o pragmatismo ou os simples dados técnicos, sejam capazes de eliminar as divisões e preencher as lacunas existentes. Neste mesmo sentido, é necessário contrastar os interesses económicos míopes e as lógicas de poder de poucos, que excluem a maioria da população mundial, gerando pobreza e marginalização com efeitos desagregadores na sociedade, assim como se deve combater aquela corrupção que produz privilégios para alguns e injustiças para muitos.

(Transcrevi trecho do discurso do Papa Francisco)

Dinheiro do povo chove na lavoura de exportação

O Brasil das montadoras e oficinas depende da lavoura de exportação. É o exportar e morrer de Fernando Henrique. Exportar açúcar para adoçar a boca do europeu. Isso começou em 1536. E nunca parou.

Agora também temos os latifúndios de soja para alimentar as vacas loucas da Europa. De milho, para fabricar álcool nos Estados Unidos.

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O Brasil dos sem terra prometeu uma reforma agrária desde a Campanha Abolicionista.

Vai plantar feijão já foi uma expressão depreciativa.

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O Brasil não pode e não deve importar feijão. Deixar de ser o maior importador de trigo do mundo. E jamais esquecer que o milhão foi o pão do índio.

Idem a mandioca.

Não há explicação: Um povo morrer de fome com tanta terra para cultivar. Uma terra que tudo dá.

Brasil: líder mundial em alimentos envenenados

O país que está prestes a tornar-se líder mundial na produção de alimentos abusa de venenos que causam várias doenças

Por Tatiana Achcar, do blog Habitat

Nunca tivemos tanta comida produzida no mundo, mesmo assim um milhão de pessoas passam fome e outro milhão comem menos do que necessitam. A fome é um problema de economia mundial. Em 20 anos, o Brasil tomará dos Estados Unidos a liderança mundial na produção de alimentos.

“O caminho percorrido historicamente pelo Brasil com seu atual modelo de produção nos levou ao lugar do qual não nos orgulhamos de maior consumidor de agrotóxicos no mundo e uma das maiores áreas de plantação de transgênicos”, afirmou.

O país que está prestes a tornar-se líder mundial na produção de alimentos abusa de venenos que causam intoxicação crônica, aquela que mata devagar com doenças neurológicas, hepáticas, respiratórias, renais, cânceres entre outras e provoca o nascimento de crianças com mal formação genética.

O uso massivo de agrotóxico promovido pela expansão do agronegócio está contaminando o agricultor, que tem contato direto com a lavoura envenenada, os alimentos, a água e o ar. Estudos científicos recentes encontraram resíduos de agrotóxicos em amostras de água da chuva em escolas públicas no Mato Grosso. O sangue e urina dos moradores de regiões que sofrem coma pulverização áreas de agrotóxicos estão envenenados.

Nos últimos anos, o Brasil tornou-se o principal destino de defensivos agrícolas banidos no exterior. Segundo dados da Anvisa, são usados em nossas lavouras pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia, Estados Unidos, China.

É evidente que segurança e soberania alimentar dependem de um sistema de produção alimentar bom, limpo e justo, sustentável e descentralizado, de base agroecológica de produção, extração e processamento, de processos permanentes de educação alimentar e nutricional. É estratégico adotar a soberania e segurança alimentar como um dos eixos ordenadores da estratégia de desenvolvimento do país para superar desigualdades socioeconômicas, regionais, étnico-raciais, de gênero e de geração e erradicar a pobreza extrema e a insegurança alimentar e nutricional.

Investir na agricultura familiar e camponesa é eixo fundamental que deve estar na prioridade do governo. Ela gera emprego e renda para milhões de pessoas, estimula a produção de alimentos e a diversidade de culturas, respeita tradições alimentares e preserva a natureza, fixa o homem no campo e fortalece as economias locais e regionais.

Los desafíos para erradicar el hambre en el mundo

La especulación es una causa importante de los precios altos
Entrevista José Graziano da Silva

– La especulación es, de hecho, una causa importante de los precios altos y extremadamente fluctuantes. Sólo beneficia a los bancos y a los fondos de cobertura, pero no a los productores, procesadores y compradores, y menos que nadie a los consumidores. La FAO sólo puede hacer dos cosas: puede proveer al mercado con datos, estudios y estadísticas para lograr que los mercados sean más transparentes, y puede estimular a los gobiernos a invertir más en agricultura.

– Los países industrializados deberían abrir finalmente sus mercados y eliminar los subsidios en agricultura. No es que sea demasiado optimista al respecto, pero sería la solución correcta.

– Por ejemplo, cuando Estados Unidos decidió terminar con los subsidios para producir etanol en base a maíz, el último verano boreal, el precio del grano cayó inmediatamente. Se sintió en los países pobres, como en América Central, donde el maíz se usa para consumo humano y como alimento del ganado, y también en África del Este, donde el maíz es un alimento básico. La decisión de Estados Unidos tuvo un efecto directo y positivo sobre la situación alimentaria.

– El factor decisivo es el acceso al alimento o a la tierra, de modo tal que la gente pueda comprar o producir comida por sí misma. A nivel mundial, hay suficiente comida para todos, pero para muchos -especialmente los pobres- es sencillamente demasiado cara. Tienen hambre, a pesar de que las estanterías revienten de comida.

– Por medio de programas de transferencia de dinero, desde 2005 aportamos dinero para las familias más pobres de Brasil, México y Colombia con el objetivo de que tengan un ingreso mínimo y puedan alimentarse por sí mismas. Cerca de 120 millones de personas satisficieron sus necesidades básicas de esa manera y sobrevivieron a la primera crisis de alimentos -con su agudo aumento de precios- mejor que en otros países. Debemos continuar con ese tipo de programas, no para reaccionar a las crisis actuales, sino para evitar las futuras.

– Al mismo tiempo, se benefició a los agricultores de forma tal que pudieran vender sus productos en mercados regionales a precios razonables. La agricultura local es el punto crucial. Los que producen regionalmente son menos dependientes de las fluctuaciones cambiarias, la especulación, los costos de transporte e incluso los desastres climáticos. En lugar de comprar leche, azúcar y arroz a costos muy altos en el mercado mundial, los países deberían recurrir a los productos locales. América Central podría dedicarse a los granos, por ejemplo, Chile a la quinua, y así.

– El hambre no es el único problema que tenemos que tratar. El número de personas con sobrepeso también creció a niveles alarmantes. Esas personas están muy desnutridas, pero de una forma diferente. Les faltan minerales esenciales y se enferman. Hasta se mueren. Es hora de que nos ocupemos de ese tema.

– Las personas que ahora compran en los supermercados ni siquiera saben de dónde proviene la comida. No tienen idea de lo que están comiendo. Tener una nutrición adecuada se ha vuelto un problema para la generación joven. ¡Y piense en todas las víctimas de bulimia! La anorexia también es un problema. Todas estas cosas son los desafíos del futuro.

La miseria es violencia

El Banco Mundial define la pobreza como “la inhabilidad para obtener un nivel mínimo de vida”. Probablemente pueda ser inhábil un impedido (un no-vidente, un parapléjico). Pero no lo son poblaciones completas. La imposibilidad de conseguir un nivel mínimo de subsistencia radica, en todo caso, en condiciones que trascienden lo personal. La pobreza creciente que agobia a sectores cada vez mayores en el mundo, la miseria absoluta en que tanta gente vive, no es sólo falta de habilidad para procurarse el sustento; habla, más bien, de un nuevo estilo de marginalidad, consecuencia de estructuras injustas. Habla de relaciones de poder que marginan, que violentan a otros seres humanos.

Es ahí cuando se hace palmariamente evidente que la miseria es una forma de violencia, cruel, despiadada.

Según datos de Naciones Unidas, hoy día en nuestro planeta 1.300 millones de personas viven con menos de un dólar diario; hay 1.000 millones de analfabetos; 1.200 millones viven sin agua potable. El hambre sigue siendo la principal causa de muerte: come en promedio más carne roja un perrito hogareño del Norte que un habitante del Sur. En la sociedad de la información, ahora que pasó a ser una frase casi obligada aquello de “el internet está cambiando nuestras vidas”, 1.000 millones están sin acceso, no ya a internet, sino a energía eléctrica. Hay alrededor de 200 millones de desempleados y ocho de cada diez trabajadores no gozan de protección adecuada y suficiente. Lacras como la esclavitud (¡esclavitud!, en pleno siglo XXI… se habla de casi 30 millones de personas a nivel global), la explotación infantil o el turismo sexual continúan siendo algo frecuente. El derecho sindical ha pasado a ser rémora del pasado. La situación de las mujeres trabajadoras es peor aún: además de todas las explotaciones mencionadas sufren más por su condición de género, siempre expuestas al acoso sexual, con más carga laboral (jornadas fuera y dentro de sus casas), eternamente desvalorizadas. Pero lo más trágico es que, según esos datos, puede verse que  el patrimonio de las 358 personas cuyos activos sobrepasan los 1.000 millones de dólares –selecto grupo que cabe en un Boeing 747, bien alimentados y probablemente también preocupados por esa “lucha contra la pobreza” para la que destinan algunos millones de dólares desde sus fundaciones – supera el ingreso anual combinado de países en los que vive el 45% de la población mundial. Con esos datos en la mano no pueden caber dudas que la situación actual es tremendamente injusta y que la pobreza no tiene más explicación que la mala distribución de la riqueza. No es un destino “instintivo”, definitivamente. Y aunque algunos (Onassis o Maradona, por dar unos ejemplos) hayan salido de pobres proviniendo de estratos humildes, eso no es la regla sino la más radical excepción.

Ahí está la cuestión de fondo: la pobreza no es sino el síntoma visible de una situación de injusticia social de base. En ese sentido “p obreza” significa no ser capaz de controlar la propia vida, ser absolutamente vulnerable a la voluntad de otros, rebajarse para conseguir sus fines propios, empezando por el más elemental de sobrevivir. Junto a ello, la pobreza significa no tener la oportunidad de una vida mejor en el futuro, estar condenado a seguir siendo pobre, con lo que la vida no tiene mayor atractivo más allá de poder asegurar la animalesca sobrevivencia, si es que se logra.

 La miseria en que vive tanta gente no es sino la expresión descarnada de la injustica de fondo en que está basada nuestra sociedad planetaria. Por tanto, luchar contra la pobreza y contra la miseria debe ser una acción dirigida a modificar esa injusticia. No es la miseria el objetivo final de esta lucha, como no lo podrían ser, por ejemplo, los niños de la calle, o la delincuencia juvenil, que son los efectos, las consecuencias. Esos son los síntomas visibles de fenómenos complejos. La lucha ha sido y continúa siendo la lucha por la justicia. Como dijo Joseph Wresinski: “Allí donde hay hombres condenados a vivir en la miseria, los derechos humanos son violados. Unirse para hacerlos respetar es un deber sagrado”. 

 Transcrevi trechos 

Fome, escândalo ético do nosso tempo

Con la revolución verde, y las nuevas tecnologías disponibles, los niveles de productividad en las actividades generadoras de alimentos han ascendido fuertemente.

Las evaluaciones técnicas indican que se pueden producir alimentos suficientes para una población significativamente superior a la actual.
Contradictoriamente, el número de hambrientos supera los 1000 millones. Casi uno de cada seis habitantes del planeta padece de ese problema inadmisible.

Los más afectados son los más vulnerables, los niños. Los déficit de desnutrición en las edades tem- pranas se pagan con daños para toda la vida.
La Unicef ha establecido que si un niño no se alimenta adecuadamente en sus primeros años no se establecen las conexiones interneuronales en su cerebro, y quedará con retrasos y disminuciones severas.

En el 2008 uno de los efectos de la crisis fue el fuerte aumento de los precios de alimentos. Ese año el planeta tuvo la mayor cosecha de su historia. Sin embargo, murieron 5 millones de niños por hambre.

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