“Castração química para os nordestinos que votaram em Dilma”

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por María Martín/ El País/ Espanha

 

Os nomes e perfis dos usuários que inundaram as redes sociais de ataques preconceituosos contra os nordestinos já estão no Ministério Público Federal. As unidades de todo o Brasil receberam de domingo a quarta-feira 131 denúncias por racismo nas redes sociais, 85 delas atacavam especificamente os nordestinos, mais de 20 por dia, conforme um levantamento feito para o EL PAÍS. A procuradoria analisará cada uma dessas denúncias individualmente.

Os ataques vêm de todos os cantos. Uma auditora de Trabalho de Cuiabá, no Mato Grosso, desabafou:

“Desculpem nordestinos, mas essa região do Brasil merecia uma bomba como em Nagasaki, para nunca mais nascer uma flor sequer em 70 anos. #pqp #votocensitáriojá [sic]”. A piada pode lhe custar o cargo, depois da denúncia feita na ouvidoria do próprio Ministério.

E tem mais. Um coletivo de 100.000 médicos ou estudantes de medicina tem uma página própria no Facebook onde ficam à vontade para pedir a castração química dos nordestinos, pregar por um holocausto na região e fazer campanha pró-Aécio.

“70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!”, diz um dos posts. O curioso é que uma das regras para ser admitido no grupo é a seguinte: “Não admitimos desrespeito entre colegas, xingamentos, piadas desrespeitosas, ofensas, acusações descabidas ou condutas que não sejam dignas da classe”.

Lula

suplicy

“A maneira como as pessoas estão repudiando o PT, a quantidade de ódio e energia destinada, a demonstração de esse repúdio irracional não é só política. Essa queixa contra o voto dos nordestinos é uma forma de expressar o ódio de classe”, afirma Maria Eduarda da Mota Rocha, pesquisadora e professora de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco, que escreveu sobre este episódio rotineiro para o EL PAÍS. “No fim das contas ainda temos uma sociedade com um passado escravocrata muito próximo e que não consolidou a ideia de igualdade. Estamos vivendo um momento no Brasil de perda de privilégios exclusivos, uma ferida muito sensível para as elites”.

Para o pesquisador italiano Alessandro Pinzani, co-autor do livro Vozes do Bolsa Família, o episódio o recrudescimento dos ataque aos nordestinos em campanha eleitoral é um exemplo do “fim da cordialidade brasileira”. “Nos últimos anos se mostrou a verdadeira face da luta de classe no país, justamente porque o Governo petista começou a fazer políticas para população de baixa renda e imersos na pobreza extrema. O brasileiro tradicional da elite se sente inseguro respeito a isso, e transforma a insegurança em uma raiva que encontra como objeto, entre outros, o Governo”, afirma Pinzani.

O pesquisador, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e há dez anos no Brasil, se mostra surpreso diante o rechaço ao Governo Dilma. “Morei nos Estados Unidos na época de George Bush filho e na Itália com Silvio Berlusconi e nunca vi este grau violento de rechaço que vemos aqui”, explica. “O que essa elite esquece, que sequer sabe, qual é o valor médio do Bolsa Família, e que é um dos cerca de 60 programas de combate a pobreza. O programa atinge uma parcela da população que não tem escolha. Ali não existe isso de aplicar o ditado de ‘ensinar a pescar ao invés de dar o peixe’. No sertão não tem peixe! Não tem nada!. E nunca vai ter nada. Porque nenhuma empresa vai abrir nada em meio do nada, sem uma infraestrutura, com uma população despreparada. Os beneficiários não querem isso por comodismo, eles não tem alternativa, além de emigrar”.

eleitor pt

sao paulo antipt

 

Até o comentário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os eleitores do Partido dos Trabalhadores, colocou lenha na fogueira. “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, disse FHC em uma entrevista.

Enquanto isso nordestinos como Bruno, nascido em Pernambuco, mas residente em São Paulo tem que acelerar o scroll da sua timelime para evitar algumas das barbaridades que vimos nesses dias. Ele conta como na noite da eleição encontrou sua mulher Karina chorando em frente à tela do computador.

– O que foi?

– Nada.

“Em seguida, reparei no que estava acontecendo”, lembra Bruno.

– Você ficou lendo coisas de nordestinos no Facebook, é isso né? Por favor, não ligue eu já estou acostumado com isso.

 

Transcrevi trechos. Ilustrações: Memes do arquivo Google e do blog anticomunista Homem Culto (todo nordestino é matuto, bronco, burro, pobre, analfabeto e não sabe votar)

 

 

As revoltas de 27 de outubro: Paris 2005 e São Paulo 2013

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INFELIZ COINCIDÊNCIA: 27 DE OUTUBRO

 

por Marcelo Araújo/ Vírus Planetário

2005 dois jovens do gueto parisiense morrem fugindo de uma abordagem policial ao se esconderem em um prédio abandonado.

2013 um jovem do gueto paulista morre por um disparo “acidental” em uma abordagem abordagem policial.

Ambos geraram a revolta popular. Mais de 100 carros queimaram na França, e não diferente daqui, os negros e pobres foram taxados de vândalos.

Como escreveu Oswaldo Giacoia Jr: “O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido.”

Cartoon - French Youth Riots - 2005 - no mention of family

Os subúrbios de parisienses não são diferentes no nossos: ausência da educação, saúde e outros serviços e aumento da presença da polícia, postos de controle, remoções de invasões de imóveis e outros níveis de opressão em geral. Algo muito parecido com as UPPs do Rio de Janeiro, mas hoje vamos falar de São Paulo.

Em 27 de outubro de 2005, 10 jovens jogavam futebol em um subúrbio parisiense quando a polícia chegou para uma abordagem de rotina, muitos correram para se esconder. O que também era rotina. Porém, nesse dia algo trágico aconteceu decorrente dessa abordagem. Três dos jovens foram perseguidos e entraram em um prédio abandonado, onde havia instalações elétricas soltas. Bouna Traoré(17) e Zyed Benna(15) morreram eletrocutados. Um terceiro, Muhittin Altun (21), sofreu queimaduras graves. E aqueles que dizem que os jovens não deveriam ter corrido da policia, se esquecem o que é ser perseguido e taxado de bandido por morar nos subúrbios:

De acordo com declarações do Muhittin Altun, que permanece internado com ferimentos, (…) Todos eles fugiram em direções diferentes para evitar o longo interrogatório que os jovens nos conjuntos habitacionais enfrentam muitas vezes da polícia. Eles dizem que são obrigados a apresentar documentos e pode ser realizada até quatro horas de dentenção na delegacia, e às vezes os pais devem tem de vir buscar antes da polícia liberá-los.” – NY Times

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De volta para o Brasil, 27 de outubro de 2013, a amarga coincidência. Uma abordagem policial em São Paulo resulta na morte acidental do Douglas (17). Um acidente tão bizarro que até mesmo a corporação tem suas dúvidas. Uma arma que dispara acidentalmente no peito do jovem, que ainda questiona seu algoz: “Por que? Por que o senhor atirou em mim?”. Tudo presenciado pelo seu irmão de 13 anos, que nega a versão de disparo acidental. Como escreveu Oswaldo Giacoia Jr: “O insuportável não é só a dor, mas a falta de sentido da dor, mais ainda, a dor da falta de sentido.” Como se não bastasse: no mesmo dia a polícia aumentou o policiamento e viaturas passam constante à porta da mãe de Douglas,  que dava entrevistas e acusava a polícia de assassinato com a veemência e certeza de quem já deve ter visto outros casos de disparos acidentais.

No mesmo e no dia em que se segue, o povo se levanta. Como em Paris, revoltado com repressão do Estado e seus resultados fatais. Aqui, os protestos que se estendem desde junho deste mesmo ano em todo o país, deu coragem à população perdeu o medo de gritar contra os absurdos. A revolta burguesa, que em poucos meses vem sentindo uma pequena parcela da repressão policial que assola os subúrbios com décadas de abusos policiais. Violência física, psicológica e abuso de autoridade. Também como lá, na França, o Estado quer abafar as revoltas evocando um estado de emergência, o Marco Civil – que é basicamente o poder público acuado com o aumento das demonstrações de descontentamento popular. Vai aumentar a violência e abuso de poder policial contra as manifestações. O é objetivo claro de calar na força a população.

Genildo
Genildo

A mídia grande, por sua vez, criminaliza as revoltas populares. E tal qual a polícia, ataca com mais ferocidade à medida que os revoltados se afastam dos grandes centros, da burguesia. Diariamente é reforçado a ideia de que existe um inimigo público e que não há uma solução para esse problema das revoltas populares. Criaram os atos de vandalismo e os tem relacionado aos poucos com atos de terrorismo – que é uma falácia. Deixa óbvia a sua posição, que é a mesma há 40 anos, e defende os interesses econômicos das classes dominantes e criminaliza as revoltas populares. Dizem que não existe um motivo para tanta violência e depredação. A grande mídia não consegue ver uma solução. O Estado não consegue ver uma solução. E eles nunca vão vê-la, por que aqueles que não conseguem enxergar uma solução, é parte integrante do problema.
Não se engane. Esta não é uma revolta popular do Brasil, nem de um levante popular de julho de 2013. Esta é uma revolta mundial contra o sistema capitalista que explora muitos em favorecimento de poucos. Não vai acabar hoje, no final do ano ou depois da Copa do mundo. O povo não quer mais esperar por políticos que há anos fazem suas negociatas demagogas atendendo aos interesses dos grandes grupos financeiros. O povo quer ver resultados, o fim da corrupção, que é inerente a esse sistema desigual. Eclodiu uma consciência popular de que as mudanças estão longes de uma classe política, ausente e ineficiente.

As manifestações devem acabar quando o problema acabar.

E se você não consegue ver a solução…

Cristina Kirchner: “Cuando los pueblos están desunidos terminan triunfando las minorías, y cuando triunfan las minorías, sufren las grandes mayorías”

Argentina
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El sucesor de Chávez

por Santiago Alba Rico

Alguien dirá que Chávez se muere en el peor momento, cuando los peligros son mayores, cuando más se le necesita. Pero, ¿cuál habría sido el bueno, el buen momento? Todos podemos morirnos en cualquier momento y ese momento será siempre uno de los momentos de una lucha siempre inconclusa. Chávez -hay que aceptarlo- nunca habría podido vivir tanto como viven los pueblos que lo parieron y que lo seguirán necesitando. Lo que hay que decir, más bien, es que Chávez surgió en el momento adecuado, desde el fondo marino, para configurar un nuevo continente, desviar la Patria Grande de su fatalismo histórico y reordenar, en apenas 14 años, un destino geológico que, en cualquier caso, necesitará aún muchos años para fertilizar los bosques y elevar las montañas. En este sentido, Hugo Chávez no tiene posible reemplazo. Hugo Chávez sólo puede ser sustituido por el pueblo de Venezuela, cuya responsabilidad adquiere de pronto dimensiones planetarias. Desde ese mundo árabe que él no supo comprender bien, pero que no puede seguir mirándose en el espejo de la Europa fracasada y colonial y que por eso mismo, sumergido en la batalla, debe hugochavizarse y latinoamericanizarse; desde esa Europa fracasada y colonial al borde de su propio “caracazo”, drogada de narcisismo y tocada de muerte; desde todos los rincones de un planeta en zafarrancho de muerte, con dolor, con solidaridad, con esperanza, nos apoyamos hoy en el pueblo de Venezuela, sucesor del presidente Hugo Chávez, que se fue demasiado pronto como para no dejarnos inciertos y tristes pero que llegó a tiempo para dejarnos muchos y fuertes.

Chávez es hoy otro de los nombres de la ladera en la que nos mantenemos de pie.

“Entró en la historia”

La presidenta Cristina Fernández de Kirchner dijo anoche que la movilización popular de ayer en Caracas “no hizo más que ratificar un liderazgo histórico del presidente Chávez” en su país y en la región. “Como le dije a un colega de ustedes en la capilla ardiente, el comandante Chávez, el compañero y amigo, ha entrado definitivamente en la historia. Creo que hombres como Chávez no mueren, se siembran”, declaró a la prensa en el lobby del hotel. La Presidenta citó palabras de un manifestante, según el cual “Bolívar fue un liberador de pueblos y Chávez un liberador de mentes”, y agregó que “uno de los grandes méritos de Hugo fue romper una estructura cultural y mental de muchísimos compatriotas que creían que no era posible otra Venezuela”.

“Creo que millones que fueron alfabetizados, millones que tuvieron por primera vez salud, educación, vivienda y porvenir ejemplifican la vida y la militancia de Chávez”, señaló. Consultada sobre el mensaje que le enviaría a la oposición venezolana, respondió: “Yo no soy quién para mandar mensajes, porque al querer erigirse una en mensajero se autoasigna una importancia que no tiene. En todo caso, una piensa, una reflexión que una puede dar para todos los ciudadanos de Venezuela, cualquiera sea su ubicación o su militancia, es que la unidad nacional es lo más importante. La historia nos demuestra, no sólo a Venezuela sino a todos los pueblos de la región, a todos los pueblos de la Unasur, del Mercosur, de la Celac, que cuando los pueblos están desunidos terminan triunfando las minorías, y cuando triunfan las minorías, sufren las grandes mayorías”, concluyó la Presidenta.

Ejes Principales de la Cumbre los Pueblos

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Entre los días 25 y 28 de Enero de 2013 se realizará en Santiago de Chile la Cumbre Unión Europea – CELAC. En el mismo marco se realizará la reunión del CELAC en que el Gobierno de Chile entregará la conducción del bloque regional al Gobierno de Cuba.

Los gobiernos participantes han decidido poner como tema central discusión de las reuniones de Santiago a las inversiones bajo el título de “Alianza para el Desarrollo Sustentable: Promoviendo Inversiones de Calidad Social y Ambiental”.

Las organizaciones sociales, sindicales y políticas que hemos estado comprometidas en diversas cumbres anteriores y múltiples foros sociales, nos hemos coordinado para que al lado de las reuniones oficiales, en una Cumbre de los Pueblos, se escuchen las demandas y propuestas de los pueblos movilizados en las dos regiones que luchan contra las políticas neoliberales que golpean a nuestras sociedades y pretenden aniquilar sus derechos.

Convocamos a todos los movimientos sociales, populares y políticos de Chile y de ambos continentes a sumarse a la Cumbre de los Pueblos Latinoamericanos, Caribeños y Europeos en enero de 2013 en Santiago de Chile, para que sean escuchadas las justas reivindicaciones y para que sus luchas y resistencias a las políticas injustas que les son impuestas encuentren un espacio para la articulación y la construcción de alternativas.

La Cumbre de los Pueblos de Santiago tendrá lugar en medio de una crisis económica y financiera mundial sin precedente desde los años treinta del siglo pasado, y aquellos sectores que la generaron y se enriquecieron pretenden cobrarla a los pueblos, imponiendo unos tremendos retrocesos sociales y democráticos. La políticas de “austeridad”, ahora también en la zona europea, así como la evolución política en América Latina y el resto del mundo exigen una respuesta unitaria de nuestros pueblos y una salida radicalmente alternativa a la reconducción y al fortalecimiento del actual modelo neoliberal. Este momento histórico requiere igualmente replantear a fondo las relaciones entre ambos continentes.

La Cumbre de los Pueblos de Santiago es una oportunidad importante para cuestionar las distintas dimensiones de la crisis y los intentos gubernamentales de utilizar la inversión de capitales europeos en América Latina como un camino de salida a ella, en los precisos instantes en que nuestros pueblos se rebelan contra el modelo extractivista inequitativo y depredador. De allí la necesidad de evaluar los efectos de tales inversiones y más ampliamente de los Tratados de Libre Comercio (TLC), especialmente por su carácter predador de los derechos sociales, del ambiente y de las condiciones laborales, y vector de agravamiento de la tremenda desigualdad social que azota a nuestras sociedades. Los pueblos de América Latina, el Caribe y de Europa decimos no a estos TLCs, exigimos que se renegocien los que están en vigor y que se detenga la negociación o ratificación de los otros, hasta que los pueblos sean debidamente consultados sobre el tipo de relaciones bi-continentales que quieren establecer para servir sus intereses, y no los de los inversionistas y las transnacionales.

Las organizaciones abajo firmantes, llaman a construir un nuevo tipo de relación entre la Unión Europea y América Latina y el Caribe, basado en la igualdad, la descolonización, la primacía de los derechos de la ciudadanía sobre el lucro de las transnacionales, y el respeto a la soberanía y el derechos de las naciones. No aceptamos que la crisis detonada por el sistema financiero transnacional sirva para promover retrocesos sociales en detrimento de los derechos y el bienestar de los pueblos. Este encuentro exigirá que cesen las políticas de ajuste y austeridad y el replanteamiento de la arquitectura financiera internacional.

Los pueblos de nuestros dos continentes exigen y luchas duramente en las calles por la justicia social y un modelo alternativo que garantice plenamente los derechos políticos y democráticos, así como los derechos económicos, sociales, culturales y ambientales.

En paralelo a las reuniones oficiales, la Cumbre de los Pueblos será el reflejo legítimo de las luchas, las resistencias y de las demandas de nuestros pueblos por alternativas al neoliberalismo, el patriarcado, el colonialismo y la destrucción del ambiente para el lucro de pocos. La Cumbre de los Pueblos se desarrollara en favor de la justicia social y ambiental, la solidaridad y unidad entre las naciones y los pueblos latinoamericanos y europeos, la defensa de los bienes comunes y por el rechazo a la mercantilización de la naturaleza y la vida.

Los ejes temáticos deberán incluir nuestra visión sobre el modelo de sociedad que queremos, la democracia y la participación ciudadana, los derechos humanos, las reivindicaciones de nuestros pueblos originarios, de las mujeres y de la diversidad de sectores que representamos, sobre los bienes comunes, la naturaleza y la Madre Tierra, sobre la integración, las inversiones y el comercio, sobre la democratización de las comunicaciones, la gobernanza global y el modelo imperante.

Junto a los ejes temáticos centrales, habrá cabida para las actividades auto gestionadas que surjan desde las organizaciones participantes.

La Cumbre de los Pueblos, nuestra cumbre, será el espacio alternativo en el que se vuelquen las energías, las resistencias y demandas de nuestros pueblos.

Junto a los ejes temáticos centrales, habrá cabida para las actividades autogestionadas que surjan desde las organizaciones participantes, las que tienen hasta el 10 de enero del 2013 para enviar sus propuestas a través de la web http://www.cumbrechile2013.org

Eles não aprendem nada (vídeo)

por Vitor Belanciano

Não levei com bastonadas, mas ao meu lado, pais com filhos suportaram-nas. Não caí quando corria, em fuga, pelas ruas fora, mas vi quem caísse e fosse agredido violentamente pela polícia.

Sim, minutos antes, também assisti ao arremesso de pedras por parte de manifestantes e repudiei-as, como tantos outros fizeram. E sim, também vi caixotes do lixo incendiados depois pelas ruas.

Não foi a minha primeira vez num contexto daqueles. Sei como é. É como é. A impotência dos manifestantes desemboca em provocação. E do lado da polícia aproveita-se o pretexto para manifestar a força, o poder, indiscriminadamente. Isso não vai mudar nunca. Ambos os lados são o espelho da mesma encenação.

À violência de quem protesta responde o poder com mais violência, numa demonstração de força que serve para se reafirmar. Fomos atacados, dizem, limitámo-nos a responder legitimamente. É a história mais antiga do mundo. O resto são muitas bastonadas.

É uma tentação, a subida de tom dos manifestantes. Só não percebe quem não quer. Como forma de protesto, é discutível a sua eficácia. À violência do poder baseado na força deve responder-se com não-violência vigilante. A história mostra que quando um colectivo supera o medo sem violência, tende a unir-se mais, e a impor a sua vontade. O poder não está nos bastões, nem nas pedras, está na cabeça. Mas isso é a minha cabeça que pensa.

Neste momento de crispação não me parece que existam muitos que pensem da mesma forma. Ontem percebi-o. E hoje compreendi, ao ouvir as reacções, que não se tiraram quaisquer ilações. Ontem custou-me ver amigos com a cara ensanguentada, mas se querem saber o que custa mais é hoje ouvir polícias, sindicatos e políticos repetirem, também eles, as mesmas frases de circunstância, sem nenhuma novidade, nenhuma dedução nova, um enorme vazio, entre a desvalorização a roçar o paternalismo e o repúdio sem nenhum pensamento estruturado por trás. Algo que nos faça pensar, finalmente, para além do folclore habitual.

Será que esta gente não percebe que a próxima vez vai ser pior? E a que virá a seguir a essa, pior será. Porque vai acontecer. É claro que vai acontecer. E das próximas vezes não serão apenas “profissionais do protesto”, como o paternalismo vigente os trata.

Da próxima vez não serão jovens com cartazes de frases “giras”. Da próxima vez não serão “profissionais do protesto”, tratados assim como se fossem a hierarquia da disseminação da violência.

Lamento informar, mas quem pensa assim, está enganado. Não são esses os mais tumultuosos. Os mais violentos, prestes a explodir, são os muitos homens e as mulheres à beira do desespero. Quando essas pessoas pegarem fogo às ruas não o vão fazer com os caixotes do lixo colocados, apesar de tudo, a meio da rua, para as chamas não chegarem aos prédios. Vai tudo a eito. Como faz a polícia.

Alguns deles estavam lá ao lado dos “profissionais do protesto”. Eu vi-os. Não têm a cara tapada, não senhor. São pessoas crispadas, com as veias do pescoço dilatadas de gritar irados, à beira do desespero, gritando como se fosse a primeira vez, e para alguns deles até é capaz de ser verdade. Deixemo-nos de histórias. Os diversos poderes adoram “profissionais do protesto”. Dá-lhes jeito. Mas ontem foi mais do que isso. E da próxima vez será pior.

Da próxima vez, se ninguém tirar ilações, esperemos que não seja tarde de mais.

Veja no Público: os rostos da indignação na greve geral (vídeo)

Grécia imita Pernambuco. Detido jornalista grego que publicou a “lista Lagarde”

 Kostas Vaxevanis
Kostas Vaxevanis

Um jornalista grego foi detido hoje por ter revelado os nomes de uma lista de cidadãos com contas bancárias na Suíça e vai ser presente ao procurador de Atenas, informou fonte policial citada pela agência France Presse.

O jornalista Kostas Vaxevanis publicou os 2.059 nomes da lista entregue ao Governo grego, em 2010, por Christine Lagarde, na altura ministra das Finanças de França.

O anúncio de que o gabinete de procurador de Atenas ordenou um inquérito à publicação da lista pela revista HotDoc indignou muitos gregos e dominou os comentários nas redes sociais.

“Em vez de prenderem os ladrões e os ministros que violam a lei, querem prender a verdade”, escreveu o jornalista na sua conta no Twitter no sábado à noite.

A lista faz parte de um conjunto de documentos revelado por um funcionário do banco HSBC na Suíça e foi entregue ao Governo grego em 2010 pela ex-ministra francesa e atual diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ministro das Finanças grego à época, George Papaconstantinou, disse na quarta-feira passada no Parlamento não saber o que aconteceu ao original da “lista Lagarde”.

No mesmo dia, o atual ministro das Finanças, Yannis Stournaras, disse ter pedido a França que envie uma cópia.

O Governo de coligação grego saído das eleições de junho começou por afastar a possibilidade de agir judicialmente contra as pessoas que constam da lista, por evasão fiscal, alegando que ela foi obtida ilegalmente.

Mas a indignação de muitos gregos com o que consideraram ser uma tentativa de encobrimento do caso obrigou o Governo a recuar.

Em Pernambuco, o jornalista Ricardo Antunes foi preso pela polícia do governador Eduardo Campos. Está em prisão de segurança máxima, incomunicável. Não pode escrever para se defender da acusação de extorsão. Parece humor negro: inquérito policial contra jornalista corre em segredo de justiça. A acusação é de que Ricardo cobrou do jornalista, cientista político, sociólogo, banqueiro, construtor imobiliário, pesquisador de opinião pública etc Antônio Lavareda, um milhão de dólares por uma notícia. A “grande rede” noticiou a prisão, e não publicou mais nada. Eta rede encabrestada! Esta mesma rede vai ser estendida na campanha presidencial de 2014. Diante do espantoso silêncio da grande imprensa, correm entre jornalistas independentes e blogueiros tenebrosos boatos e rumores. É no que dá a censura.

Exemplar revolução da Islândia

A Islândia saiu da crise, do atoleiro em que se encontram Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda.

Crise edêmica em países do Terceiro Mundo e nos emergentes como o Brasil, onde as condições de vida são degradantes. Basta citar que São Paulo tem 2.627 favelas, e Rio de Janeiro, 1.100.

Que fez a Islândia?

Se hizo dimitir a un gobierno al completo, se nacionalizaron los principales bancos, se decidió no pagar la deuda que estos han creado con Gran Bretaña y Holanda a causa de su execrable política financiera y se acaba de crear una asamblea popular para reescribir su constitución. Y todo ello de forma pacífica: a golpe de cacerola, gritos y certero lanzamiento de huevos. Esta ha sido una revolución contra el poder político-financiero neoliberal que nos ha conducido hasta la crisis actual. He aquí por qué no se han dado a conocer apenas estos hechos durante dos años o se ha informado frivolamente y de refilón: ¿Qué pasaría si el resto de ciudadanos europeos tomaran ejemplo?

La historia de los hechos