O retorno dos golpes na América Latina

  • O efeito dominó dos golpes de Honduras e Paraguai

  • Dilma desconhece que na propaganda política devemos usar as mesmas armas dos adversários 

 

 

As ditaduras do Século XX retornaram à América Latina por Honduras, com o impeachment e prisão do presidente Manuel Zelaya em 2009. O golpe foi motivado pelo medo de que ele introduzisse um “socialismo populista” aos moldes de Hugo Chávez no país. A mesma acusação existe contra Dilma Rousseff. Jango foi deposto em 1964, acusado de pretender instalar uma república sindicalista, tendo como modelo o peronismo da Argentina.

Manuel Zelaya foi eleito presidente de Honduras em 2005 pelo Partido Liberal, um dos mais tradicionais do país, para um mandato não-renovável de quatro anos. Nascido em uma família rica, Zelaya faz parte da elite empresarial de Honduras. Inicialmente apoiava os tratados de livre comércio com os Estados Unidos, mas a partir de 2007, com a guinada à esquerda da América Central, começou a adotar posições alinhadas com o “Socialismo do Século XXI” inaugurado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tanto nos campos econômico e social como na política externa ligada à Alternativa Bolivariana para as Américas, o que – segundo analistas de esquerda teria desagradado a “elite” de seu país, que sempre manteve laços fortes com os Estados Unidos. De acordo com o jornal estadunidense The New York Times, muito do apoio a Zelaya vinha de sindicatos, enquanto que a maioria nas classes média e alta – assim como vários analistas – temiam que ele pretendesse entrar no Mercosul. Ou um governo tipo petista de programas sociais, como bolsa-família. Dilma foi além de Lula, no avanço independente de entrar no BRICS.

Outro motivo: Zelaya tinha a intenção de fazer uma consulta pública, para que os eleitores opinassem sobre a realização de um referendo para a convocação de uma Assembléia Constituinte. O mesmo acontece no Brasil, o Congresso e a Justiça Suprema são contra a realização de referendos e plebiscitos.

O golpe de Honduras foi também uma reação por impor às emissoras de rádio e televisão a obrigatoriedade de transmitir programas do governo. No Brasil existia o programa de rádio de maior audiência “A Voz do Brasil”, que Dilma em um ato suicida, sucumbiu à pressão da Globo. Em 12 de junho de 2014, entrou em vigor uma medida provisória, que autoriza a flexibilização do horário da Voz do Brasil entre 19 e 22 horas.

Outra pressão sofrida por Dilma foi remunerar o guia eleitoral, lei Etelvino Lins de 1965, que deixou de ser gratuito, e exibido em horário nobre nas programações de rádio e televisão. E o pior, a redução do tempo de campanha, o que impossibilita os eleitores de conhecer os candidatos. Razão de termos uma maioria de corruptos nos governos estaduais e casas legislativas.

Este ano, a propaganda em rádio e TV tem início no dia 26 de agosto, ou seja, dez dias depois do que foi nas últimas campanhas. A propaganda eleitoral, que antes tinha dois programas por dia, com duração de meia hora, de segunda a sábado, agora terá dois programas de apenas 10 minutos.

As informações oficiais, jornalísticas e propagandistas do Governo são defensivas e péssimas. Para completar, na véspera da votação do impeachment, Dilma foi impedida, pela justiça parcial e partidária, de falar à Nação, de apresentar sua defesa, quando todo governante tem que prestar contas ao povo, e as rádios e televisões são concessões, e o atual monopólio dos meios de comunicação foi criado pela ditadura militar, e consolidado como moeda de troca pelo voto que aprovou a emenda da reeleição de Fernando Henrique.

O golpe de Honduras, de 2009, foi repetido no Paraguai em 2012, e vai acontecer no Brasil este ano; e do Brasil, pelo chamado efeito dominó, destruir as democracias independentes da Venezuela, Bolívia, Equador e demais países livres da América Latina.  Clique nos links abaixo deste post

 

 

 

 

 

 

Horacio Cartes ingressou no futebol como um negócio

por Iuri Müller

O jornalista César Ávalos acompanha a trajetória do empresário – e agora presidente – Horacio Cartes desde 1985. Em 2013, pouco antes das eleições, lançou o livro “La otra cara de HC”
O jornalista César Ávalos acompanha a trajetória do empresário – e agora presidente – Horacio Cartes desde 1985. Em 2013, pouco antes das eleições, lançou o livro “La otra cara de HC”

O novo presidente do Paraguai, Horacio Cartes, alcançou mais de um milhão de votos nas eleições de 21 de abril , cerca de 46% do total. Com ele, retorna ao poder o velho Partido Colorado, sigla que passou sessenta anos consecutivos na presidência – até o dia em que Fernando Lugo rompeu com o domínio que certa vez pareceu eterno. Mas Lugo não pôde terminar o seu mandato: foi destituído, e um dos entusiastas do impeachment de 2012 foi justamente Horacio Cartes. A eleição do novo mandatário se conecta com outros capítulos políticos da história recente do país, e contra Cartes não faltam acusações e denúncias.

O jornalista paraguaio César “Chiqui” Ávalos organizou parte delas no livro “La otra cara de Horacio Cartes”, lançado em Assunção antes do processo eleitoral e hoje um sucesso de vendas. Em entrevista para o Sul21, Ávalos buscou esmiuçar a atuação do novo presidente em diferentes lados. O jornalista responde sobre os supostos privilégios que o presidente obteve durante a ditadura militar, o papel como dirigente de futebol no Club Libertad, as negociações como empresário do tabaco e da bebida e os processos judiciais que Cartes responde na América Latina.

Sul21 – Ávalos, antes das eleições surgiram diversas acusações contra Horacio Cartes, muitas delas inclusive foram denúncias detalhadas. E, assim mesmo, Cartes foi eleito presidente do Paraguai com uma grande votação. A que se deve o prestígio de Horacio Cartes no país?

Ávalos – O fato de que a votação tenha se definido a favor de Cartes não se deve a seu prestígio, por sinal bastante questionado, mas pela estrutura do Partido Colorado, o maior do país, e que regressa para a presidência em que esteve por sessenta anos. De maneira que a tarefa de reconstrução do partido, apontada pelo dinheiro de Cartes, tem a ver com este resultado.

Sul21 – Cartes é acusado de receber milhares de hectares de terra destinados à reforma agrária nos anos oitenta. Há informações sobre isso no livro “La otra cara de Horacio Cartes”?

Ávalos – Na verdade, houve uma decisão mediante a qual foram repassados a Cartes 4.000 hectares. É uma irregularidade, pois a reforma agrária é apenas para os cidadãos que vivem da produção da terra. O livro conta que já naquela época (eram os anos 80) Cartes fora privilegiado, ou seja, Cartes foi privilegiado desde a época Alfredo Stroessner.

Sul21 – Sobre o mesmo tema, e já que o Paraguai é um país com enormes conflitos no campo, como o novo presidente deve manejar o diálogo com os campesinos?

Ávalos – O problema com os campesinos exigirá alguma vez uma definição política, e não econômica, considerando as irregularidades cometidas durante sessenta anos na concessão das terras. Em vinte anos, não se pôde fazer uma avaliação dos cadastros porque não convém a ninguém perder os privilégios já concedidos.

Sul21 – As últimas eleições ocorreram no momento em que o país ainda se recuperava do golpe de Estado que resultou na queda de Fernando Lugo. Como foi possível garantir eleições limpas no Paraguai?

Ávalos – A destituição de Lugo, mais além da sua legitimidade (que creio correta de acordo com a Constituição), se deveu à falta de manejo de Lugo para governar e a uma corrupção sem limites nas concessões do Estado, que possivelmente ele até desconhecia, dada a sua ausência no poder. Por isso, a esquerda que sustentava o luguismo não chegou a 13% dos votos nas últimas eleições.

Sul21 – Quais são os negócios que Horacio Cartes mantém fora da América Latina? Como ele negocia tabaco e bebida para o exterior?

Ávalos – A explicação é complexa e para entender é preciso ler o livro, mas as negociações estão relacionadas com liberações de todo tipo e flexibilidade na aplicação das medidas de controle. E, sobretudo, a uma estrutura criada para facilitar o desenvolvimento dos seus negócios, ilícitos principalmente nos países limítrofes, como Brasil e Argentina.

Sul21 – O novo presidente paraguaio também gerou notícias pela sua atuação frente ao Club Libertad, que em uma década se tornou uma força do futebol de Assunção. Como dirigente de futebol, que artifícios se utilizou Horacio Cartes?

Ávalos – Cartes ingressou no futebol como um negócio, gerenciando um clube tradicional, o que permitiu vantagens na transferência de jogadores que não estavam permitidas normalmente. Ele incrementou o orçamento, criou um sistema de promoção de jogadores, trazendo de clubes menores, do interior, e transferindo a preços multiplicados para a Europa, com grandes benefícios.

Sul21 – O livro “La otra cara de Horacio Cartes” foi feito a partir de uma longa pesquisa. Cartes, como empresário, já despertava a desconfiança da imprensa paraguaia?

Ávalos – O trabalho no livro começou em 1985, quando se produziu o primeiro delito de Cartes, o da evasão de divisas, operação mediante a qual se simulava a importação de produtos agrícolas subsidiados por um preço do dólar menor que o oficial. O dinheiro chegava sem que se houvesse feito as importações, e se vendia na rua com os benefícios lógicos. A partir daí, esteve envolvido em outras operações, especialmente com o Brasil, há denúncias até de contrabando de diamantes, etc.

Sul21 – Com Cartes, o Partido Colorado irá retornar à presidência do país que governou por sessenta anos, cerca de trinta deles com Stroessner. Quais as heranças da ditadura que ainda são visíveis na estrutura do partido?

Ávalos – O governo de Stroessner fundou uma dinastia em que as pessoas próximas enriqueceram mediante privilégios como a concessão das terras, o contrabando, a corrupção, as prebendas públicas (só tinham direito aos cargos do Estado os colorados, e para ser professor ou membro das Forças Armadas, por exemplo, era preciso ter um papel de filiação). Esse costume se estendeu até agora, e ainda existem vestígios dessas práticas, que curiosamente foram repetidas por gente de outros partidos no poder (como com Lugo e o Partido Liberal).

Sul21 – Quais os processos mais importantes pelos quais Cartes ainda responde na Justiça do Paraguai? No Brasil, também há um processo registrado contra ele – a empresa Souza Cruz entrou na Justiça do Rio de Janeiro contra a Tabacalera del Este, de propriedade de Cartes. De que maneira essa empresa atua no mercado brasileiro?

Ávalos – Por agora, Cartes não tem juízos pendentes com a Justiça dentro do Paraguai, ainda que seja possível que sim no Brasil. Sua organização foi demandada centenas de vezes como proprietária do Banco Amambay, e das quatro causas que teve na justiça ordinária (evasão, homicídio doloso), houve extinção da causa.

Sul21 – Como o público recebeu o livro “La otra cara de Horacio Cartes” em Assunção? E fora do país, houve interesse e curiosidade pelos negócios de Horacio Cartes?

Ávalos – É um orgulho para mim que o livro tenha batido todos os recordes de venda conhecidos até agora no país, o que demonstra a sua seriedade e confiabilidade. Recebi ameaças e, é claro, questionamentos pessoais, mas nenhum relacionado com a veracidade dos documentos apresentados na obra. No exterior, os colegas me brindaram uma ampla cobertura em todo o mundo, e houve notas em jornais como The New York Times, The Guardian, Clarín e Página 12. Creio que é o suficiente para explicar a repercussão.

Vivi Figueredo: Presidente Lugo prefería al natural y a lo yma

– ¿Cómo se dio tu primer contacto con el presi?
– Fue en un encuentro que tuvimos los integrantes de un reality donde yo participé y duré muy poco. Él había organizado una cena y había muchas famosas ahí.

– ¿Quién organizó la farra?
– Yo creo que fue Zuni (Castiñeira) porque ella lo que tenía más trato con él.

– ¿En esa fiesta ni se hablaron?
– No. Él ya me conocía porque una vez me hizo llamar a través de su abogado que llegó a mi casa (cuando eso vivía en la casa de mamá) y me dijo: “Quiere saber el barbudo por cuánto vas a salir con él”.

– ¿Y saliste?
– No salí con él esa vez. Nos volvimos a ver mucho tiempo después, pero ahí ya contactó conmigo a través de otra persona.

– ¿Qué te dijeron?
– A él le llamó la atención cuando salí en el diario a decir que era virgen de vuelta. Al parecer, quería ser el que me inaugure, pero no se podía porque otro me había pagado la operación.

– ¿Pero al final, saliste con él?
– Y sí…

– ¿Cómo es entrar a Mburuvicha Róga?
– Y hay mucho control; están los guardias que te escoltan desde que entrás hasta que salís. Te piden que apagues el celular, hay mucho control.

– ¿Te acordás si te anotaron en el libro de visitas?
– Para mí que no. No veo porque me tienen que anotar si esas eran reuniones que él hacía para relajarse, no tenía nada que ver con sus labores políticas.

– ¿Después de toda la fama que le dieron sus ex…Cómo calificarías al ex presi? ¿Es realmente mborevi como dicen?
– Mba’e mborevi katu piko. No es la gran cosa. Yo creo que las chicas inventan un poco con tal de figurar.

– Se te escucha medio decepcionada…
– Y ya te digo, es una pérdida de tiempo estar con Lugo, en todo sentido.

– ¿O sea, que duró poco?
– Apenas cinco minutos a reventar estuve con él.

– Volvamos a Mburuvicha Róga… ¿Ahí mismo se armaba el baile?
– Sí. Así como Tinelli tiene el cuarto piso donde él tiene su espacio, en Mburuvicha Róga era el segundo piso, lugar donde Lugo llevaba a las chicas que le gustaba.

– ¿Viste a algún conocido cuando estuviste ahí?
– Había mucha gente que yo no conocía. Pero no lo vi a Marcial Congo por ejemplo; él no estaba. Marcos Fariña la oiko hatãveva en el grupo más cercano del presidente.

Paraguay: Trípice Aliança da Mossanto, Alcan e Bases do Tio Sam

A instigação de um jornal paraguaio golpista e entreguista

A ditadura de Frederico Franco atiça a xenofobia. Em busca do apoio popular joga os paraguaios contra os argentinos e brasileiros. Considera a entrada da Venezuela no Mercosul uma vitória da Tríplice Aliança – Argentina, Brasil e Uruguai.

A Tríplice Aliança ou Guerra do Paraguai constitui uma lembrança triste para os paraguaios. Mas Federico Franco não é um Solano Lopes, nacionalista, que lutou contra o imperialismo inglês.

Federico Franco pretende instalar bases do Tio Sam. E vender o Paraguai.

O entreguismo:

 

Después del golpe parlamentario, el embajador de Canadá —país en el que está la sede central de Río Tinto Alcan— fue el tercer embajador en visitar a Federico Franco para felicitarlo. Antes el ahora presidente había hecho una visita a dicho país para conocer esta transnacional. Y en su primer discurso dijo que la electricidad que tenemos hay que dejarla en manos de las grandes empresas.

Hechos y palabras que muestran una cierta inclinación hacia Río Tinto Alcan. Un punto de fricción con una gran parte de nuestro pueblo que no aceptaría un contrato con ella.

Recordemos el problema con Río Tinto Alcan
Entre otras cosas, trabaja el aluminio en tres etapas: una primera, muy contaminante, en la cual se convierte la bauxita en alúmina. Una segunda etapa —la que vendría al Paraguay— en la cual se utiliza la electricidad para transformar la alúmina en aluminio. Y una tercera —que esta vez estaría en Brasil— de adaptación del aluminio a los diversos usos.

La inconveniencia de su instalación entre nosotros, señalada por expertos y muchos ciudadanos, es al menos triple:

– Ella sola consumirá tanta electricidad como todas las fábricas actualmente funcionando en el Paraguay.
– Por ese enorme empleo de electricidad pagaría menos de lo que cuesta producirla en Itaipú, por lo que tendría que ser subsidiada. Un subsidio que recaería sobre la factura de electricidad del usuario paraguayo.
– Y, finalmente, una vez terminada las construcciones necesarias para su instalación, crearía solamente 1.250 puestos de trabajo, mientras que la industria nacional genera más de 322.000 empleos.

El contrato sería hasta 2035, y por él nos faltaría ya electricidad para otras fábricas

Detrás del golpe: nuevas bases en Paraguay “E

Como se sabe la “acción Cívica ” y “ayuda humanitaria”, que ya han realizado tropas de Estados Unidos en Paraguay, a las que se dio inmunidad diplomática en mayo de 2005, es un esquema de contrainsurgencia, de espionaje y control poblacional y territorial.
De acuerdo a las fuentes, esta propuesta tomó estado público el pasado 23 de junio “luego de un encuentro entre referentes de la Comisión de Defensa de diputados con un grupo de generales de Estados Unidos que llegó al país para dialogar sobre eventuales acuerdos de cooperación.”
Esta precisamente podría ser una de las causas de la rapidez con que se sacó a Lugo del medio por los compromisos con el Mercado Común del Sur y la Unión de Naciones Sudamericanas (Unasur) lo que no hubiera permitido avanzar en este proceso de bases.
En 2009 Lugo había rechazado, aunque débilmente la posibilidad de maniobras grandes del Comando Sur en Paraguay, aduciendo los compromisos con los países asociados.
El análisis de James Petras “Es cierto que el golpe parlamentario contra el presidente Lugo es parte de un esfuerzo de los Estados Unidos de recuperar influencia, junto a sus socios oligárquicos en América Latina”, dijo el sociólogo norteamericano James Petras.
(Bem explicado: a continuação do efeito dominó. Da onda golpista que começou em Honduras. Um retorno total das ditaduras do Cone Sul. Dos tempos de Pinochet)

  

Monsanto golpea en Paraguay: Los muertos de Curuguaty y el juicio político a Lugo


por Idilio Méndez Grimald 

Honduras e Paraguai, golpes completamente diferentes

Entrevista de Martin Almada

 

– Como se deu a articulação do golpe que destituiu Fernando Lugo da presidência do Paraguai?

Foi uma trama muito bem montada pela direita paraguaia. E quando digo direita paraguaia, refiro-me à oligarquia Vicuna, aos grandes fazendeiros, refiro-me aos donos da terra, os plantadores de soja transgénica, refiro-me às multinacionais, como a Cargil e a Monsanto, e também aos partidos tradicionais ligados a essas oligarquias. É um caso muito particular de golpe.

 

– Mas é possível compará-lo, por exemplo, com o golpe que ocorreu nas Honduras?

Ao contrário do que muitos dizem, não se pode comparar. Foram golpes completamente diferentes. Nas Honduras, o exército norte-americano interveio, juntamente com as tropas hondurenhas. A embaixada americana teve uma atuação clara. O presidente caiu na sua cama. No Paraguai, tudo foi articulado via parlamento, que é a instituição mais corrupta do país. No fundo, é claro, sem aparecer, também estava a embaixada americana. Mas a sua participação deu-se através das organizações não governamentais (ONGs) e dos órgãos de segurança. Normalmente, um golpe de estado, como ocorreu nas Honduras, dá-se com tiroteio, bomba, pólvora, morte. No Paraguai, não houve tiroteio, não houve pólvora. O que rolou foi muito dinheiro, muitos dólares.

– E como se comportou a imprensa paraguaia?

Os meios de comunicação estavam todos ao serviço do golpe. É por isso que digo que foi um golpe perfeito: quando o presidente golpista assumiu, cantou-se o hino nacional com uma orquestra. E uma orquestra de câmara. Foi um golpe planificado com muita antecipação.

– E onde estava o povo, os movimentos organizados que não saíram às ruas?

O presidente Lugo cometeu muitos erros. Primeiro, quando ocorreu a morte dos sete polícias e onze camponeses, eu penso, como defensor dos direitos humanos, que tanto a polícia quanto os camponeses eram inocentes. Aquele conflito foi uma trama. Os polícias usavam colete à prova de balas, mas os tiros ultrapassaram estes coletes. E nós sabemos que as armas usadas pelos camponeses são muito artesanais. Não teriam essa capacidade. O que nós imaginamos é que haviam infiltrados com armas muito potentes. E Lugo, após o conflito, fez uma declaração péssima: condenou os camponeses e prestou condolências aos familiares dos polícias. Isso caiu muito mal. Segundo, Lugo assinou uma lei repressiva, uma lei de tolerância zero. Outro erro de Lugo foi firmar acordo com a Colômbia para assessorar a polícia paraguaia.

– Para tentar manter-se no poder, ele fez concessões à direita que o desgastaram com as classes populares. É isso?

Exatamente. Então, no momento do golpe, o povo não saiu às ruas. Na verdade, foram dois motivos. Primeiro, a frustração, a indignação e o desencanto com Lugo. Segundo, no Paraguai, as pessoas com mais de 40 anos têm muito medo. Porque nós não vivemos 20 anos de ditadura. Nós vivemos 60. Então, só os jovens saíram às ruas. Aliás sempre, no Paraguai, as manifestações de rua são protagonizadas por jovens, que têm uma coragem admirável.

 (Transcrevi trechos)
Da campanha estudandil dos estudantes Paraguai, indignados com as lei de Lugo de tolerância zero, e acordo com a polícia da Colômbia
Cartazete da campanha dos estudantes do Paraguai, indignados com as lei de Lugo de tolerância zero, e acordo com a polícia golpista e corrupta da Colômbia

Brasil e Paraguai: a diferença é a capacidade de se vender

por RAPHAEL TSAVKKO

Dilma ligando para Lugo: “Tá vendo? Eu disse que não bastava se aliar com a direita, é preciso governar para a direita”.

Esse diálogo, obviamente hipotético, não me parece distante da realidade, das possibilidades. Dilma e Lugo se sustentam sob uma base de centro-direita. Lugo se sustentava em base composta pelo Partido Liberal e por setores do Partido Colorado. Dilma ainda tem o PT e mais um ou outro partido que se declara de esquerda – por mais que não sejam – em sua base, mas ainda assim é dominada pela direita. Ou melhor, deixou-se dominar através de alianças com a direita, desde a liberal até a abertamente fascista. De PMDB a PP, com passagem pelos evangélicos do PSC e os pastores do PR. Lugo, por outro lado, não tinha nenhum parlamentar de seu partido/coalizão eleito, dependia inteiramente do partido de seu vice e algoz, Frederico Franco, cujo sobrenome é de causar calafrios.

E Dilma, assim como Lula, logo aprendeu que para se manter no poder o caminho mais fácil era fingir que colocava em prática bandeiras dos movimentos sociais e que transformava a sociedade através de imensa propaganda, com uma militância fanatizada e cega, e programas e projetos que, na verdade, tinham e têm o objetivo apenas de criar um mercado consumidor mais amplo.

Educação? “Coloquem os pobres em ‘UniEsquinas’ que lá não terão educação de verdade – mas pensarão que têm – e garantimos os lucros imensos aos empresários do setor. Vamos dizer que todo o país é de classe média, uma bela jogada de propaganda, mesmo que sob renda per capita de 291 reais por família” – o que é situação de miséria em qualquer outro país sério.

Com juros mais baixos, o que em si é bom, conseguem fazer com que a população consuma mais e se endivide mais, passando a idéia de que os bancos não lucrarão muito com isso. “Vamos elevar a renda dos mais pobres, não para que tenham dignidade, mas para, com 291 reais ou um pouco mais, poderem consumir e, claro, garantir o lucro dos empresários”.

E por aí vai…

No fim das contas, bandeiras como a dos direitos reprodutivos da mulher, luta contra homofobia, reforma agrária e outros assuntos proibidos pelos aliados conservadores foram fácil e rapidamente abandonadas por Dilma, pelo PT e pelos remanescentes de esquerda da base. Salvo um ou outro, todos preferiram o fácil poder à dignidade e à ética.

Mas a tática deu certo, o PT continua no poder. Repete que luta contra a direita, representada quase que exclusivamente pelo PSDB (ainda que o PT esteja aliado com o PSDB em várias cidades) e pelo DEM, cujos membros, em grande maioria, migraram para o PSD, que agora apóia o PT e, claro, recebe sua parte do bolo.

Lugo, por sua vez, parece realmente não ter escutado ou aprendido com Dilma. Fez aliança com a direita, mas não aceitou integralmente seu programa. Não aceitou criminalizar abertamente camponeses e os mais pobres e não aceitou derramar o sangue dos membros dos movimentos sociais. Lutou contra o pior que a direita podia fazer. Não que tenha feito um governo de esquerda ou exatamente bom, mas ao menos conseguiu frear boa parte do ódio que a elite tem pelos que não aceitam calados sua situação de subserviência e pobreza.

O Paraguai não é o Brasil, não há dinheiro infinito para dar a aliados sempre que reclamam. Por mais que o Brasil não seja um paraíso, o Paraguai é um país ainda mais pobre, com uma miserabilidade muito maior (em termos proporcionais), com uma sociedade civil mais desorganizada que a nossa e com uma mídia ainda pior e claramente golpista. Lugo não cedeu em tudo, como fez e faz Dilma e em menor grau Lula, e pagou o preço.

Lugo caiu, mas decidiu não resistir. Fica como lição para certa esquerda que aliança com a direita não é garantia de nada. Caso contrarie os “aliados”, o golpe pode chegar. Não se confia em fascista, não se coloca a segurança de um país nas mãos de forças retrógradas e conservadoras.

Para a América Latina fica também uma lição, a de que é preciso unir os esforços para evitar a retomada da direita, seja pelas urnas, seja por golpes. E a direita é mestra em dar golpes. Honduras primeiro, agora o Paraguai. A direita está começando pelas periferias da América Latina, pelos mais vulneráveis, mas pode se animar ainda mais.

 

Paraguay: golpe meticulosamente organizado y asistido por francotiradores no identificados

por Nil Nikandrov

 

 

 

 

La victoria debe haber sido fácil para los coordinadores de la conspiración en la embajada norteamericana en Asunción. Lo cierto es que la presidencia de Lugo era un tanto nominal ya que el parlamento, la policía y el ejército estaban del lado de la oposición. Habiendo prosperado durante décadas al calor de las finanzas de la USAID, un conjunto de organizaciones no gubernamentales estaban preparadas para montar protestas masivas en caso que el plan anti-Lugo se paralizara, pero no tuvieron que hacerlo –aparte de la tasa de muertos en Curuguaty—el derrocamiento del legítimo presidente de Paraguay merece figurar como un caso ejemplar en los registros de los servicios de inteligencia de Estados Unidos.

El vicepresidente paraguayo, Federico Franco, juramentado sin demora al tiempo que Lugo era depuesto, permanecerá en el cargo hasta el fin del período presidencial de este en el mes de agosto del 2013. Las elecciones se realizarán en el mismo mes y Washington abiertamente apoya al líder el Partido Colorado, Horacio Cartes, empresario que de acuerdo con ABC Color, la DEA lo tuvo como sospechoso de lavado de dinero y complicidad con los carteles de la droga. El vuelco en la reputación de Cartes quedó reflejado en algunos de los cables que publicó Wikileaks y es posible que algunas agencias norteamericanas hayan conformado un conjunto de informes que involucran a Cartes y que Washington no tendrá ninguna dificultad para mantenerlo bajo estricto control –al igual que a no pocos presidentes latinoamericanos.

En la Red se encuentran varias versiones sobre el incidente armado de Curuguaty. Una posible explicación es que la responsabilidad fue de Blas Riquelme quien contrató a varios francotiradores a través de sus contactos en las fuerzas armadas, aunque no queda claro por qué los francotiradores dispararon contra la policía. Una versión alternativa sostiene que el episodio fue una provocación montada por el Ejército Popular Paraguayo, un grupo clandestino supuestamente formado por la policía para combatir extremistas. Este origen hipotético podría ser la razón de por qué este ejército continúa vivo a pesar del intenso trabajo que se realiza en Paraguay por parte de expertos invitados colombianos y norteamericanos.

Alvarado Godoy escribió en el sitio web titulado “Descubriendo Verdades” que todo el episodio había sido un “montaje fabricado,” básicamente siguiendo un plan preconcebido. Godoy asegura tener información que en la operación participaron los US Navy Seals (grupo comando norteamericano) instalados en Paraguay para entrenar marines paraguayos. La historia no suena descabellada considerando el hecho de que a menudo ciudadanos norteamericanos han sido sorprendidos con armamento de francotiradores en toda América Latina y recientemente en Argentina y Bolivia. Rutinariamente la CIA, la DEA y la Agencia de Inteligencia para la Defensa de Estados Unidos contratan personal para realizar operaciones encubiertas en las que se emplean armas de fuego.

Francamente el pronóstico es que el esquema exitosamente probado por Estados Unidos en Honduras y Paraguay –deposición pseudo-constitucional de presidentes rebeldes—será aplicado de manera profusa en América Latina en los próximos años. En todo caso, Washington sería ingenuo si creyera que la violencia resultante puede ser contenida. En Honduras, el gobierno títere de P. Lobo se aferra al poder recurriendo a una campaña terrorista que ya ha cobrado cientos de vidas de políticos, periodistas, sindicalistas, estudiantes y líderes indígenas progresistas, cosa que de seguro ocurrirá en el futuro en Paraguay.

(Transcrevi trechos). Vide 

“Golpe en Paraguay forma parte de todo un plan estratégico. Es el control de la fuente de agua más grande del mundo, el Acuífero Guaraní, de las fronteras de Argentina y Brasil y la posibilidad de derribar a Evo”

Entrevista a Guillermo Almeyra, editorialista del diario mexicano La Jornada

– EE.UU. considera Paraguay un lugar estratégico fundamental, primero, es el país más pobre y débil de Mercosur; segundo, es fronterizo con los dos países más grandes: Argentina y Brasil, pero también con Bolivia, otro país que quieren desestabilizar lo antes posible porque se les escapó completamente de las manos.

El golpe en Paraguay forma parte de todo un plan estratégico. Tiene la base militar norteamericana más grande de Sudamérica – Estigarribia – e incluso habían conseguido prolongarla en el Chaco con el apoyo del gobernador Capitanich, de modo tal que le dan una importancia muy grande a Paraguay porque además es el control de la fuente de agua más grande del mundo, el Acuífero Guaraní, pero también el control de las fronteras de Argentina y Brasil y como te decía la posibilidad de derribar a Evo.

El golpe fue fácil porque tenían mayoría absoluta en el Parlamento, pero desprolijo como siempre, por su impunidad. Es imposible que un golpe así no haya sido discutido antes con la Embajada de EE.UU. porque la derecha paraguaya, como la de todo el mundo, no da un paso sin discutirlo con EE.UU. Además, porque sabían que iban a ser separados del Mercosur que les puede cortar los víveres cerrando sus fronteras, y de darse el caso, Paraguay pasaría a depender estrictamente de EE.UU.

Es un golpe contra todos, contra la democracia en América Latina, contra el Mercosur, contra la Unasur. No olvidemos que Lugo iba a ser el próximo presidente pro tempore de la Unasur y justamente en ese momento dan el golpe. En particular, es un golpe contra los movimientos de masas, contra los campesinos.

Me parece que ahora lo fundamental es, por un lado, defender la democracia, incluso con Lugo; por otro lado, no ser dependiente de éste y tener una organización propia de los movimientos de masas porque Lugo es vacilante y conciliador y es indispensable que se comprenda que la democracia no la va a defender Lugo sino la fuerza de los trabajadores del campo y la ciudad. Sus organizaciones, su capacidad para organizarse, de cortar rutas, de hacer huelgas, de rechazar medidas, es lo que realmente asusta a los golpistas.

Transcrevi trechos

Por que caiu Lugo? A conexão dos agronegócios

por Atilio A. Boron

O Congresso do Paraguai consumou uma das fraudes mais descaradas da história política latino-americana: destituiu, num julgamento sumaríssimo que parecia mais um linchamento político do que um processo constitucional, o presidente Fernando Lugo. Com uma velocidade proporcional à sua ilegitimidade, o Senado mais corrupto das Américas – e isto quer dizer muito – considerou-o culpado de “mau desempenho” das suas funções por causa das mortes na desocupação de uma fazenda em Curuguaty.

Que o massacre foi uma armadilha preparada por uma direita que desde que Lugo assumiu o cargo estava à espera do momento certo para acabar com um regime que, apesar de não ter afetado os seus interesses, abriu um espaço para o protesto social e organização popular incompatível com a sua dominação de classe.

A desonra eterna de ser o condutor deste golpe institucional, que imita o perpetrado contra Mel Zelaya nas Honduras (com exceção da operação comando pela qual este foi levado de sua casa na ponta das baionetas) foi atribuída ao Sr. Aldo Zuccolillo, diretor e proprietário do jornal ABC Color e líder exaltado da Sociedade Interamericana de Imprensa, a sinistra SIP.

Esse personagem de outrora – um filho adotivo do strossnismo [do ditador Alfredo Stroessner] – é, como vários de seus colegas no resto da região, um empresário sem escrúpulos que promove o seu negócio sob proteção da “liberdade de imprensa” e de um inverosímel “jornalismo independente”, improvável tanga que não consegue esconder o empresário sombrio que, como evidenciado pelo economista paraguaio Idyll Mendez Grimaldi, é o “principal parceiro no Paraguai da Cargill, uma das maiores multinacionais do agronegócio no mundo.”

A ABC Color lançou uma intensa campanha antes do golpe, estabelecendo o clima político que tornou possível o rapidíssimo linchamento político de Lugo. O papel da Cargill e Monsanto no democracídio perpretado no Paraguai é escandaloso. Oferecendo uma radiografia dos saques sistemáticos que este país sofreu, o economista paraguaio Mendez Grimaldi argumenta que “o agronegócio no Paraguai quase não é tributado, pela forte proteção que tem no Congresso, dominado pela direita.

A pressão fiscal no Paraguai é de apenas 13% do PIB. 60% do imposto arrecadado pelo Estado paraguaio é o Imposto sobre o Valor Acrescentado, IVA. Os proprietários não pagam impostos. O imposto sobre a propriedade representa apenas 0,04% da carga tributária, cerca de 5 milhões de dólares, de acordo com um estudo do Banco Mundial, embora o agronegócio produza rendas de cerca de 30% do PIB, o que representa cerca de 6.000 milhões de dólares anualmente… . 85 por cento das terras, cerca de 30 milhões de hectares, está nas mãos de 2 por cento dos proprietários.”

Num capitalismo com estas características, onde as regalias e subornos são o motor da acumulação de capital, era pouco provável que Lugo pudesse estabilizar-se no poder sem a construção de uma forte base social de apoio. No entanto, apesar de várias advertências dos aliados dentro e fora do Paraguay, o presidente deposto não assumiu a tarefa enorme de consolidar a força social heterogénea, que com grande entusiasmo o elevou à presidência em agosto de 2008. A sua influência sobre o Congresso era mínima (apenas 4 senadores se opuseram ao golpe parlamentar) e em deputados e não tinha muito mais.

Somente a capacidade de mobilização que pudesse demonstrar nas ruas poderia conferir governabilidade à sua gestão e desencorajar os seus piores inimigos. Mas resistiu-se teimosamente a ele, apesar da vontade de grande parte do Paraguai e do ambiente muito favorável de amigos líderes na região e que estavam dispostos a acompanhá-lo na tarefa. Mas não o entendeu assim e por todo o seu mandato sucederam-se concessões contínuas à direita, ignorando que por mais que a favorecesse ela jamais aceitaria a sua presidência como legítima. Gestos concessivos em direção à oligarquia paraguaia corrupta somente contribuíram para a reforçar, não aplacando a virulência da sua oposição. Apesar destas cedências, Lugo não deixou de ser considerado como um intruso irritante, mesmo que promulgasse, em vez de vetar, leis anti-terroristas que, a pedido da “Embaixada” – outro protagonista decisivo da sua queda, juntamente com as multinacionais do agronegócio e os oligarcas locais – aprovara a maioria que domina o Congresso. Uma direita que, obviamente, sempre atuou irmanada com Washington para impedir, entre outras coisas, a entrada da Venezuela no Mercosul.

(Transcrevi trechos. Fotos de manifestações populares contra o golpe)

“El laboratorio de todo esto fue Honduras hace tres años, y aquí en Paraguay fue perfeccionado”

Entrevista con el Presidente Fernando Lugo a diez días del golpe

Foto: Mónica Omayra
Foto: Mónica Omayra

por Gerardo Iglesias

El pasado viernes (29/6) entrevistamos al Presidente Lugo, depuesto en su cargo a través de un sutil mecanismo constitucional y un grosero proceso que se asemeja a lo ocurrido en Honduras en junio de 2009, lo que pone en estado de alerta a toda la región.  

-La intención es confundir a la opinión pública nacional e internacional, pero lo que sucedió aquí fue un golpe de Estado…

-¡Sin lugar a dudas! Los medios de comunicación privados que responden a ciertos intereses, quieren dar la impresión de que aquí no ha pasado nada, que hubo una sucesión natural de cambio de Presidente de la República. Al mismo tiempo no dan a conocer los más de 40 espacios y lugares de resistencia activos, y la solidaridad internacional que sí confirman que aquí ha pasado algo.

Aquí hubo una ruptura del orden democrático, aquí hubo un juicio político sin razón de ser, se efectuó un golpe parlamentario. Hay varios nombres: golpe express; Cristina Kirchner mencionó que se trata de un golpe suave. El laboratorio de todo esto fue Honduras hace tres años, y aquí en Paraguay fue perfeccionado.

Foto: Mónica Omayra
Foto: Mónica Omayra

-Llegué anoche, y me llamó la atención la ausencia de la resistencia al golpe. ¿Esa situación tiene que ver con su pronunciamiento de efectuar una resistencia en paz?

-Sí, una resistencia pacífica. En los 40 piquetes que se han realizado no ha habido violencia. Hoy, el puente que nos une con Brasil fue cerrado por dos horas, con gente de Paraguay y brasilera. El puente que nos une con Argentina, en Encarnación, también fue cerrado. La gente está expresando su descontento, su indignación. Hay una sana y pacífica indignación ciudadana. Pero estas manifestaciones no aparecen en la prensa.

Nosotros hacemos hincapié en convocar a manifestaciones pacíficas, uso de la fuerza sí, pero sin violencia y, al mismo tiempo, no salirse del orden jurídico nacional. Las manifestaciones son permitidas y creo que la ciudadanía está despertando a una gran conciencia cívica en todo el país. En siete departamentos se han producido fuertes expresiones de rechazo al golpe, y esto continuará, porque creemos que la voluntad popular expresada el 20 de abril de 2008 fue quebrantada con este juicio político o golpe parlamentario.

Foto: Magali Casartelli
Foto: Magali Casartelli

-Usted dice no salirse del orden jurídico nacional, los golpistas afirman también que no violentaron ese orden…

-Se respetó, se le dio un viso legal, pero como dijo el presidente Juan Manuel Santos (Colombia), ese viso legal fue violentado, fue forzado. Aquí no se respetó el debido proceso y tampoco el derecho a la defensa. Cualquier muchacho que tenga un accidente con una moto tiene derecho a dos, tres, cuatro, hasta 18 días para preparar su defensa, yo tuve sólo 17 horas y dos horas para exponerla. En el juicio al presidente José P. Guggiari (1928-1932), él tuvo tres meses para preparar su defensa y otros tuvieron semanas, a mí me dieron 17 horas.

En menos de 24 horas no se puede deponer a un Presidente electo por las mayorías populares. Por eso nosotros estamos recurriendo a la Corte Suprema de Justicia y a las instancias internacionales competentes, como a la Corte Interamericana de Derechos Humanos, porque creemos que esto fue injusto y se violentó la voluntad popular y las garantías del justo proceso.

Foto: Mónica Omayra
Foto: Mónica Omayra

-¿Quién está detrás del golpe?

-Grupos que nunca muestran los rostros. Grupos económicos, también la clase política tradicional, que no acepta que en este país pueda haber prácticas políticas diferentes, prácticas políticas que no se basan en el clientelismo ni el prebendarismo, que son comunes de los partidos tradicionales que ahora se unieron en el golpe por primera vez en la historia.

Foto: Magali Casartelli
Foto: Magali Casartelli

Nota do editor do blogue: Transcrevi trechos. Foi um golpe à Honduras, programado pelo império dos Estados Unidos. Um golpe que teve o apoio de corporações internacionais como a Monsanto, que representa os interesses latifundiários e a lavoura de exportação, legalizado por um judiciário corrupto, absolutista, branco, racista e conservador. Um golpe abençoado pelo Vaticano, com a participação direta de bispos e cardeais, príncipes de uma igreja medieval, afastada do povo e de Jesus.