Papa Francisco: Quando o homem perde a humanidade, “e torna-se um instrumento do sistema, do sistema social, econômico, do sistema onde os desequilíbrios dominam”

homem flor poesia

O Papa alertou para os riscos da “cultura do descartável” quando “o homem perde a sua humanidade” aos membros do seminário internacional que refletiram sobre “uma economia mais inclusiva”, este sábado, no Vaticano.

“Está a acontecer com o homem o que acontece com o vinho quando se torna aguardente, passa por um alambique organizativo. Já não é vinho, é outra coisa mais útil talvez, mais qualificada. O homem passa por este alambique e acaba por perder a humanidade e torna-se um instrumento do sistema, do sistema social, econômico, do sistema onde os desequilíbrios dominam”, disse Francisco aos participantes.

O Papa destacou também que “é importante refletir sem medo e com inteligência”.

Este encontro internacional de dois dias foi organizado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz em colaboração com a Secretaria de Estado do Vaticano e teve como objetivo refletir sobre “uma economia sempre mais inclusiva”, frase do Papa presente na exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’.

Francisco alertou para a necessidade do homem estar novamente no centro da sociedade, dos pensamentos, da reflexão e deu vários exemplos de exclusão social como o baixo índice de natalidade na Europa, os idosos abandonados e a geração “nem-nem”, jovens que nem estudam nem trabalham.

«Creio que este momento seja o tempo mais acentuado de reducionismo antropológico», afirmou, e depois se perguntou: «Quando o homem perde a sua humanidade, o que nos espera?». A resposta está na evocação de outro tema apreciado pelo magistério do Papa Bergoglio: «De fato, verifica-se – disse – uma política, uma sociologia, uma atitude “do descartável”: descarta-se o que não serve porque o homem não está no centro. E quando ele não se encontra no centro, significa que no centro há outra coisa e que o homem está ao serviço dela»

Eis então o mérito dos congressistas, que se reuniram para estudar as novas modalidades para «salvar o homem, no sentido de que volte ao centro: no centro da sociedade, dos pensamentos, da reflexão. Levar o homem, outra vez, para o centro».

VARREDURA

por Talis Andrade

 

 

morte chacina Kike Estrada

 

O rico visita

o outro rico

cada um em seu palácio

cercado de grades

cercado de guardas

 

A raia miúda

entra na casa

do rico

a serviço

 

Uma legião de lacaios

varre o lixo

 

Os vigilantes

e os homens da lei

varrem o lixo

 

Varrem o caminho

retirando os intrusos

os pedintes

 

Todos varrem

os cadáveres do caminho

para os ricos passarem

sem sujar os sapatos

no sangue das chacinas

e massacres

 

Todos varrem o lixo

estendem os tapetes

vermelhos

TRIPLO DESRESPEITO AOS GARIS DO RIO DE JANEIRO

por Chico Alencar

 

Garis

1 – Considerar que sua mobilização é de uma “minoria amotinada”;

2 – Achar que eles não têm capacidade de se organizar e reivindicar, só fazendo isso porque são “manipulados”;

3 – Dizer que o movimento tem caráter “partidário”, pelo fato de uma das lideranças ter disputado eleições no passado.

Melhor faria a prefeitura  em reconhecer que o pleito é justo e abrir o diálogo, ao invés de apelar para mentiras ridículas, demissões arbitrárias, ameaças e Batalhão de Choque.

A MALDIÇÃO DOS CATADORES DE LIXO

por Talis Andrade

 

 Jeff Treves
Jeff Treves

 

O mendigo uma criação

pérfida do homem

que cercou os campos de caça

cercou as fontes dágua

 

Malditos os que alimentam os pobres

com sobejos

Os que se consideram magnânimos

porque distribuem

roupas velhas

brinquedos quebrados

que pretendiam jogar no lixo

Mil vezes malditos os governantes

que exportam alimentos

enquanto o povo morre de fome

 

JORNALISMO INVESTIGATIVO

por Talis Andrade

censura jornal

O lixo define o homem

Remexer o lixo de uma casa o poder

o conhecer a miséria da condição humana

.

nas embalagens de remédios

absorventes de mênstruo

pontas de cigarros

seringas descartáveis

camisas-de-vênus

garrafas vazias

cacos de espelhos

e latarias

.

no revolver o passado

que os papéis denotam

retratos rasgados

cartas dos amores secretos

exames médicos

testamento de morte

.

No lixo jogado fora

unhas cabelos e pêlos

vestígios de sangue e sêmen

fetos e desafetos

o olho de vidro

a perna de pau

a arma do crime

APOTEOSE DO CARNAVAL DE JOÃOZINHO TRINTA

por Talis Andrade

 

 Emilio Agra
Emilio Agra

 

O homem um animal sozinho

passa a vida a farejar tal um cão

procurando alimento e cadelas no cio

passa a vida a demarcar com excremento

e urina o conquistado chão

 

O homem um animal sozinho

a andar de rua em rua

catando lixo

a perambular de rua em rua

de casa em casa

vendo as meninas debruçadas nas janelas

sonhando a mais bonita

 

O homem um animal sozinho

a perambular de rua em rua

de casa em casa

a flor mais fácil

arranca do jardim

 

A espreitar na esquina

o homem espera

surpreender o adversário

que lhe ameaça o domínio

do território de caça

 

O homem um animal sozinho

a correr de rua em rua

coa fome canina

a vagar de rua em rua

coa ambição de transformar

o mixo

o lixo

em luxo