Papa Francisco foi a Lampedusa, porto de abrigo de milhares de emigrantes, “chorar os mortos que ninguém chora”

A gust of wind lifts up Pope Francis' mantle as he stands onboard a boat at Lampedusa Island

Francisco fez uma peregrinação a Lampedusa, Itália, para combater a “globalização da indiferença”. Esse encontro do Papa com os emigrados foi censurado pela grande imprensa brasileira. Principalmente os jornais golpistas que são contra o povo nas ruas, e qualquer plebiscito ou referendo. Uma imprensa elitista que, inclusive, vem inventando que o Papa teme os atuais protestos brasileiros.

Quem chorou hoje no mundo?

“Senti que devia vir hoje aqui para rezar e manifestar a minha proximidade”
É o hábito do sofrimento do outro que alimenta a globalização da indiferença e adensa o número de “responsáveis sem nome nem rosto”. Foi duríssima a condenação do Papa Francisco, ao falar de Lampedusa, no extremo sul da Europa; mas ele dirigia-se ao mundo, chamando-o às suas responsabilidades diante do drama de quantos são obrigados a fugir da própria terra em busca de paz e dignidade. O Papa explicou que a primeira viagem do seu pontificado é precisamente para eles, para estas vítimas de uma violência inaudita.

Quando, há algumas semanas, recebeu a notícia de mais uma tragédia do mar, recordou: “senti que devia vir aqui hoje para rezar, para realizar um gesto de proximidade, mas também para despertar as nossas consciências a fim de que o que aconteceu não se repita”. E invocou o Senhor, pedindo “perdão pela indiferença em relação a tantos irmãos e irmãs; por quantos adormeceram, fechando-se no próprio bem-estar que leva à anestesia do coração, e por aqueles que, com as suas decisões a nível mundial, criaram situações que levam a estes dramas”.

Escreve o jornal Público de Portugal:

O Papa Francisco escolheu Lampedusa para a primeira viagem apostólica do seu pontificado e a primeira de sempre de um Papa à ilha italiana do Mediterrâneo, ponto de passagem para milhares de imigrantes que tentam chegar à Europa.

O Sumo Pontífice quis manter a sobriedade dos actos para “chorar os mortos” dos naufrágios de embarcações que transportam imigrantes do Médio Oriente e Norte de África – os mortos que ninguém chora, disse. E para tal, fez-se acompanhar apenas dos seus secretários particulares, dos seus guarda-costas e do porta-voz do Vaticano Federico Lombardi, nota a AFP, e sem responsáveis políticos num barco que percorreu parte da costa até à Porta da Europa, monumento erguido em memória de todas as vítimas de naufrágios.

O Papa lançou ao mar uma coroa de crisântemos (brancos e amarelos, cores do Vaticano) antes de se recolher em silêncio. Depois, saudou a multidão que o esperava no cais enquanto os navios ao largo da ilha faziam ressoar as suas sirenes em sinal de luto pelos mortos, descreve a AFP.

Lampedusa flores

O barco que usou é o mesmo que, desde 2005, socorreu 30 mil pessoas apanhadas em naufrágios na travessia do Mediterrâneo. Também para celebrar uma missa, usou um barco que em tempos naufragou, como altar. “Os mortos no mar são como um espinho no coração”, disse frente a habitantes da ilha e imigrantes.

O Papa Francisco quis, com esta visita, sensibilizar a ilha de 6000 habitantes e o país para a necessidade de acolher essas pessoas e garantir os seus direitos. “Tende a coragem de acolher aqueles que procuram uma vida melhor”, pediu, ao mesmo tempo que elogiou Lampedusa como “exemplo para todo o mundo” precisamente por ter “a coragem de acolher” essas pessoas.

Apelou a um despertar das consciências para contrariar a “indiferença” relativamente aos imigrantes. “Perdemos o sentido da responsabilidade fraterna e esquecemo-nos de como chorar os mortos no mar”, lamentou. “Ninguém chora estes mortos”, criticando “os traficantes” que “exploram a pobreza dos outros.”

“Oremos pelos que hoje não estão aqui”, disse o Papa a um pequeno grupo de imigrantes acabados de chegar, no domingo, a este primeiro porto seguro para milhares de pessoas que tentam chegar à Europa. “Fugimos dos nossos países por motivos políticos e económicos. Pedimos a ajuda de Deus depois dos nossos longos sofrimentos”, acrescentou.

A escolha de Lampedusa para a primeira deslocação fora de Roma é altamente simbólica para um Papa que colocou os pobres e os excluídos no centro do seu pontificado e lançou um apelo à Igreja para que regresse à sua missão de os servir, nota a Reuters, acrescentando que esta viagem coincide com o início do Verão quando se intensificam as travessias. “O resto da Itália e a Europa têm de ajudar-nos”, disse à AFP a presidente da câmara de Lampedusa, Giusi Nicolini.

A ilha italiana do Mediterrâneo, entre a Sicília e a costa da Tunísia e da Líbia, é uma das principais portas de entrada para a União Europeia, juntamente com a fronteira entre a Grécia e Turquia. Desde Janeiro, 4000 imigrantes chegaram já à ilha – esse número é três vezes maior do que os do ano passado, segundo a AFP. 2011, com as Primaveras Árabes, foi particularmente movimentado. Nesse ano, cerca de 50 mil imigrantes e refugiados desembarcaram em Lampedusa, metade dos quais vindos da Líbia e da Tunísia, cuja costa fica a pouco mais de 100 quilómetros da ilha.

Muitos atravessam em condições precárias e perigosas. De acordo com números das Nações Unidas, referidos pela Reuters,  desde o início do ano, 40 terão morrido na travessia entre a Tunísia e a Itália, um número menor que em 2012 quando houve registo de quase 500 mortos ou desaparecidos.

 Transcrevo do L’Osservatore Romano:

Uma viagem que interroga as consciências

Desde o anúncio de surpresa o significado da viagem do Papa Francisco a Lampedusa foi fortíssimo: não são palavras vazias as que o bispo de Roma vindo “quase do fim do mundo” vai repetindo desde o momento da eleição em conclave. A primeira viagem do pontificado, tão breve quanto significativa, quis de facto alcançar – daquele centro que deve ser exemplar ao presidir “na caridade a todas as Igrejas”, como recordou apresentando-se ao mundo – uma das periferias, geográficas e existenciais, do nosso tempo.

Um itinerário simples no seu desenrolamento, que surgiu de mais uma notícia perturbadora da morte de imigrantes no mar – que permaneceu “como um espinho no coração” do Papa Francisco – e realizada para rezar, fazer um gesto concreto e visível de proximidade e despertar “as nossas consciências”, mas também para agradecer. Na celebração penitencial diante do mundo e da solidariedade com os mais pobres, acrescentaram-se várias vezes expressões não protocolares e espontâneas de gratidão por quem há anos sabe acolhê-los e abraçá-los, oferecendo deste modo silencioso e gratuito “um exemplo de solidariedade” autêntica.

Desta porta da Europa, continente demasiadas vezes perdido no seu bem-estar, o bispo de Roma dirigiu ao mundo uma reflexão exigente sobre a desorientação contemporânea, marcada pelas perguntas de Deus que abrem as Escrituras hebraicas e cristãs: “Adão, onde estás?” e “Caim, onde está o teu irmão?”. Perguntas bíblicas que vão à raiz do humano e que o Papa Francisco repetiu diante de muitos imigrados muçulmanos, aos quais tinha acabado de desejar que o iminente jejum do Ramadão dê frutos espirituais, com uma oferta de amizade que evidentemente supere os confins da pequena ilha mediterrânea.

Sempre as mesmas perguntas, hoje dirigidas a um homem que vive na desorientação, frisou o Pontífice: “Muitos de nós, incluo-me também a mim, estamos desorientados, já não prestamos atenção ao mundo no qual vivemos, não nos ocupamos, não preservamos o que Deus criou para todos e nem sequer somos capazes de nos preservarmos uns aos outros”. A ponto que milhares de pessoas decidem abandonar as suas terras e caem desta forma nas mãos dos traficantes, “daqueles que se aproveitam da pobreza dos outros, estas pessoas para as quais a pobreza dos outros é uma fonte de lucro”, denunciou o bispo de Roma recordando as palavras de Deus a Caim: “Onde está o sangue do teu irmão que clama da terra até mim?”.

Ninguém se sente responsável porque – disse o Papa Francisco – “perdemos o sentido da responsabilidade fraterna”. Aliás, a cultura do bem-estar “faz-nos viver em bolhas de sabão, que são bonitas, mas nada mais”: em síntese, trata-se de uma ilusão que no mundo globalizado de hoje levou a uma “globalização da indiferença” privando-nos até da capacidade de chorar diante dos mortos. Repete-se assim a cena evangélica do homem ferido, abandonado à beira da estrada e do qual só um samaritano se ocupa. Como acontece na “pequena realidade” de Lampedusa, onde tantos encarnam a misericórdia daquele Deus que se fez menino obrigado a fugir da perseguição de Herodes.

Vídeo

Ai dos vencidos. Dos que não possuem armamento nuclear. Caso da Grécia

A troika governa os países desarmados da Europa. E busca o domínio do mundo árabe. Acontece o mesmo nas Américas do Sul, Central e México.

O clube das nações atômicas, cada vez mais fechado, e com novas armas de destruição em massa, divide o mundo em colônias.

Se o Irão não fabricou sua bomba atômica está condenado ao mesmo destino do Iraque, da Líbia.

Depois que a Coréia fez seu primeiro teste nuclear, prontamente saiu do eixo do mal.

O Brasil proclama que é a sexta potência do mundo. Certamente de riquezas roubadas. Nenhum país do Mercado Comum Europeu conta com a metade da população abaixo da linha de pobreza.

Metade da população brasileira sofre com um rendimento mensal máximo de 375 reais. Não passa dos 200 dólares. Isto é, mais da metade dos brasileiros não possui emprego. E quem tem emprego, a maioria dos trabalhadores, passou a ganhar, a partir deste mês, apenas 610 reais. Isso significa uma vida em transe.

O destino da Grécia hoje

Para que Grecia no se destruya en una guerra perdida, debe elegir el menor de los males: la sumisión.

Vamos a llegar, irremediablemente, a la quiebra, e incluso en condiciones peores que hoy.

Desde hace dos años, cuando empezó la crisis, los gobiernos griegos se comportan como si estuvieran ya vencidos.

Leia 

Kadafi comprou terras no Brasil. Investiu 359 milhões de euros. Quem dirá onde? Ele tinha sócios brasileiros?

Veja em gráfico animado para onde foi o dinheiro de Kadafi. Dinheiro roubado com a entrega do petróleo para os europeus e outros países do G-20. Petróleo que doava, porque vendido a preço de banana, desde que não investiu na construção de refinarias. Dinheiro roubado do povo.

Brasil tem latifúndios a perder de vista para vender a estrangeiros, e milhões de brasileiros sem terra, que a reforma agrária prometida na Campanha Abolicionista, no império de Pedro II, ainda continua no papel.

Veja gráfico

A próxima crise do petróleo, o Iraque, a Líbia e o nosso pré-sal

Sergio Caldieri

 

 

Fernando Siqueira, presidente da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras), esteve no PDT do Rio e deu importantes declarações, que interessam a todos e vamos transcrever alguns trechos, conforme tiramos do gravador.

O petróleo é o mais eficiente de todos os fornecedores de energia. Tem relação de 100 para um. Com o petróleo, com 1 unidade de energia gasta, tem 100 unidades de energia. No mar, isso cai: para uma unidade de energia, obtém 23. O segundo colocado é o carvão, de nove para um. Uma unidade de energia, nove.

O petróleo é o mais fácil de transportar, manusear; outra função é petroquímica. Ou seja, 85 por cento dos produtos que consumidos hoje, na vida moderna (dvs, plástico, automóveis etc.) derivam de produtos do petróleo. É difícil substituir todos esses produtos. Para substituí-los serão necessários 25 anos. O mais perto é a biomassa, derivada do etanol e a indústria derivada da glicerina – a indústria química.

Hoje os países desenvolvidos calcaram seu desenvolvimento nesse produto, que eles não têm. Como não têm, e o seu desenvolvimento é calcado no petróleo, querem tomá-lo de quem tem. Saddam Hussein foi morto por isso, com a desculpa de que possuía armas de destruição em massa.
Dois anos antes da invasão americana, estive lá, alertei os iraquianos por isso. Infelizmente aconteceu. Agora Kadafi foi assassinado também por conta do petróleo líbio.

Por quê? A Líbia tem 60 bilhões de barris. Arábia Saudita e Kuwait já estão sob controle americano. A Arábia Saudita tem 265 bilhões de barris, o Irã 160 bilhões, o Iraque 120 bilhões de barris de petróleo. A Venezuela, oficialmente, tem 80 bilhões de barris.

O petróleo é o produto mais cobiçado do mundo. Por quê? Os EUA têm 20 bilhões de barris e consumem 10 bilhões por ano. Por isso eles estão na absoluta insegurança. A Europa está pior ainda, porque não tem nada. A China tem 12 bilhões e consome cinco bilhões por ano. A Europa não tem nada e consome 8 bilhões por ano. Todos eles precisam do petróleo para manter o seu desenvolvimento. Por isso não acatam a autodeterminação dos povos.

A indústria do petróleo é a mais violenta de todos. Quase todos conflitos depois da Segunda Guerra Mundial tiveram o petróleo como fundo. Agora a coisa está ficando mais séria porque especialistas independentes prevêem que estamos entrando no pico mundial de produção. Entre agora e 2014, vamos atingir 86 milhões de barris por dia de produção, vamos consumir esses 86 milhões. E a partir, vai cair a produção do mundo, por não se ter capacidade de produção a curto prazo. Aí o que se faz, já que a demanda não vai cair na mesma proporção? Vai se intensificar a crise e o petróleo vai subir ainda mais. Um barril de petróleo a 200 dólares representa uma brutal sangria na economia dos EUA.

Por isso, quando descobrimos o pré-sal em 2007, a primeira providencia dos EUA, no governo Bush, foi criar a IV Frota da Marinha dos EUA. Quem está no Atlântico Sul? Brasil e Argentina. E o pré-sal.

Kadafi pode ter sido sodomizado pelos rebeldes

A captura do ex-ditador líbio, Muammar Kadafi, chegou ao mundo através de diversas filmagens feitas pelas forças rebeldes. O aparecimento de dois novos vídeos levanta suspeitas sobre a possibilidade do coronel ter sido sodomizado após a captura

O primeiro vídeo foi colocado no Youtube e mostra o que poderia ser uma sodomização de Kadafi pelos rebeldes, com recurso a um pau. Até ao momento, não foi possível verificar a autenticidade das imagens, que revelam que os rebeldes não terão tido em consideração o respeito pelos Direitos Humanos no tratamento dado ao ex-líder líbio.

Um segundo vídeo, recolhido nos primeiros momentos da captura do ditador, mostra o coronel, ferido, rodeado por rebeldes, e possivelmente a mesma sodomização, quando diversos homens seguram Kadafi pelos braços, adianta o diário espanhol “El Mundo”.

O corpo do coronel líbio permanece em exposição ao público, numa câmara frigorífica da cidade de Misrata (Jornal de Notícias, Lisboa)

Terceiro vídeo: linchamento

O destino dos fracos possuidores de riquíssimas jazidas de petróleo

  

por Welinton Naveira e Silva

O destino da Líbia, já estava selado. Todos já sabiam. Continuará trágico e cruel, não será muito diferente do genocídio no Iraque. As invasões militares do Iraque e da Líbia, por acaso riquíssimas em petróleo, foram lideradas pelo mais temível bandoleiro de todos os tempos. Só mesmo o poder das armas nucleares pode detê-lo.

Em tempos de fartura, ele nunca respeitou ninguém. Com a atual grande crise econômica, séria e mortal, perdeu toda a preocupação que mantinha para com as aparências. Em alucinado desespero, necessitando como nunca de petróleo barato e de aquecer a sua desativada e poderosa indústria bélica, não teve dúvidas. Munido de meia dúzia de sórdidas mentiras, passou a assaltar a luz do dia, bem às vistas de todo o mundo.

Mas, incompetente e burro, quanto mais se envolve em atrocidades, mais se complica e afunda. Por exemplo, ao matar Kadafi, cometeu outro grande equívoco. Kadafi morto, tornou-se um mito, indestrutível. Tudo que um desgraçado povo precisa numa hora de extremo desespero e sofrimentos.

Mais uma vez. fica a lição para todos os possuidores de grandes reservas de riquezas naturais, principalmente petróleo: se preparem, enquanto há tempo.

Horror e festejos na morte sangrenta de Kadafi. Veja in Correio da Manhã

AS ARMAS, DE ONDE VIERAM?

por Carlos Chagas

Para não dizer que as lambanças se restringem ao Brasil, vale olhar para fora e verificar o que acontece na Líbia. As telinhas estão repletas de imagens mostrando o avanço e a vitoria dos rebeldes. Não dá para ignorar o armamento sofisticado que eles utilizam. Obuses, quer dizer, canhões, de útima geração, podem ser vistos vomitando petardos sucessivos. Manobrando-os estao cidadãos sem farda, mas armados com submetralhadoras modernas. Mesmo ficando em terra, abstraindo-se os mísseis e foguetes lançados pela Otan, a pergunta que se faz é como esses dissidentes conseguiram recursos para adquirir armamento de primeira linha? E de onde vieram os canhões, as metralhadoras e os veículos de transporte, se na Líbia não há produção nem indústria bélica?

Claro que tudo provém dos países empenhados em afastar o ditador Kadaffi. Se forem examinadas com lupa, as fotografias mostrarão, entre os amotinados, certas figuras também em trajes civís, mas sem semelhança com com a massa rebelada. São os instrutores, eufemismo para designar oficiais e técnicos americanos, ingleses, italianos e franceses, encarregados de conduzir a guerra. No fundo, os contratos de petróleo.