Risco mortal: o Jornalismo Investigativo em um país que não é sério

 Ilustração Fadi Abou Hassan
Ilustração Fadi Abou Hassan

Tramita no Congresso um projeto de lei para a federalização das investigações destinadas a apurar assassinatos  de jornalistas. Também urge que sejam incluídas as ameaças de morte. É longa a lista de jornalistas com mortes anunciadas, e as polícias estaduais nem aí.

Com coragem e idealismo, jornalistas investigam os crimes dos poderosos. Monize Taniguti afirma:  “O jornalista deve ser ousado, mas precisa ter cautela, paciência e também contar com a sorte. Quem escolhe este tipo de jornalismo sabe que fará inimigos, pois sempre ocorrem denúncias que atingem pessoas poderosas, com dinheiro e disposta a tudo para que seu ‘negócio’ não seja desvendado”.

A jornalista Leniza Krauss foi ameaçada porque não aceitou a informação policial de que uma morte por degolamento fosse considerada um suicídio. Caso de Geralda Guabiraba na Pedra da Macumba, em São Paulo.

Esse “contar com a sorte” não devia existir em um país verdadeiramente democrático, onde existissem livres da corrupção os poderes legislativo, executivo e judiciário.

A justiça devia sair do seu encastelamento, não pactuar, pelo imobilismo, ou o silêncio cúmplice, com os corruptos. As denúncias do jornalismo investigativo precisam ser levados a sério. Jornalista não guarda informações. Jornalista divulga o que sabe. O assassinato de jornalista é uma forma de censura. A solução final da censura.

Acho um absurdo esperar que o jornalista seja assassinado, para se investigar os autores do crime, que sempre tem policiais envolvidos ou ex-policiais. Muitas vezes investiga-se a morte de um jornalista, e esquecem as reportagens que motivaram o trucidamento.

A morte do jornalista Décio Sá mapeou todos os tipos de bandidagem, de assalto aos cofres públicos do Maranhão: assassinatos, agiotagem, desvio de verbas da saúde, da educação, compra de votos, extorsão, estelionato, sonegação, tráfico de moedas, pistolagem, prostituição etc, e vai tudo terminar no deixar para lá, não estou fazendo nada.

MORTE DE JORNALISTA: FEDERALIZAR APURAÇÃO

Por João Baptista Herkenhoff, professor da Faculdade Estácio de Sá (ES).

Setores da opinião pública estão pedindo a federalização das investigações destinadas a apurar o assassinato do jornalista Décio Sá, morto a tiros no dia 23 de abril passado, quando estava num bar, em São Luís, após ter deixado a redação do jornal O Estado do Maranhão.

A federalização da competência para julgamento dos crimes contra os direitos humanos está inserida num sistema de cooperação de competências jurisdicionais desencadeada em determinadas situações, quando as instâncias de poder dos entes subnacionais (Estados e Distrito Federal) se revelam insuficientes para cumprir os objetivos inscritos na Constituição Federal. (Simone Schreiber e Flávio Dino de Castro e Costa).

Aqueles que, no campo doutrinário, opõem-se ao deslocamento de competência afirmam que a medida seria desnecessária porque existem na Constituiçãomecanismos que atenderiam os fins colimados: cooperação da Polícia Federal nas investigações; desaforamento na hipótese de suspeição sobre a imparcialidade do júri; intervenção federal no Estado-membro. Parece-lhes que este instituto fere princípios jurídicos relevantes: o do pacto federativo; o do juiz natural; o da legalidade; o que proíbe o pré-julgamento.

A meu ver as objeções não procedem.

A cooperação da Polícia Federal nas investigações é muito mais limitada do que o deslocamento da

competência jurisdicional. O desaforamento do júri tem a ver apenas com a suspeição em nível territorial. A intervenção federal é muito mais ampla do que o simples deslocamento de competência numa hipótese singular. Apelar para a intervenção federal seria, simbolicamente, buscar a UTI quando o pronto-socorro é suficiente.

O deslocamento de competência não despreza o pacto federativo. Se na transgressão aos direitos humanos é o Brasil, como Estado soberano, que responde perante as Cortes Internacionais, não pode a União quedar-se inerte diante da responsabilidade de assegurar o império interno desses direitos.

O princípio do juiz natural só é rompido quando o órgão acusador escolhe o juízo para a tramitação da causa. Na hipótese em discussão, desloca-se apenas a competência para a Justiça Federal, que não é um tribunal de exceção.

Não me parece também que o deslocamento de competência induza a um pré-julgamento. Quando o procurador-geral pleiteia e o STJ defere o deslocamento de competência, não estão eles pronunciando um juízo de culpabilidade. Estão somente reconhecendo que se encontram, em tese, diante de uma grave violação dos direitos humanos e que o ente subnacional (Estado federado) revela-se insuficiente para o provimento judicial neutro, insuspeito, merecedor da mais absoluta confiança da sociedade.

 (Publicado em JusBrasil)

Quem matou Geralda Guabiraba, na Pedra da Macumba? Por que jornalistas que investigaram o crime foram ameaçados de morte?

A morte de Geralda Guabiraba “guarda mistérios”, sim, que jornalistas foram ameaçados de morte. Tanto que a TV Record parou com o jornalismo investigativo. A polícia descobrindo quem ameaçou a jornalista Leniza Krauss e o produtor Lumi Zúnica chegaria ao criminoso ou quadrilha envolvida.  Acontece que a polícia nunca leva em conta as ameaças a jornalistas. Quando quem matou Geralda Guabiraba deve ser um psicopata, uma pessoa profundamente doente, ou um sádico, um serial killer, capaz de todo tipo de selvajaria para encobrir crimes hediondos.

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Cena de crime, Pedra da Macumba guarda mistérios

por André Caramante

A entrada da fazenda Trovão sempre está forrada de garrafas de bebida (inteiras e quebradas), copos, restos de animais e de frutas, panos, charutos, esmaltes, vasos e flores, além de muitas velas.

À esquerda do portão, às margens da altura do km 8 da Estrada da Santa Inês, em Mairiporã (Grande São Paulo), fica a Pedra da Macumba, assim chamada por ser usada por praticantes de religiões afro-brasileiras para fazer suas oferendas.

Lá, Geralda Lúcia Ferraz Guabiraba, 54, foi encontrada morta à 0h45 do dia 14.

O corpo de Geralda, mulher de José Pereira Guabiraba, um dos diretores comerciais do Grupo Estado, estava sem olhos e sem a pele e a musculatura do rosto.

Segundo os legistas, Geralda morreu em decorrência de um corte no pescoço, além de ter recebido uma pancada nas costas, possivelmente quando estava ajoelhada.

O trecho da Estrada da Santa Inês onde fica a pedra é uma região onde poucas pessoas circulam a pé.

Sem calçadas e cercada por mato, a estrada é uma das rotas para os moradores dos condomínios de alto padrão no pé da serra da Cantareira.

SENTIMENTO DIFERENTE

“Ah, moço, a gente sente uma coisa diferente quando passa por aqui. É algo que não dá para explicar direito, mas a gente sente mesmo”.

Assim o pedreiro Oscar José Siqueira, 53, descreve a Pedra da Macumba, distante 500 metros de sua casa.

“Naquele sábado pela manhã, quando passei aqui, vi o corpo. As poucas pessoas que moram aqui só falam disso, afirmou Siqueira.

A polícia trabalha com as hipóteses de que Geralda tenha sido morta por vingança ou atraída para a pedra para participar de algum ritual.

Do apartamento onde Geralda vivia, no bairro Lauzane, na zona norte, até a pedra são 10 km de distância.

A polícia sabe que Geralda saiu de casa na sexta-feira 13 sozinha em seu carro.

Um comerciante disse ter visto o carro na estrada, por volta da 1h30 do sábado, com um homem forte ao volante. Um outro veículo o seguia.

O celular e o computador da dona de casa são investigados. Dois dias após o crime, alguém usou o computador de Geralda para pesquisar sobre um tipo de veneno conhecido como chumbinho.

Caso continua sem resposta

Fernando Mellis, do R7

Amiga de Geralda disse que dona de casa tinha confissão a fazer antes do crime

Na madrugada de sábado, 14 de janeiro de 2012, o corpo da dona de casa Geralda Guabiraba, de 54 anos, foi encontrado em um lugar conhecido como Pedra da Macumba, em Mairiporã, na Grande São Paulo. A mulher estava caída, com os dois braços abertos e uma cesta em cada mão. Havia um corte profundo no pescoço dela. A pele do rosto tinha sido cortada, com precisão cirúrgica, e os olhos arrancados. Um ano depois da morte, o inquérito continua parado no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), sem suspeitos para o assassinato.

investigação foi transferida da Delegacia de Mairiporã para o DHPP no começo de março de 2012. O diretor do departamento, Jorge Carlos Carrasco, chegou a dizer, com base em depoimentos, que a vítima poderia ter se suicidado e depois ter sido atacada por algum animal silvestre. Porém, segundo a promotora do caso, Fernanda Pimentel Rosa, a hipótese foi descartada pelo Ministério Público depois que os resultados dos exames do IML (Instituto Médico Legal) foram analisados.

— Com base no laudo necroscópico e nos laudos da exumação, ficou comprovado que a causa da morte foi um corte profundo no pescoço, o que afasta a possibilidade de ter havido suicídio. Os laudos também excluem a possibilidade de ataque por animais.

Laudos

O exame necroscópico feito no corpo da dona de casa confirmou que a causa da morte foi esgorjamento (degolamento). Além disso, foi constatado que ela tinha ingerido chumbinho — veneno popular usado para matar animais domésticos.

 

 

Ameaçados: A mudança na vida de jornalistas que sofreram violentas represálias

Escrito por Nathália Carvalho

O que pode acontecer na vida de um jornalista que sofre represálias? Como ele encara a profissão após ser ameaçado? Como fica o psicológico de quem passa por situações de extremo medo? Com histórico que reúne, pelo menos, 16 homicídios, sete tentativas de assassinato, 24 ameaças de morte, 2 sequestros, 41 agressões físicas e inúmeros processos judiciais, o ano de 2012, certamente, não foi um dos mais tranquilos para os profissionais de imprensa.

Diante de tantos casos graves, que foram noticiados e esquecidos, o Comunique-se foi em busca de três histórias que completaram ou vão completar um ano nos próximos meses. Mauri König, da Gazeta do Povo; Leniza Krauss, da Rede Record; e Monize Taniguti, de O Jornal, em Guaíra (SP), mostram os reflexos das ameaças na vida dos profissionais.

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Em ilustração de 2010, cartunista Carlos Latuff declara apoio aos jornalistas (Imagem: Carlos Latuff)

0mauri1508Mauri König, repórter da Gazeta do Povo


Diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter do jornal Gazeta do Povo, Mauri König foi ameaçado de morte em dezembro de 2012. À época, pessoas que se identificavam como policiais ligaram para o jornalista avisando que militares estavam indo para Curitiba para matá-lo. O motivo da represália foi uma série de reportagens publicadas ao final de maio de 2012 – em conjunto com os repórteres Felippe Aníbal, Diego Ribeiro e Albari Rosa – denunciando ilegalidades e corrupções exercidas por policiais. König foi obrigado a deixar o país e viver escondido com a família.

“Ainda não consegui me recuperar totalmente”, conta. O jornalista, que ainda sente os reflexos das ameaças, diz que, por muito tempo, precisou ficar fora de casa, pois existia a possibilidade da residência ser metralhada. Casado pela segunda vez e pai de uma criança de três anos – a mais nova dos três filhos do profisisonal -, ele se viu obrigado a se afastar da família, situação que acabou sendo permanente. “Perdi a minha família. Minha mulher ficou traumatizada, tem muito medo pela vida do nosso filho e, por isso, acabamos nos separando. Ela mudou de estado e é muito doloroso e penoso para o pai não poder acompanhar o crescimento do filho”, lamenta.

Atualmente, König vive momento de mudança, tanto na vida profissional, quanto na pessoal. “Sempre escolhi ser repórter, mas agora não sei se é o momento. Quero mudar o meu perfil, tratar de assuntos mais amenos”. Ainda na Gazeta do Povo, o jornalista deixou as ruas para se dedicar a serviços internos, como edição e fechamento de capa. “Entreguei-me demais ao trabalho e isso acabou restringindo a minha vida pessoal. Negligenciei o meu trato com a família. Tenho que rever as minhas decisões, talvez tardiamente, mas estou começando a rever”.

Tudo na rotina de König mudou. Sozinho, o profissional passa parte do tempo na redação e tenta ocupar as outras horas com atividades como exercícios físicos, dança de salão e idiomas. A medida faz parte da estratégia para fugir da depressão. “Vivo, hoje, sozinho com a minha mente. Quando voltei ao Brasil, precisei tomar remédios para dormir, tive depressão aguda e sentimento de culpa por tudo o que aconteceu com a minha família e comigo. Preciso tomar cuidado para não ser engolido novamente”. O jornalista afirma que, além de estar sempre ocupado, a terapia é grande aliada na aceitação das mudanças.

König está em busca de uma maneira segura para voltar à reportagem. Para quem vive da profissão, o jornalista aconselha ter cautela. “Sempre achei que o repórter precisa e deve assinar os seus textos. É uma forma de validar a informação e de construir patrimônio. Mas, em alguns casos, isso precisa ser repensado”. O profissional conta que nunca publicou nada sem assinar, mas que, se fosse hoje, jamais teria colocado o nome e a identificação da equipe na reportagem. “Tem que abrir mão da vaidade. Talvez, foi isso que me prejudicou”.

0leniza1508Leniza Krauss, repórter da Record 


Repórter da Rede Record, Leniza Krauss sofreu represália em junho do ano passado. A profissional investigava, junto com o produtor Lumi Zúnica, também ameaçado, o assassinato de Geralda Guabiraba, caso conhecido como “Pedra da Macumba”. Ambos receberam diversos telefonemas e foram obrigados a deixar o estado de São Paulo. Leniza contou três tentativas de invasão à sua casa. “Foram 40 dias longe daqui, os mais sofridos da minha vida. Tive que me afastar da família. A minha filha, na época com dois anos, teve febre emocional. Ela chamava pela mãe o tempo inteiro e eu não podia voltar”.

Até agora, o caso que Leniza estava apurando não foi resolvido. Tampouco pouco foi descoberto os autores das ameaças. “As represálias para o produtor chegavam pelo telefone da mulher dele. Eu recebia ligações e ameaças no meu celular. Uma vez estávamos no DEIC prestando depoimento e ligaram, simultaneamente, avisando que sabiam que tínhamos buscado ajuda policial”. A jornalista explica que seu computador foi invadido e todos seus passos eram seguidos. “Não era ninguém ‘blefando’, eles sabiam os conteúdo dos e-mails trocados e tudo que conversávamos”.

Por decisão da Record, as apurações foram congeladas. Neste momento, as ameaças cessaram. “Psicologicamente ainda me sinto muito abalada, é algo que por mais que eu queira, ou tente, não passa. A Leniza depois desse episódio é bastante diferente”. Grávida de seu segundo filho, a repórter vê na atual gestação os reflexos do que aconteceu no ano passado. “Estou afastada desde os sete meses de gravidez. Tive pré-eclampsia (doença em que a gestante desenvolve hipertensão). Tenho absoluta certeza de que tudo de ruim durante a minha gestação foi por causa do impacto psicológico que sofri”.

A casa própria de Leniza foi abandonada. A profissional foi obrigada a deixar a residência e, agora, paga aluguel. “Tive que trocar de casa, de bairro, de carro! Tudo para preservar a segurança da minha família”. Embora tenha migrado dentro da emissora para cobrir pautas mais tranquilas, a repórter considera que grandes descobertas jornalísticas promovem reviravoltas em casos que ficariam impunes. “Mas é preciso coragem e até arriscar a própria vida para falar, mostrar e cobrar das autoridades”.

Não fosse pela família, ela afirma que teria se arriscado mais. Aos profissionais que seguem em coberturas de risco, ela aconselha “o mesmo de sempre: ouvir o coração, a intuição e os cuidados. Todos os possíveis e imagináveis”.

0monize1508Monize Taniguti, diretora de O Jornal, de Guaíra 


Era setembro de 2012 quando a jornalista Monize Taniguti saiu de casa, como de praxe, para buscar, em uma cidade vizinha, a versão impressa da edição semanal de O Jornal. Dona do veículo de comunicação que circula em Guaíra, interior de São Paulo, ela quase não retornou para casa. “Aqui tem muito canavial na estrada. Dois carros me abordaram. Eram três homens, um deles me deu um comprimido para tomar. Em seguida, me levaram”. Depois de longo caminho, os criminosos pediram para que a profissional saísse do automóvel. Ela foi agredida com chutes, socos e tapas no rosto. “Abandonaram-me lá e levaram todos os exemplares do jornal. Meus equipamentos ficaram. Ficou muito claro que eram represálias pelas reportagens que publico”. Na época, ela divulgou série de reportagens com denúncias políticas. A profissional não acredita que a agressão tenha vindo de políticos, mas sim de militantes.

Como geralmente acontece, o caso de Monize também ficou sem solução. Até o momento, os autores do crime não foram descobertos. Mesmo com diversas denúncias, a jornalista, que estava muito nervosa, afirma que não consegue identificar os homens. À época, ainda muito assustada, a diretora do jornal precisou passar um tempo longe da cidade e da família. “Tinha segurança 24 horas na minha casa. Fiquei com muito medo. Nunca imaginei que isso poderia acontecer”.

Passado quase um ano da agressão, a jornalista conta que se sente fortalecida. “Conheci um lado da minha personalidade que não conhecia. Sempre fui uma pessoa determinada que corria atrás de seus objetivos, mas não imaginava que poderia ser tão corajosa”. Sem paralisar o trabalho no jornal, Monize segue com pautas de denúncia e conta que não ficou traumatizada pela situação. Mas há ressalvas. “Tenho medo do próximo ano eleitoral. Hoje, o que mais me preocupa é a segurança da minha filha, de cinco anos. Tenho receio que, para me atingir, possam fazer algo com ela”. A rotina da jornalista não mudou, mas ganhou cautela e segurança. “Tomo certos cuidados básicos. Reforcei a segurança da minha casa com alarmes e cerca elétrica, e tenho um profissional durante a noite, que vigia a casa do lado de fora”.

Sem planos para deixar a profissão, ela alerta que cuidado nunca é demais e afirma que todo jornalista investigativo “é um pouco louco”. “E acho que tem que ser assim mesmo. O jornalista deve ser ousado, mas precisa ter cautela, paciência e também contar com a sorte. Quem escolhe este tipo de jornalismo sabe que fará inimigos, pois sempre ocorrem denúncias que atingem pessoas poderosas, com dinheiro e disposta a tudo para que seu ‘negócio’ não seja desvendado”.

Dados que refletem a situação brasileira
A história de König, Leniza e Monize é resultado da pouca segurança que existe no Brasil. Em relatório divulgado e elaborado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) no início deste ano, o país figura entre os dez mais perigosos para profissionais da imprensa. Chamado de “Ataques à Imprensa”, o documento denunciou o “aumento sem precedentes no número de jornalistas assassinados e presos no último ano” e uma “legislação restritiva e censura estatal” que colocam em risco o jornalismo independente. “Os obstáculos no Brasil são, em particular, alarmantes, dada a sua condição de líder regional e sede de uma vasta e diversa rede de meios de comunicação”, afirmou a escritora Karen Phillips, no site do CPJ.