Charlie Hebdo ridiculariza todas as religiões, menos uma

O jornal Charlie Hebdo era internacionalmente conhecido por debochar da Santíssima Trindade, da virgindade da Imaculada Conceição, dogmas do cristianismo; e fazer palhaçadas com o profeta Maomé, venerado pelos muçulmanos.

Jamais criticou o judaísmo. Por quê?

A chamada grande imprensa esconde. Idem os jornalões brasileiros. Publicado in Contexto Livre:

Os Rothschild compraram o Charlie Hebdo pouco antes dos atentados em Paris

 

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Pra quem ainda acredita que o massacre em Paris não foi ‘false flag’, segue material para reflexão

Os atentados de 7 de janeiro em Paris cada vez mais se parecem ao 11-S. Se fôssemos da Guarda Civil diríamos que o “modus operandi” é o mesmo, que é a mesma mão que balança o berço.

O caso é que uma revista econômica holandesa, Quote, revelou a informação da compra em 9 de janeiro, dois dias depois dos atentados, leia aqui

E o jornal alemão NeoPresse a reproduziu dez dias depois. Confira aqui

A família de banqueiros Rothschild comprou uma revista em ruínas em dezembro do ano passado e ao mesmo tempo o jornal “Libération“, outro velho fóssil de maio de 68, que entrara para as fileiras da pura e dura reação há muito tempo.

Se alguém tinha dúvida dos motivos pelos quais os últimos números de Charlie Hebdo estavam sendo lançandos desde a redação do “Libération”, aqui está a resposta: porque são do mesmo dono.

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A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild numa entrevista publicada por Quote. O tio Edouard não queria comprá-la porque isso lhes traria um poder político que não queriam, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.

Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? Eles a compraram a preço de banana, porque antes de 7 de janeiro, a revista só gerava prejuízos.

Mas se só gerava prejuízos, que interesse teriam os banqueiros em comprar uma revista em ruínas? É então que aparece o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações de Charlie Hebdo contra os muçulmanos.

Teremos Charlie Hebdo por algum tempo. Agora que a revista passou a ter não somente 60.000 leitores, mas uma audiência de sete milhões. Além do dinheiro que está chovendo, não só do Estado francês, senão procedente de investidores privados. Estão se forrando.

Mas não sejam vocês preconceituosos nem conspiratórios. Nada do que acabamos de expôr significa que os Rothschild organizaram os atentados, nem muito menos que fizeram matar pessoas pelo vil dinheiro. De jeito nenhum. É claro que o que aconteceu em Paris é uma cópia quase exata do 11-S em Nova York, onde asseguraram os ataques terroristas as Torres Gêmeas pouco antes de derrubá-las, é pura coincidência.

E se a imprensa internacional não publicou nada disto, é porque ainda não estão informados. E quando souberem, será notícia no telejornal das 9 da noite. O que tinham pensado? Pensaram que lhes ocultariam a informação? Que não lhes contariam toda a verdade e nada mais que a verdade?

 

 

Venezuela. Los fascistas promueven cacería de sus propios vecinos

AVN

Un alambre de púas que, además de cerrar una calle, “protegía” a los vecinos de un supuesto peligro desconocido, que nunca se materializó, mató a dos venezolanos. Aunque el miedo a un otro deshumanizado movió los hilos del terror, el fascismo y la muerte, en algunas zonas de clase media, ahora “el enemigo” o “el sapo” (chivato o soplón), que debe ser aniquilado, proviene incluso del propio entorno.En las redes sociales, al escribir “sapo”, puede encontrarse propaganda de guerra, presentada a través de mensajes y fotos, que alerta a los demás usuarios sobre vecinos o completos desconocidos, a quienes hay que bloquear, amenazar, agredir o asesinar porque son considerados como “traidores”.

En el libro Fascismo. El rostro oculto de la oposición venezolana, Juan Barreto, explica que entre las características de esta corriente ultraderechista se encuentra “el miedo al ‘enemigo’ “, al diferente, al intruso, al débil. Además de un culto a la muerte basado en un “principio de guerra permanente”.

En una de las cuentas de la red social, un usuario coloca una foto y una captura de la planilla de cotización del IVSS de un trabajador con el siguiente mensaje: “(…) si este tipo pasa por aquí con sus amigos lo despachamos para que reúna con su ‘muerto supremo’ “.

En la búsqueda también se constató que en una secuencia de fotos se acusa a un venezolano con su cédula de identidad y zona de residencia, al que además se señala como militante del Psuv, de “haber entregado” a uno de los capturados por la Guardia Nacional Bolivariana, por estar presuntamente involucrado en los hechos violentos ocurridos en Los Ruices, que causaron dos asesinatos.

“El miedo unifica a todos aquellos que temen a lo mismo (…) Por eso, el miedo es un instrumento de fácil uso para el fascismo”, recoge Barreto y el equipo Multitud y Comuna en el texto antes citado, publicado en 2013.

Entre la propaganda de guerra que se publica en Twitter se encuentra una foto de una niña con una mirada perversa, que tiene como fondo una casa en llamas, y donde se agregó: “Allá vivía mi vecina, era informante de los colectivos”.

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“Es importante que ubiquen a los sapos en su edificio, en su calle, esos deben ser aislados o siempre estarán informado al régimen sus movimientos”, manifiesta en su cuenta de Twitter alguien que aún en su propia comunidad pide “aislar” al “enemigo”.

En otro mensaje se lee: “Cuidado con los chavistas vecinos… se han convertido en sapos… mucho cuidado con chavistas… hay que bloquearlos y alejarlos”.

“El proyecto fascista consiste en la creación de una amenaza y de ejecución de una metodología sistemática de aplastamiento y castigo (…) encarnada en actores sociales colectivos identificados entre sí por los temores comunes y la desesperanza compartida”, señala el sociólogo y periodista.

“La escalada de violencia será como un terremoto. Sapos serán ajusticiados”, dice otra persona en la red social.

Barreto explica en el texto que el fascismo “apela a lo sombrío”. “El miedo opera desde la oscuridad”, dice, y basta recorrer o ver imágenes de algunas de las urbanizaciones de clase media alta para ver cruces, lápidas falsas, velas, fotos de fallecidos, imágenes religiosas, personas vestidas de negro con máscara que representan la muerte, banderas negras, entre otros símbolos.

Estos mensajes fascistas también provienen de educadores la Universidad Central de Venezuela: “Esta revolución ha montado una red de sapos en todo el país, aparte de los espontáneos que no cobran y son los peores”, escribe este paranoico profesor de derecho.

Barreto también se refiere al control territorial que pretenden los fascistas y que impide que “los otros” se acerquen a sus linderos bajo amenaza de agresión o muerte.

“Hermanos estamos rodeados de sapos , no publiquen demasiada información, mejor hagamos cadenas de contacto en contacto”, dice otro usuario.

“La propaganda fascista prepara condiciones que permiten la legitimación de actos de violencia contra la vida de comunidades y organizaciones que no comulgan con las ideas fascistas”, explica el militante de Redes.

En la gráfica de un joven que saluda al presidente Nicolás Maduro se agrega: “Hay que ubicarlo: dirección, trabajo y dónde esta la familia , a ver que tan valiente es el sapo”. A continuación se escribe su usuario en la red social Twitter.

“Todos los sapos en los edificios y sectores que andan llamando a la GNB, se les va a echar una vainita, ya sabemos de muchos”, plasma otro violento anónimo.

En otros mensajes también se llama a perseguir “rojos”, “tupamaros” y servidores públicos, chavistas, trabajadores, perrocalenteros, mototaxistas. En conclusión, todo lo “diferente”.

La finalidad de esta política, reflexiona Barreto, es “la unificación de los odios para direccionarlos hacia un enemigo común, microfísico, que es fácilmente identificable”.

Lei antiterrorismo para legalizar o prende e arrebenta dos soldados dos governadores

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No Brasil que, em cada esquina, se compra livremente rojões, foguetes e morteiros, o governo quer prender por 30 anos quem faz greve, quem participa de protestos nas ruas contra a corrupção.

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A tirania se faz com o povo sem liberdade de expressão, com a prisão dos líderes dos movimentos sociais e das lideranças sindicais e estudantis.

A lei antiterror dá validade às versões rocambolescas da polícia. E oferece todo poder aos tribunais militares de coronéis “togados”. É a volta da ditadura disfarçada em “democracia”.

A lei antiterror não valerá para prender bandidos que a imprensa chama de corruptos: os membros das quadrilhas do juiz Lalau, de Salvatore Cacciola, do juiz Mattos, do banqueiro Daniel Dantas, do bicheiro Carlinhos Cachoeira, do mensalão tucano e outras e outras, que o Brasil continua empestado de ladrões do dinheiro público e piratas estrangeiros.

Escrevem Ayrina Pelegrino e Luka Franca: O enunciado do artigo 2 do PLS 499/13 (Projeto de Lei do Senado), também conhecido como Lei Antiterrorismo, define como terrorismo o ato de “provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade da pessoa”. A pena seria de 15 a 30 anos de prisão e, em caso da ação resultar em morte, a punição mínima chegaria a 24 anos.

No sistema penal brasileiro, a legislação mais próxima da Lei Antiterrorismo foi criada ainda durante o regime civil-militar e conseguiu se manter válida durante o processo constituinte de 1988. Trata-se da Lei de Segurança Nacional que, em seu artigo 20, impõe pena de 3 a 10 anos de reclusão, aumentada até o triplo no caso de morte, para quem “devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”.

Segundo a advogada e membro do Comitê Popular da Copa de São Paulo, Juliana Brito, o Código Penal já serviria para dar tratamento a possíveis entreveros durante o período de grandes eventos no Brasil. “Poderiam muito bem ser enquadrados como dano ao patrimônio, homicídio, tentativa de homicídio ou sequestro. Há outros crimes previstos na legislação que poderiam dar conta [de penalizar algum entrevero durante grandes eventos]”, afirma.

Brito afirma também que o texto do PL não é explícito, ou seja, não designa exatamente o que seriam ações que possam espalhar o terror ou pânico generalizado. “[O projeto] é muito abstrato. Podemos compreender então que uma matéria distorcendo a realidade pode espalhar o terror ou o pânico, e aí a empresa responsável por essa matéria também seria processada?”, questiona.

O advogado Carlos Márcio Rissi Macedo, sócio do GMPR Advogados (Gonçalves, Macedo, Paiva & Rassi), acredita que é necessário que o Brasil tenha uma legislação que efetivamente criminalize e discipline meios de investigação e cooperação internacional contra o terrorismo. Porém, Macedo também aponta que o texto do PL não deixa explícito o que seria definido realmente como terrorismo. Segundo ele, até as manifestações que vem ocorrendo no Brasil poderiam acabar se enquadrando nesse conceito, o que é perigoso. “Tenho sérias dúvidas do que seria ‘provocar ou infundir terror ou pânico’. Este conceito é altamente abstrato, podendo dar margem a interpretações arbitrárias do texto lei, o que coloca em risco o estado de direito”, afirma.

Aumento da criminalização política

Para Juliana Brito o projeto o fato do projeto ser genérico e poderia enquadrar diversas formas de intervenção política que movimentos sociais adotam. “O interesse [deste projeto] é muito claro. É o de criminalizar os movimentos sociais e recrudescer o estado penal no Brasil, aproveitando para isso um período de Copa do Mundo onde os direitos constitucionais estão em suspenso e aí fica valendo uma lei [ em um momento que] a Copa vai passar, mas a lei vai ficar”. Segundo ela, “no momento em que existe um momento de mobilizações e a reação frente a elas não é de diálogo, mas de enfrentamento policial para impedir as manifestações não dá para dizer que nós temos os direitos constitucionais garantidos” e a Lei Antiterrorismo só viria a reafirmar isso. (Transcrevi trechos).

Navega na internet o seguinte post:

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A lei da copa e cozinha do bispo Crivella

Hediondos crimes no Brasil pegam pena leve: sequestro policial, tortura, cárcere privado, estupro, pedofilia, explodir caixa eletrônico, prisão arbitrária,  chacina, superfaturar obras e serviços públicos, induzir suicídio, vender sentenças, negociar milionários precatórios, emprestar dinheiro de banco oficial para empresas, indústrias e bancos falidos, trabalho escravo – o jeitinho brasileiro funciona para uma minoria levar vantagem em tudo.

O maior crime que se possa imaginar, para essa gente nas alturas, é protestar contra a corrupção. A polícia existe para criar uma legenda de medo.  Manter a apatia do povo. O manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Esquecido que Jesus era um protestante: quando da sua triunfal entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, e quando expulsou, com um chicote nas mãos, os ladrões do Templo, o bispo Crivella quer 30 anos de cadeia para o povo nas ruas em greve, ou reivindicando justiça, liberdade, fraternidade, mais escolas, mais hospitais, a humanização das cidades, o fim da polícia militar, e cadeia para os governantes corruptos.

Para a imprensa, o povo nas ruas é baderna; para o bispo Crivella, terrorismo.

Trinta anos de cadeia para quem protesta, quando os verdeiros bandidos estão soltos. Principalmente os lá de cima
Trinta anos de cadeia para quem protesta, quando os verdeiros bandidos estão soltos. Principalmente os lá de cima

Escreve Victor Lisboa:  Nosso sistema jurídico já possui leis criminais suficientes para que sejam severamente punidos os casos típicos de terrorismo internacional (assassinato ou sequestro premeditado de um Chefe de Estado ou explosão de uma bomba dentro de um estádio, p. ex.). Não precisamos de novas leis.

E parece excessivo prever novos crimes apenas para um evento passageiro e excepcional. Aliás, essa capacidade que um evento esportivo como a Copa tem de alterar a legislação do Brasil não só em seus aspectos administrativos (regras diferenciadas para licitação) como até penais tem um aspecto um pouco surreal. Desconheço se todos os outros países que sediaram a Copa também alteraram sua legislação de forma tão profunda, mas se não for esse o caso, então começo a compreender porque o presidente da FIFA, Joseph Battler, disse que em nosso país o futebol é uma religião.

Será? (Transcrevi trechos. Leia mais)

Mais outra ativista misteriosamente assassinada: poetisa Gleise Nana

A ativista, poetisa e diretora de teatro Gleise Nana, 33 anos, que havia denunciado o sargento Emerson Veiga, do 15 BPM de Duque de Caxias, faleceu na madrugada dessa segunda-feira, 20 de novembro, após um incêndio suspeito no apartamento da ativista.

A poetisa e diretora teatral havia denunciado o sargento após ele ter postado insultos no inbox da ativista. Em um deles, o PM a chamava de “maconheira, vagabunda e anarquista de merda, responsável pela desordem no Rio de Janeiro.” Com medo, Nana repassou as mensagens para os amigos. Passou, desde então, a receber telefonemas estranhos.

Com a ativista também havia muitas filmagens dos conflitos desde o começo, em junho. Nana tinha um vasto material com denuncia sobre abuso de PMs. Em um deles, o tenente-coronel Mauro Andrade admite que a PMERJ se excedeu.

Em um incêndio suspeito, no dia 18 de outubro, a ativista teve 35% do seu corpo queimado. O misterioso incêndio em seu apartamento também afetou os órgãos internos de Nana. Após quase 40 dias de coma, a ativista não resistiu e faleceu.

Cabe frisar que, num primeiro instante, a Polícia Civil trabalhou apenas com a hipótese de incêndio acidental. Mas após insistência de amigos e o trabalho dos advogados da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, a própria Polícia Civil admitiu que o incêndio pode ter sido criminoso.

Resta agora um empenho de todos para que a apuração ocorra da maneira mais transparente possível, pois sabemos que existem jogos de interesse escondidos por trás desse misterioso acidente.

Nossos sinceros sentimentos…

Pedimos aos nossos leitores que compartilhem essa nota de falecimento para que mais pessoas saibam a verdade.

Texto: Israel Montezano

Gleise Nana Wilson postou no dia 21 de junho esta foto: "Aí estava fisicamente bem. Cansada, após vários dias marchando e correndo de bombas, rs. Mas botei como foto de perfil por um motivo óbvio: é a conjuntura do país neste momento. Acho que é o que deve ser mostrado. Não consigo entender algumas pessoas fugindo da realidade e postando fotos cuti-cutis neste momento político que vivemos".
Gleise Nana Wilson postou no dia 21 de junho esta foto: “Aí estava fisicamente bem. Cansada, após vários dias marchando e correndo de bombas, rs. Mas botei como foto de perfil por um motivo óbvio: é a conjuntura do país neste momento. Acho que é o que deve ser mostrado. Não consigo entender algumas pessoas fugindo da realidade e postando fotos cuti-cutis neste momento político que vivemos”.

Seletividade da ação policial contra negros, jovens e pobres

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Milhões de pessoas foram às ruas protestar esse ano. Se em determinado momento não se sabia quais eram as principais bandeiras levantadas pelos manifestantes, podemos dizer que a repressão policial às manifestações foi um dos fatores determinantes para a tomada das ruas pela população.

Manifestações que começaram com pautas específicas, como contra o aumento ou contra os gastos com a copa, rapidamente se ampliaram em junho após desastradas ações da polícia que deixaram dezenas de militantes e jornalistas presos e feridos. A população deixou claro que a rua é do povo, onde quer protestar pelos mais diversos motivos. Mas esse direito, o direito à rua, é um que ninguém pode nos tirar.

Ainda assim, ao longo da copa das confederações vimos um alto investimento dos governos em blindados, tanques e armas para controle das manifestações. Se antes nos prometeram ampliação de investimento em infraestrutura nas nossas cidades como legado da copa, o verdadeiro legado está sendo a ampliação do aparato repressor e a restrição de direitos. No Congresso Nacional está em análise um projeto que pode enquadrar como crime de terrorismo manifestações em volta do estádio. Na Câmara dos Deputados foi apresentado projeto que aumenta a pena por dano ao patrimônio, crime nos quais a polícia tem tentado enquadrar os manifestantes. Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi aprovada uma lei que proíbe manifestantes de usarem máscaras em protestos.

É evidente a seletividade da ação policial contra negros, jovens e pobres, simbolizada, nos últimos tempos, pelo desaparecimento de Amarildo de Souza. Esse caso é representativo do caráter segregatório da polícia no nosso país, que desde sua constituição atua seletivamente e se profissionaliza na prática da tortura durante a Ditadura Militar.

Da forma como está instituída, a polícia se limita a agir na punição das condutas delitivas, depois de ocorrida a situação de violência. Como é a primeira instituição a entrar em contato com o agente a ser punido, funciona como um filtro, reproduzindo as diversas desigualdades já existentes na sociedade.

Mas já hoje as polícias exercem um papel fundamental por estarem mais próximas das comunidades. Em muitos lugares das nossas cidades são a única representação do Estado no local, sendo procurados para resolver todo tipo de problemas e restrições de direitos.

Quando defendemos a desmilitarização da PM defendemos o fim da hierarquia militar na estrutura policial, mas defendemos também o controle público sobre a atividade policial e o fortalecimento do caráter comunitário do policiamento. Devemos considerar um significado para segurança pública que abranja as idéias de efetivação dos direitos fundamentais e o aspecto dual da segurança pública, manifestado tanto na redução dos índices de criminalidade real quanto na diminuição do sentimento de insegurançapresente na sociedade.

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Estamos no meio de uma disputa sobre as nossas cidades, sobre as prioridades do nosso país, sobre nossos direitos. Alguns querem impedir as manifestações para garantir a realização de festas e grandes eventos sem “interferências negativas”. Para isso aumentam o aparato repressivo e restringem direitos. Nós acreditamos no poder das ruas, na capacidade do povo impulsionar mudanças através da livre organização. Acreditamos que as cidades devem ser de todas e de todos; que o Estado deve antes garantir direitos, não se utilizar de violência e restrição de liberdade. Nós lutamos pela segurança de todas e de todos, não de uns contra os outros.

Chamamos negras, pobres, policiais, estudantes, homossexuais, favelados, prostitutas, empresários, maconheiras, trabalhadores, bombeiras, desempregados, todas e todos que queiram se unir para construir esse verdadeiro legado para a sociedade: um legado de reafirmação de direitos para o fortalecimento da esperança de mudanças.


Transcrevi do Blog do Grupo Brasil e Desenvolvimento

 

 

 

Jornalismo, profissão de risco no Brasil. “Se a gente não mostra esse tipo de impunidade, de injustiça que é cometida pelos policiais, eles não vão parar de agredir as pessoas”

Manifestação 7 de Setembro. Polícia do governador Geraldo Alckmin ataca por terra e ar. Foto de Jardiel Carvalho
Manifestação 7 de Setembro. Polícia do governador Geraldo Alckmin ataca por terra e ar. Foto de Jardiel Carvalho

por Igor dos Santos
Portal Imprensa

Os fotojornalistas Jardiel Carvalho, da Frame Photo; Ernane Rocha Lobo, da Futura Press; e Tércio Teixeira, da agência Folha Press, relataram à IMPRENSA as agressões que sofreram e a truculência da polícia durante as manifestações em São Paulo no último sábado (7/9), feriado da Independência. Repórteres e fotógrafos chegaram a ser agredidos e viram PMs dispararem contra eles com armas letais.

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Oficial covarde e fujão, atirando com balas de chumbo. Fotos de Jardiel Carvalho
Oficial covarde e fujão, atirando com balas de chumbo. Fotos de Jardiel Carvalho

Após um carro atropelar alguns manifestantes, outros membros do protesto correram atrás do veículo e os fotógrafos acompanharam a movimentação. No entanto, encontraram dois oficiais da Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas). Um deles abandonou a moto e saiu correndo, mas o outro policial puxou a arma e efetuou disparos contra o grupo.

Dois tiros feitos com a arma letal foram na direção dos profissionais de imprensa e os outros foram em direção ao chão. Teixeira foi atingido pelos estilhaços de uma das balas no queixo e na perna. “Eu avisei para ele [policial que fez os disparos] que havia me atingido, que eu havia sido baleado. Anteriormente, ele já tinha deixado a arma cair no chão, mas quando viu o sangue escorrendo do meu queixo saiu correndo”, afirma o fotógrafo da Folha Press.

Após sofrer a agressão, Teixeira começou a perder muito sangue. Pensando em ajudar o colega, Lobo correu até um grupo de policiais “com as mãos levantadas para cima” pedindo a ajuda dos oficiais para que chamassem algum médico para atender o colega. No entanto, o fotógrafo acabou levando um jato de spray de pimenta no rosto. “Eu já havia sofrido agressões quando cobri manifestações anteriores, mas nunca nada tão grave”, diz.

Carvalho conseguiu registrar o momento do disparo. Ele disse que não conseguiu pensar muito no momento, mas que se sentiu “protegido pela câmera”. “É muito perigoso. Eu não recomendo a nenhum colega que passe pelo que a gente sofreu ali. Na hora eu me senti protegido pela câmera, só queria fazer o meu trabalho, mas o tiro podia ser para mim”, diz.

Sobre a atitude do policial, Carvalho afirma que o oficial “não pensou no que ele fez. Ele não estava acuado, não tinha nenhum grupo de manifestantes em cima dele. As outras revistas não procuraram saber, não procuraram falar com os envolvidos”, conta o repórter fotográfico da Frame Photo.

Os três fotógrafos apontaram a falta de preparo da polícia como o grande motivo para que eles tenham sofrido tantas agressões. No entanto, eles afirmam que isso não vai afastá-los do trabalho e que vão continuar exercendo a profissão e informando as pessoas.

“Se nós da imprensa não cumprirmos o papel que temos, as coisas só vão piorar. Se a gente não mostra esse tipo de impunidade, de injustiça que é cometida pelos policiais, eles não vão parar de agredir as pessoas”, afirma Carvalho.

Teixeira revela que, apesar do medo, não vai parar de trabalhar e exercer a profissão. “Vou continuar com amor ao fotojornalismo. Espero que o governo tome uma atitude e prepare melhor os policiais para que isso não aconteça novamente”.

Para Lobo, a agressão policial incentiva ainda mais o trabalho jornalístico nos protestos em todo o país. “Mais do que nunca pretendo continuar reportando, registrando o que está acontecendo nas ruas. As reportagens que eu estou vendo na mídia não estão sendo claras sobre o que está acontecendo. Sou apaixonado pelo meu trabalho e acredito que eu estou realizando uma missão aqui”, conclui Lobo.

 

Acrescentei fotos e legendas (T.A.)