Lazer sempre para os ricos no Recife

Recife não tem áreas de lazer para o povo.

Governar o Recife é construir os caminhos do shopping, estreitando calçadas e comendo as beiradas das praças. É erguer espigões, roubando o verde dos manguezais.

Recife não tem um passeio público.

recife manguezais

Os grileiros, os coronéis do asfalto e a especulação imobiliária acizentam o Recife, com uma arquitetura feia, pesadona, que arranha o céu, e a beleza de uma cidade chamada de Veneza Brasileira.

Quem vai usufruir desse projeto bonito?

Informa a prefeitura do Recife: “As ruínas de um antigo cais, localizado na Avenida Martins de Barros (Santo Antônio), vai se transformar em uma nova área de lazer e contemplação do Rio Capibaribe. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife deu início, nesta segunda-feira (06), as obras para a implantação do equipamento público chamado Estação Eco-turística Cais do Imperador. O espaço, que também foi utilizado como uma subestação de ônibus elétricos, é considerado histórico e receberá esse nome por ter sido construído em 1859, para o desembarque do Imperador Dom Pedro II e sua família, em visita à cidade.

Orçado em R$ 632 mil, o projeto prevê a recuperação total do espaço e a construção de novos elementos. O Cais do Imperador será formado por uma área aberta para contemplação, um ponto comercial, um posto de informação turística e um econúcleo. No ambiente externo, será realizado um tratamento paisagístico, com grama e árvores nativas, somando 142m2 de área verde. Também haverá um local para pequenas exposições e apresentações culturais. Tudo contará com uma iluminação especial que usará lâmpadas do tipo Led – mais eficientes e econômicas”.

Tudo bonitinho. É mais um espaço público cedido para os grandes negociantes da noite. Informa o Diário de Pernambuco: “O antigo píer será reformado e transformado em um espaço de convivência, com praça, anfiteatro, centros de informação e um ponto gastronômico com telhado verde.

A previsão de duração da obra, iniciada na sexta-feira, é de seis meses. Em um primeiro momento, o cais será um espaço de convivência com 598 m2, sendo 135 m2 para o anfiteatro (palco de apresentações rodeado por uma escadaria que servirá como arquibancada), 62 m2 de praça e 98 m2 do ponto gastronômico. ‘O empresário responsável pelo estabelecimento também terá que arcar os custos de iluminação e manutenção do cais’, pontuou o arquiteto responsável pelo projeto, Romero Pereira.

Posteriormente, o equipamento deve receber um píer para que barcos atraquem no local. O público poderá desembarcar também por via fluvial. Não há previsão para essa etapa ser realizada. Hoje, é possível chegar ao local principalmente usando transporte coletivo. Uma parada de ônibus fica a poucos metros do cais. ‘Essa área estava em desuso, sendo usada como estacionamento. Esperamos que, ao transformá-la num ponto histórico, ela possa trazer um novo olhar para os bairros de São José e Santo Antônio’, destacou o arquiteto.

O investimento vem de recursos de compensação ambiental pagos pelo Colégio Boa Viagem após uma reforma realizada em Área de Preservação Permanente (APP). Desde 2013, empresas que contróem nessas áreas podem fazer a compensação em dinheiro, através de um cálculo feito pela prefeitura levando em consideração o número de árvores desmatadas.

Foto Inaldo Lins
Foto Inaldo Lins

O imóvel em tons de verde que existe atualmente no local será demolido até a sexta-feira. Após a demolição, a prefeitura vai realizar uma seleção pública para escolher a empresa responsável pela gestão do café ou bar e manutenção do espaço. Os dois banheiros localizados nas extremidades do cais serão transformados em dois centros de informações: um ecológico e outro de informações turísticas. Apenas esses pontos serão mantidos pelo poder público”.

É mais um espaço de lazer para quem tem dinheiro.

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São Paulo não pode parar… os ladrões!

br_diario_comercio. A polícia de sampa

Atualmente, em efetivo, a Polícia Militar de São Paulo é a maior polícia do Brasil, e a terceira maior instituição militar da América Latina, contando com cem mil soldados estaduais.

A Polícia Civil do Estado de São Paulo dispõe de 40 mil e 663 integrantes.

Além de ter os serviços de diferentes empresas privadas de segurança, contratadas a peso de ouro, o governador Geraldo Alckmin comanda mais de 140 mil soldados e policiais, e a criminalidade só faz crescer, crescer.

Zop
Zop

São tropas treinadas para reprimir o povo, e que possuem as mais modernas armas. O povo, nas passeata e greves, conhece o poder de fogo da polícia de Alckmin.

Tem bombas de gás lacrimogêneo, de efeito moral, balas de borrachas, balas de chumbo, canhões d’água, choque elétrico, cacetadas, mordidas de cachorro e patadas de cavalo.

Para pegar ladrão, falta gente e jeito, apesar de ser uma das mais violentas polícias que se conhece.

 Newton Silva
Newton Silva

O voto chorado de Marina

Esta campanha presidencial começou com os infiltrados nos protestos de rua antes e durante a Copa do Mundo.

Protestos com reivindicações municipais, como o preço das passagens dos transportes coletivos (aumento autorizado pelos prefeitos) e escolas e hospitais padrão Fifa (que são construídas pelos governadores).

Eis porque os protestos foram duramente reprimidos pelos soldados dos governadores e pelos guardas municipais dos prefeitos.

Vale lembrar que a vaia e os xingamentos pornofônicos contra a presidente do Brasil Dilma Rousseff, no jogo inaugural, foram comandados pelo senador Álvaro Dias, coordenador da campanha de Aécio Neves, e Neca Setubal, coordenadora da campanha de Marina Silva.

Neca Setubal
Neca Setubal
Senador Álvaro Dias e filho, no dia da vaia
Senador Álvaro Dias e filho, no dia da vaia

quem vaiou

por Marcelo Bancalero

 

Pois é…
Descobrimos o maestro do coral tucano que vaiou Dilma, na abertura da Copa das Confederações…
O cara gastou com dois ingressos para ele e o filho, no valor de R$ 1.463,00 cada um. Já falaram até que alguns tucanos infiltrados, distribuíram R$400,00 para algumas pessoas espalhadas iniciarem a vaia.

A fatura de Álvaro Dias para assistir um único jogo
A fatura de Álvaro Dias para assistir um único jogo

Como quem estava lá não eram os pobres, mas a elite que é contra o bolsa família, ProUni, programas como o Luz para todos, Minha casa minha Vida, Minha casa melhor, diminuição da tarifa
de luz… etc, etc , etc
Foi fácil conseguirem que uns gatos pingados ( ou tucanos pingados), vaiassem.
Assisti aos vários vídeos, e nem se escuta as vaias, que um repórter do PIG, num helicóptero lá nas alturas, jura que ouviu a voz exatamente de 2045 pessoas vaiando.
Vaias que só foram notadas por Joseph Blatter, pois vieram dos camarotes, caríssimos e que ficam próximos de onde ele estava. E não do meio do povão nas gerais, que teve de levar a culpa como sempre, na manipulação da oposição. Se Joseph Blatter não falasse, e se a mídia não fizesse o sensacionalismo de sempre, ninguém nem teria notado.

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VEJA ENDOSSA INSULTO E GRITA: “EI, DILMA, VTNC”

Ao tratar como “vaia” as agressões dirigidas por parte da torcida no Itaquerão à presidente Dilma Rousseff, a revista de Giancarlo Civita (esq.), dirigida por Eurípedes Alcântara (dir.), transmite ao público a seguinte mensagem: “vocês gritaram por nós”; na reportagem interna, revista afirma que “o hino cantado a capela, as vaias em Dilma e mesmo o batismo de craque de Neymar foram os grandes momentos do jogo de abertura da Copa de 2014 no Brasil”; os barras bravas da mídia estão a postos para a campanha eleitoral

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247 – “Ei, Dilma, vai tomar no c…” O insulto que se ouviu da ala Vip do Itaquerão, dirigido à presidente Dilma Rousseff, foi endossado neste fim de semana pela revista Veja, que pertence ao empresário Giancarlo Civita, herdeiro de Roberto Civita, e é dirigida pelo jornalista Eurípedes Alcântara. De acordo com a publicação, a estreia do Brasil na Copa teve três destaques: o hino cantado a capela pelos torcedores, a atuação de Neymar e a “vaia” a Dilma – uma agressão que já não é mais tratada como “vaia” nem por seus adversários políticos, nem pelos mais raivosos colunistas da torcida organizada dos jornais e revistas da mídia familiar no Brasil.

“O hino cantado a capela, as vaias em Dilma e mesmo o batismo de craque em Neymar foram os grandes momentos do jogo de abertura da Copa de 2014 no Brasil”, diz o texto da reportagem de capa. Segundo a publicação, a “vaia” seria uma prova de que “a paixão pelo futebol não combina com política”.

O ex-presidente Lula, em junho de 2013, afirmou que parte da imprensa brasileira insufla o “ódio de classes” e, de certa forma, estimulou as agressões a Dilma. A capa de Veja parece confirmar a tese e sinaliza que os barras bravas da mídia estão a postos para a campanha eleitoral [Dito e feito

LÁGRIMAS DE CROCODILO

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Marina nunca foi de chorar.  Sempre foi dura nas críticas.

Veja como ela reage quando criticada:]

 

 

 

 

Por que Eduardo Campos desistiu de transformar o histórico conjunto de prédios do Tacaruna em uma “fábrica de cultura”?

Do portal da Universidade Federal de Pernambuco transcrevo:

entranhas do abandono

Livro conta a história da Fábrica Tacaruna, prédio do período açucareiro, hoje à espera de restauração

A Fábrica Tacaruna, na divisa entre o Recife e Olinda, com sua chaminé imponente riscando o céu, foi a primeira e mais moderna refinaria da América do Sul e também a primeira construção em cimento armado do continente. Nenhum detalhe escapa ao historiador cearense Limério Moreira da Rocha, 82 anos, autor do livro Usina Beltrão/ Fábrica Tacaruna – História de um empreendimento pioneiro.

A segunda edição do livro, ampliada, tem apresentação de Antônio Paulo Rezende, professor da Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Sempre que passava pela Avenida Agamenon Magalhães, a caminho de Olinda, onde lecionava na Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso), via aquele belo prédio se acabando com o matagal em volta e me preocupava muito”, confessa Limério, que chega a comparar a imensa construção a “um transatlântico encalhado no mangue”.

Para fazer a primeira edição, em 1991, o historiador contou com a colaboração de Hélio Beltrão, neto do construtor da Fábrica Tacaruna, Antônio Carlos de Arruda Beltrão, que ajudou no acesso a fontes primárias de informações e documentos. Ele também pesquisou em bibliotecas e nos acervos do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, onde foi fundada a Companhia Industrial Açucareira, que tinha entre seus sócios diversos pernambucanos.

Desde que Usina Beltrão/ Fábrica Tacaruna chegou às livrarias, 20 anos atrás, muitos novos fatos foram registrados no livro. A falência da indústria dos famosos cobertores até a passagem do prédio ao domínio do estado. A edificação também foi incluída como Zona Especial de Preservação do Patrimônio Histórico (ZEHP) e tombada como patrimônio material de Pernambuco. Batizado como Centro de Cidadania Padre Henrique, depois de passar às mãos da Secretaria da Criança e da Juventude, o imóvel foi palco até mesmo de prévias carnavalescas e shows musicais de grande porte. Até que o Ministério Público de Pernambuco obteve na Justiça uma liminar proibindo as apresentações no local.

“Noutro local e com a qualidade dos espaços interiores, a fábrica teria sido alvo, diante daquela proximidade do Centro de Convenções, o melhor local para instalar um Centro Cultural (…), mas nada se faz e tudo se aceita sem reclamar. Um estado de ausência que espanta. Perdemos para a Bahia a Coleção Abelardo Rodrigues e vamos deixar outras irem, para felicidade de estados vizinhos, sem ligar a mínima. Somos felizes assim?”, questiona o arquiteto José Luiz Mota Menezes, no prefácio do livro.

Em 2012, teve início uma suposta campanha pela restauração. Publicou o Jornal do Comércio: “Uma tentativa de recuperar o imóvel chegou a ser ensaiada em 2003, quando a Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco iniciou a obra de restauração das cobertas do prédio principal, para implantação da Fábrica Cultural Tacaruna. O projeto não teve continuidade e a coberta colocada nove anos atrás exibe sinais de desgaste, com partes esburacadas. Desde o ano passado (2011), a antiga fábrica é gerenciada pela Secretaria da Criança e Juventude”. Esquisita essa passagem administrativa. Indicava o fim da “Fábrica Cultural”.

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Da reportagem do JC:“O galpão de concreto armado foi um dos primeiros construídos com essa técnica em Pernambuco, é um dos mais antigos do Nordeste”, alerta o arquiteto José Luiz Mota Menezes, estudioso da evolução urbana. A Secretaria da Criança e Juventude pretende restaurar o prédio e instalar no local um centro para oferecer uma série de atividades à população jovem, com museu e biblioteca.

De acordo com o secretário-executivo de Articulação e Projetos Especiais, Joelson Rodrigues, o governo não pode divulgar as atividades previstas para o centro. Mas adianta que o serviço de restauração do prédio principal começa ainda este ano (2012), em setembro ou outubro, com recursos do Estado. O prazo de execução é de 12 meses, para obras de conservação.

“Nesse período, vamos recuperar a estrutura do imóvel para deixá-lo em condições de uso. O trabalho prevê a restauração do piso, telhado e elevador, bem como a instalação de aparelhos de ar condicionado”, informa Joelson Rodrigues. A meta do governo do Estado é abrir o centro em 2014, como mais uma atividade vinculada à Copa do Mundo do Brasil.

Joelson Rodrigues disse que galpões sem importância histórica existente no terreno serão demolidos e refeitos. “Estamos firmando parcerias financeiras e de tecnologia, que serão anunciadas depois.” O projeto de restauração do prédio principal já foi analisado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

“Solicitamos alguns pequenos ajustes e devolvemos o projeto à secretaria há cerca de um mês. Estamos aguardando o retorno com as modificações”, informa a arquiteta da Fundarpe, Rosa Bonfim. A proposta, diz ela, não altera a forma da edificação histórica. O prédio da antiga fábrica de tecidos é de propriedade do governo do Estado de Pernambuco.

O governo de Eduardo Campos foi marcado por inaugurações de obras inacabadas e 1001 promessas não realizadas. A Fábrica de Cultura foi mais um projeto jogado no lixo.

 

 

‘Rolezinhos’ denunciam a sociedade desumana, injusta e segregada

por Leonardo Boff

Cau
Cau

O fenômeno dos “rolezinhos” que ocuparam shopping centers no Rio e em São Paulo suscitou as mais disparatadas interpretações. Eu, por minha parte, interpreto da seguinte forma tal irrupção. Em primeiro lugar, são jovens pobres, das grandes periferias, sem espaços de lazer e de cultura, penalizados por serviços públicos ausentes ou muito ruins, como saúde, escola, infraestrutura sanitária, transporte, lazer e segurança.

Veem televisão, cujas propagandas os seduzem para um consumo que nunca vão poder realizar. E sabem manejar computadores e entrar nas redes sociais para articular encontros. Seria ridículo exigir deles que teoricamente tematizem sua insatisfação, mas sentem na pele o quanto nossa sociedade é malvada porque exclui, despreza e mantém os filhos e filhas da pobreza na invisibilidade forçada.

O que se esconde por trás de sua irrupção? O fato de não serem incluídos no contrato social. Estar incluído nesse contrato significa ter garantidos os serviços básicos: saúde, educação, moradia, transporte, cultura, lazer e segurança. Quase nada disso funciona nas periferias. O que eles estão dizendo com suas penetrações nos “bunkers” do consumo?

Eles estão, com seu comportamento, rompendo as barreiras do apartheid social. É uma denúncia de um país altamente injusto (eticamente), dos mais desiguais do mundo (socialmente), organizado sobre um grave pecado social, pois contradiz o projeto de Deus (teologicamente). Nossa sociedade é conservadora e nossas elites, altamente insensíveis à paixão de seus semelhantes, por isso, cínicas.

DESIGUALDADE

Em segundo lugar, eles denunciam nossa maior chaga: a desigualdade social, cujo verdadeiro nome é injustiça histórica e social. Releva constatar que, com as políticas sociais do governo do PT, a desigualdade diminuiu, pois, segundo o Ipea, os 10% mais pobres tiveram, entre 2001 e 2011, um crescimento de renda acumulado de 91,2%, enquanto a parte mais rica cresceu 16,6%.

Mas essa diferença não atingiu a raiz do problema, pois o que supera a desigualdade é uma infraestrutura social de saúde, escola, transporte, cultura e lazer que funcione e seja acessível a todos. O “Atlas da Exclusão Social”, de Márcio Pochmann (Cortez, 2004), nos mostra que há cerca de 60 milhões de famílias no Brasil, das quais 5.000 detêm 45% da riqueza nacional. Os “rolezinhos” denunciam essa contradição. Eles entram no “paraíso das mercadorias” vistas virtualmente na TV para vê-las realmente e senti-las nas mãos.

Eis o sacrilégio insuportável para os donos dos shoppings. Estes não sabem dialogar, chamam logo a polícia para bater e fecham as portas a esses jovens. Os marginalizados do mundo inteiro estão saindo da margem e indo rumo ao centro para suscitar a má consciência dos “consumidores felizes” e lhes dizer: essa ordem é ordem na desordem.

Por fim, os “rolezinhos” não querem apenas consumir. Eles têm fome, sim, mas fome de reconhecimento, de acolhida na sociedade, de lazer, de cultura e de mostrar o que sabem: cantar, dançar, criar poemas críticos, celebrar a convivência humana. E querem trabalhar para ganhar a vida. Tudo isso lhes é negado porque, por serem pobres, negros, mestiços, sem olhos azuis e cabelos loiros, são desprezados e mantidos longe, na margem.

Essa espécie de sociedade pode ser chamada ainda de humana e civilizada? Ou é uma forma travestida de barbárie? Esta última lhe convém mais. Os “rolezinhos” mexeram numa pedra que começou a rolar. Só vai parar se houver mudanças.

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APARTHEID NEGRO. Rolezinho, uma invasão do espaço dos brancos

Rolezinho devem acontecer sim, do jeito que rolam em diferentes partes do mundo: para combater o isolamento, a falta de locais de lazer dos jovens pobres.

No Brasil, os rolezinhos nasceram para combater o apartheid dos jovens negros e pardos, que vivem cercados nos cortiços do centro e nas favelas das periferias das grandes cidades. Presos nos guetos e favelas.

Não há locais de lazer para o povo, além das praias fluviais e marítimas. Recife é uma cidade que não tem nenhum passeio público, e o espaço urbano da capital pernambucana está todo grilado pela especulação imobiliária. Veja o escândalo desta manchete bem demonstrativa do descaso da prefeitura de Cuiabá:

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Vários prefeitos – com a desculpa de fazer caixa – vendem terrenos baldios, ruas e praças para as construtoras. Ainda no Recife, temos a Bacia do Pina toda destinada para o rasga céu de pavorosas torres, e o rasga verde da destruição dos manguezais, inclusive para a construção de uma autopista, com investimento de meio bilhão de reais do governo, para beneficiar um empreendimento privado, oficializando o tradicional abuso da violentação dos shoppings em bairros residenciais.

Os rolezinhos contra o apartheid nos shoppings recebem da imprensa  elitista e patronal  manchetes terroristas, reverberando ameaças da polícia e da justiça.

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Shopping não é local para comício. A simples presença do jovem negro  uma chocante e reveladora denúncia contra o racismo, a prova de que o aparheid existe. Outros tipos de protestos sejam organizados, principalmente, nas ruas e praças.

Dos prefeitos a obrigação de construir hortos e parques; passeios públicos e praças; centros culturais e desportivos.

O Brasil não investe em  lazer. E nada se faz que preste para o povo.

Latuff
Latuff

Rolezinho rola até Não Vai Ter Copa

JOANA GORJÃO HENRIQUES (TEXTO) E VERA MOUTINHO (VÍDEO)

Um enorme centro comercial, Iguatemi do Lago Norte, o mais frequentado pela classe alta de Brasília, fecha as suas lojas de luxo a um sábado à tarde. Fica cercado por polícia e por homens que olham de frente quem se aproxima. No lado de fora, um grupo de não mais de duas dezenas de rolezeiros — muitos deles estudantes universitários, alguns de juventudes partidárias e uns quatro jovens da periferia – saca de uma coluna de som, e põe a tocar funk e até o Geração Coca-Cola dos Legião Urbana. Num terceiro grupo, uma dezena de jornalistas sentados na relva tecla ao computador.

Em Junho, isto chamar-se-ia protesto, hoje chamou-se rolezinho e foi marcado no Facebook por um grupo de amigos activistas (entre eles Pilar de Freitas, Serginho Lopes e Franklin Rabelo de Melo, que irão conhecer numa das nossas reportagens): quiseram estar solidários contra a violência policial exercida em rolezinhos passados. Rolezinhos são encontros marcados pelas redes sociais entre jovens da periferia para irem passear dentro do centro comercial, juntando às vezes grandes grupos, e estalou um polémica recentemente porque alguns shoppings em São Paulo barraram a entrada a jovens e por a polícia ter usado balas de borracha e violência.

De manhã, os jornais tinham anunciado que o shopping Iguatemi iria fechar, portanto a organização já estava à espera que não aparecesse muita gente. Mas o aparato policial dá afinal ainda mais força a quem o organizou: o gigante tem medo do anão e protege-se na sua fortaleza accionando a segurança máxima. Passada uma hora e meia, e com um protesto Não Vai Ter Copa marcado para as 17h no Brasília Shopping, desliga-se a música, arruma-se o megafone, e os rolezeiros rolam nos seus carros até ao Não Vai Ter Copa. Se estavam mais de 50 manifestantes ao todo, contando com os do rolezinho, era muito. Já de polícia e polícia militar, o número era bem maior. Para os rolezeiros, o dia já tinha sido ganho.
Ouçam a Mácia Teixeira: Vídeo de Vera Moutinho

 

Rafael Balbueno
Rafael Balbueno

Nota dos movimentos em defesa dos rolezinhos, contra o racismo e a discriminação social

Latuff
Latuff
Neste final de semana, ao menos 5 estados vão presenciar a realização de vários Rolezinhos em diversos shoppings das suas capitais. Esses Rolezinhos assumiram um caráter de protesto pelo o que ocorreu no último final de semana no Rolezinho parte 3, no Shopping Metrô Itaquera, na capital paulista.

Os rolezinhos surgiram no final do ano passado, em que jovens da periferia paulistana combinaram através das redes sociais um encontro no shopping para se divertirem, encontrarem colegas, amigos, conhecerem pessoalmente as pessoas com quem conversam na internet. Sim, os objetivos eram simples, nada muito diferente do que jovens de 14, 15, 16 anos tem interesse de fazer nessa fase da vida. Ocorre que essa forma de integração social e a posterior repressão sofrida no último final de semana pela ação truculenta da PM expressam muito além disso.

Em primeiro lugar, a busca dos jovens pela integração social dentro dos shoppings demonstra que há poucas alternativas de cultura, lazer e integração para os jovens da periferia. A maioria está de férias, os cinemas são caros, as iniciativas de envolvimento dos jovens em atividades culturais, por parte dos governos, são precárias e a recente restrição da meia entrada fechou mais ainda as possibilidades de um programa bacana para a juventude.

É claro que para justificar a ação da polícia, construiu-se um rol de justificativas infundadas de que os jovens promoveram algo parecido com arrastão, furtos e roubos, etc. Isso não é verdade. Houve sim uma correria pelo shopping, isso é parte do rolezinho, mas não com o objetivo de roubar ou fazer arrastão. Os jovens se animaram com o programa “daora” que organizaram e para quem já frequentou alguma sala de aula de jovens dessa faixa etária sabe que a energia da idade promove euforia, risada por qualquer coisa, bagunça, etc. Mas essa iniciativa de correr também tem um fundo político, não necessariamente consciente da parte dos jovens: eles são moradores da periferia, a maioria negros. Isso assusta em ambiente de rico e os shoppings são isso: ambiente de quem tem dinheiro pra gastar e não ambiente de quem não tem dinheiro para se divertir e improvisa diversões, como os jovens fizeram.

A reação dos donos dos shoppings expressa a defesa exata desse propósito desses ambientes de consumo. E o rolezinho atrapalha esse propósito. A ação da PM expressa o compromisso do governo com os donos dos shoppings e, portanto com essa concepção restrita, elitista e excludente de cultura, lazer e diversão. A ação da PM reproduziu no shopping o que ocorre todos os dias nas periferias brasileiras. Os jovens são reprimidos de graça, os negros já são identificados como bandidos. O recente acontecimento no bairro do Ouro Verde na periferia de Campinas não deixa dúvida: ser pobre, negro e morar na periferia é um atraente para a violência policial.

Os rolezinhos ganharam um caráter de protesto mesmo. Ganharam o apoio e a força dos movimentos sociais sim. E com certeza, a reação dos donos dos shoppings, da PM e do governo faz com que esses jovens que só queriam se divertir reflitam os problemas políticos e sociais que o rolezinho e suas consequências destamparam.

O Movimento Mulheres em Luta, o Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, a CSP Conlutas e a ANEL vão pro rolê. Vamos expressar nossa indignação contra o racismo, contra o preconceito, a discriminação social e a repressão. Queremos dizer que a juventude deve ter direito à cultura, lazer e diversão, e que isso é responsabilidade dos governos. Vamos demonstrar que somos contra a restrição da meia entrada, e se quiserem comparar com os protestos de Junho, nós vamos dizer: sim, tem tudo a ver.

Mais uma vez, expressamos nossa indignação com o descaso dos governos sobre a população. A diversão e “boa recepção” dos turistas que vem para Copa é alvo de grande preocupação dos governos, mas a juventude, os trabalhadores e o povo pobre do país sofrem com o caos no transporte, saúde, educação e nem direito ao lazer tem. Partiu role, partiu protesto. 2014 começou.

Central Sindical e Popular Conlutas
Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe
Movimento Mulheres em Luta
Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!
Blog de Júnior Lima
Blog de Júnior Lima

Seleta de charges sobre rolezinhos (rolê quer dizer encontro)