Juízes e jornalistas marcados para morrer

Juiz João Damasceno
Juiz João Damasceno
Denuncia Carlos Latuff: Blog “defensor do policial” publica ameaças de morte ao juiz de direito João Batista Damasceno. Blogs e comunidades do Facebook tem sido território livre para ameaças contra ativistas. Tais páginas promovem crime de ódio e devem ser enquadradas na lei da mesma forma que sites neonazistas. Que o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro – MPRJ possa tomar as devidas providências.http://blogdaverdaderj.blogspot.com.br/2013/08/juiz-que-odeia-policiais-expoe-quadro.html
Eis a sentença de morte: de quinta-feira, 29 de agosto de 2013:

JUIZ QUE ODEIA POLICIAIS EXPÕE QUADRO DE PM ATIRANDO EM JESUS CRISTO, EM SEU GABINETE

Foto reprodução
Foto reprodução
 A gravura “Por uma cultura de paz”, do cartunista carioca Carlos Latuff, afixada no gabinete do juiz João Damasceno, da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões, no Tribunal de Justiça, pode acabar na Justiça. A obra mostra um policial militar com um fuzil, acertando um disparo num homem negro crucificado. No meio policial, a presença do quadro numa repartição pública não foi bem recebida: tanto que, como antecipou Berenice Seara, na coluna “Extra, Extra”, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP) publicou no seu site um modelo de ação judicial para que todos os PMs que se sentiram ofendidos peçam indenização ao cartunista e ao juiz. *CONTINUE LENDO NOSSA OPINIÃO – Esse juiz João Batista Damasceno é um vagabundo safado! AntiPM filho da puta! Ele já é conhecido por publicar em blogs e revistas, seu ódio contra policiais militares, principalmente após a morte da juiza Patrícia Accioli. Safado do caralho! Merece ter o mesmo fim da juíza vadia Patrícia Accioli. Canalha! Ladrão do caralho! Não bastava ele não gostar de PMs, coisa que todos nós sabemos, que juízes não gostam de policiais militares, mas, este merda fez questão de mostrar seu “AntiPeemismo” para todos que adentrassem seu gabinete. Acho bom este verme tomar cuidado. Acha que por ser juiz, ninguém vai ter coragem de tocá-lo. A morte da juíza em São Gonçalo mostrou que não é bem assim não. Juiz de merda! Vagabundo defensor de traficantes e toda raça de bandidos! Este juiz desrespeitou toda a instituição e generalizou totalmente os policiais. Para ele, todos nós somos assassinos, corruptos, etc. Um filho da puta de um juiz como ele, que deve ser imparcial em suas decisões e julgar de acordo com o que a lei determina, mostrou ao expor este quadro em seu gabinete, que não age com imparcialidade porra nenhuma quando um processo de um PM é entregue em suas mãos. Alô seu juiz de merda, João Damasceno! Você pendurou um quadro de um policial atirando em um homem numa cruz, ou seja, provavelmente representando a figura de Jesus Cristo. Pois bem, nós não gostaríamos de pendurar um quadro não; gostaríamos de pendurar sua cabeça decaptada, seu filho de uma puta! Já que este juiz de merda fez questão de mostrar que odeia os policiais militares, que ele saiba que nós odiamos estes magistrados de merda! Cambada de vermes, coniventes com tudo quanto é sujeira que ocorre neste país. Juízes são vermes! E assim como os políticos, traficantes e estupradores, merecem ser exterminados. Nós, policiais, estamos revoltados com a atitude deste juiz vagabundo, e exigimos a retirada imediata deste quadro do gabinete do Juiz João Damasceno, e um pedido formal de desculpas por parte do mesmo. E o deputado estadual Flávio Bolsonaro postou em seu perfil no facebook, um modelo de ação judicial para que todos os policiais possam representar contra este covarde que se esconde por de tras de uma tóga. Juiz vagabundo safado.

Nota do redator do blogue: É a Justiça ameaçada. Sempre repito: a polícia bandida começa matando os Amarildos. Depois os jornalistas. Jornalista é o teste para matar juiz.
Neste blogue dou a lista das mortes encomendadas. Inclusive de juízes.
Para a polícia/milícia são jornalistas: blogueiros, cartunistas, fotógrafos, cinegrafistas, radialistas, autores de música de protesto, idem poetas.
Também dou a lista dos jornalistas que sofrem assédio judicial.
Latuff, o mais famoso artista/jornalista/chargista brasileiro está ameaçado de morte.
Sou pela permanência dos blogues tipo da “verdade policial”. A gente fica sabendo o que planeja os assassinos.
P.S. : A foto do juiz vem sendo divulgada nos sítios militares, que programam uma manifestação para pegar bigu nas festividades de Sete de Setembro. O cartaz foi fotografado no próprio gabinete do juiz,  invasão que comprova a ousadia dos milicianos.

Da escuridão do Reluz recifense as ameaças de morte à Noelia Brito

noelia brito foto

Aconteceu com Mosquito, e o stalking terminou com um misterioso suicídio. Vem sucedendo com o mais conhecido, internacionalmente, cartunista brasileiro Carlos Latuff, ameaçado pela polícia do governador Sérgio Cabral. No exílio permanece o premiado jornalista Mauri König, ameaçado de morte pelos delegados caça níqueis do governador  Beto Richa.

Em Recife, a polícia prendeu o jornalista Ricardo Antunes, por seis meses, pela plantação de ter negociado com o bacharel em Jornalismo, Antônio Lavareda, uma notícia por um milhão de dólares – a notícia mais cara do mundo. Preço jamais visto na História da Imprensa. Contra esta arbitrariedade fui anticandidato a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco. Coloquei Ricardo Antunes como vice-presidente. A chapa registrada, e única concorrente da chapa continuísta, deu, sem querer, uma nada consta contra Ricardo Antunes. Fiz o domado sindicato, indiretamente, defender Ricardo Antunes contra os secretários jornalistas do governador Eduardo Campos, que chamou Ricardo Antunes de “pobre coitado” e “infame”.

É neste Pernambuco ditatorial, da antiga Sorbonne, que se promove o assédio a Noelia Brito. Exemplo dessas costumeiras mensagens no Brasil:

Mosquito ameaça polícia terrorismo

Da escuridão do Reluz, Noelia Brito vem recebendo os corruptos, criminosos, nefastos, fúnebres avisos de morte anunciada: “os imeios contendo xingamentos e ameaças para que não fizesse qualquer menção ao caso da licitação do Reluz em nenhum dos espaços onde escreve. Dois dias após as ameaças, portanto, no dia 23 de agosto, o jornal Correio Braziliense revelou que um apadrinhado de Geraldo Julio fora o vencedor da licitação milionária destinada à instalação de luminárias na capital pernambucana. O resultado dessa licitação já havia sido anunciado, com antecedência, nos classificados de jornais e pelo Blog Carta Polis”.

Acrescenta Noelia Brito: “Antes das ameaças por email, esta blogueira já vinha sendo vítima de uma série de ataques difamatórios em postagens realizadas por perfis falsos plantados no grupo Direitos Urbanos, do Facebook, no Blog de Jamildo, onde assina coluna semanal, e no Facebook, em perfis “fakes”.

O caso já foi denunciado à Polícia Federal, “já que as verbas do Reluz são federais, e os crimes cometidos pelos bandidos que tentam calar a voz desta blogueira são federais”, informa Noelia Brito. Leia mais

denúncia

noelia brito retrato

Homenagem à repressão?

Projeto de decreto legislativo de Salva de Prata à Rota avança na Câmara Municipal de São Paulo e vai na contramão da busca por justiça de transição

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por Marsílea Gombata

A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo aprovou na quarta-feira 14 o projeto de decreto legislativo do vereador Paulo Telhada (PSDB) para conceder uma homenagem Salva de Prata às Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) da Polícia Militar de São Paulo.

A proposta prevê uma cerimônia que enaltecerá a “importância” do processo de formação da Rota, criada em 1970, assim como seu papel na repressão do regime dos generais. O projeto, de autoria do vereador que foi tenente da Rota entre 1986 e 1992 e tenente-coronel entre 2009 e 2011, tramitava na Casa desde abril.

Polêmico, o decreto encontrou forte oposição de alguns parlamentares da Casa, como os petistas Juliana Cardoso, Nabil Bonduki, Paulo Fiorillo e José Américo. Também foram contrários Orlando Silva (PCdoB), Toninho Vespoli (PSOL) e Gilberto Natalini (PV), que é presidente da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal.

No momento em que o Brasil vê efervescer, 28 anos depois do fim da ditadura, o debate sobre violações de direitos humanos e crimes de lesa humanidade perpetrados por torturadores do Estado no regime, a homenagem proposta pelo vereador eleito em 2012 parece ir na contramão daquilo que o País ainda não teve: justiça de transição – um conjunto de ações e processos, acordados no âmbito internacional, na passagem do regime ditatorial para a democracia. Embalada pelo andamento dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e das comissões locais, a sociedade brasileira revolve seu passado para esclarecer fatos obscuros de um regime que edificou mentiras, destruiu famílias e ceifou vidas.

Nunca é demais lembrar que a Rota não é apenas fruto da ditadura que assolou o País de 1964 e 1985, como também forneceu apoio e atuou como agente repressor. Assim como a Polícia Militar, a Rota é lembrança permanente da repressão e impunidade de autores de violações sistemáticas, que agem com frequência nas periferias dos grandes centros urbanos. São também resquícios de uma transição democrática tortuosa vivenciada pelo País depois da ditadura. Uma amarga lembrança da necessidade de reforma das instituições do Estado.

Desde que a antiga Força Pública virou PM, em 1969, o órgão se viu em meio a crescentes denúncias de assassinatos envolvendo policiais. Como lembrou em artigo o grupo Margens Clínicas, que oferece atendimento psicológico a vítimas de violência policial, números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo de 2012 mostram que 547 mortes ocorreram em supostos confrontos policiais, o que representa um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Não são poucas as denúncias contra a PM (da qual a Rota faz parte) de assassinato, abuso de autoridade e descaracterização da cena do crime.

Para o especialista em direito penal e direitos humanos Túlio Vianna, a Polícia Militar representa hoje um “modelo anacrônico de segurança pública que favorece abordagens violentas, com desrespeito dos direitos fundamentais”. Sua análise não é desprovida de coro. No fim de julho, a Human Rights Watch entregou uma carta ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na qual se dizia “preocupada” com as “execuções extrajudiciais” cometidas por policiais. O levantamento da entidade, baseado na análise de boletins de ocorrência de “resistências seguidas de morte” – como São Paulo classificava até 2012 mortes cometidas por policiais em supostos confrontos –, mostrou que somente nos anos de 2010, 2011 e 2012 a Rota matou 247 pessoas. À época, José Miguel Vivanco, diretor da Human Rights Watch para as Américas, disse que “as provas colhidas nos casos analisados em São Paulo revelam um claro padrão: policiais executam pessoas e, em seguida, acobertam esses crimes.”

Em maio de 2012, o Conselho de Direitos Humanos da ONU apresentou um documento no qual apontou a situação degradante do sistema carcerário e a atuação da polícia militar como alguns dos principais problemas do Brasil, e recomendou a desmilitarização da polícia. A proposta, no entanto, foi integralmente rejeitada pelo Brasil.

Mas o debate sobre a necessidade de desmilitarização de uma polícia que, em tese, foi criada para proteger os cidadãos em vez de amedrontá-los, foi retomado depois da repressão policial que marcou os protestos de junho pelo País. A expectativa é que a própria Comissão Nacional da Verdade recomende em seu relatório final a desmilitarização das PMs. O tema é debatido desde o fim da ditadura, mas sem grandes avanços.

Sem mudanças importantes, as polícias militares – e seus grupos de elite – tendem a se tornar cada vez mais despreparadas frente às necessidades democráticas que o País apresenta.

Homenagear, portanto, o símbolo da repressão militar no momento em que joga-se luz nas violações de agentes torturadores do Estado e em meio à discussão sobre a desmilitarização da PM parece ser um ato para endossar o aspecto tenebroso de um período que o Brasil quer, de uma vez por todas, deixar para trás.

 

 

Um jornal britânico defende brasileiro preso em Londres

Latuff
Latuff

 

Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta terça-feira que o gabinete estava “a par” da decisão de deter o brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald, que revelou o esquema de espionagem eletrônica do governo americano.

 

Miranda foi detido e interrogado no último domingo no aeroporto internacional de Londres (Heathrow) pela Scotland Yard, a polícia metropolitana. Ele voltava de uma viagem de Berlim e fazia uma escala de duas horas na capital britânica.

 

Nesta terça-feira, o brasileiro afirmou que vai entrar com um processo contra o governo do Reino Unido para impedir que a polícia examine os dados de seu laptop e equipamentos eletrônicos que foram confiscados.

 

O repórter de Assuntos Domésticos da BBC, Danny Shaw, disse que o processo tem o apoio moral do jornal britânico The Guardian.

 

Para a ministra do Interior, Theresa May, que afirmou ter sido informado sobre a detenção de Miranda, a atitude da polícia foi correta.

 

Já o editor do The Guardian Alan Rusbridger definiu a detenção de Miranda como “suspeita”.

 

“Acho suspeito que ele tenha sido parado em Heathrow, porque o ato de terrorismo é normalmente feito de maneira aleatória”, disse ele em entrevista à BBC.

 

Episódio ‘incomum’

 

David Miranda ficou preso por quase nove horas no domingo no aeroporto de Heathrow, em Londres. Durante este tempo, ele foi questionado com base na lei antiterror do país, que permite parar qualquer pessoa em trânsito pela Grã-Bretanha.

 

O brasileiro voltava de Berlim, onde esteve com a cineasta americana Laura Poitras, que trabalha com seu companheiro, Glenn Greenwald, nas investigações do material vazado por Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, sigla em inglês).

 

Greenwald, que trabalha para o diário britânico The Guardian, confirmou que seu companheiro teve a viagem para Berlim paga pelo jornal. O objetivo da viagem teria sido levar informações e receber documentos a respeito do trabalho que o jornalista e a cineasta fazem sobre os documentos vazados por Snowden, exilado na Rússia.

 

O jurista britânico David Anderson, revisor independente da legislação sobre terrorismo no Reino Unido, disse à BBC que o fato de o brasileiro ter sido detido por quase nove horas foi “incomum”.

 

Anderson, cuja função é opinar junto à Scotland Yard sobre a aplicação da Lei Antiterrorismo, vai se reunir com a polícia nesta terça-feira para discutir o caso do brasileiro.

 

Além dele, políticos da oposição demonstraram insatisfação com o uso da lei antiterror para interrogar uma pessoa que não estaria ligada a atividades terroristas.

 

Violência psicológica

 

Miranda teve equipamentos eletrônicos que carregava confiscados pela polícia, incluindo um laptop, telefone celular, câmera fotográfica, cartões de memória, DVDs e consoles de videogame. Mas afirmou não saber se entre os arquivos que transportava, alguns deles codificados, estavam documentos secretos da NSA.

 

“Eu estava levando alguns arquivos para Laura e estava trazendo alguns arquivos para o Glenn. Eu não sei o que continha naqueles arquivos, porque eles são jornalistas, eles trabalham em várias histórias.”

 

Ao Jornal Nacional, Greenwald afirmou que tem cópias de todos os documentos que foram confiscados pela polícia britânica.

 

Em artigo publicado nessa segunda no Guardian, o jornalista chegou a afirmar que o episódio “nos encoraja ainda mais” a “continuar relatando agressivamente o que esses documentos revelam”.

Quem defende os direitos humanos recebe ameaça dos que prendem e arrebentam

 

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Quando o Congresso Nacional fará uma investigação sobre as organizações criminosas que suicidaram Mosquito, que levaram ao exílio  André Caramante, Mauri König e que, também, ameaçam de morte Lúcia  Rodrigues, Carlos Latuff, para citar casos recentes?

“Essas organizações policiais, que reúnem não só membros ativos das forças de repressão, como também simpatizantes com perfil fascista, anti-comunista, anti-petista, machista e homofóbico. É sabido que dois desses perfis, Fardados e Armados e Rondas ostensivas tobias de aguiar “Rota” estão incitando seus membros a tomarem ações violentas contra mim”, denunciou Latuff.

O Brasil, campeão de censura judicial contra blogueiros que denunciam a corrupção, permite que a internet seja usada para as mortes anunciadas de jornalistas, poetas, escritores e artistas.

Há uma explícita mea culpa mea maxima culpa nesses blogues quando atacam os desfensores dos direitos humanos. 

LATUFF É MEU AMIGO, MEXEU COM ELE, MEXEU COMIGO!

 

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por Ivam Pinheiro

 

Carlos Latuff está entre aqueles que lutam contra a opressão do capital e por uma sociedade justa e fraterna. Antes de tudo, é um humanista, internacionalista e revolucionário, que sofre as dores dos oprimidos, seja onde for.

Militante corajoso, independente, coloca sua arte, sempre inteligente e radical (no bom sentido da palavra), a serviço da esquerda de todo o mundo e da humanidade. Uma charge de Latuff vale mais que muitos manifestos, fala por si, emociona.

Mais uma vez, Latuff está ameaçado de morte.

Justamente indignado com a violência policial, fez, em suas próprias palavras, uma “provocação” em torno do assassinato de um casal de PMs paulistas.

Por mais que a emoção o tenha levado a exagerar o tom da “provocação”, temos a obrigação política e moral, os revolucionários e progressistas, de lhe prestar solidariedade e blindá-lo diante das ameaças de que tem sido vítima, por parte de fascistas que tentam se aproveitar de um momento de compreensível destempero verbal do nosso Latuff.

É bom que saibam os que o ameaçam do carinho que lhe devotam um incalculável número de pessoas e organizações políticas e sociais no mundo todo.

E que depois do “Cadê o Amarildo?”, os matadores, com ou sem farda, de carreira ou de aluguel, vão ter que pensar muito antes de assassinar covardemente um ser humano, seja ele um pedreiro ou um artista. Não mais os deixaremos em paz, a cada covardia.

Com nossa solidariedade, sabemos onde estará por muitos anos o jovem Latuff: numa prancheta, com sua pena implacável contra as opressões e em nossas manifestações contra elas, com a alegria dos que lutam por uma sociedade onde todos nos possamos chamar de companheiros.

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Armação da polícia de Sérgio Cabral para justificar o holocausto dos Amarildos

Informa R7 Notícias: A mulher do pedreiro Amarildo, Elizabete Gomes da Silva, disse que todas as acusações de envolvimento dela e do marido com o tráfico de drogas são mentirosas e têm o objetivo de desviar o foco de atenção das investigações sobre o paradeiro do pedreiro, desaparecido há cerca de um mês, após ser abordado por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha.

— Isso é tudo mentira. Para eles falarem isso, têm que ter prova.

Na semana passada, o delegado Ruchester Marreiros, que participou da primeira fase de investigações sobre o sumiço de Amarildo na Delegacia da Gávea (15ª DP), apresentou relatório no qual cita o pedreiro e Elizabete como colaboradores do tráfico da comunidade.

Irritada, a mulher de Amarildo declarou que, sem imagens, fica fácil falar qualquer coisa.

— Estão querendo sair do foco e querendo me envolver. Minha casa nunca foi alvo de nada.

Anderson Dias Gomes, de 21 anos, filho de Amarildo e Elizabete, declarou estar angustiado com as insinuações feitas contra a mãe e o pai.

— Nós já estamos sofrendo bastante para eles inventarem uma calúnia dessa sem provas.

Uma mãe de família, por ter sido esposa do falecido Amarildo, a polícia transforma em traficante e torturadora
Uma favelada mãe de família, por ter sido esposa do falecido Amarildo, a polícia transforma em traficante e torturadora. Foto Alessandro Costa
Veja que infâmia: Escutas telefônicas feitas com autorização da polícia captaram uma conversa na qual um traficante conhecido como Catatau fala com um policial infiltrado no tráfico sobre o desaparecimento de Amarildo Dias. Segundo o criminoso, Boi, como seria chamado o pedreiro, foi morto para jogar a população contra o comandante da UPP da Rocinha. A conversa teria ocorrido quatro dias após o sumiço de Amarildo.

Uma das testemunhas que gravaram depoimento aparece com as duas mãos enfaixadas e diz ter sido torturada na casa onde Amarildo vivia com a família.

— Eles me botaram sentado na escada da porta da Bete. Ela é conhecida minha. Aí ela comentou: “você vai tomar um coro, né?”. Eu falei: “pô, acho que vou”. Então você vai ser o nono [disse ela]. Quebraram minhas duas mãos e me queimaram todo, no peito, na barriga, tudo.

[Jogar a população contra o comandante da UPP. Amarildo, para a polícia,  era um estrategista político, e excelente marqueteiro. Ou melhor dito, mais um marqueteiro bandido, traficante de moedas para os paraísos fiscais].

HOLOCAUSTO: SOLUÇÃO FINAL
DE UMA POLÍCIA NAZISTA
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O Papa Francisco, na visita que fez a uma favela carioca, denunciou o terrorismo policial.
Uma polícia que vem ameaçando de morte o cartunista Latuff. Uma polícia que mata.
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Escreve Edu H. Silva: O projeto da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) foi inaugurado em 2008, na Comunidade Santa Marta, zona sul do Rio de Janeiro, e depois se expandiu para outras comunidades.
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De lá para cá, aproximadamente cinco mil pessoas foram mortas pela ação truculenta da polícia. Este é o número de habitantes em várias pequenas cidades país afora. E, certamente, isto corresponde apenas aos dados registrados. Há um ainda mais e mais assustador que sequer se conhece. O fato é que o que tem marcado os quase cinco anos de UPP nas favelas são chacinas, desaparecimentos e intimidação aos moradores.
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A presença das UPP’s nas comunidades cariocas faz parte de uma política do governo estadual – sob aval e o incentivo do governo federal (PT) – de criminalizar a pobreza e não, de forma alguma, para garantir proteção e segurança da comunidade. Isto tudo cercado de muita publicidade e propaganda enganosa.
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Como prova disso, basta lembrarmos de uma ação escandalosa, em novembro de 2011, chamada “Operação Choque de Paz”, na favela do Vidigal, onde além de toda a violência durante a invasão, foi montada (como a imprensa revelou recentemente) uma farsa hollywoodiana, com direito a figurantes e sangues de ficção.
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A realidade, contudo, não tem nada de “filme de ficção”. Nos morros tomados pela UPP, a taxa de desaparecidos aumenta vertiginosamente. E os desaparecidos em sua maioria são jovens negros, que, segundo dados do governo, têm 139% mais chances de serem mortos dos que os brancos.
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Dentre os desaparecidos, a maioria (59%) é do sexo masculino, sendo que 27,4% são estudantes. Os desaparecimentos, em sua maioria, atingem a população com faixa etária superior a 18 anos. Muitos deles trabalhavam em empregos precarizados, sem direitos trabalhistas, garantias de estabilidade e baixos salários. Amarildo, como muitos outros trabalhadores, se encaixa nesses dados.
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Diferente do que defende a grande imprensa, as UPPs estão longe de ser órgãos pacificadores para o combate ao tráfico nas comunidades. Pelo contrário. Não são poucos os exemplos da existência de acordos entre o crime organizado e amplos setores da polícia, inclusive em seu alto escalão.
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O uso cada vez mais freqüente de meios de comunicação “alternativos” (como os vídeos postados nas redes sociais) só tem servido para confirmar algo que os moradores das comunidades negras e pobres do Rio já conhecem há tempos: s UPPs se tornam verdadeiras máquinas de execução em massa, com seus fuzis voltados particularmente para a população negra.
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Uma simples busca na internet apresenta resultados que, literalmente, embrulham o estômago. São cenas de policiais agredindo mulheres, como o caso de um oficial da UPP espancando uma mulher negra sentada em um banco
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ou de um vídeo feito em 2010, no morro do Cantagalo, que mostra um policial agredindo um jovem e ameaçando os moradores que estavam em volta da ação
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Exemplos (dentre centenas de outros que poderíamos citar) de que UPP e violência policial são sinônimos. Assim como polícia e racismo.
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(Transcrevi trechos)
mijo menino favela polícia invasão

Latuff sobre as ameaças de morte: “É importante discutir a violência policial. Um tabu que poucos têm coragem de tocar”

Carlos Latuff, fotografado por Roselita Campos
Carlos Latuff, fotografado por Roselita Campos
 As ameaças contra Carlos Latuff mancham o nome do Brasil. Natural que essa desonra aconteça. O artista plástico, jornalista, pintor, ativista dos direitos humanos, Latuff tem trabalhos espalhados por todo o mundo.

Biografa a Wikipédia: Durante o ano de 2011, vários protestos estouraram em todo o mundo árabe, sendo chamados de “Primavera Árabe“, Carlos Latuff se torna, através de seus trabalhos artísticos, em um dos grandes expoentes internacionais do movimento. SCAFLíbia e OTAN são, por exemplo, temas frequentes de seu trabalho, exposto pela mídia brasileira e diversos veículos internacionais. Seu trabalho sobre os acontecimentos se tornaram inclusive notícia em grandes meios de comunicação. “É um trabalho autoral, mas não se trata da minha opinião. É preciso que seja útil para os manifestantes, e que eles possam usar aquilo como uma ferramenta.

“Charge incomoda”, disse Latuff. Seu trabalho com temas sobre a “Primavera Árabe” tornou-se algo tão evidente, e importante para os povos que estão vivendo os acontecimentos, que se tornou fácil encontrar os trabalhos de Latuff nas mãos de protestantes pelas ruas de todas nações árabes, e de outros países que vivem tal efervescência. Seus trabalhos são impressos e expostos em tamanho normal, e por vezes ampliados, e copiados em faixas, cartazes de rua, posters carregados pelo povo nos protestos.

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AMEAÇAS DE MORTE NO BRASIL
Escreveu, esta semana, Carlos Latuff:  “Era de se esperar que houvesse reação violenta diante da minha provocação de que o garoto que matou o pai, um policial da ROTA, merecia atendimento psicológico e uma medalha. No estado policial em que vivemos no Brasil, as organizações da repressão são alçadas a condição sacrossanta. Quem ousar denunciar seus abusos corre sério risco de vida. Isso não é novidade pra mim, desde 1999, quando fiz meu primeiro protesto contra a violência policial, realizando uma exposição virtual de charges intitulada “A Polícia Mata”. Ao longo dos meus 23 anos de profissão como cartunista já fui detido três vezes por desenhar contra a truculência da polícia brasileira, e já recebi inúmeras ameaças, seja de judeus sionistas por conta de minhas charges em favor dos palestinos, seja de extremistas muçulmanos pelas minhas charges sobre a questão egípcia e síria. Portanto, ameaças fazem parte do meu trabalho.
Dessa vez, com as redes sociais, estas ameaças são potencializadas, graças a comunidades relacionadas a organizações policiais, que reúnem não só membros ativos das forças de repressão, como também simpatizantes com perfil fascista, anti-comunista, anti-petista, machista e homofóbico. É sabido que dois desses perfis,Fardados e Armados e Rondas ostensivas tobias de aguiar “Rota”estão incitando seus membros a tomarem ações violentas contra mim. E é bem possível que isso aconteça, afinal de contas, a polícia mata! Não seria eu o primeiro, e muito menos o último. Essa é a característica de nossas polícias, de nosso estado. E se acontecer, que sejam responsabilizados os administradores destas comunidades e o estado brasileiro.
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Latuff pai
Fico feliz que essa polêmica esteja acontecendo. Diante de casos como o desaparecimento do pedreiro Amarildo na Rocinha, e de tantos outros pelo Brasil, herança maldita da ditadura militar que torturou, matou e sumiu com diversos militantes de esquerda, é sempre bom discutir sobre a violência policial, que é um tabu que poucos têm coragem de tocar.
Me sinto orgulhoso de receber ameaças assim. Me sinto no mesmo patamar dos corajosos militantes do Mães de Maio e da Rede de Comunidades que, quotidianamente, se arriscam para defender as vítimas do terrorismo de estado no Brasil. Se eu tiver que cair pelo que acredito, cairei. Meu pai, um cearense xucro de Nova Russas, não me criou pra ser frouxo.
Espero que todo esse esforço não tenha sido em vão, ou termine com minha morte. Que os partidos de esquerda, PSOL, PSTU Nacional, Partido Comunista Brasileiro – PCB (Oficial), PCdoB – Partido Comunista do Brasil, Partido Comunista Revolucionário, Partido da Causa Operária, e os movimentos como a Liga dos Camponeses Pobres, MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e o Mtst Trabalhadores Sem Teto, e mesmo a esquerda do Partido dos Trabalhadores, defendam sempre a bandeira dos direitos humanos e contra a violência policial.
Pelo fim de grupos de extermínio oficiais como a ROTA e o BOPE, que só fazem matar pretos e pobres. Pelo fim da “guerra contra as drogas”. Pelo fim da filosofia militarista nas polícias.
Valeu gente! Não passarão!”
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No Brasil e no mundo, a arte de Lanuff termina exibida como outdoor