Um deputado com tropa de choque, pitbulls e ‘paus-mandados’

Por meio de ajuda para obter doações, Cunha montou grupo que o apoia no Legislativo

Aroeira
Aroeira

por Afonso Benites/ El País

O poder do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ficou abalado depois das denúncias da Procuradoria, mas sua rede de aliados na Câmara dos Deputados é extensa. O peemedebista tem a sua tropa de choque, os pitbulls e os ‘paus-mandados’, segundo os congressistas que convivem com ele. ‘Pau mandado’ é como o delator Alberto Yousef se referiu, em depoimento à Justiça, aos parlamentares que seguem as orientações do polêmico deputado.

A linha de frente de defesa de Cunha está principalmente entre os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras. É um grupo de parlamentares que atuam para desmentir delatores que incriminam os políticos na operação Lava Jato. Entre eles, estariam o presidente da comissão, o deputado Hugo Motta (PMDB-PB) e André Moura (PSC-SE). Os dois são os únicos que tiveram até agora acesso à investigação feita pela consultoria Kroll, contratada pela CPI por 1 milhão de reais, sobre 12 réus do esquema de desvio de recursos da Petrobras.

No grupo dos pitbulls estão alguns parlamentares espalhados por diversas comissões que agem para garantir os interesses de Cunha, como a celeridade no processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Um deles é o deputado Hildo Rocha (PMDB-MA). Nesta semana, por exemplo, ele discutiu duramente com a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) durante uma reunião da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional. A razão, foi ela não ter acatado um pedido feito por ele sobre o julgamento das contas de Rousseff. A análise dessas finanças pelo Tribunal de Contas da União pode resultar no pedido de destituição.

Já entre os chamados ‘paus-mandados’, estão os que agiram conforme a vontade do parlamentar até mesmo para obter o pagamento de propinas, diz o Ministério Público Federal e delatores da operação Lava Jato. Dois deles são a ex-deputada Solange Almeida e o deputado federal Celso Pansera. Almeida teria feito um requerimento a fim de pressionar o lobista da empresa Samsung Heavy Industries, Julio Camargo, a voltar a pagar propina para Cunha, conforme a denúncia da procuradoria. Ela nega.

Pansera ganhou esse incômodo apelido porque, na CPI da Petrobras, solicitou a quebra de sigilo de familiares do doleiro Alberto Yousseff, um dos principais delatores da operação. Ele admite ser aliado de Cunha, mas diz que age de acordo com sua consciência.

Em alguns momentos, Cunha também se apoia em movimentos que pedem a saída de Rousseff do cargo. Entre eles estão a Força Sindical, do deputado Paulo Pereira da Silva (SD), com quem se reuniu nesta sexta-feira, e militantes do Movimento Brasil Livre, que promovem protestos pelo país contra Rousseff, mas poupam Cunha.

Ascensão, apogeu…
Thiago Lucas
Thiago Lucas

Deputado federal desde 2003, o economista e radialista Cunha reforçou seu papel de protagonista na Câmara dez anos depois, quando se tornou líder do PMDB. Sua ascensão foi rápida e muito bem articulada. Seu apogeu foi em fevereiro deste ano quando obteve 267 dos 513 votos dos deputados e derrotou Arlindo Chinaglia (PT-SP) pela presidência da Casa.

O apoio à Cunha foi obtido de uma maneira pouco comum entre parlamentares. Conforme aliados e adversários dele, nas últimas duas eleições aproveitou o trânsito que tinha com empresas privadas e pediu doações para campanhas eleitorais para mais de uma centena de deputados de diversos partidos e Estados.

No início da década de 1990, Cunha se notabilizou por ser presidente da companhia telefônica do Rio, a Telerj, em um período em que as empresas de telefonia ainda eram públicas. Foi indicado ao cargo pelo tesoureiro de Fernando Collor, Paulo César Farias (o PC Farias). Seu convite veio em decorrência de ter participado da vitoriosa campanha presidencial de Collor no Rio de Janeiro em 1989. Cunha deixou o cargo na Telerj em 1993, pouco depois que Collor foi destituído do poder.

Filiado ao PPB (hoje PP), ele assumiu o cargo de subsecretário da Habitação e depois de presidente da Companhia de Habitação do Rio, durante o Governo Anthony Garotinho. Deixou a função, conforme reportagem do jornal O Globo, depois de uma série de denúncias de irregularidades na contratação de uma construtora. Eleito suplente de deputado estadual, assumiu a função entre 2001 e 2002, quando se tornou deputado federal já pelo PMDB.

Na Câmara, chegou a ter seus momentos de primeiro-ministro brasileiro já que era ele quem definia os rumos de quase tudo o que tramitava no Legislativo. Isso ocorria até mesmo quando era considerado um membro da base aliada. Foi uma das poucas vezes que o Executivo ficou sem o controle do Congresso desde a redemocratização do país.

Quando passou para a oposição, depois de ver as denúncias contra ele na operação Lava Jato ganharem corpo, sua situação piorou. Fez uma manobra que poderia resultar em julgamento mais rápido do impeachment presidencial logo no retorno dos trabalhos legislativos, mas, na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o rumo e lhe impôs uma de suas primeiras derrotas, ao determinar que todas as contas presidenciais deveriam ser analisadas em sessões conjuntas do Congresso Nacional.

O capital político dele também se reduziu quando seu correligionário, o senador alagoano Renan Calheiros, fez um acordo com o Governo e apresentou uma série de medidas para “ajudar o Brasil a sair da crise”, conforme declarou. A tal da Agenda Brasil causou desconforto entre os peemedebistas da Câmara, que não foram ouvidos na elaboração da proposta e atiçou o a inveja de Cunha, que a classificou como um jogo de espumas.

Nesta sexta-feira, mandou um recado aos que pensam que ela já está politicamente morto. “Não há a menor possibilidade de eu não continuar à frente da Câmara durante o mandato para o qual fui eleito”. Diz ele que a palavra renúncia, não faz parte de se vocabulário. Para se manter no cargo, o deputado tem articulado com a oposição à Dilma Rousseff para tentar emplacar o processo de impeachment contra ela no Congresso. Ao mesmo tempo, intensificou o contato com seus aliados, lembrando que quem os ajudou a estarem lá não pode ser abandonado assim, de uma hora para a outra.

Cunha é conhecido pela estratégia de se defender atacando. Logo que seu nome surgiu na primeira lista de Janot (ao lado de outros 48 políticos), reclamou por que nela não estariam outros políticos petistas, como o senador Delcídio do Amaral. Quando as acusações contra ele ficaram mais robustas, disse que tinha sido escolhido para ser o vilão da vez (uma espécie de boi de piranha). No dia em que foi oficialmente denunciado criticou o Governo Rousseff, dizendo que a presidenta fez um “acordão” com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para prejudicá-lo e proteger quem fosse de interesse do Palácio do Planalto.

Ferido, e sob o risco de perder poder, há a expectativa de que deputado jogue novas bombas em meio à guerra política que ele estabeleceu com o Executivo. Nos próximos dias ficará claro qual será o alcance de seu arsenal.

Clayton
Clayton

Daniel Dantas e Naji Nahas sempre juntos nos negócios, na justiça e prisões

Quantos habeas corpus precisa Daniel Dantas?

Indaga Paulo Henrique Amorim:

O STF vai tirar Dantas
da cadeia três vezes ?

leitura mais detalhada do recurso da sub-procuradora da República, Lindôra Maria Araujo, cria um problema para o STF.

O Supremo vai salvar de novo o passador de bola apanhado no ato de passar bola – clique aqui para ver o vídeo do jornal nacional e que o então Presidente do Supremo solenemente ignorou ?

Salvou uma vez, com os dois HCs Canguru que Gilmar Dantas lhe concedeu em 48 horas.

(Gilmar Dantas, como disse este ansioso blogueiro em sua defesa oral – clique aqui para ler “Como PHA se defendeu de Dantas, Kamel e Heraldo” – é a verdadeira inspiração para a ação que Heraldo move contra o blogueiro, sob a esdrúxula acusação de … racista.)

O STF vai tirar Dantas da cadeia uma terceira vez ?

Este será um teste para a legitimidade do Supremo, deste específico Supremo, mais revelador do que o chamado Mensalão (que, como diz o Mino Carta, ainda está por provar-se.)

Daniel Dantas é o câncer da Nova República.

A metástase se iniciou  na Privataria Tucana – é por esse motivo, sobretudo , que o PiG  lhe dá fuga.

Espalhou-se pelos partidos políticos, pelo Judiciário e pelo PiG e seus penduricalhos.

Como disse a capa da Carta Capital: ele é o dono do Brasil.

Na Justiça inglesa, ele foi condenado.

No Brasil, ganha quase todas.

Lei mais.

Pitta, Dantas e Nahas presos pela PF
Pitta, Dantas e Nahas presos pela PF

Daniel Dantas o capo do “lá em cima resolvo”, uma convicção que desmoraliza o STF, mandou publicar na sua revista Istoé:

Por Leonardo Attuch

O primeiro encontro aconteceu em 1986. Daniel Dantas, então um jovem prodígio do mercado financeiro, foi ao encontro de Naji Nahas, o legendário investidor libanês radicado no Brasil, a pedido de Lázaro Brandão, que era seu chefe no Bradesco. Daniel tinha a missão de obter de Nahas, um dos mais influentes homens do mundo das finanças, informações sobre mudanças nas regras de investimento. Na antesala, Dantas fixou longamente o olhar numa foto de Nahas, rodeado por poderosos, num cruzeiro marítimo. O investidor então entrou no ambiente, deu um leve tapa nas costas do garoto e disse, em meio às baforadas do charuto: “Naquele dia, eu perdi um bilhão de dólares; acho que você nunca conheceu alguém que já perdeu um bilhão.” Dantas parou, pensou e respondeu: “Com esse sorriso, de fato, nunca conheci”. Nahas referia-se a um passo em falso no mercado da prata – ele e membros da família real saudita sonharam em ter quase toda a prata do mundo nas mãos e perderam fortunas quando os preços despencaram. Mais de quinze anos depois, quis o destino que Nahas e Dantas voltassem a se encontrar. O megainvestidor,

uma das raras pessoas do mundo capazes de perder US$ 1 bilhão e ainda sorrir, tinha mil e uma histórias para contar.

Foi ele o epicentro do maior terremoto já visto no mercado financeiro brasileiro – o colapso da Bolsa de Valores de São Paulo, em 1989. Dantas, por sua vez, já não era apenas um garoto promissor. À frente do Opportunity, ele hoje administra investimentos de mais de R$ 10 bilhões. E, juntos numa negociação pela primeira vez, os dois solucionaram uma das maiores brigas societárias do País: a disputa entre a Telecom Italia e a Brasil Telecom. O acordo foi assinado na madrugada da quarta-feira 28, por Daniel Dantas e Marco Tronchetti Provera, presidente da operadora italiana. Dois dias depois, Nahas e Dantas brindaram o acerto num almoço na mansão do investidor em São Paulo, no Jardim América. Comeram quibes, coalhadas e saladas árabes. “Mesmo um mau acordo é quase sempre melhor do que uma boa briga, e este foi um acordo excelente para as duas partes”, disse Nahas, que aconselhou os italianos.

O acordo entre a Telecom Italia e a Brasil Telecom colocou um ponto final numa briga sangrenta. Discretamente, todas as negociações foram pilotadas por Naji Nahas, amigo íntimo de Tronchetti Provera há mais de vinte anos. Pelo acerto, os italianos reduziram sua participação na operadora brasileira e terão direito a lançar nacionalmente o serviço celular da Telecom Italia Mobile. “Fui injustamente massacrado pela mídia, mas nunca perdi bons relacionamentos”, disse Nahas, dono de uma agenda de fazer inveja. Naji Nahas é um homem tão poderoso que, em junho deste ano, teria convencido o líder da Arábia Saudita, o príncipe Abdullah, a enviar o Boeing saudita a Paris.

O avião foi à França buscar o governador cearense Tasso Jereissati para um encontro em Riad,

onde se discutiu a implantação de uma refinaria de US$ 2 bilhões no Brasil.

Leonardo Attuch esqueceu de falar de um caso que rende mais um habeas corpus para Daniel Dantas:

Kroll e os mistérios do processo italiano que envolve Provera

Marco Tronchetti Provera
Marco Tronchetti Provera

Historia Wálter Fanganiello Maierovitch:

Como informou o jornalista Rubens Valente, da Folha de S.Paulo, o banqueiro Daniel Dantas conseguiu, na 5ª Vara Federal de São Paulo, suspender o processo criminal onde é acusado de ser mandante de arapongagens (espionagens com afronta à Constituição e à lei penal)  realizadas pela Kroll, uma agência privada de investigações e infinitas trapalhadas.

Dentre as vítimas, destaco Luiz Gushiken, ex-ministro  que se opunha a Dantas, e o jornalista Paulo Henrique Amorim

O caso Dantas-Kroll, também conhecido policialmente por Operação Chacal, arrasta-se desde outubro de 2004.

Quem tiver mínima dúvida de que ocorrerá prescrição no processo criminal, com a consequente  extinção da punibilidade dos réus, faça uma aplicação no Fundo Opportunity e receba os bônus da ingenuidade.

O processo criminal, por decisão da juíza da supracitada 5ª Vara Federal, ficará suspenso até a chegada de documentos solicitados num dos processos criminais mais escandalosos da história da Justiça italiana.

Sobre o processo italiano, numa apertada síntese, o chefe de segurança da Telecom e da Pirelli, Giuliano Tavaroli, elaborou, ilegalmente, um dossiê com milhares de dados:  grampeou e violou sigilos de quase todos os empresários e políticos da Itália. Sua meta era controlar todos, mas não houve tempo. Por isso, o dossiê só engloba o período de 1997 a 2004.

Tavaroli contou com a ajuda de Marco Mancini, segundo homem da hierarquia do Serviço de Espionagem Militar (Sismi) do Estado italiano.

Mancini era o braço direito do general Nicolò Pollari, chefe do Sismi.

Mancini, indagado, por exemplo, sobre a responsabilidade de Marco Tronchetti Provera – presidente e maior acionista da Telecom Italia à época – respondeu tratar-se de segreto di Stato. Com efeito, em face do tal segredo de Estado, não se sabe se Tavaroli cumpria, ao elaborar o dossiê, ordens de Tronchetti Provera. A propósito, Tronchetti Provera não está sendo processado.

O dossiê produzido por Tavaroli e os seus 007 custou para a Telecom Italia a bagatela de  34,3 milhões de euros.

O dossiê apareceu quando, em setembro de 2006, Tavaroli foi preso com outros 20 da sua rede de 007. Com Emanuele Cipriani apreendeu-se 14 milhões de euros.

Tavaroli acabou preso em setembro de 2006 e Mancini, logo depois, em dezembro de 2006.

COMO NAJI NAHAS

VIROU MEGAINVESTIDOR?

Cena símbolo da chacina do Pinheirinho
Cena símbolo da chacina do Pinheirinho

Leonardo Attuch também não explica como o doleiro Naji Nahas, o grileiro do Pinheirinho, em São José do Campos, que desalojou sete mil pessoas, numa ocupação militar que o desembargador Ivan Sartori comandou, conseguiu virar um mega colarinho branco, que perde sorrindo um bilhão em um dia.

Pelo que se sabe, Nahas chegou ao Brasil com 50 milhões, em 1970.