Nota do Coletivo de Negros João Cândido sobre a agressão à companheira Cleide Donária

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Nesta segunda-feira (15), a candidata ao governo de Minas Gerais pelo PCO, Cleide Donária, foi agredida por um elemento da direita brasileira, que, indo em direção à companheira, lhe deu um soco na barriga e a derrubou no chão.

Já no chão, o rapaz, ainda não identificado, cuspia em cima da candidata e gritou “cadê o seu partidinho de merda para dissolver a PM? Dissolve a PM agora sua prostituta. Sua negra vagabunda”.

Em primeiro lugar, o Partido da Causa Operária e o Coletivo de Negros João Cândido e a própria candidata, que faz parte do coletivo, não se intimidam com ações de covardes da direita.

Pelo contrário, essa violência só mostra que a direita nacional, hoje defendida pelos cães de cinza, ou os “justiceiros” playboys, não tem outra saída a não ser a covardia e ações contra pessoas que não podem se defender.

O nervosismo dessa mesma direita é claro, especialmente quando o assunto é Polícia Militar. Toda a população está, cada vez mais, decidida em acabar com essa organização, que só tem servido aos interesses dos poderosos.

É assim em todas as desocupações, com a repressão ao movimento popular e estudantil e, especialmente, contra a população negra, alvo primeiro da ação homicida da PM, no que é conhecido como genocídio racial.

Amarildo, Cláudia, Juan, dentre outros milhares são a prova de que a PM tem na ordem do dia a execução da população negra e pobre.

É diante desse fato, e agora confirmado por mais uma agressão patrocinada ou vinda da própria polícia, que o PCO chama a população negra e pobre a lutar pela dissolução da Polícia Militar, e dos demais aparatos repressivos do regime burguês.

A dissolução, como podem pensar alguns, não será de ato de bondade da morte-de-cinza, que jamais irá entregar o posto de carniceira da burguesia. Ela virá, inevitavelmente, da luta organizada e armada do povo negro, em defesa dos seus direitos democráticos.

Todo apoio à companheira Cleide Donária.

Pela dissolução da PM

Pelo armamento da população

Pelo direito de autodefesa

Coletivo de Negros João Cândido

Partido da Causa Operária

O arcebispo de Lutero

Sebastião Nery

 

Bié, consagrado poeta popular de Fortaleza, era muito amigo de Lutero Vargas, filho de Getúlio. Toda vez que Lutero vinha ao Ceará, a caminho ou voltando da Europa, Estados Unidos, Bié e ele detonavam muito uísque, recitando poemas em escocês.

Em 1944, Lutero voltava dos Estados Unidos, desceu em Fortaleza. Ofereceram um grande banquete ao filho predileto do ditador. Nobreza, clero e puxa-sacos, estava lá a fina flora da cidade. O principal orador foi o senhor arcebispo. Lutero, até por força do nome herético, agradeceu emocionado.

Mas nem tempo teve de levantar-se para sair, porque Bié pediu a palavra, lá do canto da mesa:

– Meu amigo Lutero, tenho um pedido a te fazer, em nome de todo o povo do Ceará. Leva para teu ilustre e poderoso pai esta mensagem, que não é minha mas de todo o Estado. Pede a ele que me nomeie arcebispo de Fortaleza.

Quando procuraram, o senhor arcebispo já estava lá fora. Saindo de fininho.

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TERAPIA OCUPACIONAL

O País e sobretudo o Congresso e os políticos precisam ter muita compreensão e misericórdia com os Biés do TSE, do Tribunal Superior Eleitoral. Eles vivem um permanente drama existencial. Muito gostariam de ser nomeados arcebispos, quiçá cardeais. Quer dizer, ir para o Supremo.

Três, por lei, já são do Supremo Tribunal. A maioria, coitada, fica ali anônima, incógnita, inconsolável, sem saberem para o que servem, já que os problemas, quando sérios, vão para o Supremo. E ninguém se lembra deles.

Daí, esses ataques periódicos de histeria jurídica. Passam anos inteiros sem nada fazerem, sem poderem dizer que estão vivos. E caem naquela modorra verde mas seca de Brasília, fatal para quem não tem o que fazer. De dois em dois anos, agarraram-se às eleições como a um terapia ocupacional. Toda vez que se aproxima uma eleição, as Darlenes jurídicas se vingam do destino de almas chochas, arranjam um forró jurídico e pulam para o palco. Se fossem forrozeiros inofensivos, tudo bem. Mas logo se metem a legislar, a parir portarias fingindo de leis, e atropelar o Congresso e a ordem jurídica.

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JABOTICABA ELEITORAL

Essa coisa de Justiça Eleitoral é uma joboticaba nacional. Também só existe aqui. Nos outros países, a cada eleição a Justiça cria comissões eleitorais especiais para acompanhar os pleitos. Acabaram, estão dissolvidas.

No Brasil, eles ficam pendurados em inexplicáveis mordomias. E para tentar justificá-las, metem-se a proprietários da lei, legislam sem qualquer mandato, passam por cima do Congresso como Brucutus jurídicos invadindo favelas.

 

Quando a eleição vira um grande roubo ou farsa de santo do pau oco

A justiça eleitoral da Espanha imita a brasileira.
Proíbe propaganda na política.
Proíbe propaganda em uma eleição.
Coisas tão absurdas quanto o juiz chamar o réu de excelência. O condenado de majestade. Que todos os candidatos são fichas limpas. Merecedores da sagração. Santas santidades três vezes santa.

A eleição sem povo. Sem povo nas ruas.
Vão terminar pedindo o voto pela internet. No Brasil, uma possibilidade, que todas as urnas são eletrônicas, e programadas pelo pirata confesso Bill Gates.

São urnas que não comprovam nada. Urnas de fé. De crença na contagem instantânea, e única. De fé cega.

No Brasil, a imposição de campanhas sem críticas, sem denúncias. Baseadas em manjadas pesquisas de opinião pública, patrocinadas por federações patronais. Pesquisas que induzem, pagas pelos monopólios dos meios de comunicação, que também realizam os debates entre os candidatos como espetáculo circense e demagógico.

A encenação começa pela escolha dos candidatos. São tão parecidos. Que os empresários apostam suas fichas nas duas principais candidaturas, previstas para roubar a cena.