Luciano Coutinho, do BNDES, orgulhoso com os empréstimos concedidos, 37 BILHÕES só no primeiro trimestre

por Helio Fernandes

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O presidente desse banco estatal deu entrevista, orgulhoso: “Os empréstimos no primeiro trimestre subiram 53 por cento, chegando o desembolso (que palavra)a 37 BILHÕES de reais”. Coloquei em maiúsculas, porque realmente Luciano Coutinho tem razão em falar nos empréstimos tão altos. Mas como esses empréstimos são com juros de 5 por cento ao ano, é preciso saber quais foram os beneficiários. (Melhor seria dizer “privilegiados”).

Em vários órgãos sempre carinhosos e amigáveis com Eike Batista (sem esquecer da Bloomberg), já começa a aparecer “defesa prévia” desse farsante exibicionista.

Ontem e anteontem, diziam textualmente: “As empresas de Eike Batista SÓ DEVEM 10 BILHÕES AO BNDES”. Como se 10 BILHÕES fossem pouco dinheiro. E as garantias dadas por Eike Batista, antes de descobrirem que sua fortuna era uma farsa, uma fraude e um embuste?

O banco estatal pediu reforço de garantias, com a assustadora queda do patrimônio das empresas de Eike Batista. Fui saber, as garantias são as mesmas, cumprem “ordens” de cima. “Qualquer medida ou providência que atinja direta ou indiretamente suas empresas têm que ser autorizadas especialmente”. Transcrevi trechos 

transparencia

O PT e os banqueiros

por Sebastião Nery

 

Serafim Rodrigues Morais, “Semi Rodrigues”, uma das maiores fortunas de Goiás (boiadeiro, fazendeiro, comerciante, industrial), comprou o Agrobanco, de Goiás. Um dia, abre os jornais e vê uma declaração do ministro baiano Ângelo Calmon de Sá dizendo que o Banco Econômico da Bahia ia comprar o Agrobanco e mais outro. Não havia nada daquilo, a declaração era inventada, plantada. Mas como bom goiano filho de mineiro, do coronel Miguel Rodrigues, engoliu em seco, ficou calado.

Recebeu um convite do Banco Central para ir lá. Foi.

– O senhor é o Serafim Rodrigues Morais?

– Sou.

– E quem é Semi Rodrigues?

– Sou eu.

– Como é que pode? O senhor é Serafim ou Semi?

– Sou os dois. Meu nome de batismo é Serafim. Mas em Goiás, São Paulo, Minas, Mato Grosso, Paraná, por ai tudo, onde negocio, só me chamam de Semi. Faz diferença?

– Faz e muita. Banqueiro só pode ter um nome. Banqueiro com dois nomes não dá. O senhor não pode ser dono do Agrobanco.

Semi entendeu tudo, levantou-se, foi saindo:

– Olhe, moço. Tenho dois nomes e garanto os dois. Conheço banqueiro aí que não garante nem os próprios cheques.

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MEIRELLES

Henrique Meirelles lindo, lindo
Henrique Meirelles lindo, lindo

Quando Lula anunciou seu governo, em 2003, a grande surpresa foi o presidente do Banco Central: um maneiroso e melífluo banqueiro brasileiro, deputado federal do PSDB de Goiás, Henrique Meirelles. Todo falso. Nem banqueiro brasileiro, nem deputado de Goiás. Tinha sido presidente do Banco de Boston, americano, e comprou a eleição de deputado para ter cacife político, tanto que nem assumiu o mandato.

Durante os dois mandatos de Lula, Meirelles cumpriu fielmente seu papel de agente secreto da Febraban (Federação Brasileira de Bancos): disparou os juros para garantir os lucros dos banqueiros e especuladores. Era um crime explicito contra o pais. Quanto mais os juros subiam, mais a industria, a economia, afundavam. O Brasil vinha crescendo a bem mais de 5%, Meirelles jogou para o que é hoje: menos de 2%, talvez 1% este ano.

E Meirelles? Caiu no mato, sumiu. Onde anda a Interpol?

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FRANÇA

O governo francês anunciou a revisão de Orçamento de 2012, com aumento de 7,2 bilhões de euros em impostos de setores mais ricos do pais, para reduzir o déficit publico. Como o partido de François Hollande, o PS, ganhou a maioria no Parlamento em junho, a proposta deve ser aprovada.

Na campanha eleitoral de maio, Hollande pediu crescimento para os países da zona do euro. Para 2013, seu governo cobrará menos impostos da industria e classe media e 75% sobre fortunas acima de 1 milhão de euros.

No Brasil, a política do PT é tirar da industria e dar aos banqueiros.

(Trascrevi trechos)

 

O jeitinho à brasileira da economia dependente

Cai o dólar, cai o real.
Sobe o dólar, cai o real.

Sobem os juros, sobem os preços.
Abaixam os juros, sobem os preços.

E lá no País da Geral pedofilia é praga em Belô.

E estupro o novo jeito de fazer sexo no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora. Cidade que as meninas da tradicional família mineira carregam, nos trotes estudantis, cartazes tipo “sou puta”, “sou sapatão”.

Quando deviam aproveitar o trote para denunciar os preços superfaturados das obras da universidade.

Foto de uma universitário no trote deste ano na UFJF
Foto de uma universitária no trote deste ano na UFJF

Auditoria cidadã da dívida

O povo paga uma dívida que se desconhece a origem e o montante. Dívida estimada, em fevereiro de 2011, em 271 bilhões.

Anunciou Lula que pagou. Apenas restaram os juros. A piada de que juros não são dívidas. Impressionante! A imprensa alternativa afirma que são mais de três trilhões. Impagável.

Dinheiro roubado do povo, via déficit primário, isto é, recursos desviados da Saúde, da Educação, do Saneamento, da Habitação, dos ministérios que oferecem os serviços essenciais. Dinheiro inclusive retirado da Previdência, do Fundo de Ajuda ao Trabalhador, das aposentadorias e pensões dos pobres.

Uma dívida que chamo de vassalagem.

Auditoría ciudadana de la deuda: ¿por qué y cómo?
CADTM
 Indudablemente, la cuestión del pago de la deuda pública constituye un tabú. Los jefes de Estado y de gobierno, el Banco Central Europeo (BCE), el Fondo Monetario Internacional (FMI), la Comisión Europea y la prensa dominante lo presentan como inevitable, indiscutible y obligatorio. Los ciudadanos y las ciudadanas se deberían resignar a pagar la deuda pública. La única discusión posible sería sobre la forma de modular el reparto de los sacrificios necesarios para liberar los medios presupuestarios suficientes, con el fin de cumplir con los compromisos del país endeudado. Los gobiernos que pidieron los préstamos fueron elegidos democráticamente, por lo tanto sus actos son legítimos. Se debe pagar.La auditoría ciudadana es un instrumento para eliminar este tabú. Permite que una proporción creciente de población comprenda todas las circunstancias e implicaciones del proceso de endeudamiento de su país. Una auditoría ciudadana consiste en analizar de manera crítica la política de endeudamiento llevada a cabo por las autoridades de un país.

Las preguntas que es necesario plantear

¿Por qué el Estado fue empujado a contraer una deuda que no deja de crecer?

¿Al servicio de qué opciones políticas y de qué intereses sociales ha sido contraída la deuda?

¿Quién se aprovecha de ella?

¿Era posible hacer otras opciones o era necesario?

¿Quiénes son los prestamistas?

¿Quiénes son los tenedores de la deuda?

¿Los prestamistas ponen condiciones para la concesión de los préstamos? ¿Cuáles?

¿Cuál es la ganancia de los prestamistas?

¿Por qué el Estado se vio comprometido, cuál fue su decisión, y bajo que concepto fue tomada?

¿Cuál es el monto de los intereses pagados, con qué tipo de interés, qué parte del principal ha sido ya reembolsada?

¿Mediante qué mecanismo las deudas privadas se convirtieron en «públicas»?

¿Bajo qué condiciones se hizo un determinado rescate bancario? ¿Cuál fue el coste? ¿Quién tomó la decisión?

¿Debemos indemnizar a los accionistas que son responsables del desastre, con administradores que ellos mismos habían designado?

¿Cuál es la parte del presupuesto del Estado que está destinado al reembolso del capital y de los intereses de la deuda?

¿Cómo financia el Estado el pago de la deuda?

No es necesario entrar en secretos de Estado para encontrar las respuestas

Para responder a todas estas preguntas —y la lista no es exhaustiva— no hay ninguna necesidad de revelar secretos de Estado, de acceder a documentos no públicos del Banco Central, del Ministerio de Economía, del FMI, del BCE, de la Comisión Europea, de las cámaras de compensación como Clearstream o Euroclear, |1| o de contar con las confidencias de una persona que trabaja en el seno de uno de estos organismos. Por supuesto, habrá numerosos documentos protegidos celosamente por los gobiernos y los banqueros, que deberán ser puestos a la disposición del público y que serán muy útiles para afinar el análisis. Por lo tanto hay que exigir el acceso a la documentación necesaria para una auditoría completa. Sin embargo, es perfectamente posible proceder a un examen riguroso del endeudamiento público a partir de información de dominio público. Numerosas fuentes son accesibles para quien desee tomarse el trabajo: prensa, informes del Tribunal de Cuentas, las sitios Internet de las instituciones parlamentarias, del banco nacional, de la agencia encargada de la gestión de la deuda, de la OCDE, del Banco de Pagos Internacionales (BPI), del BCE, de los bancos privados, de las organizaciones o colectivos que ya se hubieran lanzado al estudio crítico del endeudamiento (www.cadtm.orgwww.attac.orgwww.quiendebeaquien.org/ ,…) los archivos de colectividades locales, los informes de las agencias de calificación e incluso las memorias de tesistas. No se debe dudar en pedir a los parlamentarios que planteen preguntas públicas al gobierno o a mandatarios locales de hacerlo ante las colectividades locales.

La auditoría no es una cuestión de expertos

El proceso de una auditoría no es un proceso reservado a expertos. Por supuesto que son bienvenidos y que pueden aportar mucho al trabajo colectivo de una auditoría ciudadana. Pero un colectivo puede comenzar el trabajo sin tener necesariamente garantizada esa participación. Si se empiezan las investigaciones y se provoca un debate público, durante el proceso los colectivos se entusiasmarán y conseguirán diferentes asesoramientos. Cada uno y cada una pueden tomar parte y ponerse a trabajar para sacar a la luz del día el proceso de endeudamiento público. En 2011, un colectivo nacional se ha puesto en marcha en Francia por una auditoría ciudadana de la deuda (www.audit-citoyen.org). Reúne numerosos movimientos sociales y políticos, y el llamamiento a su constitución fue firmado por decenas de miles de personas. En el marco de esta iniciativa, se han organizado colectivos locales en muchos lugares de Francia. Por otro lado, se puede partir de realidades locales con el objetivo de participar en la auditoría de las deudas públicas. Se puede comenzar analizando los préstamos estructurados vendidos a las colectividades locales en Francia y Bélgica por Dexia u otros bancos. A este propósito, un trabajo ya fue realizado: la asociación «Acteurs publics contre les emprunts toxiques» o sea «Actores públicos contra préstamos tóxicos» reúne una decena de colectividades locales (www.empruntstoxiques.fr). Se puede también comenzar por estudiar las dificultades financieras encontradas en los hospitales públicos presentes en vuestro territorio. Se están desarrollando, al mismo tiempo que en Francia, iniciativas por auditorías ciudadanas en Grecia, en Irlanda, en España, en Portugal, en Italia y en Bélgica.

Otros ámbitos en materia de deudas privadas también pueden abordarse. En países como España o Irlanda en los que el estallido de la burbuja inmobiliaria hundió a centenares de miles de familias en la ruina, sería útil investigar las deudas hipotecarias de las familias. Las víctimas de los manejos de los prestamistas pueden aportar sus testimonios y ayudar a comprender el proceso ilegítimo de endeudamiento que las afecta.

Un campo de acción muy rico

El campo de acción de una auditoría de la deuda pública es enormemente prometedor y no tiene nada que ver con su caricatura, que lo reduce a una simple verificación de cifras realizadas por contables rutinarios. Más allá de ese control financiero, la auditoría tiene un papel eminentemente político ligado a dos necesidades fundamentales de la sociedad: la transparencia y el control democrático del Estado y de sus gobernantes por los ciudadanos.

Se trata de necesidades que se refieren a los derechos democráticos totalmente elementales, reconocidos en el derecho internacional, el derecho interno y la Constitución, aunque sean violados continuamente. El derecho de control que tienen los ciudadanos sobre aquellos que los gobiernan, de informarse de todo lo que concierne a su gestión, sus objetivos y sus motivaciones es intrínseco a la propia democracia. Esto emana del derecho fundamental de los ciudadanos a ejercer su control sobre el poder y de participar activamente en los asuntos públicos y por lo tanto comunes.

El hecho de que los gobernantes se opongan a la idea de que los ciudadanos y ciudadanas osen realizar una auditoría ciudadana es revelador de una democracia muy enferma. Que por otra parte no para de bombardearnos mediáticamente con su retórica sobre la transparencia. Esta necesidad permanente de transparencia en los asuntos públicos se transforma en necesidad social y política totalmente vital, y por esta razón, la verdadera transparencia es la peor pesadilla para las elites.

Una auditoría ciudadana para el repudio de la deuda ilegítima

La realización de una auditoría ciudadana de la deuda pública, combinada, gracias a una importante movilización popular, con una suspensión del reembolso de la deuda pública, debe llevar a la anulación/repudio de la parte ilegítima de la deuda pública y a una reducción drástica del resto de esa deuda.

No es cuestión de apoyar los alivios de deuda decididos por los acreedores, especialmente a causa de las severas contrapartidas que implican. La anulación de la deuda, que desde ese momento es un repudio por el país deudor, es un potente acto soberano unilateral.

¿Por qué el estado endeudado debe reducir radicalmente su deuda pública al proceder a la anulación de las deudas ilegítimas? En primer lugar por razones de justicia social, pero también por razones económicas que cualquiera puede comprender y apropiárselas. Para salir de la crisis de forma satisfactoria, no podemos contentarnos de reactivar la economía gracias a la demanda pública y a la de las familias. Puesto que si nos contentamos con una política económica de reactivación combinada a una reforma fiscal redistributiva, el suplemento de la recaudación fiscal será absorbido en gran parte por el pago de la deuda pública. Las contribuciones que se impondrán a las familias más ricas y a las grandes empresas privadas (nacionales o extranjeras) estarán ampliamente compensadas por la renta que obtendrán de las obligaciones del Estado, ya que por lejos son los principales tenedores y beneficiarios (razón por la cual no quieren ni oír hablar de una anulación de la deuda). Por lo tanto es necesario anular una gran parte de la deuda pública. La amplitud de esta anulación dependerá del nivel de conciencia de la población víctima del sistema deuda (en este nivel, la auditoría ciudadana cumple una función crucial), de la evolución de la crisis económica y política y sobre todo de las relaciones de fuerza concretas que se construyen en la calle, en las plazas y en los lugares de trabajo mediante las actuales movilizaciones y las que estén por venir.

La reducción radical de la deuda pública es una condición necesaria pero no suficiente para que los países de la Unión Europea puedan salir de la crisis. Se necesitan medidas complementarias: reforma fiscal redistributiva, transferencia del sector de las finanzas al ámbito público, resocialización de otros sectores claves de la economía, reducción del tiempo de trabajo con el mantenimiento del salario y contratación compensatoria, y tantas otras medidas |2| que permitirían cambiar radicalmente la situación actual que llevó al mundo a un explosivo callejón sin salida.

Traducido por Griselda Pinero.

notes articles:|1| Clearstream y Euroclear están entre las principales cámaras de compensación (clearing houses) y poseen el registro de una gran parte de los títulos de deuda pública en poder de los bancos. Una cámara de compensación es un organismo que calcula las sumas netas a pagar y que ejecuta los pagos. La compensación es un mecanismo que permite a las instituciones financieras pagar los montos adeudados y recibir los activos correspondientes a las transacciones que ellas efectuaron en los mercados. De esa manera, las instituciones financieras sólo tienen flujos financieros y de títulos con las cámaras de compensación.

|2| Véase http://www.cadtm.org/Ocho-propuesta…

Damien Millet es portavoz del CADTM Francia (www.cadtm.org);

Éric Toussaint es doctor en ciencias políticas, presidente del CADTM Bélgica, miembro de la Comisión de la auditoría integral de la deuda (CAIC) del Ecuador y del Consejo Científico de ATTAC Francia.

Ambos dirigieron el libro colectivo La Deuda o la Vida, Icaria editorial, Barcelona 2011, que recibió el Premio del libro político en la Feria del libro político de Lieja en 2011. Eric Toussaint participó también en el libro de ATTAC: Le piège de la dette publique. Comment s’en sortir, éditions Les liens qui libèrent, París, 2011.

www.cadtm.org/Auditoria-ciudadana-de-la-deuda,7426

Quando o Brasil vai auditar a dívida de desconhecida origem e misterioso valor

Juros da dívida chegam a R$ 216,1 bilhões

O Banco Central (BC)  divulgou ontem que as despesas com juros incorporadas à dívida pública, que incluem o governo federal, os estados, os municípios e as empresas estatais, somaram R$ 216,1 bilhões entre janeiro e novembro, valor recorde para o período. A soma é equivalente a 5,72% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Os gastos com juros neste ano são 22,9% superiores aos verificados entre janeiro e novembro do ano passado, quando essa despesa ficou em R$ 175,8 bilhões. No acumulado dos 12 meses até novembro de 2011, o pagamento de juros soma R$ 235,6 bilhões.

Inflação

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento das despesas com os juros da dívida está relacionado à subida da inflação e à elevação da taxa básica de juros no início deste ano. Depois desse período, a taxa sofreu uma série de quedas. Segundo os dados do BC, dos R$ 235,6 bilhões pagos em juros da dívida pública, R$ 175,1 bilhões foram desembolsados pelo governo federal. Outros R$ 57,4 bilhões foram gastos por estados e municípios.

Brasil trem pagador

A bomba atômica garante o calote de vários países.
A fama de bom pagador – que Lula se vangloria – fica para os países vassalos, desarmados e pobres.

O Brasil para fazer déficit primário. Isto é, encher o caixa, raspa o tacho dos ministérios. Devia verbas da saúde, da educação e outros serviços essenciais para os pobres brasileiros pobres, mortos de fome, sem teto, sem terra, sem nada.

O governo aumenta os juros.
Os impostos.
O brasileiro trabalha, trabalha para pagar impostos diretos e indiretos.

Governar o Brasil é coletar impostos.
Arrumar dinheiro para pagar juros e mais juros da dívida.
Dívida nunca auditada.
Uma dívida que, quanto mais se paga, mais se deve.

Uma dívida que cresce.
Incha.
Fermenta e fede.

ACUADO POVO BRASILEIRO

Eles roubam lá em cima.
Os quadrilheiros do crime organizado pela corrupção política. O chamado crime de colarinho (de) branco continua com o jeitinho brasileiro do enriquecimento ilícito e rápido.
E o povo acuado.

Eles roubam cá em baixo. Os bandidos pés-raspados.
E o povo acuado.

Todos dividem o butim com a polícia, com os advogados de porta de palácio e os advogados de porta de cadeia.
E o povo acuado.

O governo aumenta os juros para enricar os banqueiros agiotas e os prestamistas gananciosos.
E o povo acuado.

O governo aumenta os impostos para fazer caixa. O chamado déficit primário. Para pagar a vassalagem da dívida. Uma dívida que jamais foi auditada. Uma dívida do Brasil colônia internacional.
E o povo acuado.

O governo pede dinheiro emprestado para pagar super faturados serviços fantasmas, obras inacabadas, Coliseus e outros elefantes brancos.
E o povo acuado.

Mais 0,25 na Selic custam 5 bilhões de reais por ano ao governo

por Pedro do Coutto

O Comitê de Política Monetária decidiu na quarta-feira elevar em mais 0,25% anuais a Taxa Selic, que rege a remuneração paga pelo governo aos Bancos para girar a dívida interna mobiliária do país. Quer dizer: títulos do Tesouro e papeis do Banco Central que se encontram em poder da rede bancária. Como o montante do endividamento interno atinge – em números redondos – 2 trilhões de reais, o custo adicional de 0,25 representa uma despesa de mais 5 bilhões de reais por ano.

Marta Beck e Wagner Campos, em O Globo, Eduardo Cucolo, Folha de São Paulo, Fábio Graner, O Estado de São Paulo, publicaram amplas matérias a respeito da decisão, mas esqueceram de ajustá-la ao volume da dívida.
Pois este é o efeito concreto da medida que faz com que os juros reais debitados à conta do Tesouro alcancem 6% ao ano. Sim. Porque os juros são de 12,5%, mas a inflação do IBGE está em 6,5 pontos paraos últimos doze meses. Neste plano um contraste: os juros reais pagos pelo executivo são de 6%. Os cobrados para financiamentos, através do BNDES, são negativos na escala de 0,5% também para doze meses. Isso porque a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) está em apenas 6% ao ano livre da incidência da inflação.

Ótimo negócio, portanto, captar um financiamento a menos de 0,5% e aplicá-lo a 6% a mais. Como os prazos de carência para o início dos pagamentos são de dois anos, só a liberação do crédito, aos preços de hoje, produz uma rentabilidade de 12% sobre o capital obtido. Mas esta é outra questão.

O fato preponderante, mas esquecido pelos especialistas econômicos, está no óbvio aumento da despesa pública. Não sei porque ignorado, quando está na cara. Curioso é que os mesmos especialistas vivem criticando o governo Dilma Rousseff pelo aumento dos gastos. E centram as restrições nas despesas de pessoal. Mas não falam nos juros pagos aos banqueiros, tampouco nos reajustes dos preços das obras públicas. Quando ocorre um escândalo em série, como o que envolve o Ministério dos Transportes, os críticos monetaristas se fecham em copas. Nada dizem.

Talvez em face da esperança, no mínimo, de poderem amanhã ou depois trabalhar para o sistema financeiro. Nada afirmaram por exemplo, a respeito da tentativa do Pão de Açúcar em obter financiamento de 3,9 bilhões de reais do BNDES para formar uma fusão com o Carrefour na busca de livrar-se indiretamente do compromisso que mantém com o grupo Casino.

No Brasil, a resistência em pagar salários é enorme. Financiar o capital é outra conversa. As operações são sempre facilitadas. Não se trata – explico eu – de substituir uma faculdade por outra de sentido oposto. Nada disso. Trata-se de harmonizar as duas vertentes do processo de desenvolvimento econômico. Caso contrário, predomina a ideia de que investir em máquinas, computadores, na tecnologia avançada, torna os investimentos na máquina humana menos importantes.

Entretanto, esses investimentos são decisivos, como sustentou o presidente Roosevelt a partir de 1933, quando seu plano de ação superou os efeitos da crise de 29 e tornou os EUA o país mais avançado do mundo. Investir no ser humano, velho conhecido nosso, como costumava dizer Nelson Rodrigues, é essencial. Esta, inclusive, a filosofia do grande empresário Henry Ford, que morreu em 1947, mas até hoje é um capitalista de vanguarda.

No Brasil, infelizmente, a ideia mais forte não é essa. Ao contrário. Na ditadura militar de 64 a 85, principalmente no reinado de Delfim Netto, quando os salários foram fortemente rebaixados. Assim também no curto período Collor e no longo espaço de Fernando Henrique. Os resultados são visíveis. Alta renda de um lado, favelizaçao de outro. É preciso ver tanto a árvore quanto a floresta.