A silenciosa morte do criador do PSD Rubens Jordão

Rubens Jordão
Rubens Jordão

Um líder político pratica suicídio e não é notícia. Não entendo. Principalmente no Brasil que dedicou páginas e mais páginas da imprensa e livros para a morte de Getúlio Vargas.

Escreve Kiko Nogueira:

A MORTE DO BRAÇO FINANCEIRO DE KASSAB NO AUGE DO ESCÂNDALO DA MÁFIA DOS FISCAIS

Rubens Jordão morreu no último dia 22 de novembro, aos 58 anos. Cometeu suicídio. Você, provavelmente, não soube disso e, talvez, não tenha ideia de quem se trata. Mas a notícia é importante porque Jordão era uma figura política importante — nos bastidores.

Jordão era presidente em exercício do Diretório do PSD em São Paulo e um dos principais articuladores do chamado Espaço Democrático, a fundação que o partido criou para ‘estudos’ e ‘formação política’.

Era mais do que isso: o coordenador financeiro de Gilberto Kassab”.

Em 5 de novembro de 2012, Mônica Bergamo escrevia:

“CHAVE…

O PSDB e José Serra não têm do que reclamar em relação a Gilberto Kassab (PSD-SP), que agora se reaproxima do PT. De acordo com apoiadores do prefeito, se não fosse ele, a campanha tucano-serrista não teria sequer recursos para ir adiante.

…DO COFRE

Kassab, com “seu prestígio como prefeito”, diz um correligionário, deslocou pessoas de sua confiança para ajudar na arrecadação de dinheiro para a campanha. E até nomeou um amigo, Rubens Jordão, para ser o presidente do comitê financeiro de Serra.”

 INVESTIGAÇÃO
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In tese de Aline Cristina Antonechen e Lucia Cecília da Silva:

“[Suicídio] As causas para essa ação podem ser diversas, relacionadas a aspectos patológicos, psicológicos ou sociais da história do indivíduo, como alcoolismo, depressão, desavenças familiares, problemas financeiros, entre outros (DURKEIM, 2006; MARX, 2002). Em uma vertente mais social, apontam-se algumas condições que podem deixar o indivíduo mais vulnerável à prática do suicídio, os denominados “fatores de risco”, que estão relacionados à época do ano, idade, estado civil, gênero, cor, grau de instrução, uso de drogas, etc. (DURKHEIM, 2006; CASSORLA, 1991). Por outro lado, em uma visão mais individual, o suicídio pode ser fruto de uma depressão melancólica na qual o sujeito se vê como desprezível e não consegue encontrar outra saída, senão a própria morte. (FREUD [1917], 2006). Contudo, não há como nomear uma única causa para o suicídio, pois este certamente é decorrente de uma combinação de fatores da história do sujeito e da história social.

Ao realizar uma investigação acerca de um suicídio, a Justiça pretende saber não exatamente qual foi a causa desse suicídio, porém se houve ou não qualquer tipo de auxilio ou influência de outrem, o que retrataria um homicídio. Para isso, é necessário descobrir certos detalhes sobre como ocorreu a morte, se havia alguém no momento e o que pode ter levado o indivíduo a atentar contra a própria vida. Essas informações são conseguidas por meio de depoimentos de familiares e amigos, que relatam o que acharem pertinente sobre a história do indivíduo e compõe o inquérito policial.”

ASSASSINATO OU SUICÍDIO

O jornalismo investigativo no Brasil não consegue esclarecer casos recentes que a polícia informa que foi suicídio, mas a população considera assassinatos: do menino Marcelo Pesseghini, de 13 anos, que teria trucidado sem nenhum motivo o pai sargento, a mãe cabo da Polícia Militar de São Paulo, a avó e a tia-avó; Julia Colle, líder ativista dos direitos dos animais, em São Roque, também em São Paulo;  o blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, em Santa Catarina, que denunciou o estupro de uma menina de 13 anos, envolvendo o filho do diretor da RBS.

Outro motivo para investigação: No Brasil, induzimento, instigação ou auxílio a suicídio são crimes.

Art. 122 – Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único – A pena é duplicada:

I – se o crime é praticado por motivo egoístico;

II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

Tenho um tio avô, hoje nome de um açude na Paraíba, o maior do Brasil, quando de sua inauguração em 1942,  que acusado de corrupção se suicidou. O potiguar Estevam Marinho, um homem honesto. É! houve um tempo que ser chamado de corrupto era uma desonra. O deputado federal Djalma Aranha Marinho, hoje nome da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, era sobrinho dele. Tenho orgulho desta origem.

O SILÊNCIO DA IMPRENSA

Conclui Kiko Nogueira:

“[Rubens Jordão] Sua morte ocorreu no auge do escândalo da fraude dos fiscais do ISS. Naquele dia 22, por exemplo, os jornais noticiaram que uma testemunha ouvida pelo Ministério Público havia dito que um delegado vendia informações para a quadrilha. Três dias antes, a prefeitura afastara o subprefeito interino de Pinheiros, Antonino Grasso, ex-secretário de Kassab.

Jordão era engenheiro e empresário. Numa nota publicada no site da legenda, Kassab declarou: ‘Perdemos um grande amigo e um colaborador inestimável’.

Fez parte do grupo de ex-colegas da Poli que acompanhou a carreira do ex-prefeito de São Paulo. A turma de 12 amigos se encontrava semanalmente para tomar um chope no centro da cidade. Leal, tinha um perfil mais baixo. Foi, nominalmente, secretário adjunto de Esportes (o titular era Walter Feldman). Mas, de acordo com fontes do PSD, era o homem com quem os aliados do prefeito tratavam quando precisavam de recursos.

Rubens Jordão foi um dos principais organizadores da campanha vitoriosa de Kassab para a prefeitura em 2008. Pela competência, Kassab o nomeou presidente do comitê financeiro de José Serra em 2012.

 O falecimento de Jordão, no momento mais agudo do tiroteio em torno de um esquema que teria custado aos cofres públicos 500 milhões de reais, foi tratado de maneis discreta e silenciosa – como ele”.
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OS INIMIGOS DA VERDADE 
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A censura e a autocensura alimentam rumores, boatos, desconfianças, suspeitas. São inimigas da verdade.

No seu portal, o PSD faz um discreto e pequeno necrológio.

Na política, um suicídio pode ser nobre ou desonroso.

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Vamos curtir! Um povo que vive com medo não é feliz

ditadura do judiciário

Deve indenização por danos morais a pessoa que compartilha em rede social mensagem inverídica ou com ofensas a terceiros. “Por certo é direito de todos a manifestação do livre pensamento, conforme artigo 5º, IX, da Constituição Federal, contudo, caminha com este direito o dever de reparar os danos dela advindos se estes violarem o direito à honra (subjetiva e objetiva) do autor, direito este também disposto na Constituição Federal em seu artigo 5, V e X”, explica o desembargador José Roberto Neves Amorim.

Seguindo o voto do desembargador a 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve sentença que condenou duas mulheres a indenizar um veterinário devido a uma publicação no Facebook. A primeira porque fez a publicação e a segunda por ter “curtido” e “compartilhado” o conteúdo. “Há responsabilidade dos que ‘compartilham’ mensagens e dos que nelas opinam de forma ofensiva, pelos desdobramentos das publicações, devendo ser encarado o uso deste meio de comunicação com mais seriedade e não com o caráter informal que entendem as rés”, afirma Neves Amorim.

No caso, as duas mulheres publicaram na rede social fotos de uma cadela que ficou em péssimas condições após uma cirurgia de castração feita pelo veterinário. Além das imagens, a publicação continha um texto imputando ao veterinário a responsabilidade pela situação da cadela. Devido ao ocorrido, o homem ingressou com ação pedindo indenização por danos morais.

Em primeira instância, o juiz Marcos Douglas Veloso Balbino da Silva, da 2ª Vara Cível de Piracicaba, condenou as duas a pagar R$ 100 mil ao profissional acusado de negligência. “É indiscutível a atuação culposa das rés, na medida em que divulgaram texto e fizeram comentários na rede social ‘facebook’ em desfavor do autor sem se certificar do que de fato havia ocorrido, ou seja, sem a certeza da culpa do requerente pela situação em que se encontrava a cadela por ele operada”, afirmou o juiz na sentença.

Ele pontuou ainda que embora a liberdade de expressão tenha cunho constitucional, não é absoluta e deve ser exercitada com consciência e responsabilidade, em respeito a outros valores protegidos pelo mesmo texto constitucional, como a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas.

Inconformadas, as mulheres recorreram ao TJ-SP que manteve a condenação, porém alterou o valor da indenização para R$ 20 mil. Ao analisar o recurso, o desembargador Neves Amorim apontou que em nenhum momento foi comprovada a negligência do veterinário, causando danos ao autor.

Em seu voto, o desembargador observou ainda que, “se por um lado o meio eletrônico tornou mais simples a comunicação entre as pessoas, facilitando também a emissão de opinião, sendo forte ferramenta para debates em nossa sociedade e denúncias de inúmeras injustiças que vemos em nosso dia-a-dia, por outro lado, trouxe também, a divulgação desenfreada de mensagens que não condizem com a realidade e atingem um número incontável de pessoas, além da manifestação precipitada e equivocada sobre os fatos, dificultando o direito de resposta e reparação do dano causado aos envolvidos”.

Identificação dos envolvidos
Especialista em Direito Digital, o advogado Omar Kaminski afirmou que na prática é difícil implementar condenações desse tipo devido à necessidade de identificar quem compartilhou a publicação. “Em se tratando de poucas pessoas, a dificuldade seria de pequena a média. Mas em se tratando de, potencialmente, dezenas, centenas ou até milhares de pessoas, teríamos uma dificuldade proporcional ao tamanho da polêmica replicada, pois podem ser pessoas de diferentes cidades, estados ou até países”, diz.

Para o advogado Alexandre Atheniensecoordenador da Área de Direito Digital do escritório Rolim Viotti & Leite Campos Advogados, a decisão é inovadora. Ele afirma que além do dano moral, é possível aplicar ao caso a regra do artigo 29 do Código Penal. “Se alguém age de forma culposa para repassar ofensas contra terceiros deve responder solidariamente na medida de sua culpabilidade”, explica.

Clique aqui para ler a sentença.

Clique aqui para ler o acórdão.

Vamos curtir sem medo de ser verdadeiro e feliz

(Transcrito do Consultor Jurídico) Como uma pessoa sabe que uma mensagem é inverídica? Simplesmente quem curtiu acreditou na fonte.

99% do noticiário das agências internacionais é propaganda política. Exemplifico com as guerras no deserto. As agências dão notícias favoráveis aos interesses dos seus países.

Cada mídia defende os negócios do dono. Se curto ou transcrevo uma mensagem da grande imprensa, apenas demonstro a minha credibilidade no Estadão, Globo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense como fonte. É como uma votação em urnas eletrônicas. Se não existe comprovante, o resultado não passa de uma questão de fé.

Posso curtir um amigo, por confiança, solidariedade, fraternidade, amor etc. Ninguém pode ser punido por confiar.

A imprensa está repleta de denúncias de erros médicos. Recentemente duas médicas brasileiras propagaram, injustamente na imprensa nacional, o erro de um médico cubano.

No julgamento do Mensalão, pelo STJ, tivemos casos de empate. Que ministros erraram ou acertaram? A dúvida beneficiou os réus.

Não há a certeza da culpa quando um parente denuncia um erro médico.

Existem pessoas que amam os animais,  e são capazes de morrer por eles, como aconteceu com Julia Colle, ficando o povo de São Roque na dúvida do suicídio ou assassinato.

Esta decisão da justiça, no caso do veterinário, mais justa que seja, cria uma legenda de medo para o apático povo brasileiro, impedido de participar de plebiscitos e referendos. E que, acordado em junho último, toda vez que foi para a rua protestar, levou cacetadas, espadadas, mordidas de cães, patadas de cavalos, tiros de balas de borracha, choques elétricos, e também sofreu com as bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo,  canhão sônico e prisões injustas. Existem casos de morte que jamais serão investigados ou punidos.

Não li o texto que ofendeu o veterinário, mas se pode, mais do que curtir, transcrever. O povo não usa a internet, mas qualquer analfabeto é capaz de diferenciar o certo do errado. Assim a propagação de uma mensagem, quando falsa, ofende apenas a honra do autor, que passa a ser uma pessoa desacreditada, raivosa, vulgar, odienta. Que a mentira tem pernas curtas.

O povo não é bobo. Só acredita em boatos e rumores quando existe censura.

Quem tem medo de Julia Colle, uma jovem mártir que amava os irmãos bichos protegidos de São Francisco de Assis e São Roque?

Veja as coisas estranhas que aconteceram em São Roque:

Sábado 9, a casa do dono do Instituto Royal é invadida por falsos policiais fardados e com carros com dísticos militares. Tentaram, inclusive, sequestrar o filho do empresário.

Domingo 10, morre Julia Colle, líder ativista, e mártir da luta em defesa dos direitos dos animais.

Terça 12, o Instituto Royal é novamente invadido por um suposto e violento grupo, que apenas picha um símbolo anarquista.

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A página de Julia, na internet, sofre apagão. E aparece uma outra, intitulada “Suicídio ou assassinato”, com feroz censura.

São Roque possui apenas 78 mil habitantes, e nada acontece que não seja do conhecimento de toda cidade. Nesta segunda invasão, depois da morte de Julia, os seguranças contaram 40 mascarados armados de faca. Para a imprensa local afirmaram que sofreram tortura psicológica. Para a imprensa nacional: Foram agredidos e roubados pelos invasores.

De acordo com informações da assessoria de imprensa do Instituto Royal, os ativistas quebraram vários equipamentos, carros da empresa e dos seguranças e levaram cerca de 370 roedores.

Seguranças com carros, e bem pagos.

Não se sabe quantas horas levaram os esfaqueadores para juntar todos os roedores.

O Royal, em São Roque, era um falso laboratório roedor de moedas do governo federal, via Anvisa. Que se desconhece qualquer teste científico realizado. Muito menos, publicado em alguma revista médica. Era uma casa de testes de produtos de beleza.

Testes de medicamentos podem ser realizados em animais e em humanos, notadamente voluntários ou com detentos em cadeias públicas, e eram comuns nos campos de concentração nazistas.

Muito propícia esta segunda invasão para apagar a memória de Julia Colle, cuja morte pretende a imprensa que seja rapidamente esquecida.

Degeneração da Cultura brasileira e a luta de Julia Colle contra os rodeios

A música dos Estados Unidos vem sendo cultuada no Brasil de uma maneira que provoca a degeneração da nossa cultura tão desprezada, apesar da existência de um Ministério, 26 secretarias estaduais, Distrito Federal e centenas de secretarias municipais da Cultura, além de associações, faculdades e ONGs de música.

O Rio de Janeiro virou a capital do Rock and roll.  Caldas Novas, Goiás, do country. Vem se popularizando o inferno chamado Caldas country.

São Paulo é a capital do jazz. O techno o som de todas boates. E o Spiritual, notadamente nos templos evangélicos, para diferenciar das tradicionais músicas de procissão dos católicos. Quando a música que Jesus cantou e dançou, na Última Ceia, talvez seja encontrada nos folclores judeu e árabe, especialmente no interior da Síria, e outras pequenas comunidades do Oriente Médio, onde o aramaico  ainda é falado.

Os gêneros musicais brasileiros vêm sendo abandonados. Pode-se, inclusive falar, na degeneração da música brasileira. Até o samba está destruído, na versão da TV Globo do Show Beleza e turísticas escolas de samba do Rio de Janeiro.

Citarei como exemplo apenas as músicas que dancei: modinha, lundum,  choro, baião, xaxado, bate-pé, batuque, coco, frevo canção, frevo de rua, maxixe, mineiro-pau, pastoril, maracatu e caboclinho.

Também perdidas as danças infantis. Que não mais se brinca nas ruas, nas praças, nos quintais e nas escolas. 

Esta lembrança me veio quando pesquisava a página, no Faceboox, de Julia Colle, uma garota linda de olhos azuis, azuis, que se acorrentou ao portão do Instituto Royal, que fazia dos animais cobaias para o fabrico de produtos de beleza.

O que a diferenciava de outras ativistas era o amor pelos animais além dos beagles. Dia ou noite, desde que avisada, saia para socorrer um vira-lata ferido ou abanado pelas ruas de São Roque, santo padroeiro de diversas profissões ligadas à medicina, ao tratamento de animais e dos seus produtos e aos cães.

São Roque
São Roque

A música country embala os rodeios. Que São Roque nos livre dessa peste. Que São Sebastião livre o Rio de Janeiro da peste do rock. Amém.

Na página de Julia
Na página de Julia Colle

Dinheiro para a Cultura os prefeitos negam.

rodeio

Júlia Coller não morreu em uma sociedade qualquer

por 

Julia-Coller

Júlia Coller está morta. A polícia trabalha com a hipótese de suicídio. As comunidades virtuais conheceram Julia Coller pelo ativismo; ela foi uma das pessoas acorrentadas ao Instituto Royal, na luta pela libertação dos animais do falso laboratório. Nessas mesmas comunidades, há os que especulam sobre a sua morte. Mas à medida que os jornais dizem que ela consumiu “álcool e drogas” em uma festa no dia anterior, e que já havia tentado o suicídio antes, tudo se resolve. É só enterrar a bela menina de olhos verdes.

O Brasil é o país em que a vítima fica culpada com uma facilidade incrível. Sendo mulher, então, nem é preciso lançar mão do elemento fatal para instalar o preconceito, as drogas. Junto com drogas, o ativismo em favor de … animais! Ora, nem mesmo em favor de humanos, mas de animais! Eis que se forma o quadro na cabeça dos conservadores que, agora, estão com tudo na mídia, e até poderiam escrever: “menina porra louca”.

Júlia Coller apareceu morta diante de um namorado e uma amiga. Estava em seu quarto, ligou para o namorado, mas não falou com a amiga que estava na mesma casa. Amarrou uma gravata na janela e conseguiu se matar com tal instrumento. Isso após uma noite sem dormir e já de ressaca. A garota deve ter feito um curso de marinheiro, por isso foi impecável ao construir o nó fatal para morrer, mesmo sendo bem leve. Posso aceitar a morte de Júlia Coller, mas não consigo ficar tranquilo se a morte vem acompanhada de um julgamento sobre ela, tão fácil que faz alguns chegarem a dizer  de modo cinicamente tranquilo “ah, quando tem droga no meio, tudo é possível”.

Não dá mais para culpar as drogas pelo fim de uma pessoa sensível. Entre a droga e a uma pessoa há um mundo, ou melhor, há a nossa sociedade. Essa sociedade em que vivemos e na qual achamos que tudo se resolve com polícia. Basta colocar a polícia contra tudo que cheira errado e tudo ficar certo. Assim pensam agora os intelectuais da modinha.

Ora, não vou por aí não. Não visto canga. Já passou da época em que tínhamos de ceder aos que exigiam de nós um comportamento do tipo “é assim mesmo, afinal, era uma garota que ficou lá no Royal, acorrentada”. Sim, é esse o juízo que os conservadores estão fazendo agora, no bar, e só não vão escrever isso porque o caso Royal já não dá mais “ibope”. Todavia, os que foram contra o resgate dos beagles nem precisam dizer nada, já os escuto culpando a vítima.

Em nossa sociedade em que a regra não é a maldade voluntária, mas a apatia da insensibilidade produzida por um pensamento que se acha importante por colocar a política acima da vida humana, pessoas como Coller não podem usar por muito tempo seus olhos verdes. Tais olhos matam de vergonha, ainda, os que já não são capazes de nenhum choro, de nenhum gozo, de nenhuma capacidade de ver nos cães nossos amigos. Olhos assim, fitados pelos conservadores que condenaram o ativismo que fechou o Royal na base da lei, são  como que faróis em um túnel escuro e silencioso.

Adorno chamou a nossa sociedade de “sociedade administrada”. Nela, tudo é administrado e não vivido. Adorno punha a administração de um lado e a vida de outro. Pois administração é para empresas, não para vidas. Nossa sociedade tem empresariado nossas vidas e, então, quer que a vida não tenha nenhum laço que não seja o de sobrevivência. Nessa sociedade, tem de vigorar o que ele chamava de “feliz apatia” da “frieza burguesa”. Todos se arrastam. Só os adultos riem. Estão nos shoppings. As crianças brincam sem sorrir. Esse é um sinal de nossos tempos. Podem reparar.

Jovens como Júlia Coller não querem entrar em um partido. Não estão comprando o Mein Kampf atual, que no seu mais radical ressentimento nutre outros ressentidos diante dos escolarizados. Esses ressentidos acham que nas escolas se serve Marx, maconha e caviar. Ora, como eles nunca conseguiram ler o primeiro por não entenderem Platão ou qualquer outro clássico, como eles consumiram só maconha ruim e, enfim, como jamais viram caviar senão na TV, se ressentem contra os que gozaram a vida.

Não! Julia não foi dos que podem entrar para o partido dos ressentidos. Ela se deprimia com esse mundo, pois ela ainda era uma moça velha, uma moça com sentimentos. Nos olhos dos cães ela via o que existe. Existe amor. Ah, mas quão babaca é esse sentimento para esses novos homens que, agora, deixaram os púlpitos e comentam sobre a vida social e política. Eles são os que culpam vítimas. Diante deles, Júlias perecerão sempre.

A verdadeira Julia Colle

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Foi sepultada ontem, no final da tarde em Mairinque, sua terra natal, a ativista dos direitos dos animais Jucilaine Cristina dos Santos (Julia Colle), 25 anos. O enterro contou com a participação de diferentes movimentos sociais de São Roque e delegações de várias cidades.

A jovem ficou conhecida nacional e internacionalmente nos protestos pelo fechamento do Instituto Royal, em São Roque, onde residia.

Julia Colle foi encontrada em seu quarto já sem vida. A autópsia preliminar, realizada em Sorocoba, diz que faleceu por asfixia mecânica, podendo ser enforcamento, esganadura ou sufocamento.

Escreve Patricia Abreu em sua página no Facebook: “Existem muitas especulações levianas sobre a morte da Julia. Os problemas pessoais eram somente dela.
Peço que respeitem a memória.
Cultivem apenas as coisas boas que ela fez enquanto esteve aqui conosco. Todo legado que nos deixou pelo amor aos animais.
Vamos continuar a nossa luta diária por eles que precisam e necessitam de nós”.

Isso é verdadeiro. Vamos corrigir a notícia publicada no R7: “Com base no boletim de ocorrência, ao qual a reportagem do R7 teve acesso, Julia, o namorado e uma amiga passaram a noite de sábado (9) em uma festa em Cotia, da qual retornaram na manhã de domingo. Já em São Roque, teriam feito ‘uso de bebidas alcóolicas e drogas’. Ainda de acordo com a polícia, as testemunhas foram dormir em seguida e Julia teria ficado acordada”.

O namorado de Julia jamais se drogou, e não viajou com Julia para Cotia. Os dois se amavam, mas estavam separados, pelo menos, há uma semana. Mas tudo indicava que iam reatar o namoro.

“Horas mais tarde, por volta das 16h, o namorado da ativista recebeu uma mensagem pelo celular, na qual Julia dizia que faria uma besteira. O rapaz então seguiu para a casa, onde estava a ativista e uma amiga. Ambos foram ao quarto de Julia, onde estava o corpo dela. O boletim de ocorrência aponta que a ativista ‘estava enforcada com uma gravata presa à janela”.

O rapaz, realmente, recebeu o telefonema, e saiu apressado para casa de Julia.  Não esperava encontrar três pessoas: Luana, Akira e Coelho. Correu para o quarto da namorada, mas era tarde. As três visitas não sabiam de nada. Fica a dúvida: os três dormiam e Julia acordada. Ou eles acordados e Julia dormindo eternamente.

No boletim de ocorrência, Akira, Coelho e Luana  testemunharam que não participaram da morte de Julia, nem ouviram nada. E que vieram da festa, em Cotia, com Julia, e beberam e consumiram drogas.

Informa o R7: “Nas redes sociais, amigos de Julia e a própria mãe da jovem suspeitam da tese de suicídio.

A reportagem do R7 procurou o delegado Marcelo Sampaio Pontes, responsável pelas investigações, mas ele preferiu não falar em linhas de investigação neste momento”.

A mãe de Julia permanece em estado de choque. E não suspeita de coisa alguma. Está sob efeito de calmantes.

Julia é filha única, muito querida, e saiu da casa para morar sozinha, ou melhor, residir em um local que pudesse abrigar seus animais. Seu sonho era abrir um canil.

Nas redes sociais falam que os animais foram despejados. “É mentira. A mãe não teve nada a ver com isso. Pessoas de fora da cena tomaram a frente dela e pegou os animais. É uma senhora idosa e não teria condições de cuidar de oito animais. Apesar da idade, jamais colocaria os animais para fora”.

O que as amigas mais íntimas dizem de Julia: “Uma pessoa maravilhosa, com um coração generoso, carinhosa, educada, amiga, agitada, idealista, amante dos animais”. E todas garantem: não era usuária de drogas.

“Se usou, foi influenciada pelas companhias que estavam com ela. Os próprios ocupantes da casa revelaram à policia que consumiram drogas, aparentemente, cocaína e maconha”.

Essa possibilidade talvez levou Julia a telefonar para o namorado. Pediu socorro. Disse que não estava bem, e que cometeria uma besteira. Essa besteira seria se matar. Mas poderia ser uma maneira  – chantagem emocional bem comum em jovens apaixonados – de reatar o namoro.

Julia quando criança sofreu o trauma da perda do pai, uma morte que nunca aceitou. Passou a ter crises de depressão, e tomou medicamentos. Mas tinha parado faz tempo, por orientação médica. Ultimamente sua tristeza era a separação momentânea do namorado.

Conclui uma amiga: ‘É muito fácil falar de suicídio, e tirar a culpa de três pessoas que estavam na casa e disseram que não viram nada. Penso sim, que pode ter se matado, mas por alguma coisa eles terão que ser indiciados, nem que seja por omissão de socorro ou participação. Aliás quem levou drogas para dentro da casa foram eles”.

O boletim policial da morte de Julia Colle

Um líder ativista é notícia sempre. Seja um defensor dos direitos humanos ou dos animais. Principalmente um sem terra, um sem teto, um sem nada. Melhor que seja notícia em vida, quando os movimentos sociais são escondidos e/ou criminalizados.

Nenhuma revelação de uma vida dedicada à valorização da gente, dos bichos e das coisas deste vasto mundo, vai diminuir a justeza, a grandeza ou o romantismo das campanhas realizadas.

Julia começou este ano, promovendo a Feira de Adoção de Animais, em janeiro último, com o apoio da Prefeitura de São Roque.

As jovens Patrícia Abreu e Julia Colle com o prefeito Daniel Oliveira
As jovens Julia Colle e Patrícia Abreu com o prefeito Daniel Oliveira

Organizou o grupo “S.O.S – Ajude um animal de Rua”. Um feito que culminou com a invasão do Instituto Royal.

Campanha S.O.S., com o prefeito de São Roque
Campanha S.O.S., com o prefeito de São Roque
Feira de Adoção em São Roque
Feira de Adoção
Julia acorrentada no portão do Instituto Royal
Julia acorrentada no portão do Instituto Royal, em 18 de outubro passado

Eis que, inesperadamente, Julia tem a vida interrompida.

Com base no boletim de ocorrência, ao qual a reportagem do R7 teve acesso, “Julia, o namorado e uma amiga passaram a noite de sábado (9) em uma festa em Cotia, da qual retornaram na manhã de domingo. Já em São Roque, teriam feito ‘uso de bebidas alcóolicas e drogas’. Ainda de acordo com a polícia, as testemunhas foram dormir em seguida e Julia teria ficado acordada.

Horas mais tarde, por volta das 16h, o namorado da ativista recebeu uma mensagem pelo celular, na qual Julia dizia que faria uma besteira. O rapaz então seguiu para a casa, onde estava a ativista e uma amiga. Ambos foram ao quarto de Julia, onde estava o corpo dela. O boletim de ocorrência aponta que a ativista ‘estava enforcada com uma gravata presa à janela’ [A amiga não percebeu nada estranho?]

O corpo foi enviado para exames em Sorocaba e deve ser velado ainda hoje em São Roque ou Mairinque. A localização ainda aguarda definição da família da ativista. Nas redes sociais, amigos de Julia e a própria mãe da jovem suspeitam da tese de suicídio. [Escreveu a amiga Vilma Aranaga: ‘Parecia de ferro, mas mostrou uma fragilidade de um cristal’]

A reportagem do R7 procurou o delegado Marcelo Sampaio Pontes, responsável pelas investigações, mas ele preferiu não falar em linhas de investigação neste momento. O namorado e a amiga que estava com Julia na casa já foram ouvidos e outras testemunhas devem ser convocadas a depor sobre o caso”.

[Não sei a razão de esconder o nome do namorado. E nunca acredito, de imediato, em versão da polícia.

Releia o B.O. e imagine a cena da morte]

Julia Colle à esquerda
Julia Colle à esquerda

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