Milionário traficante solto pela justiça de óio verdes de Goiás

E os óio da cobra verde
Hoje foi que arreparei
Se arreparasse a mais tempo
Não amava quem amei

Vanja Orico

 

 

 

247 – Marcelo Gomes de Oliveira, também identificado como José Marcelo Gomes de Oliveira, considerado um dos maiores traficantes de drogas de Goiás, foi libertado ontem do Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O alvará de soltura que colocou “Marcelo Zói Verde” na rua, assinado pelo juiz Leão Aparecido Alves, da 11ª Vara Federal, é lacônico, citando que atende a despacho do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e que Marcelo, 34 anos, é réu em outros dois processos que tramitam na 1ª e na 2ª varas de Execução Penal de Goiânia.

Escreve Marcos Simões: “Pena de morte para várias pessoas foi decretada pela Justiça que soltou o traficante (embora eu acredite que ele seja testa de ferro de alguém mais poderoso e influente, que a polícia não investiga porque não quer ou não pode). Mas a pena de morte (dezenas, centenas, milhares de vidas?) foi decretada com a soltura..

Bem dito pela amiga Maria Imaculada Rezende: ‘Por isso muita gente prefere que sejam presos na Indonésia. Pode parecer demagogia e muita gente não vai gostar, mas é verdade. Imaginem quanto mal e quantas mortes essa criatura vai causar?”.

 

mega

247 – O traficante foi preso em Brasilia em maio de 2014, na Operação Esmeralda, ação da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos de Goiás (Denarc), que teve apoio da Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil do Distrito Federal (CORD-PCDF) nas prisões. Marcelo estava em uma casa no Park Way, bairro nobre da capital federal, avaliada em R$ 4 milhões. Foram apreendidos com ele dinheiro, armas e munição pesada, 22 carros importados e nacionais e até um livro com dedicatória assinada por um delegado goiano, já morto.

Na época da prisão foram apreendidos 200 quilos de pasta-base de cocaína em um imóvel em Taguatinga (DF). Antes, a quadrilha havia deixado outro volume semelhante de droga em Goiânia. A prisão aconteceu após quase um ano de investigações, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e diversas campanas policiais.

A prisão do megatraficante goiano foi tão importante que houve ao longo de 2014 escassez de cocaína no mercado, resultando em alta substancial de preços. O volume anual de pasta base movimentado por Zói Verde chegaria a 10 toneladas por ano. Refinado em cocaína de qualidade mediana, a droga renderia à quadrilha perto de R$ 600 milhões.

Não está claro ainda o motivo da soltura de “Marcelo Zói Verde”. Um delegado consultado pelo Brasil247 que participou da operação acredita que tenha sido em razão da morosidade da própria Justiça no primeiro grau, um excesso de prazo irrazoável. O traficante foi detido em maio de 2014 e estava preso provisoriamente desde então, sem que o processo fosse concluído. A Denarc finalizou o inquérito e remeteu ao Judiciário no prazo legal de 60 dias, após pedido de prorrogação.

Inicialmente, o processo estava sob jurisdição da Comarca de Itapuranga, no interior de Goiás, juízo que autorizou as escutas telefônicas. O juiz da localidade, em parceria com o Ministério Público, no entanto, considerou o crime como tráfico internacional de drogas, transferindo a competência para a Justiça Federal. Para a polícia, o crime poderia muito bem ter sido classificado como tráfico interestadual, mantendo a jurisdição em Itapuranga e dando alguma celeridade ao processo.

A morosidade do Judiciário em relação ao traficante Zoi Verde é notória. Ele responde a outros processos por crimes diversos praticados desde o ano 2000. Três desses processos simplesmente desapareceram da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás e tiveram de ser reconstituídos. Ele ainda não foi julgado em nenhum deles. Em 2000, Marcelo foi condenado a 21 anos de prisão por latrocínio (roubo seguido de morte). Teve progressão de pena ao regime semiaberto três anos depois e fugiu em seguida.

Espantosamente, em 2013, apesar da ficha corrida, o juízo de Aruanã, com a anuência da promotoria pública, autorizou Marcelo Gomes de Oliveira a mudar de nome para José Marcelo Gomes de Oliveira. Chamou a atenção dos policiais o custo da ação de retificação de nome: R$ 300 mil em honorários advocatícios.

Zói Verde teria, segundo a polícia, um patrimônio avaliado em cerca de R$ 80 milhões provenientes de atividades ilícitas. Entre os bens estão duas fazendas com mais de 7 mil hectares.

 

http://www.letras.com.br/#!vanja-orico/sodade-meu-bem-sodade

 

 

As relações de Cachoeira com a justiça precisam ser investigadas. Veja uma pista

Delta do Rio Amazonas
Delta do Rio Amazonas
Delta do Rio Parnaíba
Delta do Rio Parnaíba

Cachoeira está por trás das eleições de governadores, prefeitos, senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores; da indicação de desembargadores por governadores; idem nomeação de comandos policiais, secretários de Estado; da contratação de empresas de serviços; da construção de importantes obras públicas. Uma quadrilha que, parte dos crimes, foi investigada nas Operações Monte Carlo e Las Vegas da Polícia Federal.

Não se sabe se Cachoeira é o chefe de uma máfia ou um lugar-tenente. De um caudaloso rio da corrupção, que forma uma ou várias devastadoras cachoeiras.  Um rio com um invisível delta. Esta desconhecida foz precisa ser conhecida. Acontece que o Brasil, país que criou a bizarra lei do segredo eterno, não favorece o descobrimento.

Hoje a imprensa não destaca esta notícia do Jornal Floripa, repleta de informações subentendidas:

Juiz pede apuração contra colega que comandou caso Cachoeira

Sob suspeita de ter vazado informações da Operação Monte Carlo, o juiz Leão Aparecido Alves, titular da Vara Federal responsável pela prisão de Carlinhos Cachoeira, fez uma representação no TRF (Tribunal Regional Federal) contra o colega Paulo Augusto Moreira Lima, juiz substituto que tocou o caso.
Leão, o titular, não despachou na Monte Carlo porque estava cedido ao TRF. Com isso, todas as decisões judiciais da operação foram tomadas por Moreira Lima.
Esta semana, Moreira Lima deixou o caso, após anunciar que estava sofrendo ameaças. Leão assumiria, mas se declarou impedido por ser amigo de um dos réus, José Olímpio de Queiroga Neto, acusado de exploração ilegal de jogos.
Agora, com os rumores de que teria vazado dados da operação, Leão fez uma representação contra Lima para saber se foi alvo de investigação a mando do colega.
Por conta das regras do foro privilegiado, Leão só pode ser investigado com aval do TRF. Caso ele tenha sido investigado sem autorização, o que seria ilegal e toda Monte Carlo poderia ser anulada.
SUSPEITAS


Semanas antes de a operação ser deflagrada, Moreira Lima e a Polícia Federal passaram a suspeitar de vazamentos. Em fevereiro, escutas mostraram que Queiroga, o réu amigo de Leão, sabia que havia uma apuração em curso. A PF juntou mais de 20 conversas que reforçariam a suspeita de vazamento.
Queiroga chegou a combinar com Cachoeira formas de protocolar pedidos de informação na 11ª Vara.
As suspeitas da PF sobre o vazamento recaíram sobre a mulher de Leão, que é advogada. Foi quando o juiz representou contra Moreira Lima.
PROCEDIMENTO
O juiz Cândido Ribeiro, que na época era o corregedor do TRF, disse que a representação é “apenas uma forma de pedir esclarecimentos”. Ribeiro, segundo o tribunal, “recebeu a representação, ouviu três pessoas [não foi informado quem] e saiu da corregedoria”.
Moreira Lima e Leão Aparecido não comentaram.
A corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, minimizou o vazamento e classificou a operação como “um sucesso”. Segundo ela, a questão principal agora é garantir a segurança de Moreira Lima.
Calmon disse que o pai do juiz foi abordado por um policial e ele próprio recebeu ligação de um carcereiro informando que seu nome fora citado por presos. Moreira Lima também alegou cansaço, disse ela. “Deixá-lo [à frente do processo] seria um ato de desumanidade”, concluiu.

 

Delta do Ganges
Delta do Ganges
Delta do Niger
Delta do Niger
Delta na Groelândia
Delta na Groelândia