O judiciário contra a democracia

████████████████ Uma pequena amostra da crueldade e distância entre as ruas e o nosso Judiciário: Rafael Vieira, morador de rua, foi preso e condenado por portar Pinho sol, Água Sanitária e uma vassoura na semana em que o Rio de Janeiro experimentava a multiplicação dos protestos populares.O cinismo da acusação e sentença não têm limites, uma vez que considera o porte de desinfetantes como uma grave combinação explosiva (pouco importando o laudo pericial em sentido contrário). Em outras palavras, Rafael Vieira, morador de rua, esconde uma habilidade terrorista extremamente valiosa – é um químico genial, capaz de transformar Pinho Sol e Água Sanitária (cujo valor conjunto é de aproximadamente 10 reais) em uma poderosa bomba, capaz de, nas palavras do juiz, “comprometer e criar risco considerável à incolumidade dos demais participantes”.

Rafael Vieira, notório químico morador de rua, foi condenado preso e condenado por outros crimes, terríveis aos olhos de nossos juízes – o crime de não ter onde morar, ser pobre, negro, catador de latinhas, não ter advogado, cheirar ao incômodo suor das ruas.

Do vinagre ao Pinho Sol, o judiciário prepara a sua bomba contra a democracia.

 
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QUEM ESTÁ FALANDO A VERDADE?
 
Escreve o jornal O DIA, do Rio de Janeiro:A Justiça condenou Rafael Braga Vieira a cinco anos de prisão por porte de coquetéis molotov durante as manifestações de junho deste ano, no Centro do Rio. Na ocasião, em 21 de junho, Rafael foi preso por policiais civil em frente à Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Decav).

A sentença foi dada pelo juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, da 32ª Vara Criminal. A pena foi fixada em quatro anos, acima do mínimo estabelecido para crimes de porte ilegal de arma. Foi acrescido mais um ano na pena por reincidência. Rafael já tinha duas condenações por crimes de roubo e era foragido do sistema prisional. O réu, que já estava preso, cumprirá a pena em regime fechado.

“O réu vem respondendo ao processo preso, não havendo nenhuma razão para colocá-lo em liberdade, principalmente agora que foi condenado, motivo por que mantenho sua prisão cautelar. Urge destacar que o réu foi preso em flagrante por este novo crime enquanto encontrava-se evadido do regime prisional”, sentenciou o juiz.

Em agosto, grupo se concentrou em frente à 9ª DP, na Glória, para cobrar e aguardar a liberação de manifestantes presos Foto:  Alessandro Costa / Agência O Dia
Em agosto, grupo se concentrou em frente à 9ª DP, na Glória, para cobrar e aguardar a liberação de manifestantes presos
Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
O juiz também levou em consideração o depoimento de duas testemunhas e do réu para dar a sentença. O risco que poderia ter causado os coquetéis que portava Rafael para quem participava das manifestações pacificamente também destacado. “A utilização do material incendiário (…) é capaz de comprometer e criar risco considerável à incolumidade dos demais participantes, mormente em se considerando que ali participavam famílias inteiras, incluindo crianças e idosos”, relatou.