Nepotismo eleitoral de Bolsonaro, mulher e filhos. “Com que moral vão me cassar aqui?”

Bolsonaro e a covardia de 24 partidos

 

bolsonaro estupro

por Juca Kfouri

Por enquanto apenas quatro partidos — PT, PCdoB, PSOL e PSB — entraram com pedido à Comissão da Ética da Câmara de Deputados para que seja cassado o mandato do deputado federal do PP-RJ, Jair Bolsonaro, que afirmou que só “não estupraria” a deputada, e ex-ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT-RS) “porque ela não merecia”.

Será que PMDB, PSDB, DEM, PDT, PSD, PTB, PPS, o próprio PP de Bolsonaro, entre mais outros 16 partidos representados no Congresso Nacional, acham que o deputado não feriu o decoro parlamentar?

Será que não temem o julgamento da História nem mesmo depois do relatório da Comissão Nacional da Verdade com 377 nomes responsáveis pela covardia da tortura, contra crianças, inclusive, e estupros, durante a ditadura?

 

Bolsonaro é suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

 

Juca Kfouri esquece que Bolsonaro, proclamou em 2019: “Estou me lixando para essas representações. Não vou ficar quieto. Falou mentira aqui, o bicho vai pegar. Eles não dizem que lutaram para ter liberdade de expressão? Por que agora querem cassar a minha. Com que moral vão me cassar aqui neste Congresso?”

Jair Messias Bolsonaro (Campinas, 21 de março de 1955) é um militar da reserva. De orientação política de direita, cumpre sua sexta legislatura na Câmara dos Deputados, eleito pelo Partido Progressista.

Aliou-se com Aécio Neves e Aloysio Nunes, do PSDB, para pedir o impeachment de Dilma Rousseff em cinco fracassadas marchas em São Paulo, realizadas depois do segundo turno.

Já foi filiado ao Partido Democrata Cristão, Partido Progressista Renovador, Partido Progressista Brasileiro, Partido Trabalhista Brasileiro, Partido da Frente Liberal e atualmente faz parte do Partido Progressista. Dificilmente esses partidos pedirão a cabeça de Bolsonaro, que ganhou notoriedade nacional após dar declarações sobre questões polêmicas, como homofobia, preconceito racial, sexismo, cotas raciais e defesa da tortura e do regime militar, sendo classificado por jornalistas e órgãos de imprensa como representante da extrema-direita.

É titular da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e da de Segurança Pública Combate ao Crime Organizado. Parece ironia, piada, humor negro: é suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

 

Rio, curral eleitoral. Nepotismo de Bolsonaro

Aroeira
Aroeira

 

Foi casado com Rogéria Bolsonaro, a quem ajudou a eleger vereadora da capital fluminense em 1992 e 1996, com que teve três filhos: Flávio Bolsonaro — deputado estadual fluminense —, Carlos Bolsonaro — assim como o pai e mãe, vereador da cidade do Rio de Janeiro —, e Eduardo. De seu segundo casamento com Ana Cristina, teve Renan.

Em 1988 entrou na vida publica elegendo-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Nas eleições de 1990, elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido. Seguiriam-se outros quatro mandatos seguidos. Foi filiado ao PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL, hoje DEM (2005), e desde 2005 integra o PP. (Fonte Wikipédia)

 

Aécio em mulher não se bate nem com uma flor

Hora do Povo

 

Governador de Minas agride namorada em festa de luxo

A moça recebeu a pancada, caiu, revidou e depois cada um foi para um lado, dizem testemunhas

Uma das testemunhas oculares da agressão perpetrada pelo governador Aécio Neves no domingo, 25 de outubro, em meio a uma festa promovida por um estilista da Calvin Klein no Hotel Fasano, do Rio de Janeiro, descreveu a cena da seguinte forma:

“Visivelmente alterado, ele deu um tapa na moça que o acompanhava – namorada dele há algum tempo. Ela caiu no chão, levantou e revidou a agressão. A plateia era grande e alguns chegaram a separar o casal para apartar a briga. O clima, claro, ficou muito pesado”.

Imagine o leitor que essa testemunha ocular é a colunista social Joyce Pascowitch, que, de repente, sem que desejasse tal metamorfose, passou de cronista de grã-finos a repórter policial. A nota de Joyce Pascowitch é intitulada “Nelson Rodrigues”, em referência ao teatrólogo que pregava que “mulher gosta de apanhar”.

A colunista social não revelou o nome do agressor. Disse que era “um dos convidados mais importantes e famosos da festa que o estilista Francisco Costa, da Calvin Klein, deu na piscina do hotel Fasano, no Rio, nesse domingo”. Embora, pelo encadeamento das notas sobre a festa, em seu blog, fosse mais ou menos claro quem era o sujeito.

Dias depois, Juca Kfouri, em nota intitulada “Covardia de Aécio Neves”, foi direto:

“Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio. Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral”.

Depois de pregar que “a imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor [e o Fernando Henrique?], embora seus hábitos fossem conhecidos”, Kfouri fez a seguinte anotação: “… o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa. O blog a mantém inalterada”.

A agredida foi Leticia Weber, uma modelo de 24 anos. Não conhecemos a moça, mas, em que pese andar com um debilóide como Aécio, parece ser dotada de muitas virtudes. Bater em mulher já não dignifica a carreira do sujeito. Bater em certas mulheres, então, parece coisa de quem não gosta de mulher…

Foto da página de Francisca Maria Lima dos Santos no Facebook
Foto da página de Francisca Maria Lima dos Santos no Facebook

Não, leitor, não é isso que você pensou. A questão é que Serra, Aécio, Fernando Henrique, esse tipo de gente, não é capaz de amar ninguém. São todos uns narcisistas doentios. Byron disse uma vez que quem não ama a sua pátria, não ama coisa alguma. Com os tucanos da cúpula, o caminho é inverso: eles não amam a pátria porque não amam ninguém. Um, já presidente da República, tratava a mulher, nos papos com um proxeneta, como “megera”. Outro, governador do segundo ou terceiro Estado do país, senta a mão na namorada, a ponto dela cair no chão, no meio de uma festa, sem se importar com a seleta assistência ou sem conseguir se conter mesmo diante de tal público. Serra, o que passa álcool nas mãos depois de cumprimentar alguém do povo, até agora, que se saiba, não bateu na mulher. Apenas, segundo seu ex-amigo Flávio Bierrenbach, agora ministro aposentado do Superior Tribunal Militar, “Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico. Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Uma ambição sem limite. Uma sede de poder sem nenhum freio”.

Não por coincidência, são os mesmos que liquidaram o patrimônio brasileiro, devastaram a economia nacional e infelicitaram milhões de pessoas. Todos eles, aliás, sempre pregaram que sua vida pública é tão imaculada quanto sua vida privada, apesar de uma nada ter a ver com a outra. Caifás, o sumo sacerdote dos fariseus, era um São Francisco perto dessa espécie de gente.

O fato que hoje comentamos, certamente só teria a importância que leva a um boletim de ocorrência na delegacia, e a fazer o agressor sentar no banco dos réus, se o indigitado não fosse governador de Minas e pré-candidato a presidente do PSDB.

E se não fosse o abafamento completo do fato pela mídia, com as duas exceções que registramos – e apenas em seus blogs.

Obviamente, eles nunca vão ver Lula praticando um ato semelhante. Isso é negócio de janotas transviados, desses que abundam no PSDB. Mas, só para raciocinar, imaginemos que isso acontecesse com alguém do governo ou um apoiador do governo. Há alguma dúvida sobre o carnaval que ia ser aprontado ao redor do fato?

Não é uma surpresa que a mídia serrista também haja aderido ao abafamento. Eles sabem que o cachação de Aécio na namorada não é um problema só para Aécio. Afinal, ele está muito bem acolhido dentro do PSDB – não há nada em Aécio que destoe do conjunto da cúpula tucana. C.L.

 

 

 

 

 

As touradas de Recife

por Roberto Vieira

 

 

campanha-touradas

Eu fui às touradas de Madri, e quase não volto mais aqui…

Eram cinco da tarde em todos os relógios.

Milhares.

Era a Espanha!

Encaixotados em trens.

Gado.

O mais era caos nada mais que caos.

Uruguaio com filho nos braços.

Olé!

O Coliseu no meio do nada.

Sem estacionamento.

Sem estações do metrô.

Empresas de ônibus felizes.

Calor.

Não havia lixeiras.

Não havia Veneza.

Iniesta toca para Xavi.

Gol de Pedro.

Alguns torcedores se levantam e partem no primeiro tempo.

Medo da volta.

Dos vagões.

Noite.

O gado humano caminha para os ônibus.

A polícia diz adeus.

Abandona os postos.

Deixa o público ao Deus dará.

Tumulto.

Guerra na entrada dos ônibus.

Mulheres, crianças e idosos gritando.

As autoridades já estavam em casa.

Sorrindo felizes.

Enquanto milhares de cidadãos eram golpeados na Plaza.

Pamplona.

Cosme e Damião infinitesimais.

Multidão nas escadarias de Odessa.

Uma cidade diante da tragédia de si mesma.

Milhões gastos às cinco da tarde.

Milhões traduzidos em espanto e tourada.

Espetáculo que por muito pouco.

Não se transformou em sangue e areia.

Às cinco da tarde…

Pro Brasil eu vou fugir, isso é conversa mole pra boi dormir…

A juíza que fechou o Maracanã

por Roberto Vieira

 

Sérgio Cabral e Eduardo Paes pretendem, para doação, demolir todos os edifícios que rodeiam o Maracanã (T.A.)
Sérgio Cabral e Eduardo Paes pretendem, para doação, demolir todos os edifícios que rodeiam o Maracanã (T.A.)

 

A juíza Adriana Costa dos Santos demorou.

Exatos sessenta e três anos.

Quando a ilustre juíza proíbe o jogo Brasil x Inglaterra.

Jogo a ser realizado neste domingo.

Concluindo que o estádio não foi concluído.

Concluindo que o torcedor corre perigo nas suas instalações.

A ilustre juíza foi perfeita no presente.

E incorreta no pretérito.

O Maracanã é um caso perdido.

Inaugurado inconcluso em 1950.

Pedras, cimento, vigas e gol de Didi.

O Maracanã ainda estava inacabado na abertura da Copa de 1950.

Brasil e México jogando em construção.

Muita gente se feriu.

Está lá na imprensa da época.

Mas o que eram algumas pessoas feridas para Dutra?

Importante era o maior do mundo.

Importante eram os gols da seleção.

Importante era o Brasil que se queria vender ao mundo.

Pois é.

A juíza Adriana Costa dos Santos foi magistral.

No entanto, eita Brasilzão!

A sentença chegou com sessenta e três anos de atraso.

Nota de Juca Kfouri: O blog aposta que a liminar será cassada e que haverá jogo.
Assim como haverá riscos para quem for ao jogo.

copa estádio Maracanã

Utilizam a justiça para censurar Paulo Henrique Amorim, Lúcio Flávio, Esmael Morais, Mino Carta, Rubens Glasberg, Luiz Carlos Azenha, Luiz Nassif, Rodrigo Vianna, Juca Kfouri

 

justiça

A Justiça é usada como instrumento de censura contra os jornalistas? Há realmente liberdade de imprensa e expressão no Brasil? É necessária a criação de um marco regulatório nas comunicações? Para responder essas e outras perguntas, o jornal Unidade ouviu os jornalistas e “blogueiros sujos” Paulo Henrique Amorim, Lino Bocchini e também o jurista Fábio Konder Comparato.

Abaixo, a entrevista com Paulo Henrique Amorim.

A questão da mídia, da liberdade de expressão e a Justiça estão em pauta ultimamente. Vários jornalistas vêm sendo processados e, inclusive, perdendo alguns processos contra os chamados “Barões da mídia”. Você acabou de perder uma ação contra o Ali Kamel da TV Globo. Você se sente vítima da Justiça?

Paulo Henrique Amorim– Eu não diria que eu sou vítima da Justiça. Eu sou vítima de um processo que utiliza a Justiça para nos censurar. Não a mim apenas, evidentemente. Temos exemplos múltiplos, desde o Lúcio Flávio no Pará, o Esmael Morais no Paraná, aqui em São Paulo tem o Mino Carta, o Rubens Glasberg, o Luiz Carlos Azenha, o Luiz Nassif, o Rodrigo Vianna, o Juca Kfouri, que não é exatamente um blogueiro sujo, mas sofreu e sofre cerca de 50 processos movidos pelo Ricardo Teixeira.

Então, a Justiça acaba servindo aos interesses dos barões da mídia?

P.H.A.– O que aconteceu historicamente, em minha opinião, é que estamos participando de dois fenômenos simultâneos. O primeiro fenômeno é que houve uma cooptação completa pela Casa Grande. Casa Grande com C maiúsculo, G maiúsculo, na concepção do Mino Carta. Não a Casa Grande do Gilberto Freire, mas a Casa Grande da elite brasileira que hoje fica mais no Jardim Europa do que no Engenho, não é? Mas a Casa Grande cooptou a imprensa. A imprensa, que no meu blog eu chamo de PIG (Partido da Imprensa Golpista), foi completamente devorada pelos interesses da Casa Grande e nada mais é do que a expressão dos interesses políticos, culturais e filosóficos da Casa Grande. Esse é um primeiro fenômeno.

Esse fenômeno tem a ver com o fim da Lei de Imprensa?

P.H.A.– Um fenômeno mais circunstancial, digamos mais conjuntural, é que houve aqui no Brasil uma medida que à primeira vista foi muito progressista que foi o fim da Lei de Imprensa. Ela foi promulgada pelos militares com objetivos restritivos e, quando acabou a Lei de Imprensa, não ficou nada embaixo, não ficou nada que protegesse os jornalistas. Porque mal ou bem, essa Lei era, como diria aquele famoso presidente do Corinthians, uma faca de dois legumes: ela prejudicava a imprensa, mas também a beneficiava. Agora, não tem nada embaixo. E é muito fácil hoje você chegar até a Justiça e dizer que está sendo vítima de uma ofensa moral. Acontece que lá no Supremo, ao julgar a Lei de Imprensa, já foi estabelecida uma jurisprudência que é: não há limite ou restrição à liberdade de expressão. Então, até você provar que houve uma ofensa moral, no caso de uma figura pública, você terá que rasgar a Constituição várias vezes. O problema é que até nós, jornalistas e blogueiros, chegarmos até o Supremo, a gente vai gastar muito tempo e muito dinheiro. Então, qual é a tática, por exemplo, do Daniel Dantas, que move contra mim duas dezenas de ações? É me calar pelo bolso, porque a estratégia dele não é reparar um direito. Ele não está interessado em reparar um direito, em se ressarcir de uma ofensa grave. Para ele, o processo é o fim em si mesmo, a ação na Justiça é o objetivo em si mesmo. Quer dizer, ao me acionar, ele imagina que vou me depauperar financeiramente, vou desistir e parar de falar dele. Ele já percebeu que isso não vai acontecer, porque eu estou falando dele há dez anos e tenho dinheiro para ir até o Supremo. Eu, felizmente, fiz uma carreira no jornalismo bem sucedida por que o salário de televisão é maior do que o da imprensa escrita. Eu fiz, modestamente, uma carreira que me permitiu uma boa remuneração. Eu soube aplicar o meu dinheiro. Então, não há o menor problema. Eu vou ao Supremo cinquenta vezes. Agora, eu me pergunto, quantos jornalistas no Brasil podem fazer isso?

O jurista Fábio Konder Comparato perdeu uma batalha na Justiça contra a Folha de S.Paulo. E o Daniel Dantas, que move dezenas de processos contra você, tem boas relações no Judiciário. Como você, jornalista, vai enfrentá-lo?

P.H.A.– Eu tenho certeza e a minha própria vida nessa batalha na Justiça demonstra isso, que eu sou muito mais vitorioso do que perdedor. Tenho certeza de que a Justiça se faz e se fará. O problema é chegar até o fim. O problema é chegar até o final da Copa do Mundo, tantas são as etapas anteriores. E o que a gente assiste hoje é a tentativa de sufocar por esse desenrolar sufocante de etapas, etapas e etapas. Quantas e quantas vezes eu já fui ao Fórum da Barra Funda. Eu já sou íntimo dos funcionários do Jecrim, que é o Juizado Especial Criminal. Eu sou íntimo, nos tratamos de você, contamos piadas uns para os outros, de tantas vezes que eu fui até lá. Tem gente que sofre quando fica ao lado de um algemado no Jecrim. Para mim isso é normal. Faz parte da minha rotina de jornalista. O meu país, lamentavelmente, criou as condições institucionais para que nós jornalistas sejamos tratados assim. Agora, paciência, eu vou lutar nessa batalha.

O fim da lei de Imprensa teve quais efeitos para a sociedade brasileira?

P.H.A.– Existe um vácuo legal que é o que acontece nas instâncias inferiores até você aplicar a jurisprudência que foi estabelecida na hora em que acabou a Lei de Imprensa. Acabou a Lei porque o ministro Ayres Britto e um dos votantes, o voto mais eloquente, que foi o ministro Celso de Melo, disseram que não há restrição à liberdade de expressão. Aquela que é garantida pela Constituição, entretanto, acabou. Agora, até os juízes intermediários chegarem a essa decisão e, muitos deles, submetidos às pressões que homens como o Daniel Dantas são capazes de fazer, para quem o processo é o fim e não a reparação da injustiça, até que isso se resolva, nós somos a primeira geração de jornalistas que teremos que enfrentar essas coisas e nós vamos enfrentar.

Aparentemente, os jornalistas estão indefesos, não possuem mais nenhuma salvaguarda. Não conseguiram formar o Conselho Federal de Jornalismo, não existe um marco regulatório na comunicação, a sociedade não tem controle sobre as informações que recebe. Como fazer para mudar este quadro?

P.H.A.– Nós temos que disputar em todos os fóruns, em todos os capítulos. Temos que aproveitar todas as chances e uma dessas janelas que nós temos para enfrentar esses ataques à liberdade de expressão é o nosso próprio blog. É dar divulgação a essa batalha. Precisamos informar a opinião pública. Eu, particularmente, sou visado porque eu fui cercado pelo que eu chamo de o sistema planetário que tem o Daniel Dantas como um sol. É um conjunto em que ele é o ponto de referência, ele é o mastro do circo e tem vários picadeiros. Todos os artistas que trabalham nesses picadeiros entraram em ação contra mim, mas eu não tenho a menor dúvida de que ele é o mastro. Ele é o mestre de cerimônias e talvez seja o tesoureiro, entendeu? Então, meu caso é muito peculiar. Mas, não tem problema, porque eu estou agora para fazer e eu vou processar o Daniel Dantas por abuso de usar o Direito. Todo mundo tem o direito de recorrer à Justiça para se defender daquilo que considera um direito ameaçado. Ele, ao me processar 20 vezes, está abusando do direito que o Direito confere e ele vai pagar caro por isso. Estou esperando ele na esquina. Quando ele completou um número significativo de ações contra mim e quando ele entrou no crime também, aqui em São Paulo. Completo esse quadro, essa estante de processos judiciais que configuram um excesso, um abuso de um direito que cada cidadão tem, ele será processado e terá que me ressarcir do dano financeiro que eu tive e o dano moral que eu passei quando estava lá no meu trabalho, na Record, como jornalista e fui interrompido com a chegada de dois seguranças e um oficial de Justiça como se eu fosse um traficante de cocaína. Entendeu? Isso tem um custo.

cigarro Kamel suave

Você foi recentemente condenado em primeira instância em uma ação movida pelo Ali Kamel, o todo poderoso diretor da Rede Globo. Como você analisa esta pendência judicial?

P.H.A.– Essa questão é a seguinte: o Ali Kamel me processa várias vezes porque eu critiquei aquele livro que ele escreveu, Nós não somos racistas. Eu disse, repito e repetirei, inclusive no Supremo Tribunal Federal, que aquele livro leva água para o moinho do racismo, joga lenha na fogueira do racismo. Porque aquele livro é um dos centros ideológicos, uma das matrizes filosóficas do pensamento racista ao delegar, ao subtrair a maldita herança da escravidão que está aqui até hoje no Morro do Alemão, na Rocinha, Paraisópolis, Heliópolis, na USP. Entre na USP e vá à Poli e você vai ver o legado da escravidão, entendeu? E o seu Ali Kamel escreveu um livro para dizer que no Brasil a maioria não é negra, que a maioria é de pardos e como não há negros, não precisa de cota. E ele é o ideólogo contra o Bolsa Família. A matriz do pensamento conservador do Brasil contra o Bolsa Família está nas páginas de O Globo em artigos assinados pelo Ali Kamel. Então, eu direi até o fim dos meus dias que o senhor Ali Kamel é um dos esteios mais sólidos do pensamento racista brasileiro. Aí ele ficou chateado. Então fica essa batalha,. Ele ganha uma, eu ganho outra, ele ganha mais uma e eu outra. Ele ganhou uma agora, mas ganhou uma etapa.[…]

Como você mesmo disse, é necessário ir até o final nesses processos. Mas o que você diria a jornalistas que não têm a mesma condição?

P.H.A.– Nós temos que encontrar mecanismos dentro do Sindicato, dentro do Instituto Barão de Itararé. Precisamos criar mecanismos que deem apoio a esses blogueiros sem condições de ir até o Supremo. Nós temos que fazer isso através das OABs. Veja bem: esse é o início da batalha. Agora que está começando. Por acaso eu sou pioneiro nisso, como o Nassif foi pioneiro, como o Mino Carta. O Mino responde a dez processos do Daniel Dantas. Somos pioneiros nisso, então temos que criar os mecanismos institucionais dentro das nossas próprias instituições, seja no Sindicato, seja na OAB e defender o Lino, por exemplo, até ele ter força para chegar lá. Porque é isso que eles querem. É isso que a Folha quer: sufocar o Lino no começo do campeonato. Entendeu? Na primeira rodada, porque ela sabe que quando chegar lá na final no Morumbi, renovado, a gente ganha. Então tem que matar antes. Até se firmar uma jurisprudência que vá descendo os escaninhos da Justiça e chegue às primeiras instâncias do Brasil inteiro, entendeu?

Qual a sua concepção de liberdade de expressão ou liberdade de imprensa. Como você analisa este tema?

P.H.A.– O ministro Ayres Britto, ao sair da presidência do STF, criou no Conselho Nacional de Justiça, um fórum para elucidar os juízes de primeira instância sobre a questão da liberdade de imprensa. E ele cometeu três erros. Primeiro, ele usou a expressão liberdade de imprensa e, como diz o professor Vinícius [Venício] Lima, o mais importante é a liberdade de expressão. A liberdade de imprensa é uma expressão ligada ao direito empresarial, comercial, industrial de imprimir. A liberdade de expressão é um direito do cidadão que vem desde a Revolução Francesa. O ministro não misturou estes conceitos por acaso e por quê? Porque ele fez com que esse fórum tivesse representantes de fora de duas instituições. Ele não chamou o Guto (José Augusto Camargo, presidente do SJSP), não quis saber do Guto. Ele chamou a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) que é controlada pela Globo e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) controlada pelo Globo. Então, vai ser um fórum dentro do Conselho Nacional de Justiça com os membros do Conselho Nacional de Justiça, um representante da Globo, que deve ser o Ali Kamel e outro representante de O Globo que deve ser o Merval Pereira. Isso que ele fez. Agora nós, do Barão de Itararé, através do nosso presidente pro tempore, Altamiro Borges, estamos batendo na porta com a ajuda do nosso advogado Joaquim Palhares, dizendo: “Queremos sentar aí. Queremos sentar aqui, queremos discutir aqui com o Ali Kamel e com o Merval”. Porque só eles dois podem participar desse fórum? Porque esses dois aí, a ANJ e a Abert querem que nós, blogueiros sujos, façamos parte daquele conjunto de pessoas que foram queimadas nas fogueiras da Inquisição. É isso. Nós temos que ter fôlego e temos que criar os mecanismos dentro dos nossos próprios fóruns para poder enfrentar essa batalha, porque o objetivo deles é nos matar no início.

Observatório da Imprensa/ SJSP