MARINA PROMETE AOS SERINGUEIROS DEFENDER TRABALHADORES MAS PREFERE OS BANQUEIROS

A promessa, feita para impressionar despreparados, de que vai governar com a força das ruas, além de perigosa, é vazia. O governo de Marina será moldado para defender os interesses dos banqueiros e do setor financeiro

Spiros Derveniotis
Spiros Derveniotis

por Chico Vigilante

O eleitor brasileiro tem menos de 20 dias para decidir em que candidato votar nas eleições presidenciais de 5 de outubro. Aqueles que acreditaram na novidade e na nova política de Marina Silva estão a cada dia mais perplexos com suas mudanças de rumo. Terão que refletir um pouco mais a respeito.

Nem um só dia se passa sem que sejamos surpreendidos com declarações inconseqüentes a respeito de pontos ou mudanças do programa de campanha, que de novo nada tem, mas apenas uma tentativa de aplicar aqui discursos econômicos já usados e fracassados em países europeus como Inglaterra e França.

Suas intenções são facilmente desvendadas, basta um olhar atento. A promessa, feita para impressionar despreparados, de que vai governar com a força das ruas, além de perigosa, é vazia. O governo de Marina será moldado para defender os interesses dos banqueiros e do setor financeiro.

Esta semana ela se sentou com dezenas deles para dar maior credibilidade as suas promessas, num jantar onde cada convidado pagou a irrisória quantia de R$ 100 mil reais, organizado por Florian Batunek, da empresa de investimentos Constellation, ex sócio do Banco Pactual.

A história da Constellation começou em 1999 com a fundação da Utor Asset Management, fundada pelos antigos sócios do Banco Garantia, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, que em 2002 criaram a Constellation, com acionistas como a Lone Pine, um dos mais bem sucedidos fundões de ações dos EUA, com cerca de 18 bilhões de USD sob gestão.

Atualmente 80% da base de clientes da Constellation, cujo dono ofereceu o jantar a Marina, é composta por family offices, investidores institucionais dos EUA, Brasil e Europa, além dos sócios da própria empresa.

Entre os nome daqueles que se assentaram à mesa com Marina, divulgados pela imprensa, estavam, por exemplo, José Berenguer, do JP Morgan, Luiz Stuhlberger, do Credit Suisse, José Roberto Moraes, do Grupo Votorantim, Ana Maria Diniz, ex-Pão de Açúcar, Tito Alencastro e Anis Chacur do Banco ABC, Andrea Pinheiro, do BR Partners, e Jair Ribeiro, do Indusval.

O tesoureiro de Marina, Álvaro de Souza (ex-Citibank) disse pra quem quisesse ouvir que o preço de R$ 100 mil pelo jantar era necessário para financiar “a luta de David contra Golias”. Ao que tudo indica, Marina Silva, a candidata que promete a independência do BC, mais do que apenas votos e dinheiro para a campanha fechou uma aliança com o setor .

Cai como uma luva, a declaração sobre Marina, feita por Marcelo Zero, formado em Ciências Sociais pela UnB, em artigo publicado pelo Brasília 247. Segundo ele, Marina fará “ uma milagrosa reforma, garantida pelos “homens de bem” e pelos “homens de bens” que controlarão o Banco Central.

Em texto publicado no blog do jornalista Paulo Moreira Leite, Marcelo Zero, faz um paralelo das idéias de Marina com as ações desastradas do primeiro ministro inglês, Toni Blair para a economia da Grã Bretanha, cuja primeira grande medida no poder foi dar independência ao Bank of England, o banco central inglês.

Zero mostra como o discurso de Blair, similar ao atual de Marina, de um Estado minimamente necessário e um mundo livre das velhas ideologias, resultou na prática no desmonte do sindicalismo britânico, na flexibilização” do mercado de trabalho, na revisão de alguns direitos previdenciários, nas privatizações e, sobretudo, na crescente desregulamentação do sistema financeiro, já sob a gerência “independente” do Bank of England.

A trajetória de Marina é clara. Ela ganha adeptos entre os banqueiros e cria arestas dentro do PSB, afinado às ideias socialistas de Celso Furtado – o economista brasileiro mais reverenciado no exterior – ao criticá-lo em mais uma de suas investidas inconseqüentes.

Conheço Marina Silva desde quando ela ainda era conhecida por seu nome de batismo, Osmarina. Fui deputado no Congresso Nacional de 1990 a 1998 e foi naquela época que ouvi dela uma história interessante, que vale a pena ser lembrada.

Quando candidata a senadora pelo Acre, ela fez uma reunião com os seringueiros na floresta amazônica, iluminada por lamparinas, pois na época lá não chegava a luz elétrica.

Ela falou, falou, expôs suas idéias, pediu voto. Lá pelas tantas um velho seringueiro pediu a palavra e disse : nós vamos votar na senhora se nos prometer que vai defender o trabalhador como aquele deputado que ouvimos aqui na voz do Brasil, um tal de Chico Vigilante. Ela disse que podiam ficar tranqüilos que ela defendia as mesmas coisas que ele.

O que eu dizia naquela época nos meus discursos divulgados pela na Voz do Brasil, único contato dos seringueiros com a civilização ? Que eu era contra o FMI; contra os banqueiros que só visavam o lucro; que defendia uma maior distribuição de renda no Brasil; que era preciso acabar com a fome, com a miséria, com a falta de luz e de casa para milhares de brasileiros.

O que eu tenho a dizer agora à Osmarina e a seus eleitores é que eu não mudei de trincheira, continuo acreditando nos mesmos princípios, continuo lutando pela transformação social deste país. No entanto, muito me entristece que ela, agora Marina, não esteja cumprindo o que prometeu ao velho seringueiro. Ela agora prefere garantir os interesses dos banqueiros.

 

 

Bira
Bira

Isso jamais aconteceu no Brasil: Grandes bancos pagam milhões para escapar à justiça

povo polícia banco hospital indignados

 

Escândalos bilionários voltam a manchar a banca internacional. Cinco bancos pagam mais de 4,5 mil milhões e as investigações prosseguem.

Inevitáveis e vãs como um voto de abstinência numa manhã de ressaca, as promessas de moralização, autodisciplina e regulação que bancos e supervisores fizeram após a explosão da crise de 2008 parecem ter caído em saco roto. O ano de 2012 fica marcado por vários casos de polícia envolvendo algumas das maiores casas da finança internacional.

O escândalo de manipulação da taxa interbancária Libor é o que mais bancos atinge. HSBC, Royal Bank of Scotland e Barclays do Reino Unido, Citigroup e JP Morgan dos Estados Unidos, Deutsche Bank da Alemanha e UBS da Suíça, entre outros, são suspeitos de apresentarem estimativas artificialmente reduzidas dos juros que pagam para emprestarem dinheiro entre si, dados que são compilados pela Associação Britânica de Banqueiros (ABB) para estabelecer o valor da Libor, equivalente britânico da Euribor. Desta forma, tentaram apresentar uma falsa imagem de saúde financeira perante os nervosos mercados, mas o estratagema visava também um lucro rápido para os bancos e para vários dos seus administradores.

As investigações do Departamento de Justiça dos EUA e dos reguladores britânicos, suíços e nipónicos indicam pagamentos de subornos e falsificação de documentos. Até ao momento, UBS e Barclays são os bancos mais castigados. A instituição suíça aceitou pagar este mês uma multa recorde de 1,1 mil milhões de euros para arquivar o processo internacional de que é alvo. O Barclays pagou 340 milhões, foi penalizado pelas agências de rating e viu os seus CEO e chairman apresentarem a demissão e responderem perante o Parlamento britânico. Dois corretores britânicos implicados no caso, Tom Hayes e Roger Darin, poderão ainda responder em tribunal nos EUA, que requerem a sua extradição.

A Libor, a que estavam indexadas trocas globais de um total de 275 biliões de euros, perdeu o seu estatuto de taxa de referência e a ABB deixou de estar responsável pelo seu cálculo.

Na Europa Continental, as atenções viram-se agora para a Euribor. Segundo o Wall Street Journal, a Comissão Europeia investiga o lóbi bancário do Velho Continente por suspeitas de manipulação daquela taxa. Société Générale, Crédit Agricole, Deutsche Bank e HSBC são referidos como possíveis implicados. Na Ásia, os reguladores sul-coreanos, japoneses e singapurenses também investigam um caso similar ao que eclodiu na City londrina.

Terroristas e traficantes

O HSBC também protagonizou outro dos escândalos financeiros do ano. O banco britânico admitiu este mês que permitiu inadvertidamente que barões do narcotráfico mexicano depositassem e lavassem milhares de milhões de euros naquela instituição durante a década passada. Se tal resultou da ausência de mecanismos de controlo ou de conluio criminoso é algo que nunca se apurará cabalmente – o banco pagou 1,4 mil milhões de euros aos reguladores norte-americanos para encerrar o caso. No Reino Unido, o caso ganha especial relevância política, já que o actual ministro conservador para o Investimento e Comércio Stephen Green liderava o HSBC à altura dos factos.

Também o britânico Standard Chartered pagou 500 milhões nos EUA para arquivar um processo em que era suspeito de ter violado sanções internacionais através do financiamento de entidades iranianas.

Na Alemanha, os arranha-céus que albergam a sede do Deutsche Bank em Frankfurt foram visitados duas vezes este mês por centenas de agentes da polícia e de inspectores do fisco germânico. Numa das rusgas às torres gémeas, quatro pessoas foram detidas por eliminar milhares de emails e registos requeridos pela justiça. São vários os escândalos que abalam o maior banco privado alemão. Três antigos funcionários declararam recentemente aos reguladores norte-americanos que a instituição escondeu perdas de 9,2 mil milhões de euros para escapar a um resgate estatal – o Deutsche Bank nega a alegação. As autoridades investigam ainda um esquema de fraude fiscal em carrossel que envolverá o banco e várias empresas através da troca de créditos de emissão de dióxido de carbono. O Estado germânico terá sido lesado em centenas de milhões de euros. Este mês, a justiça alemã condenou ainda o banco a indemnizar os herdeiros do falecido e falido magnata dos media Leo Kirch numa soma de até 1,5 mil milhões de euros pelo seu papel no colapso financeiro do grupo Kirch.

Acusando a pressão da polícia e do fisco, o co-presidente do banco, Jürgen Fitschen, telefonou ao primeiro-ministro do estado germânico de Hesse a condenar a actuação indiscreta das autoridades. A conversa terminou nas páginas da Der Spiegel, e agora é a classe política alemã que ataca a cúpula dirigente do Deutsche Bank.

Em Frankfurt, Londres ou Nova Iorque, os grandes banqueiros repetem mais uma vez promessas de uma reflexão sobre os erros cometidos, de colaboração com a justiça e de criação de novos mecanismos de controlo._Mas, e também mais uma vez, cidadãos, políticos e analistas dão pouco crédito às suas palavras.

pedro.guerreiro@sol.pt

Josetxo Ezcurra
Josetxo Ezcurra

Ladrões venderam a Vale do Rio Doce. O maior roubo da história mundial

Os bons negócios do JP Morgan com Verônica Serra e com o homem da Citco, a empresa do Caribe

Entregaram a Vale do Rio Doce para os piratas por 2 bilhões e 200 milhões. Acontece que a Vale vale muitas vezes mais. Quanto essa quadrilha embolsou? Quanto o Brasil perdeu?

A Vale vale mais de 3 trilhões.

O Ficha Corrida comprova como aconteceu esse assalto. Esse crime contra a soberania do Brasil:
Vamos contar duas histórias, que estão à espera do nosso famoso “jornalismo investigativo”.

História N°1:

No dia 1° de fevereiro deste ano, a edição digital do jornal Monitor Mercantilpublicou:

“A One Equity Partners (OEP), braço de investimentos do banco J.P.Morgan, acertou a aquisição de 50% do Portal de Documentos, empresa brasileira que fornece soluções de gestão integrada nos serviços de cobrança de crédito”“

Cinco dias antes, a Portal de Documentos, até então uma empresa limitada, com capital social de R$ 200 mil, transformara-se em Sociedade.

Naquele 1° de fevereiro, a Portal de Documentos realiza uma assembléia, mas não há transferência de cotas para a OEP ou para o JP Morgan. Há, porém a eleição de dois cidadãos americanos como conselheiros administrativos: Bradley J.Coppens e Christian (que está grafado como Christina na Junta Comercial) Patrick Raymond Ahrens, ambos diretores da empresa de investimentos ligada ao JP . Amos fornecem CPF errado e indicam como residência Strawinskylaan 1135, NL-1077, a sede do JP Morgan na Holanda, embora o banco possua uma aqui, e muitos negócios no Brasil, como a compra, em outubro de 2010, da Gávea Investimentos, de Armírio Fraga, ex-presidente do BC no Governo FHC.

Na mesma assembléia, Bradley e Arhens nomeiam sua procuradora com plenos poderes.

A Sra. Verônica Allende Serra

História N°2:

Era uma vez três empresas modestas.

A Dernamo Participações Limitada, a mais rica de todas, com capital social de R$ 1.000,00 e duas outras, bem modestas, a Gurham Participações Ltda. e a Hemath Participações Ltda, cada das duas com R$ 100 (cem reais, não cem mil) de capital registrado.

Todas foram criadas por um escritório de despachantes, o Serpac – Serviços Paralegais e Contábeis – atualmente chamada TMF – que, criado em 2007 com capital de R$ 100 mil, pulou para mais de R$ 820 mil em em 2009.
Mas voltemos às três empresinhas.

Em junho de 2009, o J.P. Morgan Trustee and Depositary Company , de Londres, compra 99% da Dermano, por R$999. Em março de 2010, faz o mesmo com a Gurham e com a Hemath, pagando 99 reais por cada uma.

E aí, quem é nomeado administrador da empresa, que passa a chamar-se Select Brazil Investimentos Imobiliários?

Sim, ele, o multihomem, José Tavares de Lucena, que é o representante brasileiro da Citco do Caribe e gestor das empresas de Paulo Henrique Cardoso, o PHC: a Radio Holdings e a Rádio Itapema, a famosa Rádio Disney, em sociedade com a Walt Disney Corporation, sob o nome de ABC Venture Corp.

Com ele, o outro administrador da rádio PHC, Jobiniano Vitoriano Locateli.

E aí a empresa é capitalizada em mais de R$ 18,9 milhões!

A mesma coisa aconteceu com a Ghuram e a Hemat, mas em escala ainda maior. Dos R$ 100 de capital social que cada uma tinha, passou-se, de uma só tacada, para R$ 57.134.999,00 na Ghuram e para R$ 54.977.782,00 na Hemath.

Que destino será que tomaram estes mais de R$ 130 milhões vindos de fora,justo em 2010?

As três empresas são renomeadas, neste processo, como Select Brazil Investimentos Investimentos Imobiliários – I, II e III – e cada uma tem um real (isto mesmo, R$ 1) de participação da Select Brazil Nominee Limited, com sede em Londres, mais precisamente no escritório de advocacia Addleshaw Goddard & Co ., se estiver correto o endereço fornecido.

Dois contadores, diga-se, que vivem em casas modestas, considerando que o primeiro é administrador, diretor ou conselheiro de 66 empresas e o segundo de 204 empresas, a grande maioria com participação de capital estrangeiro.

PS:os documentos, que é só clicar e ampliar e  todas as informações societárias foram obtidas dos arquivos online da Junta Comercial de São Paulo. São públicos. Basta fazer o cadastro e pesquisar.  Ou isso será pedir muito ao “jornalismo investigativo”?

Os peixes grandes vão aparecendo

Daqui a pouco, aqui neste Tijolaço, duas histórias exemplares de como se fazem negócios no Brasil.

Nas duas, um personagem comum: o JP Morgan.

Que tem como procuradores Veronica Serra e José Tavares de Lucena, o gestor da Citco – a lavanderia do Caribe – no Brasil.

Veja os documentos que provam as sacanagens dessas almas sebosas.