Papa Francisco: A corrupção tem como consequência o empobrecimento de famílias, aposentados, trabalhadores honestos, “descartando os jovens, marginalizando os mais frágeis e necessitados”

O convite a não ser tímidos nem irrelevantes ao repudiar e debelar uma difundida mentalidade de corrupção» foi dirigido pelo Papa na abertura — a 18 de Maio — dos trabalhos da 68ª assembleia geral da Conferência episcopal italiana.

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No discurso proferido na sala do Sínodo, que precedeu o debate a portas fechadas que se prolongou por duas horas, o pontífice denunciou o persistir da corrupção no âmbito público e privado que tem como consequência o empobrecimento, «sem vergonha alguma», de «famílias, reformados, trabalhadores honestos, descartando os jovens e sobretudo marginalizando os mais frágeis e necessitados».

Comentando o tema dos trabalhos, centrados na exortação apostólica Evangelii gaudium, Francisco observou que «a alegria do Evangelho neste momento histórico em que muitas vezes vivemos circundados de notícias desanimadoras, de situações locais e internacionais que nos levam a experimentar a aflição e a tribulação», a vocação dos bispos deve consistir em «ser testemunhas alegres do Ressuscitado».

Oferecendo algumas sugestões para a reflexão dos prelados, o Papa frisou antes de tudo a importância da sensibilidade eclesial, ou seja, do «apropriar-se dos mesmos sentimentos de Cristo, de humildade, compaixão, misericórdia, gestos concretos e sabedoria». Depois, recomendou que «vão ao encontro do povo de Deus para o defender das colonizações ideológicas que o privam da sua identidade e dignidade humana», desejando que «nas opções pastorais e na elaboração dos documentos» não predomine «o aspecto teórico-doutrinal abstracto. Ao contrário – disse – devemos promover propostas concretas e compreensíveis». Enfim, constatou uma «alastrada debilitação da colegialidade» e criticou a tendência a deixar envelhecer institutos religiosos e mosteiros que contudo poderiam ser unidos.

Doze assassinatos covardes. A polícia lava as mãos de sangue

 

 

 

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Mortes de doze rapazes ocorreram há quase dois meses, após operação policial na comunidade da capital baiana

 

 

Os laudos cadavéricos produzidos pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia apontam que as doze vítimas da operação policial, que ficou conhecida como Chacina do Cabula, em Salvador (BA),  foram executadas. As informações são do jornal baiano Correio.

De acordo com os relatórios, parte dos disparos foi realizada de cima para baixo. Além disso, alguns dos rapazes baleados apresentam perfurações na palma da mão, braços e antebraços. As análises indicam ainda que a maioria possuía pelo menos cinco marcas de tiros — alguns deles disparados a curtas distâncias, de menos de 1,5 metro.

Em um dos casos, as perfurações em um dos suspeitos dá a entender que o projétil entrou pela base da cabeça e saiu pelo queixo. Consultada pelo Correio, uma fonte ligada à investigação declarou que disparos desse tipo ocorrem normalmente quando as vítimas foram mortas em posição de defesa, e afirmou que há “sinais evidentes de execução”.

Também procurado pela reportagem, um perito baiano que preferiu permanecer anônimo disse que os diparos de cima para baixo indicam “que a pessoa morta está numa região mais baixa do que quem atirou”. “Isso subentende que a pessoa baleada estava deitada, agachada ou ajoelhada”, adiciona. Quanto aos corpos com marcas de perfurações no antebraço e braço, a situação sugere que a pessoa deve ter sido “pega de surpresa e que por isso elevou o braço”.

Relembre o caso

Chacina da polícia petista
Chacina do Cabula 

As doze mortes ocorreram há quase dois meses, na madrugada do dia 6 de fevereiro, durante ação levada a cabo por policias militares das Rondas Especiais (Rondesp). A versão da PM é a de que o grupo – suspeito de planejar um assalto a uma agência bancária –, ao perceber a chegada das viaturas, disparou em direção a elas. Em resposta, os agentes teriam iniciado o tiroteio. Os homens fugiram e adentraram um matagal, onde se encontravam outros integrantes da quadrilha, em um total de trinta pessoas. A ocorrência deixou, ao todo, 16 baleados.

No entanto, os moradores da comunidade de Vila Moisés, onde tudo aconteceu, contam outra história. Testemunhas afirmam que os “suspeitos” foram executados. “De repente, ouvi rajadas. Me abaixei. Quando ouvi que não tinha mais nada, todos os rapazes estavam no chão”, contou um dos moradores da região.

 

Brasil encarcera muito, mas prende mal. Criminosos violentos e ladrões do dinheiro público ficam livres

Presos por corrupção apenas 0,1%

Metade dos presos é acusada de crimes contra o patrimônio; só 0,5% responde por crimes contra a administração pública
Metade dos presos é acusada de crimes contra o patrimônio; só 0,5% responde por crimes contra a administração pública

Os condenados por corrupção no julgamento do mensalão, como o ex-ministro José Dirceu, o empresário Marcos Valério Fernandes e os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT), João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP), vão reforçar uma estatística reveladora do sistema penitenciário brasileiro. Das 548 mil pessoas que superlotam as unidades prisionais do país, somente 722 estão lá acusadas de terem praticado corrupção. Isso equivale a 0,1% do total de presos no Brasil, entre aqueles que já cumprem algum tipo de pena ou aguardam o julgamento na prisão.

Amarildo
Amarildo




Por outro lado, na mesma época, 38 mil pessoas (7%) acusadas de praticar furto, que é a subtração de coisa alheia sem uso de violência ou ameaça, dividiam a cela com criminosos violentos, como estupradores e assassinos. Na avaliação de juristas ouvidos pelo site, os dados oficiais indicam que o Brasil encarcera muito, mas prende mal. Encarcera pessoas acusadas de crime de menor potencial ofensivo e deixa de fora denunciados por crimes violentos e de roubar o dinheiro público.


A pesquisa anual do Depen, que deve ser atualizada em janeiro, escancara como o Estado brasileiro ainda tem dificuldade para punir os crimes contra a administração pública, dos quais a corrupção e o desvio de dinheiro público fazem parte. Os crimes contra a administração são responsáveis por levar à prisão apenas 2.703 pessoas – o equivalente a 0,5% de todos os presos do país. Ainda assim, houve um crescimento de 133% nas prisões por essa categoria de crime nos últimos quatro anos.


Distrito Federal


Em dezembro do ano passado, apenas seis pessoas estavam presas no Distrito Federal por corrupção passiva (funcionário público que recebe propina) ou peculato (desvio ou apropriação de recurso público por servidor em razão do cargo que ocupa), outra modalidade de crime contra a administração pública. Mais seis eram acusadas de corrupção ativa, ou seja, de ter tentado corromper um agente do Estado. Esse número mais que dobrou nos últimos dias, com a prisão dos condenados no processo do mensalão.


Entre os 25 réus considerados culpados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento, 19 foram condenados por corrupção (oito por corrupção ativa e 11 por passiva). Nove deles estão presos em Brasília: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcellos, Romeu Queiroz e Jacinto Lamas.


Também foi condenado pelo crime o ex-diretor do Banco Central Henrique Pizzolatto, atualmente foragido da Justiça. A ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello e o ex-executivo da instituição José Roberto Salgado também estão detidos. Mas cumprem pena por outros crimes (lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha). Veja as penas dos condenados no mensalão

Veríssimo justiça PT PSDB tucano versus petista



Contra o patrimônio


Eles, porém, são exceção. Quase metade dos presos brasileiros (49%) é acusada de ter cometido crimes contra o patrimônio, como furto, roubo, extorsão, estelionato, latrocínio e apropriação indébita. Outros 24% estão presos por tráfico de drogas, e 12% são acusados de crimes contra a pessoa, como homicídio e sequestro. “Continuamos prendendo muita gente errada. Apenas o criminoso violento tem de estar lá. O sistema penitenciário só ensina a pessoa a ser violenta”, critica o ex-juiz e ex-promotor Luiz Flávio Gomes, professor de Direito Penal e Processo Penal. “Muita gente não precisava estar na cadeia, mas está. Vai explodir o sistema carcerário brasileiro”, acrescenta.


Para o coordenador da Comissão Pastoral Carcerária, padre Valdir João Silveira, a prisão de políticos abre caminho para que o país conheça a realidade trágica do sistema carcerário. “Conhecer os porões dos cárceres é novidade para a sociedade mais alta, mais rica, mas não para os pobres”, diz o coordenador da entidade ligada à Igreja Católica.


Luiz Flávio Gomes diz que o baixo índice de prisões por corrupção no Brasil é histórico. “Esse crime sempre teve privilégio porque envolve pessoas com status, não envolve o pobre. Nunca foi diferente”, afirma o especialista. Ainda assim, o número de presos por corrupção pode ser considerado “o maior da história” do país, avalia. “Nunca foi mais do que isso.”



Condenado a empobrecer


Como solução, o ex-magistrado defende uma posição polêmica: em vez de irem para a cadeia, os condenados por corrupção no Brasil deveriam ser condenados à miséria, na opinião dele. “A corrupção não é um crime violento e nunca deveria dar cadeia. Nunca. Deveria existir uma pena de empobrecimento, deixar o corrupto pobre. Hoje, o corrupto é preso e continua rico”, critica. “Corrupção não provoca temor. Gera indignação. A sociedade não tem medo do corrupto”, reforça.


Coordenador do Movimento Paraná Sem Corrupção, o promotor Eduardo Cambi defende que os crimes contra a administração pública sejam tratados como hediondos, ou seja, passíveis da punição mais rigorosa possível. Segundo ele, a falta de punição para os casos de corrupção e desvio de dinheiro público servem de estímulo para novas fraudes ao erário, retirando recursos de áreas essenciais, como saúde e educação.


“O Brasil não é o país da impunidade. Mas aqui não se pune com regime fechado os crimes mais graves. Se não mudarmos esse perfil, os sistemas judiciário e policial brasileiro vão trabalhar para fazer controle social do pobre”, afirma.


Sistema seletivo


Integrante da Associação Juízes para a Democracia (AJD), Luís Carlos Valois também entende que a punição é seletiva no Brasil. “O sistema prisional está abarrotado de gente pobre. Todos os traficantes presos são pobres. São bodes expiatórios para a população achar que o sistema prisional resolve. Eles estão misturados com homicidas. É um absurdo”, critica o juiz, titular da Vara de Execuções Penais em Manaus e defensor da descriminalização das drogas.


Para ele, o país precisa discutir um novo modelo de punir seus cidadãos. Mas não pode depositar as esperanças de resolver problemas sociais no Direito penal. “Daqui não vai sair solução alguma de problema social. Direito penal é consequência de uma falta de estrutura. Só ameniza uma situação negativa. É como tomar remédio pra dor de cabeça, é só analgésico”, compara Valois. O magistrado defende a maior aplicação de penas alternativas para desafogar o sistema penitenciário e favorecer a reinserção de pessoas acusadas de crime na sociedade.


“A prisão é a pior das soluções. É deletéria, destrói o cara, que sai de lá pior. Hoje é utópico falar em fim da prisão, que faz parte do sentimento popular. Mas o sistema penitenciário não serve para nada, nem aqui nem em lugar algum do mundo. Ninguém vai aprender em viver em sociedade preso. Ninguém vai aprender jogar futebol treinando em elevador”, avalia Valois.

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Fonte: Congresso em Foco

Transcrito do Fenapef

Cruel pedagogia

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Percival Puggina

Do alto de seus vinte anos, os jovens contemplam a vida como quem, do alto de uma montanha, observa, extasiado, o mundo ao seu redor. Horizontes amplos, infinitas trilhas e 360 graus de possibilidades. Nessa idade, eu me lembro muito bem, a vida é eterna e a esperança infinita. Só os avós morrem quando se tem vinte anos. O velório de um jovem é inconcebível ruptura com a ordem natural. Contudo, a morte espreita a juventude com olhos cobiçosos. Enquanto os idosos morrem porque chegou a hora, porque dar adeus à vida terrena é próprio da velhice, os jovens morrem de infinitas maneiras, revelando inesperada vulnerabilidade.

Idosos morrem porque não podem alterar o curso da vitalidade que se extingue. Jovens, porém, morrem desnecessária e superfluamente, por motivos que poderiam ser evitados. Essa é a tragédia das tragédias cotidianas. Ir-se assim, sem que nem porquê? Jovens morrem nas ruas, nas estradas, nas brigas entre gangues, na lenta e dolorosa morte das drogas, nas madrugadas onde a violência espreita, nas infames brigas por motivos fúteis. Morrem nas aventuras e travessuras, na terra, na água e no ar. Por isso pais e mães carregam no peito uma incompreendida e permanente aflição. A respiração para quando o telefone toca e para quando o telefone não toca. Paranóicos, nós? Não, não. Simplesmente pais cuidadosos de filhos incautos, que creem haver bebido a imortalidade no cálice da juventude.

As grandes catástrofes carregam em seu script uma pedagogia brutal. Há nelas uma lição sobre o que não fazer. Sua dissonante partitura se faz com notas que pedem atenção e reflexão. Desafortunadamente, numa espécie de autodefesa, cerramos os olhos e os ouvidos. E pouco aprendemos com as lições que nos vêm dos sinistros e dos escombros.

Por isso escrevo com a esperança de que a crudelíssima pedagogia dos fatos do dia 27 mostrem aos nossos jovens que nós, os pais, não somos coroas paranóicos a vislumbrar perigo ali onde tudo indica morar a felicidade e a alegria. Por isso escrevo confiando em que os jovens não pressuponham que as autoridades fazem sempre, em toda a parte, tudo que lhes compete para garantir a sua segurança. Não! Muitas vezes é o contrário. Por isso escrevo desejando que os jovens, diante de tão sofrida experiência, valorizem o dom maravilhoso da vida como uma dádiva frágil a exigir prudência e atenção. As alegrias dos filhos serão maiores e as aflições dos pais serão menores se, doravante, filhos e pais forem severos fiscais da própria segurança onde quer que estejam.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

Santa Maria. “Há uma imagem comum nessas tragédias”

CARPE DIEM

por Talis Andrade

Escasso o tempo

de nossa passagem

.

O corpo

que se abraça

agourado corpo

.

Como viver o amor

se no corpo amado

antevemos o cadáver

.

Os que a morte alenta

o tempo possui um arrastar

monótono e lento

.

O tempo corre célere

para as flores

os pássaros

.

O tempo corre célere

para os jovens

que os deuses amam

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EM MEMÓRIA DOS MORTOS DE SANTA MARIA

O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino

 

por Leonardo Boff

Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.

Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas  um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!

Não foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.

O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.

Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrentá-las e ser mais forte que elas.

O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.

Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.

Assim é com todos os que morrem. O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.

Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las.  Alegram-se por estarem em casa,  no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.

(Em memória dolorida e esperançosa dos jovens mortos em Santa Maria na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013).

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ERAN TODOS MUY JÓVENES

por Eric Nepomuceno

 

 

Hay una imagen común en esas tragedias: la inmensa cantidad de zapatillas de tenis amontonadas en algún rincón. Y también los teléfonos celulares abandonados. En el incendio en el club nocturno Kiss, de Santa María, interior de Rio Grande do Sul, eso se repitió. Cuando los bomberos lograron entrar en el lugar, sorteando cadáveres y cuerpos en agonía, se encontraron con los celulares sonando. Alguien llamaba para tener noticias. Uno de los celulares registraba 104 llamadas, 104 intentos angustiados de dar con su dueño. No se sabía, al final de la noche de ayer, si ese dueño –o dueña– estaba entre los 230 muertos.

Hay escenas comunes en las tragedias colectivas. Pero en esa de Santa María un dato llamaba la atención: eran todos muy jóvenes. Las imágenes grabadas por cinegrafistas amadores, con celulares, imágenes veloces, fuera de foco, movidas, eran el mejor retrato del vértigo del horror.

En uno de esos videos pasa una joven de pelos lacios y ojos inmensos, con una blusa blanca y una minifalda color vino. La muchacha mira hacia la nada. Busca algo, busca nada. Un muchacho igualmente joven, sin camisa, con un tatuaje en el hombro izquierdo, se lanza al suelo y vuelve con una chica en brazos. Busca, aturdido, socorro. Alguien le indica una ambulancia, a dos pasos, que él no había logrado ver. Sobre la vereda, una muchacha de minifalda negra está tendida. Otra muchacha, flaca y rubia, le golpea el pecho, en un intento tan desesperado como vano de hacer un masaje cardíaco. Una voz grita en la oscuridad, fuera del foco: “¡Mi hermano! ¿Dónde está mi hermano?”.

Nadie sabe con certeza cuánta gente había dentro del club nocturno. Entre 1200 y 2000 personas. Todos muy jóvenes. Casi todos universitarios. Santa María, en pleno centro de Rio Grande do Sul, es polo de atracción de jóvenes de todo el estado. Era una conmemoración de principio del año lectivo.

Una banda local animaba la fiesta. Súbitamente, uno de los músicos prendió una bengala, para entusiasmar a los muchachos. El fuego se extendió hacia el techo. Y ocurrió la tragedia. Primero, los de la seguridad de Kiss quisieron impedir la salida, creyendo –dijo uno de los sobrevivientes– que era un truco de un grupo para salir sin pagar. Cuando se dieron cuenta, era tarde. Al menos tres de los de la seguridad murieron.

Poca gente murió quemada. Casi todos los muertos fueron asfixiados. No había salida de emergencia. O mejor, había varias, pero estaban cerradas con candado. No había señales indicadoras de esas salidas. Muchos entraron en los baños creyendo que saldrían a la calle. Murieron asfixiados, amontonados, pisoteados.

Ha sido la mayor tragedia de Brasil en los últimos 52 años, superada por el incendio del Gran Circus Norteamericano en Niterói, estado de Rio, que era un simple circo suburbano de nombre pomposo, en 1961, cuando murieron calcinadas 503 personas. Ahora, con lo de Santa María, el país se paralizó, horrorizado.

La presidenta Dilma Rousseff interrumpió su viaje oficial a Chile y voló directo hacia la ciudad, para intentar consolar y confortar a los familiares de las víctimas. El gobernador Tarso Genro hizo lo mismo. Y el alcalde, Cezar Schirmer, decretó duelo oficial por 30 días.

En búsqueda de lo humano

Por Osvaldo Bayer

 

En la Europa de hoy, después de tantas experiencias capitalistas, la profunda crisis sigue dándole empuje al debate. Los economistas de todas las tendencias han salido a la palestra. Es el tema de hoy (aunque pareciera ser el de siempre).

Pero en los diarios aparece justo una noticia que nos devuelve al pasado de las religiones. Un título a cuatro columnas del diario de Bonn, General Anzeiger: “Hace 370 años fue quemada en la hoguera la bruja reina de Bruchhausen”. Sí, la Iglesia Católica ordenó que fuera quemada viva esa mujer sospechada de “bruja”. Todo se inició porque la citada –de clase noble– se casó con un peón de campo contra todas las normas aristocráticas de la época. Hubo entonces que degradarla. Se la acusó de bruja. Luego de varias jornadas de brutales torturas fue condenada a la hoguera porque su conducta iba en contra de las normas de Roma.

La Historia recuerda a esa mujer. Con su muerte brutal y más que injusta e irracional ha pasado a la memoria de hoy. A sus ejecutores no se los recuerda como defensores de la fe sino como brutales asesinos.

Pero no hay que recurrir a épocas muy anteriores para encontrar esos crímenes. En Berlín ha quedado inaugurada la exposición acerca de los más de diez mil niños discapacitados que fueron entregados durante el nazismo a médicos, psiquiatras y profesionales afines para que realizaran investigaciones y, luego de ellas, esos niños fueron muertos en cámaras de gas. Esos niños habían sido clasificados como “vidas sin valor”. La exposición está organizada por la Sociedad Alemana de Medicina Juvenil e Infantil y se lleva a cabo en el Centro de Documentación “Topografía del Terror”. “No se trata de delitos de investigación médica sino simplemente de crímenes contra la humanidad”, señaló el historiador Thomas Beddie, que realizó su labor en el Clínica Universitaria Charité de la Universidad de Berlín. Sí, crímenes llevados a cabo entre 1939 y 1944. Los argentinos tenemos crímenes parecidos: el robo de niños a las mujeres presas embarazadas. Al nacer, esos niños eran entregados principalmente a matrimonios de militares y policías sin hijos, mientras que sus madres, después de dar a luz, eran arrojadas vivas hacia el mar desde aviones militares. El horror, eso indescriptible de estos dos casos del espanto llevados a cabo por seres llamados humanos.

Europa está mostrando otro rostro que antes no se le conocía, el alcoholismo de los jóvenes y muy jóvenes. Los encuentros para “darle al trago” en las estaciones de ferrocarril y en las plazas, pero también en los atrios de las iglesias ya abandonadas. Siempre a altas horas de la noche y en las madrugadas. Esos “encuentros” del trago terminan casi siempre con grandes alborotos agresivos donde distintos grupos se atacan entre sí. La discusión ha comenzado en todos los gobiernos y Parlamentos provinciales: ¿se prohíben o no las reuniones en plazas públicas de gente que se dedica solamente a beber? La solución es difícil porque, de prohibirse esos encuentros, esa juventud buscará otros lugares donde no pueda vigilársela. Otros impulsan la prohibición de bebidas de alto contenido alcohólico o, mediante impuestos, aumentar tres o cuatro veces su valor comercial. Pero es sabido que sólo con prohibiciones y multas no se va al fondo de la cuestión. La pregunta a responder es ¿por qué en toda Europa, y no sólo ahí, la juventud ha tomado esa especie de “moda” que ha invadido todos los centros y barrios de las ciudades más populosas? ¿Qué le falta a esa juventud que ha resuelto volcarse al alcohol masivamente? Una tarea no sólo para políticos y médicos sino principalmente para sociólogos y psicólogos. Ya se están programando congresos de docentes para discutir principalmente este nuevo problema de las sociedades “civilizadas”, que es tema de todos los días en la prensa. Luego de un largo debate, el periodista Bernd Eyermann del diario General Anzeiger, de Bonn, señala: “Lo fundamental en este caso es la prevención, sobre todo en los niños; desarrollar la idea que el consumo de alcohol nunca puede ser una solución para nada. En esto los padres están ante una gran responsabilidad y tienen que ser el modelo más importante para el futuro de sus hijos”. A esto agregaríamos: y también la responsabilidad de lograr una sociedad basada en principios de ética inviolables. Y no entregarles a los hijos una sociedad donde algunos tienen castillos y acciones en todos los mundos y en su propio país hay gente sin trabajo.

En un estudio muy actual realizado en Alemania se señala que “mientras cada séptima familia alemana está amenazada de pasar al nivel de pobreza, ese porcentaje, en las familias inmigrantes, ha subido al 29 por ciento”. Y el estudio comprueba que eso se refleja en la estadística de los hechos criminales cometidos. La pregunta que cabe aquí es: ¿ha estudiado el sistema cómo combatir esta diferencia, o más, cómo terminar con esa población bajo el nivel de pobreza? Creemos que esta tiene que ser la meta fundamental de la política.

Y esto no es todo, el mismo día en que apareció el estudio anterior en los diarios, llegó esta información desde Roma: “Los precios de los alimentos, más caros que nunca” y, como subtítulo: “Han subido a un precio record en el año 2011”. Esto lo comunica la FAO, la Organización para la Alimentación y la Agricultura, en su último documento. En él se agrega la siguiente comprobación: “El desarrollo del 2012 no se puede predecir debido a la situación insegura de la economía mundial y de los tratamientos en los mercados energéticos y de cambio monetario”.

¿Cómo es posible esto en un mundo que a través de los siglos de su existencia ya tendría que estar organizado? ¿Qué dicen los economistas de todo el mundo a esto? Se sigue apostando a la ganancia. No a la paz interna y a los derechos de todos.

Transcrevi trechos

Tahrir. Una plaza sin jefes, órdenes, capitanes ni jerarquías

 

EN EL EMBLEMATICO ESPACIO PUBLICO FRENTE A LA SEDE DEL GOBIERNO EGIPCIO SE DECIDE EL FUTURO DE UN PAIS QUE QUIERE DEMOCRACIA

Manifestantes rezan
Manifestantes rezan

Los guerreros de plaza Tahrir tienen entre 20 y 30 años y ya van por su segunda revolución. Los une una fraternidad a toda prueba y un coraje capaz de desafiar a cualquier soldado de elite de un ejército profesional.

Los guerreros de la plaza

Tahrir no le tienen miedo a nada. Los potentes gases lacrimógenos que tira la policía tienen una carga letal denunciada por todas las ONG internacionales, pero ellos se pasean entre el humo como si fuera un jardín. “Ya estamos acostumbrados a los palos, las balas de goma, las corridas y el humo. No nos amedrentarán con eso”, dice Ali. Los grupos que protegen la plaza se mueven de manera despareja pero con la misma función: impedir que la policía entre y los desaloje: “Este es el espacio de nuestra revolución. Mientras permanezcamos acá, la revolución sobrevivirá”, afirma Abdel Gamal.

Vista aerea plazaTahrir esta noche
Vista aerea plazaTahrir esta noche

Para los guerreros de Tahrir, eso significa algo muy profundo: “Quiere decir que un movimiento popular y nacional es una expresión de soberanía y de legitimidad mucho más válida y transparente que los arreglos a espaldas del pueblo entre los militares y los políticos del viejo sistema”. Tahrir se prepara ya a una nueva velada revolucionaria. Sus defensores escrutan atentos los movimientos de la policía. Se mueven como felinos pacíficos, auténticos guerreros que protegen su legitimidad y el territorio conquistado a pesar de las heridas, de los golpes, de las diferencias entre ellos, de la amenaza inminente de una nueva barbarie policial. A su manera juvenil y comprometida, los guerreros sin armas de Tahrir son los guardianes de un sueño universal siempre inconcluso, siempre distorsionado. Aquí, en este espacio ya lamido por la luz de la luna se juega una partida que excede los espacios de la plaza. En Midan-Tahrir confluyen muchas cosas: estaciones de metro, avenidas importantes y la imagen del Egipto eterno con el Museo Egipcio rebosante de las maravillas más hermosas de la civilización de los faraones. Del otro lado está el pasado con el edificio ennegrecido por las llamas de la sede del partido de Hosni Mubarak, incendiado en enero apenas se inició la revuelta que lo derrocó. En el centro de la plaza está el presente y el aún incierto futuro. La democracia o la dictadura. Leia mais. Por Eduardo Febbro. Desde El Cairo