Gilmar, um ministro de bengala, defensor dos corruptos e corruptores tucanos

por Gilmar Crestani
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Atendendo solicitação de FHC, Gilmar Mendes, assim como fizera com Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres, Daniel Dantas, Roger Abdelmassih, continua sua luta solitária protegendo corruptos e bandidos.

[E doleiros da raça de um Naji Nahas, de um Alberto Youssef]

 

Por que a mídia protege corruptores do PSDB?

 

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A pergunta que não quer calar: Quando se trata de corrupção, por que a velha mídia não cobra dos grandes grupos empresarias tanto quanto cobra dos partidos? Agora que passaram as eleições, Aécio Neves não precisa mais explicar a construção de aeroportos nas fazendas da família? Imagine o que diriam os A$$oCIAdos do Instituto Millenium se Dilma tivesse beneficiado alguém de sua família como faz Aécio Neves em relação aos seus familiares empregados por ele quando governador?!

A corrupção corporativa nasceu com Cabral trocando espelhinho. De lá para cá, toda vez que um corruptor era preso, havia um Gilmar Mendes para dar, contra todas as provas, dois habeas corpus em menos de 24 horas. O histerismo do PSDB com a corrupção instalada na Petrobrás vem de seus finanCIAdores. É por aí que se explica porque o PSDB prefere o financiamento privado ao financiamento público. Mesmo estando 6 x 1, quando não havia mais votos para provar o contrário, Gilmar Mendes senta no processo que já está decido. Como Gilmar Mendes pretende mudar este placar? Corrompendo seus pares? Que tipo de negociata ele propõe para mudar este placar? Será que ele toma a si por parâmetro para julgar seus pares? Por que as derrotas impostas a ele no TSE levou-o a chamar o TSE de Tribunal Nazista [para defender o governador ladrão José Roberto Arruda]? A tentativa da PEC da Bengala tem a ver com o domínio do PSDB nas cortes superiores.

Assim como todos os partidos tinham operadores na Petrobrás, o PSDB tem Gilmar Mendes no STF.

Por que Aécio está histérico? 5 empreiteiras da Lavajato dividiram obras da Aéciolândia

 

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Nas últimas entrevistas de Aécio Neves (PSDB), ele aparece praticamente histérico tentando pautar desesperadamente a mídia na operação Lavajato para atacar o governo Dilma, uma forma de afastar os holofotes dos tucanos. Mas vai ser difícil.
Como se não bastasse antecedentes tucanos na Operação Castelo de Areia, como se não bastasse a infiltração de corruptos na Petrobras vir do governo FHC, como se não bastasse o inquérito que liga Youssef à Cemig, basta olhar o caso da construção do palácio de governo de Minas na gestão de Aécio quando foi governador.
Para quem não se lembra, a “grande” obra de Aécio Neves (PSDB-MG) como governador de Minas, além dos dois famosos aecioportos, não foi construir hospitais, nem escolas técnicas, nem campus universitários. Foi um palácio de governo faraônico chamado Cidade Administrativa de Minas, cujo custo foi cerca R$ 2,3 bilhões (R$ 1,7 bi em 2010 corrigido pelo IGP-M). A farra com o dinheiro público ganhou dos mineiros até apelido de Aéciolândia ou Neveslândia.

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Além da obra ser praticamente supérflua para um custo tão alto, pois está longe de ser prioridade se comparada com a necessidade de investir em saúde, educação, moradia, mobilidade urbana, foi feita com uma das mais estranhas licitações da história do Brasil.
O próprio resultado deixou “batom na cueca” escancarado em praça pública, pois basta observar que dois prédios iguais foram construídos por dois consórcios diferentes, cada um com três empreiteiras diferentes.

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Ora, se um Consórcio ganhou um dos prédios com preço menor, teria que construir os dois prédios, pois nada justifica pagar mais caro pelo outro praticamente igual.

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Se os preços foram iguais, a caracterização de formação de cartel fica muito evidente e precisa ser investigada. Afinal por que seis grandes empreiteiras, em uma obra que cada uma teria capacidade de fazer sozinha, precisariam dividir entre elas em vez de cada uma participar da licitação concorrendo com a outra? Difícil de explicar.
O próprio processo licitatório deveria proibir esse tipo de situação, pois não existe explicação razoável. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

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No final das contas, 9 grandes empreiteiras formando três consórcios, executaram a obra. Cinco delas estão com diretores presos na Operação Lavajato, acusados de formação de cartel e corrupção de funcionários públicos.

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Em março de 2010 havia uma investigação aberta no Ministério Público de Minas Gerais para apurar esse escândalo. Estamos em 2014 e onde estão os tucanos responsáveis? Todos soltos. A imprensa mineira, que deveria acompanhar o caso, nem toca no assunto de tão tucana que é.

 

 

A República monarquista dos fichas sujas

Com a candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa, o ex-governador José Roberto Arruda decidiu , neste sábado 13, de azar para os brasilienses, lançar a mulher Flávia Peres, como candidata a vice-governador, numa chama encabeçada por Jofran Frejat. Todos os três são do Partido da República, PR.

Ficha suja é o neologismo para corrupto. No TRE, ficha suja corresponde à ficha corrida para ladrão na polícia, que incrimina os pobres.

Trocar Arruda pela mulher e um amigo do peito, subordinado e sócio, não muda nada.

O PR é um partido criado recentemente, mas sua história é do arco da velha. Veja in Wikipédia: Fundado em 24 de outubro de 2006, homologado no Tribunal Superior Eleitoral no dia 21 de dezembro de 2006. Seu presidente nacional é Alfredo Nascimento.

 História do Partido da República (PR)

Proclamação da Nova República
Proclamação da Nova República

A nova sigla uniu dois partidos: o Partido Liberal (PL) e o Partido da Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), que se fundiriam para atingirem a cláusula de barreira (derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, no final de 2006) e poderem gozar de todos os direitos que estariam reservados aos partidos que atingirem porcentagem de votos superior a 5% dos votos, até então exigida.

O partido tem forte formação político-ideológica do extinto Partido Liberal adotando assim o liberalismo social como base programática e situando-se na centro-direita do espectro político brasileiro.

O PL tinha como marca registrada o famoso Coro dos Escravos Hebreus da ópera Nabucco de Giuseppe Verdi, o Va Pensiero. Álvaro Valle, deputado fluminense que fundou o partido, era fã de óperas. O PL tinha como principal bandeira o Imposto Único. O número a ser adotado pelo Partido da República é o mesmo que era utilizado pelo PL: 22, sendo desativado o número 56 utilizado pelo Prona.

Principais nomes

Seus principais nomes são o ex-deputado José Marcos de Lima (atual secretário-geral do PR em Pernambuco e Secretário de Saneamento da Prefeitura da cidade do Recife), Inocêncio de Oliveira, o ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, o ex-governador do estado do Mato Grosso Blairo Maggi, o senador pelo Espírito Santo Magno Malta, o ex-prefeito da mais populosa cidade do Espírito Santo, Vila Velha, Neucimar Fraga, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e sua esposa a ex-governadora do Rio de Janeiro e atual prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho, o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e o atual Ministro dos Transportes, César Borges.

O PR tem também como filiado o deputado federal de maior votação nas eleições de 2010, o humorista Tiririca (PR-SP).

Ranking da corrupção

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, com os partidos com maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000.

O PR ocupa a sétima posição no ranking, com 17 cassações, atrás do DEM, PMDB,  PSDB, PP, PTB e PDT.

Arruda condenado

José Roberto Arruda foi condenado pelo Tribunal de Justiça do DF por improbidade administrativa no dia 9 de julho, em segunda instância, pelo envolvimento no esquema de corrupção conhecido por mensalão do DEM.

O ex-candidato liderava a pesquisa pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (10). Ele tinha 37% das intenções de voto, seguido pelo atual governador, Agnelo Queiroz (PT), com 19%, e pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB), com 18%.

Na sexta, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) enviou ao TSE pedido para que fossem suspensos todos os atos de campanha de Arruda. Na quinta, o TSE rejeitou recursos protocolados pela defesa de Arruda e manteve a decisão de considerar o político do PR inelegível.

No requerimento protocolado no tribunal, a procuradoria argumenta que a realização de campanha só é permitida a quem possui registro de candidatura. “A nova legislação nada mais fez do que reforçar a necessidade de se evitarem os graves efeitos de uma prática cada vez mais comum: candidatos sabidamente inelegíveis insistem em candidatar-se e, apesar de sucessivas decisões judiciais que reiteram a impossibilidade de suas candidaturas, insistem em continuar em campanha, arrastando debates judiciais infrutíferos até as vésperas do pleito e, muitas vezes, até após as eleições”, diz o documento.

Através da mulher e do amigo, Arruda não só insiste em ser candidato. Ele pode ser, indiretamente, eleito.  

 

VAGÕES CHEIOS DE PROPINAS INTERNACIONAIS NO METRÔ DE SÃO PAULO

ESTADÃO ESQUECE, NA MANCHETE, O NOME DO PARTIDO DOS POLÍTICOS. SÃO DO PSDB NOS GOVERNOS TUCANOS DE COVAS, JOSÉ SERRA E ALCKMIN

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Cúpula do Governo Alckmin cai no propinoduto tucano. Edson Aparecido, hoje secretário da Casa Civil, acusado de receber propinas das multinacionais entre 1998 e 2008; Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens apontou ainda corrupção nos governos de José Serra e Mario Covas; outros citados são os secretários José Aníbal, de Energia, Jurandir Fernandes, de Transportes, Rodrigo Garcia, de Desenvolvimento Econômico, e até o senador Aloysio Nunes e o deputado Arnaldo Jardim. Confira as revelações dos repórteres Fernando Gallo, Ricardo Chapola e Fausto Macedo no jornal O Estado de S.Paulo

Por Enock Cavalcanti em Direito e Torto

tucanos do metrô

Ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer denuncia formalmente ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica um forte esquema de corrupção nos governos do PSDB em São Paulo; segundo ele, Edson Aparecido, braço direito do governador Geraldo Alckmin e hoje secretário da Casa Civil recebeu propinas das multinacionais entre 1998 e 2008; propinoduto na área de transportes, segundo Rheinheimer, visava abastecer o caixa dois do PSDB e do DEM; ele apontou ainda corrupção nos governos de José Serra e Mario Covas; outros nomes citados são dos secretários José Aníbal, de Energia, Jurandir Fernandes, de Transportes, Rodrigo Garcia, de Desenvolvimento Econômico, e até do senador Aloysio Nunes e do deputado Arnaldo Jardim; strike completo?

 

SP 247 – É quase um strike. Um relatório entregue no dia 17 de abril deste ano ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica cita praticamente toda a cúpula do governo de Geraldo Alckmin no chamado “propinoduto tucano”. A denúncia, formal, foi feita por Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, que afirmou dispor de “documentos que provam a existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos (Mário) Covas, (Geraldo) Alckmin e (José) Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”.
O furo de reportagem, dos jornalistas Fernando Gallo, Ricardo Chapola e Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo, aponta que o lobista Arthur Teixeira, denunciado por lavagem de dinheiro na Suíça, teria pago propinas ao deputado licenciado Edson Aparecido, atual secretário da Casa Civil e braço direito de Geraldo Alckmin. O documento também cita outros nomes graúdos do tucanato paulista, como os secretários José Aníbal, de Energia, Jurandir Fernandes, dos Transportes, e Rodrigo Garcia, de Desenvolvimento Econômico. Outros nomes mencionados pelo ex-diretor da Siemens são o do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e do deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) – este, também como beneficiário das propinas.
A denúncia do ex-diretor da Siemens tem peso importante porque é o primeiro documento oficial que vem a público com referência a propinas pagas a políticos ligados a governos tucanos. Até então, apenas ex-diretores de estatais como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) vinham sendo citados. Rheinheimer foi diretor da divisão de transportes da Siemens, onde atuou durante 22 anos. Ele disse ainda que o cartel “é um esquema de corrupção de grandes proporções, porque envolve as maiores empresas multinacionais do ramo ferroviário como Alstom, Bombardier, Siemens e Caterpillar e os governos do Estado de São Paulo e do Distrito Federal”.
No Distrito Federal, os desvios teriam ocorrido nos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Em São Paulo, ele cita os governos de Geraldo Alckmin, José Serra e Mario Covas. O fluxo das propinas ocorria por meio da empresa Procint, do lobista Arthur Teixeira, finalmente denunciado na Suíça, após dois anos de engavetamento do caso pela procuradoria-geral da República em São Paulo, por decisão do procurador Rodrigo de Grandis (leia mais aqui).Rheinheimer está colaborando com a Justiça, no regime de delação premiada. Sobre Edson Aparecido e Reynaldo Jardim, ele sustenta que “seus nomes foram mencionados pelo diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, como sendo os destinatários de parte da comissão paga pelas empresas de sistemas (Alstom, Bombardier, Siemens, CAF, MGE, T’Trans, Temoinsa e Tejofran) à Procint”.
Sobre o senador Aloysio Nunes e os secretários Jurandir Fernandes e Rodrigo Garcia, o ex-diretor da Siemens diz ter tido “a oportunidade de presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, com estes políticos”. Sobre José Aníbal, mencionou um assessor: “Tratava diretamente com seu assessor, vice-prefeito de Mairiporã, Silvio Ranciaro”.

fonte BRASIL 247

O guardião da ética na privada do PSDB

trem pagador

 

 

por Gilmar Crestani

E este cara, pelos modus operandi, mereceu assumir o Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo… A competição que a SIEMENS, ALSTOM & PSDB impuseram bem que merecem um movimento em direção à cadeia. Uma delação premiada permetiria descobrirmos os métodos empresariais que adubam páginas laudatórias nos grupos mafiomidiáticos.

Localizamos um personagem chave no escândalo do metrô

por Joaquim Carvalho

Adilson Primo presidiu a Siemens do Brasil e foi demitido sob suspeita de pegar dinheiro para ele mesmo.

Adilson sela acordo com o tucano Anastasia

Adilson (à esquerda) sela acordo com o governador tucano Anastasia

Em 2009, o então presidente da Siemens, Adílson Antônio Primo, assumiu o Conselho Superior do Movimento Brasil Competitivo e, na condição de um dos maiores líderes empresariais do Brasil, disse em uma entrevista que as práticas de gestão de sua empresa eram “benchmarking”, isto é, deveriam ser copiadas por concorrentes para atingir melhores resultados. Era o auge de uma carreira de 35 anos na Siemens. Numa entrevista para um programa de TV no auditório do Ibmec em São Paulo, ele foi apresentado como o CEO que não fez MBA e que nunca foi demitido. Por quê? “Eu acho que a trajetória profissional acaba definindo os rumos que você toma dentro da empresa. Até agora, parece que não foi o rumo errado”, respondeu ele.

Dois anos depois, Primo foi demitido porque, segundo comunicado divulgado pela matriz na Alemanha, “foi descoberta uma grave contravenção das diretivas da Siemens na sede nacional, ocorrida antes de 2007.” A empresa nunca explicou o que quis dizer com “grave contravenção”, mas deixou vazar a informação de que Primo teve seu nome envolvido em um suposto desvio de dinheiro, ocorrido entre 2005 e 2006, que lhe teria rendido 6,5 milhões de euros. É uma história sem comprovação e foi recebida com ceticismo por experientes agentes do mercado. Especula-se que Primo tinha, entre salários e bônus, um rendimento legal superior a 1 milhão de euros por ano. Por que se envolveria num desvio proporcionalmente pequeno?

Fato é que, em 2008, três anos antes da demissão de Primo, a Siemens rebebeu um dossiê com documentos que supostamente comprovariam o pagamento de propina de sua filial no Brasil a autoridades do governo do Estado de São Paulo para o fornecimento de equipamentos e serviços em diferentes áreas, principalmente o Metrô e a CPTM. O dossiê cita também o pagamento de propina ao governo do Distrito Federal, na época comandado por José Roberto Arruda, do DEM. Além da alemã Siemens, os documentos mencionam a francesa Alstom. Por que a Siemens demorou tanto a agir?

Talvez seja em razão do fato de que se pode acusar Adílson Antônio Primo de qualquer coisa, menos o de não trabalhar com empenho. Sob sua gestão, a Siemens cresceu no Brasil mais do que em qualquer outro país e, em 2010, seu faturamento local foi três vezes maior que a taxa de elevação do PIB brasileiro. O jeito de Primo tocar o negócio chamava a atenção. Em 2007, já no governo de José Serra, ele participava pessoalmente das reuniões para definir as empresas que forneceriam equipamentos e serviços para o Estado, conforme atas publicadas no Diário Oficial do Estado. Normalmente, as empresas enviam procuradores, não seu presidente.

Como CEO da Siemens, Adílson Primo também frequentava os eventos políticos e sociais. Não faltava aos encontros com autoridades, como ocorreu em julho de 2011, quando ele e governador tucano Antonio Anastasia, de Minas Gerais, selaram com as mãos colocadas umas sobre as outras, como fazem os jogadores de futebol antes de entrar em campo, o acordo para a construção de uma fábrica da Siemens em Itajubá, no sul do estado.

Há cinco meses, já sem a presença de Primo no comando da Siemens, a empresa anunciou a desistência do projeto. O motivo seria a crise europeia. Mas Adílson Primo foi para lá. Depois de dizer que estudava abrir uma consultoria ou tocar um negócio próprio – talvez a ABR Participações S.A., que ele criou com sede em Barueri quando ainda era presidente da Siemens –, Primo assumiu a Secretaria de Coordenação Geral e Gestão da cidade, que tem um orçamento vinte vezes menor que o faturamento anual da Siemens.

Localizar Primo no seu novo endereço não foi difícil. Em 2008, ele foi processado pela professora do Instituto de Física da USP Luisa Maria Scolfaro Leite por causa da negociação de uma casa. A advogada dele no processo é Marcela Souza Vitti, que trabalha no departamento jurídico da Siemens, com telefone no cadastro da OAB. Ao localizá-la, perguntei sobre o processo, mas ela não sabia detalhes. Disse que tinha prestado um favor a Adílson Primo, na época presidente da empresa. Questionada sobre como eu poderia encontrar seu cliente, afirmou: “Não tenho a menor ideia”. Mas insisti, e ela respondeu: “Acho que em Itajubá”.

Na cidade, que tem menos de 100 mil habitantes, só há o registro de um Adílson Antônio Primo, e ele é famoso no município por ocupar uma nova secretaria, encarregada entre outras atividades de conduzir a elaboração do novo Plano Diretor. Sua secretária, que se apresentou como Gisela, disse por telefone que Primo estava em viagem fora do município, não quis passar o celular e anotou um recado. Até às 23 horas de sexta-feira, dia 9 de agosto de 2013, quando concluo esta reportagem, ele não retornou.

No YouTube, há um vídeo de uma entrevista de 24 minutos que Primo concedeu há seis meses a um programa da Panorama FM, a principal emissora local. O radialista Octávio Scofano quis saber o que faz a Secretaria de Coordenação Geral e Gestão. Primo informou que o objetivo da pasta é aplicar em Itajubá um choque de gestão, nos moldes do que fez o tucano Aécio Neves no governo do Estado.

Com a camisa com dois botões abertos, bem diferente do terno e gravata que usava no tempo da Siemens, e com o cabelo pintado, o ex-CEO tentou fazer um discurso técnico, mas a entrevista terminou com os ouvintes fazendo perguntas sobre ruas de terra e outros temas do cotidiano de uma cidade que não é grande. Nélson, do bairro Santo Antônio, perguntou sobre um dos maiores problemas de Itajubá, que é o excesso de animais que fazem suas necessidades na calçada e na rua, sem que ninguém se responsabilize pela limpeza. O secretário de Coordenação Geral e Gestão de Itajubá lamentou que isso ocorra e falou da possibilidade de uso de fraldões pelos cavalos, que “fazem muita sujeira na rua, temos que caminhar olhando para o chão”.

Como se nota pela entrevista, Primo anda de cabeça erguida por Itajubá, sem que ninguém o questione sobre o que pode ser um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil. A estimativa é que, com o superfaturamento nos equipamentos vendidos e os serviços prestados ao governo desde 1995, a partir da gestão de Mário Covas, o Estado de São Paulo teve um prejuízo superior a 500 milhões de reais. Só em propina, teriam sido pagos mais de 100 milhões de reais. A alemã Siemens, a francesa Alstom e a espanhola CAF são gigantes no ramo em que operam, mas formam um grupo pequeno. Como timoneiro de um desses titãs, Adílson Primo não é, com certeza, o que se pode chamar de a bolota do cavalo do bandido. No mínimo, é o cavalo. Mas ele, e talvez só ele, tem motivos para dizer quem o montou e depois o deixou na rua, abandonado como os animais de Itajubá.

Qual a diferença entre detido e preso?

Ensina o professor João Olympio Mendonça:

– Veja bem, essa é uma questão puramente semântica. O código de processo penal não usa a expressão “detido” ou “detida”. Ela é apenas um eufemismo. É muito mais pesado dizer que “fulado foi preso”. “Fulano foi detido” é um alívio da outra expressão.

 Leia entrevista concedida à jornalista Bárbara Lemos
PRESOS
preso camburão

preso pobre

Estudante da USP
Estudante da USP
Ex-morador do extinto Pinheirinho em São José dos Campos
Ex-morador do extinto Pinheirinho em São José dos Campos

DETIDOS

Governador Arruda do DF
Governador Arruda do DF
Maluf
Maluf
Daniel Dantas
Daniel Dantas

10monkeydantascigarros

A justiça protetora da corrupção

A corrupção no Brasil tem a bênção da justiça que não prende. A justiça PPV que “tarda e falha” (O Globo).

No Brasil do segredo eterno e do azedo da Lei Azeredo, a corrupção tem a proteção do foro especial, do sigilo bancário, do sigilo fiscal, do segredo de justiça e das bancas de advogados blindados e de porta de palácios.

Eu pergunto:
Um governador ladrão nomeia um desembargador honesto?
Um presidente ladrão nomeia um ministro honesto?
Nenhum ladrão é suicida. Um governante corrupto pode ser tudo. Burro não é.

No Brasil dos vivos, dos espertos, a justiça, quando engaveta um processo, lava o dinheiro e as almas sebosas.

A Folha de São Paulo listou os dez principais ladrões do Brasil:










Escrevem Breno Costa e Bernardo Mello Franco:

Collor perdeu o cargo, mas foi inocentado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por falta de provas e hoje é senador pelo PTB de Alagoas.

O labirinto de recursos também impede o fim do caso dos Anões do Orçamento, de 1993. Suspeito de desviar emendas parlamentares, o ex-deputado federal Ézio Ferreira (PFL-AM, atual DEM) responde até hoje por lavagem de dinheiro.

O deputado Paulo Maluf (PP-SP), que assumiu a Prefeitura de São Paulo no mesmo ano, é procurado pela Interpol e não pode viajar ao exterior para não ser preso, mas nunca foi condenado definitivamente no Brasil por fraudes em sua gestão.

Acusados de desvios no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e na Sudam, Luiz Estevão e Jader Barbalho deixaram o Senado e chegaram a ser presos. Hoje fazem planos de voltar ao Congresso.

A Operação Anaconda, que desmontou esquema de venda de decisões judiciais, só produziu um preso ilustre: o ex-juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, que cumpre a pena em casa.

Dois juízes e um procurador da República se livraram sem julgamento ou converteram a pena em multa.

Os grandes escândalos do governo Lula continuam abertos. O mensalão, que derrubou o ex-ministro José Dirceu em 2005, só deve ser julgado no ano que vem.

Réus como João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) foram reeleitos deputados e mantêm influência em seus partidos.

O chamado mensalão do DEM, que derrubou José Roberto Arruda do governo do DF em 2010, é o caso mais atrasado. O Ministério Público promete denunciar os acusados até o fim do ano.

Pandora, símbolo de Brasília

Pandora foi a primeira mulher que existiu. De cada Deus recebeu uma qualidade. De um a graça, de outro a beleza, de outros a persuasão, a inteligência, a paciência, a meiguice, a habilidade na dança e nos trabalhos manuais. Hermes, porém, pôs no seu coração a traição e a mentira.

Casou com Epimeteu, que possuía uma caixa dada pelos deuses, que continha todos os males.

Epimeteu avisou a mulher que não a abrisse. Pandora não resistiu à curiosidade. Abriu-a e os males escaparam. Por mais depressa que providenciasse fechá-la, somente conservou um único bem, a esperança. E dali em diante, foram os homens afligidos por todos os males.

Pandora, por Jules Joseph Lefebvre, 1882

Pandora representa bem Brasília

A caixa foi aberta, e dela saiu o fedor da podridão de diferentes governos. De Joaquim Roriz a José Roberto Arruda.

Uma putrefação que começa na ditadura militar, e que continua. E que explica a miséria das cidades satélites, e a majestade, a pompa de Brasília possuir o nosso segundo maior PIB.

De ser a capital dos novos ricos, dos enriquecimentos rápidos e ilícitos, dos 1001 palácios, com suas dispendiosas cortes.
Pandora provou que o suborno, a simonia e o lóbi fazem parte da rotina dos poderes da República.
Na caixa de Pandora, o conluiado de almas sebosas.