Mortes encomendadas. Jornalistas na mira dos pistoleiros

Transcrevo artigo publicado no O Arastão, dirigido por Geraldo Ferreira, mais conhecido por Gegê, que também sofreu ameaça. Possivelmente da bandidagem policial.

Assassinato de jornalista na fronteira expõe insegurança da profissão

Ser jornalista está se tornando profissão de risco no Brasil. Após a morte do jornalista Paulo Rocaro em Ponta Porã, ainda sem esclarecimento e sem explicações por parte da Polícia e das demais autoridades, outros casos de agressão estão ficando cada vez mais comuns no Brasil.

Paulo Rocaro
Paulo Rocaro

 

No começo do mês, em Campinas, São Paulo, jornalistas que chegavam ao estádio Moisés Lucarelli foram agredidos por torcedores que estavam lá para assistir o jogo São Paulo e Ponte. Não se sabe ainda o motivo das agressões.

Na cidade de Barreiras, Bahia o jornalista Carlos Alberto Sampaio, acusa o vereador Sidnei Giachini (PP) de tentá-lo agredi-lo e de preferir palavras de baixo calão, precisando ser contido por populares e funcionários da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães para evitar que o ato se consumasse.

No final de janeiro em São Paulo o repórter Felipe Frazão, da TV Estadão, foi agredido por um manifestante enquanto cobria protesto em São Paulo contra ações do governo na cracolândia e em Pinheirinho.

O fotógrafo e diretor do site Nossacara, de Eunápolis, Bahia, Urbino Brito, foi agredido no dia 05 de fevereiro por um jovem de vulgo “Dingo”, filho de um comerciante local do ramo automobilístico, que ainda feriu mais duas pessoas com garrafas de cerveja. Motivo: fotografou o jovem bloqueando a passagem de pedestres com o carro.

Mais casos

Já o jornalista André Luiz de Oliveira, da Rádio Frequência Garopaba, Santa Catarina apanhou porque estava registrando as atividades de um caminhão utilizado em limpeza de fossa, em um restaurante à beira mar. Levou 10 dez pontos no rosto e ainda corre o risco de perder parcialmente a visão do olho direito.

Em Caxias do Sul, o ex-deputado federal e ex-prefeito da cidade gaúcha, Paulo Marinho ameaçou o editor da coluna Caxias em Off, do Jornal Pequeno, Jotônio Vianna, que o deixou irritado com as análises do jornalista sobre a sucessão municipal. No blog que mantém lembrou a morte de um jornalista de Caxias ocorrido em 1992 e disse que o fato poderia se repetir agora com Jotônio Vianna, que registrou boletim de ocorrência contra o acusado.

Ex-prefeito Paulo Marinho
Ex-prefeito Paulo Marinho

 

Em Campo Grande quem foi agredido foi o jornalista Ademar Cardoso, 49 anos, durante o evento de Desfile de Fantasias do Armazém Cultural. A assessoria da empresa privada que prestava serviço à prefeitura da capital disse que os seguranças estavam apenas se defendendo do jornalista.

No Carnaval de Recife quem levou a pior foi o repórter do NE10, Nilton Villanova que fazia a cobertura dos desfiles de blocos nas ladeiras de Olinda, no início da tarde de domingo (19), quando foi surpreendido por um grupo de jovens. Além de levarem o equipamento de trabalho do jornalista (um IPhone), os jovens o cercaram e o agrediram com socos na barriga e empurrões.

Já Paulo Rocaro foi o segundo jornalista morto no Brasil este ano. Antes dele, haviam assassinado no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Vassouras, Mário Randolfo Marques Lopes e de sua companheira Maria Aparecida Guimarães, ambos executados com um tiro no ouvido.

Mário havia sofrido um atentado em julho de 2011, quando recebeu cinco disparos de um homem encapuzado, no seu antigo endereço em Vassouras. O atentado não foi esclarecido pela polícia e ele mudou para Barra do Piraí. Ele veiculava denúncias de corrupção e escândalos políticos no site “Vassouras na net”, de sua propriedade.

Em 2011, a ONG Repórter Sem Fronteiras registrou a queda do Brasil, em 41 posições, no ranking mundial da liberdade de imprensa elaborado pela entidade.

A insegurança presentes em todas as regiões foi determinante para o país ocupar a 99ª posição. A cobertura de temas como a corrupção, meio ambiente e crime organizado foi apontada como a mais perigosa para jornalistas e blogueiros brasileiros. Foram assassinados quatro jornalistas no ano passado e o cinegrafista Gelson Domingos foi alvejado por um tiro durante uma cobertura no Rio de Janeiro. Nenhum dos crimes foi solucionado.

Federalização já!

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defende que a apuração dos crimes contra jornalistas seja federalizada, conforme previsto no Projeto de Lei 1.078/11. “Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia”.

Entidade internacional pede para Dilma proteger os jornalistas brasileiros. Três já morreram este ano

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) pediu, em nota nessa terça-feira, 14, que a presidente Dilma Rousseff apresentasse medidas para proteger os jornalistas do País.

Devido ao assassinato de “outro jornalista no Brasil em menos de uma semana”, afirmou a SIP, se referindo ao editor-chefe do diário ‘Jornal da Praça’ e fundador do site de notícias Mercosulnews, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues. Conhecido com Rocaro, o jornalista foi morto na madrugada de segunda-feira, 13,  por dois homens, que dispararam 12 tiros, na em Ponta Porã (MS).

A entidade, que tem sede em Miami, condenou as atitudes brasileiras e solicitou que Dilma  “concentre esforços para criar uma jurisdição especial para processar crimes contra jornalistas, assim como órgãos em nível federal para proteger repórteres e fotógrafos em risco”.

No comunicado, a SIP também lembrou que Rocaro foi o terceiro jornalista morto no Brasil em 2012. Além do jornalista que trabalhava no Mato Grosso do Sul, foram assassinados o editor do site de notícias Vassouras na Net’, Mário Randolfo Marques Lopes, e o  radialista Laércio de Souza. “Desde 1987, 41 jornalistas foram assassinados no país, quatro deles em 2011”, informou a SIP.

Laerte de Souza, morte encomendada

Radialista Laércio de Souza
Radialista Laércio de Souza

Um jovem de 16 anos confessou ter sido o autor dos disparos que mataram o radialista Laércio de Souza, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador (BA).

A polícia está a procura de um outro adolescente, da mesma idade, que teria acompanhado o jovem detido. Testemunhas foram ouvidas e reconheceram o adolescente preso como o autor dos disparos.

Segundo o  delegado titular da 22ª DT, Antônio Fernando Soares do Carmo, o jovem disse ter planejado matar Souza depois de ter sido denunciado à Polícia Militar pelo radialista, por causa de delitos que cometeu na região. Mas há suspeita de que o crime tenha outros motivos (por Priscila Fonseca)

O radialista era candidato a vereador nas eleições de outubro próximo.

Mário Randolfo Marques Lopes
combatia os corruptos de Vassouras

Mário Randolfo Marques Lopes
Mário Randolfo Marques Lopes

Tudo indica que tem gente muito poderosa envolvida.

ornalista e editor-chefe do site Vassouras na NetMário Randolfo Marques Lopes, de 50 anos, foi morto a tiro juntamente com sua namorada, Maria Aparecida Guimarães, em Barra do Piraí (Rio de Janeiro), na noite de 8 a 9 de fevereiro de 2012.

As circunstâncias do crime são ainda imprecisas. De acordo com informações difundidas pela imprensa local, o casal terá sido sequestrado em sua casa por três indivíduos, que os conduziram a outro bairro da cidade para executá-los. A polícia não dispõe, até ao momento, de nenhuma pista concreta acerca dos assassinos.

Embora a motivação do crime esteja ainda por estabelecer, Mário Randolfo Marques Lopes era conhecido pelas inimizades causadas por suas repetidas denúncias de casos de corrupção, envolvendo por vezes empresários e políticos locais. Um delegado e um juiz chegaram mesmo a processá-lo por “calúnia” e “difamação”.

A 6 de julho de 2011, um indivíduo encapuzado tentara matá-lo, em circunstâncias semelhantes, no seu antigo domicílio de Vassouras. Atingido por cinco balas na cabeça, com proteção policial durante o internamento no hospital, o jornalista sobreviveu miraculosamente a esse atentado, nunca elucidado, e decidiu mudar-se para Barra do Piraí.

“Apesar de toda a prudência que o caso exige, esperamos que esses antecedentes serão tomados em consideração e explorados pelos investigadores. Em 2011, foram várias as tragédias que enlutaram a imprensa brasileira. O acompanhamento de casos políticos delicados continua colocando os jornalistas em perigo, sobretudo ao nível local. Qualquer que seja a motivação por trás desse crime, sua rápida elucidação deve constituir um ponto de viragem na luta contra a impunidade”, declarou Repórteres sem Fronteiras, que expressa também suas condolências à família e colegas de Mário Randolfo MarquesLopes e de Maria Aparecida Guimarães.

Os graves atos de violência ocorridos no Brasil em 2011 motivaram uma significativa queda – de 41 posições – do país na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, publicada por Repórteres sem Fronteiras no passado dia 25 de janeiro. (Repórter sem Fronteiras)

Paulo Roberto Cardoso Rodrigues
também assassinado a tiros no MS

Paulo Roberto Cardoso Rodrigues
Paulo Roberto Cardoso Rodrigues

O jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, editor-chefe do ‘Jornal Da Praça’ e diretor do Mercosulnews.com, fundador do PT,  foi assassinada a tiros na noite do domingo 12 último, em Ponta Porã (MS), cidade que faz divisa com o Paraguai.

Paulo Rocaro, como era conhecido, estava dentro de seu carro na avenida Brasil, quando foi parado por uma motocicleta com dois homens armados, que dispararam 12 tiros contra o jornalista, em seguida fugiram.

“Algumas pessoas trouxeram essas informações sobre a possibilidade de crime político, mas tudo está sendo investigado e não temos nenhuma pista ainda, disse o delegado Clemir Vieira Júnior (Comique-se.com).