Brasil mata outro jornalista. Maranhão dispara seis tiros em Décio Sá

“Foi um crime muito ousado. Foi um crime encomendado. As pessoas que entraram no bar vieram com a intenção de executar o jornalista Décio Sá. As pessoas que testemunharam o fato disseram que o autor dos disparos não escondeu nem a cara”, disse o secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes.

De acordo com informações de testemunhas, Décio Sá teria entrado no bar e pedido caranguejo. Pouco depois, seu celular tocou e ele saiu para atender. Na volta, foi surpreendido por um homem de grande porte, que teria disparado os tiros contra a vítima. O suspeito teria corrido para o morro e passado por um grupo de pessoas, que realizava um culto evangélico, antes de sumir.

Segundo o secretário “o crime foi feito por profissionais, foi tudo planejado, toda a dinâmica do crime, a rota de fuga e o momento da abordagem, detalhes que mostram que foi o crime planejado, mas que deixou rastros. Estamos montando uma força-tarefa para elucidação rápida desse crime, que não pode ficar impune”, afirmou.

O delegado Gutemberg Carvalho Rêgo, que investiga o assassinato, também acredita que o crime foi encomendado. “O fato de a pessoa ter agido com o apoio de outra, ter entrado até o fundo do bar, ido ao banheiro, esperado ele retornar e disparar contra a vítima seis tiros, sem dar chance de ele escapar, tudo isso indica de que o crime tenha sido premeditado”. Veja vídeo 

O jornalista e blogueiro Décio Sá foi assassinado, na noite de segunda-feira em um restaurante em São Luís, capital do Maranhão. Ele estava em um restaurante na avenida Litorânea, quando foi baleado.

De acordo com informações da Secretaria de Estado de Segurança, Décio Sá estava sozinho no local, quando dois homens chegaram em uma moto. Um deles disparou seis tiros nas costas do jornalista, sendo quatro na cabeça e dois na região do tórax. A vítima morreu na hora.

Denúncias

Décio Sá trabalhava na editoria de política do jornal “O Estado do Maranhão” e atuava também em um blog investigativo. Suas últimas reportagens foram sobre o julgamento dos acusados de matar o líder comunitário e sem-teto Miguel Pereira Araújo, o Miguelzinho, em 1997.

Noticia hoje “O Imparcial”: Décio foi morto por arma privativa da polícia. A família não sabe quem poderia ser o mandante do crime.

“Políticos e jornalistas estiveram no local do crime (Bar Estrela do Mar) e acompanharam o trabalho da polícia, que fez a perícia. O corpo do jornalista Décio Sá ficou no local até pouco mais de 1h. Aluísio Mendes, o secretário de segurança, esteve lá.

A deputada estadual Eliziane Gama também compareceu e pediu punição exemplar aos culpados pela morte de Décio. Ela lembrou o caso do delegado Stênio Mendonça, que foi morto enquanto caminhava nas primeiras horas da manhã do dia 25 de maio de 1997. Na época, o delegado era responsável pela investigação do crime organizado no Maranhão.

O deputado Roberto Costa, o secretário de estado Ricardo Murad e o apresentador José Raimundo, por exemplo, acompanham a perícia no local do assassinato. Fernando Sarney, sócio do Sistema Mirante, para o qual o jornalista trabalhava, também esteve no local”.

Ainda no jornal “O Imparcial”:

O início dos trabalhos desta terça-feira (24), na Assembleia Legislativa do Maranhão, foi marcado pela mensagem da Casa em memória ao jornalista Décio Sá.

O presidente da Casa, o deputado Arnaldo Melo (PMDB), em nome dos demais membros lamentou a morte de Décio e se solidarizou com a família do jornalista.

Antes da abertura do pequeno expediente os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Décio. Os deputados Othelino Neto (PPS) e Bira do Pindaré (PT) foram os primeiros a subir à tribuna e lembraram que os crimes de pistolagem retornaram ao Maranhão. “Precisamos dar muita atenção a esse retrocesso que está acontecendo no Maranhão”, declarou Othelino.

Bira lembrou das mortes do quilombola Flaviano Neto no povoado do Charco, em São Vicente Férrer em 2010 e do líder comunitário Raimundo Cabeça, em Buriticupu, na semana passada. “Esses crimes não podem ficar impunes”, disse o petista.

Governo de Portugal pretendeu acabar a pauladas com a Greve Geral

A imprensa potuguesa escondeu a greve. Foto registra momento da agressão policial a uma jornalista
A imprensa potuguesa escondeu a greve. Foto registra momento da agressão policial a uma jornalista
A Greve Geral de ontem foi um momento importante e imprescindível de combate ao regime de austeridade e de recusa das alterações à legislação laboral que vão a discussão no parlamento na próxima quinta-feira e que vão piorar a vida das pessoas que trabalham ou estão desempregadas em Portugal.
Por todo o país, as adesões à Greve desafiaram a estratégia de descredibilização da paralisação. A greve aconteceu de facto e os cidadãos e as cidadãs não desistem de afirmar que o caminho da austeridade que destrói a economia e o emprego é errado.
Nos piquetes à porta dos serviços de recolha do lixo em Lisboa, nos CTT ou na Carris na Musgueira e em Cabo Ruivo, a participação de populares e dos movimentos sociais só pode ser vista como uma das mais importantes notas desta paralisação.
Assim, apesar da convocação da Greve Geral não ter tido o apoio da UGT (apesar de vários sindicatos desta central sindical terem aderido), e apesar da pouca e tardia divulgação da Greve Geral, a participação popular nos piquetes fez em vários locais duplicar o número de pessoas nesses piquetes.
Essa participação solidária e cidadã multiplicou a força do movimento dos trabalhadores. Esta é uma aprendizagem que não podemos esquecer e que temos de abraçar porque dela dependerá a abertura da luta aos cidadãos e a variadas formas de organização no movimento social e de trabalhadores.
Na manhã da Greve Geral foi importante que se oferecesse voz aos trabalhadores precários que não conseguiram aderir devido à chantagem e às ameaças que recebem.
Aquando da invasão do Call Centre da PT, onde trabalham centenas de pessoas através de empresas de trabalho temporário, os Precários Inflexíveis foram claros: há muitas maneiras de contribuir para o sucesso de uma Greve Geral e todas são importantes para reforçar a solidariedade entre trabalhadores e para recusar o caminho da austeridade infinita.
A dimensão da “terapia de choque” que está a ser aplicada à população e a escalada repressiva evidenciada de novo nesta greve (contra piquetes durante a noite, contra manifestantes e jornalistas durante o dia), demonstra a necessidade da maior convergência na resposta popular. As manifestações do 25 de Abril, o 1º de Maio com o desfile do Mayday contra a precariedade e, logo depois, a jornada global de 12 de Maio são momentos em que todos devem ser capazes de colocar acima de tudo o enfrentamento comum contra a política do Governo e da troika que esmaga as pessoas.

 Agressões policiais na manifestação da Greve Geral

Durante as manifestações de ontem, tanto em Lisboa como no Porto, a polícia teve um comportamento violentíssimo e absolutamente injustificável. Aliás, durante todo o dia da Greve Geral a PSP mostrou-se muito agressiva, usando de enorme brutalidade nos piquetes de greve e usando armas proibidas como tasers para dispersar os trabalhadores.
Mas o cerco que realizaram a uma das manifestações em Lisboa, onde dezenas de pessoas ficaram feridas e onde a polícia usou de enorme brutalidade repetidamente, chegando a agredir dois jornalistas que se identificaram como tal, é inaceitável.
Todas as pessoas são livres de se manifestar em Democracia e a actuação da polícia ontem não pode ser aceite e deve ser censurada.  Veja Vídeo 

Sindicato quer inquérito “rigoroso”

às agressões da polícia a jornalistas

O Sindicato de Jornalistas vai pedir à Inspeção-Geral da Administração Interna que faça um inquérito “rigoroso” sobre as agressões da PSP a dois fotojornalistas, na quinta-feira, e quer explicações públicas do ministro da Administração Interna.

Em comunicado, o Sindicato de Jornalistas (SJ) considera “absolutamente condenável a atuação da PSP” e “repudia as agressões policiais (…) sobre repórteres de imagem das agências Lusa e France Presse”.

José Goulão e Patrícia Melo Moreira, repórteres fotográficos ao serviço, respetivamente, das agências noticiosas Lusa e AFP, cobriam a carga policial sobre manifestantes no Chiado, em Lisboa e registavam os incidentes gerados entre manifestantes e elementos das forças da PSP.

“O comportamento da PSP é absolutamente condenável e não pode ser deixado impune, face à brutalidade ilegítima e sem qualquer justificação”, refere, exigindo que sejam apuradas “todas as responsabilidades até às últimas consequências – disciplinares e penais – não só pelas agressões, mas também pela violação clamorosa da liberdade de informação”. Clique nos vídeos que mostram o terrorismo policial. Aqui

A Direção de Informação da Lusa protestou hoje “com a maior veemência” contra “a agressão”, por agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), do fotógrafo da agência José Sena Goulão, durante uma manifestação em Lisboa.O protesto foi formalizado, por carta, enviada ao diretor nacional da PSP, superintendente Paulo Valente Gomes.”O comportamento das forças da PSP ao agredirem um jornalista em pleno exercício das suas funções constitui a prática de um crime e uma grave violação dos mais elementares direitos de personalidade do lesado, sem prejuízo da simultânea violação do Estatuto do Jornalista, razão pela qual a Lusa e o jornalista agredido se reservam o direito de recorrerem a todos os meios ao seu dispor para obterem a necessária e devida reparação pelos atos ilícitos cometidos”, lê-se no texto assinado pela Direção de Informação da Lusa.José Sena Goulão, “devidamente identificado como jornalista, estava a acompanhar uma manifestação” organizada pela Plataforma 15 de outubro, no âmbito da greve geral convocada pela CGTP, refere a direção da Lusa.“Impedido de exercer o legítimo direito de Informação foi agredido, à bastonada por agentes da PSP”, segundo a carta da Direção de Informação da Lusa.Já caído no chão, “e não obstante gritar aos agressores a sua condição de jornalista, continuou a ser brutalizado pelos mesmos agentes”, descreve ainda a carta de protesto enviado à PSP.

José Sena Goulão foi assistido no local pelo INEM e, posteriormente, conduzido numa ambulância ao hospital de S. José.
José Sena Goulão foi assistido no local pelo INEM e, posteriormente, conduzido numa ambulância ao hospital de S. José
 A fotojornalista Patrícia Moreira, da France Press, foi vítima da carga policial. “Os polícias começaram a varrer tudo; cadeiras, mesas, pessoas”, contou a jornalista.
“A polícia atirou-me ao chão tendo, ainda assim, continuado a agredir-me. Acabei por levantar-me com a ajuda de um manifestante”, acrescentou. A repórter pondera apresentar queixa.
Jornalista Patrícia Moreira, da France Press, covardemente agredida pela polícia. Levou várias cacetadas
Jornalista Patrícia Moreira, da France Press, covardemente agredida pela polícia. Levou várias cacetadas
No Porto registaram-se incidentes frente à reitoria da Universidade que o primeiro-ministro visitava. Populares culparam “agentes à paisana” da polícia pelas agressões de várias pessoas.