Jornalistas que sofreram “acidente de trabalho” durante manifestações têm direito à estabilidade de 1 ano

Os jornalistas agredidos, atingidos por pedras, balas de borracha, durante as manifestações têm direito à estabilidade de um ano, em razão do acidente de trabalho. Para tanto, é preciso pedir que a empresa para qual trabalha abra o Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT). Se a empresa não abrir o CAT, o sindicato deve abrir.

giufolha1706Giuliana Vallone foi atingida no olho durante cobertura de manifestação

 

O acidente de trabalho é definido pelo artigo 19 da Lei nº 8.213/91, “acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”.

Após o retorno do trabalhador, ele passa a gozar da chamada “estabilidade acidentária” de um ano.

No caso de jornalistas, é bastante comum a ocorrência de doenças como LER/DORT, chamadas de esforço repetitivo (quem nunca viu um jornalista usando “tala” no braço?). Essas doenças também são equiparadas a acidente de trabalho porque são doenças decorrentes da atividade repetitiva de digitar reportagens.

O que ocorre é que o jornalista, pela falta de tempo, não procura hospital para se tratar – muito menos para abrir o CAT. E, após anos trabalhando em um jornal, é demitido em um passaralho, doente e sem nenhum tipo de assistência. Se houve a comunicação da doença e abertura do CAT, ele fica “blindado”, porque não pode ser demitido sem justa causa (a demissão com justa causa é possível).

O mesmo vale para os jornalistas que tomaram tiro – de bala de borracha – no olho na cobertura dos protestos. Não é justo que daqui uns meses ele seja demitido, quando estará com “meia” visão, após literalmente ter dado sangue para o jornal. Por isso, a Justiça garante a estabilidade de um após o retorno ao trabalho.

O mesmo vale para “frilas-fixos”, que devem buscar também o reconhecimento do vínculo empregatício do jornal.

O art. 21 da Lei nº 8.213/91 equipara ainda a acidente de trabalho:

I – o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação;

II – o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior;

III – a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua atividade;

IV – o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão de obra, independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.
§ 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado é considerado no exercício do trabalho

kiyomori mori(*) Advogado e jornalista (MTB/SP 37019). Sócio do escritório Mori e Costa Teixeira Sociedade de Advogados, atuante no Estado de São Paulo, na defesa dos direitos trabalhistas, autorais e de responsabilidade civil de jornalistas. Editor do blog Direitos dos Jornalistas. É um dos colaboradores do projeto educacional Para Entender Direito, em parceria com a Folha de S. Paulo. Membro do Conselho de Mantenedores da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo. Transcrito do Comunique-se.

Notinha submissa do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco

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Os jornalistas vêm sendo espancados nos protestos diários e greves realizadas no Recife e cidades de diferentes regiões de Pernambuco. A imprensa silencia. Agora, que as eleições do continuísmo se aproximam – faltam doze dias -, o encantado sindicato coloca no seu sítio a seguinte notinha oficial:

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam  o cerceamento ao trabalho e a violência policial  de que foram vítimas três jornalistas profissionais no exercício de sua funções, durante protesto na noite desta sexta-feira, no Derby, Recife. Mesmo após se identificar como repórter, um jornalista do NE10 foi intimidado por quatro policiais e obrigado a apagar as imagens e desligar a câmera. Um repórter fotográfico da Folha de Pernambuco tentou intervir na defesa de seu colega e foi expulso do local por PMs. Uma jornalista do Portal G1-PE foi atingida no rosto por spray de pimenta.

Essas ações claramente objetivaram impedir o registro da ação da PM no momento em que foram utilizados balas de borracha, spray de pimenta, ameaças e agressões para dispersar os manifestantes que até então realizavam um protesto pacífico. Isso inclusive, por policiais que não tinham identificação em sua farda, o que dificulta a necessária apuração e punição de excessos.

O Sinjope e a Fenaj defendem intransigentemente o livre exercício da profissão de jornalista para o correto registro e divulgação dos fatos. Cobramos da Secretaria de Defesa Social a identificação e punição dos agressores e a imediata revisão dos procedimentos adotados pela PM durante coberturas jornalísticas.

O Sindicato vai solicitar uma audiência com o secretario de defesa social, Wilson Damásio, para cobrar a apuração dos fatos e se mantém à disposição desses profissionais, como de toda a categoria, para garantir o correto e livre exercício da profissão”.

A Polícia Militar prende e arrebenta e o sindicato “vai solicitar uma audiência ao secretário de defesa social”. Não sei se Wilson Damásio concedeu esse favor. Vale ressaltar a denuncia implícita de que a polícia civil, que não usa farda, está infiltrada nos movimentos de ruas para praticar vandalismo.

Em que deu o encontro dos jornalistas do sindicato com Wilson Damásio, que nada foi noticiado?

A polícia civil de Wilson Damásio incita a PM a jogar os cachorros, e os cavalos, e as bombas de gás lacrimogêneo contra o povo e os jornalistas. Isso é muito grave: a polícia civil, com suas balas de borracha, usa as mesmas armas de terror que a polícia militar.

A denúncia sindical acusa o povo de “vandalismo”: “Essas ações claramente objetivaram impedir o registro da ação da PM (…) para dispersar os manifestantes que até então realizavam um protesto pacífico“. Este “até então” mostra quanto o sindicato é solidário com a polícia civil e com a polícia militar. Depois deste “até então” … o protesto deixou de ser pacífico… O discurso do Sinjope permanece afinado com a fala palaciana.

Pela notinha frouxa, a polícia civil realizou ações criminosas contra jornalistas para “impedir o registro (censura) da ação da PM”.

Um sindicato verdadeiro, cujos associados sofreram, na carne, a violência de uma polícia ditatorial, não pede.

O pedido devia partir do secretário Wilson Damásio. Ele é quem deve explicações.

A notinha faz referência apenas ao terrorismo policial de um único dia, ou melhor, a noite de uma sexta-feira de brutalidade da polícia do governador Eduardo Campos, o principal responsável.

Além de “esquecer” de citar o nome do governador, do comandante da polícia militar, humilha os jornalistas com o anonimato. O sindicato designa as empresas como se elas fossem mais importantes. Empresas que noticiam a queima de um carro, e não se compadecem dos mortos, como aconteceu no Pará com uma gari, assassinada pelo estouro de uma bomba da polícia – a mesma polícia da ditadura militar.

O mais danoso da notinha é que antecipa e aprova a impunidade: a crueldade e a censura foram covardemente realizadas “por policiais que não tinham identificação em sua farda, o que dificulta a necessária apuração e punição de excessos”. Santa dificuldade. Resultado: nada vai ser apurado como sempre. E punição dos excelsos “excessos” só depois que for desnecessária a saudação: “Have imperator, morituri te salutant!“, nas ruas do Recife e na Arena da Mata de São Lourenço.

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“A reação da polícia foi além do necessário”, diz presidente da Fenaj sobre protestos. 53 jornalistas presos ou agredidos. 25 casos em São Paulo

Segundo dados da Abraji (Associação Nacional de Jornalismo Investigativo), houve 53 casos de violência contra 52 jornalistas. Desses casos, 34 foram de agressão por parte da polícia, seis casos de prisão, 12 por parte de manifestantes e um caso onde o agressor não pode ser identificado. São Paulo é apontada como a cidade onde ocorreu o maior número de casos, cerca de 25.
O repórter fotográfico do Terra, Fernando Borges, foi detido no quarto dia de protestos (13/6), em São Paulo. Ele estava indo cobrir o protesto na Praça do Patriarca quando foi abordado por um PM. Apesar de ter se identificado como profissional da imprensa, os policiais decidiram levá-lo para a delegacia.

Borges foi levado a uma unidade da PM onde estavam outras pessoas que seriam levadas para a delegacia, mas aguardavam a chegada das viaturas. Após esperar 40 minutos, ele se apresentou novamente como fotógrafo para alguns policias que decidiram liberá-lo.

“A polícia estava, indiscriminadamente, atirando em todo mundo. Não sei se eles sabiam se estavam atirando em jornalistas. Os protestos estavam sendo tratados como manifestações de vândalos até esse dia [quinta-feira (13/6), quarto dia de protestos] em que muitos jornalistas foram agredidos”, diz o fotógrafo.
Borges cobriu todos os protestos e afirma que, após ser detido, teve receio de cobrir a manifestação seguinte. No entanto, ressalta que após o quarto protesto, que para ele foi o mais violento, o tratamento da mídia mudou e, junto da mobilização nas redes sociais, fez com que os policiais fossem menos violentos, tornando o movimento mais pacífico.
Crédito:Divulgação
Repórter fotográfico foi uma das vítimas da violência da PM

“No geral, são poucos [veículos de comunicação] que se mantiveram desde o começo com o mesmo tipo de cobertura, traçando os atos de vandalismo como algo separado do protesto geral. Mas, com certeza, [o fato de muitos jornalistas serem agredidos] foi o que motivou a mudança de abordagem da mídia em geral”, disse o fotógrafo.

O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schröder, diz que “a reação da polícia paulista foi além do necessário e mirou, nitidamente, boa parte dos jornalistas. Os jornalistas agredidos não foram agredidos por acaso, não foram agredidos no meio do momento. Eles foram perseguidos, foram mirados, foram buscados. Houve uma metodologia na agressão”.
Schroder diz que também houve violência contra os jornalistas por parte do movimento. O motivo disso é que muitas pessoas confundem os jornalistas com as empresas em que eles trabalham. Ele ainda afirma que existem algumas pessoas que são “sabotadores” dentro do movimento. “Isso não faz parte da crítica legítima que boa parte da sociedade brasileira tem contra a mídia nacional”, diz o presidente da entidade.
“É preciso lembrar que jornalistas brasileiros estiveram envolvidos diretamente na redemocratização do país. Jornalistas brasileiros deram a vida em prol da democracia”, afirma Schröder.

“A Fenaj tem puxado esse debate ao longo das últimas décadas, pois precisamos resolver essa concentração de mídia no país que é impensável em um país democrático. Mas não é agredindo e negando o jornalismo, ao contrário, é afirmando o jornalismo e os jornalistas que nós vamos conseguir avançar nesse sentido”, acrescentou.

“Não podemos confundir melhorar o jornalismo com acabar com o jornalismo. Há um limite bem definido entre a crítica a um jornalismo mal feito, a um jornalismo partidário, um jornalismo conservador, um jornalismo imprudente e uma adesão ao não jornalismo. Isso seria uma situação que coincidiria com os piores momentos da história da humanidade”, ressalta Schröder. “A sociedade tem que reafirmar o jornalismo como um elemento civilizatório, de garantia da liberdade”, acrescentou.
O presidente da Fenaj ainda diz que não é de hoje que acontecem atos de violências contra jornalistas e que a entidade já havia denunciado isso, pedindo uma ação do governo. “Há esse aumento de violência contra jornalistas no país e precisamos enfrentar isso com algumas medidas: as empresas precisam garantir proteção para seus empregados, precisam disponibilizar equipamentos de segurança, treinamentos, precisamos de uma centralização das investigações. O problema é complexo e não se resolve com gravata e meia dúzia de bandeiras. É preciso ações muito claras”, finaliza. Portal Imprensa

Jornalistas atacados e detidos durante protestos no Brasil

* Brasil um dos países mais perigosos para jornalistas
* Décimo pior país no Índice de Impunidade
* Nomeado para Lista de Países de Riscos do CPJ

Artesenal fotógrafo censura jornalista imprensa

Pelo menos 25 jornalistas disseram que foram atacados ou brevemente detidos enquanto cobriam os protestos que se espalharam por todo o Brasil. (AFP/Tasso Marcelo)

Nova York, 21 de junho de 2013 – Pelo menos 25 jornalistas relataram terem sido atacados ou detidos durante os protestos que varreram o Brasil nas duas últimas semanas, crescendo do descontentamento em São Paulo sobre aumentos de tarifa de transporte público para as manifestações mais amplas em todo o país contra as políticas do governo.

“Os jornalistas que cobrem os protestos em massa no Brasil estão realizando uma funçãodemocrática fundamental, informando os cidadãos brasileiros sobre eventos de profundo interesse público”, disse Carlos Lauria, coordenador sênior do programa do CPJ para as Américas. “Tanto a polícia como os manifestantes devem respeitar o seu trabalho e permitir que continuem exercendo a profissão sem interferência. As autoridades devem garantir asegurança de todos os jornalistas que cobrem os protestos e deve investigar minuciosamentetodos os ataques”.

Pelo menos 15 jornalistas informaram terem sido atacados no dia 13 de junho quando a polícia militar reprimiu os manifestantes em São Paulo, de acordo com a associação local dejornalistas investigativo ABRAJI. Dois foram atingidos no olho com balas de borrachadisparadas pela polícia. Reportagens relatam que tanto Giuliana Vallone, repórter da Folha de S. Paulo, como Sérgio Andrade da Silva, fotógrafo para Futura Press Agency, foram internados por suas lesões oculares.

Pedro Vedova, repórter da GloboNews, disse que foi atingido na cabeça por uma bala de borracha disparada pela polícia enquanto cobriam protestos na cidade de Rio de Janeiro em 20 de junho, de acordo com reportagens da imprensa. Ele buscou tratamento em um hospital local por uma ferida na testa, segundo as informações. Um oficial de segurança, em 19 de junho, desferiu socos e chutes em Vladimir Platonow, repórter da Agência Brasil, em um terminal de ônibus em Niterói, Rio de Janeiro, onde o jornalista foi documentar os manifestantes que fugiam da polícia, de acordo com reportagens da imprensa. Platonow não foi hospitalizado por quaisquer ferimentos. Um porta-voz do terminal de ônibus disse que o agressor não era funcionário da empresa.

Policiais militares também detiveram pelo menos cinco jornalistas que cobriam os protestos. AABRAJI informou que Piero Locatelli, repórter da revista Carta Capital, e Fernando Borges,fotógrafo de Terra, foram detidos no dia 13 de junho, e Leandro Machado, repórter do diário nacional Folha de S.Paulo, e Leandro Morais, fotógrafo do site de notícias Universo Online,foram detidos em 11 de junho. Segundo reportagens, Pedro Ribeiro Nogueira, repórter do sitePortal Aprendiz, que havia sido detido em 11 de junho, foi libertado após ter sido mantido preso por dois dias.

Jornalistas, principalmente aqueles que trabalham para grandes redes de TV, incluindo a Globo, também foram alvo de manifestantes que criticaram a cobertura dos eventos.Reportagens informaram que em 17 de junho, Caco Barcellos, repórter da Globo, foi cercado por manifestantes em São Paulo, que o impediram de cobrir a manifestação. Em 13 de junho, os manifestantes atiraram pedras em Vandrey Pereira, também repórter da Globo, forçando ojornalista a deixar o protesto, segundo a imprensa.

imprensa noticiou que em 20 de junho, os manifestantes atearam fogo em veículos dasredes de TV SBT, no Rio de Janeiro, e TV Bandeirantes, na cidade de Natal, e que em 18 de junho, os manifestantes jogaram vinagre no rosto de Rita Lisauskas, jornalista da TV Bandeirantes. As notícias não relataram ferimentos graves. A imprensa também informou que os manifestantes atearam fogo em uma van pertencente à rede Record de televisão em 18 de junho em São Paulo.

Um aumento acentuado da violência letal ao longo dos últimos dois anos tornou o Brasil um dos países mais perigosos para jornalistas em todo o mundo, segundo a pesquisa do CPJ. Em 2013, o Brasil foi o 10 º pior país no Índice de Impunidade do CPJ, que destaca os países onde os jornalistas são assassinados regularmente e os assassinos em liberdade. O país também foi nomeado para Lista de Países Riscos do CPJ, que identificou 10 locais onde a liberdade de imprensa sofreu em 2012.

  • Para mais informações sobre o Brasil, visite a página do CPJ sobre o país.

“PRIMAVERA BRASILEIRA”: A CRÍTICA DA MÍDIA NÃO LEGITIMA AGRESSÕES A JORNALISTAS

Repórteres sem Fronteiras: Apesar dos apelos à calma e da mobilização de vários sindicatos e organizações brasileiras e internacionais de defesa da liberdade de informação, as violências contra jornalistas imputáveis às forças da ordem continuam sendo frequentes. Em Niterói, perto do Rio de Janeiro, na noite de dia 19 de junho, Vladimir Platonow, da Agência Brasil, foi espancado com cassetetes juntamente com vários manifestantes por seguranças privados da estação de comboios local, ao tentar escapar a uma investida da tropa de choque da Polícia Militar (PM). Ainda em Niterói, no mesmo dia, o cinegrafista Murilo Azevedo, do grupo público Empresa Brasil de Comunicação (da qual faz parte Agência Brasil), foi ferido por uma granada de gás lacrimogêneo da PM. Por fim, na noite de dia 20 de junho, em frente à prefeitura do Rio, uma bala de borracha disparada por um policial feriu a testa do jornalista Pedro Vedova, de Globonews, canal de notícias 24 horas do grupo Globo.


Balanço dos casos de jornalistas detidos, feridos e agredidos nas manifestações

- Presos (4)

São Paulo (SP)
Pedro Ribeiro NogueiraPortal Aprendiz
Piero LocatelliCarta Capital
Fernando BorgesPortal Terra

Salvador (BA)
Francis Juliano,Bahia Notícias

- Agredidos por policiais ou seguranças (19)

São Paulo (SP)
Vagner MagalhãesPortal Terra
Fernando MellisPortal R7
Gisele BritoRede Brasil Atual
Leandro MoraisUOL
Fabio BragaMarlene BergamoFélix LimaAna KreppRodrigo Machado e Giuliana ValloneFolha de S. Paulo
Henrique Beirange e André Américo, jornal Metro
Sérgio SilvaFutura Press

Niterói (RJ)
Vladimir PlatonowAgência Brasil
Murilo AzevedoEBC

Rio de Janeiro (RJ)
Pedro VedovaGloboNews
André FernandesAgência de Notícias das Favelas

Fortaleza (CE)
Luiz Paulo MontesUOL

Salvador (BA)
Almiro LopesCorreio

- Agredidos ou hostilizados por manifestantes (8)

Manaus (AM)
Camila Pereira, Portal D24AM

Porto Alegre (RS)
Marina PagnoRádio Bandeirantes

Porto Velho (RO)
Tancredo FurtadoRádio Rondonotícias
“Richard”Rádio Globo AM

Campinas (SP)
Flávio BotelhoRádio CBN

São Paulo (SP)
Fabio Pannunzio e Rita LisauskasTV Band
Caco BarcellosTV Globo

- Equipamentos Depredados (4)

Fortaleza (CE)
Carro da TV Diário queimado

Natal (RN)
Veículo da TV Band virado por manifestantes

Rio de Janeiro (RJ)
Carro da TV SBT queimado

São Paulo (SP)
Veículo da TV Record queimado

Transcrevi trechos. Leia mais

Jornalista Sérgio Silva pode perder um olho. Por que a polícia de Alckmin só atira no rosto de fotógrafos e cinegrafistas?

Os torturadores têm pontaria certeira. São treinados para acertar no alvo. Eles atiram para atingir o olho. Os gorilas sabem que não existem fotógrafos e cinegrafistas cegos.
A solução final da censura é matar o jornalista.
Veja o testemunhal de um jornalista que pode perder um olho:
sérgio 1

sergio 2

Jornalista Sérgio Silva
Jornalista Sérgio Silva

O despreparo da Polícia Militar em lidar com uma mobilização democrática foi notório na última manifestação contra o aumento das passagens. Eu, Sérgio Silva, 31 anos, fotógrafo parceiro da Agência Futura Press, estou sofrendo na pele as consequências da violência contra a marcha. Fui atingido no olho esquerdo por uma bala de borracha, enquanto cobria a manifestação da quinta feira 13 de junho de 2013.

Muitos outros companheiros da imprensa também foram atingidos enquanto estavam trabalhando, cumprindo o importante papel da imprensa para o aprofundamento da democracia. Sou testemunha de que cidadãos que protestavam pacificamente, ou simplesmente transeuntes voltando do trabalho, e que se depararam com a manifestação, também foram vítimas.

Todo cidadão tem o direito de sair às ruas para reivindicar seus direitos sem temer uma repressão por parte da Polícia. Assim, lanço um abaixo-assinado, pedindo a proibição do uso da bala de borracha e gás de efeito moral, pela PM, contra manifestantes.

O Estado deve formar policiais que tenham outras repostas para as manifestações que não sejam a violência e para que armas desse nível não sejam utilizadas no acompanhamento de manifestações, onde a sociedade busca defender seus direitos. É necessário repensar como a Polícia deve agir. Dessa forma, defendo que a extinção dessas armas deve ser imediata. Leia mais

Lista de jornalistas presos e agredidos pela polícia de Alckmin

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Prisões e agressões

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) exigiu a libertação do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz. No levantamento realizada pela direção do Sindicato, além de Pedro, foram arbitrariamente detidos Piero Locatelli (Carta Capital) e Fernando Borges (Portal Terra).

Já o número de jornalistas agredidos tem caráter extraoficial e atingiu Vagner Magalhães (Portal Terra), Fernando Mellis (Portal R7), Gisele Brito (Rede Brasil Atual), Leandro Morais (UOL) e os profissionais da Folha de S. Paulo, Fabio Braga, Marlene Bergamo, Félix Lima, Ana Krepp, Rodrigo Machado e Giuliana Vallone – que levou um tiro de bala de borracha no olho e precisou ser internada no Hospital Sírio Libanês. Já na cobertura pelo jornal Metro, foram agredidos Henrique Beirange e André Américo. O número de vítimas, certamente, deve ser bem maior.

O caso mais grave é de Sérgio Silva, da Futura Press, que estava participando da cobertura jornalística do protesto quando foi atingido também por uma bala de borracha no olho. Familiares disseram que ele corre o risco de perder a visão.

Flagrante da violência

O autor da foto, Rodrigo Paiva, que a cedeu para o Sindicato em solidariedade à entidade e aos colegas, também se sentiu agredido e disse que um policial disparou contra ele uma bala de borracha, que felizmente não o atingiu. “Muita gente no facebook questiona e diz que a foto não traz uma agressão a jornalistas. Alegam se tratar de um manifestante que havia se escondido atrás da equipe de TV. Na verdade, durante a prisão de um manifestante, o policial tentou impedir que os jornalistas registrassem a cena, espirrando gás de pimenta”, afirmou o repórter fotográfico.

Selvajaria da polícia de Alckmin. Jornalista pode ficar cego.

Na noite da última quinta-feira (13/6), um vídeo publicado no Youtube, de autoria do jornalista Diego Cruz, do portal do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), mostra a ação de um grupo de policiais militares contra profissionais da imprensa na praça Roosevelt, em São Paulo, durante a quarta manifestação contra o aumento das passagens de transporte público.

De acordo com a Folha de S.Paulo, nas imagens, repórteres se identificam e pedem para que não sejam atingidos pelos policiais. Estes ignoram o pedido, disparam tiros de borracha contra os jornalistas e, em seguida, jogam bombas de gás lacrimogênio no meio do grupo composto por profissionais da imprensa e manifestantes.

“O protesto estava calmo e do nada eles começaram a atirar na imprensa”, disse a jornalista do PSTU Raiza Rocha, que fazia a cobertura do protesto ao lado de Cruz. “A gente gritava dizendo que éramos jornalistas, mas eles não estavam nem aí”, completou.

Segundo policiais ouvidos pela Folha, 192 pessoas foram detidas durante a manifestação. Desse número, 161 foram encaminhadas ao 78º DP (Jardins) e outras 31 para o 1º DP (Liberdade). Ao menos 14 manifestantes foram presos em flagrante; entretanto, a polícia não informou sob suspeita de quais crimes eles foram indiciados.

Cerca de cem pessoas ficaram feridas, de acordo com o Movimento Passe Livre, que organizou o protesto. Entre os feridos, sete são jornalistas da Folha, sendo que dois deles foram atingidos por tiros de bala de borracha na cabeça.

Em resposta às ocorrências, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse na noite da última quinta-feira que a quarta manifestação contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens foi marcada pela “violência policial”.

Assista ao vídeo:

Rodrigo Paiva/Estadão

Logo no início da manifestação, que começou na região central de São Paulo, o repórter da revista CartaCapital, Piero Locatelli foi preso e encaminhado para a 78ª delegacia por carregar vinagre na bolsa.

O fotógrafo do Portal Terra, Fernando Borges, também foi detido, mesmo se apresentando como profissional de imprensa.

Jornalistas do jornal O Estado de S.Paulo e da Rádio Estadão também relataram cenário de extrema violência por parte da polícia, principalmente no lançamento de bombas de efeito moral e spray de pimenta.

A repórter da revista Exame, Amanda Previdelli, presenciou a manifestação e narrou os momentos de violência pelo twitter. “Gente, desculpa, ainda tô muito impressionada. Não vi a frente e o fim da manifestação, mas a ABSURDA maioria era PACÍFICA”, disse Amanda em um dos posts.

A Rede Brasil Atual também informou, em seu perfil no Facebook, que uma repórter do veículo foi agredida. “Ela estava sentada escrevendo no bloco de anotações quando recebeu pancadas de cassetete no rosto e nas pernas. Há pelo menos uma dezena de jornalistas reprimidos hoje pela PM de São Paulo”, disse a nota publicada.

Cenário de guerra

Do jornal Folha de S.Paulo, sete repórteres foram atingidos e dois levam tiros no rosto. Segundo a publicação, a jornalista Giuliana Vallone, da TV Folha, e o colega Fábio Braga foram atingidos por balas de borracha no rosto disparadas pela Tropa de Choque da Polícia Militar. O repórter-fotográfico Fábio Braga recebeu dois disparos, um no rosto e outro na virilha.

Entidades de defesa à imprensa

No início da noite, a Anistia Internacional divulgou nota sobre as manifestações. “A Anistia Internacional vê com preocupação o aumento da violência na repressão aos protestos contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo”. A entidade destacou a preocupação em relação ao discurso das autoridades sinalizando a “radicalização da repressão”.

A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou no fim da manhã uma nota de repúdio à prisão do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira e a detenção que aconteceram na terça (11/6) do jornalista Leandro Machado, Folha de S. Paulo, do fotógrafo Leandro Morais, do UOL e a agressão do repórter do R7, Fernando Mellis.

Fábio Braga, jornalista da Folha

“A mídia desempenha um papel crucial nas manifestações, divulgando as queixas dos participantes, relatando a resposta das autoridades e contribuindo a abrir um debate sobre as reivindicações. Os jornalistas não podem ser assimilados aos manifestantes. Por conseguinte, as forças da ordem devem comprometer-se a respeitar a neutralidade e integridade dos profissionais da informação”, declarou RSF.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo condenou a agressão contra os jornalistas. “A Abraji considera preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos”.

“Fora Rede Globo”

Por volta de 18h30, quando a manifestação seguia na Rua da Consolação, região central, IMPRENSA acompanhou o protesto e presenciou a ação da Polícia Militar.Entre os manifestantes, ouvia-se palavras de ordem contra a TV Globo. Muitos manifestantes consideram que alguns veículos da imprensa estão fazendo uma cobertura parcial das manifestações.

fotógrafo da Futura Press pode perder visão

Fotógrafo Sergio Silva tem menos de 5% de chance de voltar a enxergar com olho machucado
Fotógrafo Sergio Silva tem menos de 5% de chance de voltar a enxergar com olho machucado

Durante o protesto, um fotógrafo da agência Futura Press, que fazia a cobertura da manifestação, foi atingido por uma bala de borracha no olho e pode perder a visão.

Sérgio Silva, que está internado no hospital Nove de Julho, tem chances inferiores a 5% de recuperação da visão do olho esquerdo.

“Ele está sedado e estamos providenciando sua transferência para um centro médico especializado em oftalmologia”, informou a mulher do fotógrafo.

Silva estava na rua da Consolação, zona de conflito principal do protesto, quando foi atingido pelo disparo. O profissional foi socorrido por um professor que o acompanhava durante a cobertura.

O protesto da última noite também deixou sete jornalistas da Folha feridos — dois deles com tiros de borracha no rosto.

(Transcrito do Portal da Imprensa)

Pelo número de vítimas, a polícia está treinada para atirar no rosto. Isso que a direitona pretende: uma justiça cega, uma imprensa cega.