O Superior Tribunal Eleitoral da Santa Inquisição. O sacrilégio do Manifesto Alerta Brasil

censura imprensa televisão indignados

 

 

Os jornalistas mineiros lançaram o Manifesto Alerta ao Povo  Brasileiro:

Nós, jornalistas mineiros reunidos na noite de 15 de outubro de 2014, em Belo Horizonte, vimos manifestar à sociedade brasileira as nossas apreensões quanto ao grave momento vivido pelo país às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais:

1. Estarrecida, a opinião pública mineira e brasileira deparou-se nos últimos meses com uma escalada da cobertura jornalística das eleições pelos meios de comunicação em claro favorecimento de candidaturas à Presidência da República, seja por meio da manipulação de informações políticas e econômicas, seja pela concessão de espaços generosos a um candidato em detrimento dos outros. Tais fatos, públicos e notórios, são sobejamente atestados por instituições de pesquisa e monitoramento da mídia, revelando uma tentativa de corromper a opinião pública e de decidir o resultado das urnas.

2. Infelizmente, tais práticas antidemocráticas, que atentam contra os princípios constitucionais da liberdade de expressão e manifestação e do direito à informação, fizeram parte do cotidiano da comunicação em Minas Gerais, atingindo nível intolerável nos governos de Aécio Neves. Leia mais aqui

Em Carta Maior, Antonio Assange denuncia que o TSE agiu como censor, e acaba de violar o processo eleitoral brasileiro. Leia aqui.

O TSE não ficou apenas no esconde-esconde da vigilância da Gestapo nas redações dos jornais, rádios e televisões mineiras. A Gestapo de Aécio que ajoelhava, batia, demitia e prendia jornalistas.

 

TSE suspende novo trecho da propaganda de Dilma

 

TSE gestapo

O texto informava que o candidato Aécio Neves (PSDB) construiu um aeroporto em terreno de sua família e mantinha as chaves “nas mãos de seu tio”, em referência ao aeródromo na cidade mineira de Cláudio, o escravo.

A propaganda, veiculada na quinta-feira (16), não pode mais ser exibida, segundo decisão do ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.

 

Dilma: “PSDB esconde corrupção debaixo do tapete”

 

liberdade expressão censura apagão indignados

Sem mostrar trégua quanto ao passado do PSDB marcado por escândalos de corrupção, a presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) disse que o PT não tem hábito de engavetar denúncias perante o adversário Aécio Neves (PSDB), no segundo debate presidenciável promovido por UOL, SBT e Jovem Pan nesta quinta-feira (16/10). A exemplo do último encontro na Rede Bandeirantes, há três dias, a petista voltou a enumerar casos não resolvidos em gestões tucanas.

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Mesmo com o tom agressivo de Aécio, Dilma não se intimidou e afirmou que os governos petistas não “engavetaram os escândalos” e não têm costume de “escondê-los debaixo do tapete”. “Ao contrário do passado, a Polícia Federal não era dirigida por filiados do PSDB. A PF investigou e vai punir implacavelmente”, disse. “Onde estão os corruptos da compra de votos da reeleição? Todos soltos. Onde estão os corruptos do metrô de SP e dos trens? Todos soltos. (…) Da ‘privataria tucana’?, todos soltos”, respondeu Dilma.

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Nos dois debates presidenciais, Dilma tem respondido aos questionamentos de Aécio sobre corrupção, afirmando que não tolera tal prática e que em seu governo, os culpados são realmente punidos. A petista rebateu as insinuações do tucano ao dizer que os órgãos fiscalizadores não têm a mesma independência com as gestões do PSDB.

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Entre os casos mal resolvidos dos tucanos, estão o escândalo da Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), que foi a primeira grande denúncia contra o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que derrubou um ministro e dois assessores presidenciais, sob acusações de corrupção e tráfico de influência no contrato de US$ 1,4 bilhão para criação do órgão.

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O caso de compras de votos para aprovação da emenda constitucional da reeleição, em 1997, também no governo de FHC, é considerado o primeiro grande Mensalão na história recente do Congresso Nacional. As denúncias envolveram o então ministro das Comunicações, Sérgio Motta (PSDB), e dois parlamentares do antigo PFL, atual DEM – partido aliado de Aécio –, que admitiram em gravações o recebimento de R$ 200 mil pelo voto.

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Dilma também citou o Mensalão Mineiro, esquema de caixa 2 montado em benefício de 159 políticos, principalmente o então candidato derrotado ao governo de Minas Gerais em 1998, Eduardo Azeredo (PSDB).

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Por último, a presidenta voltou a colocar em debate o cartel no Metrô e na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), mantido entre 1998 a 2008, sob tutela dos governos paulistas de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos do PSDB. O esquema milionário foi orquestrado para desviar recursos públicos por meio de acordo entre representantes do governo paulista e empresas, que juntas, combinaram preços em licitações e obter contratos superfaturados.

 

muda mais

 

Contra a censura de Aécio, jornalistas mineiros publicam manifesto ALERTA AO POVO BRASILEIRO

 

Cerca de 100 jornalistas de diversos veículos de comunicação, intelectuais e educadores mineiros reuniram-se nesta quarta-feira (15), em Belo Horizonte, para denunciar a ofensiva promovida pelas sucessivas gestões tucanas em Minas Gerais contra a liberdade de imprensa e a democracia.

Kerison Lopes, presidente do SJPMG, afirma que denúncias de jornalistas se intensificaram no segundo turno
Kerison Lopes, presidente do SJPMG, afirma que denúncias de jornalistas se intensificaram no segundo turno

 

por Marina Viel

 

Alvo de constantes denúncias de censura e de perseguição a profissionais de imprensa, as administrações tucanas dos ex-governadores Aécio Neves e Antônio Anastasia e do atual governador Alberto Pinto Coelho foram aclamadas como antidemocráticas. Práticas como a demissão de jornalistas, a edição e publicação de matérias que não condizem com a realidade apurada nas ruas pelos profissionais e o descumprimento do Código de Ética foram relatadas como práticas comuns nas redações dos veículos de comunicação do estado.

Os profissionais denunciaram também o conluio explícito entre o governo e os principais jornais mineiros. Uma série de orientações e uma lista de temas e fontes proibidas em matérias políticas regeu os principais veículos de imprensa nos últimos anos. Andrea Neves, irmã do presidenciável tucano, foi citada pelos jornalistas como uma das grandes expoentes do controle do governo tucano sobre o conteúdo das notícias.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG), Kerison Lopes, afirmou que neste segundo turno das eleições os princípios constitucionais da liberdade de expressão nas redações mineiras alcançaram um nível intolerável. “O Sindicato recebe inúmeras denúncias sobre o que aconteceu nos primeiros 10 dias do segundo turno. Nós mineiros temos que mostrar quem é Aécio Neves e os jornalistas têm um compromisso ainda maior. Devemos lutar para que a liberdade de imprensa e para que a verdade das ruas voltem às páginas dos nossos jornais.”

Recentemente, o jornal Estado de Minas, do grupo Diário dos Associados, convocou seus funcionários, através de sua intranet, para a participação de uma caminhada a favor do candidato Aécio Neves. A “convocação” chegava ao absurdo de orientar os jornalistas a vestir as cores azul ou amarelo, do PSDB.

Em nota pública, o SJPMG e o Sindicato dos Empregados da Administração das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de Belo Horizonte esclareceram que nenhum trabalhador pode ser obrigado a participar de ato de campanha de nenhum candidato a cargo eletivo.

Os jornalistas fizeram um chamamento nacional pela derrota nas urnas do candidato à Presidência da República, Aécio Neves, em nome da liberdade. Para os profissionais de imprensa a reeleição da presidenta Dilma Rousseff é imprescindível para assegurar que o Brasil não siga o caminho do obscurantismo e da censura praticado nos últimos 12 anos no estado.

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O ex-presidente do SJPMG, Aloísio Lopes, reafirmou que o maior compromisso dos jornalistas mineiros é com a liberdade. Ele falou do constrangimento e do assédio moral contra os jornalistas. Aloísio relatou ainda que outra prática do tucanato em Minas foi varrer das páginas dos jornais o movimento social. Ele citou manifestações promovidas pelo Sindicato Único dosTrabalhadores em Educação de Minas Gerais (SindUTE) e a greve da polícia que foi escondida pela imprensa mineira a mando dos governos do PSDB.

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O encontro exaltou ainda a heroica resistência de muitos profissionais mineiros que não cedem às pressões dos veículos em que trabalham e lutam cotidianamente para, nas entrelinhas de suas matérias, divulgar a verdade. Os jornalistas também ressaltaram a necessidade de o governo federal enfrentar nacionalmente o debate sobre a regulação da mídia a fim de garantir que os episódios que marcaram a imprensa mineira não se repitam nunca mais.

Leiam abaixo a íntegra da nota aprovada pelos jornalistas de Minas Gerais:

Alerta ao Povo Brasileiro

 

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Nós, jornalistas mineiros reunidos na noite de 15 de outubro de 2014, em Belo Horizonte, vimos manifestar à sociedade brasileira as nossas apreensões quanto ao grave momento vivido pelo país às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais:

1. Estarrecida, a opinião pública mineira e brasileira deparou-se nos últimos meses com uma escalada da cobertura jornalística das eleições pelos meios de comunicação em claro favorecimento de candidaturas à Presidência da República, seja por meio da manipulação de informações políticas e econômicas, seja pela concessão de espaços generosos a um candidato em detrimento dos outros. Tais fatos, públicos e notórios, são sobejamente atestados por instituições de pesquisa e monitoramento da mídia, revelando uma tentativa de corromper a opinião pública e de decidir o resultado das urnas.

2. Infelizmente, tais práticas antidemocráticas, que atentam contra os princípios constitucionais da liberdade de expressão e manifestação e do direito à informação, fizeram parte do cotidiano da comunicação em Minas Gerais, atingindo nível intolerável nos governos de Aécio Neves. A atividade jornalística e a atuação dos profissionais foram diretamente atingidas pelo conluio explícito estabelecido entre o governo e os veículos de comunicação, com pressão sobre os jornalistas e a queda brutal da qualidade das informações prestadas ao cidadão mineiro sobre as atividades do governo. Tais pressões provocaram censura e mesmo demissões de profissionais e uma permanente tensão nas redações. E quebraram as históricas vocações e compromissos de Minas com a liberdade de pensamento e de ideias, traços distintivos da formação e das tradições históricas do estado.

3. Diante do exposto e por dever do ofício, nós, jornalistas mineiros, alertamos a sociedade brasileira sobre os riscos que tais práticas representam para a Democracia, para o Estado de Direito e para os direitos individuais e políticos dos cidadãos. Reafirmamos que a essência da atividade do jornalista é a liberdade de expressão e manifestação, assegurando o direito da sociedade à informação, livre e plena.
Belo Horizonte, 15 de outubro de 2014

(O Manifeste foi censurado pela donos de jornais, rádios e televisões)

 

 

 

Diário de Pernambuco reconhece o óbvio: Não deu tempo para escrever a grande obra literária da Copa Brasil 2014

O Diário de Pernambuco abrir espaço para escritores, a maioria deles renegados pelos Associados, causa espanto, que a cultura brasileira não participa do cotidiano da imprensa, notadamente dos jornalões, dos monopólios da televisão, e dos grandes portais na internet.

Sempre  ensino: a leitura dos jornais – depois da internet – depende de sua volta às origens. Realizar o jornalismo opinativo, promover debates, lançar romances em capítulos, ter uma redação que valesse este nome. No DP, convivi com Costa Porto, Gilvan Lemos, Paulo Fernando Craveiro, Paulo Azevedo Chaves, César Leal, Edmir Domigues, Mauro Mota, Raimundo Carrero, Waldimir Maia Leite, Selênio Siqueira, Edmundo Moraes, Antonio Camelo, Roberto Benjamin, Jaime Griz, Flávio Guerra, Potyguar Matos. E a redação do DP perdia feio para a do Jornal do Comércio.

Eis que, na sua campanha contra a Copa do Mundo (a finalidade é atingir Dilma Roussef, quando aqui o estádio foi construído na Mata de São Lourenço, por  Eduardo Campos), o DP publica a seguinte enquete, realizada por Fellipe Torres:

“NO CAMPOS LITERÁRIO, SEGUNDA COPA NO BRASIL PERDE FEIO PARA MUNDIAL DE 1950

Quando o país sediou o torneio pela primeira vez, há 64 anos, surgiam grandes obras literárias em todo o mundo. De olho em 2014, escritores, críticos e acadêmicos indicam quais livros podem (ou não) entrar para a história”

A Copa nem terminou, e o Diário de Pernambuco cobra uma grande obra literária. Parece piada. Ou aquela reportagem que se faz com adivinhos no final de cada ano…

Temos 64 anos de literatura desde a última Copa, não há como comparar com obras que ainda serão escritas. Temos mais 64 anos pela frente se queremos ser justos. Mas se apressa Luís Serguilha, poeta e crítico literário:

“Este ano sinceramente não vejo livros assim tão marcantes, nem no ano passado. São nomes marcantes no pensamento atual (literário-científico-filosófico): James Lovelock, Umberto Eco, Jacques Ranciere, Ernst Tugendhat, Noham Chomsky… Instigantíssimos! A literatura jamais poderá se separar deles. É contaminada por eles e muito”. Não citou nenhum brasileiro.

 

Condeno a enquete pelo título enganoso, safado, escandaloso e orquestrado. Quando o próprio Fellipe Torres reconhece:

“Ninguém seria capaz, naquela época, de antecipar a força de tais obras, como é corriqueiro no meio editorial. Agora, quando o país recebe o mundial pela segunda vez, ouvimos escritores, críticos literários e pesquisadores para – irresponsavelmente – ‘brincar’ de futurismo e refletir sobre a força da literatura contemporânea. Quais livros lançados em 2014 são capazes de entrar para a história a ponto de serem lembrados e reverenciados daqui a mais 64 anos? Façam suas apostas”.

Alguns entrevistados aproveitaram para mostrar que o Brasil, cujas livrarias não vendem livros de autores brasileiros, e as bibliotecas públicas são raras. No Brasil da corrupção existem várias bibliotecas fantasmas, como acontece em Jaboatão. Recife tem apenas uma, construída por Aderbal Jurema, salvo engano, no aterro do Parque 13 de Maio, para a realização do Ano Eucarístico em 1950, quando o América do poeta João Cabral de Melo Neto foi campeão de Pernambuco.

LOURIVAL HOLANDA, PESQUISADOR E PROFESSOR DA UFPE
“A RESERVA EM OURO ANTIGO [O QUE FICOU DOS ANOS 50] GARANTE O INVESTIMENTO DE AGORA”.

Lourival

Há distanciamento bastante que facilita ver o que valeu e ficou [em literatura] dos anos 50 — mas: os 5 ou 6 meses, deste 2014, é muito pouco pra apostar no que vai ficar…

Esse recentíssimo Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago [já tem idade de clássico…], pode ficar — pelo frescor [ôpa!] da narração renovada, pela maestria da linguagem; O Mia Couto que saiu esse ano, só segue a linha ascendente, é bom também; ou: ainda; é possível que fique esse livro do Luiz Rufatto [Flores artificiais]: é bom; Carola Saavedra acaba de sair com livro novo, assim como o Marcelo Ferroni [Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam] — nada disso me impressionou.

Dos anos 50 houve/há ainda/sempre Hilda Hilst, Mário Faustino, a crônica de Paulo Mendes Campo; tudo isso ainda se lê bem. Nos próximos 50, será que Reprodução, de Bernardo Carvalho, fica? É um livro forte, sim; O drible, de Sérgio Rodrigues, muito surpreendente; e o Almir Bettega [Barreira]; esse, queria que ele ficasse, tempos a fora.

Enfim, essas são as apostas; incertas, claro, mas a reserva em ouro antigo [o que ficou dos anos 50] garante o investimento de agora.

URARIANO MOTA, ESCRITOR
“O QUE ESCREVEMOS E PUBLICAMOS AGORA SOMENTE VERÁ RECONHECIDO O SEU VALOR MUITOS ANOS OU DÉCADAS ADIANTE DESTE 2014”

Urariano

Do ponto de vista literário, a comparação entre os anos de 1950 e 2014 é impossível ou desvantajosa para o presente. Digo impossível porque olhamos para aquele 1950 com olhos que são filtros seguros, ou crisóis, que depuram e salvaram apenas o que se tornou obra permanente. E no entanto, não podemos fazer o mesmo com os lançamentos deste novo ano da Copa no Brasil.

Quero dizer, o que escrevemos e publicamos agora somente verá reconhecido o seu valor muitos anos ou décadas adiante deste 2014. A literatura é arte que subjuga o tempo. Mas o tempo dela se vinga escolhendo sem pressa o que será verdadeira literatura.

Digo também que a comparação entre a literatura dos anos de 1950 e de 2014 é desvantajosa porque não vemos, hoje, nada que se compare à revolução de Eu, robô, de Isaac Asimov, ou de Crônicas marcianas, de Ray Bradbury, ou à fecundação do Canto geral, de Pablo Neruda, ou de O cão sem plumas, de João Cabral, todas obras vindas à luz em 1950.

É até covardia a comparação. E covardia não tanto pela impossibilidade de construirmos grande literatura hoje, mas covardia porque iríamos medir com o metro da tradição os livros mais recentes, que não podem ser avaliados por nossos olhos viciados pelo já visto.

Mas não tenhamos dúvida: ainda superaremos 1950, no futebol e na arte. A literatura que será grande já se publica neste 2014. Quem e o quê sobreviverá? Amanhã saberemos. Lei mais 

[O Brasil tem excelentes romancistas. Começa pelos pernambucanos Urariano Mota, Fernando Carrero, Angelo Monteiro. E poetas que deveriam ter merecido o Prêmio Nobel: os “João, Joaquim e Manoel” de Carlos Pena Filho, poetas maiores que os direitistas Fernando Pessoa, Rainer Maria Rilke, influenciados pela Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Não vou cobrar de Ivan Maurício, temos vários jornalistas – fora do batente – que deveriam ser musicados, para exaltação merecida da Poesia, e para combater a degeneração da MPB, e para tirar do esquecimento os ritmos pernambucanos.

Não vou cobrar de Ivan, exemplo do bom jornalismo, porque tem apenas mais cinco meses de secretariado.

Mas considero que a Secretaria de Imprensa, além de informar os atos e fatos do governo, deveria influenciar na dignificação dos jornalistas.

Outro grande jornalista, o potiguar Woden Madruga recomenda que o texto (crônica) de Ruy Castro, “”Cultura reduzida””, publicado na edição do dia 30, na Folha de S. Paulo, “deveria ser lido em todas as escolas deste vasto país. Lido e comentado. Lido, inclusive, pelas pessoas que dizem cuidar da cultura de sua terra, do gestor público ao artista de pose e de nariz arrebitado, “moderníssimo””. Certo Woden, gente que prefere citar autores estrangeiros, por conta do complexo vira-lata.

Diz Ruy Castro: “Há 50 ou 60 anos, os jovens ouviam toda espécie de ritmos – sambas, baiões, foxes, mambos, fados, boleros, tangos, canções francesas e napolitanas, valsas vienenses, jazz, calipso, rock’n’roll. Sabiam identificar qualquer instrumento que vissem ou ouvissem – distinguiam entre um trompete e um trombone, sabiam escalar a família inteira dos saxes, citavam pelo menos dez variedades de cordas e conheciam a maioria dos instrumentos de uma sinfônica. Aprendíamos com o cinema, o rádio ou nossos pais.

A partir dos anos 70, a vida reduziu a guitarras, teclados e percussão. Os outros instrumentos deixaram de existir. Os ritmos nacionais se evaporam e a música popular ficou igual em toda parte. A educação musical dos garotos empobreceu. E os pais não podem ajudar, porque, já nascidos nesta realidade, seu conhecimento não é muito maior que o dos filhos”.

Eis o que acontece quando jornalistas pernambucanos são musicados:

 

 

 

 

 

 

 

Poesia de Fábio Chap: a gente é

prisão jornalista
a gente é
só notícia
a gente é
notícia só
somos nota curta
no
jornalnúmero de RG
endereço
e
conta paga
[se quiser
ser
bonito]

esquecendo
que
a gente é só
um flash
passageiro

um livro
que
logo
acaba

15 segundos
de
tragédia

a gente
é a média

perto
do mínimo

grande
é só
o coração
que
a gente
põe
no que
faz
ou que
tenta

[ser]

de
resto
somos
sopro
pro
nada

notícia
no rodapé

um traço
do
vulto
avulso
no
rastro
confuso
de
insignificância

somos
a
ânsia
de algo
maior

nunca
seremos

jamais saberemos

o que resta
é
viver

só deixar

numa vida
só numa

viver
uma vida

Fábio Chap
Fábio Chap

Rede Globo: “O excesso ou a omissão” da polícia nos protestos

BRA_OG cinegrafista

 

Os comentários entre colchetes são do único jornalista editor deste blogue (Talis Andrade).

A Rede Globo divulgou o seguinte editorial:

Não é só a imprensa que está de luto com a morte do nosso colega da TV Bandeirantes Santiago Andrade. É a sociedade.

Jornalistas não são pessoas especiais, não são melhores nem piores do que os outros profissionais. Mas é essencial, numa democracia, um jornalismo profissional, que busque sempre a isenção e a correção para informar o cidadão sobre o que está acontecendo. E o cidadão, informado de maneira ampla e plural, escolha o caminho que quer seguir. Sem cidadãos informados não existe democracia.

Desde as primeiras grandes manifestações de junho, que reuniram milhões de cidadãos pacificamente no Brasil todo, grupos minoritários acrescentaram a elas o ingrediente desastroso da violência. E a cada nova manifestação, passaram a hostilizar jornalistas profissionais.

Foi uma atitude autoritária, porque atacou a liberdade de expressão; e foi uma atitude suicida, porque sem os jornalistas profissionais, a nação não tem como tomar conhecimento amplo das manifestações que promove. [Fica explícito que, para a Rede Globo, os autores do assassinato Santiago Andrade já foram identificados pela polícia]

Também a polícia [os soldados estaduais, comandados pelos governadores] errou – e muitas vezes. Em algumas, se excedeu de uma forma inaceitável contra os manifestantes; em outras, simplesmente decidiu se omitir. E, em todos esses casos, a imprensa denunciou. Ou o excesso ou a omissão. [Não é verdade. A Rede Globo sempre escondeu a violência policial, preferindo mostrar, exclusivamente, o vandalismo de protestantes e infiltrados]

A violência é condenável sempre, venha de onde vier. Ela pode atingir um manifestante, um policial, um cidadão que está na rua e que não tem nada tem a ver com a manifestação. E pode atingir os jornalistas, que são os olhos e os ouvidos da sociedade. Toda vez que isso acontece, a sociedade perde, porque a violência resulta num cerceamento à liberdade de imprensa.

Como um jornalista pode colher e divulgar as informações quando se vê entre paus e pedras e rojões de um lado, e bombas de efeito moral e bala de borracha de outro?

Os brasileiros têm o direito de se manifestar, sem violência, quando quiserem, contra isso ou a favor daquilo. E o jornalismo profissional vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum.

Exatamente como o nosso colega Santiago Andrade estava fazendo na quinta-feira passada. Ele não estava ali protestando, nem combatendo o protesto. Ele estava trabalhando, para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto.

Mas a violência o feriu de morte aos 49 anos, no auge da experiência, cumprindo o dever profissional.

O que se espera, agora, é que essa morte absurda leve racionalidade aos que contaminam as manifestações com a violência. A violência tira a vida de pessoas, machuca pessoas inocentes e impede o trabalho jornalístico, que é essencial – nós repetimos – essencial numa democracia.

A Rede Globo se solidariza com a família de Santiago, lamenta a sua morte, e se junta a todos que exigem que os culpados sejam identificados, exemplarmente punidos. E que a polícia investigue se, por trás da violência, existe algo mais do que a pura irracionalidade. [Este “algo mais” é o politicismo. Na primeira manchete sobre a morte de Santiago Andrade, a Rede Globo envolveu o deputado estadual do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, que faz oposição ao governador Sérgio Cabral. É importante investigar se o assassinato de Santiago foi um crime político, uma morte encomendada. Isso sem partidarismo]

BOMBA: ADVOGADO QUE ME ACUSA DEFENDEU CHEFE DA MILÍCIA
por Marcelo Freixo

Vejam que coincidência! O advogado Jonas Tadeu Nunes (OAB/RJ 49.987), que me acusou de ter ligações com o homem que detonou o rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade, defendeu o miliciano e ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, que chefiou a maior milícia do Rio de Janeiro.

Eis a peça que faltava no quebra cabeça destas acusações absurdas. Natalino foi preso em 2008 graças às investigações da CPI das Milícias, presidida por mim na Assembleia Legislativa. À época, mais de 200 pessoas, entre elas várias autoridades, foram indiciadas. Natalino e seu irmão, Jerominho, que dividiam o poder, cumprem pena em presídios federais.
Seis anos depois, Jonas apresenta contra mim uma história cheia de contradições e fragilidades.
O mais assustador é a imprensa repercutir uma informação tão grave e duvidosa sem checar minimamente o histórico da fonte.

DESPEDIDA DA FILHA DO CINEGRAFISTA SANTIAGO ANDRADE

Santiago Andrade

Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai.

Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode! Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha, quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.

Quando casei, ele ficou tão bêbado que, na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo. Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.

Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.

Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.

Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.

Obrigada a todos. Ele também agradece.

Eu sou Vanessa Andrade, tenho 29 anos e os anjinhos do céu acabam de ganhar um pai.

O mais legal: maconha ou tabaco?

Fumo uma média de oitenta cigarros por dia. Considero o tabaco uma droga que vicia e mata lentamente.

Não tenho nenhum prazer. Sou apenas um dependente químico. Quando paro, sofro crises de abstinência que são fisicamente terríveis.

Nas décadas de 60, 70 e 80 fumei, como estudante, maconha, principalmente nos Estados Unidos, Equador, Espanha. E abandonava o cigarro. Usava a maconha, esporadicamente, nas festas com estudantes universitários. E viagens, que ganhei uma bolsa de estudo para conhecer as principais faculdades e meios de comunicação de massa na França, Suíça, Bélgica e Alemanha. E escapadas por Marrocos, Inglaterra, Itália e outros países. Que peguei o início do movimento hippie nos Estados Unidos e Europa.

Quando retornava ao Brasil, depois de um ou dois anos voltava a fumar. E toda volta resultava no consumo em dobro da cota de antes.

Antes de ir estudar nos Estados Unidos, uns 20 cigarros. Passei para 30/40. Depois do Equador, 40/60. Depois da Espanha, 60/80.

Comecei  lá pelos 23 anos. E ninguém suga mais de 8o cigarros por dia. Não existe uma quantidade limite. Portanto, fico entre 70/80, que é uma boa dose para quem vai completar, em janeiro próximo, 77 anos.

Preferiria maconha. Que me dá sono. Acredito que o patronato, nos tempos que comecei no jornalismo, permitia fumar nas redações porque o tabaco é um estimulante, tira o apetite e o sono, e assim varei madrugadas, que os diários fechavam às 24 horas, hora que começava o trabalho de muitos vespertinos, como aconteceu comigo no jornal O Globo, tendo Mauro Sales como chefe de reportagem. Fui estagiar n’ O Globo pelo ganho do Prêmio Esso em Jornalismo.

Por duas vezes trabalhei no vespertino Diário da Noite do Recife. Também redigido noturnamente. Indicado por dois grandes jornalistas. A primeira vez por Abdias Moura, mestre, como editor policial. A segunda, convidado pelo companheiro de farra Ronildo Maia Leite, como copy e repórter especial.

Não havia cinzeiros, o cigarro aceso queimava as beiradas do birô, meus dedos, meus lábios, que certa vez operei uma queimadura.

Quanto rende para o governo e multinacionais vender enfisema, câncer, angina e outras doenças malignas?

Não fumo maconha porque não quero contato com nenhum traficante.

Certamente fumei maconha no Brasil, quando professor da Católica. O cigarro babado de alguma estudante.

uy_republica. maconha

El Senado uruguayo votará hoy un mundialmente inédito proyecto de ley que regulará la producción y venta de marihuana y que el gobierno considera como “un experimento” para combatir el narcotráfico.

El texto -aprobado en julio por la Cámara de Diputados- tiene su sanción asegurada por el apoyo del Frente Amplio, que tiene la mayoría en ambas cámaras.

La iniciativa fue presentada hace un año y medio por el gobierno del presidente José Mujica junto a una serie de medidas para frenar el incremento de la inseguridad pública y desactivar la violencia asociada al narcotráfico.

“Este es un experimento”, admitió Mujica. “Podemos hacer un verdadero aporte a la humanidad. Ser un banco de prueba en desatar un conjunto de disciplinas que sirvan para enfrentar el problema y sumen herramientas a la lucha contra la drogadicción”, reiteró en varias ocaciones.

El proyecto otorga al gobierno el control y reglamentación de la importación, cultivo, cosecha, distribución y comercialización del cannabis y sus derivados.

Tras registrarse, los residentes mayores de 18 años podrán cultivar hasta seis plantas, acceder a la droga en clubes de usuarios o comprar hasta 40 gramos por mes en las farmacias.

“No hay mucha criminalidad alrededor del tema en Uruguay, entonces el cambio no es profundo. Es básicamente un experimento, pero no es un experimento que se puede replicar con facilidad” en países de mayor tamaño, dijo a la Steven Dudley, codirector del sitio web Insightcrime, especializado en narcotráfico en América Latina.

Uruguay enmarca la iniciativa en la postura de la Comisión Global de Política de Drogas -integrada por los ex presidentes de Colombia César Gaviria y de México Ernesto Zedillo, entre otros- que sostiene que la guerra contra las drogas ha fracasado.

El presidente Mujica, calcula que el país gasta unos 80 millones de dólares anuales en combatir el narcotráfico y en mantener a los presos por delitos vinculados a la droga.

Actualmente consumir drogas no está penado pero sí comercializarlas. El consumo de marihuana es el más extendido entre las drogas ilegales y se ha duplicado en los últimos 10 años.

Según las autoridades hay unos 128.000 fumadores de cannabis, aunque las asociaciones de consumidores calculan que rondan los 200.000.

Mejor precio y calidad

El gobierno planea atraer a los consumidores con un cannabis más barato y de mejor calidad que el que se consigue hoy en el mercado ilegal.

“Vamos a ir teniendo en cuenta los precios en el mercado negro, hasta que comencemos a desestructurar el funcionamiento de ese mercado”, dijo Julio Calzada, secretario general de la Junta Nacional de Drogas.

Clave

Uruguay será el primer país para aprobar una ley de esta naturaleza, uniéndose a los estados norteamericanos de Colorado y Washington, que en el noviembre de 2012 aprobaron iniciativas para legalizar y regular el cannabis.

“La creación de un mercado legal y regulado para el cannabis marcará un momento clave para la reforma de las políticas de cannabis al nivel hemisférico y global”, dijo John Walsh de WOLA, un experto en las políticas de drogas. “Cuando se escribe la historia de la desintegración de la prohibición del cannabis, el papel valioso y pionero de Uruguay se figurará prominentemente”.

Kike Estrada
Kike Estrada

O grande jornalista Fábio José de Melo me pergunta “legal, em que sentido?”

Repondi: A maconha? Em todos.

Quando garoto não fumava. Mas conhecia um bar no Parque 13 de Maio, Recife, frequentado por Gilberto Freyre, e pelos meus amigos poetas e boêmios J. Gonçalves de Oliveira, então comunista, e Carlos Pena Filho. E o poeta Francisco Bandeira de Mello que nem fumava nem bebia. Eu, bebia.

Gilberto era maconheiro. Na época, final dos anos 50, a maconha era considerada vício de negro, coisa sacrílega de terreiro de macumba. Portanto, a discriminação da maconha era racista e religiosa. Aconteceu com o samba, antes de Nair de Tefé, primeira caricaturista mulher do mundo, que estudou na França, casar com o presidente Hermes da Fonseca.

O samba era visto como dança vulgar e lasciva. Nair levou o samba para o palácio do Cadete, junto com o poeta Catulo da Paixão Cearense e Chiquinha Gonzaga. Foi o maior escândalo, para puritanos tipo Rui Barbosa, que queimou os arquivos da escravidão, para esconder suas origens.

O preconceito contra a maconha está nas suas origens africanas. O engraçado é que os traficantes de escravos compravam negros com tabaco, planta originária das Américas.

 

Pena leve para “O Estado de Minas”

 
 Escrito por Kiyomori Mori 

Vou começar esse texto com o trecho do depoimento judicial de uma testemunha, em uma das raras condenações da Justiça do Trabalho por assédio moral.

A decisão dos desembargadores da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, publicada há quase uma década, é considerada até hoje uma das principais jurisprudências sobre assédio nas redações, justamente porque a situação ocorreu dentro de um do notório “O Estado de Minas”.

Eu substituí o nome da chefe por “editora” e do repórter por “jornalista”. Sim, isso mesmo, a assediadora era uma mulher. E eu aposto que serão poucos os leitores do Comunique-se, que passaram alguma parte da vida profissional em redações, que não tenham se deparado ao vivo com situações semelhantes:

“a EDITORA humilhava os repórteres dizendo que não sabiam escrever, que eram antiprofissionais; a EDITORA gritava quando se dirigia aos repórteres e, em muitas vezes, a redação parou assustada com os seus gritos;… a EDITORA, por exemplo, em relação ao JORNALISTA, já ligou para a fonte a fim de confirmar informações em matéria redigida pelo JORNALISTA; que a depoente jamais viu atitude semelhante em editor de jornais onde trabalhou; que faz parte da ética do jornalismo a preservação da fonte; que a fonte quando declara informação ao repórter, demonstra confiança neste profissional;… que a depoente jáouviu a EDITORA chamar o JORNALISTA de incompetente assim como a outros repórteres; que isso era feito comumente na redação na presença de outros repórteres” (depoimento da testemunha, f. 262/263 no processo 00253-2003-003-03-00-7)

No caso acima, os desembargadores condenaram o jornal a pagar R$ 20 mil para o jornalista, o que em valores de hoje daria cerca de R$ 50 mil.

Os julgadores, de forma unânime, ressaltaram que o valor, além de ressarcir o jornalista, “atende à finalidade pedagógica da condenação, atraindo a atenção da reclamada para que fatos como este não mais ocorram, estimulando-a a propiciar aos seus funcionários ambiente de trabalho saudável, também do ponto de vista psíquico”.

A jurisprudência acima é isolada, isso porque são poucos os casos que chegam à Justiça do Trabalho. Dos que são levados a julgamento, a maioria termina em acordo, antes mesmo de ouvir as testemunhas – e deixa-se tudo por isso mesmo em troca de alguns trocados.

Recentemente, após o caso da estagiária da CBN de Curitiba que denunciou ter sido vítima de assédio sexual e acabou ela mesma perdendo o emprego (leia aqui), perguntei a um amigo do Ministério Público do Trabalho por que não havia mais fiscalização de assédio moral nas redações (o assédio sexual é modalidade de assédio moral).

Ele me explicou que em um país, onde a maior capital da América ainda é possível encontrar trabalhadores em condições análogas à escravidão, o Ministério Público, com quadro reduzido, não podia se dar ao luxo de fiscalizar condição de trabalho nas redações, onde há pessoas instruídas, com formação educacional privilegiada e com acesso fácil à Justiça.

Será que ele não está certo?

FACÇÃO – Encontro Latino-Americano de Midiativismo

encontro mídia

Depois de ser palco das principais manifestações brasileiras em 2013, o Rio de Janeiro se configurou como sede de uma potente rede de midiativistas, comunicadores capazes de, juntos, pautarem uma nova leitura dos fatos, apresentando narrativas independentes e questionadoras.

O encontro FACÇÃO reunirá centenas de pessoas do Brasil e da América Latina, entre jornalistas, comunicadores, movimentos sociais, blogueiros, artistas, agentes culturais e desenvolvedores de tecnologia livre nos dias 22 e 24 de novembro para debates e atividades, que construirão propostas para a democratização da comunicação.

O evento apresenta 4 eixos centrais: Ativismo, Linguagens, Tecnologias e Políticas Públicas. O intuito é avaliar o cenário contemporâneo da mídia, levando em conta o movimento independente que vem ganhando cada vez mais espaço.

Temos um grande desafio pela frente: furar a barreira dos meios hegemônicos para construir informação a partir de todas as camadas da sociedade.

Fotógrafos Ativistas. Veja outros organizadores/apoiadores. Inscreva-se

As notícias vão surgir de três fontes: jornalistas profissionais, jornalistas-cidadãos e ‘jornalistas-robôs’

“A comunicação social será íntima, individualizada de formas que hoje não conseguimos imaginar”

jornal futuro

por Simone Duarte

Gene Liebel acredita que talvez 90% das formas como as pessoas consumirão notícias em 2041 serão inventadas depois de 2013, mas há algo que não mudará: “A tecnologia muda, mas nós temos tendência para querer as mesmas coisas. E, no que diz respeito ao consumo de notícias, uma coisa que tendemos a querer – e que a Internet tende a dar-nos – é mais controlo. Em 2041, Liebel gostaria de ver a chamada “economia da reputação” evoluir para um estádio em que os leitores tenham uma indicação imediata das novas fontes de informação que são fidedignas: “Gostaria de ter acesso a especialistas em todas as matérias – incluindo os que sejam completamente independentes – que tenham conquistado, com o tempo, a confiança da comunidade, quer pertençam a uma organização noticiosa estabelecida quer não.”

Sobre o papel dos editores, Gene Liebel acha que, em 2041, não terão mais o poder de formular a dieta de notícias diárias. “Embora isto possa parecer negativo, um dos objectivos dos editores é conseguir captar a minha atenção todos os dias, quer haja uma história importante para contar quer não. Isso é uma perda de controlo da minha parte, como leitor, algo que a Internet tende a eliminar com o tempo.”

Já Michael Bove Jr., do prestigiado Laboratório de Media do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, não vai tão longe. Acha que a curadoria e a edição serão feitas em parte por profissionais, em parte pelas redes sociais e parte será automatizada. “Tendo a pensar que as notícias vão surgir de três fontes: jornalistas profissionais, jornalistas-cidadãos e o que poderemos chamar ‘jornalistas-robôs’ (sensores que recolhem informação e a transformam em alguma coisa que interessa aos seres humanos)” – afirma ao PÚBLICO o director do Consumer eletronics Lab e co-director do Center for Future Storytelling do Media Lab.

“Neste momento, estamos a viver uma revolução radical na forma como se consomem notícias” – diz ao PÚBLICO a jornalista Amy O’Leary do The New York Times, que esteve recentemente a participar da conferência Regresso ao Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, e faz parte do recém-criado grupo de inovação formado por seis profissionais do jornal norte-americano. “Há dez anos, os leitores começaram a fazer uma transição do papel para o online. Nos últimos dois, o consumo de notícias em telemóveis e tablets aumentou a um ritmo absolutamente extraordinário; muito em breve, haverá mais pessoas a ler notícias em telefones inteligentes do que em computadores. Estas alterações de comportamento estão a acontecer mais depressa do que nunca e não se sabe onde nos podem levar. É por isso que é difícil imaginar exactamente como é que as pessoas vão consumir notícias em 2041. Alguns futuristas pensam que computadores ‘vestíveis’, como o Google Glass ou os ‘relógios inteligentes’, irão tornar-se tão comuns como hoje são os telefones. Outros imaginaram visões mais radicais: que a biotecnologia possa, um dia destes, ser integrada com o corpo humano para fornecer informação. Felizmente, o jornalismo sempre foi bom em encontrar novas histórias, novas pessoas, novos heróis e vilões. Em 2041, acho que isso continuará a ser o cerne do nosso trabalho. Temos é de ser muito, mas muito melhores nesse domínio.”

O português João Medeiros, editor de ciência da revista Wired, concorda. São os próprios jornalistas confrontados com tantos desafios mas também com novas oportunidades que precisam de se reinventar, mais do que a plataforma ou o produto em si: “Os jornalistas têm de ser capazes de experimentar e inovar no modo como contam as histórias e precisam cultivar a diligência, a componente essencial para procurar as histórias que precisam de ser contadas no nosso tempo. Esta é a essência do jornalismo.”

Amy O’Leary remata: “Não consigo perspectivar qual será o sistema de fornecimento de informação em 2041, mas, seja qual for, o jornalismo terá de continuar a ser rigoroso, objectivo e célere quando os factos acontecerem. As pessoas procurarão sempre histórias interessantes e bem contadas. Estas duas coisas vão ser sempre iguais.”