CPJ: “Aumento acentuado da violência letal tornou o Brasil um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas”

Daria Castillejos
Daria Castillejos

Escreve Joel Simon, diretor-executivo do Comitê para a Proteção dos Jornalistas – CPJ

“Desde 23 de novembro de 2011, grupos da sociedade civil em todo o mundo se uniram para anualmente exigir justiça para aqueles que foram alvo por exercerem seu direito à liberdade de expressão, incluindo jornalistas, ativistas, artistas e músicos.

O Brasil fez substanciais progressos na luta contra a impunidade. No ano passado, condenações foram obtidas em dois casos. Em agosto, ficamos felizes em saber que o agressor que atirou contra o jornalista de rádio e blogueiro Francisco Gomes Medeiros em 2010 foi sentenciado a 27 anos de prisão. Vários outros suspeitos foram presos e aguardam julgamento. Depois, em outubro, Júnior João Arcanjo Ribeiro foi condenado por ordenar o assassinato, em 2002, de Domingos Sávio Brandão, dono, publisher e colunista de um jornal conhecido por sua cobertura do crime organizado, fazendo com que este caso seja um dos poucos do mundo em que todos os perpetradores, inclusive o mandante, foram levados à justiça.

Estes acontecimentos constituem um progresso significativo para reverter o registro de longa data do Brasil de impunidade em assassinatos de jornalistas – o Brasil ficou em 10º lugar no Indice de Impunidade 2013 do CPJ – e também ocorrem em meio aum aumento acentuado da violência letal que tornou o Brasil um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas. Pelo menos quatro jornalistas foram mortos em 2013, três deles em represália direta por seu trabalho jornalístico. As vítimas incluem o apresentador de rádio e repórter de jornal Rodrigo Neto e seu colega, o fotógrafo freelance Walgney Assis Carvalho. Os dois homens cobriam a editoria de crime no sudeste do estado de Minas Gerais. Enquanto isso, nove casos de jornalistas atacados e mortos por seu trabalho na última década ainda precisam ser resolvidos.

O atual ciclo de violência e impudinade somente terminará quando aqueles que usam a violência para silenciar jornalistas forem levados à justiça”.

A CPJ cobra um pronunciamento forte da presidência Dilma Rousseff pelo “fim da impunidade, para afirmar os esforços para controlar a impunidade. Fazendo isso, o Brasil fará uma declaração clara e poderosa contra a corrupção e o crime, os dois temas pelos quais os jornalistas geralmente enfrentam retaliação”.

O faroeste goiano

Por Mauro Malin

A liberdade de imprensa no Brasil é relativa. Depende da cidade onde está o veículo de comunicação. No dia 15 de fevereiro, a Polícia Federal prendeu em Goiás 19 policiais militares acusados de fazer parte de um grupo de extermínio. O subcomandante da PM e o comandante do batalhão de operações táticas, lá chamado de Rotam, estão entre os presos. Só nos dois últimos anos, o grupo é acusado de matar 117 pessoas. Agia, segundo as denúncias, há cerca de 15 anos. A notícia foi dada em todo o país, inclusive no Jornal Nacional, da Rede Globo.

Na quinta-feira (3/3), o jornal O Popular, de Goiânia, publicou transcrições de gravações feitas pela polícia com autorização judicial. Um dos acusados diz que mata por prazer e satisfação. Na mesma manhã, oito viaturas com 30 homens da Rotam passaram lentamente em frente à porta do jornal. A editora chefe do jornal, Cileide Alves, diz em entrevista ao Observatório da Imprensa qual a extensão do problema:

− Pena de morte sem lei, sem julgamento. O que acho grave no episódio de ontem [3/3] não é que não é só a liberdade de imprensa que está ameaçada. O episódio revela que as instituições democráticas é que estão ameaçadas em Goiás. E de tabela a imprensa, óbvio. Porque quando você ameaça as instituições democráticas, a imprensa está no meio. Mas é a Justiça, o Ministério Público, a polícia, a imprensa, todos ameaçados por esse poder invisível representado por esse grupo que estava agindo dentro da polícia. Todo mundo tem medo. Ontem eu conversei com o Marconi [Perillo, governador] e ele me disse que no dia em que estourou o escândalo ele não dormiu de preocupação.

Comentário:

O governador Marconi Perillo é comandante em chefe das polícias civil e militar. Se tem medo, devia renunciar. Governador frouxo não governa.

A governadora Rosalba Ciarlini reuniu a polícia e ordenou. Quero a prisão do pistoleiro e mandantes do assassinato do jornalista Francisco Gomes de Medeiros. A quadrilha toda está presa. 

O desfecho das investigações sobre o assassinato do jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, 48, apontou que o crime foi encomendado por um grupo de quatro pessoas, que teria feito uma espécie de “vaquinha” para arrecadar o valor de R$ 8.000 e pagar um pistoleiro para realizar o assassinato. F. Gomes, como era conhecido o jornalista na região do Seridó, foi morto a tiros no dia 18 de outubro de 2010, na cidade de Caicó (a 282 km de Natal).  Segundo a polícia o motivo do crime seria porque os mandantes não gostavam do lado atuante do jornalista, que fazia denúncias constantes contra pessoas que praticavam crimes de diversas naturezas ou estavam envolvidas em irregularidades, e eram publicadas em blog pessoal e veiculada em emissoras de rádio.
O desfecho das investigações sobre o assassinato do jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, 48, apontou que o crime foi encomendado por um grupo de quatro pessoas, que teria feito uma espécie de “vaquinha” para arrecadar o valor de R$ 8.000 e pagar um pistoleiro para realizar o assassinato. F. Gomes, como era conhecido o jornalista na região do Seridó, foi morto a tiros no dia 18 de outubro de 2010, na cidade de Caicó (a 282 km de Natal).
Segundo a polícia o motivo do crime seria porque os mandantes não gostavam do lado atuante do jornalista, que fazia denúncias constantes contra pessoas que praticavam crimes de diversas naturezas ou estavam envolvidas em irregularidades, e eram publicadas em blog pessoal e veiculada em emissoras de rádio.

A governadora Roseana Sarney também mandou prender a quadrilha que matou o jornalista Décio Sá. A polícia agiu rápido.

Décio Sá numa entrevista com Roseana Sarney.
Décio Sá numa entrevista com Roseana Sarney. Dela partiu a ordem de prisão. O autor dos disparos que mataram o jornalista Décio Sá, Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos, natural da cidade de Xinguara, no Pará, está na cadeia com os mandantes da execução

Que Marconi Perillo siga os exemplos das governadores. Cadeia já para os assassinos do jornalista Valério Luiz de Oliveira. A morte encomendada foi, inclusive, filmada por câmeras de segurança. Que as imagens sejam divulgadas.

Jornalista Valério Luiz de Oliveira
Jornalista Valério Luiz de Oliveira

Tem governador que não prende assassino de jornalistas. Sérgio Cabral (que tem nome de jornalista), do violento Estado do Rio de Janeiro, é um deles.