AMORES PALACIANOS

por Talis Andrade

 

Saudades dos tempos

do Brasil romântico

Do desmaio epilético

de Pedro I

ao ver Amélia

Dos sonetos de amor purus

de Pedro II

Do desmaio apoplético

de marechal Hermes

ao ver Teffé

na luminosidade

de uma tarde

ensolarada

.

Saudades dos tempos

do Brasil romântico

João Pessoa morto

porque veio ao Recife

ao encontro venéreo

de uma cantora

de opera

.

Saudades dos amores

invertidos do ditador de 37

Dos amores secretos

do presidente que transou

o belo travesti dando

de presente a operação

de mudança de sexo

.

Saudades dos amores

do Brasil romântico

as vedetes suspirando

pelo topete de Itamar

.

Mudado moderno tempo

Os políticos disputam

no paredão do Grande Irmão

as garotas de Jeany a cafetina

de belas meninas que aliviam

o mortório semanal

de passar três dias no vazio

na solidão noturna

dos palácios de Brasília

cidade dormitório capital

do gigante adormecido

em um berço esplêndido

Amélia de Leuchtenberg
Amélia de Leuchtenberg
Nair de Teffé
Nair de Teffé

Prostituição vip

 

 

correio_braziliense. sexo prostituição vipNão uma agenda, mas três, oito telefones celulares e um computador portátil podem complicar a vida de muitos políticos, empresários e lobistas de Brasília. O material pertence a Jeany Mary Corner, a mulher de 53 anos apontada como uma das maiores cafetinas do Distrito Federal. Está em poder da Polícia Civil e servirá como prova na investigação sobre a atuação de uma quadrilha de prostituição de luxo na capital do país.

Na Operação Red Light, desencadeada na segunda-feira, agentes da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) recolheram ainda, na casa dela, oito cadernos. Neles, acreditam estar a contabilidade do grupo. Por meio de depoimentos e de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, os policiais descobriram que homens, mulheres e travestis eram explorados de várias maneiras. Além de dividirem os valores dos programas sexuais com as organizações, eles pagavam caro por propaganda em sites especializados, aluguéis de quitinetes, carros e até roupas de cama.

Tudo era controlado por 10 pessoas de três grupos distintos, liderados por quatro mulheres, incluindo Jeany Mary, protagonista da queda do então ministro da Fazenda Antônio Palocci, em 2006. Além dela, são apontadas como cabeças do esquema Vilma Nobre, 44 anos, Marilene Oliveira, 49, e Ângela Castro, 49. As duas últimas são sócias, segundo os policiais.

Elas acabaram presas na Red Light, que cumpriu nove dos 10 mandados. O único foragido, até a noite de ontem, era Geovani Nunes, 46 anos. Ele e outros homens tinham a missão de arregimentar travestis e garotos, ainda de acordo com os investigadores. Os agentes não detectaram a presença de pessoas com menos de 18 anos entre as prostitutas, mas flagraram, em grampos telefônicos, que os agenciadores miravam adolescentes e esperavam, ansiosamente, as garotas atingirem a maioridade para serem atraídas ao esquema.

Promessa de visibilidade, dinheiro e uma vida regada a viagens, joias e carros luxuosos levam garotas de programa a se vincularem a redes de prostituição, nas quais o principal objetivo é o enriquecimento ilícito dos aliciadores. Atraídas pelo alto preço cobrado nos encontros e pela produção profissional de fotografias e sites de divulgação, elas aceitavam se submeter à divisão dos lucros com os chefes, cafetões e cafetinas. Na lista de clientes cativos, figuram políticos e empresários, tornando a capital o cenário perfeito para a prática.

Além de aliciar, os 10 suspeitos ameaçavam as garotas para elas não deixarem o grupo. Algumas são casadas, e os líderes diziam que, se fosse necessário, revelariam aos maridos, aos pais e a outros familiares o trabalho como prostituta. Cada uma das mulheres negociava a porcentagem do valor do programa, que acabava nas mãos dos aliciadores. Em alguns casos, até 50% do preço era repassado.

O serviço oferecido pelos criminosos é conhecido na capital e em outras unidades da Federação, onde eles têm influência no meio político e empresarial. Os clientes pagavam caro. Apesar de as garotas contratadas atenderem diferentes públicos, o destaque ficava na clientela de luxo. Um programa com as belas moças poderia custar até R$ 10 mil. Os anúncios eram postados em sites, e os encontros ocorriam em domicílios alugados a esse fim.