FHC queria ser ele

Sebastião Nery

Os sábios ensinam que o pior ódio é o da inveja. A ira que em 2002 enfureceu Fernando Henrique contra o relator especial da ONU, Jean Ziegler, que veio ao Brasil ver como estava aqui o “Direito à Alimentação”, não foi apenas porque ele desmoralizou toda a propaganda dos 8 anos da “Era FHC”.

Isso doeu, mas doeu menos do que a butantânica inveja pessoal de Fernando Henrique. É que o suíço Jean Ziegler é tudo que Fernando Henrique gostaria de ser.

(…) o Jean Ziegler é um intelectual de prestígio e sucesso, respeitado na Europa e nas Américas. Foi ele quem promoveu o inquérito sobre o dinheiro sujo, do crime organizado e da corrupção internacional, que há séculos se acoita nos porões dos bancos suíços. E sobre isso escreveu um livro que fez furor mundial.

Depois, foi ele quem começou a campanha, logo apoiada pelos judeus do mundo inteiro, para os bancos suíços devolverem o dinheiro confiscado dos judeus pelos nazistas e lá depositados.

E, finalmente, o imenso sucesso internacional do livro “La Faim Dans le Monde Expliquée à Mon Fils” (A Fome no Mundo Explicada a Meu Filho), que o levou para a Secretaria Geral de Alimentação da ONU, um dos mais importantes postos internacionais.
AS DIFERENÇAS

 

 

Enquanto isso, Fernando Henrique teve apenas um livro traduzido em inglês e francês (fora as picaretagens que o Itamaraty fez, traduzindo textos de assessores atribuídos a ele para distribuir nas viagens internacionais, com dinheiro público, como aconteceu em viagens à Rússia e à Eslováquia). A “Teoria da Dependência”, por exemplo, na verdade foi escrito pelo chileno Falleto e coeditado por FHC, como sabe toda a comunidade acadêmica.

E pior. FHC entregou meio Brasil aos banqueiros internacionais e vive ajoelhado diante dos Estados Unidos, para ver se consegue um bico qualquer lá fora. Morre de inveja. Queria ser o suíço.

E o que foi, afinal, que o suíço disse quando veio ao Brasil no final da era FHC? O que o País todo sabia. Que “há uma guerra social no Brasil”. Que “um terço da população brasileira (quase 60 milhões) era afetado pela subalimentação”. E que “no Brasil a fome é um genocídio, não uma fatalidade, e quem morre de fome no Brasil é assassinado”. Leia mais. Transcrevi trechos.