“Sigam o dinheiro” das contas de Cunha

Por Fernando Brito

 Rogério Bonifácio
Rogério Bonifácio

A revelação, publicada por Jaílton de Carvalho em O Globo, de que Eduardo Cunha fechou – um mês após a prisão de Paulo Roberto Costa – duas das quatro contas que mantinha no Banco Julius Baer, na Suíça, torna óbvio que as investigações sobre o dinheiro que estava ali têm dois caminhos evidentes e necessários.

De onde veio e para onde foi.

Quem foram as pessoas e empresas que nela depositaram e quem recebeu seus saldos, se em moeda, ordem de pagamento ou transferência de valores.

Não há sentido em não se dar a público as informações, até porque o essencial, do ponto de vista político, está confirmado pela manifestação do Procurador-Geral, Rodrigo Janot, ao confirmar que há contas não-declaradas no exterior.

É o suficiente para caracterizar evasão de divisas e falsa declaração ao TSE e, depois, à própria Câmara dos Deputados.

É ridículo que um promotor de Justiça, o líder do PSDB, Carlos Sampaio, ainda diga que o caso Cunha “dependa de provas”.

O procurador Janot produziu-as, hoje, ao responder ao requerimento de informações do PSOL, nestes termos:

“Vossa Exa. confirma a existência de contas bancárias em nome do Deputado Eduardo Cunha e dos seus familiares na Suíça?”

E Janot: “A resposta é afirmativa”.

Assinado embaixo.

A investigação criminal é outra coisa e esta pode e deve ser longa, detalhada e equilibrada.

Cunha não operava sem o concurso de uma rede.

Que tem tudo para mudar de nome para quadrilha.

A situação de Eduardo Cunha é a de uma bola de neve que desce montanha abaixo.

Quem a tentar “segurar” será tragado por ela.

Alexandre de OLiveira
Alexandre de OLiveira

Suíça desmente Cunha: foi alertado do congelamento de suas contas. Jornalista Ricardo Boechat interpela presidente da Câmara

Samuca
Samuca

Deu no Estadão:

O Ministério Público da Suíça nega a versão do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de que desconhece o teor das notícias veiculadas sobre suas contas no país europeu e garante que o parlamentar foi alertado sobre o congelamento de seu dinheiro.

“Eduardo Cunha foi informado sobre o congelamento de seus ativos”, declarou a Procuradoria-Geral da Suíça em um comunicado oficial ao Estado.

Na edição desta terça-feira, 6, reportagem do Estado revela que investigadores da Operação Lava Jato apuram se o presidente da Câmara mantinha outras contas no exterior além daquelas já identificadas e bloqueadas pelas autoridades suíças.

Na semana passada, a Suíça comunicou ao Brasil que iria transferir os autos de uma investigação criminal que corre no país europeu sobre Cunha para que a Procuradoria-Geral da República brasileira dê prosseguimento. Recentemente, a equipe de procuradores que auxilia o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nos acordos de cooperação internacional ligados ao esquema de corrupção na Petrobrás recebeu reforço para intensificar o trabalho de investigação no exterior.

Segundo fontes próximas ao caso de Cunha no Ministério Público suíço, o parlamentar foi informado sobre o bloqueio de contas das quais é beneficiário “há um bom tempo”. O primeiro contato sobre o ocorrido teria sido realizado pelo próprio banco, que tem o dever de informar ao cliente o que ocorre em termos de suas contas e sua relação com a Justiça. Conforme fontes, ele também teria sido oficialmente informado pela Justiça da Suíça sobre os motivos do congelamento.

O jornalista Ricardo Boechat informa sobre as contas de Eduardo Cunha & familiares na Suíça, e fala que a tática de Cunha é a mesma de Paulo Maluf. Veja vídeo sobre o dinheiro bloqueado: Mentiroso, “Eduardo Cunha não tem condições de presidir a Câmara dos Deputados”:

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O que a igreja evangélica de Cunha fará com os “dízimos” que ele depositou?

por Kiko Nogueira

Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais em “doações”, segundo a denúncia
Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais em “doações”, segundo a denúncia

Enfim o o procurador Rodrigo Janot denunciou Eduardo Cunha no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Há um detalhe curioso para um devoto apaixonado do Altíssimo, como Cunha. A Assembleia de Deus teria intermediado o recebimento de pelo menos 500 mil reais em propina em 2012, segundo a PGR.

“Fernando Soares, por orientação do Deputado Federal Eduardo Cunha, indicou a Júlio Camargo que deveria realizar o pagamento desses valores à Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Segundo Fernando Soares, pessoas dessa igreja iriam entrar em contato com o declarante”, afirma a denúncia.

A quantia foi repassada a uma filial em Campinas, interior de SP. O chefe, ali, é um pastor chamado Samuel Ferreira, que responde ao irmão, o presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, Abner Ferreira.

Abner é próximo de Cunha. Foi lá, no bairro carioca, que Cunha comemorou a vitória como deputado, em fevereiro. Em sua campanha, recebeu o apoio maciço das maiores lideranças evangélicas, incluindo o picareta Silas Malafaia, que agora renega EC como Pedro a JC.

“O Satanás teve que recolher cada uma das ferramentas preparadas contra nós. Nosso irmão em Cristo é o terceiro homem mais importante da República”, disse um extático Abner Ferreira na Câmara.

Em maio de 2014, Abner participou de um certo Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (não é nome de uma banda de heavy metal), em Santa Catarina.

Ali, Abner pôs-se a criticar, veja só, os candidatos que, em anos de pleito, tentam comprar líderes religiosos. “Em alguns lugares que nós vamos por ai políticos falam na nossa cara: aquele pastor, daquele lugar lá, eu compro ele no cobre”, disse no púlpito.

“É isso que muitas autoridades precisam entender: a igreja não está à venda. O nosso ministério não está à venda”, discursou. “Aqui não se vende milagre, nem prodígio e nem maravilha. Homem de Deus não aceita dinheiro sujo”.

Continuou sua peroração: “Essa época eleitoral é uma das piores épocas para a igreja. O que tem de gente se prostituindo espiritualmente por aí é uma coisa de louco. É uma vergonha!”

Pois é. Como se trata de um servo do Senhor, Abner certamente está, neste momento, refletindo sobre a grana entregue pelo amigo Eduardo Cunha. Jesus o iluminará no sentido de dar, no mínimo, uma explicação. Seu rebanho merece conhecer a verdade. Abner, provavelmente, não sabia de nada.

Não que haja algo necessariamente errado na transação. De jeito nenhum. Sempre se pode contar com a possibilidade de que se tratava apenas do dízimo generoso do querido irmão Eduardo ou da vontade do Espírito Santo.

Sid
Sid

Silas

184 anos de cadeia para Cunha

Nani
Nani

Procuradoria Geral da República cita casos de corrupção praticados por Eduardo Cunha e mais de 60 manobras diferentes de lavagem de dinheiro. Considerando a soma mínima de cada um dos crimes, a conta chegaria a 184 anos de prisão. Total pedido em restituição chega a U$ 80 milhões. Partidos e deputados já exigem o afastamento do presidente da Câmara.

Rodrigo Janot aponta que o peemedebista recebeu vantagens indevidas para viabilizar a contratação do estaleiro Samsung pela Petrobras, e pede ‘restituição do produto e proveito dos crimes no valor de US$ 40 milhões e a reparação dos danos causados à Petrobras e à Administração Pública também no valor de US$ 40 milhões’.

De acordo com a lei brasileira, se a justiça colocasse ladrão de colarinho branco na cadeia, Cunha ficaria 30 anos em regime fechado, o máximo permitido pela legislação. Isso nem imaginar, que a justa reconhece o velho ditado: quem rouba um tostão, barão; um milhão, barão.

O humor negro é que o pedido de prisão foi realizado no dia que Cunha fez diminuir a maioridade penal da justiça PPV de 18 para 16 anos. Na Câmara,  a proposta obteve 320 votos a favor e 152 contra. A matéria será enviada ao Senado.

Amarildo
Amarildo