Os governadores e a degeneração da música brasileira

Não entendo o fascínio dos governadores e prefeitos, notadamente de

Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte
Governador Eduardo Campos e Cláudia Leitte

Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará, por Ivete Sangalo, e o pagamento de cachês amplificados de cantores bregas, e estilizadas e descaracterizadas músicas de origem negra dos Estados Unidos e África hodierna.

Eis que aparece nesta lista Claudia Leitte. Escreve Rafael Albuquerque: “Pouca gente sabe da recente falta de elegância da artista em encontro com Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, pediu um título de cidadania: ‘Quero ser cidadã pernambucana’, declarou rindo. O governador, desconcertado, de pronto deu um jeito de atender ao pedido da fluminense. Como o único representante do Legislativo presente na reunião era o líder do governo, Waldemar Borges, coube a ele a missão de encaminhar um projeto de resolução”. Não sei se o deputado protocolou o pedido de cidadania.

Seria consolidar a banalização do título. Que, em 5 de agosto de 2002, foi concedido a Ivete Sangalo.

Que fez Ivete Sangalo, além da degeneração da Música Popular Brasileira (MPB)? Degeneração que o crítico Rafael Teodoro chama de MIB – Música Imbecil Brasileira.

Escreve Rafael Teodoro: “Ivete Sangalo merece uma atenção especial. Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo ‘artista’ de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador. Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a mass media brasileira, que a tem por ‘grande cantora’, é empurrada ‘goela abaixo’ do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos. Mas nem toda a máquina publicitária pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. ‘Carro velho’, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: ‘Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha’.

Nos anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos ‘clássicos’ do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é ‘batidão’). Nem mesmo o movimento da ‘suingueira’, capitaneado por ‘pérolas’ do nível de ‘Re­bolation’, associado a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os ‘sucessos do carnaval’, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo”. Continue lendo.

Há um complô – o Projeto Camelot – das redes de televisão, criadas pela ditadura militar de 64 – contra a Cultura brasileira. Um projeto de desnacionalização, que beneficia a indústria de cultura de massa globalizada. Uma internacionalização que envolve a editoração de livros, a desvalorização dos autores brasileiros; o cinema, pela reserva de mercado para o cinema estadunidense. E assim vai. Todo processo de colonização, desde as conquistas do Império Romano, começa pela cultura. A construção do Templo de Jerusalém, por Herodes, o Grande, provocou a divisão religiosa dos judeus.

Não sei bem a motivação de governadores e prefeitos pelas cantoras brancas do MIB. Talvez os cachês pagos.  A procuradora do Recife Noélia Brito ingressou com pedidos no Tribunal de Contas de Pernambuco e na Promotoria Pública, questionando os gastos da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes com o show de Cláudia Leitte. Leia. É uma excelente, exemplar e pioneira denúncia.

Na Universidade Livre, Noélia Brito participou de um debate sobre a MPB,  com os jornalistas Ricardo Antunes, Antonio Nelson e Lúcia Helena Valle, cujas opiniões transcrevo, nos trechos acordados. Vou chamar de texto coletivo, e para maior autenticidade deixo o verbo na primeira pessoa e não faço distinção de gênero:

Divas da música brasileira… onde se encaixa Ivete?

Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife
Ivete Sangalo em Ipojuca, o segundo maior PIB de Pernambuco depois do Recife

“Diva… cantora… intérprete… Cada uma das palavras aqui tem sua força, quando falamos em música.  E não há como pensar em grandes interpretações – imortalizadas pelas grandes vozes que cravaram nas canções sua marca indelével – sem pensar em seus intérpretes… Quem consegue ouvir ‘Como Nossos Pais’ sem, de algum modo, lembrar-se de Elis Regina? Ou, como esquecer a releitura de Marisa Monte em Luiz Gonzaga, cantando-o como Blues, em ‘Xote das Meninas’?

Aqui, não vai nenhuma crítica ou azedume explícito direcionado à tal senhora do título deste artigo: Ivete Sangalo. Até porque eu gostaria muitíssimo de ter o que criticar: Ivete canta em tons muito altos… Seu repertório traz elementos ecléticos de mais (ou de menos)… sua postura em apresentações precisa ser revista… e por aí vai. Mas, como criticar uma arquiteta por má prática da medicina? Ou, como criticar uma animadora de palco por ser uma cantora medíocre? Não dá. Ela precisaria desenvolver ainda outras tantas habilidades que não possui, tadinha. Para que eu pudesse criticá-la como cantora.

Na atual cultura musical, basta ser amigo do Faustão para ser ‘canonizado’ cantor e intérprete. Ou do Luciano Huck. Pronto: virou ‘intocável’. A questão é: onde fica TODO aquele legado deixado por Elis, Maysa, Nara Leão [A Divina, Elizeth Cardoso] , enfim, simplesmente esquecer que já tivemos legítimos representantes de nossa cultura, rica em diversidade, sons, arranjos, cores e jeitos? Não, meus senhores, obrigada: vocês me violentam obrigando-me a ouvir interpretações tão vazias como a cabeça dessa senhora.

Exemplo? Ah, bem, vamos lá. O que dizer da obra-prima: ‘Que vai rolar a festa/ Vai rolar!/ O povo do gueto/ Mandou avisar…’  Lindo, né? Desde que a galera do ‘gueto’ fique lá mesmo, viu, ‘zifio’? As letras são racistas, colocando o ‘povão’ no seu devido lugar, perpetuando uma cultura escravocrata de mentalidade colonial que ainda – e assombrosamente – teima em existir em um país de mestiços.

A interpretação de Ivete é menos que medíocre. Nunca vi ninguém que vai a seu show  dizer: ‘mas ela canta muito! Trouxe arranjos diferentes, interpretou magistralmente!’. Já vi muita gente comentar: sua ‘energia’,  ‘presença de palco’ e  ‘animação’. Até onde sei, essas não são qualidades necessárias a uma grande intérprete da música. Toda essa ‘energia, traz o que, em termos de música? Nada. E, como ouvintes idiotizados de sua música, prosseguimos com ela. Uma legião.

Então entra a galera da ‘éducassão’ pra clamar pela falta dela. Mas, se nossas ‘divas da música’ atacam políticos do alto de seus trios elétricos, e se dirigem a eles com uma linguagem própria de qualquer profissional da estiva, e se sagram el máximo, como exigir desse público um comportamento diferenciado? Infelizmente, a idiotização dessa parte da população chega mais rápido quando fomentada por Ivetes Sangalo da vida”.

 Um pedido de beijo na boca do prefeito

Cartazete na internet
Cartazete na internet

Claudia Leitte pede um título de cidadania para Eduardo Campos. Ivete Sangalo, um beijo do prefeito de Salvador.

Narra a Folha de S. Paulo: “Ao passar pelo camarote da Prefeitura de Salvador, a cantora Ivete Sangalo constrangeu o prefeito ACM Neto (DEM) nesta terça-feira (12).

A cantora interrompeu a música que cantava e brincou com o político, pai de duas meninas –de cinco e dois anos– e solteiro desde o fim de 2011.

‘Que moça bonita, Neto, parece a Carla Bruni. Como é seu nome? Para a gente ficar logo amiga e você me jogar na comitiva…’, disse a cantora.

‘Neto, deixe eu lhe dizer uma coisa: não é porque eu sou cantora que não faço xixi, não é porque você é prefeito que não vai ser miseravão [gíria baiana para namorador]. Quero ver um pitoco. Se quiser de língua, também pode’, disse Ivete, antes de puxar o coro: ‘Beija, beija’.

O prefeito gesticulava que não e sorria enquanto a multidão gritava.

‘Não adianta, prefeito, eu só vou sair daqui quando você beijar. Esse homem sempre foi tímido’, disse Ivete.

O pedido, porém, não foi aceito, e a cantora teve de seguir adiante.”

Esse “ataque político”, de Ivete, ao invadir o camarote do prefeito, demonstra que perdeu o censo ao comparar, em uma ensolarada tarde de Salvador, uma menina de cinco anos com Carla Bruni, ex-primeira dama da França, e pedir um beijo de língua para uma pai, na frente das filhas crianças. Esse pode tudo das “divas” não tem lógica, além da ostentação de novas ricas. A soma do sucesso passageiro + dinheiro.

Volto a repetir: insondável o rasga dinheiro do povo, pela secretárias estaduais de Cultura, na desmoralização da música brasileira, com o apoio da Tv Globo que, para Flávio Ricco, faz o mesmo com as novelas.

“Ninguém exige das novelas perfeição absoluta em todos os detalhes. Determinadas coisas podem perfeitamente passar batido, sem incomodar quem quer que seja, até os mais exigentes. O que não se deve é subestimar a inteligência do público ou não calcular o estrago que o uso errado das palavras pode causar na vida de muitas pessoas. É preciso tomar muito cuidado com isso”, analisa Ricco, que demonstra o papel nocivo da televisão:

“É uma situação semelhante ao ‘vareia‘ do Renato Aragão, de há muitos anos, que de tanto ele usar virou vício para tristeza das nossas escolas e dos seus educadores. A televisão, como agora está fazendo, só tratou de espalhar o que não deveria.

Por que não evitar essas coisas? Vale lembrar aos nossos autores que existem zilhões de situações que podem ser engraçados nas novelas ou programas. Falar e ensinar errado, com toda certeza, não precisa ser incluída no meio delas”.

A idiotice musical vai longe. Tanto que ninguém reclama quando um cantor brega esconde o nome do letrista e do compositor de um música comercial.

Outra faceta –  costumeiro abuso capitalista:  comprar uma letra e/ou uma composição, e registrar como criação de autoria de algum interprete.

Na música clássica e popular, a poesia foi musicada por imortais compositores. São raros os nomes de cantores que a história registra.  O primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons foi inventado em 1877, por Thomas Edson.

Excelentes compositores e letristas existem, no anonimato, e não são os responsáveis pela degeneração da música brasileira. É que a música como espetáculo, indústria – um fenômeno mundial -, sucesso descartável de uma Madona, de uma Ivete Sangalo, visa ser “eterna enquanto dure nas paradas”. 

Ceará

Ivete Sangalo cobra um cachê de 500 pratas, e vai cantar em Maceió, “capital do réveillon”, por R$ 2,2 milhões

Cap Macéio virada do ano novo 2014
ELBA RAMALHO: JANEIRO EM JABOATÃO
Jaboatão vai promover festa de rua na virada do ano. Com shows superfaturados, E outras mais  de 5  a 15 de janeiro. Depois vem o carnaval.
Haja dinheiro.
A safadeza é grande neste mercado corrupto de shows. Informa Marlus Costa:  Para o réveillon de Maceió, Ivete Sangalo “fechou contrato por nada mais, nada menos que R$ 2,2 milhões. Nada mau, hein?”
Bom demais para quem cobra cachê de 500 mil.
Fica explicado porque Maceió e a cidade do capital do réveillon.
Ivete, a mais cara
Ivete, a mais cara
Tudo pronto para a noite da virada em Maceió
por Géssika Costa
Está tudo pronto para a virada do ano em Maceió. O Corpo de Bombeiros aprovou os projetos referentes à queima de fogos da prefeitura, que haviam sido reprovados na última sexta-feira, e as visitas técnicas nos locais serão finalizadas hoje.

“A vistoria de todo o projeto é o ponto final da aprovação”, explica o tenente-coronel Paulo Marques, do Corpo de Bombeiros. Ainda segundo ele, os únicos pontos privados autorizados para a queima de fogos são as festas Celebration e Absoluto, que ocorrerão na orla marítima da capital.

Já quatro localidades de Maceió receberão a queima de fogos programada pelo Estado e pela prefeitura. Ao todo, serão destinadas 4,5 toneladas para o show pirotécnico da virada. A orla marítima terá a maior parte (Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca), com 3,8 toneladas, um total de 15 minutos de luzes no céu; o restante, 700 quilos, será destinado às demais localidades – Benedito Bentes, Jacintinho e Virgem dos Pobres.

Montagem da estrutura para a queima de 4,5 toneladas de fogos na capital alagoana foi finalizada. Foto AILTON CRUZ
Montagem da estrutura para a queima de 4,5 toneladas de fogos na capital alagoana foi finalizada. Foto AILTON CRUZ
Réveillon terá 667 PMs nas ruas
por Katherine Coutinho
Cerca de 30 mil pessoas são esperadas na orla marítima de Maceió na virada do ano. A estimativa é do Comando de Policiamento da Capital (CPC) que, com o término da Operação Padrão, destinará 667 homens para reforçar a cobertura das festas de réveillon. Esses policiais estarão a pé, motorizados e montados.

O efetivo normal, lotado nos batalhões, será mantido, e a Força Nacional deverá reforçar o contingente. “Para que houvesse esse apoio, todos os homens do administrativo, da Academia da Polícia Militar e das assessorias de órgãos públicos foram remanejados para dar apoio nas ruas”, contou o coronel Neyvaldo Amorim, subcomandante do CPC.

Os bairros Jacintinho, Benedito Bentes, Clima Bom, Ponta Verde e Ipioca, onde ocorrerão festas organizadas pela prefeitura e pelo Estado, receberão maior cobertura policial, para evitar que crimes ocorram e estraguem a festa de quem deseja entrar em 2014 com o pé direito.

Anitta deixa imprensa irritada ao privilegiar a Globo

Estrela – ao lado de Ivete Sangalo – do Réveillon de Maceió na noite desta terça-feira (31), Anitta resolveu privilegiar a TV Globo na cobertura do evento.

Só a emissora terá direito a uma entrevista longa com a cantora, que será exclusiva. O restante da imprensa – revistas, sites e jornais – não vão conversar com a dona do hit “Show das Poderosas”, o que deixou os profissionais pra lá de irritados. Os jornalistas só poderão fazer a cobertura do show. Nada de papo longo.

Anitta, que não é boba nem nada, quer virar a nova queridinha da Globo. Recentemente, a cantora participou do especial de Roberto Carlos, apareceu na “Retrospectiva 2013” e foi escolhida uma das apresentadoras do programa de verão “Sai do Chão”.

Para o show em Maceió, ela reservou um camarim gigante só para receber sua família. Todos os parentes estarão ao lado dela em Alagoas para saudar a chegada de 2014 (Tribuna/Maceió)

Também vai cantar Alinne Rosa, que a partir do início de 2014 já não estará mais com a banda Cheiro de Amor.

 

 

Escola com tablet. E com tabefe

Fico imaginando quanto custa a mensalidade desta escola. No valor e na origem do dinheiro dos pais. Lá nos Estados Unidos foi notícia.

Webb School, Estados Unidos
Webb School, Estados Unidos

O objetivo disso é substituir os livros didáticos pelo tablet, por motivos até mesmo de saúde dos alunos, pois segundo o diretor da instituição, Jim Manikas, os alunos chegam a carregar quase 20 quilos de livros em uma mochila, enquanto o iPad pesa menos de um.

Acontece que Eiomar Lima informa:

Propaganda em Fortaleza
Propaganda em Fortaleza

Por aqui, Fortaleza, propaganda de colégio particular sobre tablet.

“O Ministério da Educação (MEC) vai distribuir tablets – computadores pessoais portáteis do tipo prancheta, da espessura de um livro – a escolas públicas a partir do próximo ano. A informação foi divulgada hoje pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na 15ª Bienal do Livro. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia.
Haddad afirmou que o edital para a compra dos equipamentos será publicado ainda este ano. “Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental.”
O ministro disse que o MEC está em processo de transformação. “Precisamos, agora, dar um salto, com os tablets. Mas temos que fazer isso de maneira a fortalecer a indústria, os autores, as editoras, para que não venhamos a sofrer um problema de sustentabilidade, com a questão da pirataria.”
Haddad não soube precisar o volume de tablets que será comprado pelo MEC, mas disse que estaria na casa das “centenas de milhares”. Ele destacou que a iniciativa está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
“O MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na distribuição de tablets.”

Que bonito! Onde ficam estas escolas do MEC? 

Cada menino, filho de mãe que recebe o bolsa família, de pai que ganha salário mínimo, vai ter agora seu tablet

Quando as escolas municipais do Brasil estão caindo aos pedaços. Sob o peso da corrupção generalizada dos prefeitos.

Falo isso por que fui secretário de Educação e Cultura do maior município de Pernambuco, Jaboatão dos Guararapes, com mais de um milhão de habitantes. Apenas seis meses. Era um mundão de dinheiro. Deu para eu ser o melhor secretário por várias décadas. Basta dizer que proclamei a independência financeira das escolas. Promovi a eleição das diretorias. Comprei geladeira e fogão para todos os educandários. Como era possível oferecer merenda escolar sem cozinha?

Fui demitido porque não roubava. E investigado por todas as polícias e tribunais. Motivo: sou honesto. E por ser honesto, várias vezes ameaçado de morte.

O que ganhei? Sou considerado “carta fora do baralho”. Frase de um procurador.

Eta Brasil piada. Queria conhecer um aluno de Haddad. Um com tablet.

Existe escola, informa o MEC, nem água potável tem