“Início do fim do Poço da Panela”, Recife

POÇO DA PANELA

por J. Gonçalves de Oliveira

Busto de José Mariano no Poço da Panela
Busto de José Mariano no Poço da Panela

Ir ao Poço da Panela

é ver o tempo guardado

no verde-índice que encerra

tradições desencantadas.

.

Já no século dezessete,

sua fama popular

nascia na descoberta

de vertentes salutares

que, pra toda gente, eram

águas de tudo sarar.

.

Muitos arrimados nessa

água balsâmica em fuga,

ergueram, ali, a capela

Nossa Senhora da Saúde;

onde também se venera

a memória-guardiã

de feitos que a história vela

em nomes e o amor irmana:

.

Dona Olegarinha em guerra

contra a vil escravatura,

recolhe os negros da rua

para esconder em suas terras.

Enquanto José Mariano,

alçando seu destro verbo,

diz que gente não tem dono

e grita: Viva a República!

2

Busto de Olegário Mariano em bronze sobre pedestal em granito, na cidade do Rio de Janeiro e que terá sido furtado em 2001
Busto de Olegário Mariano em bronze sobre pedestal em granito, na cidade do Rio de Janeiro e que terá sido furtado em 2001

(A esse tempo cantavam

carregadores de piano:

.

“Em Beberibe eu estava

quando a notícia chegou:

Mataram Zé Mariano,

o comércio se fechou.

Mas a notícia era farsa,

Graças a Nosso Sinhô.

Olelê, vira moenda,

Olelê, moenda virou).

.

Olegário Mariano,

o poeta das cigarras,

deixou lá uma digital

do muito cantar romântico.

Um dia, cantou sua casa

que reviu triste vazia;

era a emoção da saudade

de quem saudades vivia.

.

3

O rio, ao lado, é manso

e pontua nesses pagos

silente, íntimo e ancho,

familiar e capacho.

.

Mas não é servil; e não

mais do que água desfiada

em via de todo amanho

dessas raízes em caule.

.

Subúrbio que é refúgio

do homem amplo e solitário,

mas também quer-se maduros

feitos acesos nas almas.

.

Numa paisagem serena,

o Poço, hoje, traduz

o santuário ameno,

velado em paz, verde e sombra,

de herdades da cultura

da gente pernambucana.

Edinéa Alcântara comenta foto de Cibele Barbosa:  "Início do fim do Poço da Panela..."
Edinéa Alcântara comenta foto de Cibele Barbosa: “Início do fim do Poço da Panela…”

O Recife esquece sua História, e apaga sua Memória, em troca de alguns trocados que se transformam em milhões nas mãos da agiotagem imobiliária.

Transcrevo trechos de leitura obrigatória para os que amam o Recife. Descubram os autores.

Lembro que o prefeito Antônio Farias cuidou da preser√ação do Poço da Panela. Um sítio histórico que se pretende destruir.

Por que as elites pernambucanas guardam o antigo rancor e desprezo por Zé Mariano e dona Olegarinha, a “mãe do povo”, a “mãe dos pobres”?

Casarão no Poço da Panela
Casarão no Poço da Panela

“Na nossa cidade entupida de arranha-céus e prédios banheiros existe um (de alguns) pequeno oásis, onde a história, o antigo e o passado foram tão bem preservados que passear por ali acaba se tornando um passeio tranquilo, bucólico e de certa forma, saudosista, mesmo que seja de um tempo que a gente não viveu. Como eu já disse um monte de vezes, a graça que eu vejo em construções antigas é imaginar as inúmeras histórias que por ali se passaram, seus personagens e suas vidas, fazendo parte de uma construção.

Mas que lugar é esse?

Residência hoje dos Arautos do Evangelho
Residência hoje dos Arautos do Evangelho

“Ao lado da Igreja está a casa do abolicionista José Mariano Carneiro Cunha. Um busto do grande tribuno e fundador do Clube do Cupim – instituição que defendia os escravos fugidos – encontra-se em frente ao pátio lateral da igreja, juntamente com uma imagem de um negro de peito nu, tendo nos pulsos correntes quebradas: símbolo da vitória diante a opressão.

Existem lendas de que a imagem do negro ganha vida durante as madrugadas e anda pelas ruas do bairro. Alguns moradores contam que a região é assombrada e que fatos sobrenaturais acontecem nos velhos casarões. O que se sabe, na verdade, é que o Poço da Panela mantém a beleza de seus casarões e a maravilhosa sensação de que o tempo não passou por ali.

 Detalhe dos belos portões em ferro dos casarões locais. Foto Ramona
Detalhe dos belos portões em ferro dos casarões locais.
Foto Ramona

“Esta cidade de Santo Antônio do Recife, apesar de inúmeros atentados ao seu patrimônio, ainda conserva verdadeiros testemunhos do seu passado, onde o tempo parece não ter obedecido aos ponteiros do relógio. Arruando por terras do antigo Engenho de Ana Paes (séc. XVII), no atual bairro da Casa Forte, o caminhante vai encontrar a Estrada Real do Poço, através da qual se chega ao Poço da Panela, uma espécie de santuário urbano com o seu casario e Igreja de Nossa Senhora da Saúde (séc. XVIII) a relembrar um tempo em que os banhos do Capibaribe faziam bem à saúde e eram parte da vida de toda a população”.

Poço da Panela. Que prefeito ladrão e safado vai permitir a destruição de uma das mais belas ruas do Recife?
Poço da Panela. Que prefeito ladrão e safado vai permitir a destruição de uma das mais belas ruas do Recife?

O mais legal: maconha ou tabaco?

Fumo uma média de oitenta cigarros por dia. Considero o tabaco uma droga que vicia e mata lentamente.

Não tenho nenhum prazer. Sou apenas um dependente químico. Quando paro, sofro crises de abstinência que são fisicamente terríveis.

Nas décadas de 60, 70 e 80 fumei, como estudante, maconha, principalmente nos Estados Unidos, Equador, Espanha. E abandonava o cigarro. Usava a maconha, esporadicamente, nas festas com estudantes universitários. E viagens, que ganhei uma bolsa de estudo para conhecer as principais faculdades e meios de comunicação de massa na França, Suíça, Bélgica e Alemanha. E escapadas por Marrocos, Inglaterra, Itália e outros países. Que peguei o início do movimento hippie nos Estados Unidos e Europa.

Quando retornava ao Brasil, depois de um ou dois anos voltava a fumar. E toda volta resultava no consumo em dobro da cota de antes.

Antes de ir estudar nos Estados Unidos, uns 20 cigarros. Passei para 30/40. Depois do Equador, 40/60. Depois da Espanha, 60/80.

Comecei  lá pelos 23 anos. E ninguém suga mais de 8o cigarros por dia. Não existe uma quantidade limite. Portanto, fico entre 70/80, que é uma boa dose para quem vai completar, em janeiro próximo, 77 anos.

Preferiria maconha. Que me dá sono. Acredito que o patronato, nos tempos que comecei no jornalismo, permitia fumar nas redações porque o tabaco é um estimulante, tira o apetite e o sono, e assim varei madrugadas, que os diários fechavam às 24 horas, hora que começava o trabalho de muitos vespertinos, como aconteceu comigo no jornal O Globo, tendo Mauro Sales como chefe de reportagem. Fui estagiar n’ O Globo pelo ganho do Prêmio Esso em Jornalismo.

Por duas vezes trabalhei no vespertino Diário da Noite do Recife. Também redigido noturnamente. Indicado por dois grandes jornalistas. A primeira vez por Abdias Moura, mestre, como editor policial. A segunda, convidado pelo companheiro de farra Ronildo Maia Leite, como copy e repórter especial.

Não havia cinzeiros, o cigarro aceso queimava as beiradas do birô, meus dedos, meus lábios, que certa vez operei uma queimadura.

Quanto rende para o governo e multinacionais vender enfisema, câncer, angina e outras doenças malignas?

Não fumo maconha porque não quero contato com nenhum traficante.

Certamente fumei maconha no Brasil, quando professor da Católica. O cigarro babado de alguma estudante.

uy_republica. maconha

El Senado uruguayo votará hoy un mundialmente inédito proyecto de ley que regulará la producción y venta de marihuana y que el gobierno considera como “un experimento” para combatir el narcotráfico.

El texto -aprobado en julio por la Cámara de Diputados- tiene su sanción asegurada por el apoyo del Frente Amplio, que tiene la mayoría en ambas cámaras.

La iniciativa fue presentada hace un año y medio por el gobierno del presidente José Mujica junto a una serie de medidas para frenar el incremento de la inseguridad pública y desactivar la violencia asociada al narcotráfico.

“Este es un experimento”, admitió Mujica. “Podemos hacer un verdadero aporte a la humanidad. Ser un banco de prueba en desatar un conjunto de disciplinas que sirvan para enfrentar el problema y sumen herramientas a la lucha contra la drogadicción”, reiteró en varias ocaciones.

El proyecto otorga al gobierno el control y reglamentación de la importación, cultivo, cosecha, distribución y comercialización del cannabis y sus derivados.

Tras registrarse, los residentes mayores de 18 años podrán cultivar hasta seis plantas, acceder a la droga en clubes de usuarios o comprar hasta 40 gramos por mes en las farmacias.

“No hay mucha criminalidad alrededor del tema en Uruguay, entonces el cambio no es profundo. Es básicamente un experimento, pero no es un experimento que se puede replicar con facilidad” en países de mayor tamaño, dijo a la Steven Dudley, codirector del sitio web Insightcrime, especializado en narcotráfico en América Latina.

Uruguay enmarca la iniciativa en la postura de la Comisión Global de Política de Drogas -integrada por los ex presidentes de Colombia César Gaviria y de México Ernesto Zedillo, entre otros- que sostiene que la guerra contra las drogas ha fracasado.

El presidente Mujica, calcula que el país gasta unos 80 millones de dólares anuales en combatir el narcotráfico y en mantener a los presos por delitos vinculados a la droga.

Actualmente consumir drogas no está penado pero sí comercializarlas. El consumo de marihuana es el más extendido entre las drogas ilegales y se ha duplicado en los últimos 10 años.

Según las autoridades hay unos 128.000 fumadores de cannabis, aunque las asociaciones de consumidores calculan que rondan los 200.000.

Mejor precio y calidad

El gobierno planea atraer a los consumidores con un cannabis más barato y de mejor calidad que el que se consigue hoy en el mercado ilegal.

“Vamos a ir teniendo en cuenta los precios en el mercado negro, hasta que comencemos a desestructurar el funcionamiento de ese mercado”, dijo Julio Calzada, secretario general de la Junta Nacional de Drogas.

Clave

Uruguay será el primer país para aprobar una ley de esta naturaleza, uniéndose a los estados norteamericanos de Colorado y Washington, que en el noviembre de 2012 aprobaron iniciativas para legalizar y regular el cannabis.

“La creación de un mercado legal y regulado para el cannabis marcará un momento clave para la reforma de las políticas de cannabis al nivel hemisférico y global”, dijo John Walsh de WOLA, un experto en las políticas de drogas. “Cuando se escribe la historia de la desintegración de la prohibición del cannabis, el papel valioso y pionero de Uruguay se figurará prominentemente”.

Kike Estrada
Kike Estrada

O grande jornalista Fábio José de Melo me pergunta “legal, em que sentido?”

Repondi: A maconha? Em todos.

Quando garoto não fumava. Mas conhecia um bar no Parque 13 de Maio, Recife, frequentado por Gilberto Freyre, e pelos meus amigos poetas e boêmios J. Gonçalves de Oliveira, então comunista, e Carlos Pena Filho. E o poeta Francisco Bandeira de Mello que nem fumava nem bebia. Eu, bebia.

Gilberto era maconheiro. Na época, final dos anos 50, a maconha era considerada vício de negro, coisa sacrílega de terreiro de macumba. Portanto, a discriminação da maconha era racista e religiosa. Aconteceu com o samba, antes de Nair de Tefé, primeira caricaturista mulher do mundo, que estudou na França, casar com o presidente Hermes da Fonseca.

O samba era visto como dança vulgar e lasciva. Nair levou o samba para o palácio do Cadete, junto com o poeta Catulo da Paixão Cearense e Chiquinha Gonzaga. Foi o maior escândalo, para puritanos tipo Rui Barbosa, que queimou os arquivos da escravidão, para esconder suas origens.

O preconceito contra a maconha está nas suas origens africanas. O engraçado é que os traficantes de escravos compravam negros com tabaco, planta originária das Américas.