O sujo e o mal lavado

Para a mídia nada aconteceu no governo de FHC, nem para o bem, nem para o mal. Simplesmente, FHC não existe. Portanto, nada fez. Nenhuma obra.

O FHC que a tv mostra é apenas um clone. Uma cópia. Uma estátua de ouro. O verdadeiro, o divino FHC nunca pôs os pés no Brasil. Sempre esteve no céu. Nos palácios e cortes estão seus adoradores. E na imprensa…

dp barusco

ESCÂNDALOS ESQUECIDOS PELA MÍDIA ISENTA…

por Franklin Tavares

Somente para citar alguns, alguém saberia me dizer se os “casos” abaixo citados tiveram algum desfecho?

GOVERNO JOÃO BAPTISTA FIGUEIREDO (1979-1985)
Caso Capemi
Caso do Grupo Delfim
Escândalo da Mandioca
Escândalo da Brasilinvest
Escândalo das Polonetas
Escândalo do Instituto Nacional de Assistência Médica do INAMPS
Caso Morel
Crime da Mala
Caso Coroa-Brastel
Escândalo das Jóias

GOVERNO JOSÉ SARNEY (1985-1990)
CPI da Corrupção
Escândalo do Ministério das Comunicações
Caso Senador Carlos Chiarelli (Dossiê Carlos Chiarelli)
Caso Imbraim Abi-Ackel( o das jóias)
Escândalo da Administração de Orestes Quércia
Ferrovia Norte-Sul

GOVERNO FERNANDO DE COLLOR (1990-1992)
Escândalo do BCCI
Escândalo da Ceme
Escândalo da LBA
Esquema PP
Esquema PC (Caso Collor)
Escândalo do INSS
Escândalo da Eletronorte
Escândalo da Ação Social
Escândalo da Merenda
Escândalo das Estatais
Escândalo da Vasp
Escândalo da Aeronáutica

GOVERNO ITAMAR FRANCO (1992-1995)
Escândalo do Orçamento da União (Escândalo dos Anões do Orçamento)
Caso Ricupero

GOVERNO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO (FHC) (1995-2003)

FHC 1
Escândalo da Pasta Rosa
Escândalo da Administração de Paulo Maluf
Escândalo das Privatizações
Escândalo do BNDES (verbas para socorrer ex-estatais privatizadas
Escândalo da Telebrás
Escândalo da Compra de Votos Para Emenda da Reeleição
Escândalo da Venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
Escândalo da Previdência
Escândalo dos Precatórios
Escândalo do Banestado
Escândalo da Encol
Escândalo da Mesbla
Escândalo do Banespa
Escândalo da Desvalorização do Real
Escândalo dos Fiscais de São Paulo (Máfia dos Fiscais)
Escândalo do dossiê Cayman (ou Escândalo do dossiê Caribe)
Escândalo dos Grampos Contra FHC e Aliados
Escândalo do Judiciário
Escândalo das Vendas de Madeira da Amazônia
Escândalo dos Bancos
CPI do Narcotráfico
Escândalo de Corrupção dos Ministros
Escândalo da Banda Podre
Escândalo dos Medicamentos
Escândalo dos Desvios de Verbas do TRT-SP
Escândalo da Administração da Roseana Sarney
Escândalo da Administração de Celso Pitta
Escândalo da Sudam
Escândalo da Sudene
Escândalo do Banpará
Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel do Senado
Caso Lunus (ou Escândalo do dossiê contra Roseana Sarney)
Escândalo do PROER
Caso Marka/FonteCindam
Escândalo Daniel Dantas – Grupo Opportunity
Escândalo do Sivam
Escândalo da pane DDD do sistema telefonico privatizado (o “caladão”)
Abuso de Medidas Provisórias (5.491)
Acidentes Ambientais da Petrobrás
Quebra do Monopólido do Petróleo (criação da ANP) etc etc…

FHC 2

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PSDB tucano corrupção bolsa família

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PSDB tucanos FHC

O “chega de PT” e o vice terrorista do doutor Aécio da Cunha

No segundo turno, um plebiscito

por Elio Gaspari

 

‘Chega de PT’, ou ‘Mais PT’, essa será a escolha que o eleitorado fará daqui a três semanas

[Eleição (*) não é plebiscito (**) nem referendo. 

O sub-título, além de faccioso, expõe o voto de Elio Gaspari. Um jornalista, independente escreve o certo, baseado na contagem dos votos das urnas de Minas Gerais:

‘Chega de PSDB’. Nuca ‘mais PSDB’]

A doutora Dilma vai para o segundo turno sem uma plataforma clara.

[Dilma lançar um plano de governo seria admitir que governa sem nenhum. Ora, cara pálida, o plano de governo de Dilma começou a ser executado no dia 1 de janeiro de 2011]

Em junho, durante a convenção do PT para anunciar um “Plano de Transformação Nacional”, no qual, além de generalidades, ela prometeu uma reforma dos entraves burocráticos e um projeto de universalização do acesso à banda larga. Como? Não explicou. No seu lugar, entraram autolouvações e manobras satanizadoras contra os adversários. Delas, a mais mistificadora é aquela que confunde os oito anos de Fernando Henrique Cardoso com uma ruína econômica e social. Foi o período de esplendor da privataria, época em que um hierarca do Ministério do Trabalho dizia que o aumento do número de brasileiros sem carteira assinada era uma boa notícia, mas deve-se ao tucanato algo muito maior: o restabelecimento do valor da moeda. Sem isso, Lula, Dilma e o PT não teriam conseguido quaisquer avanços sociais. Por questão de justiça, reconheça-se que o DNA demofóbico de parte do tucanato seria um obstáculo para que fizesse o que Lula fez.

[Elio Gaspari parece Marina Silva. Denúncias contra o PSDB e Fernando Henrique são  “manobras satanizadoras”. O diabo é que FHC rasgou a CLT, e terceirizou os empregos públicos e privados.

Elio Gaspari para contrariar Itamar Franco, o verdadeiro criador, chama Fernando Henrique de pai do Plano Real]

 

 

A ideia segundo a qual o PT precisa continuar no poder porque no poder deve continuar é pobre e pode funcionar como uma armadilha.

[A idéia segundo a qual o PSDB precisa retomar o poder porque no poder deveria ter continuado é pobre e pode funcionar como uma armadilha]

Na noite de domingo, a doutora Dilma afirmou que o “povo brasileiro vai dizer que não quer os fantasmas do passado de volta”. Pode ser, desde que se entenda que o Brasil de FHC foi um castelo mal-assombrado. Mesmo nesse caso, o PT faz sua campanha pretendendo continuar no governo pelos defeitos do adversário e não pelas suas próprias virtudes. Colocando a questão dessa maneira, deu a Aécio Neves a oportunidade de responder: “O Brasil tem medo dos monstros do presente”.

[É isso aí: medo das monstruosidades do governo Fernando Henrique. Que elas retornem com Aécio Neves, que foi um governador irresponsável – a irmã Andréa governou no lugar dele – e corrupto. Para esconder os desmandos, comprou e prendeu jornalistas. Abusou da censura judicial. Minas é o único estado que ainda mantém um jornalista como preso político. Vide Marco Aurélio Carone

aécio governador

O desempenho da doutora no primeiro turno foi o pior desde 1998. Ficou em terceiro lugar em São Bernardo, no coração do ABC paulista. A bancada petista no Congresso perdeu 18 cadeiras. Em Pernambuco, foi dizimada. Boa notícia, o PT só recebeu de Minas Gerais, onde o eleitorado negou ao PSDB o mandato que lhe daria 16 anos de poder ininterruptos. É isso que o PT busca na esfera federal. Nunca na história deste país um grupo político homogêneo ficou no poder por 16 anos.

[Esqueceu Elio Gaspari de enfatizar que Aécio da Cunha perdeu em Minas Gerais, que ele considerava um feudo, um curral fechado]

Dilma vai para o segundo turno com a arma do favoritismo de quem ganhou no primeiro. Contudo, faltam-lhe dois amparos. Agora, o tempo de televisão será o mesmo e os debates serão mano a mano. Aécio, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de mudança. É o “Chega de PT”. Dilma defenderá o “Mais PT”. Darão ao pleito um tom plebiscitário.

[Dilma, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de salvação do Brasil e do povo. É o “Chega de PSDB”. Nunca mais PSDB. Votar em Aécio da Cunha é um retrocesso.  

O “Mais PT” ganhou em Minas. Basta mostrar para o Brasil que o mineiro expulsou Aécio. Isso näo é plebiscitário. Isso é polarização. Mostrar que o governo do doutor Aécio da Cunha foi um desastre. Tão nocivo quanto o governo entreguista de Fernando Henrique]

Seria melhor se discutissem propostas para os próximos quatro anos. O PT carrega êxitos e escândalos…

[Gaspari reconhece os êxitos dos governos Lula e Dilma. Mas não cita quais.

Sobre os escândalos teria que repetir as manchetes diárias do julgamento de Joaquim Barbosa, que teve sua filiação na OAB recusada. O Barbosa que julgou o mensalão do PT, e engavetou o mensalão tucano. Ou a delação premiada de Paulo Roberto Costa, que envolve os governadores Eduardo Campos, Roseana Sarney (que tem sociedade com o marido de Marina Silva, Fabio Vaz de Lima) e Sérgio Cabral, quando o mais escandaloso presidente da Petrobras foi Henri Philippe Reichstul, genro de Fernando Henrique, que disputa a taça da corrupção com Shigeaki Ueki (presidente no governo do ditador Figueiredo). Com Reichstul, a maior plataforma produtora de petróleo do mundo, a P-36, afundou, dando um prejuízo direto de US$ 350 milhões à companhia e causando 11 mortes. Foi responsável, também, pelo derramamento de cerca de 4 milhões de litros de óleo no Rio Iguaçu, destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água em várias cidades da região].

O governo Fernando Henrique afundou a maior plataforma do mundo, a P-36
O governo Fernando Henrique afundou a maior plataforma do mundo, a P-36

…porém, o programa de Aécio é mais uma coleção de platitudes e promessas. Seus capítulos para a educação e a saúde não enchem um pires.

[O programa do doutor Aécio, foi elaborado por Armínio Fraga, ex-empregado de George Soros, e presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique. De bancário, da noite para o dia, Fraga virou banqueiro. Fraga considera o salário mínimo muito alto. É uma Maria Alice Setubal. Da política do tudo para os banqueiros, e neca para o povo]

neca marina Itaú

Se Marina Silva obtiver dele [Aécio] a meta de implantar em quatro anos o tempo integral nas escolas públicas, terá justificado sua passagem pela disputa. Em qualquer país que tenha um sistema universal de saúde com uma clientela de 150 milhões de pessoas, suas deficiências seriam discutidas por todos os candidatos. O assunto ficou fora dos debates. Aconteceu a mesma coisa com os planos privados, que coletam recursos de 48 milhões de fregueses e financiam generosamente seus candidatos.

[Programas como mais escolas, mais hospitais são promessas para governadores. As elites costumam estadualizar e municipalizar as eleições presidenciais. Os presidenciáveis deveriam discutir saúde pública ou privada, educação pública ou privada, renacionalização das empresas estatais que Fernando Henrique doou. A defesa das riquezas nacionais. Retomar antigas campanhas como “O Petróleo é nosso”,  “Fora FMI”, “A Amazônia é brasileira”. 

Criar novas campanhas nacionalistas, patrióticas e cívicas. Evitar o tráfico do nióbio. Considerar, como já fez a ONU, a água um alimento.

Erradicar os transgênicos.  Nacionalizar os meios de comunicação de massa e acabar com os monopólios dos barões da mídia. Criar conselhos de redação.

Promover as reformas de base,  impedidas pelo golpe de 64. Restaurar as conquistas dos trabalhadores, que a CLT foi rasgada por Fernando Henrique, inclusive a estabilidade no emprego cassada pelo ditador Castelo Branco.

Promover as reformas do executivo, do judiciário, do legislativo, via plebiscito e referendo.

Realizar um governo para todos, e que contemporize os sem terra, os sem teto, os sem nada. E não exclusivamente as elites e os 1% ricos, representados pelos bancos, indústrias e empresas que financiaram a ditadura militar e, agora, marcham unidas para eleger Aécio Neves, e seu vice Aloysio Nunes Ferreira, tucano que, em 1964, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo].

aécio programa FHC

obra PSDB

 

(*) Eleição, ensina Wikipédia, é todo processo pelo qual um grupo designa um ou mais de um de seus integrantes para ocupar um cargo por meio de votação. Na democracia representativa, é o processo que consiste na escolha de determinados indivíduos para exercerem o poder soberano, concedido pelo povo através do voto, devendo estes, assim, exercerem o papel de representantes da nação. A eleição pode se processar com o voto de toda a comunidade ou de apenas uma parcela da comunidade, os chamados eleitores.

O processo eleitoral pode ser basicamente dividido em dois modelos: eleição direta e indireta.

(**) Plebiscito (do Lat. plebiscitu – decreto da plebe) , voto ou decreto passados em comício. O plebiscito é convocado antes da criação da norma (ato legislativo ou administrativo), e são os cidadãos, por meio do voto, que vão aprovar ou não a questão que lhes for submetida…

Ainda in Wikipédia: Podemos dizer que plebiscito é uma consulta ao povo antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas; o referendo é uma consulta ao povo após a lei ser constituída, em que o povo ratifica (“sanciona”) a lei já aprovada pelo Estado ou a rejeita. Maurice Battelli, de fato, define plebiscito como a manifestação direta da vontade do povo que delibera sobre um determinado assunto, enquanto que o referendo seria um ato mais complexo, em que o povo delibera sobre outra deliberação (já tomada pelo órgão de Estado respectivo).

 

 

A prisão de Carone, que denunciou a farsa do julgamento, uma oportunidade para esclarecer o misterioso assassinato da modelo que carregava o dinheiro do mensalinho tucano

Cris

A polícia do governo tucano de Minas Gerais jamais quis investigar o assassinato de  Cristiane Ferreira. Vou transcrever as principais reportagens sobre o caso, e veja os links.

Cristiane, 24 anos, além de andar com muito dinheiro do mensalinho, era amiga íntima, mais do que íntima, de um presidente da República, de dois ex-governadores de Minas Gerais, e de dois ex-ministros de Estado, entre outros figurões dos poderes do País da Geral.

Um ex-amante de Cristiane, um detive particular, foi acusado e condenado pelo crime, mas continua solto, e jamais revelou o(s) mandante(s). Esse silêncio garante sua liberdade. E a justiça de Minas nem aí.

Também a justiça de Minas engavetou o mensalinho tucano.

Veja a ação abafa da polícia mineira.

E a farsa desmoronou

por Roger Libório/ Revista Época

Há crimes que, pela repercussão, geram um esforço de investigação impressionante – a ponto de, em poucos dias, serem elucidados. E há outros que só são apurados após muita insistência. O caso da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, morta em agosto de 2000 num flat em Belo Horizonte, em Minas Gerais, pertence à segunda categoria. Passados dois anos e meio do assassinato, foi apenas na semana passada que se conheceu oficialmente a causa da morte – Cristiana foi sufocada com um objeto de pano, que pode ter sido um travesseiro ou um lençol enrolado. Ela foi agredida e as marcas da violência foram registradas em seu corpo. Para chegar a essa conclusão foi preciso reanalisar as fotos da vítima, exumar o cadáver e fazer uma necropsia. O primeiro laudo, que atestava ‘suicídio’, revelou-se uma grosseira peça de ficção. Os médicos-legistas responsáveis pelo documento, Remar dos Santos e Tyrone Abud Belmak, não se pronunciam. O Ministério Público (MP) agora investiga por que foi montada a farsa, típica dos anos da ditadura.

Cristiana, morena de 1,78 metro, queria fazer carreira de modelo, mas, aos 24 anos, havia conseguido apenas se tornar uma figura popular entre os ricos e famosos da capital mineira. Quando foi morta – aparentemente por um ex-namorado ciumento, que perdeu a carona na ascensão social e nas amizades importantes da moça -, o MP teve de enviar à polícia diversos ofícios pedindo a apuração do caso. ‘Requisitamos várias diligências, mas elas nunca foram feitas’, conta o promotor Luís Carlos Martins Costa.

Quando a polícia encaminha um cadáver para o IML, tem de preencher uma ficha pedindo vários tipos de exame – basta marcar um ‘x’ em cada um deles. Pode-se procurar, por exemplo, indícios de agressão física e violência sexual. O corpo de Cristiana foi encontrado na cama apenas de sutiã, sem calcinha e com vários hematomas, mas os investigadores solicitaram apenas exame toxicológico, anotando ao lado: ‘Suspeita de suicídio’. Na cena do crime não havia nada que sugerisse isso, como vidro de raticida, seringa ou bilhete de despedida. O boletim de ocorrência foi lavrado em 6 de agosto. Somente no dia 11 de dezembro, quatro meses depois, foi instaurado um inquérito policial. Ele passou por vários delegados e muitas trapalhadas – um ex-namorado, o empresário Luiz Fernando Novaes, chegou a ser preso e depois solto por falta de provas. A conclusão final, porém, foi novamente de ‘auto-extermínio’. O Ministério Público teve de investigar sozinho, colher 41 depoimentos e pedir a exumação do cadáver.

O ex-namorado Reinaldo Pacífico, contra quem Cristiana já registrara um boletim de ocorrência por agressão, vinha perseguindo a modelo. Sujeito misterioso, ganhava a vida como detetive particular mas se apresentava como ‘juiz criminal’. Ele tornou-se o principal suspeito depois que uma testemunha – agora sob proteção federal – admitiu tê-lo ouvido confessar o crime. Parece difícil, contudo, que Pacífico tenha sido capaz de agir sozinho na etapa seguinte do crime – a de embaralhar pistas e transformar sinais de um assassinato brutal em suicídio. Essa tarefa exige a cumplicidade de policiais, além da boa vontade da cúpula da máquina de segurança de Minas Gerais – recursos pouco acessíveis na mala de truques de um detetive particular. Por isso a promotoria agora quer apurar o que levou a polícia e os legistas a conduzirem a investigação de forma tão relapsa. ‘Há indícios de supressão e de alteração de documentos’, diz Martins Costa. Entre outros papéis, sumiu o depoimento de um dos irmãos da vítima, Cláudio Ferreira, que havia dado a lista de todas as pessoas importantes com as quais Cristiana teria se relacionado. ‘O delegado chamou o rapaz alguns dias depois, disse que o depoimento não tinha validade e o questionou novamente, orientando para não citar nomes’, acusa o promotor. Entre os famosos mencionados pela família de Cristiana estava Jairo Magalhães Costa, diretor do Banco Real, o único a admitir ter tido um caso com a moça. Mas uma irmã da vítima, Simone Ferreira, testemunhou dizendo que ela ‘estava se encontrando’ com Djalma Moraes, presidente da Cemig. Ele é casado, nega qualquer relacionamento com a modelo e declarou que a viu apenas duas vezes – foram apresentados pelo ex-secretário da Casa Civil Henrique Hargreaves. Em outro depoimento, uma amiga de Cristiana disse que ela apregoava um breve caso com o ex-governador Newton Cardoso, que declarou jamais tê-la visto na vida. E vários parentes afirmaram que Cristiana era amiga próxima do ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, para quem trabalhava e viajava freqüentemente. Num depoimento tomado às vésperas da posse na equipe de Lula, Mares Guia disse que a conhecia de vista. Para uma pessoa tão pouco relacionada, é surpreendente que tenha conseguido ser recebida no Palácio da Liberdade, quando chegou a ser fotografada ao lado do governador Itamar Franco – parentes dizem que ela fora pedir um emprego.

Entende-se que pessoas importantes queiram proteger sua intimidade, especialmente contra boatos que podem não ter fundamento. Resta saber se foi por influência política que o primeiro laudo notava ‘ausência de lesões externas macroscopicamente visíveis’ num cadáver com três fraturas e vários hematomas. É um erro tão grosseiro que lembra os documentos produzidos nos anos de chumbo para mascarar a tortura de presos políticos.

Colaborou Paula Pereira

Reinaldo Pacífico é condenado pelo assassinato da ex-modelo Cristiana Aparecida Ferreira
Detetive Reinaldo Pacífico
Detetive Reinaldo Pacífico

Do Migalhas transcrevo: Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho, acusado de matar a ex-modelo Cristiana Aparecida Ferreira, em agosto de 2000, num flat no centro de Belo Horizonte, foi condenado a 14 anos de prisão.

O Conselho de Sentença decidiu pela culpa do acusado, tendo ele concorrido para o envenenamento da vítima. Ele foi condenado nos delitos constantes do artigo 121, §2º, incisos I e III do Código Penal(clique aqui) (homicídio cometido por motivo torpe e asfixia).

O juiz presidente do I Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Carlos Henrique Perpétuo Braga, determinou que a pena seja cumprida em regime inicialmente fechado. Tendo em vista ser réu primário, ter bons antecedentes e por ter aguardado em liberdade o desdobramento do processo, o magistrado lhe concedeu a prerrogativa de aguardar a interposição de recurso em liberdade.

O plenário esteve lotado durante toda a tarde. Cerca de trezentas pessoas compareceram para acompanhar o julgamento. Às três da madrugada, quase quatorze horas após o início da sessão, aproximadamente 50 pessoas, entre jornalistas, parentes do réu e da vítima e o público em geral, ainda aguardavam a decisão do Conselho de Sentença.

A sessão foi presidida pelo juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga e o promotor Francisco de Assis Santiago representou o Ministério Público. Como auxiliares de acusação, atuaram os advogados Dino Miraglia Filho e Felipe Daniel Amorim Machado. A defesa ficou a cargo dos advogados Eunice Batista da Rocha Filha e Fernando Antônio Santos de Santana.

Testemunhas

Foram ouvidas oito testemunhas, três de acusação e cinco de defesa.

A primeira testemunha, supervisora das camareiras do flat, afirmou que encontrou a modelo morta, no domingo, dia 6 de agosto, pela manhã. Ela disse que a modelo tinha o costume de entrar no flat na quinta-feira e sair na sexta. Estranhando o fato, pois já era domingo e Cristiana ainda estava hospedada, tentou ligar para o apartamento e bater à porta, mas não obteve resultado. Quando decidiu abrir a porta, descobriu que o “pega-ladrão” bloqueava o acesso.

Após vários chamados, já suspeitando da morte da modelo, ela acionou a gerente do flat, que, ao chegar, pediu que o “pega-ladrão” fosse serrado. Ao entrar no quarto, a supervisora confirmou a sua desconfiança e a polícia foi acionada.

A segunda testemunha, dono de um estacionamento, disse que Reinaldo confessou a ele que teria matado a modelo por ciúmes. Disse ainda que Reinaldo contou que Cristiane estava trabalhando transportando dinheiro de políticos de Brasília para Belo Horizonte.

Às 16h03, a terceira testemunha foi chamada. Ele é filho da segunda testemunha e disse que ouviu trechos de uma conversa entre seu pai e o acusado, em que o acusado falou que havia matado Cristiana.

O jornal ajuda muito mais do que eu“, afirmou o ex-governador Newton Cardoso, a quarta testemunha ouvida no Plenário do I Tribunal do Júri. O ex-governador afirmou que não poderia ajudar porque não conhece Reinaldo e viu a modelo somente uma vez no Palácio da Liberdade.

Para o delegado que concluiu as investigações na época, a quinta testemunha interrogada, “não existiu crime, foi auto-extermínio“. Ele declarou que não houve lesão indicativa de agressão e nem indícios de que Cristiana transportava dinheiro para políticos. Sobre o fato de Reinaldo estar sendo acusado do crime, ele disse que até o presente momento ninguém se perguntou como o acusado entrou ou saiu do quarto, uma vez que não foi encontrado qualquer vestígio de entrada e saída de alguém. Segundo ele, ninguém é capaz de demonstrar tecnicamente que ocorreu ali um homicídio.

Um médico perito foi a sexta testemunha. Ele examinou os restos mortais de Cristiana em exumação feita dois anos depois, em dezembro de 2002. A sua conclusão foi de que a morte se deu por intoxicação com veneno.

A sétima testemunha foi um homem com quem Cristiana manteve um relacionamento de maio a dezembro de 1999. Ele confirmou a declaração do Ministério Público de que Cristiana já havia tentado suicídio em duas ocasiões.

Às 20h a última testemunha foi ouvida: o médico legista que realizou a necropsia. Conforme ele disse, a morte se deu por intoxicação pelo consumo de pesticida. Por não ser sua atribuição, não pôde tecer conjecturas se a ingestão do veneno foi espontânea ou não.

Interrogatório

O interrogatório de Reinaldo começou às 20h40 e durou 1h05. Ele negou que tenha matado Cristiana. “A verdade absoluta é que eu não tirei a vida de Cristiana; tinha por ela afeto, carinho e consideração“, afirmou.

Ele confirmou o relacionamento com Cristiana, que durou mais ou menos um ano, a partir de 1996, e que na época de sua morte já não tinham nenhum tipo de envolvimento amoroso. Ele afirmou que os depoimentos do dono do estacionamento e do filho, que o acusaram de matar a ex-namorada, são falsos. Declarou ainda que nunca esteve no flat.

Debates

Contradizendo o depoimento do médico perito, o promotor Francisco de Assis Santiago apontou outros laudos em que há diagnóstico de asfixia mecânica, fratura e luxação. Acredita que há pessoas interessadas no arquivamento do inquérito com a conclusão de suicídio.

O promotor rechaçou a hipótese de suicídio, relembrando os sonhos da modelo em progredir na vida e montar uma griffe. Segundo ele, o copo quebrado encontrado no apartamento é sinal de que a vítima foi obrigada a ingerir o veneno encontrado em seu estômago.

O assistente de acusação, Dino Miraglia Filho, afirmou que “forças ocultas” atuaram na investigação. Para ele, o crime existiu. Não acredita em crime passional, “foi queima de arquivo”, afirmou categórico. Pediu ainda aplicação de multa para o ex-ministro Walfrido Mares Guia. Ele foi regularmente intimado para o julgamento, mas não compareceu, pois está fora do país.

Para a advogada de defesa, Eunice Batista da Rocha Filha, Reinaldo Pacífico é injustamente acusado. Ela relembrou casos de injustiças cometidas contra inocentes para convencer o conselho de sentença a não cometer mais um erro.

Reafirmou as palavras do delegado e peritos que testemunharam na sessão, apresentando laudos, contidos no processo, que afirmam que a causa da morte foi a ingestão de veneno. Lembrou que a vítima já tinha antecedentes suicidas. Para ela, o processo está claro: tudo demonstra o suicídio da modelo.

Antes da votação dos quesitos pelo Conselho de Sentença, o advogado de defesa Fernando Antônio Santos de Santana anunciou a sua renúncia ao mandato em plenário. Argumentou que acredita na inocência do acusado e teve divergências com sua colega de defesa.

Essa decisão está sujeita a recurso.

  • Processo : 0024.01.045547-5

Juíza do “Mensalão Tucano” manda investigar morte de modelo

Mariosan
Mariosan
 Transcrevo do Novo Jornal, editado por Marco Aurélio Carone:Após a aparição de novos documentos referentes ao “Mensalão Mineiro”, a Juíza Neide da Silva Martins e o Promotor João de Medeiro a abrir uma nova linha de investigações para analisar nova vertente criminal e apurar as circunstâncias da morte da modelo Cristiane Aparecida Ferreira, que podem ter ligação com o esquema criminoso montado para desviar dinheiro público arrecadado e distribuído entre integrantes do alto escalão da campanha de reeleição ao governo de Minas em 1998 de Eduardo Azeredo, no escândalo de corrupção conhecido como “Mensalão Mineiro”. A decisão é do dia 03 de outubro.

Os documentos apontam que a modelo atuou transportando valores milionários a serviço do esquema, além de ter recebido sem qualquer justificativa comercial, na época, a importância de R$ 1.800.000,00 de Walfrido dos Mares Guia. Para criminalistas que se dedicam ao caso, a morte de Cristiane não teria sido um crime passional em relação ao seu namorado e sim estaria jurada de morte por esposas de diversos figurões da sociedade mineira, pois teria se tornado perigosa para o esquema, já que conhecia toda a operação e mantinha relações com os principais operadores.

Segundo um dos criminalistas que atua no caso, o assassinato da modelo realmente foi cometido por Reinaldo Pacífico conforme sua condenação, porém, provas e evidências demonstram que houve um ou mais mandantes e que a motivação para a morte da modelo era a queima de arquivo. O processo tramita em Belo Horizonte por decisão do Ministro Joaquim Barbosa e, diante das provas, a Juíza da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte determinou a abertura de novo inquérito para apurar exclusivamente a participação de Cristiane no esquema.

Operadores – Segundo os criminalistas envolvidos na investigação da morte da modelo, comprovadamente ela mantinha um caso amoroso com o presidente da Central Energética de Minas Gerais (Cemig) Dijalma Moraes, com o ex ministro Walfrido dos Mares Guia e com o ex governador Newton Cardoso, entre outros operadores do esquema.

Com a abertura do novo inquérito deverá quebrar-se a resistência de alguns integrantes do Ministério Público que recusavam reabrir o caso da morte da modelo. O inquérito que apurou o crime ocorrido no San Francisco Flat, um apart-hotel de luxo da capital mineira, transformou-se em ação penal com a condenação do despachante Reinaldo Pacifico, que até hoje continua solto sem qualquer explicação das diversas autoridades envolvidas.

O crime – Cristiane foi assassinada em agosto de 2000 e, há quase três anos o teólogo e detetive particular Reynaldo Pacífico, acusado de matar a modelo nas dependências do San Francisco Flat, no centro de Belo Horizonte, foi condenado a 14 anos de reclusão em regime fechado e jamais foi detido. O crime ganhou repercussão nacional por envolver o nome de vários políticos de projeção, entre eles o ex-presidente Itamar Franco, o ex-secretário da Casa Civil de Minas, Henrique Hargreves, o ex-governador Newton Cardoso, o ex-ministro do Turismo do primeiro governo do presidente Lula, Walfrido dos Mares Guia e o presidente da Companhia Energética de Minas Gerais, Djalma Moraes.

Em agosto de 2005, a ligação da morte da modelo com o escândalo do mensalão mineiro veio à tona, depois que uma agenda com o telefone e o endereço de uma das agências de propaganda do empresário Marcos Valério Souza ser apreendida. A morte dela ganhou repercussão nacional após policiais encontrarem anotações com contatos de várias autoridades do governo de Minas Gerais à época. A modelo Cristiane Aparecida Ferreira, além de envolvimento sexual com os políticos, teria se transformado também em agenciadora de garotas de programas e “mula” para o transporte de dinheiro proveniente do “mensalão”.

Após o júri, um de seus parentes, que não quis se identificar, revelou que no dia em que ela foi morta ele recebeu um telefonema dela, dado de São Paulo, pedindo para ir se encontrar com ela que estava de posse de uma mala com um milhão de reais. Ele viajou a São Paulo, houve um desencontro, Cristiane veio para Belo Horizonte e acabou sendo morta. Com este novo documento mostra que Cristiane Aparecida Ferreira teria recebido quase R$ 2 milhões de políticos e empresários ligados ao mensalão, levantando ainda mais a hipótese de que ela estaria associada ao caso e de que o assassinato pode estar relacionado ao esquema. O documento teria sido entregue a família de Cristiane e deve ser investigado.

Cartel Siemens/Alstom nasceu em Minas Gerais

por Marco Aurélio Carone

 

Assim como o modelo de corrupção adotado por Marcos Valério, denominado de Mensalão, o Cartel Siemens/Alstom teve início em Minas Gerais

 

Já paira a suspeita junto ao PSDB de São Paulo, o fato de até o momento muito pouco ou quase nada ter sido dito em relação à atuação das empresas Siemens e Alstom em Minas Gerais, uma vez que foi neste Estado e na CEMIG que nasceram em 1995, ainda na gestão de Eduardo Azeredo, os primeiros acordos, hoje denominado de “Cartel” entre as duas empresas – mesmo período que Mário Covas governava São Paulo.

nalistas políticos afirmam que estamos prestes a presenciar a repetição do ocorrido no Mensalão, onde fatos de 2005 foram divulgados pela imprensa e julgados pelo STF antes mesmo daqueles denunciados e apurados no ano de 1998 em Minas Gerais no governo Azeredo conhecido como Mensalão Tucano.

Os paulistas não conseguem perceber a sutileza dos mineiros em preparar o terreno para que, em caso de incêndio, a porta de saída permaneça sempre aberta, principalmente nas esferas governamentais. E não são somente os paulistas, a maioria dos políticos brasileiros sofre com esta falta de percepção. Exemplo disto é o Collor, que só foi perceber a conspiração contra seu mandato, conduzida por Itamar Franco, após sua queda.
Os mineiros, desde o Império, têm sempre na manga uma carta, como agora que, enquanto o CADE vaza informações a respeito do ocorrido em São Paulo, os arquivos permanecem fechados em relação aos acontecimentos ocorridos em Minas Gerais, sob a guarda de Rutelly Marques da Silva, Conselheiro da Light indicado por Aécio Neves. Lei mais. É uma história que só tem bandidos.

AMORES PALACIANOS

por Talis Andrade

 

Saudades dos tempos

do Brasil romântico

Do desmaio epilético

de Pedro I

ao ver Amélia

Dos sonetos de amor purus

de Pedro II

Do desmaio apoplético

de marechal Hermes

ao ver Teffé

na luminosidade

de uma tarde

ensolarada

.

Saudades dos tempos

do Brasil romântico

João Pessoa morto

porque veio ao Recife

ao encontro venéreo

de uma cantora

de opera

.

Saudades dos amores

invertidos do ditador de 37

Dos amores secretos

do presidente que transou

o belo travesti dando

de presente a operação

de mudança de sexo

.

Saudades dos amores

do Brasil romântico

as vedetes suspirando

pelo topete de Itamar

.

Mudado moderno tempo

Os políticos disputam

no paredão do Grande Irmão

as garotas de Jeany a cafetina

de belas meninas que aliviam

o mortório semanal

de passar três dias no vazio

na solidão noturna

dos palácios de Brasília

cidade dormitório capital

do gigante adormecido

em um berço esplêndido

Amélia de Leuchtenberg
Amélia de Leuchtenberg
Nair de Teffé
Nair de Teffé

Livro sobre a compra de votos para a emenda da reeleição e o caso extraconjugal de FHC alvoroçam os tucanos

por Leandro Fortes

Segundo o relato do ex deputado Narciso Mendes, centenas de parlamentares veneram seus votos por 200 mil reais a cabeça
Segundo o relato do ex deputado Narciso Mendes, centenas de parlamentares veneram seus votos por 200 mil reais a cabeça

As desventuras do príncipe

 

A obra chega às livrarias no sábado 31, mas antes mesmo de sua publicação tem causado desconforto no ninho tucano. Luiz Fernando Emediato, publisher da Geração Editorial, responsável pela edição, tem recebido recados. O último, poucos dias atrás, foi direto: um cacique do PSDB telefonou ao editor para pedir o cancelamento do livro e avisou que a legenda havia contratado um advogado para impedir a publicação, caso o apelo não fosse atendido.

 

Tanto alvoroço deve-se ao lançamento de O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição, do jornalista Palmério Dória. O título da obra faz alusão à alcunha de “príncipe dos sociólogos”, sugestão de amigos do ex-presidente, e ao termo privataria, menção ao processo de privatização comandado pelo PSDB nos anos 1990 e eternizado por outra obra da Geração Editorial, A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.

Palmerio Dória

 

Há razão para os temores dos aliados de FHC. Na obra, Dória reconstituiu um assunto que os tucanos prefeririam ver enterrado: a compra de votos no Congresso para a emenda da reeleição que favorecia o ex-presidente. E detalha o “golpe da barriga” que o deixou refém das Organizações Globo, em especial, e do resto da mídia durante seus dois mandatos.

A maior novidade é a confirmação da identidade do Senhor X, a fonte anônima responsável pela denúncia do esquema de compra de votos para a emenda da reeleição. O ex-deputado federal Narciso Mendes, do PP do Acre, precisou passar por uma experiência pessoal dolorosa (esteve entre a vida e a morte depois de uma cirurgia) para aceitar expor-se e contar novos detalhes do esquema.

A operação, explica Mendes no livro, foi montada para garantir a permanência de FHC na Presidência e fazer valer o projeto de 20 anos de poder dos tucanos. Para tanto, segundo o ex-parlamentar, foram subornados centenas de parlamentares, e não apenas a meia dúzia de gatos-pingados identificados pelo jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, autor das reportagens que apresentaram em 1997 as gravações realizadas pelo Senhor X, apelido criado pelo repórter para preservar a identidade do colaborador, então deputado do antigo PPB.

Os mentores da operação que pagou 200 mil reais a cada deputado comprado para aprovar a reeleição, diz o Senhor X, foram os falecidos Sérgio Motta, ex-ministro das Comunicações, e Luís Eduardo Magalhães, filho de Antonio Carlos Magalhães e então presidente da Câmara dos Deputados. Em maio de 1997, a Folha publicou a primeira reportagem com a transcrição da gravação de uma conversa entre os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos do PFL do Acre. No áudio, a dupla confessava ter recebido dinheiro para votar a favor da emenda. Naquele momento, o projeto tinha sido aprovado na Câmara e encaminhado para votação no Senado.

À época, a oposição liderada pelo PT tentou instalar uma CPI para apurar as denúncias. Mendes resume os acontecimentos a Dória e ao jornalista Mylton Severiano, que participou das entrevistas com o ex-deputado em Rio Branco: “Nem o Sérgio Motta queria CPI, nem o Fernando Henrique queria CPI, nem o Luís Eduardo Magalhães queria CPI, ninguém queria. Sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos”.

E assim aconteceu. A denúncia foi analisada por uma única comissão de sindicância no Congresso, que apresentou um relatório contrário à instalação de uma comissão parlamentar de inquérito. O assunto foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF), então sob o comando de Geraldo Brindeiro. O procurador fez jus ao apelido de “engavetador-geral”, nascido da sua reconhecida leniência em investigar casos de corrupção do governo FHC. O MP nunca instalou um processo de investigação, a mídia nunca demonstrou o furor investigatório que a notabilizaria nestes anos de administração do PT e o Congresso aprovou a emenda, apesar da fraude.

O Príncipe da Privataria tenta reconstituir os passos da história que levou uma repórter da TV Globo em Brasília, a catarinense Miriam Dutra, a um longo exílio de oito anos na Europa. Repleta de detalhes, a obra reconstituiu o marco zero dessa trama, “nalgum dia do primeiro trimestre de 1991”, quando o jornalista Rubem Azevedo Lima, ao caminhar por um dos corredores do Senado, ouviu gritos do gabinete do então senador Fernando Henrique Cardoso. “Rameira, ponha-se daqui pra fora!”, bradava o então parlamentar, segundo relato de Lima, ex-editorialista da Folha de S.Paulo, enquanto de lá saía a colega da TV Globo, trêmula e às lágrimas.

A notícia de um suposto filho bastardo não era apenas um problema familiar, embora não fosse pouco o que o tucano enfrentaria nessa seara. A mulher traída era a socióloga Ruth Cardoso, respeitada no mundo acadêmico e político. O caso extraconjugal poderia atrapalhar os planos futuros do senador. Apesar de se apresentar como um “presidente acidental”, em um tom de desapego, FHC sempre se imaginou fadado ao protagonismo na vida nacional.

Escreve Dória: “Entra em cena um corpo de bombeiros formado por Sérgio Motta, José Serra e Alberico de Souza Cruz – os dois primeiros, cabeças do “projeto presidencial”; o último, diretor de jornalismo da Rede Globo e futuro padrinho da criança”. Motta e Serra bolaram o plano de exílio da jornalista, mas quem tornou possível a operação foi Souza Cruz, de atuação memorável na edição fraudulenta do debate entre Collor e Lula na tevê da família Marinho às vésperas do segundo turno. A edição amiga, comandada diretamente por Roberto Marinho, dono da emissora, e exibida em todos os telejornais do canal, levaria o “caçador de marajás” ao poder. Acusado de corrupção, Collor renunciaria ao mandato para evitar o impeachment.

Miriam Dutra e o bebê foram viver na Europa e o caminho político de FHC foi novamente desinterditado. Poucos anos depois, ele se tornaria ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, surfaria no sucesso do Plano Real, a ponto de renegar a importância do falecido ex-presidente na implementação da estabilidade monetária no País, e venceria a eleição de 1994 no primeiro turno.

Por muito tempo, apesar de o assunto circular nas principais rodas políticas de Norte a Sul, Leste e Oeste, imperou nos principais meios de comunicação um bloqueio a respeito do relacionamento entre o presidente e a repórter. Há um pressuposto não totalmente verdadeiro de que a mídia brasileira evita menções à vida particular dos políticos, ao contrário das práticas jornalísticas nos Estados Unidos e Reino Unido. Não totalmente verdadeiro, pois a regra volta e meia é ignorada quando se trata dos adversários dessa mesma mídia.

No fim, o esforço para proteger FHC mostrou-se patético. Só depois da morte de Ruth Cardoso, em 2008, o ex-presidente decidiu assumir a paternidade do filho da jornalista. Mas um teste de DNA, feito por pressão dos herdeiros do tucano, provou que a criança não era dele.

Dória entrevistou inúmeras personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre FHC e o quadro político brasileiro. Há outras declarações pouco abonadoras da conduta do ex-presidente. A obra trata ainda do processo de privatização, da tentativa de venda da Petrobras e do plano de entrega da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil ao setor privado. “O livro mostra que FHC é um caso de crime continuado”, resume o autor.

 

 

 

 

 

 

Sexo & poder: uma ‘mistura explosiva’

por Renato Dias

Loira, olhos verdes, curvas estonteantes, bumbum arrebitado, 33 anos de idade. O bastante para o deputado estadual e presidente do PMDB de Goiás, Samuel Belchior, uma estrela em ascensão no cenário político estadual, ser seduzido. O encanto terminou na Operação Miqueias, executada pela Polícia Federal (PF), em setembro último. Mais um exemplo que revela que sexo e poder constituem, na História, uma ‘mistura explosiva’.

Casado com Darcy Vargas, Getúlio Vargas, o homem da revolução de outubro de 1930 que mandou e desmandou no Brasil de 1930 a 1945 e, depois, de 1950 a 1954, e que entrou para a história ao montar o Estado Nacional e suicidar-se no mês de agosto, vivia enrolado em casos extraconjugais. Integrariam a relação de supostas amantes do gaúcho de São Borja, Aimeé Soto Mayor Sá, Virgínia Lane e há quem aponte ainda Adalgisa Nery.

Henry Kissinger afirma que o poder seria afrodisíaco

Arquiteto do Plano de Metas, 50 anos em 5, o pé-de-valsa Juscelino Kubistcheck subiu ao altar com dona Sarah Kubistcheck, mas trocava de amantes como quem muda de roupa.

O então presidente da  República, construtor de Brasília (DF), no Planalto Cetral, viveu um ‘tórrido  romance’ com a socialite Lúcia Pedroso. Bruxo da reabertura, Golbery de Couto e Silva teria usado um diário para chantagear Sarah Kubistcheck.

O “documento”, com detalhes picantes de suas aventuras amorosas, estava no carro onde morrera o ex-presidente da república. A estratégia da ditadura civil e militar era suspender as investigações sobre a morte de JK, ocorrida no ano de 1976. Ex-ministro do Trabalho, João Pinheiro Neto contou em Bons e Maus Mineiros & outros brasileiros (1995), Editora Mauad, que certa vez JK fingiu uma crise de apendicite para esconder o tiro que supostamente levara de um marido traído.

Quase um santo para a mídia tupiniquin, Tancredo Neves, morto em 1985 e sucedido pelo bigode José Sarney, deixou rastros de traição espalhados na poeira do tempo. Da história. Ele receberia o seu affair à Rua Rodolfo Dantas, Rio de Janeiro (RJ). Ela atendia pelo nome de Maria Cecília Serran. João Pinheiro Neto informa que a suposta amante era loura, bonita e possuía dons mediúnicos. “Gostava de se vestir de branco, adepta à proteção de Iemanjá e de exibir jóias caras”, relata o autor.

Myrian Abicair: esse era o nome da amante de João Baptista Figueiredo. Trata-se do último general-presidente a ocupar o Palácio do Planalto. Aquele mesmo que dizia preferir o cheiro de cavalo ao do “povo” e que, ao deixar o poder, pediu que lhe esquecessem. Ela era uma empresária de sucesso, que relata ter frequentado o circuito Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, a capital da República. “Saí do casamento de mãos abanando, por pura opção”. Tereza Collor, morena de pernas torneadas,  boca carnuda, olhos enigmáticos e cabelos lisos e negros,  teria sido um dos motivos que levaram Pedro Collor a denunciar à revista Veja, semanal de maior tiragem no Brasil, o irmão de sangue que virara presidente da República, Fernando Collor de Mello, com a bandeira de “caçador de marajás”. Direto de Alagoas para Brasília. É que ele teria se ‘insinuado’ para a cunhada.

Um sessentão divorciado dono de um topete único,  Itamar Franco, o político de Juiz de Fora (MG) que subiu a rampa do Palácio do Planalto com o impeachment e a renúncia de Fernando Collor de Mello, após escândalo de corrupção  e uma barulhenta Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional, foi flagrado com uma modelo e sambista, sem calcinha, no carnaval do Rio de Janeiro. Era Lilian Ramos. A imagem virou um escândalo mundial. Itamar Franco, porém, nem ligou.

– Rameira, ponha-se daqui para fora! Assim o então senador da República, em 1991, ícone do PSDB, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (SP) se dirigiu à jornalista da TV Globo, Mirian Dutra, uma catarinense com poder de sedução. FHC, que se tornaria presidente da República e que aprovaria a reeleição, seria o suposto pai do filho da repórter. O abacaxi é que ele era casado. Aliás, muito bem casado com a respeitada, no circuito acadêmico, antropóloga Ruth Cardoso. Desde o ano de 1952 . A mídia abafou o caso por anos e anos.

Ditadores pulavam a cerca

Benito Mussolini, o fascista que dirigiu a Itália, adorava sexo. A sua amante mais famosa foi Ida Dalser. Nascida em 20 de agosto de 1880, ela vendeu as suas propriedades para financiar o jornal Il Popolo dell’Italia . O veículo deu sólida reputação ao Duce. Ao final da segunda guerra mundial, Mussolini foi executado ao lado de sua nova amante, Clara Petacci.

Apesar de não pensar apenas em sexo, John Fitzgerald Kennedy, celebrado presidente dos Estados Unidos morto em Dallas, no turbulento ano de 1963, com um tiro na cabeça, casado com a bela e elegante  Jacqueline Kennedy, entrou para a história por seu voraz apetite sexual. Até Marilyn Monroe, atriz, cantora e modelo norte americana, passou por sua cama.

Tempos depois, o democrata Bill Clinton, amigo do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, quase foi apeado do poder da Casa Branca (sede do poder executivo dos Estados Unidos) por ter mantido “relações impróprias” com uma estagiária: Monica Lewinski. Um escândalo entre charutos e esperma. Nitroglicerina pura. Os republicanos deliravam.

México

Nascido em Yanovka, Ucrânia, sob o nome de Liev Davidovich Bronstein, ele, já como Leon Trotsky, dirigiu a revolução de outubro de 1917, na Rússia, denunciou a destruição da democracia e do socialismo na extinta União Soviética, acabou no exílio do México. Mesmo casado com Natasha Bronstein, arrumou tempo para traí-la, aos 60 anos, com Frida Khalo, mulher de Diego Rivera .

Número 1 do socialismo soviético, o advogado Vladimir Yilich Ulianov, Lênin, era casado com a comunista Krupskaia, mas adorava também casos extraconjugais. O grande amor da vida do moralista Lênin não foi, porém, Elizabeth K e sim a francesa Elisabeth d’Her-benville Armand, mais conhecida como Inessa, informa o editor-chefe do jornal Opção, Euler de França Belém (Leia sem inter.

Revolução

Que Fidel Castro e Che Guevara adoravam mulheres, o Brasil sabe. Agora, que o guerrilheiro comunista, filho de pai italiano e mãe negra de descendência Haussá, Carlos Marighella, já casado com Clara Scharff, também vermelha, manteve relacionamento estável com Zilda Xavier Pereira, da Ação Libertadora Nacional (ALN), foi revelado apenas no ano passado pelo jornalista Mário Magalhães, em Marighella – O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo (2012), Companhia das Letras

Nota do redator do blogue: O sexo tem importância na política. Jawaharlal Nehru conseguiu libertar seu país, e ser o primeiro ministro, pelo seu amor correspondido por Edwina, née Ashley, casada com o lorde Louis (Dickie) Mountbtten, o último vice-rei britânico na Índia.

e neruh

Nehru e Edwina
Nehru e Edwina

A história do tiro em JK é contada com outros políticos, inclusive Jango. Um tenente, aviador particular de Jango, teria lhe dado um tiro que pegou na perna.  A versão oficial: Goulart mancava de uma perna, resultado de uma queda de cavalo.

A lista das mulheres de Getúlio se parece muito com a de Hitler.

Adalgisa Nery, viúva do pintor Ismael Nery, casou com Lourival Fontes, diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda de Getúlio. Para abafar os boatos de homossexualidade, Lourival espalhava casos de Getúlio com as cantoras de rádio.

Goebbels. ministro de Propaganda do Reich, gostava de fotografar Hitler ladeado por artistas de cinema. Goebbels dizia que sua esposa Marian foi noiva de Hitler.

Outro que tinha fama de homossexual era Itamar. A foto da vedete sem calcinha faz parte do mito do sedutor topete.

Adolescente, convidei dom Antônio de Almeida Moraes Júnior, arcebispo de Olinda e Recife, para fazer uma conferência na Academia dos Novos, em Limoeiro. Na viagem de carro, dom Antônio me revelou que Jango, garoto, foi amante de Getúlio. Naqueles tempos, o parceiro ativo não era considerado homossexual.