Estudantes ocupam London School of Economics

 

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Esta terça-feira algumas dezenas de estudantes ocuparam um espaço na universidade londrina, reclamando o fim das propinas e da precariedade dos funcionários, uma gestão democrática da instituição e o corte dos laços com instituições ligadas ao sector militar ou que lucram com as  invasões do Iraque e da Palestina.

A ocupação estudantil ocorre meses depois de uma ação com objectivos semelhantes na Universidade de Amesterdão, que ainda decorre. Os estudantes da London School of Economics já tinham ocupado a universidade em 2011 e venceram a batalha, na altura pelo corte das relações com o filho do então ditador líbio Khadafi.

 

 

Papa Francisco: A tortura é um pecado contra a humanidade, é um crime contra a humanidade e aos católicos eu digo: “Torturar uma pessoa é um pecado mortal, é pecado grave!” . Mas é mais: é um pecado contra a humanidade

 Nayer
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O voo do Papa aterrou em Roma, nesta segunda, de regresso da sua terceira viagem apostólica que o levou à Coréia. Logo depois da sua chegada foi à Basílica de Santa Maria Maggiore para levar à imagem de Nossa Senhora um ramo de flores oferecidas por uma menina coreana, em Seul, no momento da partida.

No avião o Papa Francisco falou com os jornalistas dos momentos mais importantes desta viagem, das emoções sentidas em vários encontros, mas também da atualidade internacional, do Iraque ao Médio Oriente. A síntese no serviço de Gabriella Ceraso:

O pensamento ao povo coreano abre e fecha, basicamente, o diálogo articulado em dezasseis perguntas que o Papa teve com os jornalistas, mas foi a atualidade internacional que sobressaiu entre os temas. Antes de tudo o Iraque: a aprovação ou não do bombardeamento americano e uma hipotética viagem do Papa ao país. “Estou disposto a ir”, revelou o Papa Francisco, “mas neste momento não é a melhor coisa a fazer”, e depois reafirma: “é lícito fazer parar o agressor injusto”, fazer parar “não digo bombardear”, esclarece e, em seguida, “avaliar os meios com os quais fazê-lo”:

Fazer parar o agressor injusto é lícito. Mas devemos também ter memória de quantas vezes, sob esta desculpa de fazer parar o agressor injusto, as potências se apoderaram dos povos e fizeram uma verdadeira guerra de conquista! Uma nação apenas não pode julgar como se faz parar isto, como se faz parar um agressor injusto.

Em seguida, a guerra no Médio Oriente. Inútil, portanto, a oração de junho, com Abu Mazen e Peres, no Vaticano?, perguntam ao Papa. Aquela iniciativa “nascida de homens que acreditam em Deus”, “absolutamente não foi um fracasso”, responde o Papa: sem oração, não existe negociação nem diálogo, explica o Papa, portanto foi “um passo fundamental de uma atitude humana”. “Eu creio que a porta está aberta”:

Agora o fumo das bombas, das guerras não deixam ver a porta, mas a porta ficou aberta a partir daquele momento. E eu creio em Deus, creio que o Senhor olha para aquela porta e aqueles que rezam e pedem para que Ele nos ajude.

As emoções sentidas ao encontrar tantas testemunhas de sofrimento na Coréia são a oportunidade para o Papa falar dos efeitos da guerra. No abraço com as mulheres idosas sobreviventes da deportação no Japão na Segunda Guerra Mundial, o Papa Francisco revela de ter visto a dor de todo o povo coreano, dividido, humilhado, invadido e entretanto forte na sua dignidade. Daqui a advertência ao mundo: “devemos parar e pensar um pouco no nível de crueldade a que chegámos “, e depois as palavras fortes sobre a tortura, usada, diz o Papa, “nos processos judiciários e pela intelligence”:

A tortura é um pecado contra a humanidade, é um crime contra a humanidade e aos católicos eu digo: “Torturar uma pessoa é um pecado mortal, é pecado grave!” . Mas é mais: é um pecado contra a humanidade.

Solicitado pelos jornalistas, o pensamento do Papa retorna também à disponibilidade ao diálogo com o povo chinês, que define como “belo, nobre e sábio”. “A Santa Sé mantém abertos os contactos “diz Francisco que revela a vontade de realizar, inclusive imediatamente, uma viagem à China. Há também uma pergunta sobre o processo de beatificação do arcebispo de São Salvador, Monsenhor Óscar Arnulfo Romero, “desbloqueado”, explica o Papa, que exprime o augúrio e que reza, por esse “homem de Deus”, para que tudo “seja esclarecido e se proceda rapidamente”.

Finalmente as tantas curiosidades dos jornalistas sobre coisas privadas: a vida “normal” que leva em Santa Marta; as férias marcadas por um “ritmo diferente” de vida com mais leitura; mais repouso e mais música e finalmente o relacionamento com Bento XVI, um relacionamento “fraterno” feito de contínuo confronto de opiniões. A escolha que faz hoje um Papa emérito “abriu”, afirma Francisco, uma “porta que é insubstituível, mas não excepcional”:

Porque a nossa vida prolonga-se e a numa certa idade já não temos a capacidade de governar bem, porque o corpo cansa-se…, a saúde pode ser eventualmente boa, mas já sem capacidade de levar para a frente todos os problemas de um governo como o da Igreja. E eu acredito que O Papa Bento XVI fez esse gesto dos Papas eméritos. Repito: eventualmente algum teólogo poderá dizer-me que isso não é justo, mas é assim que eu penso. Os séculos dirão se é assim, ou se não é assim. Vamos ver. Mas o senhor poderia dizer-me: “E se Você um dia sentisse não poder prosseguir? Mas eu faria o mesmo! Faria o mesmo. Rezaria muito, mas faria o mesmo.

“Não se faz a guerra em nome de Deus”

O Papa Francisco voltou a pedir pela paz no Oriente Médio neste domingo, 10 de agosto. O pontífice se referiu ao Iraque e a Faixa de Gaza. Também falou sobre a epidemia de ebola na África.

O Papa argentino voltou a fazer um apelo pela paz no oriente médio neste domingo, 10 de agosto, no Vaticano.

“Milhares de pessoas, incluindo muitos cristãos, foram expulsas de suas casas de forma brutal, morrendo de sede e fome durante a fuga. É violência de todos os tipos: religiosa, cultural e histórica. Tudo isso ofende Deus e a humanidade”, disse a uma multidão, neste domingo, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

“Não se pode levar o ódio em nome de Deus. Não se faz a guerra em nome de Deus”, afirmou o Papa.

O pontífice também mandou uma mensagem especial à África que sofre como uma epidemia de Ebola agradecendo a todos “aqueles que se esforçar para deter a doença”.

Não ao ódio em nome de Deus

A dor pelo que acontece no Iraque já cede o passo à incredulidade e ao assombro, confidenciou o Papa Francisco aos fiéis reunidos na praça de São Pedro no domingo 10 de Agosto para o Angelus. «Deixam-nos incrédulos e assombrados — diz da janela do Palácio apostólico — as notícias que chegam do Iraque». Notícias que falam da fuga de milhares de pessoas, entre as quais numerosos cristãos, expulsos das suas casas com violência inaudita, destinadas a morrer de fome e de sede enquanto buscam a salvação, ou até massacradas de modo desumano.

E com a pretensão de agir em nome de Deus. Mas tudo isto «ofende gravemente a Deus — diz o Papa — e a humanidade. Não se manifesta o ódio em nome de Deus! Não se faz a guerra em nome de Deus!». O Papa é muito explícito ao condenar todas as tentativas de interpretar, e ainda pior de justificar, este aumento da violência como se fosse uma guerra de religião. Trata-se sobretudo de um crime que se continua a perpetrar contra uma parte da humanidade, e por isso o Papa pede coragem, confiando «que uma solução política eficaz nos planos internacional e local possa impedir estes crimes e restabelecer o direito».

Mas não pede só orações: aliás, informa os fiéis que pediu ao cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a evangelização dos povos, para levar àquelas populações o conforto da sua proximidade. E à noite, como informa uma nota da sala de Imprensa da Santa Sé, recebe o purpurado em Santa Marta. Reitera ao seu enviado pessoal os sentimentos já expressos várias vezes publicamente nestes dias, dá-lhe indicações acerca da missão que deverá desempenhar e confia-lhe uma quantia de dinheiro que deverá destinar a ajudas urgentes às pessoas mais atingidas, como sinal concreto da solidariedade do bispo de Roma e da sua vontade de participar nos esforços das instituições e das pessoas de boa vontade para responder à dramática situação.

Contudo Francisco não esquece as outras «vítimas inocentes» em Gaza, sobretudo «crianças», causadas pela guerra entre israelitas e palestinos, pedindo também a oração dos fiéis pelo dom da paz.

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Noam Chomsky: Movimentos como Occupy, economia solidária e rejeição ao consumismo podem abalar sistema capitalista

Entrevista a Chris Hedge, no Thruthdig | Tradução Vila Vudu

 

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Noam Chomsky, a quem entrevistei 5ª-feira passada em sua sala no Massachusetts Institute of Technology (MIT), influenciou intelectuais nos EUA e em todo o mundo, por número incalculável de vias. A explicação que construiu para o Império, a propaganda de massa, a hipocrisia e o servilismo dos liberais e os fracassos dos acadêmicos, além do que ensinou sobre os modos pelos quais a linguagem é usada como máscara pelo poder, para nos impedir de ver a realidade, fazem dele o mais importante intelectual nos EUA. A força de seu pensamento, combinada a uma independência feroz, aterroriza o estado-empresa – motivo pelo qual a imprensa-empresa e grande parte da academia-empresa tratam-no como pária. Chomsky é o Sócrates do nosso tempo.

Vivemos um momento sombrio e desolado na história humana. E Chomsky começa por essa realidade. Citou o falecido Ernst Mayr, importante biólogo evolucionista do século 20, que disse que provavelmente nós jamais encontraremos extraterrestres inteligentes, porque formas superiores de vida se autoextinguem em tempo relativamente curto.

“Mayr dizia que o valor adaptacional do que se chama ‘inteligência superior’ é muito baixo” – disse Chomsky. – “Baratas e bactérias são muito mais adaptáveis que os humanos. É melhor ser inteligente que estúpido, mas podemos ser um equívoco biológico, usando os 100 mil anos que Mayr nos dá como expectativa de vida como espécie, para destruir-nos nós mesmos e destruir também muitas outras formas de vida no planeta.”

Chomsky espera que os que trabalham na indústria de serviços e na manufatura possam começar a organizar-se para começar a tomar o controle de seus próprios locais de trabalho. Observa que no ‘Cinturão da Ferrugem’ [orig. Rust Belt],[3] inclusive em estados como Ohio, há crescimento no número de empresas que pertencem aos trabalhadores.

O crescimento de poderosos movimentos populares no início do século 20 mostrou que a classe empresarial já não conseguia manter os trabalhadores subjugados por ação exclusiva da violência. Os interesses empresariais tiveram de construir sistemas de propaganda de massa, para controlar opiniões e atitudes.

O crescimento da indústria de “relações públicas”, iniciada pelo presidente Wilson, que criou o Comitê de Informação Pública [“Creel Committee”][4], para instilar sentimentos pró-guerra na população, inaugurou uma era não só de guerra permanente, mas também de propaganda permanente. O consumo foi instilado também, com compulsão incontrolável. O culto do indivíduo e do individualismo tornou-se regra. E opiniões e atitudes passaram a ser talhadas e modeladas pelos centros de poder, como o são hoje.

“Uma nação pacífica foi transformada em nação de odiadores, fanáticos por guerras” – diz Chomsky. – “Essa experiência levou a elite no poder a descobrir que, mediante propaganda efetiva, poderiam, como Walter Lippmann escreveu, usar “uma nova arte na democracia, e fabricar o consenso.”

A democracia foi destripada. Os cidadãos tornaram-se “público”, “audiência”, telespectadores, não participantes no poder. Os poucos intelectuais, entre os quais Randolph Bourne, que mantiveram a independência e recusaram-se a servir à elite no poder foram expulsos para fora do sistema, como Chomsky.

“Muitos dos intelectuais dos dois lados estavam apaixonadamente dedicados à causa nacional” – disse Chomsky, falando a 1ª Guerra Mundial. “Houve só uns raros dissidentes. Bertrand Russell foi preso. Karl Liebknecht e Rosa Luxemburg foram mortos. Randolph Bourne foi marginalizado. Eugene Debs, preso. Todos esses se atreveram a questionar a magnificência da guerra.”

Aquela histeria pró-guerra jamais cessou, movida sem alteração, do medo de um bárbaro germânico, para o medo de comunistas e, daí, para o medos de jihadistas e terroristas islamistas.

medo imprensa jornalismo terror

“As pessoas vivem aterrorizadas demais, porque foram convencidas de que nós temos de nos defender nós mesmos” – diz Chomsky. – “Não é inteiramente falso. O sistema militar gera forças perigosas para nós, que nos ameaçam. Veja, por exemplo, a campanha terrorista dos drones de Obama – a maior campanha terrorista de toda a história. Esse programa gera novos terroristas e terroristas potenciais muito mais depressa do que destrói suspeitos. É o que se vê agora no Iraque. Volte lá, aos julgamentos de Nuremberg. A agressão entre Estados foi definida como o supremo crime internacional. Foi considerado diferente de outros crimes de guerra, porque a agressão entre estados reúne, como crime, todos os demais danos que outros crimes subsequentes causarão.

A invasão que EUA e Grã-Bretanha cometeram contra o Iraque é como um manual de crime de agressão entre Estados. Pelos padrões de Nuremberg, os governantes dos EUA e da Grã Bretanha teriam, todos, de ser condenados à morte e enforcados. E um dos crimes que cometeram foi incendiar o conflito sunita versus xiitas.”

Esse conflito, que agora novamente inflama a região, é “um crime cometido pelos EUA, se acreditamos que sejam válidas as sentenças que Nuremberg proclamou contra os nazistas. Robert Jackson, promotor-chefe no tribunal de Nuremberg, em sua fala aos jurados, disse que aqueles acusados haviam bebido de um cálice envenenado. E que se algum de nós algum dia bebêssemos daquele mesmo cálice teríamos de ser tratados do mesmo modo, ou tudo não passaria de grande farsa.”

As escolas e universidades da elite inculcam hoje em seus alunos a visão de mundo endossada pela elite no poder. Treinam alunos para serem reverentes ante a autoridade. Para Chomsky, a educação, na maior parte das grandes escolas, inclusive em Harvard, a poucos quarteirões de distância do MIT, não passa de “um sistema de profunda doutrinação”.

“Há um entendimento de que há certas coisas que não se dizem nem se pensam” – diz Chomsky. – “É assim, entre as classes educadas. E é por isso que eles todos apoiam fortemente o poder do Estado e a violência do Estado, apenas com uma ou outra pequena ‘restrição’. Obama é visto como crítico contra a invasão do Iraque. Por quê? Só porque disse que seria erro estratégico. É argumento que o põe no mesmo nível moral de um general nazista que entendesse que o segundo front era erro estratégico. Isso, para os norte-americanos, é ‘ser crítico’.”

E Chomsky não subestima o ressurgimento de movimentos populares.

“Nos anos 1920s, o movimento trabalhista estava praticamente destruído” – disse. – “Havia sido um movimento trabalhista forte, muito militante. Nos anos 1930s ele mudou, e mudou por causa do ativismo popular. Houve circunstâncias [a Grande Depressão] que levaram à oportunidade de fazer alguma coisa. Vivemos constantemente com isso. Considere os últimos 30 anos. Para a maioria da população, foram tempos de estagnação, ou pior que isso. Não é a Depressão profunda, mas é uma depressão semipermanente para a maior parte da população. Há muita lenha lá fora, esperando para ser queimada.”

Chomsky entende que a propaganda empregada para fabricar consensos, mesmo na era das mídias digitais, está perdendo efetividade, com a realidade cada vez menos parecida com o “retrato’ dela inventado pelos órgãos da mídia empresarial de massas. Embora a propaganda feita pelo Estado norte-americano ainda consiga “empurrar a população para o terror e o medo e para a histeria de guerra, como se viu nos EUA antes da invasão do Iraque”, ela já começa a fracassar na tarefa de manter fé não questionada nos sistemas de poder. Chomsky credita ao movimento Occupy, que ele descreve como uma tática, ter “disparado uma fagulha iluminadora” a qual, mais importante, atravessou toda a sociedade, apesar da atomização”.

“Há todos os tipos de esforços e projetos para separar as pessoas umas das outras” – diz ele. “A unidade social ideal [no mundo dos propagandistas do Estado-empresa] é você e sua tela de televisão. As ações de Occupy puseram abaixo isso, para grande parte da população. As pessoas reconheceram que poder nos juntar e fazer coisas por nós mesmos. Podemos ter uma cozinha comum. Podemos ter um palanque para discussões públicas. Podemos formar nossas próprias ideias. Podemos fazer alguma coisa. E esse é ataque importante contra o núcleo dos meios pelos quais o público é controlado.

Você não é só um indivíduo tentando maximizar o consumo. Você descobre que há outros interesses na vida, outras coisas com as quais se preocupar. Se essas atitudes e associações puderem ser sustentadas e mover-se em novas direções, será muito importante. (Transcrevi trechos)

 

greve geral consumo

Papa Francisco pede fim do tráfico de armas e paz na Síria

Ilustração Oleg Dergachov
Ilustração Oleg Dergachov

 

O papa Francisco fez uma conclamação neste domingo pelo fim do tráfico ilegal de armas e repetiu seu apelo pela paz na Síria.

“A guerra contra o mal significa dizer não ao ódio fratricida e às mentiras que o alimentam, dizendo não à violência em todas as suas formas, dizendo não à proliferação de armas e do tráfico ilegal de armas”, disse ele em seu Angelus dominical regular.

“Há sempre a dúvida se essas guerras aqui ou lá são guerras por problemas reais ou guerras para vender armas”, disse ele.

“Há uma guerra comercial para vender essas armas no comércio ilegal. Estes são os inimigos a serem combatidos, juntos e unidos, seguindo não outro interesse que não o da paz e o do bem comum.”

Esse chamamento ocorreu horas depois de o papa se dirigir a cerca de 100 mil pessoas na Praça de São Pedro, em um dia de jejum e oração pela paz na Síria.

“A violência e devastação na Síria devem parar imediatamente e devemos trabalhar com renovado compromisso para uma solução justa para o conflito fratricida”, disse ele neste domingo, pedindo paz também no Egito, Iraque e Líbano.

Os apelos pela paz surgem ao mesmo tempo em que Estados Unidos e França consideram a ação militar para punir o líder sírio, Bashar al-Assad, após o ataque com armas químicas perto de Damasco, que matou centenas de pessoas em agosto. Os países ocidentais culpam Assad pelo ataque, embora o governo sírio negue a responsabilidade.

(Reportagem de James Mackenzie)

 A PAZ REQUER PACIÊNCIA

“Caminhemos com orações e obras de paz” e rezemos a fim de que, sobretudo na Síria, “cessem imediatamente a violência e a devastação”. Foi este o dom do discurso do Papa Francisco na oração do Ângelus deste domingo, 08 de setembro. Em estreita continuidade com a Vigília de oração e jejum celebrada ontem na Praça São Pedro, o Santo Padre voltou a invocar a paz para todo o Oriente Médio. Diante de dezenas de milhares de pessoas, o Santo Padre repetiu com veemência: “Não ao ódio fratricida e às mentiras de que se serve”.

“Basta com o ódio entre povos irmãos e basta com as guerras que encobrem interesses mais perversos do que os objetivos oficiais a que se propõem”, disse Francisco. Na oração mariana, o Papa evidenciou mais uma vez a inutilidade da guerra, reiterando seu apelo em favor da paz na Síria e no mundo.

“Para que serve fazer guerras, tantas guerras, se não se é capaz de fazer essa guerra profunda contra o mal? Não serve para nada! Não está bem… Isso comporta, entre outras coisas, essa guerra contra o mal comporta dizer não ao ódio fratricida e às mentiras de que se serve. Dizer não à violência em todas as suas formas. Dizer não à proliferação das armas e a seu comércio ilegal. Existe muito. Existe muito!”

O Pontífice destacou a “dúvida” que “fica” quando alguém impele a dar a palavra às armas: “Fica sempre a dúvida: essa guerra ali, essa guerra acolá, porque há guerras em todos os lugares, é realmente uma guerra por problemas ou é uma guerra comercial para vender essas armas no comércio ilegal?”

O Santo Padre fez apelo às consciências de cristãos, não cristãos e homens e mulheres de boa vontade, a fim de que façam uma escolha de campo em favor da “lógica do serviço”, “não seguindo outros interesses senão os da paz e do bem comum”. E a todos esses renovou o agradecimento com o qual concluíra na noite precedente as quatro horas da Vigília pela paz:

“Mas o compromisso deve seguir adiante: continuemos com a oração e com as obras de paz! Convido-vos a continuar a rezar para que cesse imediatamente a violência e a devastação na Síria e se trabalhe com um esforço renovado por uma justa solução do conflito fratricida.”

Em seguida, o Sucessor de Pedro deteve-se sobre os países do Oriente Médio, referindo-se especificamente a alguns deles. “Rezemos também pelos outros países do Oriente Médio, particularmente pelo Líbano, para que encontre a desejada estabilidade e continue a ser um modelo de convivência; pelo Iraque, para que a violência sectária dê lugar à reconciliação.” E rezou por dois outros conflitos, um antigo e outro recente:

“Pelo processo de paz entre israelenses e palestinos, para que possa avançar com decisão e coragem. E rezemos pelo Egito, para que todos os egípcios, muçulmanos e cristãos, se comprometam em construir, juntos, uma sociedade para o bem de toda a população. A busca pela paz é um longo caminho que exige paciência e perseverança! Continuemos com a oração!”

 

Freno a Cameron del Parlamento británico

FUE DERROTADA LA MOCION DEL OFICIALISMO A FAVOR DEL PRINCIPIO DE INTERVENCION MILITAR POR UNA CAUSA HUMANITARIA EN SIRIA

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El ministro de Defensa, Phillip Hammond, reconoció que la votación significaba que el Reino Unido no participaría de una acción militar en Siria. En la misma línea, el premier dijo que respetaría la voluntad de los legisladores.

 

Por Marcelo Justo

Desde Londres

El gobierno de David Cameron sufrió una dura derrota en la Cámara de los Comunes con fuertes repercusiones para la respuesta militar liderada por Estados Unidos contra el gobierno sirio por el presunto uso de armas químicas. La moción del oficialismo a favor del “principio de intervención militar” en casos de urgencia humanitaria fue derrotada por 285 votos contra 272. La enmienda que presentó el laborismo a la propuesta, poniendo fuertes condiciones y la necesidad de “pruebas concluyentes”, fue también derrotada, 220 a favor, 332 en contra. El ministro de Defensa, Phillip Hammond, reconoció que la votación significaba que el Reino Unido “no participará en una acción militar en Siria”.

Con su estrategia política hecha añicos, aguijoneado por el líder de la oposición, Ed Miliband, quien le exigió garantías de que no recurriría a la “prerrogativa real” (como un decreto), el primer ministro indicó que respetaría la voluntad de la Cámara de los Comunes. “Está claro esta noche que el Parlamento británico, que refleja la voluntad del pueblo británico, no quiere ver una acción militar. Entiendo el mensaje. Y voy a actuar de acuerdo con esto”, indicó Cameron.

El primer ministro, que había convocado al Parlamento el fin de semana para votar sobre una intervención militar, había cedido a la presión de los laboristas presentando una moción a favor del “principio de intervención en casos humanitarios”, que debía dar paso la semana próxima a una segunda votación sobre la intervención en el caso concreto de Siria una vez que los inspectores de las Naciones Unidas terminaran con su investigación en el terreno, presentaran su informe y el Consejo de Seguridad se manifestara al respecto.

El recuerdo de la invasión de Irak, en 2003, sobrevoló la votación final y estuvo presente en las intervenciones de todos los diputados. Los parlamentarios repudiaron en términos inequívocos el uso de armas químicas, pero cuestionaron las pruebas presentadas sobre el gobierno sirio y el impacto que tendría una respuesta militar.

El gran problema de los dedos acusadores que apuntaban a Siria es que utilizaron un recurso totalmente desprestigiado con la invasión a Saddam Hussein por su arsenal de “armas de destrucción masiva”: las fuentes de Inteligencia. El mismo primer ministro reconoció en el debate, que comenzó a las dos de la tarde y que se extendió hasta las 10 de la noche, que la información de Inteligencia sobre la responsabilidad del gobierno de Assad no era un “ciento por ciento” cierta.

Cameron se desvivió por asegurar que el objetivo de una respuesta militar se limitaba a una firme condena al uso de armas químicas y no tenía como fin intervenir en la guerra civil siria. “No se trata de tomar parte en el conflicto, de invadir, de cambiar el gobierno o de aliarse a la oposición. Se trata del uso de armas químicas y de nuestra respuesta a un crimen de guerra”, señaló Cameron.

En un intento de influir en la votación, el gobierno publicó la conclusión de la jefatura de Inteligencia señalando que era “altamente probable” que Siria fuera responsable, y la del fiscal general, Dominic Grieve, respaldando la legitimidad de una respuesta militar ante el uso de armas químicas para evitar una repetición del ataque.

El tiro le salió por la culata. En los meses, semanas y días que precedieron a la invasión de Irak, en 2003, los informes de los servicios secretos habían hablado de ataques al Reino Unido con armas de destrucción masiva que podían alcanzar Londres en “45 minutos” y el fiscal general británico, lord Peter Goldsmith, había señalado que la invasión a Irak era legal desde el punto de vista del derecho internacional.

Con el fiasco de unas armas de destrucción masiva que no aparecieron por ningún lado, la experiencia no pasó en vano: la credibilidad de los servicios y la del fiscal general para estos casos está por los suelos.

El líder de la oposición, Ed Miliband, logró mostrar que el laborismo había aprendido de su pasado, se proyectó como el político capaz de oponerse a un presidente estadounidense, aunque sea demócrata (que para un laborista es “del palo”) y, más importante aún, se convirtió en el líder que le ganó la batalla al primer ministro sintonizando con el sentir de la mayoría de los británicos. “Las pruebas tienen que preceder a la decisión. No la decisión a las pruebas”, dijo a la Cámara, exigiendo que se permitiera a los inspectores concluir con su labor e informar al consejo de seguridad.

La posición de Cameron es mucho más delicada. El primer ministro se lanzó a la aventura siria con un entusiasmo digno del líder político más admirado de los británicos, el héroe de la Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill. Jugó su prestigio y sus fichas y perdió la apuesta. Según el analista político de la BBC, Norman Smith, la derrota “ha abierto un serio interrogante sobre su capacidad de liderazgo”.

(Transcrito do Página 12, Argentina)

Como “defender” Saboia, um diplomata que confessa que falou com Deus?

por Helio Fernandes

Pinto

Escrevo “ouvindo” os poderosos exércitos de EUA, França e Grã-Bretanha, na Guerra de DOIS DIAS, na Síria. A China-comunista-capitalista, pertíssimo da Síria, deve tudo a Mao. Bolívia e Brasil têm que resolver: um encarregado de Negócios pode mais que dois presidentes, ministros, embaixadores?

 

 

Não me incomodo com qualquer opinião, em qualquer assunto, até mesmo nesse escabroso episódio da Bolívia. Mas mesmo aceitando e até compreendendo, por mais incongruente (que palavra) que seja, não posso ficar em silêncio. Principalmente porque em geral ultrapassaram o limite do pensamento perdulário e indefensável.

Como “defender” um diplomata que confessa que falou com Deus? Pois se ele diz, “ouvi a voz de Deus”, é lógico que houve “diálogo”, o “misericordioso” não lhe cassaria a palavra.

Ao contrário de Deus, que conversou com Eduardo Sabóia, aqui ele nem precisa se defender, existe antes de qualquer exame dos fatos o pressuposto de que Sabóia foi “humanitário, sensível, se arriscou para salvar uma vida”, como ele mesmo afirmou.

Concordemos, pelo menos para discordar. Se cada encarregado de Negócios pode tomar suas decisões acima da hierarquia, do respeito aos superiores, e das ordens de quem pode emiti-las, então estaremos executando ou caminhando para executar uma verdadeira revolução do serviço diplomático.

NEM MINISTÉRIO DO
EXTERIOR NEM CHANCELER

É isso que vai ou deveria acontecer. Por decreto presidencial ou determinação do Congresso, não demora e o Itamaraty será extinto, para satisfação de tantos que não pregaram isso abertamente, mas está implícito nas razões (?) que apresentaram.

E não é só isso. Podem cortar 99 por cento dos que servem à diplomacia. Cada embaixada não precisará mais do que um funcionário, tenha ele o nome que tiver. E aí, sim, Eduardo Sabóia terá prestado um grande serviço ao país. A economia em todas as mais de 100 embaixadas será colossal.

Esse funcionário único representando não o país, mas o “espírito humanitário, o objetivo de salvar vidas, a sabedoria de entender que os asilados estão pensando em suicídio, se arriscar para salvá-los”, mesmo sem conversar com eles.

A CUMPLICIDADE BOLIVARIANA,
PERDÃO, APENAS BOLIVIANA

Nem é preciso explicação: mesmo os que defendem Sabóia, para ele não ser “sacrificado”, concordam ou deveriam concordar: percorrer 1,6 mil quilômetros de território desse país, em 22 horas, uma façanha extraordinária.

Como alguém disse aqui mesmo, Sabóia merece ou mereceria uma condecoração. Por ter ludibriado as autoridades da Bolívia ou por ter feito ACORDO com elas, coisa que o Brasil não conseguiu.

A VITÓRIA DA
INTIMIDAÇÃO AUDACIOSA

Eduardo Sabóia é um diplomata ou um agente do SNI, disfarçado? É o que parece. E não há dúvida que tem todos os requisitos para investigar e executar o planejado, sem autorização de ninguém.

Logo que foi chamado ao Brasil, já veio “inteligentemente” abastecido para intimidar. Compreendendo tudo num relance, notificou e intimidou de forma abrangente, sem individualização:

“Estou preparado para qualquer acusação, tenho documentos estarrecedores”. Não explicou mais nada, é um vitorioso.

Tudo que tenho dito e estou relatando, são fatos, fatos, fatos, naturalmente dentro do possível. Pois são tantas as fontes e personagens, se conflitando, se desdizendo, se contradizendo, que é preciso buscar e rebuscar, para não se ofuscar, se enganar ou ser enganado.

O único que está acima de qualquer dúvida ou descrença é o próprio Sabóia: sozinho, sem ajuda ou autorização de ninguém , planejou, burilou e executou a operação.

Com sucesso? Aí é o grande problema. E que determinará o fim do episódio, que está condicionado a duas respostas, apenas adivinhação, não é o meu território.

1 – Sabóia garante que voltará para o posto que ocupava na Bolívia. Quem quiser que responda, para mim parece episódio de romance policial. Mas tudo pode acontecer.

2 – O governo da Bolívia, por intermédio, antes, da ministra da Comunicação, depois, do próprio chanceler, que EXIGIU: “O senador tem que voltar imediatamente para responder perante da Justiça do país do qual fugiu”.

3 – Numa das suas contradições, Dona Dilma disse: “Eduardo Sabóia SALVOU uma vida”. Portanto, não poderá de jeito algum devolver o senador à Bolívia. Se fizer isso, estará arriscando a vida dele, que passara de ASILADO a PRISIONEIRO.

4 – Como se vê, sem a menor dúvida, criaram situação tão complicada, que é difícil encontrar solução. A Comissão de Sindicância vai tentar ganhar tempo para que Dona Dilma e Morales façam o que não fizeram em quase 2 anos. E que Eduardo Sabóia “fez”, sem hierarquia, mas “falando com Deus” e “cumprindo o que ouviu”.

DILMA, MORALES
E PATRIOTA

Para terminar por hoje, unicamente por hoje. Todos os três voltaram atrás no discurso e nas ações. O presidente da Bolívia, oficialmente e com bastante hostilidade: “Queremos de volta à Bolívia o senador que fugiu daqui, sem licença ou autorização”. Antes, dizia: “As relações de Brasil e Bolívia não serão atingidas”.

Dona Dilma, na transmissão do cargo de chanceler: “Quero agradecer ao ministro Patriota sua dedicação, sua eficiência e a competência com que comandou a diplomacia brasileira”. Antes, mandou que Celso Amorim fosse pedir ao chanceler que apresentasse sua demissão, não podia continuar.

O ex-chanceler, que tentou preservar Eduardo Sabóia, jogou-o do alto dos 3 mil e 800 metros de La Paz. Desdisse ontem, tudo o que disse antes. São todos trogloditas.

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PS – Monica, o Gabeira, convidado por vários partidos para ser candidato a governador, recusou totalmente. Com o massacre de Cabral, talvez dispute para senador, talvez.

PS2 – Domingo, Gabeira estreia um programa de reportagem na GloboNews, canal por assinatura. Domingo, meia-noite, incógnita.

PS3 – Solon, um abraço, o candidato a governador pelo Estado do Rio seria o Bernardinho, e não o filho do Abílio Diniz. O filho é sócio do economista-técnico numa rede de academias de ginástica. Isso é informação, nenhuma opinião.

PS4 – Em relação à denominação que usei, “China-comunista-capitalista”, é a mais completa realidade. Concordamos inteiramente na admiração por Mao, que com sua “Grande Marcha” de 1949, tirou a China do carro de boi, colocou-a nos holofotes do prestígio e da inveja. Mas existe.

PS5 – Você não gosta que se fale na parte “capitalista” da China “comunista”, embora concorde que ela tenha deixado de ser marxista. Quanto a Cho En Lai, poderíamos jantar os três, com a maior satisfação, o que ficou impossível. Um abraço.

PS6 – Termino, por hoje, quase ouvindo o estrondo das poderosas forças armadas dos EUA, França, Império Britânico, começando o que chamam de “Guerra dos dois dias”, sem invadir a Síria.

PS7 – Pela primeira vez, afirmam: “Não queremos derrubar Assad, não temos como objetivo invadir a Síria. Mas não podemos permitir que usem armas químicas”.

PS8 – O mundo já ouviu isso, na Guerra do Iraque, depois desmentido pelos próprios observadores da ONU. Que no episódio de agora tentam desesperadamente ADIAR A OPERAÇÃO MASSACRE, “esses países só QUEREM ISSO E MAIS NADA”.

PS9 – Todos sabem que a Síria tem um dos maiores arsenais de armas químicas, mas outros também têm. Só que mesmo durando dois ou três dias, e aconteça todo o “ESPÍRITO PACÍFICO” desses países, ela terá consequências, imediatas ou mais demoradas. Nenhuma guerra civil , “pacífica” ou não, acontece e termina em dois ou três dias, com todos se confraternizando.

PS10 – Além do mais, Rússia e China estão perto, tão perto, que não ouvirão, silenciosos, o que eu ouço, antes (?) de acontecer. Podem não reagir agora, mas ficará tudo escrito. Para ser respondido. Ou retaliado.

PS11 – Enquanto “ouço” os poderosos massacres de França, Grã-Bretanha e EUA, vou recebendo informações. Agora me comunicam que a ONU está preocupada com documentos que recebeu: “São os rebeldes que estão usando armas químicas na Síria”.

PS12 – Sabem de onde surgiram essas armas, só não podem informar, ou serão todos demitidos dos cargos mais do que cobiçados.

PS13 – Diante disso, o secretário-geral da ONU pede desesperadamente aos EUA (os outros são apaniguados, não podem sem sofrer retaliações) para atrasarem a operação em alguns dias. Assim, os “observadores” da ONU constatariam o que se diz das armas químicas, que seriam no mínimo dos dois lados.

PS14 – Escrevo, é minha obrigação, mas continuo “ouvindo” o estrondo. Como é que se destrói arma química com dois rótulos?

PS15 – Quando os americanos usaram Napalm no Vietnã (e assim mesmo foram derrotados), a Dow Chemical era a maior fabricante do mundo. E no Brasil, presidida pelo general Golbery.