Operadoras só pagam 4% de R$ 1 bi das multas aplicadas no ano passado

De 2000 a 2012, teles deixaram de pagar 80% das multas aplicadas, diz Anatel

Ana

Campeãs nos rankings de reclamações junto aos órgãos de defesa do consumidor, as operadoras de telefonia pagaram em 2012 apenas 4% das multas aplicadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Segundo Relatório 2012 da agência, divulgado no dia 30 de abril, no ano passado, as 3,3 mil multas constituídas – aquelas apuradas e consolidadas, contra as quais não cabem recursos – somaram R$ 1 bilhão, superando em 58,6% o registrado no ano de 2011. As multas arrecadas em 2012 somaram apenas R$ 72,3 milhões.

“Das multas aplicadas entre 2000 e 2012, a Anatel constituiu o quantitativo de R$ 38,5 mil – em termos financeiros, o equivalente a R$ 2,2 bilhões. Até o final de 2012, 56% das multas constituídas haviam sido integralmente pagas, resultando em arrecadação de R$ 448,7 milhões, o que, em termos financeiros, corresponde a 19,9% das multas”, diz o relatório, ou seja, 80% das multas não foram pagas pelas teles.

As multas estão relacionadas principalmente a falhas na universalização dos serviços de telefonia, qualidade e interrupção dos serviços. No caso da TV por assinatura, as empresas descumpriram os prazos de instalação de equipamentos; violaram os direitos dos usuários e não comunicaram mudanças societárias à agência. A Anatel recebeu no ano passado 2,3 milhões de reclamações.

Recentemente, além das isenções dadas pelo Ministério das Comunicações, o presidente da Anatel, João Rezende, disse que pretende converter as multas aplicadas às teles em “investimentos”. [Investimentos em quê? A Ana de Tel, que tem a maçã na cabeça, não é banco nem empresa. Vive levando seixo (gíria nordestina: não pagar o preço combinado com uma prostituta) dos Guilhermes Tell. E as contas de telefone, não pagou corte sem aviso; atrasou o pagamento, multa. Multa paga, com certeza.E têm os assédios de cobrança. E ameaças de sujar o nome do usuário nos 1001 serviços de proteção ao crédito]

Guilherme

Fonte: Jornal Hora do Povo

Homem é preso por pegar um pedaço de frango descongelado no lixo da Petrobras

Um erro do Ministério Público do Rio de Janeiro levou um homem à prisão por pegar um pedaço de frango congelado na empresa onde trabalhava.
 
O caso aconteceu em julho. O ajudante de limpeza Cláudio Gonçalves Pereira, era funcionário de uma empresa terceirizada e trabalhava na cozinha de um centro de pesquisa da Petrobras. Ele e mais dois amigos foram pegos com frango e iogurte na bolsa, foram levados a delegacia e liberados após pagamento de fiança.
 
Segundo eles, os alimentos seriam jogados no lixo, porque estavam impróprios para o consumo. Em nota, a empresa Ultraserve, onde os três trabalhavam, disse que o material não seria descartado e que não estava fora da validade.
 
Como numa novela, estamos aguardando os emocionantes próximos capítulos: a direção da Petrobrás se faz de morta e até agora não se pronunciou a respeito do tema. Joga toda a culpa na dona da Ultraserv. Como em toda novela, a fofoca corre solta. Dizem que a dona da Ultraserv é amiga do vice-governador do Rio “Pezão” e por isso se acha poderosa.
A dona da Ultraserv que mandou os trabalhadores ficarem em fila indiana, revistou um a um, mochila e bolsa, enfiou três trabalhadores no camburão, levou para a delegacia e prendeu, deve explicações? Ela se defende dizendo que os alimentos não estavam vencidos e nem estavam estragados. Mas a Anvisa determina que alimentos congelados colocados para consumo humano não podem ser reaproveitados, depois de descongelados. Se esse frango não iam para o lixo, para onde ia?
A juíza que mandou prender Claudio Charles, Diogo Cardoso e Marcos Paulo não quis falar a imprensa, nem o promotor. Mesmo ameaçados de demissão e transferência pela dona da Ultraserv, os trabalhadores da empresa fizeram uma paralisação em 29 de agosto, um dia depois da prisão de Claudio, quando Diogo e Marcos Paulo ainda eram considerados “foragidos da justiça”.

Microcrédito, o negócio da miséria na Índia. No Brasil cresce a agiotagem dos prestamistas

Metade dos brasileiros são marginais da economia. Não compram nada. Têm um rendimento mensal máximo de 270 reais. Na cotação de hoje, cerca de 136 dólares. Cem milhões de brasileiros dependem de biscates, esmolas e do bolsa-família. São os zés-ninguém.

O brasileiro que recebe o salário mínimo e o salário piso e os aposentados e os pensionistas estão pendurados no cartão de crédito.

Toda rede de mercados passaram a financiar o dinheiro de plástico. Idem farmácias. Existe uma guerra de cartões. Que 99% dos brasileiros compram fiado alimentos e medicamentos.

Este, verdadeiramente, o microcrédito do Brasil. Comprar para pagar no fim do mês. Não pagou, criaram todos os tipos de stalking e assédio moral, além dos juros nas alturas. Cobradores na porta vestidos de preto. Assim faz uma rede mexicana de lojas. As empresas de luz, telefone e gás dos piratas mandam cartas abertas dos mil e um serviços de proteção ao crédito – a Gestapo da ditadura econômica de um capitalismo selvagem e colonial.

Que torpe globalização! A humilhação dos cortes de luz e água das moradias dos desempregados. A crueldade dos cortes de luz e água das moradias dos pés-na-cova e dos doentes terminais.

Do prédio mais alto da Universidade Federal do Recife, os voos da morte. Suicídios censurados.

A crise vem ocasionando uma onda de suicídios no mundo inteiro. No Brasil é tabu. No Brasil, o país do carnaval, do samba, do futebol, dos doze Coliseus que estão sendo construídos para a Copa do Mundo, reinam a folia, a alegria do futebol.

Um povo que leva vantagem em tudo, até quando se cortam os juros, que já eram baixos, da caderneta de poupança, não pratica a morte voluntária. A ginga – o jeitinho à brasileira salva tudo. Isso é coisa de asiático. De bonzo. De japonês. Lá da Índia e outros perdidos mundos.

Reportagem do Le Monde Diplomatique – [Cédric Gouverneur] Ao emprestar somas módicas a fim de possibilitar o desenvolvimento de uma atividade produtiva, o microcrédito deveria emancipar os mais pobres. Mas, na Índia, a lógica dos acionistas triunfou: empresas de microcrédito constroem fortunas vampirizando os mais vulneráveis.

Laksmi e sua esposa Rama não aguentavam mais confeccionar, dia após dia, quase milbeedies(cigarros aromáticos), em doze horas de trabalho, na esperança de ganhar 70 rupias (R$ 2,50) ao final do mês. Esse casal com duas crianças fez então um empréstimo de 5 mil rupias (R$ 180) em uma empresa de microcrédito para abrir uma minúscula lojinha de noz de bétele na periferia de Warangal, no estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia. Isso deveria permitir-lhes uma vida melhor, reembolsando 130 rupias por semana. Mas, conta Rama, Laksmi ficou doente: “Durante quatro meses, ele não pôde trabalhar”. Os vencimentos se acumularam e, com eles, os juros. Os vizinhos começaram a ficar agressivos, pois as empresas de microcrédito colocaram em ação um sistema de corresponsabilidade: quando um devedor falha, os outros devem reembolsar. Assediado, aterrorizado, o casal contratou um segundo empréstimo para pagar o primeiro. Depois um terceiro para pagar o segundo… Um total de cinco empréstimos, pelo equivalente a cerca de R$ 2.300.

Os credores acabaram por literalmente acampar diante do casebre de Laksmi e Rama. Depois – em completa ilegalidade – tomaram a lojinha de bétele, o fogão, as joias de ouro e finalmente a máquina de costura com a qual uma das filhas do casal, Eega, de 20 anos, fazia roupas para revender. “Você é bonitinha, vá se prostituir!”, disseram os credores quando ela perguntou como sua família iria conseguir comer. Humilhada, ela se imolou com fogo no dia 28 de setembro de 2010.

Uma ordem recente do governo de Andhra Pradesh (Partido do Congresso) proíbe os coletores de ir ao domicílio de seus devedores e condiciona a contratação de novos empréstimos ao aval das autoridades. Medidas julgadas insuficientes pela oposição: o Telugu Desam Party (TDP), no poder em Andhra Pradesh entre 1999 e 2004, incita os milhões de devedores a parar de pagar.

Na periferia de Hyderabad, encontramos Kaushalya e suas vizinhas. Essa enérgica avó fez um empréstimo para cuidar da saúde de seu marido paralítico. Incapaz de reembolsar, ela deveria ter sido assediada pelas outras devedoras do bairro, obrigadas a pagar em seu lugar. Mas essas senhoras decidiram se unir no enfrentamento e não pagar mais nada: “Não demos mais nada desde novembro de 2010”, dizem elas ao mesmo tempo orgulhosas e graves em seus saris. “As pessoas da empresa de crédito nos ameaçam, dizem que vamos para a prisão, mas nada acontece, a gente nem dá mais atenção a elas!” Tais exemplos de solidariedade nos vilarejos se multiplicam em todo o estado. E as taxas de reembolso afundam, passando de 97% para 20%, até 10%… Enfim, “investigações estão em andamento sobre uns cinquenta suicídios. Os responsáveis pelo assédio deverão responder por seus atos diante dos tribunais”, promete Subrahmanyam.

Sentindo o vento mudar, 39 dirigentes da SKS liquidaram suas stock optionsdesde o começo da crise, no fim de 2010.3 Segundo nossas informações, as empresas de microcrédito se instalam agora no interior profundo, nas cidades dos indígenas Adivasis: isolados, miseráveis, analfabetos, eles são menos suscetíveis a desconfiar… A microfinança indiana poderia tomar para si a tirada do humorista Alphonse Allais (1854-1905): “É preciso procurar o dinheiro onde ele está: com os pobres. Eles não têm muito, mas são muitos…”. Leia mais

OS CACHORROS DA DITADURA

Ninguém tem ficha suja para se eleger prefeito, vereador, governador, deputado e senador.
Ou para ser nomeado ministro, presidente de banco etc.
Um sem teto, sim.

A Serasa, o SPC – e outros sebosos e descontrolados serviços de espionagem e quebra dos sigilos fiscal e bancário dos trabalhadores – são os raivosos cães de guarda da ditadura econômica. Talvez mais cruel que uma ditadura militar.