Hoje Dia Mundial para Justiça Social defende fim do tráfico humano

Por Leda Letra Fonte
Rádio ONU

 

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O Dia Mundial para Justiça Social é celebrado esta sexta-feira, 20 de fevereiro, com o secretário-geral da ONU pedindo garantia de uma “vida digna e com direitos iguais para todos”.

Ban Ki-moon diz que a data é celebrada num momento decisivo para a comunidade e o planeta, com pessoas no mundo todo exigindo que suas vozes sejam respeitadas. Ban destaca que no centro desse movimento está a necessidade de justiça social.

Minorias

Quem explica mais sobre o conceito é a diretora-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. De São Paulo, Paula Fabiani falou com a Rádio ONU:

“Justiça social a gente está sempre tratando de pessoas que estão numa situação de vulnerabilidade, desigualdade ou representando uma minoria que pode estar sofrendo algum tipo de injustiça. Causas como a questão racial ou de minorias como o homossexualismo. E também quando falamos das pessoas em situação de vulnerabilidade devido à pobreza, falta de saneamento, falta de acesso aos serviços básicos que uma população tem direito.”

Exploração Humana

Paula Fabiani acredita que o debate neste sentido está sendo ampliado no Brasil, mas que ainda faltam mais ações e investimentos sociais, como doações a instituições de caridade.

Neste ano, o Dia Mundial para Justiça Social tem como tema o combate ao tráfico humano e ao trabalho forçado. Segundo o secretário-geral da ONU, 21 milhões de adultos e crianças sofrem com essas formas modernas de escravidão, que incluem também a prostituição forçada e trabalho forçado para o pagamento de dívidas.

Ban Ki-moon ressalta não ser possível alcançar o desenvolvimento para todos se forem deixadas para trás as pessoas que sofrem exploração social ou econômica.

Na construção da nova agenda global de desenvolvimento sustentável, Ban pede que sejam erradicadas todas as formas de exploração humana, “para que todas as pessoas possam viver e trabalhar com liberdade, dignidade e igualdade”.

 

 

Por que a imprensa brasileira não destaca o massacre de 43 estudantes no México?

Manifestantes incendeiam porta do palácio presidencial no México
Manifestantes incendeiam porta do palácio presidencial no México

 

 

É uma chacina que pode acontecer no Brasil a qualquer momento. Imagine os alunos de uma faculdade de letras promoverem um protesto em um bairro do Rio de Janeiro dominado pela milícia? Ou em São Paulo, em uma das 2.627 favelas, contra a falta de água?

Em qualquer parte do Brasil, um protesto pode terminar em morte, pela violência das polícias militares, os soldados dos governadores, apenas treinados para acabar na marra as greves dos trabalhadores e passeatas, marchas e rolês dos movimentos sociais, dos estudantes, dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada.

As polícias militares possuem um moderno e caro e cruel poder de morte. Estão armadas com canhões sônicos, bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo, pistolas de choque, balas de borracha, de festim, de chumbo e balas perdidas.

As PMs brasileiras violentam a Convenção da ONU sobre Armas Convencionais (conhecida pela sigla CCAC ou, em inglês, CCW) que proibiu ou restringiu o uso de certas armas convencionais consideradas excessivamente lesivas ou cujos efeitos são indiscriminados. A Convenção foi concluída em Genebra no dia 10 de outubro de 1980, e entrou em vigor em nível internacional em dezembro de 1983.

Em 1983, João Figueiredo era presidente do Brasil, e a Polícia Militar, força auxiliar da ditadura, continua a mesma. Apenas o Estado de São Paulo, que tem o maior tribunal do mundo com 360 desembargadores, possui um efetivo de cem mil soldados, a terceira maior força armada da América do Sul.

Na Segunda Grande Guerra, nos países ocupados, os nazistas cobravam, por cada soldado morto, a vida de dez civis. No Brasil, o preço da selvajaria é maior. Na noite de terça-feira, dia 4 último, foi assassinado um cabo ligado à milícia em Belém, Pará. Imediatamente foram assassinadas 11 pessoas, a conta nazista. Os movimentos sociais somam mais de 30 vítimas, principalmente de jovens negros e estudantes.

O governador do Pará, Simão Jatene, que comanda os soldados estaduais, declarou: “Seria leviano dizer que PMs estão ou não envolvidos”. É isso aí: a milícia vinga a morte de qualquer policial. É uma questão de irmandade e solidariedade.

 

O povo do México cansou da violência da polícia e do tráfico

Jornal mexicano hoje
Jornal mexicano hoje

Depois de semanas respondendo a perguntas sobre o sequestro e o massacre de 43 estudantes por policiais corruptos em conluio com traficantes de drogas, o procurador-geral do México Jesus Murillo se cansou. Ele não é o único.

Diante de questionamentos sobre os detalhes do caso, que chocou o país e provocou indignação com a impunidade, Murillo procurou encerrar uma entrevista coletiva na sexta-feira à noite com a frase “Ya me canse”, ou “Já me cansei”.

A declaração foi feita após ele dizer à imprensa que os estudantes foram aparentemente incinerados por membros de quadrilhas de traficantes de drogas e seus restos mortais despejados em um depósito de lixo e um rio.

As palavras de Murillo ganharam repercussão, com #YaMeCanse e #estoycansado (Estou cansado) entre as hashtags mais populares no Twitter no México.

Os manifestantes que protestaram contra o gerenciamento do caso pelo governo usaram a frase em pichações na entrada do escritório do procurador-geral.

Muitos usuários do Twiter disseram que, como Murillo, eles estavam cansados – mas da impunidade, da injustiça e de políticos corruptos. Alguns escreveram que se Murillo estava tão cansado, ele deveria renunciar.

O caso é o maior desafio até o momento para o presidente Enrique Peña Nieto, que assumiu o cargo há dois anos prometendo restaurar a ordem no México, onde cerca de 100 mil pessoas morreram na violência ligada ao crime organizado desde 2007.

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas da Cidade do México e do Estado de Guerrero, no sudoeste do país, onde os estudantes foram sequestrados nas últimas semanas para condenar o gerenciamento do caso pelo governo.

Seis semanas após o sequestro, o governo ainda não confirmou o destino dos estudantes.

Milhares marcharam na noite de sábado do escritório do procurador-geral para a praça de Zocalo, na Cidade do México. Muitos carregaram cartazes feitos a mão e faixas com a hashtag, assim como cartazes pedindo a renúncia de Murillo. Outra marcha de manifestantes que caminharam 180 quilômetros de Iguala para a capital deve chegar a Zocalo, neste domingo.

Peña Nieto, que tem tentado mudar o foco do público da violência sangrenta para reformas econômicas, viajou para a China para atrair investimentos ao México.

Porém, os parentes de alguns dos estudantes mortos alertam que o presidente mexicano deveria pensar duas vezes sobre a viagem como fuga.

 

O incêndio da porta do palácio presidencial

Jornal mexicano hoje
Jornal mexicano hoje

Manifestantes encapuzados derrubaram neste sábado as cercas de segurança dos arredores do Palácio Nacional, sede do Governo do México, e atearam fogo à porta principal do histórico edifício.

Os distúrbios foram registrados ao final de uma grande manifestação desde as instalações da Procuradoria Geral da República (PGR) até o Zócalo (praça central) da capital mexicana para exigir que apareçam com vida os 43 estudantes desaparecidos no dia 26 de setembro.

No final do percurso, milhares de manifestantes se estenderam no chão da grande praça central da capital mexicana e foram lidos um por um os nomes de jovens desaparecidos pelas mãos de policiais e criminosos em Iguala, no Estado de Guerrero (sul).

Uma vez que os organizadores convidaram a todos a se retirar, um grupo se dirigiu ao Palácio Nacional, atirou as cercas de segurança e tentou derrubar a porta principal com as estruturas metálicas.

Em seguida lançaram todo tipo de objetos, incluindo bombas caseiras, apesar do fogo foi apagado por um sistema automático contra incêndios do edifício, construído entre 1522 e 1526.

Um grupo antidistúrbios da Polícia Federal e agentes do Estado-Maior Presidencial responderam a estas ações e dispersaram os encapuzados.

Durante a manifestação, milhares de pessoas, desde estudantes até idosos e pais de família, exigiram a volta com vida dos desaparecidos, castigo aos culpados, e apoio para as famílias dos estudantes e para os centros de ensino de magistério frequentados por jovens de poucos recursos.

“Vivos os levaram, vivos os queremos”, repetiram durante o percurso, no qual também pediram justiça e não mais mortes nem desaparecidos em um país onde são contadas por milhares.

Os manifestantes também guardaram um minuto de silêncio pelos 43 alunos da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, um dia depois que a Promotoria informou que foram assassinados e queimados, até que só restassem cinzas, por membros do cartel Guerreros Unidos, segundo o testemunho de três dos 74 detidos neste caso.

 

Hoje, o Grito dos Excluídos busca liberdade e direitos

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“Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos” é o lema da 20ª edição do Grito dos Excluídos, que acontece em todo o Brasil, neste domingo, 7 de setembro, dia em que se celebra a Independência do Brasil. O conjunto de manifestações populares, que há duas décadas trata da temática “Vida em primeiro lugar”, prioriza neste ano a linguagem criativa e simbólica em suas ações, como música, teatro, poesia, redações, exposições e feiras. A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) participa das mobilizações por meio das Pastorais Sociais, com apoio da Cáritas Brasileira e da Pastoral da Juventude.

A edição de 2014 organiza o máximo de ações na defesa da vida humana, na luta pelo acesso e qualidade dos serviços públicos básicos e na construção de espaços e ações de denúncia de injustiças. Os grupos também marcham contra as privatizações de bens naturais e serviços e denunciam a criminalização dos movimentos e lutas populares.

Vários eixos foram articulados para trabalhar questões como participação popular, comunicação, impactos de megaprojetos e megaeventos, extermínio da juventude negra, meio ambiente e os povos indígenas e tradicionais.

“O grito tem uma função como se fosse um pequeno grande professor que contribui para levar informação e formação ao povo brasileiro, que é daquilo que o povo precisa para se manifestar”, afirma o coordenador nacional do evento, Ari Alberti.

Desde 1995, quando aconteceu a primeira edição do evento, houve grande repercussão internacional e reconhecimento na Assembleia Geral da CNBB, ocasião em que os bispos refletiram sobre o tema e o abordaram no Documento 56, “Projeto Rumo ao Novo Milênio”.

Outro fato é o contraste da manifestação civil com o desfile militar. “A Semana da Pátria deixou de ser uma semana de plateia, que assiste a desfiles, para ser uma semana de mobilização, de atividades, de lutas e de botar nas ruas suas necessidades e seus direitos que não estão sendo respeitados”, aponta Alberti.

Saiba mais sobre a organização e locais onde acontecem as ações do Grito dos Excluídos no site www.gritodosexcluidos.org.

 

 

1997 justiça

Deus pôs na Cruz de Jesus o peso de todas «as injustiças – disse o Papa Francisco – perpetradas por cada Caim contra o seu irmão, de toda a amargura da traição de Judas e de Pedro, de toda a vaidade dos prepotentes e de toda a arrogância dos falsos amigos»

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Esperança, ressurreição e amor de Deus. São estas três palavras que resumem o dia no qual a Igreja faz memória da Paixão de Jesus. É o Papa Francisco quem as confia ao mundo inteiro, no encerramento da Via-Sacra presidida no Coliseu, no início da noite de Sexta-Feira Santa, 18 de Abril.

Deus pôs na Cruz de Jesus o peso de todas «as injustiças – disse o Pontífice – perpetradas por cada Caim contra o seu irmão, de toda a amargura da traição de Judas e de Pedro, de toda a vaidade dos prepotentes e de toda a arrogância dos falsos amigos».

Precisamente por isso, «era uma Cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, pesada como a morte das pessoas queridas, pesada porque sintetiza toda a fealdade do mal». Todavia, é também «uma Cruz gloriosa, como a aurora de uma longa noite – acrescentou o Santo Padre – porque em tudo representa o amor de Deus, que é maior do que as nossas iniquidades e traições».

Portanto a Cruz – explicou o bispo de Roma – sinal da «monstruosidade do homem quando se deixa guiar pelo mal», torna-se o símbolo da «imensidão da misericórdia de Deus», porque Ele «não nos trata segundo os nossos pecados, mas em conformidade com a sua misericórdia». E assim, diante daquela Cruz, sentimos que somos «filhos e não coisas nem objectos», ressaltou o Papa, recitando uma oração de são Gregório de Nazianzo.

O Papa Francisco evocou nesta Sexta-Feira Santa os sofrimentos provocados pela doença e pelo abandono, ao concluir a Via-Sacra no Coliseu de Roma, e condenou as injustiças cometidas por “cada Caim contra o seu irmão”.
“Todos juntos, recordemos os doentes, lembremos todas as pessoas abandonadas sob o peso da cruz, a fim de que encontrem na provação da cruz a força da esperança, da esperança da ressurreição e do amor de Deus”, disse o Santo Padre.

Após as 14 estações, que evocam o julgamento e execução de Jesus, o Papa Francisco disse que Deus colocou na Cruz de Cristo o peso dos pecados da humanidade, “a amargura” da traição, a “vaidade” dos prepotentes, a “arrogância dos falsos amigos”.

“Era uma cruz pesada, como a noite das pessoas abandonadas, como a morte dos entes queridos” – referiu num texto lido antes da bênção final – mas era também “uma cruz gloriosa”, porque simboliza o amor de Deus.
“Na cruz vemos a monstruosidade do homem, quando se deixa guiar pelo mal, mas também vemos a imensidão da misericórdia de Deus, que não nos trata segundo os nossos pecados” – afirmou o Papa Francisco.

“O mal – declarou – não terá a última palavra”, mas sim “o amor, a misericórdia, o perdão”.

Uma forte crítica às chagas da sociedade atual foi o mote das reflexões da Via-Sacra propostas por D. Giancarlo Bregantini, Arcebispo de Campobasso em Itália. Este refere que no madeiro da Cruz levado por Jesus até ao calvário estão “o peso de todas as injustiças que produziram a crise económica, com as suas graves consequências sociais: precariedade, desemprego, demissões, dinheiro que governa em vez de servir, especulação financeira, suicídios de empresários, corrupção e usura, juntamente com empresas que deixam os países”.

Nas reflexões feitas pelo arcebispo italiano para as 14 estações da Paixão, o sofrimento das mulheres também ocupou o seu lugar. Neste contexto, D. Bregantini pediu que se chore “pelas mulheres escravizadas pelo medo e a exploração”, mas recordou que “não basta bater no peito e sentir comiseração”. As mulheres devem “ser tranquilizadas como Ele fez, devem ser amadas como um dom inviolável para toda a humanidade”, acentuou o prelado.

O texto da Via-Sacra teve como tema “Rosto de Cristo, Rosto do Homem” e numa das estações o arcebispo Bregantini criticou também as condenações e “acusações fáceis, os juízos superficiais entre o povo, as insinuações e os preconceitos que fecham o coração e se tornam cultura racista, de exclusão e de descarte”. D. Bregantini, no texto da Via Sacra, questionou ainda se os homens e as mulheres de hoje sabem “ter uma consciência reta e responsável, transparente, que nunca volte as costas ao inocente, mas se posicione, com coragem, em defesa dos fracos, resistindo à injustiça e defendendo em todo o lado a verdade violada?”

De referir que a Cruz foi transportada nesta noite de sexta-feira, no Coliseu de Roma por um operário, um empresário, dois sem-abrigo, crianças, idosos, doentes e presos.

Segundo D. Giancarlo Bregantini, Cristo é o rosto que ilumina o Homem – como referiu à Rádio Vaticano em entrevista à Tiziana Campisi:

“…Cristo é o rosto que ilumina o Homem é o homem e o rosto que encarna. Este é o título: ‘Rosto de Cristo, Rosto do Homem’. Por isso é muito belo poder dizer: ‘Eu sofro com o meu Senhor. O sofrimento é o seu beijo, a aliança que eu crio com Ele leva-me a tornar-me seu aliado. E outra mensagem é aquela muito sublinhada pela ‘Evangelii Gaudium’: ‘o sofrimento do outro é redentor do meu sofrimento’. Eu não encontro sentido olhando para mim e acariciando as minhas feridas, mas eu encontro esperança olhando os sofrimentos do outro’.

O direito de liberdade é sagrado. A fuga de Pizzolato

A liberdade um bem, e justo lutar por ela. Principalmente quando se é vítima de stalking policial, de um processo de origem duvidosa, de um linchamento da mídia, ou de um julgamento considerado parcial.

São considerados heróis os brasileiros que buscaram o exílio, fugindo da ditadura militar de 64.

A história registra como mártires os mortos, os sobreviventes e os foragidos dos campos de concentração de Hitler e dos presídios de Stalin, Pinochet, Franco, Salazar e outros monstros que governaram e governam o mundo.

No Novo Testamento, um anjo apareceu a José para ordenar que ele tomasse Jesus e Maria e os levasse para o Egito.

Há um título para Maria derivado do episódio, denominado Nossa Senhora do Desterro.

Em Pernambuco existe uma cidade com o nome de São José do Egito.

A Fuga para o Egito. Por Fra Angelico, no Museo di San Marco, em Florença
A Fuga para o Egito.
Por Fra Angelico, no Museo di San Marco, em Florença

Pizzolato falsificou documentos de irmão morto há 36 anos

Folha Press – Foragido desde novembro de 2013, Henrique Pizzolato, o ex-diretor do Banco do Brasil condenado pelo mensalão, falsificou vários documentos do irmão já morto há 36 anos e enterrado em Concórdia (SC).

Segundo a Polícia Federal, além do passaporte com o nome de Celso que lhe garantiu a entrada na Europa, Pizzolato falsificou RG, CPF e título do eleitor do irmão em Santa Catarina em 2007, muito antes de ser condenado.

A PF afirma que em 2008 ele fez um passaporte brasileiro falso em nome do irmão e, em 2010, emitiu um passaporte italiano também em nome de Celso.

Foi de Santa Catarina que Pizzolato deixou o Brasil, a partir da cidade de Dionísio Cerqueira.

Ele percorreu 1.300 quilômetros até chegar a Buenos Aires. De lá, pegou um voo para Barcelona, cuja passagem foi comprada pela mulher dele. A PF não sabe, contudo, se ele entrou na Itália por céu ou terra.

Sabe-se apenas que em 11 de setembro ele entrou na Argentina às 10h. No dia seguinte, voou para a Espanha e já no dia 14 de setembro estava na Itália, onde comunicou à polícia ter perdido documentos.

“Não havia nenhum registro de entrada de Henrique Pizzolato em nenhum lugar do mundo. Faltava essa peça para fechar o quebra cabeça”, explicou o delegado Luiz Cravo Dórea, coordenador-geral de cooperação internacional da PF.

Segundo Dórea, a Itália informou que no ano passado o irmão de Pizzolato requisitou a mudança de status para cidadão residente. Morto há 36 anos num acidente de carro no Paraná, a PF localizou o túmulo dele no interior de Santa Catarina.

Com base nessa informação, a PF cruzou registros da entrada e saída de Pizzolato na Argentina, onde foi feito coleta das digitais, com as digitais da carteira de identidade dele original e a falsa, em nome do irmão. Confirmou que se tratava da mesma pessoa nos três documentos.

Ontem a PF teve a informação que um carro em nome da mulher de Pizzolato estava na cidade italiana de Morello. Na casa, vive o sobrinho dele, Fernando Grando, funcionário da Ferrari.

Depois de uma noite de monitoramento, a polícia italiana abordou Pizzolato que, inicialmente, se identificou como Celso. Interrogado, contudo, admitiu ser Henrique.

O ex-diretor do Banco do Brasil não foi preso por uso de documento falso, mas a pedido do Brasil para fins de extradição. “A ação foi feita a pedido do Brasil, para verificar se é o fugitivo”, explica Roberto Donati, oficial de ligação polícia italiana no Brasil. Pizzolato, contudo, também vai responder por uso de documento falso na Itália.

Fuga é direito constitucionalmente reconhecido

por Eduardo Mahon/ in Consultor Jurídico

Presídio Urso Branco, em Porto Velho
Presídio Urso Branco, em Porto Velho

Convém esclarecer a opinião pública sobre o conceito de “foragido”, tema central que autoriza decretos de prisão preventiva ou reforçam uma suposta necessidade de cautela estatal. Quando um cidadão pode ser considerado foragido pela Justiça? Apenas quando se subtrai do mandado de prisão? Por certo que não.

Explico melhor: é que, enquanto o acusado está debatendo a decisão de segregação, resistindo à alegada injustiça, seja por meio de recurso, seja por meio de Habeas Corpus, está se assegurando da liberdade enquanto combate a ordem considerada injusta. A desobediência civil é diversa da penal, porque esta última seara guarda a particularidade da presunção de inocência e, por esta ótica, a resistência ao constrangimento é válida, legítima constitucionalmente, enquanto não subsistir uma condenação definitiva ou no curso da objeção da própria prisão.

É que o artigo 366 do Código de Processo Penal foi alterado. Quando não encontrado o réu, suspende-se o processo com o respectivo prazo prescricional e, sendo o caso, decreta-se a prisão preventiva, estando presentes os requisitos cautelares insertos na lei. Contudo, quando este é encontrado, citado validamente, constitui advogado, enfrenta interrogatório e demais fases processuais, nada justifica afirmar que uma simples viagem ou ausência de um dos procedimentos judiciais pode levar à decretação da segregação para a garantia da instrução criminal ou da aplicação da lei penal. Isso porque já está representado nos autos, fazendo-se presente por meio do defensor particular ou público, não se falando de desdém à futura eficácia processual de uma não menos eventual condenação definitiva.

Nesse passo, o Supremo Tribunal Federal vem assentando jurisprudência no sentido de entender que a simples fuga ou a resistência à prisão não reforça em absoluto a justificativa para perseguir ainda mais o acusado. Diz o ministro Marco Aurélio que a liberdade é direito natural do ser humano e a obstrução ao constrangimento nitidamente ilegal, ainda que não esteja inscrita em lei positiva, é imanente dos direitos da cidadania brasileira.

Tanto que não há pena no Código Penal pelo ato “fuga” e sim o auxílio à fuga. A fuga do prisioneiro, em si mesma considerada, não é crime e se não está disposto no rol dos delitos, o fato da ausência também não poderá ser interpretado como agravante em nenhuma hipótese.

O julgamento de Salvatore Cacciola é paradigmático no STF. Inicialmente, cassada a prisão preventiva, afirma a excelsa Corte que jornal não é fórum, jornalista não é juiz e muito menos o editor de jornal, um desembargador. Ou seja, a repercussão nacional e internacional do caso do italiano não poderá ser elemento fundamental da custódia que faliu em última instância. Ter dupla nacionalidade, não morar no distrito da culpa, ou ainda nenhum vínculo comercial ou social com a localidade, não são justificativas idôneas para amparar a prisão preventiva, igualmente. E, diante de uma eventual perplexidade da opinião pública por tamanha liberalidade, convém esclarecer que a cautela penal só pode permanecer em premissas concretas e não meras suposições.

Daí a estranheza quando a polícia facilmente intercepta o acusado com mandado expedido, não tendo sido encontrado anteriormente. Ora, como a polícia localiza tão fácil e rapidamente um foragido, estando ele na situação de esconderijo? Foi o caso de vários cidadãos presos em aeroportos, nas residências, nos estabelecimentos comerciais entre outros locais de convivência pública ou particular. Então, outra conclusão não pode emergir do raciocínio: não é pelo fato de haver mandado de prisão e o cidadão não ser momentaneamente localizado por oficiais de Justiça que, necessariamente, encontra-se foragido. Não raro, ocorre justamente o contrário: se foragido estivesse, não seria encontrado no primeiro horário da manhã, dormindo tranqüilamente na própria casa ou trabalhando junto a outros funcionários, no trabalho.

Então, tais assertivas podem conduzir a conclusão radical que não existe o conceito de “foragido”? Não é bem assim. É claro que a resistência à prisão tem um limite temporal e processual, onde não pode objetar o acusado uma condenação definitiva, uma execução penal em curso ou o próprio acompanhamento processual por meio de representantes legais.

Aí sim que, cotejando o caso concreto, pode ser denominado foragido o cidadão com um mandado contra si em aberto. Do contrário, embora a esteira do raciocínio não contemple anseio prematuro da sociedade pela eficácia prisional, sendo antipática tese, perfilhamo-nos integralmente a ela, peticionando sempre pela Justiça. Não se trata de defender o direito de fugir e sim o de manter-se em liberdade.

Mulher morta na Penitenciária Barreto Campelo, Recife
Mulher morta na Penitenciária Barreto Campelo, Recife
Casos de esquartejamentos acontecem no Rio Grande do Sul. Justiça diz que estatísticas oficiais mascaram assassinatos
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Na metafísica, impenetrabilidade é o nome dado à qualidade da matéria pela qual dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. O governo prova que é um lei errada
Na metafísica, impenetrabilidade é o nome dado à qualidade da matéria pela qual dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. O governo prova que é um lei errada
Goiânia
Goiânia

TURQUIA. As sujidades da justiça e do governo

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Solidariedade com os jornalistas turcos condenados a prisão perpétua

 

O. Cuéllar
O. Cuéllar

 

 

 

Os jornalistas não são terroristas – foi a forte mensagem que a Federação Europeia dos Jornalistas (FEJ) enviou ao primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan na sequência da condenação de cinco jornalistas turcos a prisão perpétua, e à qual o Sindicato dos Jornalistas (SJ) se associa.
Também a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) se juntou ao apelo da FEJ contra as penas de prisão perpétua impostas a Füsun Erdoğan e a quatro outros jornalistas, bem como a pesada pena infligida a um quinto camarada de profissão.

Os jornalistas Füsun Erdogan (fundadora da estação de rádio Özgür, muito crítica do governo), Ziya Ulusoy, Bayram Namaz, Ibrahim Cicek, Arif Çelebi e Sedat Senoglu (trabalhadores do jornal Atilim) foram acusados de pertencer a uma organização marxista (MLKP) proibida no âmbito das leis «anti-terroristas» turcas. Para além das penas de prisão perpétua imposta aos jornalistas (com excepção de Sedat Senoglu, condenado a sete anos e seis meses) cada um foi ainda condenado a penas suplementares, que no conjunto atingem um total de 3000 anos.

“É completamente absurdo. Este veredicto é uma vergonha para o sistema judicial turco e uma manifestação da prepotência do governo. E mostra, por outro lado, que o regime não tolera qualquer crítica», declarou Mogens Blicher Bjerregård, Presidente da FEJ.

“Exigimos a revisão urgente do veredicto”, disse por seu turno Beth Costa, Secretária-geral da FIJ, sublinhando que a comunidade internacional está de luto com a decisão do tribunal, tomada sob influência política.

A FEJ e a FIJ estão a coordenar com o Sindicato turco dos jornalistas (Türkiye Gazeteciler Sendikasi, TGS) e outras organizações locais as acções a desenvolver contra a decisão judicial.

Sublinhando que esta forma de tratar os jornalistas críticos é um “enorme revés para a liberdade de imprensa na Turquia”, a FEJ apela às instituições europeias para que reajam face a esta situação.

Entretanto, está disponível uma petição exigindo justiça para os jornalistas na Turquia que pode ser subscrita em:https://secure.avaaz.org/en/petition/Justice_for_Journalists_in_Turkey/

Mais informação disponível em: http://europe.ifj.org/en/pages/turkey-campaign-set-journalists-free

Así protestan ahora las estudiantes: Con capucha y sostén

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Fotos de Mario Téllez Cardemil.

En todas las protestas estudiantiles siempre hay algo que llama la atención, más allá de los discursos y la convocatoria, que la Confech estimó en 80 mil almas. Esta vez el foco estuvo puesto sobre un paradero del Transantiago, en calle Ismael Valdés Vergara, a pocos metros de La Piojera y el mercado Central. Allí, dos jóvenes encapuchadas y en sostenes, agitaron banderas negras, con la palabra libertad escrita en sus cuerpos.

La marcha se realizó en forma pacífica entre Plaza Italia y la Estación Mapocho y, según Carabineros, sólo hubo hechos aislados de violencia, como el apedreo a la sede del Registro Electoral, en calle Esmeralda, la quema de un paradero. El balance arrojó 214 detenidos, 52 de ellos menores de edad.

La jornada estuvo marcada, como todo estos días, por los 40 años del golpe militar, que según el presidente de la Feuc, Diego Vela, “no sólo significó la detención y desaparición de miles de chilenos, sino que también la implantación de un modelo que hasta el día de hoy evidencia la segregación y la injusticia”.