O real nunca foi uma moeda forte. Começou valendo 0,85 centavos de dólar e foi desvalorizado quatro vezes no governo FHC que teve uma das mais altas inflações do mundo

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“TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar (…)UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE?

O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999”.

Uma Carta Aberta a FHC que merece ir para os livros de história

Theotonio dos Santos e a Carta Aberta a FHC: uma das manifestações públicas mais demolidoras da nossa história política recente

Theotonio dos Santos Júnio e Fernando Henrique Cardoso
Theotonio dos Santos e Fernando Henrique Cardoso

 

Segue uma Carta Aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor “notório saber” pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e rede UNU-UNESCO de Economia Global e Desenvolvimento sustentável – REGGEN. (Renato Rovai)

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população.

Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação.

Teoria

Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”.

ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999″.

O governo FHC vendido pela mídia
O governo FHC vendido pela mídia

 

(Continua)

 

Vamos conversar sobre crescimento do PIB e Crise Internacional?

Muitos analistas de economia na grande imprensa afirmam que o Brasil cresce menos que seus vizinhos latino americanos, realmente não deixa de ser verdade até um ponto, acontece que o Brasil está posicionado como uma das 20 nações mais ricas do mundo, atualmente é a sexta, entre as maiores economias do mundo o Brasil tem o terceiro maior crescimento acumulado de 2008-2013, para ter noção Japão tem crescimento de 2008 a 2013 de 0,3 %. EUA 5,5%, Alemanha 4,21%, França 0,61 %, Reino Unido -1,37 % e o Brasil teve crescimento de 19,87 % ficando atrás apenas de China e Índia.

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O catastrofismo que os analistas de economia da grande imprensa tratam o Brasil é proposital e tem fins políticos claros de destabilização, se a crise internacional é “papo furado da presidente”, por que estas outras grandes economias como EUA, FRANÇA, ALEMANHA,JAPÃO, não tiveram nem metade do crescimento que teve o Brasil nesse acumulado? In Marcos Simões/ Falando Verdades

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o ataque ao euro

O brasileiro gosta de verdura. Nos tempos de Delfim, crescia a cenoura, crescia a inflação. Com Dilma, estoura o tomate, estoura a inflação

Nos meus tempos de Sertão, o matuto dizia que verdura era capim. Ninguém comia. Com certeza, na cesta do povo não entra tomate. Nem cenoura.

Os preços aumentados da água engarrafada, dos medicamentos, dos serviços essenciais não contam.

Veja quantas manchetes safadas:

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Receita para finalizar a crise austeritária, sacrificial e assassina de empregos

 

Os instrumentos económicos existem mas a opinião política dominante proíbe o fim da crise. Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, apela ao fim dessa corrente austeritária, sacrificial e assassina de empregos.

por Ana Sá Lopes

Ao contrário do que muita gente possa pensar, Krugman não é um perigoso socialista. E, céus, até defende a austeridade (alguma, mas não esta). Vejam como ele explica a crise espanhola, que considera a crise emblemática da zona euro: “Durante os primeiros oito anos após a criação da zona euro a Espanha teve gigantescos influxos de dinheiro, que alimentaram uma enorme bolha imobiliária e conduziram a um grande aumento de salários e dos preços relativamente aos das economias do núcleo europeu [Alemanha, França e Benelux]. O problema essencial espanhol, do qual derivam todos os outros, é a necessidade de voltar a alinhar custos e preços. Como é que isso pode ser feito?”. O Nobel explica: “Poderia ser feito por via da inflação nas economias do núcleo europeu. Imagine-se que o BCE seguia uma política de dinheiro fácil enquanto o governo alemão se empenhava no estímulo orçamental; isto iria implicar pleno emprego na Alemanha mesmo que a alta taxa de desemprego persistisse em Espanha. Os salários espanhóis não iriam subir muito, se é que chegavam a subir, ao passo que os salários alemães iriam subir muito; os custos espanhóis iriam assim manter-se nivelados, ao passo que os custos alemães subiriam. E para a Espanha seria um ajustamento relativamente fácil de fazer: não seria fácil, seria relativamente fácil”.

Ora, esta maneira “relativamente fácil” de resolver a crise europeia tem estado condenada (vamos ver o que se segue ao novo programa de compra de dívida do BCE, criticado pelo presidente do Bundesbank) pela irredutibilidade alemã relativamente à inflação, “graças às memórias da grande inflação ocorrida no início da década de 1920”. Krugman lembra bem que estranhamente “estão muito mais esquecidas as memórias relativas às políticas deflacionárias do início da década de 1930, que foram na verdade aquilo que abriu caminho para a ascensão daquele ditador que todos sabemos quem é”.

O que trama as nações fracas do euro (como Espanha e Portugal) é, não tendo meios de desvalorizar a moeda – como fez a Islândia no rescaldo da crise com sucesso – estão sujeitas ao “pânico auto–realizável”. O facto de não poderem “imprimir dinheiro” torna esses países vulneráveis “à possibilidade de uma crise auto-realizável, na qual os receios dos investidores quanto a um incumprimento em resultado de escassez de dinheiro os levariam a evitar adquirir obrigações desse país, desencadeando assim a própria escassez de dinheiro que tanto receiam”. É este pânico que explica os juros loucos pagos por Portugal, Espanha e Itália, enquanto a Alemanha lucra a bom lucrar com a crise do euro – para fugir ao “pânico” os investidores emprestam dinheiro à Alemanha sem pedir juros e até dando bónus aos alemães por lhes deixarem ter o dinheirinho guardado em Frankfurt.

Se Krugman defende que “os países com défices orçamentais e problemas de endividamento terão de praticar uma considerável austeridade orçamental”, defende que para sair da crise seria necessário que “a curto prazo, os países com excedentes orçamentais precisam de ser uma fonte de forte procura pelas exportações dos países com défices orçamentais”.

Nada disto está a acontecer. “A troika tem fornecido pouquíssimo dinheiro e demasiado tardiamente” e, “em resultado desses empréstimos de emergência, tem-se exigido aos países deficitários que imponham programas imediatos e draconianos de cortes nos gastos e subidas de impostos, programas que os afundam em recessões ainda mais profundas e que são insuficientes, mesmo em termos puramente orçamentais, à medida que as economias encolhem e causam uma baixa de receitas fiscais”. Conhece esta história, não conhece? Leia mais 

 

Por qué no arranca la economía de Brasil

La tasa activa que cobran los bancos promedia el 31,1 por ciento, muy por encima de la tasa de referencia Selic.
MITAD HABITANTES DE RÍO DE JANEIRO ABANDONARÍA CIUDAD. BRASIL EN EL SEMESTRE CRECIO APENAS 0,9 POR CIENTO Y LA PROYECCION PARA EL AÑO ES 1,8 POR CIENTO. La tasa activa que cobran los bancos promedia el 31,1 por ciento, muy por encima de la tasa de referencia Selic

 

La política monetaria de Dilma Rousseff es la principal responsable de que el socio mayor del Mercosur no logre despegar. La lucha contra la inflación convirtió a Brasil en un paraíso para el capital financiero.

Por Fernando Krakowiak

Durante el último año, Brasil bajó la tasa de interés de referencia de 12,5 a 8 por ciento, devaluó el real casi un 25 por ciento, implementó un plan millonario de estímulo a la industria y además logró reducir la inflación del 6,9 al 5,2 por ciento anual. Lo hecho por el gobierno de Dilma Rousseff fue puesto como ejemplo por numerosos analistas internacionales y locales. Sin embargo, la economía del principal socio del Mercosur no sólo no se recuperó sino que se siguió contrayendo. En el primer semestre creció apenas un 0,9 por ciento y las proyecciones de las consultoras, que a comienzos de año promediaban un 4 por ciento para 2012, ahora se ubican en 1,8 por ciento. La paradoja es sólo aparente, pues al relevar las tasas de interés que cobran los bancos en ese país queda claro por qué Brasil está lejos de despegar.

Esa tasa activa promedio incluye los préstamos del Banco Nacional de Desarrollo (Bndes) que están muy por debajo de los valores de las tasas de mercado. De los casi 50 puntos de crédito al PBI que tiene Brasil, unos diez puntos los concentra el Bndes, que presta a una tasa que oscila entre el 7 y el 8 por ciento anual. Si se excluyen esos préstamos del cálculo, la tasa promedio que cobran los bancos se eleva al 48 por ciento. Para las empresas, esas tasas son un poco más bajas que el promedio (oscilando entre el 35 y el 40 por ciento), mientras que para las familias pueden llegar al 80 por ciento anual. El dato queda en evidencia cuando se observa la elevada carga financiera que deben enfrentar. El stock de deuda de las familias brasileñas equivale a 30 puntos del PIB, mientras que en Estados Unidos llega al 100 por ciento, pero en Brasil los servicios de esa deuda equivalen a 25 puntos del PIB contra sólo un 10 por ciento en Estados Unidos.

La política monetaria de tasas altas transformó al ex presidente Lula da Silva en una figura ejemplar para el establishment financiero y va camino a hacer lo propio con Dilma Rousseff, quien hasta ahora transita por una senda similar. En este contexto es muy difícil esperar que el principal socio del Mercosur se convierta en una locomotora capaz de traccionar a los países más chicos, ya que su apuesta es otra: la lucha contra la inflación, aun a costa del crecimiento.

(Transcrevi trechos)