As notícias vão surgir de três fontes: jornalistas profissionais, jornalistas-cidadãos e ‘jornalistas-robôs’

“A comunicação social será íntima, individualizada de formas que hoje não conseguimos imaginar”

jornal futuro

por Simone Duarte

Gene Liebel acredita que talvez 90% das formas como as pessoas consumirão notícias em 2041 serão inventadas depois de 2013, mas há algo que não mudará: “A tecnologia muda, mas nós temos tendência para querer as mesmas coisas. E, no que diz respeito ao consumo de notícias, uma coisa que tendemos a querer – e que a Internet tende a dar-nos – é mais controlo. Em 2041, Liebel gostaria de ver a chamada “economia da reputação” evoluir para um estádio em que os leitores tenham uma indicação imediata das novas fontes de informação que são fidedignas: “Gostaria de ter acesso a especialistas em todas as matérias – incluindo os que sejam completamente independentes – que tenham conquistado, com o tempo, a confiança da comunidade, quer pertençam a uma organização noticiosa estabelecida quer não.”

Sobre o papel dos editores, Gene Liebel acha que, em 2041, não terão mais o poder de formular a dieta de notícias diárias. “Embora isto possa parecer negativo, um dos objectivos dos editores é conseguir captar a minha atenção todos os dias, quer haja uma história importante para contar quer não. Isso é uma perda de controlo da minha parte, como leitor, algo que a Internet tende a eliminar com o tempo.”

Já Michael Bove Jr., do prestigiado Laboratório de Media do MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, não vai tão longe. Acha que a curadoria e a edição serão feitas em parte por profissionais, em parte pelas redes sociais e parte será automatizada. “Tendo a pensar que as notícias vão surgir de três fontes: jornalistas profissionais, jornalistas-cidadãos e o que poderemos chamar ‘jornalistas-robôs’ (sensores que recolhem informação e a transformam em alguma coisa que interessa aos seres humanos)” – afirma ao PÚBLICO o director do Consumer eletronics Lab e co-director do Center for Future Storytelling do Media Lab.

“Neste momento, estamos a viver uma revolução radical na forma como se consomem notícias” – diz ao PÚBLICO a jornalista Amy O’Leary do The New York Times, que esteve recentemente a participar da conferência Regresso ao Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, e faz parte do recém-criado grupo de inovação formado por seis profissionais do jornal norte-americano. “Há dez anos, os leitores começaram a fazer uma transição do papel para o online. Nos últimos dois, o consumo de notícias em telemóveis e tablets aumentou a um ritmo absolutamente extraordinário; muito em breve, haverá mais pessoas a ler notícias em telefones inteligentes do que em computadores. Estas alterações de comportamento estão a acontecer mais depressa do que nunca e não se sabe onde nos podem levar. É por isso que é difícil imaginar exactamente como é que as pessoas vão consumir notícias em 2041. Alguns futuristas pensam que computadores ‘vestíveis’, como o Google Glass ou os ‘relógios inteligentes’, irão tornar-se tão comuns como hoje são os telefones. Outros imaginaram visões mais radicais: que a biotecnologia possa, um dia destes, ser integrada com o corpo humano para fornecer informação. Felizmente, o jornalismo sempre foi bom em encontrar novas histórias, novas pessoas, novos heróis e vilões. Em 2041, acho que isso continuará a ser o cerne do nosso trabalho. Temos é de ser muito, mas muito melhores nesse domínio.”

O português João Medeiros, editor de ciência da revista Wired, concorda. São os próprios jornalistas confrontados com tantos desafios mas também com novas oportunidades que precisam de se reinventar, mais do que a plataforma ou o produto em si: “Os jornalistas têm de ser capazes de experimentar e inovar no modo como contam as histórias e precisam cultivar a diligência, a componente essencial para procurar as histórias que precisam de ser contadas no nosso tempo. Esta é a essência do jornalismo.”

Amy O’Leary remata: “Não consigo perspectivar qual será o sistema de fornecimento de informação em 2041, mas, seja qual for, o jornalismo terá de continuar a ser rigoroso, objectivo e célere quando os factos acontecerem. As pessoas procurarão sempre histórias interessantes e bem contadas. Estas duas coisas vão ser sempre iguais.”

Dê-me o jornal!

Cristina Azevedo

Pronto! E assim se pede o JN. Em todo o seu espaço natural (do Porto a Viana, de Aveiro a Bragança – Portugal) durante muito tempo ouvi pedir assim o “Jornal de Notícias”. Não havia dúvidas, nem hesitações. O Jornal era o JN e ponto.

Não porque não houvesse outros. Havia e alguns também com especial impacto na Região, mas nenhum tinha conseguido estabelecer esta osmose entre a marca e o produto. Não porque fosse o primeiro da sua espécie. Como as Collants ou o Black & Decker que foram marcas e hoje são produtos.

Apenas porque ao longo do tempo fora conseguindo entranhar-se no seu território e dele observar o seu país. Essa opção deu-lhe identidade e garantiu-lhe a representatividade que o torna ainda hoje único interlocutor avalizado para muitos dos seus leitores.

Numa perspetiva de mercado estes são dois atributos ímpares na valorização de um produto. Projetam o seu consumo para além da esfera da utilidade. Promovem-no a experiência emocional e aspiracional. Em rigorosa consonância com a nossa sociedade hipermoderna em que impera a hiperescolha e a sedução.

Gilles Lipovetsky (filósofo francês criador do conceito) diz que “o que define a hipermodernidade não é exclusivamente a autocrítica dos saberes e das instituições modernas; é também a memória revisitada, a remobilização das crenças tradicionais, a hibridização individualista do passado e do presente. Não mais apenas a desconstrução das tradições, mas o reemprego dela sem imposição institucional, o eterno rearranjar dela conforme o princípio da soberania individual”.

O JN pode no seu conjunto ser lido à luz desta novíssima tendência em que a crítica política e social coletiva se tece na realidade local e tradicional do território onde nasce, num processo de hibridização que lhe garantirá o sentido e a sobrevivência.

Não pode naturalmente ignorar os desafios:

– a evolução alucinante da tecnologia que exige novas plataformas e novas interatividades

– e a evolução dececionante da economia que exige novos esforços na criação de valor

– o nível etário dos seus leitores ditos mais tradicionais

– e as oportunidades abertas pelos 70 que são hoje 60 e por uma senioridade mais do que ativa, criativa

– o lazer que deve ser cada vez mais longe da realidade

– e o sentido recreativo da leitura

– a fadiga do “always on”

– e da tomada de decisão implícita em novas escolhas

– o incentivo à saúde sem defeitos

– e o respeito pelo diferente

– os lares multigeracionais

– e os espaços miniaturizados

– a perfeição da imagem gerada por computador

– e o tédio que a perfeição provoca

– as mulheres que escolhem

– e os homens que compram

– os que só leem online

– mas que leem muito melhor

– o virtual

– que é cada vez mais ancorado no real

– o individualismo

– e a geração CO – colaborativa, co-operante, corresponsável

Tudo isto, estranhado e entranhado. “Dê-me o Jornal” é luxo garantido para um JN que consiga, agora mais do que nunca, recrudescer em vigor emocional e identitário.

Juntar pessoas, muitas pessoas de muitos quadrantes, idades e formações durante um dia inteiro e falar da Região e do país ajuda.

Foi exatamente isso que o JN conseguiu no dia 3 de junho na conferencia comemorativa dos seus 125 anos. Fomos muitos, falamos e ouvimos, mas sobretudo reconhecemo-nos.

Somos da família, lemos o Jornal, sofremos as mesmas vitórias e desilusões, atacamos o centralismo, e não temos a certeza da alternativa, não queremos mais dinheiro, mas queremos mais autonomia e mais responsabilização, gostamos do Manuel António Pina e, por ele, de gatos.

Este sentimento que se intui mas só se comprova quando nos vemos e nos falamos é vital a um empoderamento da Região que mais do que uma luta é uma obrigação.

Para que aqui, porque ainda nos reconhecemos, a profecia de Lipovetsky não se cumpra: “As grandes estruturas socializantes perdem a sua autoridade, as grandes ideologias já não trazem nada de novo, os projetos históricos já não mobilizam, o campo social é apenas o prolongamento da esfera privada: a era do vazio instala-se (…) sem tragédia nem apocalipse”.

Criação do Conselho Federal dos Jornalistas já!

Para comemorar o Dia do Jornalista – 7 de abril, a FENAJ lançou, nesta quinta-feira (4/4), o relatório com a síntese da pesquisa “Perfil do Jornalista Brasileiro”.

Entre os dados mais evidentes da pesquisa, que subdividiu os entrevistados em 3 segmentos para aprofundar a análise (os que atuam na mídia – 55%, os que atuam em assessoria de imprensa ou outras atividades jornalísticas – 40%, e os que atuam como professores – 5%), as mulheres compõem 64% do universo dos profissionais que estão em atividades, 98% da categoria tem formação superior, 59,9% recebem até cinco salários mínimos, aproximadamente 50% trabalham mais de oito horas por dia e 27% trabalham em mais de um emprego.

Detalhe expressivo é que as mulheres jornalistas, mais jovens, ganham menos que os homens; são maioria em todas as faixas até 5 salários mínimos e minoria em todas as faixas superiores a 5 salários mínimos. E são minoritárias nos cargos de chefia nos veículos e órgãos de comunicação.

O presidente da FENAJ, Celso Schröder, avalia que os resultados deste estudo permitirão às entidades sindicais dos jornalistas buscarem maior sintonia com a categoria. “Apontam, por exemplo, a perspectiva de reforçarmos a luta das mulheres por igualdade de oportunidades, condições de trabalho e de salários”, diz.

Para ele, a pesquisa consagra uma tese defendida pela FENAJ e Sindicatos de Jornalistas. “O dado de que três quartos da categoria são favoráveis à criação do Conselho Federal dos Jornalistas, e de que menos de 2 em cada 10 que atuam na mídia são contra, liquida com a expectativa daqueles que sempre buscaram criar um dilema sobre este assunto”, comemora.

DIA DO JORNALISTA''

Plebiscito. Jornal “O Liberal” faz propaganda pelo Pará

O uso do termo “isto” para a criação dos Estados de Tapajós e Carajás tem um sentido pejorativo.

O “isto” é dubitativo. É uma interjeição de apoio, de aplauso. “Isto, eleitor, votou certo! Votou pela divisão!”.

Não sou contra um jornal fazer propaganda. Imprensa é propaganda direta ou indireta.

A propaganda quanto mais implícita, mais eficaz. Não confundir com propaganda subliminar.

Um jornal não pode é enganar o leitor. Partir para o balão-de-ensaio, a meia-verdade, a mentira.

Acampamento é coisa do MST

A marcha internacional contra os banqueiros, os políticos e demais corruptos e corruptores pode até acontecer no Brasil. Nada é imposssível. Mas sem essa de acampamentos. Acampamento é coisa dos sem terra. Subversão. Anarquia. Não fica bem em um país da TFP – Tradição, Família e Propriedade.

A polícia brasileira e seus cães são treinados contra os sem terra desde 1964. Os sem terra eram chamados de camponeses. Nos tempos da ditadura militar: rurícolas.

Os jornalistas das redes de tv, especialmente os da Globo, são espias dos latifundiários. Teve invasão de terra, a imprensa denuncia. Pede ação rápida da justiça, e a justiça prova que pode ser veloz.

A polícia não precisa chamar. Nunca se sabe se os jornalistas vão com a polícia, ou se a polícia vai com os jornalistas. Cobertura jornalística no campo parece mais um programa de Luiz Datena.

Grécia. Golpe de estado da União Européia

“Algumas vezes me pregunto se despois destes dias escuros na Grécia, o dano maior se encontrará na economia ou na democracia”.

Entrevista de Leonidas Vatikiotis, economista e jornalista grego:

Creo que no solamente en Grecia, sino en todos los países de la periferia de la eurozona (hablo de Irlanda, España, Portugal, Italia y Grecia), el euro fue nefasto para los pueblos. Tenemos una explosión del desempleo, tenemos programas de austeridad terribles, tenemos la demolición del Estado del Bienestar que nuestros países tenían desde el período de la postguerra mundial. Creo que estos lugares deben salir de la zona euro de la Unión Europea por el bien de sus pueblos.

El mes pasado, hablo de las conclusiones de la cumbre europea de marzo a julio, vimos el memorándum más agresivo sobre Grecia para que adopte la política económica de la Unión Europea. La cumbre de la Unión Europea fue un copia y pega del primer memorándum sobre Grecia, que fue firmado en mayo de 2010. Creo que en los próximos meses, no ya en los próximos años, vamos a asistir al aumento de las edades de jubilación, veremos el desmantelamiento masivo del sector público, veremos la demolición de los acuerdos colectivos entre los sindicatos y la patronal. Todo esto lleva la firma de la Unión Europea, se ha decidido en la Unión Europea.

Por eso creo que los pueblos de estos países -no las clases dominantes- deben imponer la salida de la Unión Europea; deben imponer una política monetaria independiente que favorezca la creación de nuevos puestos de trabajo, que sea favorable a los pueblos y no a los intereses de los exportadores alemanes y de los banqueros alemanes, como es el caso actualmente.

En Grecia llamamos al primer ministro Papandreu, “Tsolákoglu”, que fue el primer ministro designado por la ocupación nazi desde 1941 hasta 1942. Creo que no es una peculiaridad de Grecia. En España ocurre también algo similar. Por ejemplo, la prohibición del déficit público que se decidió en España es una violación de la voluntad del pueblo español.

Nadie fuera de Grecia ha entendido que en el último año y medio hemos vivido un golpe de Estado. La brutalidad policial solamente se puede comparar con el periodo de la dictadura de Georgios Papadopoulos, el dictador al frente de la Junta de Generales entre 1967 y 1974. Cuando tres o cuatro personas se congregan en las plazas de Atenas, la policía los golpea con enorme violencia. Hemos visto en las primeras páginas de los periódicos fotografías de la policía golpeando a estudiantes de 6, 10, 12 años. Subrayo este aspecto porque si no lo conoces no puedes entender lo que ha sucedido en Grecia.

Toda esta tradición de la izquierda y del movimiento ahora no es capaz de sobreponerse a esta política de la represión. En mayo de 2010 tuvimos un incendio en una sucursal bancaria en el que murieron 3 personas. Todos nosotros creemos que quienes incendiaron el lugar no eran manifestantes, porque todos nosotros al día siguiente tuvimos que responder por qué habíamos quemado a tres trabajadores el día de la huelga general.

En Grecia tenemos un Estado profundamente corrupto y no hay Estado de Derecho. Hay violaciones de la ley todos los días, y la policía no rinde cuentas.

En Pakistán se dice que mientras en los demás países el Estado tiene un Ejército, en Pakistán el Ejército tiene un país. En Grecia, nosotros decimos que la policía tiene un país.

El documental “Debtocracy” muestra lo que está ocurriendo en Grecia y la brutalidad policial. Por ejemplo, ha habido casos de periodistas gravemente heridos. Al principio, cuando la policía comenzó a golpear a los periodistas, y especialmente a los reporteros gráficos pidieron que la policía les entregara chalecos con la palabra “PRENSA” escrita para que los agentes no les pegaran. Nosotros les advertimos: no os los pongáis, porque os pegarán a vosotros antes que a nadie. Y así ocurrió. Las personas que llevaban el distintivo de “PRENSA” fueron los primeros objetivos de los policías, que los golpeaban antes que a los manifestantes.

A guerra da imprensa brasileira

Os jornalões brasileiros vibram com a queda de Kaddafi.
Quando o povo brasileiro está em outra guerra.

A guerra contra a fome, o desemprego, a justiça PPV, a inflação, a moradia degradante, a falta de serviços essenciais, a corrupção lá em cima, e a violência cá, em baixo, nas ruas.

Exibo as capas dos jornais de hoje dos países que invadiram a Líbia. Comparem.