De El Maria

El Maria
El Maria

Canso do pra sempre.
Canso do persistente.
Canso de lembrar.
Canso de descansar.
Canso de repente.
Canso do sol quente.
Corro, e canso.
Deito e canso.
Descanso e canso.
Canso de fulano, de beltrano.
Vejo sicrano, e canso.
Canso de verdade, de mentira.
Canso de música repetida.
Canso do imitador.
Canso de história.
Danço, canso, transo, canso…
Canso da ilusão.
Canso do sabido.
Canso de bonito, de burrice, de cretino.
Canso de você, e do seu cansaço.
Canso de mim.
Falo e canso.
Cansei

Mídia Ninja e o futuro desfocado

manipulação persuasão mídia imprensa pensamento opinião

 

por Fernando Gabeira

As manifestações de junho revelaram ao País a Mídia Ninja, grupo de jovens que usa smartphones para divulgar ao vivo os protestos de rua e eventuais confrontos com a polícia. Tive a oportunidade de entrevistar um deles, Bruno Torturra, e na ocasião tentei quebrar um pouco a rígida dicotomia entre imprensa profissional e jovens amadores com uma visão excludente do processo.

Creio que grande parte dos temas agitados nas ruas do Brasil foi divulgada pela imprensa profissional. O que as redes sociais fizeram foi metabolizar os escândalos e deslizes amplamente registrados nos grandes veículos de comunicação. É inegável que existe mão dupla. A grande imprensa é muita atenta às redes sociais e procura pescar todos os temas que lhe parecem dignos de publicação. É assim que ela trabalha – ou deveria -, com antenas sempre ligadas no que acontece em qualquer lugar, o mundo virtual incluído.

Na cobertura das manifestações a Mídia Ninja conseguiu ficar bem próxima dos jovens que protestavam e dos policiais que, eventualmente, os reprimiam. Isso era melhor que as tomadas de helicóptero, embora a visão de cima dê também boa ideia da magnitude do protesto e de como evolui espacialmente. Mas, como dizia Robert Capa, se a imagem não é tão boa, é porque não chegamos perto o bastante do objetivo. É a visão de um fotógrafo de guerra que se pode estender a outros campos.

Em nova entrevista de TV, os jovens da Mídia Ninja deram a entender que há uma crise na imprensa clássica e eles representam uma verdadeira alternativa a ela, no futuro. Isso se choca com meio século de experiência no ofício e o exame de outras tentativas, mundo afora, de achar um caminho para as limitações da imprensa, sobretudo as que se revelaram com o impacto da revolução digital.

A Mídia Ninja dá a entender que pretende financiar seu trabalho com o apoio dos próprios leitores. É o que tentam fazer algumas agências de fotógrafos, via crowdfunding. Na verdade, a iniciativa é uma extensão de algo que já deu certo no mundo musical, projetando inúmeros grupos independentes. Mas as experiências de financiamento entre os fotógrafos partem de um portfólio mostrando a capacidade específica do profissional e do detalhamento do projeto a ser financiado. É uma tentativa de reinserir no fluxo de informações um material de alta qualidade que as circunstâncias econômicas das revistas já não permitem financiar. Impossível buscar informação em vários cantos do País e do mundo sem recursos para passagens, hotel e aluguel de carro, para ficar só nas despesas mais rotineiras.

A primeira condição de crowdfunding, em jornalismo, é a alta qualidade do material produzido, o que a Mídia Ninja não pode oferecer, pelas circunstâncias da cobertura e pelo precário domínio técnico. Viver disso significa preocupar-se com detalhes: ângulo, luminosidade, enquadramento, composição – enfim, as técnicas que permitem transmitir a informação com nitidez. Se tudo isso é considerado secundário, o que é o principal? Estar presente e tomar o partido dos oprimidos, ainda que a mensagem seja um lixo técnico.

Isso me remete às discussões que tive com Glauber Rocha pelas ruas de Havana e me valeram um mal-entendido. O sonho de Glauber era associar-se aos grupos de guerrilha e ser o cineasta de suas ações armadas contra as ditaduras militares do continente. Disse-lhe francamente que achava a ideia problemática. Glauber teria de morrer como um grande cineasta e se tornaria um documentarista precário dos fatos, sempre escravizado pela segurança da ação e pela obediência ao comando da guerrilha. Ele entendeu que estava propondo seu suicídio e por muitos anos não falou comigo.

O problema que discutíamos em Havana ainda é válido hoje. É impossível expressar o talento pessoal, amplamente, tendo de se submeter aos interesses de um grupo, que decide o que e como publicar. Os jovens da Mídia Ninja acham que a grande imprensa é parcial. E, em vez de defender a imparcialidade, tomam partido e afirmam que a verdade surgirá do intercâmbio de múltiplas parcialidades. Essa discussão é uma das mais antigas e, diria, entediantes, depois de tantas madrugadas nos bares de Ipanema. Apontar a câmera para um lado, e não para o outro, já significa uma escolha pessoal. Imagens, verbos, adjetivos, tudo isso expressa uma tomada de posição. Em certos fatos jornalísticos, que envolvem também a concepção democrática de cada um, fica visível onde está e o que quer o narrador.

Mas existem certos princípios na informação de qualidade. Um é a importância de ouvir os dois lados. Outro é a humildade do repórter, que mesmo tendo uma posição sobre determinado tema não tenta conformar a realidade à sua tese. É preciso estar aberto para o que realmente está acontecendo e jogar para o alto as ideias que não correspondam aos fatos.

Quando alguém da Mídia Ninja é preso, a grande imprensa relata em detalhes e busca explicações da polícia. Quando carros das emissoras de TV são queimados por manifestantes, é de esperar que a Mídia Ninja também combata esse tipo de violência e todas as outras formas de agressão. Se o nome do jogo é informação, a liberdade de imprensa é um bem comum. Quem vai sobreviver ao tsunami da revolução digital, quem vai naufragar, tudo é uma questão de talento e capacidade de adaptação aos tempos revoltos. Não creio em profissionais especializados em manifestações, muito menos sustentados por grupos em fusão, que se desfazem e recompõem indefinidamente.

Ao ver na TV a história de coletivos com casas próprias e líderes que combinam picaretagem política com certo tom religioso, pressinto os descaminhos que se impõem, com dinheiro oficial, à cultura brasileira. Descaminhos que, no fundo, desprezam a cultura e a substituem pelo militante fanático. Quem não se lembra da Revolução Cultural chinesa? Foi um dos momentos mais indignos da História humana. É preciso ler um pouco sobre isso para evitar algumas novidades que, no fundo, são apenas o retorno da barbárie.

O Estado de São Paulo/Antes que eu me esqueça

Ativismo põe em xeque narrativas oficiais

por Mauro Malin

 Rainer Ehrt
Rainer Ehrt

A cobertura jornalística da revolta de junho testou cérebros e músculos da mídia convencional e de novas modalidades criadas pelo advento da telemática, como o testemunho de participantes que usaram telefonia móvel para relatar na internet, com imagens, áudio e texto, o desenrolar de passeatas e outros atos públicos.

Aldo Quiroga, da TV Cultura e da PUC-SP, fez ver que a mídia alternativa já existiu antes no Brasil e defendeu uma militância a favor do jornalismo. Milton Bellintani, do projeto Repórter do Futuro, disse que os jornalistas têm compromisso com o interesse público e a democracia. Bellintani relembrou que as redações já foram locais de debates como o que ali se realizava, característica anulada por uma lógica empresarial concorrencial.

Proteger repórteres

Antes do início da conversa propriamente dita, Sérgio Gomes, o Serjão, disse que o debate foi organizado com o objetivo de promover uma troca serena de ideias, sem caráter de espetaculosidade. O diretor executivo da Abraji, Guilherme Alpendre, relatou que a associação havia contabilizado 53 agressões policiais a jornalistas desde o início dos protestos até a última semana de junho, em várias capitais (leia aqui).

O bate-papo foi mediado pelo coordenador de Comunicação da Conectas, João Paulo Charleaux, que cobriu as manifestações em São Paulo para o jornal La Tercera, de Santiago do Chile. Charleaux disse que a ideia de promover o encontro surgiu “a partir do número assombroso de inscritos para o 12O curso Jornalismo em Situações de Conflito e Outras Situações de Violência (mais de 700 até meados de julho). Achamos que seria uma pena que só 25 pessoas pudessem discutir o assunto”.

O debate entre quem participou da cobertura “é uma chance de saber como esses jornalistas estão vendo uma situação desafiadora nos aspectos ético, logístico, técnico, em todos os aspectos”, avaliou o jornalista, que há bastante tempo participa de debates semelhantes, inclusive tentativas da ONU de fazer resoluções a respeito de proteção de jornalistas.

Instinto de sobrevivência

“Sei como isso é complicado e muitas vezes inviável. O Conselho de Segurança, em sua próxima reunião, vai abordar o tema de uma resolução de proteção de jornalistas, no âmbito jurídico, diplomático. E venho acompanhando o debate do Insi (International News Safety Institute) e da Abraji sobre como capacitar os repórteres para sofrer menos nessas situações, devido a ações cometidas pela polícia e às vezes o comportamento deliberado do Estado de atacar a imprensa. Assim como de pessoas que estão na manifestação e também atacam os jornalistas. A proteção de um fotógrafo, de um cinegrafista, de um cidadão que registra imagens com seu celular tem sido baseada no seu próprio instinto de sobrevivência, sua capacidade de se preservar para continuar registrando as situações”, disse Charleaux.

A verdade da rua

Você não pode dizer uma coisa nos jornais e as redes dizerem outra. Isso teve um papel tremendo até do ponto de vista de controle da ação policial. Quando terminou a manifestação e os policiais, na batalha da Consolação, foram perseguindo as pessoas nas ruas de São Paulo, qualquer reunião de duas ou três pessoas eles atiravam bombas de gás e bala de borracha indiscriminadamente, quando isso acontece, e não acontece em becos, acontece com todos os celulares virados para essas cenas, pessoas filmando da janela de casa o que estava acontecendo, isso para a polícia foi muito forte.

O comportamento deles nos dias seguintes se baseou muito nisso, eles não podiam fazer o que quisessem, estavam submetidos a esse tipo de controle, isso é muito bom, apesar de termos tido casos de jornalistas que foram agredidos, sofreram algum tipo de violência. O controle é maior e isso é possível porque vivemos numa democracia.

Aqui estão pessoas que fizeram, do ponto de vista jornalístico, alguns dos trabalhos mais interessantes dessa cobertura. Se o Piero tivesse querido fazer uma matéria sobre uma pessoa sendo presa por carregar vinagre, não conseguiria fazer o que ele fez sobre ele mesmo, com frieza, continuar filmando numa situação de estresse, sendo preso, e o vídeo que ele faz. Tem uma cena sensacional, uma hora em que o coronel pega o telefone e diz: Filma aqui. É um resumo muito bem acabado do que foi a polícia naquele dia, do absurdo da situação. Na última cena [Piero] pergunta ao comandante da operação se é proibido ter vinagre, e ele diz que não, ele admite o absurdo da situação. (Veja aqui o vídeo.)

A matança ignorada

E realmente estava todo mundo perdido, cada um pensando uma coisa, ninguém sabia o que estava acontecendo. Agora as coisas estão acalmando e vão surgindo análises um pouco mais sensatas e estamos começando a entender levemente o que está acontecendo. Ainda vai levar tempo para conseguirmos entender realmente.

Sobre a violência da polícia, eu não esperava nada diferente do que está acontecendo. Acho que a polícia foi violenta, mas menos violenta do que ela é todo dia na periferia. A polícia está matando geral na periferia. Você escuta relatos absurdos de gente morrendo, tem acusações gravíssimas de grupos de extermínio formados por policiais, segundo essas acusações, que colocam touca ninja e matam gente na periferia aleatoriamente. O que aconteceu na quinta-feira (13/6) foi significativo, mas muito menos do que a gente vê todo dia, e a gente grita muito menos por conta dessa violência que acontece na periferia. A polícia não matou ninguém na quinta-feira, mas está matando todo dia na periferia.

PM do regime militar

Basicamente, a polícia que o regime militar montou é a que está aí. Em São Paulo, quando houve eleição direta para governador e ganhou o Franco Montoro [1982], houve uma preocupação com o fato de que o quartel-general estava cheio de oficiais fascistas. Tiveram a “genial” ideia de dizer: Vamos espalhar esses caras. O que fizeram? Espalharam o fascismo. Cada coronel desses foi defender suas ideias, e seu processo de formação, no quartel para onde foi mandado. São informações que um cara da PM me deu. Era meu vizinho de mesa numa função que tive [no governo do estado de São Paulo]. Era indignado com a polícia, embora fosse da polícia.

(Transcrevi trechos). Leia mais

Quo vadis imprensa

 

MÍDIA CONSERVADORA TENTA DESESTABILIZAR A SOCIEDADE BRASISLEIRA COM DISCURSO ESTRAMISTA 

por Gilberto de Souza

midia-extremista

No Supremo Tribunal Federal (STF), um processo no qual escutas transcritas pela Justiça lançam graves suspeitas sobre os principais líderes da direita no país, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu então ministro da Saúde, José Serra, o ex-governador do Estado de Minas Gerais, Aécio Neves, senadores e líderes da direita mais extremada, é o próximo na fila de julgamentos e, na nova configuração da Corte, tende a cruzar os meses do segundo semestre de 2013 até meados do ano eleitoral. A Ação Penal (AP) 536 tende a abraçar, ainda, as denúncias contidas no best seller do jornalista Amaury Ribeiro Jr., A Privataria Tucana, que esmiúça o processo de privatização realizado no governo de FHC, sobre o qual pesa uma avalanche de ações na Justiça.

Em certas circunstâncias, a agenda da direita brasileira volta-se muito mais à queda do modelo social em curso do que para o fim de uma gestão, em certos aspectos, simpática ao empresariado, como é o caso da atual. Assim, o discurso pseudo-moralista que vigora nas principais colunas dos diários ou nos programas da TV ligados aos conservadores espraia-se para a sociedade de forma a provocar reações cada vez mais extremadas. É o próprio Eduardo Guimarães que relata, a seguir, ser vítima de ameaças por conta de suas posições políticas de apoio ao presidente Lula e à presidenta Dilma.

Segundo Guimarães, há um processo que se materializa no país e que ele já viu “ocorrer em países sul-americanos (…) com destaque para a Venezuela”.

“Não foi uma só vez em que fui ameaçado de espancamento ou de morte tanto via comentários aqui no Blog (da Cidadania) quanto no Twitter”, relata Guimarães.

“Nem acho que quis me intimidar. Apenas externou seu ódio, um ódio que não nasceu em si, mas que foi instilado pela mídia, pelos Reinaldos Azevedos, Augustos Nunes, Elianes Cantanhêdes e congêneres. O problema, portanto, não sou eu ou esse pirado – nem os outros tantos que há por aí. O problema é que a direita midiática está desencadeando, no Brasil, um processo que vi, recentemente, em países vizinhos. Até alguns poucos anos atrás eu viajava bastante à Venezuela e, lá, vi várias cenas de batalha campal. Certa vez, chavistas e antichavistas quebraram uma lanchonete em que eu estava. Cheguei a levar um murro no estômago ao tentar proteger uma moça empurrada por um dos brigões. Vi essas coisas acontecerem, também, na Bolívia e no Equador. No Brasil, tudo tem se resumido, salvo exceções, à internet, com os valentões bem escondidinhos por trás do computador, inclusive usando codinomes”, escreveu Guimarães.

O SUICÍDIO DA IMPRENSA BRASILEIRA

por Emir Sader

pensamento político jovem calouro indignados

 

(…) Depois de ter pregado o golpe militar e apoiado a ditadura, a imprensa desembocou na campanha por Collor e no apoio a seu governo, até que foi levada a aderir ao movimento popular de sua derrubada.

O partido da imprensa – como ela mesma se definiu na boca de uma executiva da FSP – encontrou em FHC o dirigente politico que casava com os valores da mídia: supostamente preparado pela sua formação – reforçando a ideia de que o governo deve ser exercido pela elite -, assumiu no Brasil o programa neoliberal que já se propagava na América Latina e no mundo.

Venderam esse pacote importado, da centralidade do mercado, como a “modernização”, contra o supostamente superado papel do Estado. Era a chegada por aqui do “modo de vida norteamericano”, que nos chegaria sob os efeitos do “choque de capitalismo”, que o país necessitaria.

O governo FHC, que viria para instaurar uma nova era no país, fracassou e foi derrotado, sem pena, nem glória, abrindo caminho para o que a velha imprensa mais temia: um governo popular, dirigido por um ex-líder sindical, em nome da esquerda.

A partir desse momento se produziu o desencontro mais profundo entre a velha imprensa e o país real.

Apostando na morte de Chávez, vitorioso nas eleições de domingo, imprensa brasileira começou companha oposicionista

Flávia Marreiro, enviada especial da Folha de S. Paulo, um jornal direitista, viu coisas que a imprensa reacionária da Venezuela não conseguiu enxergar, ou teve a ética de não promover propaganda fúnebre.

Escreve Marreiro: Na “maré vermelha” que tomou o mapa da Venezuela neste domingo com vitórias governistas em 20 dos 23 Estados, a reeleição de Henrique Capriles, o principal líder da oposição, foi o ponto de honra dos antichavistas.

Capriles, derrotado por Chávez em outubro, seguirá no poder em Miranda, o segundo colégio eleitoral do país, e, com a apertada vitória de ontem em seu, consolida seu caminho como candidato da oposição em caso de novas eleições presidenciais no curto e médio prazo.

Há nove dias, Chávez, convalescente em Cuba da quarta cirurgia oncológica desde junho de 2011, admitiu que a doença pode tirá-lo definitivamente do poder. Se isso ocorrer até 2016, nova votação para eleger um novo presidente tem de ser convocada em 30 dias.

Veja a capa de um jornal oposicionista da Venezuela hoje:
 ve_nacional.o choro

La oposición venezolana perdió varios estados que se consideran estratégicos por la ubicación geográfica y potencial económico que tienen dentro del país. Esto constituye un retroceso importante para la derecha, que en octubre pasado también perdió las elecciones presidenciales.

En las elecciones regionales de este domingo, la oposición venezolana perdió 4 estados que se consideran estratégicos por la ubicación geográfica y potencial económico que tienen dentro de la nación suramericana Carabobo, Táchira , Nueva Esparta y Zulia.

España. La prensa de derechas agoniza

Espero junto a un amigo en el hospital, sentado junto a recepción, cuando llega un repartidor con un gran fajo de periódicos. Los deposita en una mesa, junto a un jarrón con flores de plástico, y se marcha sin saludar. La recepcionista se levanta, corta las correíllas de plástico con unas tijeras, y libera 25 ejemplares de La Razón, que quedan de manera gratuita al alcance de enfermos y familiares. Yo ni amago con levantarme a por un ejemplar. Ya tengo el mío: venía de regalo con La Tribuna de Talavera que compré por la mañana temprano para leer mientras desayunaba. Cuando un rato después abro la puerta de casa me encuentro con el correo: algunas cartas, unos recibos y el ejemplar del día de ABC. Jamás pagaría por semejante bazofia, pero me lo regalan por estar suscrito a National Geographic.

Cuando entro en el salón me siento extraño. El cuerpo me pide ponerme un batín de seda, sentarme en un sofá de cuero, aparcado frente a una chimenea de mármol atiborrada de cálida leña de encina. Me apetece mover cadenciosamente una gran copa de coñac tibio, y deseo con todas mis fuerzas que una pareja de galgos afganos retoce a mis pies, adormecidos por la música de Bertín Osborne que suena en el estéreo. No tengo servicio, pero me gustaría poder ordenar a alguien que me preparase un aperitivo y me lustrase las botas. ¿Qué me sucede? ¿Acaso me estoy aburguesando? ¿O simplemente son las secuelas de llevar bajo el brazo el ABC y La Razón?

La prensa de derechas agoniza. Sí, se que cuesta trabajo creerlo viendo el volumen del sonido de los informativos de Intereconomía o escuchando los sermones de fray Marhuenda en las tertulias televisivas. Gallitos de pelea defendiendo las subvenciones de Rajoy, bien en forma de publicidad estatal, de exclusivas filtradas o de un futuro puesto de trabajo. Pero lo cierto es que, asúmanlo, la prensa de derechas agoniza. Lo dicen las cifras…

Los últimos datos ofrecidos por el Estudio General de Medios (EGM) y la Oficina de Justificación de la Difusión (OJD) aseguran que en un añoABC ha perdido un 11% de sus lectores. La Razón ha caído en ese periodo un 19% en sus ventas y un 16% en difusión. La Gaceta directamente se desploma: sus ventas han bajado un 44% y su difusión ha caído un 39%. Las ventas de El Mundo han caído un 25% (las de El País “solo” un 16%).

Cuando la muerte de la prensa conservadora sea un hecho quedarán huérfanos cientos de ciudadanos, puede que incluso miles. Pero este Gobierno nuestro no piensa, no podía ser de otra manera, abandonarles a su suerte: ¡son sangre de su sangre! Para todos esos consumidores de periódicos nostálgicos, que ven cómo sus dosis de caspa informativa disminuye día tras día, la televisión pública anuncia tras el telediario de mediodía “Los años del NO-DO (1939-1940). Vencedores y vencidos”. Y es que en este país el que no está bien informado, a la última, es porque no quiere…

Por que merece palmas o editor grego que ousou publicar a lista das pessoas com conta secreta na Suíça

por Paulo Nogueira

Costas Vaxenamis deu voz àquela parcela da população da qual os governos exigem sacrifícios ilimitados

Vaxenanis
Vaxenanis

O Diário saúda a transparência, uma de nossas crenças fundamentais.

E aplaude, em nome dela, o jornalista grego Costas Vaxenanis, editor de uma revista semanal chamada Hot Doc.

Vaxenanis publicou uma lista com 2 000 pessoas da elite grega política e econômica que têm contas secretas na Suíça e são suspeitos de sonegar impostos. Ele chegou a ser detido pela polícia, mas a justiça decidiu que ele não será processado.

A lista foi passada à diretora executiva do FMI Christine Lagarde quando ela era ministra de Economia da França, em 2010. O vazamento, aparentemente, foi feito por um funcionário do HSBC.

Christine encaminhou a lista às autoridades gregas. E nada aconteceu. Até que, afinal, os nomes chegaram a Vaxenanis. E ele tomou a melhor decisão: publicou.

A jeito grego de lidar com impostos se espalhou pelo mundo – com resultados catastróficos para o interesse público em todas as partes. Basicamente, trata-se de não pagar impostos, mediante expedientes de toda natureza.

A Grécia quebrou com isso, e os países que seguiram seu caminho vão tendo o mesmo destino. Economia nenhuma funciona quando grandes empresas e milionários escapolem, ainda que por vias legais, da carga justa de tributos.

Uma hora simplesmente falta dinheiro para o Estado cumprir suas obrigações – e então a conta tem sido passada para a sociedade, entendidos aí pensionistas, viúvas, deficientes físicos etc. Governos pedem austeridade – renúncia a direitos, para sermos mais claros – ao povo enquanto uma pequena elite acumula cada vez mais dinheiro ao fugir dos impostos.

Os protestos que se espalham pelo mundo derivam exatamente disso. Na Grécia, na Espanha, em Portugal, nos Estados Unidos, na Inglaterra, para ficar em alguns casos apenas, os manifestantes estão dizendo mais ou menos o seguinte: “Chega de bater minha carteira.”

O editor grego Vaxenanis deu voz e argumentos aos seus conterrâneos agrupados nos chamados “99%” da população – aquela porção da sociedade de quem o “1%” gostaria que se dispusesse a ser voluntariamente esfolada.

Me pergunto, aqui, por que nenhuma lista dessa natureza surgiu ainda no Brasil. Também me pergunto por que há tão pouca transparência, no país, em relação aos impostos. E finalmente fico na dúvida sobre o que a mídia tradicional brasileira faria caso alguém vazasse uma coisa dessas.

O que Vaxinanis fez se chama jornalismo. Com maiúsculas. Com exclamação.

Clap, clap, clap, portanto, para ele.

De pé.

 

La canalla mediática asume representación de intereses de la derecha

Entrevista con el politólogo argentino Atilio Boron

 

 

Canalla mediática tiene un poder fenomenal que ha venido a sustituir a los partidos políticos de la derecha que han caído en el descrédito y que no tienen capacidad de concitar la atención ni la voluntad de los sectores conservadores de la sociedad. En este sentido se cumple aquello que muy bien profetizó Gramsci hace casi un siglo cuando dijo que ante la ausencia de organizaciones de la derecha política, los medios de comunicación, los grandes diarios, asumen la representación de sus intereses y eso se está dando en América Latina. En algunos países la derecha conserva una cierta capacidad de expresión orgánica, creo que el caso de Colombia es uno de ellos, pero en la Argentina no, porque en este país no existen dos partidos como el liberal y el conservador colombianos, y lo mismo pasa en Uruguay y Brasil. El caso colombiano revela la sobrevivencia de organizaciones clásicas del siglo XIX de la derecha que se han mantenido incólumes a lo largo de 150 años. Es parte del anacronismo de la vida política colombiana que se expresa a través de dos formaciones políticas decimonónicas, cuando la sociedad colombiana está mucho más evolucionada. Es una sociedad que tiene una capacidad de expresión a través de diferentes organizaciones, movilizaciones e iniciativas populares que no encuentran eco en el carácter absolutamente arcaico del sistema de partidos legales en Colombia.

– Con esa descripción que encaja perfectamente en la realidad política colombiana, qué podríamos hablar entonces de sus medios de comunicación…

– Los medios de comunicación en aquellos países en que los partidos han desaparecido o se han debilitado, son el sustituto funcional de los sectores de la derecha. Leer más 

 

Bahia. Greve ensina aluno a lutar pelos seus direitos

Quanto melhor o ensino, maior a chance de passar no vestibular.

Estudar sim, para ter um salário justo. De que serve ganhar um pisoteado piso?

O salário piso que se paga hoje é o mesmo que se pagará amanhã e sempre.

O jornal A Tarde paga um salário de fome para os jornalistas. As empresas anunciantes do jornal A Tarde pagam salários humilhantes.

Os estudantes do ensino médio e das universidades precisam aprender a lutar por uma vida melhor.

Que mundo é este que, para ser escravo, é preciso estudar? Ensina a canção dos estudantes de Portugal. Escute