Desembargador José Patriota censura blogueira Noelia Brito para proteger Eduardo Campos

Por Antonio Nelson

 

 Ramiro Zardoya
Ramiro Zardoya

A intimação é do desembargador José Carlos Patriota Malta, com a finalidade de censurar a procuradora do Recife, advogada, blogueira, e ciberativista Noelia Brito. O fato aconteceu nesta quinta-feira 28. Retirar matéria que denuncia possíveis irregularidades em processo licitatórios realizadas pelo Estado de Pernambuco e pela Prefeitura de Ipojuca. O post compromete o governador Eduardo Campos (PSB) e o prefeito de Ipojuca (PE) Carlos José de Santana (PSDB) imediatamente! Diário de Pernambuco e Jornal do Commercio – veja como o JC tornou-se porta voz do Consócio Novo Recife – não veicularam. Nenhuma mídia corporativa da capital pernambucada tratou do assunto, até agora.

O Jornal de Todos os Brasis – GGN transcreve todos os textos censurados. Leia aqui

E mais: que a filha do prefeito de Ipojuca é noiva do filho de Eduardo Campos. “Tudo com Eduardo é assim, tem que ter relação familiar no meio”.

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Marina Silva prefere a vida mansa de vice

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Com o jeitinho manso de madre superiora da Igreja Católica, apesar de evangélica da Assembléia de Deus, Marina Silva queria um partido exclusivo, mas não foi para a rua buscar as assinaturas suficientes. Ficou na espera. No balanço de uma rede de dormir.

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), um dos articuladores da Rede Sustentabilidade,  afirmou em seu blog que a “autoilusão” e a “autocomplacência” fizeram com que Marina não conseguisse o número necessário de assinaturas válidas para obter o registro. Ele afirmou também que Marina é uma “líder extraordinária”, mas tem “limitações” e “não sabe reagir a críticas”.

Três partidos – PPS, PEN e PHS – convidaram Marina para se filiar como candidata a presidente, mas ela preferiu o PSB de Eduardo Campos, outro que “não sabe reagir a críticas”. É chamado pelos amigos e inimigos de “Imperador”. O jornalista Ricardo Antunes criticou o autoritarismo de Dudu, e terminou preso por seis meses, via um rocambolesco processo de ‘negociação’ de uma notícia por um milhão de dólares, coisa jamais vista na história da imprensa mundial.

Com sua entrada no PSB, Marina perdeu o cavalo selado que só passa uma vez. Não conhece o ditado pernambucano: quem não é Cavalcanti é cavalgado. Dudu acabou com este domínio e outros. O último governador da família Cavalcanti, Joaquim Francisco (1991-95), está na campanha de Eduardo.

Marina tem, na última pesquisa do Ipobe, realizada em setembro último, 16% das intenções de voto; e Eduardo, 4%. Se Marina projetava ser candidata a presidente, pode tirar o cavalinho da chuva. O Imperador vai fazer de Marina escada.

Marina precisa se contentar em ser vice. Parece que prefere. Não nasceu para comandar.

Quem tem medo dele? “Muita gente”

O_Cordel_do_Coronel

O único jornalista que fazia oposição ao governador Eduardo Campos está preso. A justiça considera Ricardo Antunes um indivíduo de “alta periculosidade”. Um perigo para a “ordem pública”.

Natural que ex-governadores, senadores e deputados tenham medo dele o “imperador”, o “coronel”, o “general”.

Deu a louca em Luiz Maklouf Carvalho entrevistar Eduardo Campos. Conversa de cabra da peste com cabra da peste. Veja só esse trecho:

Provocado – “O senhor leva mesmo um jeitão de coronel…” –, Campos não esconde o desconforto. Leva a cadeira para a frente e para trás, dá uma brusca freada de general e responde:
– Isso só acontece quando alguém nasce por aqui. Nunca vi um rótulo desses num político carioca, paulista ou mineiro. Então lamento, porque é uma coisa desqualificando. Que maneira tenho de botar ordem aqui? “É um coronel.” Tá bom. (Falar) é um direito (deles). Fazer o quê?

Comenta Magnus Martins:

O repórter da Época que veio a Pernambuco e passou quase um mês entrevistando mais de 200 personagens para a capa da revista desta semana, que traz o governador Eduardo Campos (PSB) em destaque, saiu daqui boquiaberto.
Não encontrou um só político no campo da oposição com disposição de declarar guerra ou algo que desgostasse o socialista. Daí, a razão do título bem sugestivo: “Quem tem medo dele?”
A ideia da matéria era apontar o governador como um imperador, que governa com mão de ferro, deixando os poderes Legislativo e Judiciário reféns dos seus interesses.
Muita gente – leiam-se deputados desgostosos com o tratamento recebido, ex-aliados, neoaliados e tantos outros – deu dicas sob a garantia do off, mas a declaração mais dura partiu do tucano Daniel Coelho, que disse que o governador concilia práticas coronelistas com eficiência de gestão.
O senador Humberto Costa, ainda ressabiado com a derrota para Geraldo Júlio, também sinalizou endurecimento recorrendo aos ensinamentos de Maquiavel, de que o mandatário não deve ser amado, mas temido.
O quadro político em Pernambuco encontrado pelo repórter Luiz Maklouf Carvalho, enviado por Época, é fruto da absoluta e evidente inexistência de oposição. Nunca se viu algo igual. Até o senador Jarbas Vasconcelos, esmagado nas urnas pelo governador em 2010, se rendeu.
Na Assembleia, ninguém dá um pio. Daniel Coelho é andorinha solitária, que não faz verão, como diz a música. Com a eleição de Geraldo Júlio, Eduardo ficou mais poderoso e temido. Vai surgir alguém um dia com coragem cívica para enfrentar o governador?

O bloco governista é tão grande que se aparecer algum herói com tamanha disposição certamente sairá da própria base oficial e não da minúscula, medrosa e inoperante oposição de hoje.