Hoje há necessidade do oxigénio do Evangelho para reacender a esperança nos corações

De acordo com o papa, nos tempos atuais há uma indiferença com relação à fé, que para alguns não é considerada importante para a vida humana. O pontífice recordou que muitas pessoas têm se afastado da Igreja. “Diante desta situação, os cristãos devem fazer visível aos homens de hoje a misericórdia de Deus, sua ternura para todas as criaturas”, afirmou. Disse que a Igreja precisa acolher a todos e ajudá-los a “respirar o amor e a esperança”, mas também é necessário “sair e levar este amor e esta esperança”. Pediu, ainda,  para que os cristãos mostrem um modo concreto de viver a fé, por meio do amor, harmonia, alegria, sofrimento.

“A Igreja é enviada para despertar esta esperança, especialmente em lugares marcados por condições difíceis, às vezes desumanas, onde a esperança não respira, se asfixia. Necessitamos do oxigênio do Evangelho, do sopro do Espírito de Cristo Ressuscitado, para que volte a reascender a esperança nos corações”, acrescentou.

 

A orquestra de Deus

A Igreja é como uma grande orquestra, «a orquestra de Deus», na qual  todos se expressam, cada um com as próprias características e as suas peculiaridades dando vida a uma sinfonia harmoniosa cujo maestro é o Espírito Santo. É a imagem da Igreja proposta pelo Papa Francisco esta manhã, quarta-feira 9 de Outubro, durante a audiência geral. Com efeito, prosseguindo a série das catequeses dedicadas ao Credo o Santo Padre aprofundou a «característica» que se refere  à «Igreja una, santa, católica…», explicando os seus significados começando pela catolicidade, termo que deriva «do grego “kath’olòn” que significa “segundo o todo”, a totalidade». Por conseguinte, a Igreja é católica porque «é o espaço, a casa na qual nos é anunciada “a fé na sua totalidade”, na qual a salvação que Cristo nos trouxe é oferecida a todos».

Quanto à universalidade da Igreja o Papa Francisco esclareceu que a palavra serve para fazer compreender que a Igreja é uma casa aberta à «totalidade das pessoas». Não só: significa ainda que ela está presente em toda a sua universalidade também no mais pequeno dos seus componentes, como pode ser uma comunidade paroquial.

Por fim a unidade. Unidade, esclareceu o Pontífice, que deve ser entendida na diversidade de cada uma das pessoas que dela fazem parte. Aliás, insistiu o Papa, a sua riqueza consiste  precisamente na diversidade. E «este é  positivo na Igreja: cada qual dá o seu, o que Deus lhe concedeu, para enriquecer os outros». Por este motivo «se há mexericos – admoestou – não há harmonia, mas luta. E esta não é a Igreja. A Igreja é a harmonia de todos: nunca intrigas um contra o outro; nunca litígios».

Aceitemos portanto o outro, «aceitemos que haja uma variedade justa», recomendou o bispo de Roma porque a uniformidade mata a vida. A vida da Igreja é variedade, «e quando queremos impor esta uniformidade a todos, matamos os dons do Espírito Santo». Por conseguinte, é necessário manter viva esta diversidade que enriquece a Igreja.

 

Papa Francisco: “A Igreja tem que voltar a ser uma comunidade do povo de Deus”

Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)
Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)

Sempre com ele

GIOVANNI MARIA VIAN

A segunda visita na Itália do seu primaz, o bispo de Roma que veio “do fim do mundo” o qual escolheu o nome do santo de Assis, visitou outra ilha depois de Lampedusa. Aquela viagem, primeira do Pontificado, a uma das periferias mais dramáticas do nosso tempo tinha querido expressar com uma força evidente a atenção ao fenómeno mundial das migrações. De modo análogo durante o dia passado em Cagliari o Papa Francisco disse palavras que foram muito além dos confins da Sardenha.

Tendo chegado a Nossa Senhora de Bonaria como que para pagar uma dívida do coração, o Pontífice falou de facto da falta de trabalho e de uma organização social cada vez mais desumana, de solidariedade e da crise epocal que difunde o veneno da resignação. E fê-lo com eficácia extraordinária, não como “um empregado da Igreja que vem e vos diz: Coragem! Não, não quero isto! Gostaria que esta coragem viesse de dentro e me estimulasse a fazer tudo como pastor, como homem”. Para enfrentar “com solidariedade e inteligência este desafio histórico”, acrescentou.

Quem ouviu estas palavras compreendeu que o Papa Francisco reza, age e fala como um cristão e como um homem que se põe em questão. Com efeito, enfrentou o drama alastrador constituído pela falta de trabalho fazendo antes de tudo uma confidência, quando falou da grande crise dos anos trinta e da sua família de emigrantes italianos na Argentina: “Não havia trabalho! E eu ouvi, na minha infância, falar deste tempo, em casa. Eu não o vi, ainda não tinha nascido, mas senti dentro de casa este sofrimento”.

L’Osservatore Romano noticia:

Concentrou-se em pouco mais de dez horas densas de encontros a visita do Papa Francisco a Cagliari, onde no domingo 22 de Setembro foi acolhido com calor e entusiasmo por quase quatrocentas mil pessoas de toda a Sardenha. O dia foi significativamente aberto pelo encontro com o mundo do trabalho. Num contexto marcado por um dramático desemprego, sobretudo juvenil, o Pontífice recordou que “quando não há trabalho não há dignidade”, consequência de “um sistema económico que tem no centro um ídolo”, o dinheiro. E o tema da falta de trabalho voltou durante a missa celebrada diante do santuário de Nossa Senhora de Bonaria: no início da homilia o Pontífice falou do “direito de levar o pão para casa” e disse que a Virgem ensina a ter um olhar que acolhe: doentes, abandonados, pobres, distantes, jovens em dificuldade.

De tarde, na catedral, ao encontrar-se com quantos são assistidos pela Igreja, o Papa alertou contra o risco de que, numa sociedade dominada pela cultura do descarte, a palavra “solidariedade” seja “cancelada do dicionário” porque “incomoda”. Enquanto que, no encontro seguinte com o mundo da cultura, falou da crise – definida “de mudança epocal” – como perigo e como oportunidade. Por fim, aos jovens o Papa Francisco pediu para não dar ouvidos a quantos “vendem morte”, nem desanimar face às falências e dificuldades. Que confiem só em jesus. Que se abram a Deus e aos outros, na fraternidade, na amizade e na solidariedade.

O ESMOLER DO PAPA

O Papa Francisco foi explícito quando lhe confiou o novo encargo: «Não serás um bispo de secretária, nem te quero ver atrás de mim nas celebrações. Quero-te sempre no meio das pessoas. Tu deverás ser o prolongamento da minha mão para levar uma carícia aos pobres, aos deserdados e aos últimos.

Em Buenos Aires com frequência saia para ir ao encontro dos mais pobres. Agora já não posso: é difícil sair do Vaticano. Então tu fá-lo-ás por mim, serás oprolongamento do meu coração que os alcança e lhes leva o sorriso e a misericórdia do Pai celeste». E  a partir daquele dia, desde quando o Pontífice lhe comunicou a decisão de o nomear seu esmoler – decisão  publicada a 3 de Agosto – padre Konrad  Krajewski («padre» é o único título com que gosta de ser chamado) vai a toda a parte  da cidade  e os arredores para levar a solidariedade do bispo de Roma às periferias mais degradadas e desesperadas. Já começou a visitar os hóspedes de alguns lares para a terceira idade. «Enche-me de alegria – diz-nos – saber que agora quando abraço um desses nossos irmãos mais necessitados   lhe transmito todo o calor, o amor e a solidariedade do Papa. E ele, o Papa Francisco, com frequência me pede o balanço.  Quer saber».

«O Papa quer que  eu tenha contacto directo com eles, que os encontre nas suas realidades existenciais, nos refeitórios, nas casas de acolhimento, nos lares ou nos hospitais. Cito-lhe um exemplo. Se alguém pedir ajuda para pagar uma conta, é melhor que eu vá, se possível, a sua casa levar pessoalemte o auxílio, para fazer compreender que o Papa, através do esmoler, lhe está próximo; se alguém pede ajuda porque se sente sozinho e abandonado, devo correr até ele e abraçá-lo para lhe fazer sentir o afecto do Papa, portanto da Igreja de Cristo. Ele gostaria de o fazer pessoalmente, como fazia em Buenos Aires, mas não pode. Por isso quer que eu faça por ele».

E isto sem descuidar a actividade caritativa normal, que se traduz em muitos pequenos gestos diários realizados no silêncio e na mais absoluta discrição nos escritórios da Esmolaria no Vaticano. «Pequenos gestos – disse – que contudo abrangem mais de 6.500 pessoas por ano. Índice de uma pobreza muitas vezes vivida no escondimento e no anonimato, que infelizmente nestes últimos tempos começou a afligir também regiões e categorias de pessoas que até  há pouco tempo gozavam de um certo bem-estar»

 Mario Ponzi
OBAMA E O PAPA FRANCISCO
Nota do redator deste blogue: O Papa afirmou que nunca foi direitista. Ele era assim considerado, por muitos, inclusive na Argentina.
Agora pretendem que seja da esquerda. Não existe esta opção: quem não é direitista é comunista.

O presidente Obama, que já foi chamado de comunista, confessa está “impressionado” com a “humildade” do Papa Francisco. “Me senti enormemente impressionado com as declarações do Papa. Não sobre um tema em particular, mas porque primeiro é alguém que encarna os ensinamentos de Cristo”. E acrescentou: Tem uma “humildade incrível, um sentido de empatia pelos menos favorecidos, os pobres. É alguém que pensa em atrair as pessoas, e não em afastá-las, em encontrar o que têm de bom.

Este espírito, este sentido de amor e unidade, parece se manifestar não apenas no que diz, mas também em seus atos. É uma qualidade que admiro de parte de qualquer dirigente religioso”, concluiu Obama, que luta por uma importante reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos.

A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA E O COMUNISMO

Reclamam que o Papa Francisco fala demasiado. Que é um “papagaio”. Quem seja, um papagaio das palavras de Jesus.

Publica o Jornal A República, Espanha:

El Papa Francisco vuelve a hacer declaraciones sorprendentes que están desconcertando a propios y a extraños, pero que en cualquier caso no están gustando al ala más conservadora de la Iglesia, desde donde ya se dice que “más que un Papa es un papagayo”. Esta vez ha sido en unas declaraciones al diario italiano La Repubblica,  tras las que deja traslucir una visión de la Iglesia católica muy alejada de lo que es. Los teletipos reproducidos por varios medios destacan que ha arremetido contra la Curia, a la que ha llamado “la lepra del papado”  “La Iglesia tiene que volver a ser una comunidad del pueblo de Dios y los presbíteros, los párrocos y los obispos deben estar al servicio del pueblo de Dios”, asegura también el papa Jorge Bergoglio, alertando de que “la Iglesia han sido a menudo narcisistas, adulados por sus cortesanos” y “la Corte es la lepra del papado”.

En la entrevista explica que de joven en la universidad tuvo una estrecha relación “de respeto y amistad” con una profesora que era “comunista ferviente”, una mujer que fue “después arrestada, torturada y asesinada” por la dictadura argentina. Explica  que el “materialismo” marxista no le atrae pero que conocer el comunismo “a través de una persona valiente y honesta me ha sido útil, he entendido algunas cosas, un aspecto de lo social, que después reencuentras en la doctrina social de la Iglesia”.

Preguntado sobre si ve “justo” que Juan Pablo II combatiese la teología de la liberación tan presente en América Latina, señala  que “ciertamente daban un sesgo político a su teología, pero muchos de ellos eran creyentes y con un alto concepto de humanidad”.

“El clericalismo no debería tener nada que ver con el cristianismo”

El entrevistador  bromea con el Papa diciéndole que aunque no es anticlerical, se vuelve así “cuando encuentro un clerical”, a lo que  Francisco ironiza: “Eso me pasa a mí también. Cuando estoy ante un clerical me vuelvo anticlerical de golpe. El clericalismo no debería tener nada que ver con el cristianismo. San Pablo, que fue el primero que habló a los gentiles, a los paganos, a los creyentes de otras religiones, fue el primero en enseñárnoslo”.

Papa Francisco: “Os velhos necessitam cuidados e companhia. Os jovens trabalho e esperança”

velho idoso ancião aposentadoria

 

 

OLHAR PARA O FUTURO

Da conversa do Papa Francisco com Eugenio Scalfari publicada em Repubblica chamam imediatamente a atenção o tom de confronto aberto e amistoso, o desejo de se compreender reciprocamente e o facto, sempre mais evidente, de que o Pontífice não hesita em pôr-se em questão em primeira pessoa. «Posso abraçá-lo por telefone?» irrompe o fundador do diário romano. «Claro, também eu o abraço. Depois fá-lo-emos pessoalmente, adeus» responde com simplicidade o Papa Francisco. O encontro é uma consequência da carta que o Pontífice enviou a Scalfari e ajuda ainda mais a compreender o coração do Papa Francisco: «É preciso conhecer-se, ouvir-se» e – disse – «acontece-me que depois de um encontro me venha a vontade de ter outro porque surgem novas ideias e descobrem-se necessidades novas». Eis que é a atenção às pessoas e à sua unicidade a característica que dele imediatamente conquista e atrai.

Um enlace jocoso de palavras sobre a intenção recíproca de conversão permite que o Pontífice mencione a questão do proselitismo: não tem sentido, porque – como quis recordar aos catequistas com as palavras de Bento XVI – «a Igreja não cresce por proselitismo, cresce por atracção», um «fermento que serve para o bem comum. Trata-se ao contrário do testemunho, que cada cristão deve prestar, assim como deve transparecer da Igreja no seu conjunto: uma minoria, sem dúvida, mas também força de transformação.

«O ideal de uma Igreja missionária e pobre» anima como um fogo escondido as palavras do Papa Francisco, que sem hesitações responde às perguntas de Scalfari e olha para o caminho dos cristãos na história falando significativamente dos santos – Paulo, Agostinho, Francisco, Inácio – e repetindo que o objectivo é «ouvir as necessidades, os desejos, as desilusões, o desespero, a esperança. Devemos dar de novo esperança aos jovens, ajudar os idosos, abrir ao futuro, difundir o amor. Pobres entre os pobres. Devemos incluir os excluídos e pregar a paz».

Palavras que evocam não ocasionalmente o início do documento conciliar sobre a Igreja no mundo contemporâneo: «A alegria e a esperança (gaudium et spes), a tristeza e a angústia dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de quantos sofrem, são também a alegria e a esperança, a tristeza e a angústia dos discípulos de Cristo, e não há nada genuinamente humano que não tenha eco no seu coração». De facto, o Papa Francisco olha para o Vaticano II, «inspirado por João XXIII e por Paulo VI», porque por sua vez – frisa claramente – o concílio «decidiu olhar para o futuro com espírito moderno e abrir à cultura moderna».

Não são afirmações vazias as que foram feitas por aquele que na entrevista se define, além do título tradicional de bispo de Roma, «Papa da catolicidade». Com efeito, no diálogo fala com tons pessoalíssimos de si mesmo, revelando a iluminação humilde que teve logo após à eleição em conclave e que o induziu a aceitá-la. E é precisamente este pôr-se em questão que lhe permite falar das realidades mais profundas: a graça, a alma, Deus e o futuro, sobre o qual orienta o olhar. Porque «também a nossa espécie acabará, mas a luz de Deus não acabará».

 

PARA CONHECER JESUS

Para conhecer verdadeiramente Jesus é preciso falar com ele,  dialogar com ele enquanto o seguimos no seu caminho.

«Não se pode conhecer Jesus – foi a sua resposta – sem ter problemas». Paradoxalmente, acrescentou, «se quiseres ter um problema, vai pelo caminho que te leva a conhecer Jesus» e então surgirão muitos problemas. Em todo caso, não se pode conhecer Jesus «na primeira classe» ou «na tranquilidade», nem «na biblioteca». Só conhecemos  Jesus no caminho diário da vida.

Podemos conhecê-lo, afirmou o Santo Padre, «também no catecismo. É verdade! O catecismo – frisou – ensina-nos muitas coisas sobre Jesus e devemos estudá-lo, aprendê-lo. Assim aprendemos que o Filho de Deus veio para nos salvar e compreendemos o amor do Pai  na beleza da história da salvação». Entretanto, o conhecimento de Jesus através do catecismo «não é suficiente»: conhecê-lo com a mente é já um passo em frente, mas «é necessário conhecer Jesus no diálogo com ele. Falando com ele, na oração, de joelhos. Se não rezas, se não falas com Jesus – disse – não o conheces».

 

A CORTE DO VATICANO É A LEPRA DO PAPADO

El papa Francisco aseguró que el defecto de la Curia romana, el gobierno de la Iglesia, es que se ocupa sólo de los problemas de la Santa Sede olvidando el mundo que le rodea, en una entrevista publicada hoy en el diario La Repubblica.

La Curia “tiene un defecto: es Vaticano-Céntrica. Ve y se ocupa de los intereses del Vaticano y olvida el mundo que le rodea. No comparto esta visión y haré de todo para cambiarlo”, explicó el papa en la entrevista al fundador del rotativo, Eugenio Scalfari, que se publica hoy en concomitancia con la primera reunión que mantendrá el papa con el llamado G8 de la Iglesia, el Consejo de ocho cardenales nombrados por Francisco para analizar la posible reforma de la Curia romana.

Para el exarzobispo de Buenos Aires, en el pasado “los jefes de la Iglesia han sido a menudo narcisistas, adulados por sus cortesanos” y agregó que “la Corte es la lepra del papado”. “La Iglesia tiene que volver a ser una comunidad del pueblo de Dios y los presbíteros, los párrocos y los obispos deben estar al servicio del pueblo de Dios”, añadió el papa Jorge Bergoglio. Sobre su visión de la Iglesia, explicó que no se debe basar en el “proselitismo” sino “en escuchar las necesidades, las desilusiones, la desesperación y dar esperanza a los jóvenes y ayudar a los viejos, abrir al futuro y difundir el amor. Ser pobres entre los pobres”.

Bergoglio indicó en esta entrevista de tres páginas que en el Concilio Vaticano II se decidió “mirar al futuro con espíritu moderno y abrir a la cultura moderna, que significaba ecumenismo religioso y diálogo con los no creyentes”. Pero el pontífice reconoció que “hasta ahora se ha hecho poco” y anunció que él tiene “la humildad y la ambición” de llevar a acabo ese camino de la Iglesia hacia la modernidad. Respecto a los cambios que tiene previsto acometer, recordó como ha nombrado el Consejo de los ocho cardenales para que le aconsejen. “No son cortesanos sino personas sabias, animadas por mis mismos sentimientos. Esto es el inicio de una Iglesia con una organización no sólo vertical sino también horizontal”, destacó.

Durante la conversación con Scalfari, Francisco bromeó al asegurar que cuando tiene delante un “clerical” también él se vuelve “anticlerical de golpe” y es que, explicó, “el clericalismo nada tiene que ver con el cristianismo y que San Pablo fue el primero que habló con los paganos, los creyentes de otras religiones”. Por otra parte, aseveró que la Iglesia “no se ocupará de política”, pues “las instituciones políticas son laicas por definición y actúan en esferas diferentes”. “La Iglesia no irá más allá de su deber de expresar y difundir sus valores, al menos mientras yo esté aquí”, confirmó.

En la entrevista también se tocan asuntos de actualidad y Bergoglio consideró que “los grandes males que afligen el mundo son el desempleo de los jóvenes y la soledad en la que ha dejado a los viejos”. “Los viejos necesitan cuidados y compañía. Los jóvenes trabajo y esperanza”, indicó.

pensamento político jovem calouro indignados

El papa también criticó el “liberalismo salvaje” que hace que “los fuertes se hagan más fuertes, los débiles más débiles y los excluidos más excluidos”, y añadió que “se necesitan reglas de comportamiento y si fuera necesario también la intervención del Estado para corregir las desigualdades más intolerables”.

En la entrevista, el papa habla de los santos de su experiencia religiosa y, aunque matizó que no se puede hacer una clasificación de preferidos “como si fueran futbolistas argentinos”, los “más cercanos a su alma” son San Francisco y San Agustín. Sobre la “vocación mística” de algunos santos, Bergoglio explicó que no cree que tenga esta vocación, aunque desveló como tras ser elegido papa y mientras esperaba antes de asomarse al balcón de la basílica de San Pedro cerró los ojos y dejó de sentir “el ansia y la emotividad”

“Una gran luz me invadió, duró sólo un momento aunque me pareció muchísimo tiempo. Luego la luz se disipó, yo me levante de golpe y me dirigí a la mesa donde estaban los cardenales para firmar el acto de aceptación. Y firme”, relató. El papa termina la entrevista con Scalfari prometiendo un nuevo diálogo con el periodista, que se define ateo y a quien ya dirigió una carta sobre los no creyentes, en el que se afrontarán asuntos como el papel de la mujer en la Iglesia.

El papa Francisco contempla entre sus reformas nombrar cardenal a una mujer

por Juan Arias
El País/ Espanha

Maria Madalena era a discípula mais amada por Jesus
Maria Madalena era a discípula mais amada por Jesus
No Novo Testamento aparecem pelo menos três mulheres chamadas de Madalena - um gentílico da cidade de Magdala. Jesus era chamado de Nazareno. Da cidade de Nazaré
No Novo Testamento aparecem pelo menos três mulheres chamadas de Madalena – um gentílico da cidade de Magdala. Jesus era chamado de Nazareno. Da cidade de Nazaré

* El Pontífice pretende recuperar el elemento femenino de los primeros tiempos del cristianismo

Francisco: “Es necesario el genio femenino. Hoy afrontamos ese desafío”

 

No se trata de una broma. Es algo que le ha pasado por la cabeza al papa Francisco: nombrar cardenal a una mujer. Quienes le conocen, dentro y fuera de la Compañía, desde antes de llegar a la cátedra de Pedro, aseguran que el primer papa jesuita de la Iglesia está llamado a sorprender cada día no sólo con sus palabras sino también, y sobre todo, con sus gestos. Eso está haciendo en los primeros seis meses de pontificado.

Quienes piensan que Francisco, con su sencillez de párroco de provincia, su lenguaje llano y su sonrisa siempre en los labios es un simple o un ingenuo, se equivocan. Este Papa, que no parece Papa, ha llegado a Roma desde la periferia de la Iglesia con un programa bien concreto: cambiar no sólo el aparato herrumbroso de la maquinaria eclesial sino también resucitar el cristianismo de los orígenes.

El simbolismo de sus gestos empezó desde que apareció en el balcón central de la Basílica de San Pedro, vestido de blanco, diciéndose “obispo” y pidiendo que la gente de la plaza lo bendijera. No perdió desde entonces un minuto para sembrar de gestos inesperados su primeros meses de pontificado con espanto de muchos, dentro y fuera de la Iglesia.

Y lo seguirá haciendo. Por ejemplo, con este plan de hacer cardenal a una mujer. Sabe que el tema femenino dentro de la Iglesia está sin resolver y que no puede esperar. Lo ha dejado claro con dos frases lapidarias en su última entrevista a Civiltá Católica: “La Iglesia no puede ser ella misma sin la mujer”. No es sólo una afirmación. Es una acusación. La frase se puede leer también así: “La Iglesia no está aún completa porque en ella falta la mujer”.

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Francisco considera que resolver el tema de la mujer dentro de la Iglesia ya es algo impostergable
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¿Cómo introducir en la Iglesia esa pieza esencial, sin la cual, la Iglesia “no puede ser ella misma”? Lo ha dicho en la misma entrevista: “Necesitamos de una teología profunda de la mujer”.

Y esa teología, da a entender el papa, no puede ser construida en el laboratorio del Vaticano, apadrinada por el poder. La están ya construyendo las mujeres dentro de la Iglesia: “La mujer está formulando construcciones profundas que debemos afrontar”, dice.

Francisco quiere resolver ese problema durante su pontificado porque está convencido que la Iglesia de hoy está manca y coja sin la mujer en el lugar que le correspondería, que sería ni más ni menos que el que ya tuvo en los inicios del cristianismo, donde ejerció un enorme protagonismo. Por lo menos hasta que Pablo acuñó su teología de la cruz y jerarquizó y masculinizó a la Iglesia.

El papa sabe que para llevar a cabo la revolución que tiene en mente necesita “escuchar” a la Iglesia, no sólo a la de arriba, sino también a la de abajo, donde se están llevando a cabo, por parte de la mujer, “construcciones profundas”.


Puede haber cardenales que no sean sacerdotes, basta que sean diáconos

Podría sin embargo, abrir camino él mismo con algunos gestos que obligarían a colocar con urgencia el tema de la mujer sobre el tapete, o si se prefiere sobre “el altar”. Y uno de esos gestos sería nombrar cardenal a una mujer. ¿Que es imposible? No. Hoy, según el derecho canónico, puede haber cardenales que no sean sacerdotes, basta que sean diáconos.

Pero es que la mujer, podría decir alguien, hoy no puede aún ser diaconisa, como lo era hace 800 años y sobre todo en las primeras comunidades cristianas. Pues esa es también una de las reformas que Francisco tiene en la cabeza. No se trata de ningún dogma. La mujer podría ser admitida al diaconado mañana mismo.

Como ha escrito Phyllis Zagano, de la Universidad de Loyola de Chicago, la mayor experta de la Iglesia en este tema, “el diaconado femenino no es una idea para el futuro. Es un tema de presente, para hoy”. Y cuenta que había abordado el tema con el cardenal Ratzinger, antes de ser papa, y que le respondió: “Es algo en estudio”. A Benedicto XVI se le quedó en el tintero, pero el papa Francisco podría acelerar el proceso. Ya hoy, la Iglesia Apostólica Armenia y la Ortodoxa Griega, ambas unidas a Roma, cuentan con diaconisas.

Llegada la mujer al diaconado, puede ya, sin cambiar el actual Derecho Canónico, hacer a una mujer cardenal con el título de diaconisa. Más aún, bastaría cambiar la actual normativa para permitir que un laico, y por tanto una mujer, pueda ser elegida cardenal, ya que ha habido por lo menos dos casos en la Iglesia en que fueron nombrados cardenales dos laicos: el Duque de Lerma en 1618 y Teodolfo Mertel en 1858.


El cardenalato no implica consagración presbiterial ni episcopal, es un puesto de consejero del papa

Un jesuita me decía: “Conociendo a este papa, no le temblaría la mano haciendo cardenal a una mujer y hasta le encantaría ser él el primer papa que permitiese que la mujer pudiera participar a la elección de un nuevo papa”.

Cuando Francisco, en su larga entrevista, insiste en que no quiere hacer los cambios precipitadamente y que antes prefiere “escuchar” a la Iglesia, es porque esos cambios, algunos sorprendentes, los tiene ya en mente, quizás bien enumerados. Quiere sólo presentarlos con el aval no sólo de la jerarquía sino del pueblo de Dios.

Con este Papa, como diría Federico Fellini: “La nave va”. Con Francisco, los pilares de la Iglesia se empiezan a mover. Y muchos empiezan a temblar. De miedo. Dentro, no fuera de la Iglesia. Fuera empiezan a resonar más bien las notas del estupor y hasta de la incredulidad. “Con este papa casi me están dando ganas de hacerme católica”, escribió ayer una lectora en este diario.

Algo se mueve, y quizás irreversiblemente en la Iglesia justo en el momento en el que en el mundo laico y político, en el campo de la modernidad, los relojes parecen haberse parado todos a la vez.

Papa prepara “uma reviravolta” na Igreja

por Natália Faria

Francisco deu a sua primeira grande entrevista ao fim de seis meses de papado REUTERS
Francisco deu a sua primeira grande entrevista ao fim de seis meses de papado REUTERS

Uma “reviravolta na Igreja” é como o teólogo Anselmo Borges classifica a entrevista do Papa Francisco divulgada na quinta-feira por várias revistas jesuítas, incluindo a portuguesa Broteria.

“O Papa quer recentrar a Igreja no Evangelho. O que ele diz na entrevista é que, antes da religião, está esta busca pela justiça e pela felicidade das pessoas”, sublinhou o teólogo, aplaudindo de pé a crítica que o novo Papa faz ao “moralismo” e ao “legalismo” reinantes entre os membros da Igreja.

“Ele diz que o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, ou seja, a Igreja não pode continuar obcecada por temas como o sexo, não pode estar constantemente centrada nisso.”

Dando provas de uma postura inédita, Francisco faz questão de recusar para si e para a Igreja o papel de juízes relativamente a comportamentos como a homossexualidade e práticas como o aborto.

“Se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la […]. A religião tem o direito de exprimir a própria opinião para serviço das pessoas, mas Deus, na criação, tornou-nos livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível”, afirmou o Papa, apelando a uma postura mais compassiva, até porque “o confessionário não é uma sala de tortura, mas lugar de misericórdia”.

Depois de ter lido estas linhas, Anselmo Borges vê a defesa de uma Igreja “mais compassiva e menos julgadora”, capaz de abarcar “as pessoas feridas no sentido moral em vez de as excluir”. O que o teólogo não viu foi uma clarificação sobre se a Igreja “aceita ou não o exercício da homossexualidade” nas mesmas condições da heterossexualidade.

“Acho que ele não se pronunciou claramente sobre isso. Mas manifestou recentemente abertura à possibilidade de os divorciados recasados poderem comungar como todos os outros”, conclui Anselmo Borges.
O lugar das mulheres na Igreja
Relativamente ao aborto, a postura do Papa é igualmente compassiva: “Penso também na situação de uma mulher que carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois esta mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na via cristã. O que faz o confessor?”, interpela o Papa, depois de sublinhar que a grandeza da confissão consiste no “facto de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça”.

O que Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, que se tem batido contra a descriminalização do aborto, vê de novo nestas palavras é a linguagem, mais do que uma alteração da postura da Igreja. “A postura de fundo é a mesma, isto é, não deixa de haver no aborto a destruição de uma vida humana a que a Igreja se opõe”, interpreta.

Porque a Igreja “não é só para virtuosos, mas para os pecadores também”, a activista antiaborto sublinha que o Papa pressupõe, no exemplo que dá, o arrependimento da mulher. “É uma questão bem diferente de o homem tornar o acto que é negativo em positivo”, frisa. E insiste que o que o Papa Francisco está a dizer “é que a Igreja não deve excluir as pessoas que cometeram erros”. Com uma linguagem diferente, sim. “Nova, bonita, mais adequada ao século XXI”, adjectiva.

Embora assumidamente defensor de uma presença feminina “mais incisiva na Igreja”, o Papa é pouco taxativo quanto à sua tradução prática. Ao mesmo tempo que defende que “o génio feminino é necessário nos lugares em que se tomam as decisões importantes”, Francisco rejeita o que classifica como “machismo de saias”, parecendo com isso descartar a ordenação sacerdotal das mulheres. “Não me pareceu aberto a essa possibilidade”, interpretou Anselmo Borges.

“Acho que ele ainda não sentiu que tenha forças para dar acesso total às mulheres”, concorda Maria João Sande Lemos, do movimento Nós Somos Igreja, que se vem batendo há vários anos pela ordenação sacerdotal das mulheres. “Tenho pena que ele não tenha ido por aí, mas penso que esta guerra deve ser das mais difíceis e, por isso, imagino que ele sinta que tem de ir com cuidado.”

Para esta responsável, “enquanto o celibato dos padres não deixar de ser obrigatório, a ordenação das mulheres sairá sempre prejudicada”. Porquê? “Enquanto no subconsciente das hierarquias da Igreja as mulheres continuarem a ser o demónio e a representar o pecado, será difícil dar passos no sentido da plena igualdade”, responde.

“As mulheres já assumiram na sociedade civil a plenitude da sua cidadania, só na Igreja é que continuam a ser cidadãs de segunda”, sublinha ainda Maria João Sande Lemos. Mas, apesar de ter detectado um tom algo paternalista” nas palavras de Francisco relativamente a esta questão, a activista considerou a entrevista “excelente”.

“Acho que o que ele está a fazer é uma preparação da Igreja, da hierarquia e dos católicos mais à direita. Não quererá ter muitas frentes de batalha em simultâneo”, interpreta. (Público, Portugal)

Papa Francisco: “A religião tem o direito de expressar suas próprias opiniões a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: não é possível uma ingerência espiritual na vida pessoal”

Francisco no Rio de Janeiro
Francisco no Rio de Janeiro

 

O Papa Francisco concedeu uma entrevista, de aproximadamente seis horas, dividia em três dias, para Antonio Spadaro, padre jesuíta, diretor da revista Civiltà Cattolica. Ele entrevistou o Papa, representando o conjunto de 15 revistas diriigidas por jesuítas. Trata-se de revistas centenárias, como a própria Civiltà (Itália), Razón y Fe (Espanha), America (EUA), Études (França), Stimmen der Zeit (Alemanha), Thinking Faith (Grã-Bretanha),Mensaje (Chile).

A integra da entrevista foi publicada hoje, 19-09-2013, por este conjunto de revistas. A tradução brasileira da íntegra da entrevista pode ser lida aqui.

IHU On-Line selecionou algumas frases do Papa Francisco proferidas durante a entrevista.

– “Não podemos reduzir o seio da Igreja universal a um ninho protetor da nossa mediocridade.”

– “Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. Não tem sentido perguntar a um ferido se seu colesterol é alto ou o açúcar. É preciso curar as feridas. Depois falaremos do resto. Curar feridas, curar feridas… E é preciso começar pelo mais elementar”.

– “O povo de Deus necessita de pastores e não funcionários ‘clérigos de gabinete”

– “A religião tem o direito de expressar suas próprias opiniões a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: não é possível uma ingerência espiritual na vida pessoal”

– “Fui repreendido por isso (por não falar sobre aborto e contracepção). Mas, quando falamos sobre essas questões, temos que fazê-lo em um contexto. O ensinamento da igreja quanto a isso é claro, e eu sou um filho da igreja, mas não é necessário falar sobre esses assuntos o tempo inteiro”.

– “Uma vez uma pessoa, para me provocar, me perguntou se eu aprovava a homossexualidade. Eu então lhe respondi com outra pergunta: “Diga-me, Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência com afeto ou a rechaça e a condena?” Sempre é preciso ter em conta a pessoa. E aqui entramos no mistério do ser humano. Nesta vida, Deus acompanha as pessoas e é nosso dever acompanhá-las a partir de sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Quando isto acontece, o Espírito Santo inspira ao sacerdote a palavra oportuna”.

– “Não podemos seguir insistindo somente em questões referentes ao aborto, ao casamento homossexual ou uso de anticoncepcionais. É impossível.”

– “Se alguém tem respostas para todas as perguntas, estamos ante uma prova de que Deus não está com ele. Trata-se de um falso profeta que usa a religião para o seu próprio bem. Os grandes guias do povo de Deus, como Moisés, sempre deram espaço para a dúvida.”

– “Um cristão restauracionista, legalista, que quer tudo claro e seguro, não vai encontrar nada. A tradição e a memória do passado têm que nos ajudar a abrir espaços novos a Deus. Aquele que busca sempre soluções disciplinares, o que tende a “segurança” doutrinal de modo exagerado, o que busca obstinadamente recuperar o passado perdido, possui uma visão estática e involutiva. E assim a fé se converte numa ideologia entre outras. Para mim, tenho uma certeza dogmática: Deus está na vida de cada pessoa. Deus está na vida de cada um”

Esperança e paz para a Terra de Jesus

O abraço aos irmãos cristãos que sofrem e a quantos estão a viver momentos de tensão e temor

Uma exortação a «acreditar na força redentora da Cruz e da Ressurreição, para oferecer esperança e paz», especialmente à Terra Santa que «tem grande necessidade» foi dirigida pelo Papa Francisco à Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, por ocasião da peregrinação a Roma no Ano da fé. O Pontífice recebeu-os em audiência, na Sala Paulo VI, na tarde de sexta-feira, 13 de Setembro, vigília da festa da Exaltação da Santa Cruz. Depois da saudação que lhe foi dirigida em nome dos presentes pelo cardeal Edwin O’Brien, Grão-Mestre da instituição, o Santo Padre pronunciou o seu discurso, realçando o compromisso caritativo de damas e cavaleiros «a favor dos irmãos e das irmãs da Terra Santa, especialmente dos mais necessitados, de quantos estão a viver momentos de sofrimento, tensão e temor». E acrescentou, improvisando, «também dos nossos irmãos cristãos que sofrem tanto». A eles o Pontífice dirigiu «com grande afecto uma saudação e enviou um abraço» garantindo a própria oração quotidiana «por todos, cristãos e não-cristãos».

Além disso, o bispo de Roma recordou a Consulta Mundial da Ordem, «que a cada cinco anos é convocada para reflectir sobre a situação da comunidade católica na Terra Santa, avaliar as actividades desempenhadas e estabelecer as orientações para o futuro», e a peregrinação internacional, à qual aderiram milhares de membros dos 62 lugares-tenentes e as delegações magistrais de 35 países do mundo.

Médicos e padres

Dom Demétrio Valentini

Jales

 

Não é fácil, e talvez nem convenha, comparar médicos com padres, ou vice-versa. Mesmo que, para se ressaltar a importância da profissão de médico, se costume dizer que ela é um verdadeiro “sacerdócio”. Mas aqui a comparação entre médicos e padres, é colocada a propósito da polêmica instaurada nacionalmente, a respeito da contratação, ou não, de médicos estrangeiros para exercerem sua profissão em municípios que não dispõem do atendimento médico por profissionais brasileiros.

Faltam médicos brasileiros. Faltam padres brasileiros. Aí sim é possível fazer algumas ponderações. Diante da falta de padres brasileiros, a Igreja sempre esteve muito aberta para acolher padres estrangeiros. E o povo sempre recebeu bem os padres vindos de outros países, especialmente da Europa, mas também do Canadá e até dos Estados Unidos.

Para dimensionar melhor o que significou para a Igreja do Brasil a presença de padres estrangeiros é revelador conferir quantos deles acabaram sendo eleitos bispos. Nas últimas décadas, somando os que já são agora eméritos, passa de cem o número de bispos estrangeiros colocados à frente de dioceses no Brasil. Isto representa, propriamente, um terço do episcopado brasileiro.

Claro que a análise deste fato comportaria outros ingredientes que ajudariam a explicar a composição do clero brasileiro. Mas o dado mais eloquente a ser levado em conta é, sem dúvida, a disposição de acolher, sem restrições nem reservas, a presença de padres estrangeiros, com plena jurisdição pastoral.

Esta atitude contribuiu, certamente, para confirmar a fama do Brasil ser um país aberto à universalidade, acolhedor da diversidade, sem maiores problemas de convivência com o diferente, pronto para a harmonia de relacionamentos com pessoas de outras culturas.

O fato evidente é este: a presença de padres estrangeiros foi muito positiva, tanto para o atendimento pastoral das comunidades católicas, como para o conjunto do país, que pôde contar com a valiosa contribuição de pessoas capacitadas e laboriosas, que puderam prestar valiosos serviços sociais junto à população.

Diante disto surge espontânea a pergunta: por que não acolher os médicos estrangeiros, ainda mais diante da carência de profissionais que faz com que centenas de municípios brasileiros estejam desprovidos de atendimento médico?

Diante de situações dramáticas, que precisam de solução urgente, dá para dispensar o apelo à tradição brasileira, de abertura para a diversidade cultural, e centrar nossa motivação na urgência humanitária de socorrer a tantos doentes que acabam morrendo por falta de médico.

Nenhum médico gostaria de ser acusado de omissão de socorro profissional, causado por sua irresponsabilidade.
Certamente a classe médica do Brasil não quer ser responsabilizada pela falta de atendimento profissional a tantas pessoas que precisam com urgência de socorro médico.

Fica o apelo para que a classe médica do Brasil, através de seus organismos de representação, coloque diante do Ministério da Saúde suas ponderações sobre esta demanda, para que se chegue rapidamente a uma solução, que não comprometa a imagem dos médicos brasileiros, não constranja os médicos estrangeiros, e sobretudo se transforme em medidas eficazes em favor dos doentes, para quem a saúde não tem nacionalidade, pois ela goza de cidadania universal.

 

Seminário pretende relembrar a atuação dos cristãos no período da ditadura

seminario

 

 

Nos dias 26 e 27 de junho, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNNB), promove o Seminário Internacional Memória e Compromisso. O evento será realizado no Centro Cultural de Brasília (CCB) e tem por objetivo relembrar a atuação dos cristãos no processo de anistia política e de redemocratização do Brasil durante o período de 1964 a 1988.

Para a CBJP, o resgate dessa memória é fundamental para fazer justiça aos que vivenciaram diversas violações de direitos e para alimentar as esperanças em tempo de opressão, bem como para lançar luzes aos desafios da atualidade. Por isso, o evento pretende provocar reflexões a cerca da conjuntura político-social brasileira com discussões que envolvem o modelo atual de Estado e de desenvolvimento adotado pelo país e suas consequências para a sociedade.

A reflexão contará com a presença de nomes como padre Oscar Beozzo, Hamilton Pereira, padre Leonel Narvaez, Maria Clara Bingemer, Maria Vitória Benevides, frei Carlos Mesters, pastor Walter Altmann, dom Celso Queiroz, entre outros.

O encontro será pautado em análises da conjuntura nacional, internacional e eclesial, do período ditatorial. A reflexão será no sentido de entender quais eram os desafios teológicos e institucionais da Igreja nesse período. Os participantes ainda acompanharão falas sobre os cristãos em luta por transição em diversos países; resgate de experiências e memória da atuação dos cristãos e instituições cristãs; e uma reflexão sobre justiça de transição e desafio cristão de reconciliação, entre outros temas.

Memória e Compromisso

O Seminário consiste na primeira fase do projeto Memória e Compromisso. Esse projeto é realizado em parceria com a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e conta com apoio da Comissão Nacional da Verdade e da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal.

O projeto também conta com a participação do padre Zezinho e Frei Betto, que não participarão do Seminário, mas vão colaborar em outras etapas (como a publicação do livro, do DVD e do CD com as conclusões do projeto).

Participação

Podem participar estudantes, pessoas de todas as denominações religiosas, agentes pastorais, membros de organismos, profissionais e militantes da área de direitos humanos, e demais interessados. Será emitido certificado de participação, com as horas correspondentes.